Já não se faz mais como antigamente

 

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Em conversas frequentes com estudantes de jornalismo, esforço-me para mostrar que a escolha que fizeram faz muito sentido em uma época na qual a informação e, por conseguinte, o desenvolvimento de conteúdo são essenciais. Tento não repetir o que ouvia já nos meus tempos de faculdade – e lá se vão mais de 30 anos – quando éramos visitados por profissionais, alguns bastante respeitados pelos jovens, que insistiam em nos desestimular pela falta de perspectiva que haveria na profissão: “já não se faz mais jornalismo como antigamente”. E não se fazia mesmo. Como hoje, aliás. Esse, porém, é assunto para outro texto.

 

Escrevo sobre o saudosismo que me parece permear as emoções de muitos dos profissionais já estabelecidos no mercado, e alguns, inclusive, afastados por aposentadoria consentida ou forçada, para destacar opinião do ex-jogador Tostão, publicada em reportagem do jornal O Globo, na edição de sábado, 21 de novembro. O gancho para o texto do jornalista Carlos Eduardo Mansur foi a reclamação de alguns dos atuais jogadores da seleção brasileira, expressa em entrevista por Daniel Alves, quanto as críticas proferidas por comentaristas esportivos que já jogaram futebol.

 

É verdade que a seleção brasileira, treinada por Dunga, não é empolgante e o porre do 7×1, sob comando de Luis Felipe Scolari, deixou-nos com uma ressaca que será eterna enquanto dure. Mas também é verdadeiro o fato de que projetar as glórias, táticas e dribles do passado para os gramados atuais é uma injustiça, pois a forma de jogar futebol mudou por completo diante de estratégias mais bem organizadas e pelo desenvolvimento físico de atletas – haja vista a força e a velocidade com que atuam hoje.

 

Não quero, porém, me ater ao futebol. O que me interessa na opinião de Tostão é a explicação que dá para esta reação comum na maioria de nós quando nos referimos a realidade vivida no passado, às vezes, recente:

 

“Isso não é pecado, não é deturpação, não é vigarice. É da vida, é de todo tipo de atividade. Há o ex-jogador que vive ligado ao passado, não assume ou não se identifica com a sua vida atual. Vive enamorado do que ele foi: “Na minha época era melhor”. É a tal memória afetiva. O sujeito vive uma época de glória e tem dificuldade de viver o momento. São componentes humanos habituais, até mesmo o receio de que surja alguém melhor do que ele foi”.

 

Gosto de ler o craque – do jogo e das palavras – porque sintetiza com clareza pensamentos que minha capacidade de se expressar, muitas vezes, não permite.

 

A reflexão feita por Tostão deve servir de alerta para profissionais de todas as áreas, independentemente de onde atue. Em nome do saudosismo, criticamos o que é feito aqui e agora, ficamos a nos lamentar e a praguejar o novo com o qual nos deparamos no escritório e na empresa (ou na redação, no caso dos jornalistas). Exaltamos o passado por temer nossa incapacidade de se adaptar ao que está para acontecer. Assim como remetemos o pensamento ao que foi porque a memória é seletiva e nos faz esquecer quanto difícil eram os processos e quantos erros cometíamos.

 


Sem perder as referências que ajudaram a construir seu conhecimento, deixe o saudosismo para trás, prepara-se para as mudanças e se adapte a regra do jogo. Ou invente o seu próprio jogo. Pois já não se faz mais nada como antigamente.

 

A foto que ilustra este post é do álbum de Rhea Monique, no Flickr, e segue as recomendações de criação comum

Cinco perfis no Instagram sobre moda masculina que você não pode perder, segundo Maria Prata

 

Instagram

 

O CBN Estilo, sob o comando de Maria Prata, está no ar há um mês, no Jornal da CBN. E toda sexta-feira, às 6h45, assim que ela traz suas sugestões para quem pretende cuidar mais da sua imagem corporativa e pessoal é a mesma coisa: muita gente querendo saber mais ainda. Hoje, nossa colunista indiciou cinco perfis no Instagram que valem a pena serem seguidos por homens em busca de boa informação sobre o tema. Para quem não guardou todas as dicas aqui vai a lista completa com alguns comentários da Maria Prata:

 

@pharrell – 5.9m de seguidores
Começando pelo mais pop: Pharrell Williams. Bom, todo mundo conhece o cara. Mas segui-lo no Instagram é uma aula de estilo. Pharell é muito ligado à moda, já lançou coleções em parceria com vários estilistas. No Insta, além de ele postar seus próprios looks, posta também muitas peças, vitrines e outras pessoas bem estilosas.

 

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@mrporterlive – 540k
É o Insta da versão masculina do site net-a-porter, o gigante do e-commerce feminino que foi pioneiro em vender produtos a partir de conteúdo, com revista online, site com matérias e afins. E por isso é legal de seguir, porque vai muito além das roupas. É um insta de lifestyle. Além de moda, tem viagens, gadgets, carros… tudo o que os homens gostam. Só não tem mulher!

 

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@nickwooster – 537k
É comprador da Barneys e diretor de design da Ralph Lauren. Legal por ser um pouco mais velho, tem 56 anos, grisalho, tal. E tem muito estilo. Ele posta seus próprios looks, mas também faz um “jornalismo de moda digital” em sua conta, falando sobre lançamentos, dando dicas de compras e afins.

 

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@sylvainjustum_gqbr – 889
Este é um insta bastante novo, do editor de moda da GQ brasileira. Sylvain é um dos melhores jornalistas de moda do país, e seu perfil é totalmente focado neste mercado, com desfiles (suas análises de passarela são impecáveis), backstage de matérias da revista, dicas de estilo e mais. Ele tem também um perfil pessoal, mais ácido e irônico, como ele, mas este é o da pessoa física, jornalista.

 

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@carbonouomo – 8409k
Insta da editora brasileira Carbono. É um endereço de lifestyle masculino e, como não é de ninguém específico, mostra bastante looks de muitos homens diferentes. A edição de imagens é linda e o conteúdo, idem. Legal falar que ele tem essa cara meio vintage que a moda masculina tem hoje, com referencias fortes aos anos 40 e 50.

 

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Não deixe de seguir, também, @MariaPrata, que sabe muito de moda e estilo, e @MiltonJung, que tem muito a aprender, no Instagram.
 

O pai faz 80 anos

 

Pai

 

Foi um dos meus tios, o Aldo, quem me enviou pelo Facebook a reprodução de um cartão com bordas onduladas, no qual minha foto aparecia com destaque para o sorriso largo e a cabeça grande de cabelo ralo. Ao lado, lê-se um texto curto e rimado anunciando meu primeiro aniversário, comemorado em 1º de agosto de 1964. Como não havia endereço, imagino que não era convite para festa, mas um registro da passagem do meu primeiro ano de vida a ser distribuído por meus pais aos parentes e amigos.

 

Deveria ser comum naquela época e importante a tal ponto que minha bisavó Luiza guardou-o entre seus pertences e assim foi preservado passando de geração para geração até aparecer entre as coisas que ainda restam dela e estão no apartamento do tio. Curiosamente, fui lembrado aqui em casa que outro desses exemplares está em uma caixa de antiguidade que mantenho até hoje. Mais uma prova de que a lembrança tinha seu valor.

 

Na vida, assim como o primeiro ano, temos o costume de comemorar alguns aniversários de maneira especial. As meninas da minha época sonhavam com o baile de debutantes aos 15 e, pelo que leio em alguns blogs, ainda há aquelas que, sem o mesmo romantismo, ostentam nos festejos. A data mais importante dos meninos é a dos 18, que nos oferece múltiplas oportunidades tais como tirar carteira de motorista e beber sem pedir autorização.

 

Daí pra frente é por nossa conta e risco, mas sempre damos atenção especial aos aniversários com idade redonda, às vezes os com final cinco, também. Os 25, os 30, os 35 … para mim foram os 40 anos, comemorados em meio a um drama existencial: quantos mais anos tenho pela frente? Muitos diziam alguns, o que apenas me impunha mais insegurança, afinal estava condenado a encontrar uma forma sustentável de vida até o fim desses muitos anos.

 

Hoje, deparo-me com outra data importante: os 80 anos. Claro que não me refiro aos meus 80 anos, pois como você, caro e raro leitor deste Blog, deve imaginar, mesmo com a gastança do tempo, testemunhada pela cara e pele passadas que aparecem nas fotos mais recentes, ainda faltam algumas décadas para chegar lá. Por enquanto, estou na casa dos 50, outra data aliás muito exaltada pelos amigos mais próximos.

 

A imagem dos 80 anos me inspira neste 29 de outubro de 2015 porque é a idade que o pai está comemorando.O Milton Ferretti Jung você já conhece, seja por sua passagem significativa na história do rádio e jornalismo brasileiros seja porque sempre escreve aqui no Blog. O que provavelmente você não saiba é que ele, apesar de ter trabalhado para o público nunca gostou muito de aparecer em público. Por isso mesmo, não pareceu disposto a festa especial neste dia e tenha preferido comemorações em petit comité. Agora há pouco, ao ligar para parabenizá-lo estava voltando de uma caminhada ao lado da mulher dele, a Maria Helena. Claro que não vai escapar do abraço dos filhos e netos que se juntarão a ele no fim de semana, em Porto Alegre, com direito a surpresas.

 

Independentemente da importância que ele dê aos seus 80 anos, estou aqui para compartilhar minha satisfação. O pai é de uma geração que não tinha à disposição os medicamentos que preservam e estendem nossas vidas; não recebia alertas para hábitos nocivos à saúde como o cigarro, aliás não precisava controlar seu consumo pois os ambientes eram livres para fumar. Foi exposto a insegurança dos automóveis do passado, sem cinto, airbag, freio ABS; não havia leis de trânsito restritivas como hoje – e se havia, os radares eletrônicos não estavam lá para impedir abusos. Aprontou muito abordo de carros de corrida que costumava testar nas areias do litoral gaúcho. Apesar de ter ensaiado algumas defesas travestido de Aranha Negra, apelido que adotou por usar uniforme de cor preta como o goleiro russo Lev Yashin, nunca pensou em se dedicar à prática esportiva. Até há alguns anos arriscava pedalar sua bicicleta, mas nunca muito distante do quarteirão da casa,na zona sul de Porto Alegre.

 

A despeito de tudo isso, seguiu sua caminhada profissional até recentemente, quando deixou o microfone após 50 anos dedicados ao rádio. Criou seus três filhos, a Jacque, o Christian e este que lhe escreve, e casou duas vezes, a segunda após a morte da mãe. Hoje, quando não está dedilhando seu moderníssimo telefone celular, envia alguns artigos aqui para o Blog, demonstrando toda sua vitalidade (e indignação com o que lê nos jornais gaúchos). Sua agenda semanal também é dedicada às partidas de futebol na televisão, em especial ao Grêmio, claro!

 

Sou obrigado, porém, a confessar que comemoro os 80 anos do pai um pouquinho só por egoísmo. Sim, porque assim como é verdade que estou agradecendo a Deus – por intermédio de Padre Reus, de quem ele é devoto – pela felicidade de tê-lo ao nosso lado nesta data tão especial, contando sua história e compartilhando sua satisfação pela vida, também agradeço ao pai por oferecer a mim, a meus irmãos e, provavelmente, a seus quatros netos – dois deles meus filhos – o maior legado que poderia nos deixar: a capacidade de superar um ano após o outro e chegar aos 80 firme e forte!

 

Ou seja, o pai ter 80 sinaliza que eu também tenho uma baita chance de chegar até lá.

 

Que venham os 90, pai!

Cuidado, seu escritório pode estar cheio de “formigas” que não fazem coisa nenhuma

 

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Crescemos ouvindo a fábula da formiga e da cigarra contada por Jean de La Fontaine, inspirada no Esopo, e fomos ensinados, por nossos pais e professores, que o trabalho dignifica o homem. Aquele exército de formiga que circulava incansavelmente de lá para cá, sem que a gente entendesse bem de onde vinha e para onde ia, esteve na analogia de dez em cada dez palestras motivacionais apresentadas nas reuniões da firma. Na minha infância, apenas meu avô reclamava delas pois atacavam suas roseiras.

 

Até hoje dizem que fazemos um trabalho de formiguinha quando querem explicar a ação muitas vezes pequena e paciente que cada um realiza em benefício do coletivo. O tal inseto admirado por muitos consultores é sempre apresentado como prático, objetivo e obcecado por suas tarefas. Um operário-padrão (cruz-credo)!

 

Pobre da cigarra! A ela restava o papel de bon vivant, mau exemplo para os colaboradores da organização por preferir o ócio a labuta, que, no fim das contas ou da fábula, pagaria caro por suas escolhas. Teria de pedir favor à formiga para sobreviver ao rigor do inverno – aliás, outra analogia cruel pois esta estação do ano pode ser bastante elegante, romântica e lucrativa.

 

A hora da vingança chegou: pesquisadores do Laboratório de Insetos Sociais da Universidade de Tucson, no Arizona, após observação minuciosa da ação dentro de um formigueiro, flagraram metade das formigas sem fazer absolutamente nada, limitando-se a andar de lá para cá, informa reportagem que li no jornal O Estado de São Paulo.

 

Bem verdade que alguns dos cientistas, incrédulos com a própria descoberta, ainda levantam a suspeita de que as formigas-preguiçosas possam ser uma espécie de reserva de mão de obra que entraria em ação na ausência das colegas, ou se o formigueiro fosse atacado por inimigos, ou como entreposto de comida para outras formigas, alimentando-as com o seu vômito – o que convenhamos pode ser nobre, mas é nojento.

 

Assim que me deparei com a reportagem visualizei a cigarra esfregando suas mãos e pensando em voz alta: “bem feito suas metidas”. E, também, lembrei-me de imagem menos fantasiosa que muitas vezes registramos nos escritórios que a profissão me leva a visitar. São dezenas de trabalhadores circulando pelos corredores ou teclando de cabeça baixa em suas baias. Uma gente que entra e sai pela porta e surge de todos os lados fazendo sei lá o quê. Muito parecido com um formigueiro. Aliás, bem mais parecido com o formigueiro agora que os pesquisadores destruíram com a reputação das formigas.

 

Não é o caso de uma revisão na fábula. Agora já é tarde, o mal já foi feito! Mas ao menos devemos refletir sobre o tema, pois é bem possível que aí na sua empresa muitos funcionários ajam como as formigas-preguiçosas não por serem preguiçosos, mas por falta de orientação.

 

Será que os líderes dos grupos de trabalho que compõem sua organização foram capazes de transmitir as mensagens necessárias para que cada um saiba a função que tem de cumprir dentro do formigueiro, ops, perdão, do escritório? A comunicação entre os departamentos tem sido eficiente? O que o comando da empresa prega é o que os profissionais fazem? A propósito, o comando da empresa sabe o que quer?

 

Ajustar as mensagens, definir funções, estimular discussões, trocar mais informações, permitir que os departamentos se falem e incentivar o surgimento de líderes dentro do grupo de liderados são algumas ações possíveis para impedir este desperdício de dinheiro e talento.

 

Aproveite e passe a valorizar mais a cigarra que está no seu escritório, aquele funcionário que pode até não parecer tão empenhado nas funções impostas, mas por ter uma cabeça arejada e olhar criativo sobre as coisas pode se transformar em uma grande fonte de inovação.

CBN Salvador promove concurso com o tema “Comunicar para liderar”

 

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Ouvintes da rádio CBN em Salvador estão convidados a participar de concurso cultural no qual devem criar uma frase com as palavras comunicar e liderar. Todos os participantes que fizeram o cadastro no site da emissora estarão concorrendo a sorteio de um exemplar do livro “Comunicar para liderar”, que escrevi em parceria com a fonoaudióloga Leny Kyrillos.

 

A promoção antecede o lançamento e talk show sobre o livro que realizaremos no dia 16 de outubro, na próxima sexta-feira, a partir das 18 horas, na Livraria Cultura, do Salvador Shopping.

 

Se você mora em Salvador e região metropolitana, entre no link a seguir e deixe a sua frase. E, claro, já colocoque na sua agenda nosso compromisso na próxima sexta-feira. Até lá.

 

Promoção para ganhar o livro “Comunicar para liderar”

Engajamento de jovens revela força do esporte eletrônico e desenvolve novo mercado, no Brasil

 

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Dois jovens disseram que deixariam de ir a escola para assistir ao jogo; outros lamentavam o horário da partida, mas se comprometeram a, na sala de aula, não tirarem o olho das redes sociais, na torcida para que os resultados fossem atualizados a cada segundo. Comportamento que eles próprios revelaram ao trocarem mensagem em um dos sites que costumo consultar para entender o que acontece com as novas gerações – o MaiseSports.com.br.

 

A motivação dessa garotada, diferentemente do que você, caro e raro leitor, imagina está distante da estreia da seleção brasileira de futebol nas Eliminatórias da Copa do Mundo da Rússia. A disputa que mobiliza jovens aqui no Brasil e em diversas partes do planeta ocorre, neste momento, na França e em cenário virtual onde são travadas as batalhas do League of Legends, jogo que se encaixa no conceito de esportes eletrônicos e, consta, é o mais praticado do mundo, com 68 milhões de jogadores ativos.

 

Importante não confundir videogame com e-Sports. É verdade que o e-Sports nasce como videogame, mas o que o eleva a categoria de esporte eletrônico é o engajamento da comunidade. É preciso que seus jogadores se mobilizem e comecem a criar um cenário competitivo. Ou seja, não depende da vontade da empresa que o criou, mas das pessoas que o praticam. Se elas abraçarem aquela ideia, o negócio vai para frente, a disputa ocorre, os times se formam, as competições são organizadas e o dinheiro aparece.

 

As partidas de League of Legends, por exemplo, são assistidas pela internet em tempo real com transmissão de alta qualidade e análises técnica e tática especializadas. Os times formados por cinco atletas somente chegam a esse nível graças a estrutura profissional que lhes é oferecida pelos organizadores e patrocinadores. Entre os maiores times do mundo, há um brasileiro, paiN Gaming, e não é a primeira vez que representantes nacionais têm o privilégio de conquistar uma vaga no Mundial. Mesmo que distantes dos sul-coreanos que dominam o LoL, nossos jogadores já foram capazes de comemorar suas vitórias nas rodadas iniciais da competição, surpreenderem adversários e criarem seus ídolos.

 

Há quem se anime e arrisque dizer que um dia os jogos eletrônicos poderão se transformar em modalidade olímpica. Acho um exagero, mas como desconfiar do poder desta turma que está em um mercado que movimentou U$24 bilhões só no ano passado. Já há cidades no mundo que foram capazes da capitalizar a admiração do público pelos jogos eletrônicos como é caso da polonesa Katowice, que sediou competições e entrou no roteiro turístico dos gamers, e da alemã Berlim, considerada pólo de games na Europa.

 

O Brasil, como sempre, tem forte potencial para crescer, pois seriam 45 milhões de jogadores espalhados por aí e mais uma enormidade de pessoas com telefones celulares em mãos dispostas a encontrar uma modalidade eletrônica para disputar. Atualmente, os desenvolvedores têm olhado com carinho para soluções móveis que facilitem o acesso ao e-Sport. São Paulo lidera a lista de praticantes, o Rio encheu o Maracanazinho para um final nacional de LoL, e disputas da modalidade foram capazes de mobilizar milhares de pessoas em estados do Sul e do Nordeste.

 

Nesta semana, entrevistei Danilo Salgueiro, um jovem empreendedor que, entre quatro das suas empresas, criou uma agência de publicidade especializada em esportes eletrônicos e videogames. No CBN Young Professional, que vai ao ar às segundas e domingos, no Jornal da CBN, o dono da Egg&Bacon explicou que existe um ecossistema de games formados por vários agentes, tais como jogadores, treinadores e outros profissionais da área que são alvos de marcas e empresas dispostas a associar sua imagem a deles. Você já encontra, inclusive, jornalistas especializados no tema – coisa que, registre-se, eu não sou, apesar de admirar a prática e me entusiasmar com os resultados.

 

De acordo com Salgueiro, as marcas já enxergam o esporte eletrônico como uma mídia a se investir, especialmente nos mercados dos Estados Unidos, China e Coréia do Sul – necessariamente nesta ordem, pois os chineses, há pouco tempo, atropelaram os sul-coreanos, apesar da supremacia técnica destes últimos. No Brasil, diz ele, “ainda não se faz da forma como deveria, não se olha como uma mídia consolidada, é preciso fazer um trabalho de convencimento muito forte apesar dos resultados que obtivemos até aqui”. As ações, porém, já ocorrem desde o patrocínio de atletas e eventos até o lançamento de produtos especificamente para as modalidades eletrônicas. Com a experiência desenvolvida e para ir além, a Egg&Bacon já negocia a abertura de escritório em Los Angeles, nos Estados Unidos.

 

O esporte eletrônico no Brasil ainda está distante de movimentar os mesmos milhões de reais e milhares de pessoas que o futebol é capaz. Mas a profissionalização dos diferentes agentes que envolvem a modalidade sinaliza a importância econômica que o setor começa a ter no país. Não estranhe se, em breve, Amir Somoggi, especialista em gestão de esportes, que você ouve aos domingos na CBN e lê na privilegiada lista de influenciadores do Linkedin, dedique parte das suas análises para o e-Sport.

Tudo pelo bem do jogo

 

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Os jornais do fim de semana sempre são lidos com mais tranquilidade, sem a pressa imposta pela rotina do trabalho. Aliás, essa rotina que me impõe sair da cama ainda de madrugada durante a semana, me acostumou mal: aos sábados e domingos, estou em pé quando a maioria das pessoas ainda sonha profundo. Boa oportunidade para o café, o omelete e, claro, a leitura das notícias no silêncio da manhã apenas quebrado pelo bando de sabiás que cerca minha casa (que sejam preservados!).

 

Reforma administrativa e falcatruas da política nacional à parte, duas notícias me chamaram especial atenção.

 

A primeira no mundo do esporte, que estava exposta em todos os jornais e já havia sido divulgada na CBN: os maiores patrocinadores do futebol internacional se uniram para pedir que Joseph Blatter renuncie, imediatamente, da presidência da Fifa, devido a insustentável onda de denúncias que atinge a ele e seus comparsas na entidade. Visa, Adidas, InBev, McDonalds e Coca-Cola – uma gente que investiu US$ 1,4bilhão somente na Copa do Mundo do Brasil – promoveram, na sexta-feira, uma inédita pressão política para afastar o dirigente.A nota da Coca-Cola foi a mais interessante: “Pelo bem do jogo, ele deve renunciar imediatamente para que um processo sustentável de reforma seja realizado”. Pelo bem do jogo?

 

A outra notícia encontrei na coluna de leitura obrigatória assinada por Fernando Reinach, no jornal O Estado de São Paulo, sob o título “O primeiro remédio contra o envelhecimento”. O biólogo diz que duas drogas disponíveis nas farmácias e baratas têm se mostrado promissoras para retardar o envelhecimento, a Rapamicina, um imunossupressor, e a Metformina, que combate a diabete. Por já ser conhecida desde 1960 e não ter praticamente efeitos colaterais, a comunidade médica estaria pronta para iniciar os testes em larga escala, com mais de 3 mil idosos, com a Metformina. Reinach informa que os testes não se iniciaram por falta de dinheiro e interesse, a medida que nenhum laboratório se dispõe a colocar milhões de dólares para conduzir os trabalhos,pois ninguém terá lucro com sua venda, já que a droga não tem mais patente, sem contar que, ao fim dos exames, há o risco de não se confirmar a propriedade esperada.

 

Os laboratórios com sua lógica se equivalem, nesse caso, aos patrocinadores da Fifa que decidiram reagir, como escreveram, “pelo bem do jogo” – expressão que me soou não exatamente como uma referência ao jogo de futebol.Se é que você me entende?

 

A foto que ilustra este post é do álbum de The Open University, no Flickr

Sete características essenciais para ser jornalista

 

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A pergunta se repete a cada contato que recebo, seja de professores seja de estudantes da área de comunicação. Quais as características essenciais para se exercer o jornalismo com competência e adaptado aos novos momentos da comunicação? Como toda pergunta, esta gera o desafio de refletirmos sobre a profissão que escolhemos. É bem provável que, além daquelas que selecionei, existam muitas outras características importantes para que o jornalismo seja realizado com eficiência. Algumas resistiram a troca da máquina de datilografia pelo teclado do computador. Novas se somaram a essas necessidades.

 

Vamos a lista e veja se você concorda com a minha ideia:

 

Seja curioso, como sempre teve de ser para descobrir os fatos que podem construir uma notícia.

 

Seja desconfiado, para não ser refém das versões oficiais ou verdades aparentes.

 

Seja versátil, já que precisa saber um pouco de muitas coisas.

 

Seja ágil, especialmente diante do ritmo frenético das notícias.

 

Seja preciso, principalmente diante do ritmo frenético das notícias.

 

Seja ético, porque não há técnica que resista a falta dela.

 

Seja multilplataforma, pois do jornalista se exige capacidade de adaptação de seu produto a qualquer mídia.

Refugiados podem salvar a Europa de suicídio demográfico

 

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A onda de refugiados pode se transformar em oportunidade para a economia da Europa, segundo o vice-presidente do Banco Europeu, Vítor Constância. A afirmação do dirigente português foi um dos destaque na conversa de hoje com o jornalista Lourival Sant’Anna, recém-chegado a equipe do Jornal da CBN e titular do CBN Internacional, que faz parte do Time das Nove. De acordo com o nosso comentarista o argumento de Constância é que o continente europeu está vivendo um suicídio demográfico com a baixa natalidade e o envelhecimento da população. Diante desse cenário, os imigrantes podem se transformar em capital humano valioso, pois são pessoas formadas, geralmente jovens e com desejo de trabalhar.

 

 

Assim que Lourival trouxe o tema para nosso bate-papo pela manhã, lembrei de texto publicado aqui no Blog, semana passada, assinado pelo colaborador Carlos Magno Gibrail sob o título “Imigração pode gerar riqueza” quando apresentou análises que são feitas desde o início da década passada e ratificadas por diferentes economistas. Os números porém, ainda, não foram suficientes para sensibilizar dirigentes e nações, movidas, segundo Gibrail, “de um lado pela preservação de culturas locais e até mesmo pela xenofobia e, de outro, pelo aumento expressivo de refugiados”

 

Aproveito para reproduzir o texto publicado, originalmente, quarta-feira, dia 9 de setembro:

 

Em 2005, Dilip Rhata, economista do BIRD,concluiu estudo em que um aumento de 3% na força de trabalho pela imigração acarretará um acréscimo de 0,6% no PIB. O produto realizado será de US$ 356 bilhões, dos quais US$ 162 bilhões para os imigrantes, US$ 143 bilhões para os países em desenvolvimento e US$ 51 bilhões para os países ricos.

 

Paul Krugman já havia feito um trabalho em que concluiu que, inicialmente, os imigrantes pressionam os salários para baixo, mas em longo prazo há um movimento contrário, pelo retorno dos investimentos.

 

Em 2013,dezenas de renomados economistas da Universidade de Chicago foram perguntados se o americano médio estaria melhor se estrangeiros com baixa qualificação entrassem no mercado de trabalho: 50% Sim, 28% dúvida e 9% não. Entretanto, se fossem trabalhadores qualificados: 89% sim e 5% incertos.

 

Embora a teoria econômica ainda não tenha uma convergência a esse respeito, há até estudos que estimam um crescimento do PIB mundial de 20% se não houvesse barreiras à imigração. O fato é que a maioria dos economistas considera a imigração compatível com a geração de riqueza. E, essa anuência econômica, não tem sido o bastante para que as barreiras à imigração tivessem diminuindo. De um lado pela preservação de culturas locais e atém mesmo pela xenofobia e, de outro, pelo aumento expressivo de refugiados.

 

Entretanto, a foto do menino na praia, viralizada mundialmente, acelerou um processo que os economistas não tinham conseguido.

 

A emoção suplantou as ressalvas e as nações começaram a se reposicionar. A Alemanha saiu na frente, e vimos na FOLHA de ontem:
“Com sua força econômica, a Alemanha pode receber meio milhão de refugiados por ano a médio prazo, afirmou o vice-chanceler e ministro da Economia, Sigmar Gabriel.”

 

Angela Merkel anunciou que vai destinar 6 bilhões de euros para administrar o grande fluxo de migrantes e afirmou que o fluxo em massa de imigrantes mudará o país, prometendo trabalhar para que estas modificações sejam “positivas”.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

O desafio que a união do rádio com a internet impõe aos estudantes de jornalismo

 

 

O interesse de estudantes de jornalismo pelas novas tecnologias não me surpreende, mas chama atenção como tenho sido procurado para relacioná-las ao rádio, o que me entusiasma pois sempre acreditei na internet e nas demais ferramentas que surgiram, dentro dela ou a partir dela, como caminho para propagar o trabalho que realizamos. O que me deixa ainda mais satisfeito é que a CBN é a grande referência que esses jovens têm quando tratam do tema, resultado do investimento que se tem feito em inovação, desde o seu surgimento, em 1991.

 

Nesta semana, o estudante de jornalismo David Paulo e seu grupo, do 4º ano de jornalismo, da Uninorte, em Manaus (AM), que estão realizando trabalho sobre o livro “Jornalismo de Rádio”, que escrevi em 2004 e foi editado pela Contexto, me convidaram para, em vídeo, falar sobre a ideia de que a internet é o novo oxigênio do rádio, defendida por mim desde aquele tempo.

 

No vídeo que será apresentado pela turma e compartilho com você agora, falo do desafio que rádio, redes sociais, podcast e internet impõem aos jovens jornalistas que se preparam para atuar neste mercado da comunicação.