Ferreira comemora em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA
Foram sete empates com o deste domingo —- o terceiro em casa. Alguns saímos na frente e cedemos. Outros saímos atrás e recuperamos. Fizemos bons jogos ainda no início da retomada do futebol e empatamos. Fizemos jogos medíocres e empatamos, também. Vitórias foram duas e derrotas apenas uma no Campeonato Brasileiro. Como os empates são a constância nessa competição, é deles que falo com você, caro e raro leitor desta Avalanche.
Dependendo a sequência, tem empate que é bom. Pra ter ideia, no começo do campeonato éramos dos poucos times invictos, com uma vitória e quatro empates seguidos —- muitos não gostavam do fato de sairmos de campo apenas com um pontinho conquistado, ainda assim a ideia da invencibilidade persistia. A primeira derrota veio e a conta se inverteu. O que até então era mérito —- cinco jogos sem perder —- virou fardo —- cinco jogos sem ganhar.
Dependendo o momento do campeonato, comemora-se empate, também, afinal, um ponto pode representar um pé mais próximo do título, da conquista de uma vaga ou fora da zona de rebaixamento.
Avalia-se o empate ainda de acordo com o adversário. É com quem se disputa posição? Menos mal que conseguimos segurá-lo. É com quem vem de baixo? Pode ser desperdício. É com quem está em cima? Tá valendo.
Nem sempre é o fator casa —- se é que este ainda existe desde a pandemia — que serve para a análise de quanto vale um ponto na tabela. Lembra que empatamos com o Flamengo no Maracanã? Foram dois pontos desperdiçados pela condição do jogo. No de hoje, foi um ponto conquistado, sem dúvida.
O momento na temporada, a sequência que teremos daqui para a frente —- especialmente levando em consideração a Libertadores —- a escalação e a performance do time, fizeram justo o placar.
Com jogadores baleados fisicamente e suspensos disciplinarmente, Renato mexeu na estrutura do time e montou uma equipe mais consistente atrás. Sem alguns dos seus principais nomes —- Geromel, Kannemann, Maicon, Jean Pyerre, Pepê e Everton —- fez partida equilibrada até o fim, com domínio da bola e chegando ao ataque bem mais do que o adversário
Renato teve a humildade —- há quem não consiga enxergar esta qualidade no nosso técnico —- de compreender que o momento que passamos é de altíssima responsabilidade. Depois da derrota no meio da semana, com time que não expressou sua alma de Libertadores, assistimos em campo a jogadores abnegados em suas funções, mesmo sabendo dos limites de uma equipe desfalcada. Estivemos diferentes na escalação e no ânimo —- esse foi o melhor sinal deste domingo.
O gol sofrido foi resultado da necessidade de soltar o time um pouco mais e tentar os três pontos — a fragilidade defensiva apareceu e pagamos o preço. Sair desta partida com derrota teria um custo muito grande para o Gre-nal da Libertadores. Abriria espaço para a pressão de corneteiros, críticas nas redes sociais e especulação na imprensa.
Aí, apareceu Ferreirinha: Aldemir dos Santos Ferreira, 22 anos, camisa 47, 1,73 de altura, canela fina, cara de guri e futebol de moleque. Depois de oito meses em banho maria por desacordo contratual com o Grêmio, o menino entrou em campo nos três últimos jogos, sempre no segundo tempo e por pouco tempo.
Tem-se a impressão de que a perna ainda não faz o movimento com a mesma rapidez que o cérebro imagina para se safar do adversário e correr em direção ao gol, mas, claramente, tem talento e tem estrela —- marcou o gol de empate de cabeça, da única maneira que jamais imaginaríamos sendo ele minguado diante dos marcadores. Meteu-se na área, foi rápido para se desmarcar e deslocou a bola distante do goleiro e quase no limite da trave.
Saímos de campo com mais um empate, mas esse tem um peso melhor do que a maioria dos outros. Veio com um time muito modificado; com jogadores que lutaram muito em campo; com dedicação até os minutos finais que permitiu a recuperação no placar; contra adversário que chega forte na competição; e oferecendo um pouco de tranquilidade para pensarmos no que realmente interessa no meio de semana: a Libertadores e o Gre-nal.
PS: sem contar que me livra de ter de ouvir chacota de um bando de amigos e colegas de trabalho palmeirenses, na segunda-feira.
“Io sono nato al Brás”. Foi a frase que eu disse ao italiano dono de uma pizzaria ótima em Peruíbe: o “Figlio di Vincenzo”. Falávamos de “il paese” de onde vinha o restauranteur, visto que havia várias flâmulas e cartazes da Bologna espalhados pelo recinto, muito rústico e simpático. Ótima pizza. E, sopratutto, me fez recordar o Brás.
Por ser um bairro que é praticamente extensão do centro, se desenvolveu muito cedo em termos de moradia e serviços. Como a industrialização de São Paulo teve seu início ali e na Mooca, basicamente movida pelos empreendedores italianos, a colônia era muito, muito grande.
O Brás foi formado pelos italianos. Em parte também por judeus e me recordo que em minha rua havia um grande edifício no qual funcionava A escola israelita. Meus vizinhos? Manfredini, Baldon, Bacci, Tabarini, Morelli, D´Arena, Montoldi … Pela graça da origem, o Brás, tinha muitas, muitas cantinas. Algumas famosas ainda até hoje. Tinha também cinemas — objetos de gratas recordações como no filme de Giuseppe Tornatore. A Não havia, como no filme, uma pracinha com um cinema, mas um profusão de salas de exibição.
A avenida Celso Garcia, mais próxima da minha casa, tinha o Cine Roxy, que penso ter tido uma das primeiras estruturas de “conveniência”. Para se chegar até as bilheterias, atravessava-se um corredor largo e longo, onde havia algumas lojas. Eu sempre fazia fotos oficiais —- de minha primeira comunhão ou de diplomação da escola — no Foto Roxy, que ficava ali no corredor.
O Cine Universo, também na Celso, era algo a parte: 4.500 assentos. Do foyer, a gente jogava pipoca nos infelizes abaixo, como no filme do Tornatore. O teto do Cine Universo se abria! Que gloria, nas noites de luar e estreladas, era assistir a um filme olhando para o céu!
Um pouco mais adiante, já na Rangel Pestana, havia o Piratininga. Você pode imaginar uma sala de cinema com mais de 5.000 lugares —- sempre lotados. Os homens vestiam terno e gravata; senhoras e senhoritas, vestido rodado.Cantava-se, assobiava-se, aplaudíamos, falávamos alto, e, infelizmente, se fumava. Ainda havia, na Rua do Hipódromo o Cine Safira, e na Piratininga, o Oberdan.
Minha mãe me levava para assistir as comédias de Jerry Lewis e os grandes musicais e filmes românticos; e meu pai não perdia os Westers de John Wayne ou Randolph Scott.
Como no filme de Giuseppe Tornatore, tudo acabou. Do Universo você nem encontra sinais; do Safira, nada sei. O Roxy havia se tornado uma igreja. O Oberdan hoje é uma loja e o Piratininga é um estacionamento
Dizem que todo italiano tem um parente próximo no Brasil. Creio que Tornatore tinha parentes no Brás e veio visitá-los quando se inspirou para produzir Cine Paradiso. Giancaldo não era na Sicilia. Era o Brás no microscópio.
A agilidade e imediatismo do rádio somados a precisão do trabalho jornalístico foram essenciais para conter parte da ansiedade desenvolvida pelas pessoas ao longo desta pandemia. Essa é uma das explicações para o aumento da audiência identificado em pesquisas feitas aqui no Brasil, tanto quanto nos Estados Unidos e na Europa. Além de ouvir mais rádio, ouve-se rádio por mais tempo — foi o que demonstrou pesquisa do Kantar IBOPE Media, publicada recentemente.
Foi a partir desta constatação que tive a oportunidade de analisar a valorização do rádio e do jornalismo em conversa promovida pela agência de comunicação In Press que reuniu Flávio Lara Resende, presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert); Paulo Gilvane Borges, fundador da Agência Radioweb; e Patrícia Marins, sócia-diretora da In Press Oficina e especialista em gestão de crise e reputação. O papo foi mediado pela diretora da In Press, Fernanda Lambach.
Histórias do passado do rádio foram entremeadas a avaliação sobre como o veículo se comportou — assim como o seu ouvinte — desde que a crise provocada pela pandemia se iniciou no País. Como o fortalecimento do rádio e do jornalismo profissional neste momento pode impactar as estratégias de comunicação no futuro também estiveram no foco desta “mesa redonda virtual” que reuniu cinco pessoas que são admiradoras do veículo — como você, caro e raro leitor deste blog, poderá perceber no vídeo disponível acima.
Fiz questão de alertar para a necessidade de se acreditar no papel do jornalismo profissional como uma vacina contra a desinformação, que tem causado prejuízos às pessoas, às empresas e à democracia.
Aproveitei a audiência desta série de programas realizada pela In Press, formada por gestores, líderes empresariais e especialistas na comunicação corporativa para deixar a seguinte pergunta:
Você vai continuar investindo a verba publicitária da sua empresa em mídias e conteúdos que podem colocar em risco a reputação da sua marca? Ou está na hora da apostar em quem acredita no jornalismo profissional?
A busca pela resposta certa à pergunta abaixo tem aparecido em palestras, artigos, seminários e em toda sorte de mídia social — até em improvisadas pesquisas. Então, antes de seguir em frente, vote na nossa enquete:
O que nós pensamos?
Nessa equação, deve-se levar em consideração o preço da locação das lojas e a possibilidade de termos um novo perfil de clientes. Acreditamos que realmente os shoppings têm custos elevados e o consumidor poderá apresentar um novo comportamento. Isso não significa que, com certeza, as lojas migrarão para as ruas.
Primeiro, porque os altos custos dos shoppings são condizentes com os perfis da demanda. E, segundo, porque o novo comportamento do consumidor provavelmente não abrirá mão do conforto e da segurança que as ruas não fornecem. Se o consumidor não aderir, nada mudará nesse sentido.
Stern, sócio da consultoria McMillanDoolittle (foto: divulgação)
Vai mudar possivelmente de acordo com o que se ouviu no Global Retail Show 2020, quando Neil Stern, sócio sênior na consultoria do varejo McMillanDoolittle, dos Estados Unidos, afirmou que o e-commerce será o responsável pela mudança do varejo, na medida em que a loja física necessitará de um produto de “valor extremo”, de “conveniência extrema” e de “experiência extrema” para atrair o consumidor.
Entretanto, é importante observar que não é possível no cenário de hoje, onde vemos a pandemia afetando todos e tudo, desenvolver um método de projeção consistente para o futuro, pois não há histórico. De outro lado, não é possível projetar como os shoppings reagirão a eventual situação de êxodo dos consumidores quer para as ruas quer para a internet. Pelo que sabemos, ainda não foi realizada pesquisa ou trabalho científico sobre essa importante matéria.
Uma época que vale lembrar em termos de projeção do futuro é a década de 1960, pródiga em previsões. Especificamente o ano de 1967, quando foram produzidos três trabalhos significativos e com grande repercussão:
“O Novo Estado Industrial” de John Kennet Galbraith, que previu a tecnoburocracia, que alavancaria a corrupção quando o público e o privado passassem a negociar.
“O Desafio Americano” de Jean-jacques Servan-schreiber, que previu o domínio americano diante da incapacidade europeia de se unir, e a indecisão sobre o papel da Ásia.
“O Ano 2000” de Herman Kahn e Anthony J. Wiener, do Hudson Institute, que, baseado em projeções econômicas e sociais, apresenta as configurações prováveis que o mundo poderia ter, possibilitando um possível controle da história. No prefácio, Roberto Campos chama a atenção pela futura e preocupante taxa de empregabilidade do Brasil.
Convém lembrar, que dois anos depois o astronauta americano Neil Armstrong pisou na lua, e em Bethel, cidade do estado de Nova York, realizou-se o Festival de Woodstock, revolucionando a música, os costumes, e descortinando a segmentação de mercado.
Aqui entre nós ainda não apareceu nenhum estudo que tivesse as condições de credibilidade necessárias. Enquanto isso, as lojas poderiam escolher as áreas em evidência, para se completar ou atualizar, sabendo que a velocidade das mudanças será sempre aumentada: digitalização, inteligência artificial, qualificação extrema, e a maior omnicanalidade possível.
Carlos Magno Gibrail é consultor, autor do livro “Arquitetura do Varejo”, mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.
Geromel espanta a bola em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA
Pouco antes de a partida desta noite começar, procurava um livro escrito por um gremistão de quatro costados — Léo Gerchmann — e deparei com o de um gremistão tresloucado: “Grêmio — nada pode ser maior”, de Eduardo Bueno — que de tão louco que é, foi capaz de lançar um livro inteiro recheado de paixão pelo Imortal Tricolor no mesmo ano que disputaríamos a Segunda Divisão. Parecia antever que naquele 2005 venceríamos a maior batalha de todos os tempos, a dos Aflitos.
Logo nas primeiras páginas, Peninha, dizia a que vinha. Deixava claro que o livro estava sendo escrito para gente como nós:
“…pra quem gosta de ganhar e não se conforma em perder, mesmo quando perde. E que, quando perde, sabe saborear a grandeza de uma derrota vendida caro, pois tem certeza de que o time não desistiu antes de lutar até o último minuto. …. para aqueles que sabem que não está morto quem peleia. …para que não só vibrou mas entendeu por que a Alemanha ganhou as copas de 1954 e 1974 e a Grécia levantou a Eurocopa de 2004. E, é claro, para quem não duvida que o Uruguai de 1950 foi um dos maiores campeões da história do Maracanã — e do mundo!”
“Essas outras cores e nomes, no entanto, só interessam como metáfora. O que importa é o Grêmio, Grêmio que o dicionário define como “conjunto de pessoas unidas em torno de um objetivo”. Grêmio de futebol —- e futebol de verdade, sem firula, sem vergonha sem frescura. Grêmio porto-alegrense mas que poderia ser, e foi e é, de Liverpool, de Montevideo, de Saint Louis, de Medellín, de Tóquio, da Vacaria, do Alegreta, de Bagé, de Pelotas, de Cacimbinhas, de Canela, … dos quintos dos infernos, de onde Judas perdeu as chuteiras (e o jogo, pois na hora H quis fazer uma embaixada por 30 dinheiros). Grêmio Fênix, que nunca foi Íbis, Grêmio galo de rinha. Grêmio charrua e minuano, com doses cavalares de bravura”.
Ao assistir ao Grêmio em campo no Chile, pensei no silêncio da minha desolação : haveria algum jogador gremista naquele gramado capacitado a ler esse livro? Só consegui pensar em Vanderlei e Geromel.
Que em breve, Renato recupere nosso time e o faça, novamente, merecedor da escrita de todos os gremistas.
Conversar com jovens é revigorante. Com jovens e jornalistas, é provocante. Pela profissão que pretendem exercer, tendem a ser mais curiosos ao mesmo tempo que desconfiados. Olham você de revesgueio, ouvem com atenção enquanto matutam alguma pergunta que possa lhe tirar do trilho e quando você menos espera querem saber aquilo que você não imaginava ter de contar. É preciso preparo e cuidado extremo com as palavras.
Fiz esse exercício dias atrás. Em conversa online, estive com alunos da PUC do Rio Grande do Sul. Da mesma FAMECOS que frequentei no início dos anos 1980. Uma turma sob a batuta do mestre Cláudio Mércio —- que conheci sob o apelido de Batata quando ele ainda tinha dúvidas se seria advogado ou jornalista. Contou-me que foi o convite que fiz para ser estagiário do SBT, em 1989, que lhe deu rumo profissional. Saber disso me fez acreditar que alguma coisa boa deixarei para o jornalismo. Mércio, dentre outros afazeres acadêmicos, cuida do laboratório de texto da PUC — ao lado do professor Sílvio Barbizan — e foi nesse contexto que me convidou a participar do encontro virtual.
Lembrei aos guris e gurias que me assistiam a frase do professor e jornalista Carlos Eduardo Lins da Silva, quando foi ombudsman da Folha, na virada da primeira para a segunda década deste século:
“80% dos erros que saem no jornal podem ser atribuídos a três fatores: pressa, preguiça e ignorância”.
Como tudo acelerou de lá para cá, fico imaginando o quanto a pressa em publicar tem provocado erros. No rádio, que é o meu assunto, temos pressa, muita pressa, cada vez mais pressa. E, lamentavelmente, em nome dela justificamos boa parte dos nossos erros, quando deveríamos redobrar os esforços para essa pressa ser substituída por precisão.
Para nos ajudar a desenvolver um texto mais bem qualificado no rádio, listei oito sugestões que reproduzo a seguir para você, caro e raro leitor deste blog:
Escreva a palavra certa, nunca a palavra mal dita
Se não houvesse a pressa, a preguiça e a ignorância —- para citar os três erros identificados por Lins da Silva, deixaríamos de repetir no ar informações e expressões que costumamos ouvir das diferentes fontes com quem temos contato —- uma gente que cria jargões, usa de tecnicismo, exagera no anglicismo e mal preparada para conversar com o cidadão. Cabe ao jornalista (não apenas de rádio) traduzir para o bom e claro português toda palavra mal dita — incluindo as malditas.
Dia desses, ouvi nas notícias de trânsito que o problema na via era da “temporização semafórica”, que nada mais é do que o tempo em que o semáforo, ou a sinaleira, como falamos no Rio Grande do Sul, abre e fecha. Aliás, a família “semafórica” parece ser enorme entre os técnicos de controlam o tráfego nas cidades brasileiras: sem puxar muito da memória já fui apresentado no ar ao pai conjunto, à mãe sinalização e ao irmão temporão, ops, temporização.
As pautas de saúde e coronavírus também vão ao ar sem que se dedique alguns minutos em busca de palavra melhor. Dos médicos, repetimos a expressão “evoluir a óbito”. O problema não é o que o médico diz —- lá na sala de cirurgia, no registro oficial, ele tem todo o direto de evoluir a pessoa a óbito —- mas isso não cabe na boca de um jornalista. Ou a pessoa sobreviveu ou morreu. Se ela evolui para algum lugar, isso é assunto para outra editoria.
Tem as paravas e expressões da moda, também. “Mortos contabilizados” e “novos mortos” estão por todos os lugares do noticiário. Não há um dia em que eu não depare com um texto em que o verbo contabilizar aparece —- não bastasse o fato de que a ideia inicial de contabilizar está relacionada a transação financeira, por que não procurar outra formas de escrita? Por exemplo: em lugar de o Brasil contabilizou 1.500 mortes por Covid-19, nas últimas 24 horas; use o Brasil registrou 1.500 mortes …; ou 1.500 pessoas morreram no Brasil… Jamais “contabilizou novas mortes” (aí é de matar) como ouvimos a todo momento. Faria algum sentido dizer que o Brasil teve 1.500 velhas mortes?
Só use a palavra mal dita, quando disser que foi dita
É claro que se um entrevistado, alguma autoridade ou uma fonte que mereça e possa ter seu nome citado usar uma expressão mais complicada, um jargão da área em que atua ou uma palavra estranha ao nosso vocabulário, podemos e devemos reproduzir sua declaração —- mas não esqueça de, em seguida, traduzir para o ouvinte o que foi dito. E de forma bem dita.
De preferência, deixe o mal dito na voz do dito cujo
Nesses tempos de autoridades desbocadas, que acreditam que com palavrão podem descrever uma pessoa, uma profissão ou um fato; já que estamos falando em mídias faladas, de preferência deixe que ele ou ela diga em viva voz aquela expressão. Um exemplo aleatório: imagine que você viva em um país no qual o presidente chame os jornalistas de bundões (Deus me livre de viver em um lugar desses). Você não precisa repetir no texto da reportagem, em viva voz, a palavra usada pelo presidente, se tiver a gravação do próprio mal dizendo seus colegas. Tem coisa que cabe na boca da autoridade, mas não cabe na sua. Nem na minha.
Números ditos costumam ser mal ditos
Costuma-se dizer, em tom de brincadeira, que jornalista não entende de números, mas adora usá-los. A impressão que se tem é que reportagem sem número parece não ter lead, manchete ou credibilidade. Que fique claro, discordo piamente dessa ideia. Reportagem não precisa de número, precisa de histórias, fatos e pessoas, além de um bom texto, é claro. Histórias, fatos e pessoas são a alma de uma reportagem.
Hoje, temos, inclusive, uma área que tem crescido bastante, que é a de jornalismo de dados, que nos especializa nos temas e nos ensina ao menos a saber quando usar ou não “morte por milhão de pessoas”. Nesta pandemia, fomos muito cobrados por parte do público —- especialmente bolsonarista ou aquele que se identificava como amante (?) do Brasil —- o fato de não relativizamos o número de pessoas infectadas ou mortas levando em consideração a população do país. Seria, segundo essa turma, uma maneira de mostrar que o problema não era tão grave quanto “vocês jornalistas que não gostam do Brasil querem que seja”. Aprendemos na crise que o número de mortos por 100 mil ou por milhão pode trazer distorções na avaliação em situação aguda como esta. A medida é importante quando tratamos de casos crônicos; por exemplo, assassinatos, acidentes de carros ou mortes por problemas no coração.
Em situações nas quais números são relevantes para a reportagem, é preciso que se tenha parcimônia quando formos informá-los no rádio —- o preciosismo pode acabar em desinformação. Decida o número que realmente interessa; dê ênfase a esse número; faça comparações que ilustrem a dimensão dele; e evite publicar uma sequência de números com milhão, milhares, centenas e dezenas. Na dúvida, faça a você mesmo a seguinte pergunta: se eu fosse o ouvinte qual desses números que tenho em mãos, eu gostaria de memorizar para contar aos meus amigos? Esse é o número que você vai ter de trabalhar de forma precisa na sua reportagem.
Sempre há uma nova forma de dizer a mesma coisa
Esses dias, li um e-mail armazenado no arquivo de meu computador que fazia parte de uma série escrita por um dos ex-diretores de jornalismo da CBN, Giovanni Faria. Guardei todos os e-mails porque o conteúdo é riquíssimo e produzido com base no que ele ouvia no ar. Em um deles, pedia para que âncoras e repórteres buscassem uma outra maneira de perguntar a opinIão de seus entrevistados. Reclamava, com razão, que em quase todas as entrevistas nós usávamos a mesma fórmula: “como o senhor vê isso?”; “como a senhora vê aquilo?”. Sugestão do chefe, aceita e nem sempre cumprida: restringir o uso do verbo VER para seu sentido literal e abandonar o modismo de usá-lo como sinônimo de EXAMINAR, ANALISAR, PENSAR, COMPREENDER, ENTENDER, SENTIR …. Só com um puxão de orelhas desse para a gente perceber que exagera no “ver”.
O texto falado para ser escutado pode ser escrito
O rádio é uma tremenda escola para o improviso, o que não significa que ao entrar no ar você não possa preparar o seu texto. Aliás, na abertura do Jornal da CBN, quando apresentamos uma espécie de resumo de notícias e declarações que interessam ao público, o texto é todo escrito. Há um roteiro, não exatamente com o cuidado que aprendemos na academia, mas há um roteiro adaptado às nossas necessidades.
Os repórteres —- especialmente os mais novos —- temem cometer erros e, portanto, não há mal nenhum que preparem um texto escrito com antecedência, desde que isso não atrase a participação dele na programação. Se o tempo for pouco e a insegurança muita, anote apenas os tópicos, de maneira ordenada e lógica. Quando for chamado, com texto ou sem texto, o repórter tem de estar pronto para contar a história que lhe cabe.
O texto escrito para ser escutado tem de ser falado
O cuidado essencial é entender que o texto escrito para ser escutado tem de ser escrito como é falado. E esse é talvez dos erros mais comuns, muitas vezes cometido por pressa, preguiça, ignorância ou medo —- acrescentei mais um motivo para os nossos erros, além dos três citados por Carlos Eduardo Lins da Silva.
A forma como você escreve um texto para o rádio tem de ser da forma como falamos, caso contrário, ninguém vai ouvir como deveria. Isso não significa contrair o para para pra; ou a pessoa pelo cara; ou o bandido pelo crápula …. Há regras a serem respeitadas, mas a frase escrita tem de caber na boca do locutor; tem de fazer parte do seu cotidiano e do cotidiano do ouvinte.
*O jornalista catalão Iván Tubau, doutor em filologia francesa, graduado em arte dramática e professor do Departamento de Jornalismo e Ciências da Comunicação da Universidade Autônoma de Barcelona, em seu livro “Periodismo oral” (Jornalismo oral), lançado em 1993, chama atenção para a necessidade de aqueles que escrevem os textos jornalísticos destinados a uma execução oral traduzirem a linguagem popular, sem destruí-la:
“Quem escreve para rádio e televisão deve ouvir a algaravia da rua, ordená-la e limpá-la um pouco e devolvê-la levemente melhorada a seus emissores primigênios (primitivos), procurando que estes a sigam conhecendo como sua”.
*(reproduzido do livro “Jornalismo de Rádio”, Editora Contexto, 2004)
A pandemia de COVID-19 tem promovido mudanças em todas as esferas — sociais, educacionais e econômicas — com consequências que ultrapassam os impactos provocados pela infecção. Recentemente, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) alertou que a pandemia pode aumentar os fatores de risco para suicídio, convocando ações efetivas para sua prevenção. Isso se torna urgente, uma vez que os dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam o suicídio como a segunda causa de morte entre pessoas jovens.
Estudos iniciais sugerem que apesar de crianças e adolescentes serem menos propensos à infecção pelo coronavírus e permanecerem assintomáticos ou com sintomas mais leves da doença, sofrem diretamente seus impactos psicológicos, podendo apresentar ansiedade, depressão e Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), com consequências que podem se estender mesmo após o término do isolamento social.
Se por um lado as medidas de distanciamento tornaram-se necessárias, com evidências de eficácia na contenção da doença, reduzindo a propagação do vírus; por outro lado, têm sido associadas com piora nos sentimentos de solidão, desencadeando quadros de depressão e ansiedade. Isso se torna mais acentuado especialmente entre os jovens, tendo em vista a importância das interações sociais nessa fase da vida.
Diversos fatores são apontados como aqueles que impactam a saúde mental durante a pandemia, dentre os quais: incertezas em relação à doença, medidas rígidas de distanciamento social, perda de entes queridos e o fechamento prolongado das escolas.
Atualmente, a escola é considerada uma das principais instituições sociais, uma condição que começou a ser ocupada lá atrás, após a Idade Média. Até aquela época, o meio social, em seu conjunto, era o contexto educativo e todos os adultos eram responsáveis por promover a aprendizagem a partir das experiências pessoais.
O desenvolvimento da industrialização trouxe mudanças significativas nos séculos XIX e XX, alterando o local de trabalho das residências para as fábricas. As casas passaram a ser locais privativos, com espaços individuais, como quartos e áreas de estudo, e o trabalho passou a fazer parte da vida pública, deslocado para lugares na cidade, exigindo nova organização urbana.
Isso gerou mudanças na família, que não conseguia mais preparar as crianças para as novas exigências de trabalho, diferente de como era feito anteriormente, muitas vezes em ofícios transmitidos de pais para filhos. Além de preparar o indivíduo para o trabalho, a escola passou a ter uma função social, à medida que possibilitou o convívio com outros indivíduos, além dos familiares, favorecendo as interações e preparando para a vida em sociedade.
Com a inserção da mulher no mercado de trabalho, novas mudanças aconteceram, como o aumento no tempo de permanecia dos alunos no ambiente escolar.
Considerando a importância atual que a escola representa nos processos de socialização e o impacto do isolamento social na saúde mental de crianças e adolescentes, a OMS tem alertado aos governantes que analisem com cautela o período pelo qual as escolas permanecerão fechadas.
Pensar em políticas públicas que envolvam crianças e adolescentes durante a pandemia exige maturidade dos governantes e da sociedade. Impõe afastamento de ideias simplistas, amadoras ou partidárias. Exige ponderação e decisão séria, tendo em vista os perigos desse vírus, que ainda conhecemos tão pouco, e suas consequências nas diversas esferas da vida.
A COVID-19 já matou quase um milhão de pessoas. Paralelamente, os estudos mostram que a pandemia gerou um aumento de depressão e de TEPT em crianças e adolescentes, considerados fatores de risco para o suicídio.
Como tantos desafios já impostos pelo coronavírus, não parece haver uma resposta fácil sobre a abertura ou manutenção do fechamento das escolas.
Pais, professores, governantes… somos todos responsáveis pela promoção do bem estar físico, psíquico e social de nossos jovens. Penso no poder devastador do coronavírus nas vidas e na saúde mental… e sem a presunção de propor uma solução definitiva, torço para que as medidas adotadas impeçam que o poder destruidor desse vírus atinja ainda mais os jovens, quer seja em sua saúde física quer seja em sua saúde mental, permitindo seus sonhos e esperanças.
Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, tem Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do perfil @dezporcentomais no Instagram. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung
“As marcas mais poderosas, aquelas de que mais gostamos, deixam sempre um registro central, nuclear, na nossa mente. Um acúmulo de ideias atrapalha e confunde” —- Jaime Troiano
Os consumidores estão expostos a uma quantidade enorme de informações e as marcas têm obrigação de tornar mais fácil a tarefa deles identificarem quais as qualidades mais perceptíveis do produto ou do serviço oferecidos. Caso contrário, é possível que ele vá buscar no concorrente atributos que não encontrou na marca, apesar deles existirem e apenas não estarem visíveis.
Como escolher o que é mais importante para qualificar a percepção de uma marca foi o tema do comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo, em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, na CBN. Um dos exemplos usados no programa é o de uma rede de lavanderias que pode falar da localização, da rapidez no atendimento, do preço ou do serviço de eliminação de manchas, mas, talvez, o cliente se impressione muito mais por uma mensagem pontual: “a roupa volta para sua casa como se tivesse saído da loja”.
“É muito difícil escolher qual o atributo mais significativo, mas é muito importante. A cabeça do consumidor não consegue absorver tudo o que o dono da marca quer falar” —- Cecília Russo
Um dos métodos científicos usados para se chegar a resposta mais precisa é a análise de regressão estatísticas, na qual são identificados diversos atributos ou características de um produto ou serviço e com a aplicação de pesquisa se consegue chegar aquele que realmente vai ser absorvido pelo cliente. No entanto, existem algumas atitudes que podem ser adotadas pelo gestor que ajudam nessa decisão:
“Embora não seja tão preciso, em primeiro lugar, é preciso deixar a vaidade de lado, de querer falar de tudo, usar o bom senso, conversar com os clientes e entender o que fazer as marcas mais bem-sucedidas daquele setor de negócios. Não é para copiar, mas para fugir das principais armadilhas” —- Jaime Troiano
O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN e está disponível em podcast.
Darlan briga pela bola em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA
O Grêmio tem jogado fora boas oportunidades de marcar três pontos, fora e dentro de casa. Lá fora, em partidas que dominava, mas nas quais não conseguiu marcar gols com a mesma frequência de anos anteriores. Cá dentro (ou na Arena), o desperdício chama ainda mais atenção: de 12 pontos disputados ganhou cinco apenas; dos seis últimos pontos, ficamos com um, conquistado no empate deste domingo.
Feitas as contas, o aproveitamento do Grêmio é melhor fora do que dentro de casa. Estranho, não?!? Talvez não!!! Talvez a ausência de público na Arena, desde a retomada do futebol, esteja sendo um dos motivos para o rendimento anormal de um time que costumava amassar o adversário com o empurrão de sua torcida — você há de convir que aqueles gritos programados na caixa de som não enganam ninguém.
O time troca passe, mas não com a mesma velocidade de antes. Os jogadores se movimentam em ritmo menos intenso no ataque e na defesa. A marcação sofre com tudo isso. O que só me faz ajoelhar e agradecer por termos Geromel e Kannemann na zaga. Sem eles, poderíamos estar ainda mais vulneráveis. Hoje, da dupla titular, o gringo ficou de fora. Que volte logo e em forma.
Somou-se a falta de Kannemann, a ausência de outras peças importantes como Maicon, que ficou pouco tempo em campo (saiu lesionado), e poderia com seu talento fazer a bola rolar mais rapidamente e com sua liderança fazer o time correr; e como Pepê, nosso velocista.
Luiz Fernando que teve boa atuação nos poucos minutos em campo contra o Bahia, voltou a ser escalado no segundo tempo contra o Fortaleza e dá sinais de que pode se encaixar na equipe. Tem entrado com vontade e fome de bola —- hoje com vontade além da conta e, ao ser expulso, prejudicou o time que havia feito jogar melhor.
Torcida e time (quase) sempre jogaram juntos nestes anos todos de títulos. Houve até partidas em que a torcida fez mais do que o próprio time. Hoje, essa força motriz está em falta … e tem de ser substituída por outros fatores, porque assim será para todo o ano de 2020. Mais um desafio para Renato que sempre apostou no carisma que tem com o torcedor —- além de seu conhecimento estratégico e comando de grupo —- para colocar o time no caminho das vitórias.
A perda de pontos importantes, a série de empates e os percalços em casa talvez sejam pela falta do torcedor, talvez sejam pela ausência de alguns jogadores, talvez sejam apenas por que estamos nos reconstruindo em um temporada atípica como essa que vivenciamos. Não temos como saber ao certo.
Dito isso, vamos ao que interessa.
Nessa sequência de incertezas, a única certeza que tenho é que um bom resultado na retomada da Liberadores, no meio da semana, fará toda a diferença. Que venha a vitória!
Em dezembro de 1972, eu havia completado 20 anos de vida na querida cidade de Dois Córregos, da qual nunca tinha saído pra conhecer novos lugares, novos horizontes. Tudo ali pra mim bastava. Eu vivia feliz.
Dois meses depois, eu estava descendo na Estação da Luz, na capital. Sozinho, com uma pequena mala de roupas, e apenas um endereço na mão — no qual já estavam vivendo meus pais, dois irmãos e quatro irmãs, que haviam se mudado para lá três meses antes de mim; e tendo deixado para trás duas irmãs que estavam casadas.
Com dificuldade e de madrugada, encontrei meu destino, que estava escrito em um pedaço de papel —- novo começo, nova vida.
Assim que o dia clareou percebi a séria dificuldade em que viviam meus familiares. Todos desempregados e ansiosamente me esperando. Eu era o único que tinha trabalho — vim para a capital transferido pelo banco em que era funcionário: o Banco de São Paulo S/A — Emissor, que logo foi incorporado pelo Banco do Estado de São Paulo S/A, o Banespa.
Vivíamos com o meu salário de onde saía o dinheiro para pagar aluguel, água, energia e comida para todos. No dia do pagamento, eu entregava tudo na mão da minha mãe, responsável por controlar as contas. Ela separava moedinhas de CR$ 0,50 centavos de cruzeiros, me dava duas por dia para a passagem de ônibus da Penha ao centro, do centro à Penha, na zona leste de São Paulo. Algumas das moedas eram para meus irmãos saírem de casa em busca de emprego.
Pegava o ônibus logo cedo e passava o dia apalpando o bolso para me certificar que a outra moeda estava guardada para garantir a viagem de volta. No horário do almoço, para que meus colegas não percebessem que eu não tinha dinheiro para comer, perambulava pelas ruas próximas ao banco, olhando para os restaurantes e lanchonetes com seus pratos e salgados — o que fazia aumentar ainda mais minha fome. À noite, em casa, geralmente era servido arroz puro. De vez em quando, tínhamos das salsichas, ou dois, três ovos que mamãe cozinhava e dividia em partes iguais para todos na mesa.
Comecei a ficar com raiva da cidade, achava que não era lugar pra morar. Lá no interior, apesar de ter tido uma infância pobre, nunca tinha me faltado algo pra comer. Pensava comigo: “quero voltar, esta cidade é cruel, aqui não dá pra viver”.
Com o tempo, em casa, alguns arrumaram um emprego aqui outro acolá, às vezes provisório. E cada dinheiro extra nos ajudava a resistir na capital.
Meus dias foram ficando melhores. O que era raiva virou resiliência. E nessa transformação, surgiu a admiração. Percebi que a cidade nunca havia sido cruel comigo. São Paulo simplesmente me testara para ver seu eu era digno de viver nela.
Aumentou meu círculo de amigos, meus familiares se firmaram no trabalho e fui me apaixonando pela cidade, que havia me recebido de braços abertos e dado todas as oportunidades para que eu e minha família crescesse.
Hoje, agradeço por tudo que conquistei. Minha esposa, dois filhos, três netas e amigos que moram em meu coração. Sinto-me privilegiado. Nunca deixarei de amar a pequena Dois Córregos, a qual sempre procuro citar nos mais de 800 poemas que escrevi, muitos dos quais publicados em 22 livros, sempre com o apoio da Editora Matarazzo, presidencial pela querida Thaís Matarazzo.
Da mesma forma que jamais esquecerei de onde nasci, também não deixarei de amar São Paulo que, para mim, é a melhor cidade do mundo.