O IPTU de São Paulo, a coceira e a falta de lógica

 

Por Julio Tannus

 

Em um país como este, salve-se quem puder!

 

1) Após aguentar por um bom tempo uma coceira pelo corpo, resolvi dar um basta. Procurei uma médica dermatologista. Saí de seu consultório esperançoso, com receitas e exames a serem feitos. Com o passar do tempo, não obtive nenhum diagnóstico e a coceira voltou.

 

Minha caminhada continuou sempre focada na ideia de dar um fim a esse sofrimento. Consultei uma clínica especializada em alergia e o resultado foi idêntico. Imediatamente consultei outro dermatologista e o resultado foi o mesmo: minha coceira persistiu.

 

Resolvi então apelar para uma médica dermatologista especializada em acupuntura. Parecia que finalmente estava chegando ao fim do túnel. Paralelamente foi recomendado que eu fizesse alguns exames na tentativa de encontrar a origem da coceira.

 

Recorri então a um dos mais conceituados hospitais para me submeter a um raio-x e ultrassonografia do abdômen total. O laudo da ultrassonografia dizia: “Discreta alteração textural hepática, com pequena área hipoecogênica junto à bifurcação portal (a tomografia computarizada pode trazer informações adicionais). Fui recomendado a fazer a tomografia. Dirigi-me então ao mesmo hospital para fazer uma tomografia computadorizada de abdômen total. O laudo dizia: “Achados da transição tóracoabdominal: acentuado enfisema pulmonar centrolobular e parasseptal e irregularidade cortical na porção lateral do 11º. arco costal esquerdo, podendo representar fratura consolidada”.

 

A dermatologista recomendou que eu fosse de imediato a um médico pneumologista para aprofundar o diagnóstico de “acentuado enfisema pulmonar”. Recorri então a um médico do próprio hospital onde havia realizado os exames. Após a leitura das imagens da ultrassonografia e da tomografia e de um exame clínico, eis o diagnóstico do médico especialista: “O senhor não tem absolutamente nada no pulmão, o laudo está totalmente equivocado”.

 

2) O cidadão, por problemas de segurança (teve sua casa assaltada), resolve mudar para um apartamento. Passados sete anos em sua nova residência, ele se dá conta que o valor do IPTU mais que dobrou no período. Como ele vive de aposentadoria, resolve consultar a Prefeitura de São Paulo sobre o porquê do aumento tão elevado, uma vez que sua aposentadoria não teve qualquer aumento, e sim as correções decorrentes da inflação. A explicação que conseguiu apurar para esse fato é que os imóveis na região foram muito valorizados.

 

E ele então arguiu: se sou proprietário de um imóvel e não tenho nenhuma intenção de comercializá-lo, porque um órgão público quer se beneficiar de sua valorização? Não seria o caso de obter vantagem sobre essa valorização apenas no caso de venda do imóvel?

 

E desfiou seu descontentamento e indignação para o atendente da Prefeitura: o retorno obtido com esse elevado aumento do imposto é inexistente! Continuamos com as vias públicas em péssimas condições, esburacadas, cheias de remendos mal feitos. A iluminação pública, no geral, é deficiente, propiciando todo tipo de insegurança aos cidadãos. Toda a vegetação não tem o tratamento adequado. Sem falar na falta de segurança. Que tristeza!

 

E agora nos vemos frente à frente com um Prefeito e Câmara de Vereadores aumentando mais ainda esse maldito imposto. Um dos argumentos usados é que o valor dos condomínios nesses bairros com imóveis mais valorizados são bem mais elevados que o IPTU. Raciocínio ridículo, para não dizer totalmente idiota. Ora, se descontarmos o valor dos impostos nas despesas de condomínios, que só no caso das despesas com funcionários acresce-se cerca de 50%, o argumento cai por terra.

 

Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada
Co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier) e escreve no Blog do Mílton Jung

De felicidade

 

Por Maria Lucia Solla

O que pode nos fazer felizes é um número infinito de combinações e de possibilidades, ou de ‘dependes’. Depende do dia, da hora, da situação, da conta bancária, do trânsito, da saúde, da família, de amigos e amores, do cabelo, de tempo e do tempo, da fome e de sede.

 

Quanto tempo passamos, por dia, fazendo o que nos faz felizes?
Depende das nossas escolhas, mas deixemos que o LEXIGRAMA apresente a Felicidade.

 

FELICIDADE

 

Felicidade tem ALÍCIA, (αλήφεια, ας), que em grego quer dizer ‘verdade’, ‘realidade’, e traz Cleide (κλειδί, ioύ), que quer dizer chave. Faz sentido?

 

FELICIDADE tem MALÍCIA, tem ELE e ELA, DELE E DELA, tem FEDIDA e tem FIEL. Tem FIDEL, mas só com IDA, porque a volta faltou.

 

Tem CIDADE e tem LEI, o que não é coincidência, vindo dela. Tem FÁCIL, acredita?, e tem FÉ e DELÍCIA. Não falta para ninguém, de qualquer IDADE.

 

Tem CAÍ, mas também tem E DAÍ!

 

Tem CIDA que é apelido de APARECIDA, e que quer dizer ‘a que surgiu, a que faz milagres, tem ELI, o Sumo Sacerdote, o Altíssimo, e tem DÉLIA, mas não tem Carina.

 

Bora descobrir e reconhecer a FELICIDADE, em cada tarefa da LIDA, em todo minuto da vida.

 

Não importando o tamanho do sonho, mas a qualidade e a consciência da escolha.

 

Bom divertimento Lexigramando e formando frases com a palavra FELICIDADE, ou sendo feliz, e até a semana que vem.

 

Alícia
cai
cal
cale
cela
Cida
Cleide
dai
cidade
dedal
defeca
dela
dele
Délia
delicia
dia
dica
ela
ele
Eli
fácil
fale
falei

fedida
fel
fica
Fidel
fiel
fila
ida
idade
ideal
ideia
lacei
lede
Lia
lida

 

Ps: FELICIDADE não tem FELIZ, por um Z.

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Viagens de luxo, experiências inusitadas e desejos realizados

 


Por Ricardo Ojeda Marins

 

Nova York, Miami, Paris, Milão, Londres. Essas são cidades que, certamente, nos vêm à mente quando pensamos em viagens de luxo. São destinos visitados por muitos consumidores de alto poder aquisitivo, viajantes que buscam muito além de hóteis elegantes, destinos urbanos e serviços especiais. Eles desejam viver experiências inusitadas que podem ser roteiros exóticos ou de aventura, contato com a arte, gastronomia e novas culturas. Visitas privativas a ateliês de costura ou a museus, fotógrafo particular para registrar, com qualidade, cada momento da viagem, jantares em restaurantes estrelados, aulas com experts e, claro, carros de luxo à disposição, são alguns itens que devem constar nesse cardápio.

 

O Estudo Global de Intenções de Viagem Visa 2013, realizado pela empresa Millward Brown, mostra um crescimento generalizado no turismo internacional e o Brasil é o país que apresenta percentualmente a maior aceleração entre os pesquisados. O turista brasileiro está entre os cinco que mais gastaram na última viagem, com valor em torno de USD 2.956, acima da média global, que foi de USD 2.390. E espera aumentar em 52% o valor desembolsado com a próxima viagem. Mesmo assim os valores são modestos se comparados com o que gastam os turistas de alto poder aquisitivo: em média USD 20 mil por viagem, de acordo com o World Travel Market Trends Report, da Euromotor.

 

No Brasil, cresce o número de agências de viagens especializadas no setor de luxo. Teresa Perez, PrimeTour, Matueté e Queensberry são algumas dessas que fazem parte do Virtuoso, seleta rede que reúne agências de viagens e hotéis de luxo ao redor do mundo. Os cartões de crédito também estão presentes no mercado ao dispor a seus clientes benefícios e atendimento especializado. A bandeira American Express tem o Platinum Travel Service, agência de viagens exclusiva apenas para os associados do cobiçado The Platinum Card. Clientes do cartão são atendidos e recebem ajuda na elaboração de suas viagens e contam com benefícios nos hotéis da rede Fine Hotels & Resorts, tais como café da manhã, late check-out e upgrade de acomodação. Já o Visa possui o Visa Luxury Collection, serviço exclusivo para associados dos cartões Visa Platinum e Visa Infinite em hotéis conveniados, oferecendo amenidades como café da manhã, status de hóspede VIP, late check-out e outros. A bandeira Mastercard também oferece aos portadores do cartão Mastercard Black alguns desses benefícios, além de crédito para uso em serviços no hotel. (Conheça outros benefícios oferecidos pelos cartões de crédito no artigo “Cartão de Crédito: a exclusividade transforma plástico em ouro”, que escrevi no Blog do Mílton Jung, em setembro)

A palavra-chave para atender as demandas desses clientes é customização. Cada um tem necessidades e gostos peculiares e busca algo feito sob medida, diferente de pacotes ou roteiros prontos. Com o aperfeiçoamento das agências especializadas, o consumidor elevou suas expectativas e se tornou ainda mais exigente. Há quem deseje, por exemplo, durante a viagem, alterar seus planos, como sair de Nova York para ir a uma festa no Caribe, ou, simplesmente, alugar uma residência privativa na Toscana. A agência deve estar preparada para não apenas atender, mas entender as necessidades dele. O relacionamento do cliente com sua agência de viagens é fundamental, pois é possível aprofundar-se nos interesses individuais de cada um e atendê-los de forma personalizada, tornando a viagem perfeita e uma experiência inesquecível. O viajante de luxo hoje busca o diferente, o inusitado, o “poder fazer”, o “feito sob medida” para as suas necessidades e desejos específicos, sempre com segurança, privacidade e conforto.

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Atualmente cursa MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

De Transmutação Mental ou Fisicultura do Pensamento

 

Por Maria Lucia Solla

 

“A Mente, tão bem quanto os metais e os elementos, pode ser transmutada de estado em estado, de grau em grau, de condição em condição, de polo em polo, de vibração em vibração.

 

A verdadeira transmutação hermética é uma Arte Mental”

O CAIBALION – Estudo da Filosofia Hermética do Antigo Egito e da Grécia.

 

Olá,

 

tem pensamento que nos envenena, amarga a boca e faz o plexo solar vibrar em sinal de alerta, não tem? E tem outro que infla a nossa alma como balão de gás. O bom é malhar esse e reformatar aquele, mudando o foco da atenção, até que se dê a Alquimia Verdadeira. Acreditamos literalmente que alquimia seja a arte de transformar qualquer metal em ouro, mas não nos damos conta da metáfora porque ouro tem sido o supremo poder nesta dimensão. Alquimia Verdadeira não é a arte de transformar metal em ouro, é a arte de controlar as forças mentais, não os elementos materiais, para evitar que elas nos controlem, e para quebrar a resistência de vícios mentais que nos subjugam através da certeza, do medo, do eu-primeiro, da birra, da soberba, da manipulação, da ganância, da agressividade, da reatividade…

 

Garanto que, assim como a Meditação Transcendental, o exercício de burilar os pensamentos gera coerência, se é que ainda nos lembramos do que seja. É só mu-dar o primeiro pensamento. Depois, um pensamento depois do outro, e seguir aliviando peso de dor, de desilusão, preconceito, incompreensão, radicalismo e falta de flexibilidade que aciona artrite e artrose também no corpo físico.

 

Este mundo é mental; não material, e não sou eu quem afirma. É um dos Preceitos Herméticos que datam de pelo menos 2700 AC, ofertados a seus discípulos pelo Mestre egípcio Hermes Trismegisto. Dizem que Abraão também bebeu de sua fonte filosófica, e que Hermes Trismegisto foi considerado Mestre dos Mestres, Três vezes Mestre, reconhecido pelos egípcios como Thoth, o Mensageiro de Deus, pelos gregos antigos como Hermes, deus da Sabedoria, e pelos romanos como Mercúrio.

 

O exercício é fácil: Está sol? Não reclamar. Chove? Não reclamar. O marido não se comportou direitinho? Não infernizar. Você adoeceu? Não desesperar. Mudar o que pode ser mudado e aceitar e contornar o que não pode ser, em vez de querer mudar o curso da vida e daqueles que nos rodeiam.

 

Bora exercitar? Ou não, e até a semana que vem.

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Anéis Fabergé embarcam nos táxis londrinos

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

 

A frota de táxis de Londres, um dos ícones da capital inglesa, recebe novas cores neste Outono. Cores luxuosas e opulentas, aliás, de peças de joias de luxo da renomada grife Fabergé. Anéis da exclusiva coleção Emotion ilustrarão alguns táxis da cidade, que estarão em circulação nos próximos 12 meses em torno das áreas de Knightsbridge, região onde fica a loja Harrods e West End, funcionando como táxis normais.

 

Os anéis podem ser adquiridos em lojas da Fabergé em Londres, Nova York, Genebra e Kiev, bem como em outros pontos de varejo de luxo internacionais. O preço? Em torno de USD 38.100, podendo chegar a USD 40 mil. Alguns itens da coleção também podem ser encontrados na boutique online da Fabergé.

 

 

A grife Fabergé, fundada em 1842, é famosa por sua criação de ovos com pedras preciosas e se tornou a joalheria oficial do império russo. Os Ovos Fabergé eram obras-primas da joalheria entre os seculos XIX e XX produzidas para os czares da Rússia. Encomendados e oferecidos na Páscoa entre os membros da família imperial, os ovos acomodavam surpresas e miniaturas, e eram cuidadosamente elaborados com uma combinação de esmalte, pedras preciosas e metais. Desejados por colecionadores em todo o mundo, eles são ainda alvo de admiração pela sua perfeição e considerados expoentes da arte joalheira.

Ver jóias Fabergé estampadas em táxis londrinos parece algo, no mínimo, inusitado. Afinal, estamos falando de uma marca que tem prestígio, tradição e exclusividade em seu DNA, além de ser ícone do império russo. Não há dúvidas de que Londres é uma das cidades onde mais se respira moda, luxo e sofisticação, mas ver peças Fabergé expostas dessa forma poderá, a longo prazo, contribuir negativamente para a imagem da marca. Esta estratégia não é a primeira ação mais “agressiva” da marca, uma vez que há alguns anos vem disponibilizando suas peças valiosas e exclusivas através de sua loja online.

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Atualmente cursa MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

De céu e terra

 

Por Maria Lucia Solla

*Foto de Mário Castello

 

A síndrome da distância está minando e se alimentando da nossa sociedade. Imagino e espero que a doença tenha atingido seu pico, porque já nos tem divididos, nas duas margens de um rio imaginário, entre rico e pobre, Corinthians e Palmeiras, culto e inculto, branco e preto, gay e hétero, gordo e magro, alto e baixo, assaltado e assaltante, local e imigrante. Cada um tão cheio de preconceito pelo outro, que não tem tempo para mais nada, a não ser para alimentar o mal que se agiganta. Sem meio termo, sem darmos, cada um, um passo à frente. Estamos inimigos no mesmo campo, entrincheirados, armados do mesmo idioma, desconfiados da própria sombra, isolados na manifestação, implodindo na razão, no cárcere da certeza.

 

Para alimentarmos essa poderosa e maligna carcereira, justificamos o golpe baixo no nosso vizinho, com o golpe baixo no nosso quintal. Deixamos que ela tome mais espaço, e se-ele-rouba-ela-já-roubou, um-é-bandido-mas-o-outro-também-é, se-ele-entra-eu-só-saio-porque-já peguei-tudo-o-que-coube-no-balaio acabam se transformando em samba enredo da tua vida e da minha. Passamos tanto tempo engolindo o rouba-mas-faz, é-burra-mas-é-gostosa, faz-mal-mas-faz, que acabamos achando que a vida é assim, e pronto.

 

Não é.

 

Aqui já reinou monarquia, já dominou um partido só – o que dá na mesma chamar de monarquia ou comunismo. Tanto faz. É totalitarismo, onde só um lado tem as armas do poder. Nós, os menos informados politicamente, percebemos que tanto faz, porque não nos perdemos no intrincado de normas que mudam a cada piscadela de cada monarca, de cada onda de cada oceano. Não nos enredamos nos tentáculos da propaganda na tevê, lançados pelo tirano do dia. Nós, os politicamente incultos percebemos que existem regras que são ideadas para torcer o braço de regras anteriores. Percebemos que nosso barco singra levado por ventos de siglas e polpudas contribuições, não por ventos que podem levar o país a crescer, sem precisarmos ser cobaias, nem troféus, do monarco-cientista da vez, e sem precisarmos sustentar a sandice alheia. O que entra desfaz e desdenha tudo o que foi feito até então, para agigantar sua promessa de obra egocêntrica, que se alimenta do teu voto e do meu. Da tua alma e da minha. Nos pondo uns contra os outros, por nossa diferença. O côncavo rejeita o convexo.

 

Dá para ver?

 

Quem de nós conhece as siglas dos partidos? E seus integrantes, que deveriam ser o raio X do ideal do seu ‘partido’, dançam o ‘samba do crioulo doido’, pondo-se ‘no mercado’, vendendo seus passes, que são comprados com o teu dinheiro e com o meu, você sabe quem são, hoje?

 

Para você, os fins justificam os meios?

 

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Lápis e canetas: escrevendo uma história de luxo

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

 

Quando pensamos em lápis e canetas nos lembrarmos de nossa infância escolar ou em crianças. E, inevitavelmente, vem uma marca em nossa mente: a alemã Faber-Castell. Porém, engana-se quem pensa que a marca, criada em 1761, faz sucesso apenas com seus icônicos lápis de cor e giz de cera. Famosa nas salas de aulas e marcando gerações, também possui uma linha especial com muito luxo e que aposta em materiais finos e brilhantes.

 

 

A caneta Elemento, criada em edição limitada, da coleção Graf von Faber-Castell é um dos exemplos de produtos da fabricante alemã com foco no consumidor de alto poder aquisitivo. Feita à mão por artesões, foram produzidas apenas 1.761 unidades, em homenagem aos 250 anos da Faber-Castell, há 2 anos. O modelo traz metais nobres como platina e ouro, e detalhes em madeira de oliva. Criada e produzida na matriz da Faber-Castell, na Alemanha, une estética e funcionalidade, com acabamentos de luxo. A Graf von Faber-Castell possui também, desde 2003, a linha Pen Of The Year, onde em cada ano uma caneta exclusiva é criada com edição limitada. A peça criada em 2012 foi uma combinação de folhas de ouro com o raro carvalho do pântano, além de sua tampa que inclui pedra de quartzo citrino.

 

O lápis, ícone da marca, não poderia ficar de fora do segmento Premium: “O Lápis-Perfeito”, linha de lápis exclusiva da coleção premium “Graf Von Faber-Castell”, é feito de cedro californiano, com acabamento canelado, acompanha um extensor com banho de platina que, além de proteger a ponta do lápis e possibilitar seu uso mesmo quando ele for pequeno, possui um apontador embutido. Sua borracha é protegida por uma capa também com banho de platina. Com uma única peça é possível escrever, corrigir e apontar.

 

 

Presente no Brasil há alguns anos, a linha Premium mostra a sabedoria com que a marca vem otimizando sua expertise na produção de lápis e canetas, criando linhas exclusivas e de edições limitadas com a qualidade e alto valor percebido, combinando materiais com beleza estética, mas sem deixar de pensar no quesito funcionalidade. A caneta ou o lápis, instrumentos de escrita universais, agora podem ser vistos como uma simplicidade luxuosa, objeto de desejo e prova de experiência proporcionada ao consumidor.

 

Se por um lado muitas grifes de luxo começaram a fazer produtos mais acessíveis para expansão da marca, a Faber-Castell movimenta-se ao contrário. Além de artigos a princípio simples como lápis, vem apostando em produtos para atingir um público mais sofisticado – um mercado certamente repleto de desafios.

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Atualmente cursa MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

#ToDeSacoCheio: aventuras e traições digitais

 

Por Sérgio Mendes

 

Descontente com o serviço da minha atual prestadora, resolvi usar daquela prerrogativa de todo consumidor que se presa e parti rumo a oferta da concorrência, em busca do que todo consumidor que se presa busca, menor preço e serviço. Na minha frente a propaganda de todas as operadoras disponíveis na minha região e suas ofertas. Calma lá, isso aqui é bom demais, e na verdade é mesmo. Nenhuma delas é obrigada a cumprir com 100% do que prometem. Por exemplo: a oferta de 10Mb de acesso na verdade obriga que na maior parte do tempo qualquer operadora entregue apenas 20% disso, salvo alguma mudança que me tenha escapado. Então, aqui estão: pelo mesmo valor dos meus atuais 10Mb, 50Mb numa concorrente que me parecia a mais lustrosa…Embora eu soubesse que a velocidade recebida seria religiosamente a mesma.

 

Dia 19/07 sacramentei o contrato!

 

Dois dias depois, foi feita a instalação. Usaram o mesmo cabeamento da operadora antiga, trocando apenas a conexão fora do meu apartamento, e claro, o aparelho antes do meu roteador. Aí, a minha primeira desdita: O aparelho novo, era também um roteador, e isso obrigava que toda a rede da minha casa (é uma estrutura de pequeno porte, mas significativa) fosse submetido ao roteador da nova empresa. E não tinha jeito. Eu que me adaptasse ao que ela tinha pra me oferecer… Fazer o quê não é?

 

Pois bem, ajusta daqui, fica sem som acolá… no segundo dia o sinal de internet foi embora. Me deixou literalmente na mão.

 

Ligo, acerto uma visita e tais…

 

Quinto dia, nova visita, e pelo mesmo motivo. Tanto da primeira vez quanto agora, o que eu faço é ir até a caixa fora do meu apartamento e trocar o cabo do conector ligando a operadora antiga. Pra arrematar, substituo o roteador ofertado pelo equipamento antigo, reconecto a minha rede e bola pra frente…

 

No Sétimo dia, arrependido da aventura, resolvo ligar para a operadora nova e peço que cancelem o meu contrato. Foram muitas vezes com a pobre telefonista indo e voltando com um discurso mais ou menos assim: “O que impede o senhor de nos dar uma segunda chance?”. A pobre repetiu isso muitas vezes até que eu respondi enfaticamente, que não daria a segunda chance por não ter vontade de fazê-lo. Finalizamos tudo com ela informando que o contrato estava cancelado. Disse um adeus solene, e fui cuidar de resgatar a relação arranhada pela traição com a operadora antiga…( A ligação telefônica eu gravei.)

 

Mês seguinte, para a minha surpresa, chega uma conta cheia, aproximadamente R$ 220,00. Opa, tem alguma coisa errada…

 

Ligo para a operadora da aventura e fico sabendo que não foi feito cancelamento algum. Que o protocolo não existe, e que se eu quisesse cancelar, fariam o pedido corretamente então. Retruquei, toquei o áudio da ligação anterior e fui informado que iriam examinar o caso e entrariam em contato comigo três dias depois. Nada aconteceu.

 

Tornei eu mesmo a entrar em contato, para descobrir que nem da primeira vez nem da segunda fora feito pedido de cancelamento algum. Novamente iriam examinar o caso e tornariam a entrar em contato comigo. Nada aconteceu e resolvi eu mesmo ligar outra vez…

 

Adivinhem, não houve pedido de cancelamento em nenhuma das ligações anteriores e o meu contrato continuava ativo… Quase tive uma síncope. ( Normal)

 

Desta vez, prometeram que examinariam o caso e entrariam em contato comigo, retruquei, e desligaram o telefone na minha linda cara!

 

Fazer o quê não é?

 

Para minha surpresa, realmente entraram mesmo. Disseram que já estava tudo acertado no sistema e que eu poderia ficar tranquilo…Sei….

 

No final daquele mês, recebo uma terceira cobrança e ligo mais uma vez pra tentar entender o que estaria acontecendo.

 

“É uma pro rata senhor”!
Minha nossa! Esse nome de atendente eu nunca anotei…
”Não senhor, estamos lhe cobrando o período entre a assinatura do contrato e o cancelamento…” Aquele mesmo período em que eu tive que re-conectar com a minha pobre operadora antiga de quem ousei pensar tão mal!

 

Mas espera aí: a qual dos cancelamentos vc se refere?
“Do único que valeu senhor”, óbvio, não foi do primeiro que eu fiz…

 

Retruquei, toquei o áudio da ligação anterior e fui informado que iriam examinar o caso e entrariam em contato comigo três dias depois. Nada aconteceu, resolvi eu mesmo ligar outra vez pra descobrir que o cancelamento não havia sido feito, mesmo agora com o valor reduzido a apenas uma pro rata.

 

Pega na incongruência, resolveram examinar o caso, e entrariam em contato comigo três dias depois…. Haja!

 

Pra encurtar, foram outras seis chamadas no espaço de pouco mais de 30 dias.

 

Final: tudo certo, não haveria mais cobrança de pro rata ou cobrança cheia. Que dia mais feliz! Vivo! Digo, Viva!!!

 

Anteontem, quase 90 dias da minha escapadela extra-conjugal (as teles no Brasil são um casamento, não sabiam?), recebi uma carta de cobrança e ligam para os dois telefones celulares daqui de casa com aquela mensagem eletrônica ao menos quatro vezes por dia, avisando que eu preciso quitar o meu débito para poder continuar usufruindo dos benefícios dos serviços de internet…

 

Ontem liguei mais uma vez para tentar entender o que estaria acontecendo, e descobri que o contrato foi realmente cancelado, mas existia a pendência de uma pro rata…. Ainda bem que me disseram que eu não preciso me preocupar… vão examinar o caso e entrarão em contato comigo para me informar como decidiram o resto da minha vida…

 

PS: Tenho os números de protocolo. Só não sei realmente para que servem. Tenho também a gravação dos áudios das ligações.

 

PS2: Por conta do ocorrido, resolvi migrar meu telefone fixo que era da ex-atual-que-nunca-foi, para a operadora antiga, ruim, velha de guerra.

 

Vieram fazer a instalação, e o único jeito era trocar meu modem por um roteador, o que mataria a estrutura da minha rede outra vez… Mais alguns dias de luta inglória até descobrir que fazendo a assinatura de tv a cabo e o modem antigo voltaria.

 

Estou atualmente pagando mais caro, assinei a tv… o aparelho da tv está desligado e guardado debaixo da pia da cozinha, parece uma caixa de sapatos tamanho 52. Não assistimos canais abertos nem a cabo. Usamos apenas a tv por internet.

 

O preço a mais me lembra o custo da traição. Me resignei.

 

PS3: Funciona bem, jogo de vez em quando.

 

PS4: Não vou comprar, é muito caro e tenho medo do que pode acontecer com o que já tenho aqui e funciona bem. Ótimo por sinal.

De novembro

 


Por Maria Lucia Solla

 

 

Leveza foi o que me veio à cabeça quando pensei na palavra novembro. De onde tirei isso? perguntei e respondi. Sei lá, acordei em Novembro sorrindo, leve e contente, e isso me intriga porque à primeira vista o mês começa com o número nove, que abre as muralhas para que o velho saia com o mesmo impulso com que entrou, sem ficar empatando, é sair saindo, para dar lugar ao novo que está pronto para entrar. O número nove não pede licença; chega chegando e mudando os móveis de lugar, sem consultar.

 

Novembro convida para um desapegar-se corajoso e libertador, que objetiva a simplicidade na medida de cada um, em cada fase da vida de cada um. Sempre. Só que em novembro é vai, ou vai, solta ou solta. Via de mão única. É ir em frente que atrás vem gente.

 

Novembro tem mero e tem mono, mas sem nem um pingo de monotonia, porque tem o novo, esqueceu? Mas o novo que chega é simples: é o boné, no lugar do chapéu.

 

Novembro é bom, se você se move. Ele convida com a palavra vem, estampada no nome, e com verbo e mover. Tudo soletrado.

 

Novembro tem bom e bem.
Quer mais?

 

Tem nero, o que me preocupa, já que a sandice tem imperado, a ganância e a prepotência têm abundado, mas roubo perdeu o ‘u’ para dar lugar a robô. Meno male. Um convite para mergulhar na tecnologia.

 

Tem voo e o convite: voe, no singular, e tem voem também, para não ficar ninguém de fora.

 

Tem room, que em inglês quer dizer espaço. Assim, não será por falta dele, ora.

 

E novembro sugere postura nobre; que não nos vendamos por meio cobre, nem por cobre e meio

 

E então, como vão as coisas?

 

estão boas
então
dá pra melhorar

 

não têm como estar pior

dá pra melhorar

 

melhor estraga
tolinho

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Os riscos à banalização das marcas de Luxo

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

 

O Luxo ganha cada vez mais espaço no cenário mundial. Apesar de ser um segmento de negócios, o tema em si vem sendo explorado ou até mesmo discutido de forma equivocada ou com enfoque supérfluo. Assim como o Luxo tem seu conceito banalizado, as marcas de luxo também correm este risco. Houve uma democratização do luxo: antes pertencentes a famílias tradicionais, que fabricavam seus produtos de forma artesanal, sob medida e em quantidades limitadas, muitas marcas de luxo passaram, desde os anos 80, a fazer parte de grandes conglomerados empresariais, abrindo seu capital e tendo que prestar contas aos investidores, sentindo, a partir daí, a necessidade de aumentar seu lucro.

 

A globalização e o crescimento agressivo de uma marca de luxo merecem muita atenção e podem ser perigosos. Algumas delas, para gerar maiores lucros, buscam aumentar as vendas em excesso e, inevitavelmente, passam a focar o mercado com perfil de consumidores menos afluentes, tornando o luxo mais disponível a pessoas de perfis diferentes aos de seus privilegiados consumidores. Essa prática faz com que a lealdade do real público-alvo diminua e este perceba menor valor à marca antes por ele prestigiada e admirada.

 

 

A falsificação também é um fator importantíssimo. Extremamente nociva à marca, a prática se caracteriza na venda de forma ilegal e através de cópias de qualidade inferior, podendo tornar banal ou vulgar a imagem do produto. O consumidor de luxo pode perder o sentimento de unicidade e especialidade ao ver um produto falso da mesma marca que o seu original sendo comercializado em locais considerados populares. A verdade é que as marcas são muito cobiçadas, tanto por consumidores de alta renda como por aqueles que não têm menor poder de compra. Ao usar o produto de certas marcas, o consumidor se declara membro de um grupo que concorda com a mensagem que ela remete. Os logotipos de marcas de luxo denotam riqueza, status e bom gosto para muitos. Essa busca de inclusão em um determinado grupo é que faz com que aumente o desejo por algumas marcas perante os consumidores.

 

A promoção de vendas também merece cuidados. Muitas marcas de luxo, como Hermès e Louis Vuitton não possuem políticas de descontos ou qualquer forma de promoção em seus pontos de venda. A promoção é válida, mas desde que planejada e respeitosa ao conceito luxuoso da marca, pois caso contrário, o cliente pode perceber que há facilidade de aquisição do produto, descaracterizando-o como luxuoso e caracterizando-o como simples.

 

Na gestão de marcas de luxo, é extremamente importante que ocorra uma política de distribuição, precificação e comunicação seletivas, principalmente os considerados, pela hierarquia do luxo, produtos de luxo inacessível e intermediário. A distribuição, se realizada de forma coerente com a política da marca, poderá evitar a banalização bem como manter a exclusividade, conceito-chave de produtos desse segmento.

 


Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Atualmente cursa MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.