Rio Tietê transborda (Foto: Pétria Chaves/CBN)
Confira mais fotos da enchente em São Paulo na manhã desta terça-feira.
Rio Tietê transborda (Foto: Pétria Chaves/CBN)
Confira mais fotos da enchente em São Paulo na manhã desta terça-feira.
Uma moto surge abandonada em meio a congestionada 23 de Maio, em São Paulo. Os motoristas e motoboys passam no entorno dela, são obrigados a reduzir a velocidade, buzinam sabe-se lá para quem, e levam um susto quando de repente o dono corre em direção a ela, monta e sai acelerando. A sequência foi registrada pelo ouvinte-internauta Luis Fernando Lis do alto do viaduto da rua Cubatão e apesar dele ter acompanhado todos os movimentos até agora está sem entender o que aconteceu. O que teria feito de tão urgente o motoboy ‘estacionar’ no meio da avenida ?
A história de um menino surdo-mudo foi destaque na conversa de toda segunda-feira com Cid Torquato, no Cidade Inclusiva. Gabriel, 14 anos, estuda na Escola Municipal de Educação Especial Helen Keller, conhecida na capital paulista por sua habilidade em trabalhar com estudantes surdos. Ele está no terceiro ano do ensino fundamental, convivendo com crianças da idade dele e espaço adaptado para o desenvolvimento de diversos projetos que ajudam no desenvolvimento e na inclusão educacional.
Por não enxergar as gravuras, Gabriel teve a colaboração da professora Márcia Furquin e montou livros táteis com material que transmite a sensação dos ítens que estão nos desenhos. Árvores, por exemplo, surgem com cascas de tronco e folhas colados; para representar as escamas do peixe, paetês, enquanto a água é representada por gel.
De acordo com a descrição recebida por Cid Torquato, há mais material construído para tornar possível a comunicação com Gabriel. Um calendário na sala de aula ajuda o menino a acompanhar os dias da semana e a passagem dos meses; há ainda outro com o nome dos colegas e figuras que identificam se é menino ou menina.
A presença de Gabriel é um aprendizado para ele e para todos os demais que compartilham o seu desenvolvimento educacional. Segundo Torquato, a maior dificuldade para a criação de uma estratégia pedagógica para crianças surdas-cegas é a falta de experiência nesta área, a medida que são poucos os alunos – calcula-se de 250 a 300 no máximo – com esta deficiência.
Ouça o comentário de Cid Torquato no CBN São Paulo
Por Adamo Bazani
Sebastião Passarelli, empresário do setor de ônibus, assistiu a transição entre duas fases importantes da indústria no ABC Paulista e a expansão da região metropolitana. Temas deste segundo capítulo da história deste empresário de ônibus, de 81 anos.
No início dos anos 60, a região do ABC Paulista era um dos principais centros de fabricação de móveis do Brasil. Devido a proximidade de Santos, o principal porto comercial da América Latina, e a vasta plantação de eucaliptos, a região, principalmente São Bernardo do Campo, fabricava todo o tipo de mobília, que não só era vendida no Brasil, como no exterior.
A indústria moveleira demandava na época mão de obra mais simples e menor. E os transportes para São Bernardo do Campo refletiam esta realidade, tendo crescido para atender essa segmento. Mantinha linhas de ônibus mais curtas para transportar número restrito de operários.
Com o advento da indústria automobilística, a realidade mudou. As fábricas eram maiores, a mão de obra mais qualificada e abundante. Segundo Passarelli, isto influenciou ativamente os transportes urbanos. Com mais gente para transportar, e gente que exigia maior qualidade no serviço, o empresário de ônibus teve de investir pesado na modernização do sistema.
O serviço, até o início da indústria moveleira quase artesanal, teve de se profissionalizar para atender as necessidades que surgiam de maneira muito rápida: bairros eram criados da noite para o dia, as distâncias entre trabalho e casa aumentavam. O poder público, de diversas cidades da região, principalmente de São Bernardo do Campo e Santo André, teve de intervir para organizar o sistema de transportes. A relação entre empresários e autoridades foi pautada muito mais por questões técnicas. Não se criava linhas por simpatia com determinado empresário ou apenas de forma experimental, como ocorria até então. Teve de haver planejamento.
Sebastião Passarrelli lembra os principais passos dessa transição. O serviço tinha ainda de atender aos trabalhadores da indústria de móveis, mas também aos que iam atuar nas fábricas de carros e peças de veículos. Algumas linhas, que serviam os centros moveleiros tiveram de atender, num primeiro momento, uma grande mão de obra da construção civil, formada por migrantes, principalmente das regiões Norte e Nordeste do Brasil. Esse trabalhadores atuavam na construção dos parques das indústrias de carros. Depois, era necessário atender aos operários que atuavam diretamente na industria automobilística.
Passarelli ressalta que essa mudança não aconteceu da noite pro dia. “Fabricação de móveis e de carros conviveram de maneira intensa no ABC Paulista, por alguns anos, na década de 1960. Uma crescia e outra diminuía. Não podíamos, no entanto, simplesmente abandonar as linhas que serviam pólos moveleiros, mas também não podíamos perder a oportunidade de atender a demanda da indústria automobilística, que era o futuro da demanda dos transportes. Tivemos de resolver rapidamente equações de demanda/número de carros/número de linhas. As vezes tínhamos de priorizar algumas linhas em detrimento de outras. Foi necessário dar uma nova cara aos transportes no ABC Paulista e remanejar linhas e veículos”.
A violência no espaço Parlapatões na praça Roosevelt foi considerada um caso isolado por um dos fundadores do grupo de artistas que mantém o local. Hugo Possolo disse que o assalto que deixou o companheiro dele Mário Bortolotto gravemente ferido pode ocorrer em qualquer ponto da cidade. O importante para ele é que o cidadão não se torne refém desta situação e saiba reagir com inteligência, como fizeram cerca de 400 pessoas na noite de domingo que se reuniram no mesmo local em que Bortolotto foi baleado (leia sobre o encontro no Blog São Paulo Urgente, onde você encontrará uma série de fotos na homenagem ao diretor artístico).
Hugo Possolo explicou a importância do trabalho cultural no entorno da praça Roosevelt e está confiante de que o projeto de recuperação da área, de responsabilidade da prefeitura, possa avançar nos próximos meses:
Ouça a entrevista de Hugo Possolo, dos Parlapatões
Uma das ironias deste caso de violência é o fato de Mário Bortolotto, que está hospitalizado e em coma induzido, manter um blog com o nome “Atire no dramaturgo”.
O assalto que feriu gravemente o diretor artístico Mário Bortolotto, na madrugada de domingo, chamou atenção para a praça Roosevelt, no centro de São Paulo, que está a espera de um interminável programa de revitalização prometido desde 2005 pela prefeitura. Na entrevista que foi ao ar no CBN São Paulo, a gerente de intervenções urbanas da Emurb Rita Guimarães Silvestre Gonçalves disse que os planos já existem há 20 anos e a demora se deve a burocracia para liberação de parte dos R$ 40 milhões que vem de bancos internacionais.
Há três anos, ouço no CBN São Paulo autoridades da prefeitura sobre a obra de revitalização da Roosevelt. O último que havia falado sobre o tema foi o ex-secretário das Subprefeituras Andrea Matarazzo que no fim do ano passado disse que as obras seriam entregues em 2010. Hoje, não há sequer processo de licitação aberto para contratação da empresa que tocará a obra.
Inaugurada em São Paulo, neste domingo, a árvore de Natal diante do parque do Ibirapuera. A foto é da repórter da CBN Juliana Paiva que esteve lá e conta para você como foi a festa que faz parte da promoção Natal Iluminado:
Instigado pela afirmação do secretário das Subprefeituras de que São Paulo está preparada para as enchentes, o ouvinte-internauta Douglas Nascimento me convidou a visitar o álbum digital dele no Flickr para ver fotos feitas durante o temporal da semana passada, na região do Bom Retiro, tradicional área de comércio popular na capital.
Uma dupla satisfação neste fim de semana. Duas das pessoas que admiro pela forma como encaram a vida e pelo tanto que influenciam a dos outros (para o bem) foram destaque na mídia. Sérgio Vaz que teve seu nome apresentado na seleção dos 100 brasileiros mais influentes em 2009, pela revista Época. E Sebastião Nicomedes que conta a reconstrução de sua história na revista Mente Aberta.
De Vaz, criador e criatura da Cooperifa, lembro que aqui esteve inúmeras vezes com seus textos e provocações. Na Época, foi apresentado pela escritora e professora da faculdade de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro Heloísa Buarque de Holanda:
Sergio nasceu, foi criado e vive em Taboão da Serra, na Zona Sul de São Paulo, onde bem cedo descobriu o potencial político da palavra. poeta e leitor apaixonado, ele viu que, além de prazeroso, o trabalho com a poesia poderia ser um fator de transformação social. Sérgio pôs mãos à obra e criou a Cooperifa, um dos mais fascinantes laboratórios de tecnologia social de que temos notícia”.
…
Em meio ao entusiasmo que dá o tom na Cooperifa, descobre-se a palavra como poder, o livro como carta de alforria, o sarau como quilombo. Não se volta para casa incólume quando se assiste a um sarau na Cooperifa. Isso é Sérgio Vaz.
De Tião, que morou na rua, tive o prazer de conhecer em entrevistas ao CBN São Paulo, primeiro, e com textos que encaminhava por e-mail para publicação no Blog, depois. Em Mentes Abertas, o jornalista Paulo Gratão, traça a caminhada dele desde que nasceu em Assis, a queda de um prédio em obras que o levou ao abandono, a fome que teve de enfrentar e a forma como se ergueu na arte e no aprendizado:
Entramos em uma sala, onde algumas pessoas manuseavam tinta, papel, latas e outros objetos descartados pela sociedade. Tião nos recebeu e pediu que aguardássemos, com uma seriedade de professor, enquanto mantinha a atenção voltada a um brinquedo que era construído por um de seus alunos. Todas as obras surgiram das mãos que víamos ao nosso redor. Mãos calejadas que todos os dias matam leões de fome, miséria e preconceito. Mãos que abatem as lágrimas que rolam quando a necessidade grita. Mãos que constroem a miniatura do Pátio do Colégio com jornais velhos.
Tião nos olhou com um largo sorriso e chamou-nos para o salão vazio à frente, com uma janela de fundo que vez ou outra mostrava o trem e seu evidente barulho, interrompendo a conversa, mas contribuindo para revelar muita coisa que era dita no silêncio
Tião e Sérgio são daquelas pessoas que nos ajudam sempre a acreditar que vale a pena investir no ser humano.
Para facilitar a comunicação com o cidadão surdo, a Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida lançou o projeto Celig (Central de Libras, Intérpretes e Guias-Intérpretes). A Central tem terminal de computador e webcam para que a pessoa possa conversar à distância, pelo monitor, com intérpretes Libras que estarão preparados para transmitir todas as informações que, atualmente, estão disponíveis ao público ouvinte pelo telefone 156. Por enquanto, apenas as subprefeituras da Sé, Mooca e Lapa terão o serviço à disposição.
O uso da tecnologia para facilitar a inclusão das pessoas com deficiência será discutido nesta semana em encontro internacional promovido pela secretaria estadual que trata do tema, no governo paulista. Haverá painéis de debates e exposição entre os dias oito e dez de dezembro, no WTC Convention Center.
Logo na abertura, terei a oportunidade de mediar discussão que tem como foco a cidade inclusiva – assunto que é nossa pauta toda segunda, no CBN SP, nas conversas com Cid Torquato. A proposta do encontro é falar de ações que transformem o meio urbano “em um ambiente onde todos, independentemente de sua condição, possam usufruir do transporte, da saúde, da educação do simples ir e vir”
Estarão no debate o psiquiatra Jacob Goldeberg, o presidente da Associação Nacional de Transportes Públicos Ailton Brasiliense, o secretário municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida da capital paulista Marcos Belizário, os prefeitos Eduardo Cury de São José dos Campos e Osvaldo Franceschi Jr de Jaú, e a vereadora paulista Mara Gabrilli.
“Transformação: Uma cidade para todos” será nesta terça, 08.12, das duas e meia às quatro da tarde.