Jornalismo de rádio: ética e técnica têm tudo a ver

 

 

A pedido de um estudante de jornalismo, que está realizando trabalho baseado no livro ‘Jornalismo de Rádio’ de minha autoria e publicado pela Editora Contexto, gravei vídeo no qual falo de ética e técnica. Como ele já usou o material em seu estudo, aproveito para compartilhar com você um trecho do que penso sobre o tema:

 

A discussão sobre a ética no jornalismo passa pela técnica … pois está diretamente relacionada ao modo como apuramos ou editamos os fatos que transformaremos em notícia.

 

Mesmo que não haja má-fé, uma reportagem mal-apurada fere a ética, este compromisso que devemos assumir como cidadãos e não apenas porque somos jornalistas.

 

Investigar o tema, ouvir pontos de vista divergentes, a busca incessante pela verdade, ou as verdades que compõe aqueles fatos … tudo isso compõe a apuração, a investigação. Temos de usar o saber do outro, como me disse certa vez Zuenir Ventura: “quando você faz uma matéria tem uma hierarquia do saber, você se informa sobre a matéria, procura ouvir quem sabe mais do que você”.

 

E um detalhe importante: a velocidade com que as informações são processadas não pode ser justificativa para erros éticos. Cabe ao jornalista equilibrar-se, em seu cotidiano, entre a velocidade e a precisão – sempre que abrimos mão da precisão em nome da velocidade pagamos com o que há de mais caro na nossa vida: a credibilidade … e isso tem tudo a ver com a ética

 

Para saber mais sobre o tema, convido-o a conhecer o livro “Jornalismo de Rádio”que pode ser encontrado no site da Editora Contexto.

Avalanche Tricolor: os nossos “alternativos” mandaram bem, na Vila

 

 

Santos 1×1 Grêmio
Brasileiro – Vila Belmiro SP/SP

 

 

29679478364_f0c18ef7b4_z

Renato em foto do arquivo no Flickr de LUCASUEBEL/GREMIOFBPA


 

 

Havia quem esperasse pouco do time escalado para jogar neste domingo. Eu, por exemplo. Você, talvez. Quero acreditar que o próprio Renato não apostaria todas suas fichas em um resultado positivo.
 

 

O time era o alternativo, como repetiu o repórter de campo durante a transmissão da televisão. Não sei se no rádio disseram o mesmo. Chamou-me atenção porque no meu tempo costumávamos dizer que este era o time reserva.
 

 

Bem que gostei da ideia de batizá-lo como alternativo. Creio que isso seja coisa do Renato e os jornalistas estejam apenas levando à frente. Nos dá um olhar diferente sobre os jogadores que estão em campo. Não os impõe a pecha de segundo escalão, apenas de diferentes.
 

 

E foram diferentes em campo. Surpreendentes, eu diria.
 

 

Além de se fecharem bem na defesa, sem vergonha de admitir a diferença em relação ao adversário, usaram o contra-ataque como poucas vezes vimos na competição. Capacidade que se revelou logo no início da partida com gol que surgiu de jogada na qual Everton soube combinar sua velocidade com domínio de bola e precisão no chute. Coisa rara de se ver no futebol.
 

 

Conter a pressão de um time pouco acostumado a derrotas em seu campo seria tarefa das mais complexas. Por isso, o gol que tomamos de cabeça parece que já estava mesmo na nossa conta. E veio para ratificar que se a zaga principal parece ter se ajeitado por cima, a alternativa ainda tem o que melhorar.
 

 

O segundo tempo, apesar de nosso gol não ter saído – e foi por detalhe -, voltamos a surpreender. A marcação foi mais alta, na saída de bola do adversário, e isso desorganizou a chegada do ataque deles. Mudança, com certeza, que teve o dedo de Renato.
 

 

Estivemos sob fogo cruzado boa parte do jogo, mas vimos nossos defensores se multiplicarem para segurar o empate. Em alguns casos chegamos a ter dois jogadores marcando a mesma bola. Houve aquilo que a turma gosta de chamar de entrega total em campo.
 

 

Ao fim da partida Maicon definiu o empenho da equipe: “se não vai no entrosamento, vai na vontade”.
 

 

Os nossos alternativos demonstraram muita vontade e estão de parabéns, pois neste domingo, jogando pelo Campeonato Brasileiro, seguraram a onda da turma que descansou para, na quarta-feira, “jogar a vida” na Copa do Brasil.

Quintanares: Ser e estar

 

 

Poesia de Mário Quintana
Interpretada por Milton Ferretti Jung

 

A nuvem, a asa, o vento,
a árvore, a pedra, o morto…

 

tudo o que está em movimento,
tudo o que está absorto…

 

aparente é esse alento
de vela rumando um porto

 

como aparente é o jazimento
de quem na terra achou conforto…

 

pois tudo o que é está imerso
neste respirar do universo

 

– ora mais brando ora mais forte
porém sem pausa definida –

 

e curto é o prazo da vida

 

e curto é o prazo da morte.

 

O programa Quintanares foi ao ar, originalmente, na rádio Guaíba de Porto Alegre.

Conte Sua História de SP: do sobradinho geminado às margens do Pinheiros

 

Por Alice Ribas Cabete

 

 

Nasci em Santos.

 

Em 1935, com o falecimento de meu pai, minha mãe veio morar em São Paulo, alugamos um sobradinho geminado na Rua Rússia esquina da Av. Europa, final da linha do bonde Jardim Europa, até pouco tempo os sobradinhos ainda estavam lá.

 

O bairro Jardim Europa estava começando a surgir. Depois do final do ponto do bonde, a Av. Europa continuava até a Marginal do Rio Pinheiros com poucas casas e muita árvore. A maioria dos moradores era alemã. Foi na casa de uma família alemã que vi pela primeira vez uma árvore de natal.

 

Aos domingos, eu e algumas meninas da vizinhança caminhávamos entre as árvores até o Clube Germania, hoje Clube Pinheiros, que se estendia até as Margens do Rio Pinheiros, onde os sócios do clube costumavam remar e nadar.

 

No caminho, havia uma igrejinha isolada no meio das árvores, acredito ser hoje a Igreja de São José.

 

Algumas vezes pegávamos o bonde e íamos ao cinema, na Rua Augusta.

 

No Carnaval, alugávamos um carro aberto para fazer o corso na Av. Paulista.

 

Sinto muitas saudades de São Paulo daquela época e sou feliz por participar da história de São Paulo.

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, logo após às 10h30, no CBN SP, com sonorização de Cláudio Antonio e narração de Mílton Jung

Mundo Corporativo: César Souza diz como aplicar a “clientividade” na sua empresa

 

 

“Grande parte dos casos em que a empresa perde o cliente, não é só por problemas do pessoal de marketing, comercial e venda, não. Perde o cliente porque o pessoal do back-office, do entorno, que não lida diretamente com o cliente não sabe tratar adequadamente; por exemplo, o cliente fica inadimplente aí o que é que acontece? …. o jurídico manda aquela carta extremamente ofensiva para o cliente .. o pessoal de logística promete e não entrega no prazo”. A afirmação é do consultor César Souza, presidente da Empreenda, em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN.

 

Para Souza, “o cliente infelizmente não está no centro (do negócio), tá ainda na periferia”. Com a intenção de mudar esse cenário encontrado na maioria das empresas, ele criou o conceito “clientividade” que alerta para a necessidade de se desenvolver estratégia para se conquistar e fidelizar cliente de forma constante e rentável. Ele é autor do livro “Clientividade – como oferecer o que o seu cliente quer” (Ed BestBusiness).

 

O Mundo Corporativo é apresentado, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site e na página da CBN no Facebook. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN. Colaboraram com este quadro: Alessandra Dias, Wagner Magalhães e Débora Gonçalves.

Tolerância e humildade, por Flávio Gikovate em 14 tuítes

 

giko_650x365

 

Flávio Gikovate morreu aos 73 anos, nessa quinta-feira. Esteve com a gente na CBN até bem pouco tempo, enquanto a doença permitiu. Fazia um programa inovador dentro de uma emissora que se dedica a transmitir notícias: tornava público seu divã e, a partir dele, atendia a centenas de solicitações de ouvintes, que abriam coração e alma para compartilhar suas angustias.

 

Mesmo internado, no Hospital Albert Einstein, seu conhecimento ainda encontrava espaço para chegar até o público que o admirava, através de seu perfil no Twitter. Nas últimas horas, escreveu em 14 tuítes sobre a intolerância, e eu tomo a liberdade de dividir com você os pensamentos do médico, psiquiatra e colega de rádio CBN.

 

Uma boa definição de pessoa humilde consiste na real disposição de ouvir e de aprender sempre, inclusive com aqueles que sabem menos que ela

 

 

Tolerantes são os que conseguem se irritar muito pouco com a parte desagradável presente em suas atividades e nas pessoas com quem convivem.

 

Ser tolerante é enorme vantagem, pois lidar bem com quem não nos agrada facilita a vida social e o encontro daqueles que consideramos legais

 

A tolerância tem a ver com a capacidade de respeitar diferenças de pontos de vista e de estilo de vida. Não ser pessoa crítica ajuda muito.

 

Por vezes tem a ver com a humildade: não se achar pessoa tão especial cria condições favoráveis para um convívio diversificado.

 

Muitos se fazem de tolerantes apenas com o intuito de seduzir e cativar seus interlocutores. São falsos e movidos por interesses duvidosos.

 

Pessoas intolerantes sempre passam uma imagem de arrogância e superioridade, de quem se impacienta e se aborrece com as “tolices” que ouve.

 

Não é raro que os mais intolerantes se considerem (e alguns sejam) mais inteligentes e cultos que seus colegas. O sucesso não passa por aí!

 

Uma pessoa humilde de verdade tem ciência de que seu saber é limitado e que a arrogância e altivez intelectual corresponde a um grave engano.

 

Quem é intelectualmente arrogante se acha portador de um saber inquestionável: ao ser contestado, não ouve o interlocutor com real respeito.

 

As pessoas que acham que sabem muito se afastam da “porosidade” psíquica: seus diálogos visam apenas fazer prevalecer seus pontos de vista.

 

A pessoa arrogante não se interessa pelo que o outro diz: ao ouvi-lo, só está se municiando de argumentos para desqualificar seu raciocínio.

 

A humildade corresponde a um estado de alma em que predomina o respeito pelas outras pessoas: pelo modo como vivem, pensam e se comportam.

 

Uma boa definição de pessoa humilde consiste na real disposição de ouvir e de aprender sempre, inclusive com aqueles que sabem menos que ela.

Avalanche Tricolor: O Grêmio voltou!

 

 

Grêmio 1×0 Atlético PR
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

29679478824_8b76d47bdf_z


Pedro Rocha em mais um lance de ataque, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA
 

 

 

O Grêmio venceu. E isso seria suficiente nesta altura do campeonato. Mas o Grêmio não se limitou a vencer. Venceu e voltou a jogar bem.

 

 

Vimos desfilar na Arena o futebol que fez do Grêmio sensação na primeira parte da competição, que havia sido esquecido em algum lugar qualquer do vestiário a ponto de nos levar a perder Roger, técnico que deixou um legado importante à equipe.

 

 

Há algum tempo não via movimentação tão intensa em todas as partes do campo. A troca de passe veloz, o apuro no toque da bola e o deslocamento de jogadores por um lado e outro reapareceram sob o comando de Renato.

 

 

Já disse algumas vezes, que o futebol bem jogado servia-me de consolo mesmo quando o placar não estivesse a nosso favor. Fazia-me sofrer menos. E temia que a mudança de técnico nos levasse de volta àquele futebol sofrido de garra e determinação – lugar comum nos times de coração, mas sem muito talento.

 

 

A passagem de Roger deixou-me exigente. Queria ver o Grêmio lutador de sempre, mas com o futebol qualificado. Nesta noite, liderado por Renato, parte de meu desejo se fez realidade.

 

 

Michael, Walace, Douglas, Ramiro e Luan trocaram passes com qualidade. E dava prazer ver a bola correndo de pé em pé, às vezes de um calcanhar para outro. Os laterais, especialmente Edílson, apareceram para auxiliar o ataque.

 

 

Dentro da nossa área, Bruno Grassi, Geromel e Kannemann seguraram qualquer tentativa de ataque adversário.

 

 

E aqui um parênteses: Kannemann me parece muito com aqueles zagueiros de antigamente, que tinham um missão a cumprir, despachar a bola para longe de seu gol. E cumpriam do jeito que desse, chutando a bola para o lado em que o nariz estiver apontado. Função que faz com maestria.

 

 

Deixei Pedro Rocha por último nesta lista. E não foi por acaso. Quando tenho a impressão de que vamos desistir dele, o atacante aparece. Seja chutando e provocando o rebote; seja rebotando, como, aliás, fez hoje para marcar o único gol da partida.

 

 

Lembrei de entrevista que fiz com o presidente do Grêmio, Romildo Bolzan, em março deste ano, quando comentei que Rocha perdia muitos gols: “mas ele está sempre lá”, disse o dirigente.

 

 

Rocha estava lá mais uma vez e para resolver a partida.

 

 

O Grêmio voltou a brigar em campo e jogar com talento.

 

 

Com a vitória, cola no G6 e a Libertadores está logo ali.

 

 

O Grêmio voltou!

O melhor caminho para franqueadores

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

img_6076

 

O Brasil com 2.942 marcas franqueadoras é o quarto mercado de franquias do mundo. Atrás apenas da China (4.000), Estados Unidos (3.828) e Coreia do Sul (3691).

 

Ao lado do respeitável tamanho, empregando diretamente 1,2 milhão de pessoas, faturando R$139 bilhões ano, o caso brasileiro tende à maturidade, pois as redes têm crescido 4,5% enquanto as unidades franqueadas aumentaram 10%.

 

Nesse contexto, encontramos franqueados experientes que estão sabendo usar o conhecimento adquirido na ampliação das respectivas operações. O fazem de forma horizontal e, para tanto, escolhendo outras marcas e segmentos, preservando a região de atuação e usando seus pontos fortes.

 

Entretanto, segundo Carla Bruno da “Be Creative Consultoria”, o crescimento do franchising ao lado do sucesso inegável trouxe também uma burocracia que envelhece e encarece os seus agentes como as grandes consultorias, os departamentos de expansão das marcas, as entidades representativas e os meios de comunicação tradicionais.

 

Propõe, então, buscar os franqueados de sucesso diretamente. Um trabalho de “procurar agulha no palheiro” utilizando os shoppings, os corretores de shoppings, os consultores de campo e um portfólio de comunicação com as mídias sociais, Google, e assessorias de imprensa.

 

ambito

 

Valter Matheus, de São Paulo, é um franqueado típico deste formato. Há seis anos, começou com uma franquia da Chilli Beans. Hoje, possui cinco lojas e três quiosques da marca. Agregou ao negócio, três unidades da Kings Sneakers, franquia de moda jovem. Posteriormente, com a experiência adquirida lançou a Âmbito, marca própria de moda feminina, com vendas também pela internet. Com o irmão e dois filhos, toca atentamente suas lojas, que, segundo ele, devem o sucesso à administração e finanças bem cuidadas e a expertise de estar sempre no ponto de venda na dose certa. Visitas frequentes e assíduas.

 

interno2

 

Roberto Natan, de Angra dos Reis, toca uma rede de 22 farmácias Drogatur da família, fundada há 22 anos, e duas franquias da Mr. Cat. no sul-fluminense. Procura ainda outra franquia para diversificar seu mix de negócio, ganhando escala na administração das operações.

 

A multimarcas no franchising sempre foi uma opção que agora, com a evolução do mercado, é uma solução para a melhoria do negócio dos empreendedores mais agressivos.

 

A Folha de SP escreveu sobre o tema nesta semana em reportagem com o título “Cresce procura por empreendedores multimarcas no país”

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

4o Beta Jornalismo: a plataforma não é jornalismo; o jornalismo está no conteúdo

 

img_6289-2

 

Encerrei semana passada, em Curitiba, conversando com estudantes de jornalismo no 4o Beta Jornalismo, promovido pelo curso de jornalismo Escola de Comunicação e Arte da PUC-PR. Levei para o palco do encontro a palestra “Jornalismo em crise? Oba” na qual descrevo inúmeras situações que enfrentamos no nosso cotidiano mas, principalmente, exalto pessoas e veículos que têm buscado soluções para as dificuldades que surgem.

 

A conversa foi longa e produtiva. É muito bom ver estudantes entusiasmados com a escolha da profissão que fizeram e esperançosos de que serão capazes de oferecer soluções para os desafios que aparecem na nossa trajetória, mesmo que diante de muitas incertezas ainda.

 

Fiz questão de reforçar a ideia de que o futuro do rádio e do jornalismo vai surgir a partir das experiências que eles desenvolverem no ambiente universitário ou de um cara qualquer que resolva se debruçar sobre o tema na frente da tela de seu computador e talvez jamais tenha pensado em entrar em uma faculdade de jornalismo.

 

Em virtude da agenda de palestras, respondi apenas algumas das muitas perguntas enviadas à moderadora do encontro, a professora Michelle Thome. As demais recebi por e-mail e aproveito para publicá-las aqui no Blog com as devidas (ou indevidas) respostas.

 

Como pretensão e água benta não fazem mal a ninguém (é esse mesmo o ditado?), espero assim abrir um espaço para dialogarmos com estudantes e profissionais de jornalismo.

 

14485152_706716649484633_7451258146433728901_n

 

Vamos às perguntas. Vamos às respostas:

 

 1) Quando e como você teve a ideia de fazer uma palestra sobre a crise no jornalismo?

 

Minha inspiração foi o livro “Problemas? Oba”, de Roberto Shinyashiki, tema de entrevista realizada no programa Mundo Corporativo da CBN. A ideia de substituir o soluço por soluções diante de uma crise, me pareceu mais honesta com jovens que decidiram seguir carreira no jornalismo. Quando pensei nas crises que tive de encarar desde que me inicie na profissão, percebi que essas dificuldades já nos desafiavam há muito mais tempo: antes mesmo de começar no jornalismo, na década de 80, havia assistido às dificuldades enfrentadas pelo meu pai para manter sua família diante dos problemas econômicos da companhia jornalística na qual dedicou toda sua vida.

 

2)    Você disse que os estudantes devem pensar em radiojornais diferentes daquele que você e outros profissionais fazem. Que tipo de radiojornal você gostaria de fazer se tivesse sua própria rádio?

 

Faço o jornal que gostaria de fazer: abrindo a manhã do noticiário, com equipe de reportagem cobrindo os principais fatos, entradas ao vivo sempre que necessário, amplo e diversificado time de comentaristas, liberdade para tratar dos diferentes temas e em uma emissora que me oferece prestígio e projeção. Dos mais jovens, espero novas ideias e capacidade para me mostrar caminhos diferentes para atuar. Estou disposto a encarar os desafios que me forem propostos.

 

3)    Percebo que, às vezes, eu e os colegas não temos vontade de ir atrás das fontes, evitamos fazer ligação telefônica ou ir até o local… será alguma característica da nossa geração? Como combater essa preguiça?

 

Não é preguiça, é timidez. E timidez é comum. Também tive medo de conversar com outras pessoas, constrangimento em questionar personalidades e dúvida se a abordagem que deveria fazer era a mais apropriada. Pegue o telefone agora e ligue para aquela fonte que você está precisando falar … o tempo nos ajuda a superar essas barreiras, pode ter certeza.

 

4)    O que você acha do jornalista que, além de dar a notícia, faz o papel de comentarista?

 

Isso depende do estilo de apresentação de cada profissional. Alguns são mais adeptos da reportagem, da informação; outros, do jornalismo opinativo. Há espaço para todos eles na programação. E demanda do público, também.

 

É preciso ainda levar em consideração que mesmo o jornalista que supostamente só da notícia também dá opinião na escolha da notícia que dá e na ênfase do fato que relata.

 

Devemos tomar cuidado apenas para não nos transformarmos em falastrões, apesar de este tipo de apresentador fazer sucesso em alguns lugares.

 

5)    Há espaço para a radiodramaturgia hoje em dia?

 

O investimento em documentário de rádio me parece mais viável, um modelo pouco explorado na programação, dada a necessidade de planejamento apurado, roteiro mais bem elaborado e sonorização qualificada – nem sempre encontramos espaço para a produção deste tipo de material na programação. Gostaria, porém, de ver emissoras produzindo documentários. Seria bem interessante desenvolver esta experiência.

 

6)    Tem alguma emissora de rádio – ou programa jornalístico – no exterior que você recomenda que a gente ouça?

 

A BBCNews, em Londres, faz excelente trabalho radiofônico assim como a NPR , nos Estados Unidos. São dois grupos de comunicação que exploram diferentes formatos de programa e o fazem de maneira qualificada.

 

7)    Qual a diferença entre o programa de rádio e o podcast feito a partir dele?

 

Nem todo produto de rádio deve ser transformado em podcast. Porém, todos os quadros, comentários, reportagens e programas especiais produzidos no rádio podem ser oferecidos neste novo formato. E não há necessidade de adaptação. As emissoras podem, também, aproveitar da infraestrutura técnica e da equipe de profissionais que mantém para produzir material exclusivamente em podcast. O desafio é tornar este modelo sustentável. Para se ter ideia: em um mês, os ouvintes da CBN baixam mais de 10 milhões de podcasts produzidos pela emissora.

 

8) Todo mundo pode fazer jornalismo? Plataformas como o Medium ajudam ou atrapalham o trabalho do profissional?

 

Seguindo critérios jornalísticos tais como o respeito a regras básicas, apuração precisa, busca incessante da verdade e a manutenção da hierarquia do saber, todos podem produzir material com características jornalísticas e reproduzi-lo em diferentes meios de comunicação, inclusive (por que não?) no Medium. Vamos lembrar que a plataforma não é  jornalismo; o jornalismo está no conteúdo.

 

9)  Para você, qual o melhor assunto para se cobrir?

 

Os fatos que ajudam a transformar pessoas, independentemente da área em que aconteçam: na política, na economia, na saúde, na educação …

 

10) Você recomenda que o ouvinte entre diretamente com sua voz no ar para passar uma informação relevante, como acidente de trânsito?.

 

Recentemente, durante o furacão Matthew, nos Estados Unidos, colocamos no ar, ao vivo, moradores da região. No triplo acidente – terremoto, tsunami e desastre nuclear – que ocorreu no Japão, há cinco anos, também usamos esse recurso. Já ocorreu de fazermos uso dos ouvintes para relatar situações críticas nas cidades como dificuldades no transporte público.

 

O ouvinte é uma fonte de informação que deve ser respeitada e levada em consideração na cobertura dos fatos. Lembre-se, porém, que a responsabilidade pela informação publicada ainda assim é do jornalista. Portanto, podemos usar essa estratégia mas com comedimento e responsabilidade. Deve ser exceção e não regra.

 

11) Quais suas técnicas para agilizar o processo de busca de informações?

 

Formar uma boa rede de fontes, que são pessoas e serviços que tenham um nível de informação acima da média nas mais diferentes áreas. Jamais esqueça, porém, que um dos desafios na nossa função é equilibrar agilidade e precisão. Nunca sobrepor uma a outra.

 

12) Como manter a credibilidade com a fonte quando ela pede para não ser identificada?

 

Não identificá-la, sem dúvida.

 

Antes disso, porém, entender quais os interesses que levariam aquela determinada fonte a passar uma informação e não querer que sua identificação fosse revelada. Lembre-se que não existe OFF sem interesse.

 

E não esqueça: preservar o sigilo da fonte é um direito do jornalista, mesmo que ações recentes da Justiça tenham tentado quebrar essa relação de confiança.

 

13) O que uma boa cabeça de matéria de rádio deve conter?

 

Primeiramente, um texto simples, direto e objetivo; escrito para quem vai ouvir e não para quem vai ler; capaz de instigar a curiosidade do ouvinte sem contar toda a história. Erro comum no rádio: repetir na cabeça o texto de abertura da reportagem. Elimine essa prática.

 

14) Seu pai trabalhou anos em rádio. O que ele te ensinou sobre esta profissão?

 

Aprendi muito assistindo e ouvindo meu pai na locução das sínteses noticiosas que apresentou, nos programas que participou e nos jogos que narrou. Alguns aspectos me chamaram mais atenção: a precisão na pronúncia dos nomes e descrição dos fatos, a correção no uso da língua portuguesa e, especialmente, a humildade diante do microfone e a honestidade frente aos colegas e empresa.

 

15) É possível fazer estágio na CBN São Paulo?

 

A rádio CBN, assim como todas as emissoras que integram o Sistema Globo de Rádio, em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte, realiza programa de estágio para contratação de estudantes de jornalismo. Neste momento, estão abertas as inscrições para alunos que se formarão em dezembro de 2017. Não perca esta oportunidade.

 

A seguir, alguns posts sobre jornalismo publicados neste blog:

 

Sete características essenciais para ser jornalista

 

Jornalismo pragmático esquece o ser humano

 

O desafio que a união do rádio com a internet impõe aos estudantes de jornalismo

 

Entrevista: o rádio, o jornalismo e o jornalista na era da internet

 

No jornalismo nem tudo é relativo

“A Girl Like Her”: para refletir sobre o bullying e nossas crianças

 

Por Biba Mello

 

 

FILME DA SEMANA:
“A Girl Like Her”
Um filme de Amy S. Weber
Gênero: Drama
País:USA

 

Jessica e seu melhor amigo resolvem gravar tudo o que se passa com eles e fazem isto até ela tentar suicidio por não aguentar o bullying de Avery, a garota popular…

 

Concomitante a isto, uma equipe de cinegrafistas está fazendo um documentário e escolhe alguns ”personagens” para ajudar a contar o dia a dia desta escola pública que acaba de ser eleita “escola modelo”.

 

Por que ver:

 

Nunca, em tempo algum, achávamos que o bullying fosse tomar as proporções que está tomando nesta era digital…

 

Antigamente,quando sofríamos com isto, era tudo mais brando, mais humano, se é que dá para falar sobre isto nestes termos…

 

Além do assunto ser de extrema relevância, o filme tem uma narrativa interessante que mistura algumas linguagens de câmera tais como: documentário, blog, câmera escondida…Achei diferente…Um diferente bom, e bem pensado. Pontos para a direção.

 

Como ver:

 

Indiquei este filme para a reitoria da escola de meu filho. Acho obrigatório a qualquer escola que queira abordar o tema sem meias palavras…Recomendo fortemente que pais e filhos assistam a este filme juntos também. Bom para quem sofre bullying, ensinamento para quem o faz.

 

Quando não ver:

 

Não recomento para crianças com menos de 8 anos (a censura diz que é para 13), tirem suas conclusões quanto a maturidade de seus filhos, e assistam antes de mostrar aos menores.

 

Pena que é forte para menores pois percebo que crianças na idade do meu filho(5 anos) já praticam bullying!!! Pasmem!

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Dá dicas de filmes e séries aqui no Blog do Mílton Jung