Quarenta dias sem carne, vai encarar !?

 

Por Rosana Jatobá

O jejum já durava nove meses, tempo em que praticou ioga e se aventurou pela filosofia budista. Mas numa tarde fria do inverno novaiorquino, foi possuído por um impulso atávico, e correu para o Plataforma Grill, pondo fim à sua abstinência. A faca deslizou sem esforço cortando o bife de picanha. Dourada, macia e suculenta, a carne exalava o aroma característico e abrigava o tempero discreto que realça o sabor incomparável. Pediu o segundo pedaço e o terceiro. Voltou pra casa a passos lentos, saciado e feliz.

O meu amigo Hélio me contou esta experiência, indignado com o poder da memória da carne.
– Pra mim, que sou gaúcho, é mais que uma questão cultural. Tá no DNA. Não pude resistir por mais tempo…..

Pra mim, que sou baiana, talvez seja mais fácil.

Resisto à carne vermelha há um ano e cinco meses porque a considero indigesta. Mantive-me firme diante da tentação quando percebi que havia me livrado das cólicas menstruais.

Não sou de apregoar os malefícios da ingestão de carne, como aumento da incidência de câncer ou de doenças cardiovasculares. Tampouco condeno os carnívoros. Mas enfrento bravamente a enxurrada de críticas pelo meu jejum.

-“Você vai ficar fraca e doente.” , diz minha mãe. “A carne é a principal fonte de proteínas, além de ser rica em ferro, minerais e vitaminas. A abstinência pode causar anemia, deficiência de vitaminas do complexo B e de zinco”.

– Por enquanto, os exames anuais mostram que minha saúde é de ferro. Ferro do brócolis, beterraba, couve-flor, agrião, feijão, grão-de-bico, ervilha, lentilha, nozes e castanhas…

Recentemente revi dados sobre o desastre ecológico provocado pela criação de gado no Brasil, o que reforçou a minha convicção .

Nos orgulhamos de ter o maior rebanho do mundo, de sermos os maiores exportadores de carne vermelha, mas fazemos um comércio burro e predador. Hoje temos na Amazônia duas cabeças de gado pra cada morador da região, às custas da destruição do nosso mais precioso bem. Qual será o valor da biodiversidade perdida pelo desmatamento? E o do aumento das emissões de CO2 para transformar floresta em pasto? Quem paga o preço da emissão de metano – gás vinte vezes mais poderoso que o dióxido de carbono – oriundo dos arrotos e flatulências do boi? Se somarmos à conta o desperdício de água contaminada pela pecuária, lá se vão 16 mil litros pra cada quilo de carne produzida.

-Num mundo com um bilhão de famintos, você vem questionar se o pum do boi agride a atmosfera?

– Mas é justamente a criação de gado em grande escala que ameaça a segurança alimentar!

A questão da crueldade com os animais selou de vez a minha privação.

Para que a carne de vitela chegue à mesa com a maciez característica, o bezerro, ainda não desmamado, vai para um lugar escuro e é acorrentado, a fim de que não se mexa e não desenvolva músculos. É alimentado apenas com leite para que fique anêmico e a carne adquira uma cor branca. Não consegue nem andar até o corredor do abate, onde é alvo de uma pistola pneumática que o paralisa antes de ser sangrado, ainda vivo. Este é a cadeia produtiva do baby- beef!!

Mas a compaixão do homem só beneficia alguns poucos escolhidos: os bichos que adentram as fronteiras da casa e se tornam dignos de estimação.

Do contrário, prevalece o exclusivo traço do ser humano de subjugar o animal, tornando-o coisa, reduzida a seu bel prazer para atender a uma futilidade do paladar .

No início do ano visitei um dos “pueblos” do Atacama, o deserto mais seco do mundo. Ao ouvir a sugestão do guia de turismo – aqui vende-se carne de lhama, tenra e saborosa!- , meu marido não hesitou. Correu ao encontro do churrasqueiro ali mesmo na pracinha e pediu o famoso espetinho de lhama com cebola.

Eu reagi:
– Amor, você não pode comer a lhama. Ontem mesmo tiramos várias fotos desse bichinho simpático e você inclusive comentou o quanto ele parecia afetuoso. Não tem pena?

O meu apelo foi em vão.
– Pena? Aqui todo mundo come lhama.

E depois de uma mordida, prosseguiu:
– Hum.. você não imagina que delícia essa carne!

De volta ao Brasil comentei o fato com a minha irmã, que também tinha uma história gastronômica exótica pra contar.
– No periodo em que morei na Austrália, me ofereceram um jantar com carne de canguru. Comi, pensando na viagem que tinha feito no dia anterior para vê-lo de pertinho. O tempo passou, mas até hoje não digeri bem a idéia do canguru na panela.

Voltar no tempo pode ser milagroso quando temos o importante desafio de escolher o alimento.

Na idade média, o povo raramente comia carne vermelha. A iguaria era consumida só em banquetes, nas côrtes e nas residências dos nobres. Eram as orgias chamadas “carnevale”, símbolo da gula, associada ao pecado. É daí que vem o nosso carnaval.

Se é tempo de quaresma , de reflexões e renovações, que tal um jejum de carne vermelha como gesto de conversão? Vamos pedir perdão à natureza, ao corpo e à alma. Vamos converter sangue em sumo. O meu amigo Hélio resistiu à tentação por 240 dias. Você é capaz de pelo menos se abster até a Páscoa?


Rosana Jatobá é jornalista da TV Globo, advogada e mestranda em gestão e tecnologias ambientais da USP. Toda sexta, conversa com os leitores do Blog do Mílton Jung sobre sustentabilidade – e gastronomia, também.

Subprefeitura da Sé e mais 3 não limpam bueiros

 

Ao menos quatro subprefeituras de São Paulo não realizaram nenhum dos serviços de limpeza de bueiro programados para os dias 14, 15, 16 e 17 de fevereiro. De acordo com os dados publicados pela prefeitura na internet, o pior desempenho é o da Subprefeitura da Sé que atende área que sofreu sérios alagamentos nesta semana. Havia 58 ordens de serviço mas nenhum bueiro foi limpo no prazo estabelecido.

A limpeza também não foi feita pelas subprefeituras de Itaquera, zona leste, Pirituba, norte, e Capela do Socorro, sul, para as quais havia 105 solicitações e onde há bairros atingidos por enchentes. Em mais sete subprefeituras, no máximo a metade das ordens de serviço foi realizada. A capital tem 31 subprefeituras.

Nesta quinta-feira, o prefeito de São Paulo Gilberto Kassab (DEM) insistiu na tese de que a administração municipal está realizando os trabalhos de combate as enchentes com qualidade e transparência. Lembrou que agora a população pode acompanhar como está sendo feita a limpeza de bueiros pela internet no serviço “Zelando Pela Cidade” disponível no portal da prefeitura.

No post anterior você tem publicada a entrevista do prefeito feita pela repórter Cátia Toffoletto que registrou imagem de um fiscal da CET desobstruindo bocas de lobo da avenida Eusébio Matoso, na zona oeste, onde ponto de alagamento prejudicava o trânsito pela manhã. Não há no portal da prefeitura nenhuma informação de que o serviço tenha sido realizado naquele trecho da avenida. Aliás, a solicitação para limpeza de bueiro feita pela prefeitura à empresa terceirizada mais próxima do local – na esquina da Rebouças com a Capitão Rosa – não havia sido atendida até 17 de fevereiro, apesar de o prazo ter se encerrado três dias antes.

Pouco adianta a prefeitura alardear que os dados estão disponíves na internet se a limpeza de bueiro não é realizada. Não é preciso acessar o computador para saber disto, basta tentar sair pela cidade em dia de chuva.

Agora o outro lado
(publicado em 19.02, às 20h)

Resposta da Coordenadoria das Subprefeituras de São Paulo:

“Nesta fase de testes, os técnicos das Subprefeituras ainda estão se adaptando à nova ferramenta, o que pode gerar atraso na alimentação das informações sobre os serviços executados. Em tempo, a Subprefeitura Sé informa que todos os serviços de limpeza de bocas-de-lobo programados foram executados”

Canto da Cátia: Ponto de desrespeito

 

Chuva na cidade de São Paulo

A Patrícia Madeira da Climatempo abriu a conversa ressaltando o número de pontos de alagamento na cidade, na quarta-feira (17.02). Teriam sido 92 segundo dados do Centro de Gerenciamento de Emergência da capital. Fiquei curioso para saber se este é um dado relevante para a avaliação feita pelos meteorologistas e ela explicou que a quantidade desses pontos dá a dimensão do temporal e a capacidade da cidade absorver a água da chuva. Estamos mal, segundo estes números.

Pelas ruas, a Cátia Toffoletto assistiu na quarta às ondas que se formavam na avenida Dom Pedro VI no bairro da Lapa, zona oeste da capital. E, hoje, encontrou o fiscal da CET se esforçando para impedir que novos pontos de alagamento se formem na avenida Eusébio Mattoso, próximo da Marginal Pinheiros.


Ouça a reportagem da Cátia Toffoletto que registrou a ação do fiscal da CET e após foi falar com o prefeito Gilberto Kassab que insiste na ideia de que a população reconhece o esforço dele para resolver os problemas.
(publicado às 19h30)

Tem biblioteca e biblioteca, assim como laranja e banana

 

Bibliotecas de São Paulo e Mario de Andrade

O sucesso da Biblioteca São Paulo, no Parque da Juventude, ex-Carandiru, alerta para a situação dos demais equipamentos públicos que prestam serviço semelhante. São 62 sob responsabilidade do município, na capital paulista, além da Mário de Andrade, fechada há três anos para reforma, a segunda maior do País. Para Quartim de Moraes o modelo de gestão da nova biblioteca estadual, uso de Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público – OSCIP, é um dos motivos que levam a qualidade da iniciativa: “comprovou a agilidade e eficiência de um modelo de gestão que permitiu a sua instalação completa e sua inauguração em prazo inacreditavelmente curto para uma obra pública desse porte”, escreveu no Estadão de terça (leia tudo aqui) e repetiu no CBN SP de hoje.

Jornalista e editor associado da Global Editora, Quartim fez contraponto ao citar a demora para reconstrução da Biblioteca Mário de Andrade, na avenida Consolação, que está “à espera de que a burocracia oficial se entenda sobre objetivos, custos e prazos de uma reforma há décadas reclamada, já muito bem concebida e planejada, mas que ninguém ousa prever quando será finalmente completada”.

Carlos Augusto Calil, secretário municipal de Cultura, ousa: em março ou abril será entregue a biblioteca circulante – área pública – e até o fim do ano todas os demais setores. Nega, porém, que a demora esteja relacionada ao modelo de gestão da instituição. Esta teria ocorrido pela complexidade do trabalho e surpresas que foram encontradas na reforma: desde quadrilha que roubava livros a bichos que consumiam livros. Para ele, comparar a biblioteca São Paulo com a Mário de Andrade é misturar “laranja com banana”.

Ouça a entrevista de Quartim de Moraes ao CBN SP

Ouça o que disse o secretário Carlos Augusto Calil ao CBN SP

Pra fechar: depois da promoção em relação a inauguração da Biblioteca São Paulo muita gente foi surpreendida ao dar de nariz na porta, na segunda-feira de Carnaval, único dia da semana em que o equipamento fica fechado. Esperavam que por ser um feriado prolongado e a biblioteca uma atração, estivesse aberta. Talvez seja de repensar a escala de trabalho para atender a demanda nestes dias em que o cidadão tem oportunidade de andar pela cidade e visitar os locais mais interessantes.

O aquecimento global e a chuva de hoje no Roda Viva

 

Carlos Nobre do Inpe no Roda Viva

O Roda Viva é daqueles programas que o entrevistado não consegue dizer tudo que pensa, os entrevistadores não conseguem perguntar tudo que querem e o telespectador não ouve tudo que precisa. Mas todos querem participar, o público, inclusive. Nesta segunda, ao entrevistar o pesquisador do INPE Carlos Nobre, das maiores autoridades sobre clima no País, a sensação não foi diferente, tanto que a conversa seguia em frente no intervalo do programa. E não parou ao fim.

Nobre olhou de mais para o aquecimento global, e demonstrou confiança nos dados que tem servido de base para as previsões de impacto com as mudanças climáticas. Entende que se há erros – e estes tem sido usados para desacreditar os estudos apresentados – são poucos e justificáveis. Para ele, grupos econômicos que tem interesses contrariados estão por trás das críticas. Parte da indústria de petróleo, citada pelo Heródoto Barbeiro, estaria neste grupo.

“A ciência é neutra” tentou explicar. E os cientistas ? Respondeu-me voltando o olhar para o alto do estúdio, hábito que manteve durante a hora e meia de entrevista. Parecia querer encontrar no céu a resposta para as coisas da terra. Não chega a ser surpresa, foi decifrando estes códigos que ele e os colegas pesquisadores chegaram a conclusões trágicas para o futuro do planeta se nada for feito. Acredita que os cientistas tem convicções e usam de dados concretos para convencer o mundo. Ou seja, não mentem. Mas podem cometer erros.

Na outra oportunidade que tive de perguntar, tentei olhar o impacto do nosso comportamento no ambiente urbano. Afinal, o Roda Viva abriu com um proposta registrada em vídeo: descobrir se a enchente em São Paulo ou a nevasca na Europa são efeitos do aquecimento global alardeado pelos cientistas. Sim e não, disse Nobre.

Fiquei com a impressão de que não. O que temos é resultado de hábitos que desrespeitam a lógica da natureza: ocupação desordenada, devastação de áreas verdes, impermeabilização do solo e falta de gerenciamento urbano. Não fomos capazes, ainda, de preparar a cidade para novos parâmetros, como o volume maior de chuva em relação há 50 anos. Nem de crer no que mostram os mapas meteorológicos.

O risco de esgotamento das represas em São Paulo foi anunciado em setembro pelo Inpe, a Sabesp fez simulações de controle de vazão, mas na hora H segurou o que pode e tenta até hoje convencer os municípios alagados de que a culpa não é dela . É da chuva, de Deus ….

Adaptação foi tema de outra questão que me permiti fazer em meio a tanta gente especialista no assunto: Washington Novaes, Martha San Juan França e José Carlos Cafundó. Queria saber o que isto significa de maneira prática. Resumo do que disse Nobre: investir até onde a engenharia permite, implantar plano de macrodrenagem com novos parâmetros e remover famílias de áreas de risco.

Em determinado momento da conversa, levado pelo próprio entrevistado, o olhar se voltou para o campo, apesar de boa parte da população brasileira – e mundial – ser urbana. E no instante mais bem humorado e não menos sério do Roda, o cartunista Caruso desenhou um boi temendo por seu destino e soltando pum. A flatulência e os arrotos dele e seus parentes emitem 50% mais gases de efeito estufa do que todo setor de transportes.

Foi o gancho que precisava para ao menos chamar atenção do cidadão sentado no sofá diante da televisão que aquela altura deveria estar imaginando: por que deixar meu carro em casa se o boi é que faz a m ….. no campo ? As ações não são isoladas, a mudança de hábito deve ocorrer na cidade e na fazenda, as medidas precisam ser adotadas pelo indivíduo, sim, mas também pela iniciativa privada e o poder público.

Estamos todos neste mesmo barco que pode afundar daqui 50, 100 anos por causa do aquecimento global como insistem os cientistas – ao menos boa parte deles – ou emborcar amanhã mesmo com uma chuvarada que faz despencar nossas casas e vidas.

Veja mais imagens do programa no álbum da Tv Cultura no Flickr e detalhes no programa no site da emissora.

O “dois andares” muito antes de Jânio Quadros

 

O ônibus de dois andar que é parte do cenário de Londres, na Inglaterra, rodou em algumas cidades brasileiras e apesar de ter tido vida curta deixou sua marca na história do transporte de passageiros e ganhou o apelido de Fofão

Fofão, ônibus de dois andares

Por Adamo Bazani

Foi em São Paulo, trazido por Jânio Quadros, que os ônibus de dois andares ganharam as manchetes no Brasil e geraram enorme polêmica. Ao contrário do que a maioria imagina, porém, estes modelos não transportaram passageiros apenas na capital paulista. Foram usados em diversas cidades brasileiras, como Osasco na Região Metropolitana, com o mesmo resultado: uma decepção. Nem tanto pelos ônibus em si que tinham bom desenho, estabilidade e potência, mas pela falta de estrutura viária.

Fofão era o apelido desses ônibus batizados oficialmente de Thamco O.D.A – ônibus de dois andares. Eles começaram a rodar em Osasco na gestão do prefeito Francisco Rossi (1989-1993). As primeiras quatro unidades foram compradas pela CMTO- Companhia Municipal de Transportes de Osasco, em novembro de 1990, mesmo ano em que estavam sendo aposentados os 30 ônibus que operavam na capital.

A CMTO usava os Thamco ODA da mesma forma que a CMTC – Companhia Municipal de Transportes Coletivos – na cidade de São Paulo. Eles transportavam passageiros em linhas centrais que serviam os terminais e pontos de transferência. A altura destes veículos, porém, era incompatível com o circuito que faziam e os ônibus por onde passavam arrancavam galhos de árvores e fios elétricos, provocando a mesma polêmica da capital. Não demorou muito para serem aposentados.

Apesar disso, a sensação de ter um veículo como os londrinos for marcantes, relatam moradores que usaram os ônibus de dois andares. Havia pessoas que esperavam o ônibus no ponto só para passear no andar de cima. Desdenhavam a passagem de um modelo convencional apenas pela oportunidade de rodar no Fofão.

Apesar da vida curta, o modelo foi um clássico e deixou sua marca na história do transporte no Brasil. E mesmo que a ideia de utilizá-los em linhas normais tenha sido abandonada tão rapidamente, dois modelos Fofão ainda poder ser vistos em Osasco. Habitualmente, eles são usados no Projeto “Redescobrindo Nossa História” com um desenho que lembra mais os ônibus de turismo que rodam em Nova Iorque do que os de transporte de passageiros de Londres. Tem o teto cortado e oferecem uma visão melhor para as visitas a pontos turísticos da cidade como o Viaduto Metálico Reinaldo de Oliveira, av. dos Autonomistas e Parque Chico Mendes

O Fofão de Osasco é pintado de vermelho e ilustrado com imagens antigas da cidade e de pontos turísticos. Nem sempre foi assim. Apesar de Francisco Rossi, a exemplo de Jânio Quadros, ter tentado “londrinizar” o transporte na cidade, na época em que estava em operação nas linhas municipais o ônibus de dois andares era branco, padrão da empresa que operava o transporte em Osasco.

Apenas por curiosidade: a CMTO imitou diversos passos da CMTC, segundo profissionais do transporte de Osasco. Não apenas pela compra do Fofão. Assim como em São Paulo, a companhia inicialmente operava o sistema – isto ocorreu em 2006 – para depois ser apenas a gerenciadora. Na capital, a transformação ocorreu em 1993. Se é verdade ou não que a companhia de Osasco copiava a paulistana é coisa que demanda longa discussão, mas que a empresa se tornou economicamente inviável como operadora, a exemplo da CMTC, é um fato.

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De ilusão

Chove em São Paulo


Por Maria Lucia Solla

ilusão
quero esquecer por um tempo
quem acredito ser
quero não pensar
não ter que escolher
não ter que sofrer

quero me transformar agora
em todos em tudo
e deixar-me visitar
pela dor da perda da guerra do desamor
que revelam tanto horror

quero dar abrigo à solidão
que dividirá espaço com o amor
na mente e no coração

quero encarar tudo
com a mesma garra
todo dia
não quero mais
padecer por ninharia

quero que esse tempo de entrega
vá tomando cada vez
mais tempo do meu dia
para que um dia chegue
a tomar-me
todo o tempo

o dia em que eu contiver e for contida
por todos por tudo
adeus choramingar
à Vida
sem medo nem limite
vou me entregar

no dia em que eu vir claramente
o que hoje me horroriza quanto serpente
assumindo que tem morada em mim
desde sempre
de ontem de amanhã de agora
esse horror todo que vejo lá fora

então
a verdadeira compaixão
vai jorrar de mim
porque você
tão pecaminosamente quanto eu
tem travado contra a Vida
uma luta sem fim

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza cursos de comunicação e expressão. Escreve aos domingos no Blog do Mílton Jung querendo ser tudo aquilo que já sabemos que é.