Ambientalista pede taxa para inspeção veicular

O cidadão que anda de metrô é obrigado a pagar a taxa de inspeção veicular ambiental. O passageiro de ônibus e o ciclista, também, apesar deles não usarem carro na cidade de São Paulo. O pagamento se dá através dos impostos públicos já que a prefeitura decidiu bancar o programa com recursos próprios em vez de cobrar dos proprietários de veículos. A tarifa cobrada para que o carro passe pelo centro de inspeção da Controlar é devolvida no mês seguinte pela prefeitura.

É com base nesta lógica que o integrante do Grupo de Meio Ambiente do Movimento Nossa São Paulo Eric Ferreira defende a ideia de que o causador da poluição financie o programa de inspeção veicular. Ele pretende levar a proposta para o seminário que se realiza, amanhã, na Assembleia Legislativa de São Paulo (leia mais aqui)

Ouça a entrevista de Eric Ferreira, do Nossa São Paulo, na CBN

Foto-ouvinte: O cachorro e o ciclista

O ciclista e o cachorro

Foi um colega de escritório do ouvinte-internauta Pitter Rodriguez quem flagrou esta cena inusitada de um passeio de bicicleta na avenida Paulista. Se o melhor amigo do homem é o cão por que não levá-lo para dar uma volta de bicicleta. Clique na imagem acima e você verá mais uma série de fotos desta pedalada canina.

Seminário e audiência pública discutem poluição veicular

Na mesma data, na mesma hora e em dois locais diferentes, autoridades e técnicos discutirão os efeitos da poluição provocada pelos carros na cidade de São Paulo. Conforme informamos, ontem, aqui no blog, o Ministério Público promoverá audiência pública na qual questionará o resultado do programa de inspeção ambiental veicular, em vigor desde o ano passado na capital paulista, nessa quarta-feira, às duas da tarde, na sua sede no centro da cidade.

Mais para o lado do Ibirapuera, na sede da Assembléia Legislativa, também às duas da tarde, a qualidade do combustível que abastece a frota paulista será debatida pela Petrobrás, fabricantes de carros, ministérios Público Federal e do Meio Ambiente, Cetesb e o Movimento Nossa São Paulo.

A procuradora federal Ana Cristina Bandeira Lins poderá explicar o termo de compromisso assinado com o objetivo de implantar no Estado a distribuição de combustível menos poluente que deveria ter se iniciado em janeiro de 2009, mas por irresponsabilidade do Governo Federal, Petrobrás e Anfavea, teve de ser parcialmente adiado. Com isso se perderá ainda mais tempo no programa de combate a poluição veicular nos grandes centros urbanos.

Petrobrás e Anfavea, provavelmente, repetirão a desculpa que tem usado para se defender do fato de não cumprirem com a resolução nº 315 do CONAMA que previa a utilização do diesel S-50 na frota de São Paulo. No Brasil, o diesel queimado por caminhões, por exemplo, tem 2 mil partículas por milhão de enxofre, enquanto o diesel previsto na resolução tem 50 partículas por milhão de enxofre.

O seminário “Poluição Veicular. Controlar é Possível – A Importância de Combustíveis Menos Poluentes e o Futuro do Programa de Controle de Emissões Veiculares (PROCONVE)”  é promovido pelo deputado estadual Donisete Braga (PT-SP).

O interesse pelo tema se justifica quando se sabe que, segundo o laboratório da poluição da USP, são 12 pessoas por dia as que morrem vítimas da poluição na cidade de São Paulo.

Foto-ouvinte: ‘Puxadinho’ tira espaço da calçada

Calçada-garagemAs calçadas paulistanas oferecem todo tido de surpresa. De carros estacionados ao piso irregular, é possível encontrar uma série de barreiras urbanas que prejudicam a circulação dos pedestres. Algumas são móveis, como as cadeiras de bares que desrespeitam o espaço público outras fixas, bem firmes, construídas à ferro, com todo o cuidado, como este muro/portão que avançou na calçada da rua Álvaro Rodrigues, na Vila Cordeiro, na zona oeste. O ouvinte-internauta Ricardo D’Andrea descreve a construção como uma “obra de arte” em homenagem a falta de cidadania. Já registrou queixa no site da prefeitura (7978572, 24/10/2008). Até agora não teve resposta à reclamação. Quem sabe agora que ganhou fama.

Agora o outro lado (publicado em 10/03, 20:13)

“Em relação ao “puxadinho”, denunciado na rádio CBN e no seu Blog, a subprefeitura de Pinheiros notificou e intimou, em 17/2/09, o proprietário do imóvel que realizou o puxadinho a desocupar a área pública, com base na Lei 15.086/78. Caso não atenda à intimação, uma equipe de obras da subprefeitura removerá a construção, para desocupar o espaço público.

Atenciosamente,
Ricardo Vendramel
Assessoria de Comunicação
Subprefeitura de Pinheiros”

Baltazar: um sonho, uma foto e 3 mil ônibus

Por Adamo Bazani

Baltazar e o ônibus
Baltazar, de gravata, com um de seus primeiros ônibus, carroceria Ciferal, Mercedes Benz

Quem via o menino de cinco anos freqüentando todo o dia uma garagem de ônibus na região de Patos de Minas, em Minas Gerais, jamais imaginaria que ele se tornaria um dos maiores empresários do País. Atualmente, dono de cerca de 3 mil ônibus em sociedade com outros empresários, em 20 viações, Baltazar José de Souza, 62 , teve sua vida, desde a infância, dedicada ao transporte, por necessidade e paixão.

Paixão porque era bem tratado na pequena garagem de ônibus que freqüentava e ajudava a varrer, limpar peças e organizar papéis.

Necessidade pois aos oito meses perdeu o pai, a mãe se transformou em chefe de família e ele e os quatro irmão se viram obrigados a pegar pesado desde cedo.

Além de frequentar a garagem, onde às vezes ganhava um troquinho ou uma ajuda e às vezes nem um obrigado, Baltazar trabalhou de  ajudante de caminhão, no carregamento de carga, aos 10 anos.  Quando adolescente, vendeu arroz e outros produtos agrícolas, boa parte da produção plantada e colhida pela família, desde São Paulo até o Pará. Ele não pode estudar por muito tempo e brincar era luxo.

Na mente, porém, a certeza de que deveria ajudar a família e seu negócio teria de ser com transportes: “Eu sentia na pele a dificuldade para ganhar cada centavo. E não esbanjava dinheiro. Não comprava pra mim nada além do necessário e guardava todo o pouquinho dinheiro que sobrava”. Ainda em Minas Gerais, Baltazar, com 13 anos fazia de tudo na garagem de ônibus da antiga Viação São Cristóvão. Lá,  teve a oportunidade de conhecer toda rotina de uma empresa de transportes.

“Minha área de atuação era o País. Prá mim não tinha distância e dificuldade. Com 16 anos, em 63, soube que uma empresa estava quebrada em Cáceres, decidi arriscar todas minhas economias e comprei a viação, coincidentemente chamada de São Cristóvão, o mesmo nome da empresa que eu freqüentava com cinco anos de idade e que eu trabalhei na adolescência e aprendi um pouco de tudo sobre o setor” – conta Baltazar.

Os ônibus velhos faziam a linha Cáceres – Cuiabá. Foi a prova de fogo para Baltazar. Ele fala que nem dava pra dizer que as condições das estradas eram ruins na época, porque praticamente nem estrada existia. “Eu tinha de saber de mecânica, administração e direção. Tinha vezes que não dormia por três dias seguidos. As viagens eram demoradas e em praticamente todas os veículos quebravam. A região Centro Oeste do Brasil foi meu berço como empresário”.

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MP faz audiência pública para inspeção veicular

O cidadão terá excelente oportunidade para perguntar tudo aquilo que gostaria sobre inspeção veicular obrigatória, em São Paulo, e jamais conseguiu. O Ministério Público Estadual realizará audiência pública para obter informações sobre o programa em vigor desde o ano passado na capital paulista e ouvir a sociedade.

De acordo com o promotor de Justiça do Meio Ambiente da Capital José Eduardo Ismael Lutti “esse é o melhor meio de os cidadãos terem a oportunidade de discutir assuntos relevantes com as autoridades constituídas, tornando a questão transparente e o debate democrático”.

Foram convocados para falar sobre o tema o secretário municipal do Verde e Meio Ambiente, Eduardo Jorge, o diretor da Controlar, Ivan Pio de Azevedo,  o doutor Paulo Saldiva, uma das maiores autoridades médicas no estudo dos efeitos da poluição do ar, e o engenheiro Alfred Szwarc, da Environmentality – Tec. Com Conceitos Ambientais.

Além das perguntas que poderão ser feitas diretamente aos convidados, os participantes do encontro terão o direito de apresentarem sugestões para o programa. A audiência pública será na quarta 4, às duas da tarde, na sede do Ministério Público, na rua Riachuelo, 115, centro de São Paulo.

Quem não tiver tempo para comparecer na sede do MP terá a chance de assistir ao debate pela internet no site da Associação Paulista do Ministério Público.

Ouça a entrevista com o promotor José Eduardo Ismael Lutti (publicado às 12h09, 02/03)

De cappelletti

Por Maria Lucia Solla

Olá,

Cappelletto, é palavra italiana que quer dizer chapeuzinho. E cappelletti é seu plural. Chapéu me leva a um dito americano que diz: Lar é onde você pendura o chapéu. Agora, não dá para enveredar por essa via de raciocício sem pensar na minha tia e nos seus capeletes que, ao menos na minha família, são sinônimo de tia Inês.

Cobertos de magia, eles atraem a família toda. No dia de Natal, é batata! Quero dizer capeletes, que caem como carinho, no estômago espancado pelo pupurri da véspera.

Minha tia junta gregos e troianos em volta da mesa, desde sempre. Chegam pelos olhos, ficam pelo estômago, e acabam deliciosamente presos nas teias do coração. Para mim é o verdadeiro Natal. Escapo da noite onde o que se espera são os presentes, e o resto é pura consequência.

Maria Lucia e a Tia Inês

Na casa da minha tia chegam todos. Filhas, genros, netas, netos e uma bisneta. Agregados também são bem-vindos, e eu e meus filhos, quando calha de estarmos por perto.

A tia se prepara com antecedência. Recheia e molda cada capelete. Reune e une a família. Seu calendário gastronômico envolve também a Sexta-feira Santa, com “o” bacalhau, e a cada data festiva do calendário gregoriano ela alimenta e reforça as raízes da árvore da família.

E a as raízes da árvore da sua família, como são reforçadas?

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Ouça “De Capelletti” na voz da autora.

Maria Lucia Solla é terapeuta e autora do livro “De Bem Com a Vida Mesmo Que Doa”, publicado pela Libratrês. Aos domingos, nos serve um cardápio de reflexões.