Conte Sua História de SP: fiz uma música para as caras da cidade

 

Maricéa Martins Zwarg
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Nasci na Maternidade São Paulo, e minha mãe contou-me a história de meu nascimento, e fui lá, eu mesma, conferir o fato há 20 anos, pois meu pai registrou-me falsamente como nascida em Itanhaém, onde moravam, e constatei a verdade: a entrada de minha mãe na maternidade, à Rua Frei Caneca, no bairro da Bela Vista, em São Paulo, Capital, até a hora de meu nascimento e nossa saída. Mas a Maternidade São Paulo fechou as portas, o Banco Safra comprou seu prédio e os arquivos de milhares de nascimentos estão no Fórum da Barra Funda aguardando seu destino. Mas São Paulo, onde nasci, onde morei, trabalhei e vivi por mais tempo, 22 anos, e onde vivo atualmente, é muito mais que uma grande mãe acolhedora amorosa, muito mais que um grande pai provedor material de muitas almas e seres. São Paulo, ou Sampa, é “como o mundo todo”, como bem compôs e cantou Caetano, uma grande fraternidade que abriga uma enorme variedade de tipos humanos de todas as raças, cores, credos, tribos, culturas e expressões. O que Sampa dá-nos diariamente é isso: cultura, conhecimento, variedade de experiências e informação sob à luz da fraternidade, de sabermos que aqui todo mundo é bem-vindo, e o ser incomum, singular, “diferente”, aqui é só mais um, tantas as caras e tipos. Por isso, nessa grande fraternidade, sinto-me , mais que em qualquer lugar, em liberdade, necessidade básica de minha natureza, mais uma em meio a tantas “Caras urbanas”, título de uma letra que compus e que Moacyr Filho musicou, sem aqui perder a naturalidade jamais, e sim, frente à concretude, autenticá-la , e mais, transformá-la, minha natureza, em arte! À São Paulo, à Paulicéia Desvairada dos modernistas, à Sampa de Caetano, terra de todas e todos nós, caras urbanas, minha gratidão, carinho, afetividade, fraternidade devolvida em canção.

 

CARAS URBANAS
Letra de Marycéa
Música Moacyr Filho

 

Caras de São Paulo são todas as caras do mundo
São faces londrinas, nova iorquinas, são tão nordestinas,
mineiras, sulinas, caras do Japão
Caras tão urbanas, são todas as caras humanas
Tão várias as cores, tão densas as dores
Tão raras histórias, profundas memórias, seladas no chão
Cenas de São Paulo são tantas as raças, 
são traços e máscaras nuas nas ruas
Sedentas de espaços, famintas de abraços, carentes de pão
Caras paulistanas são caras sem nome
Das bocas caladas, cansadas, febris
Dos olhos ardentes de fé e de fome, caras de um país,
Caras de um país, caras do Brasil…

 

Maricéa Martins Zwarg é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você também pode contar mais um capítulo da nossa cidade. Envie seu texto para milton@cbn.com.br ou marque uma entrevista no Museu da Pessoa: contesuahistoria@museudapessoa.net. Mais histórias de São Paulo você encontra no meu Blog, o Blog do Milton Jung, que você acessa pelo site da rádio CBN.

A Avalanche Tricolor está de volta

 

Juventude 1 x 1 Grêmio
Gaúcho – Alfredo Jaconi (Caxias do Sul)

 

 

Faz algumas semanas tenho ensaiado retomar a Avalanche Tricolor, esta coluna que escrevo desde 2007, iniciada praticamente junto com o Blog, com a intenção de revelar meus sentimentos pelo Grêmio, time pelo qual sou torcedor confesso. Pela primeira vez desde que comecei essa maratona, que às vezes me leva a dormir de madrugada para publicá-la após a partida, compromisso que assumi comigo mesmo mas que tendo a cumprir cada vez menos, deixei de falar dos primeiros jogos da temporada. Inicialmente, porque estava retornando das férias no dia em que o Grêmio estreava no Campeonato Gaúcho, depois por falta de motivação provocada não apenas pelo uso do time Sub-20. Estava pouco entusiasmado com as mudanças restritas no elenco, a ausência de contratações que gerassem alvoroço no noticiário e, me desculpe, pelo técnico sem experiência para um ano de Libertadores e no qual não teremos muita paciência para esperar a conquista de um título, nesta ou em qualquer das competições que disputarmos.

 

Inesperadamente se iniciou uma campanha para mudar meu ânimo. Colegas do esporte da CBN disseram que Enderson Moreira poderia se transformar em revelação no comando gremista, assim como foram Felipão, Tite e Mano Menezes. Meu pai, que vocês costumam ler às quintas-feiras aqui no Blog, fim de semana passado, ao vivo, por algum tempo, se esforçou para me convencer de que o elenco era bom, havia mudanças sutis mas importantes, como a troca de Alex Telles por Wendell na lateral esquerda, uma garotada talentosa da base que poderia compor o time, a volta de Marcelo ‘Gremista’ Grohe para o gol, a manutenção de Rhodolfo no papel de Xerife, além dos velhos nomes que, segundo ele, deveriam voltar a jogar à altura de seu talento, tais como Zé Roberto, Kleber e Barcos. A conspiração pela volta da Avalanche ganhou o reforço de dois colegas de profissão, gremistas como eu: Sílvio Bressan, que vive em São Paulo, também, descreveu-me, por telefone, o Grêmio pós-goleada contra o Aimoré, na Arena, como um time taticamente melhor do que no ano passado e com capacidade de conquistas na temporada; e o Bruno Zanette, que mora em Foz do Iguaçu, no Paraná, dos raros e caros leitores deste Blog, pelo Twitter, me cobrou a coluna nesta semana.

 

Atender aos pedidos e se entusiasmar com as palavras dos amigos não foi difícil para um cara sempre disposto a acreditar que ‘agora-vai’, por isso preparei-me neste domingo para assistir ao primeiro jogo do Grêmio na temporada. Meu primeiro jogo, claro, pois nosso time já havia disputado quatro partidas pelo Gauchão, apelido que está bem longe de dar a verdadeira dimensão do campeonato estadual no Rio Grande do Sul. Havíamos vencido duas, empatado uma e perdido uma, campanha suficiente para nos colocar na liderança do Grupo B e bastante razoável se levarmos em conta que o time principal tinha jogado apenas uma partida até agora. Ver a troca de passe claudicante, a falta de criatividade do meio campo e de presença dos jogadores de ataque, além de levar um gol do adversário antes do primeiro quarto de jogo, confesso, abalaram meu otimismo. Parecia estar revendo as partidas do ano passado e sem a esperança de que a mística de Renato Gaúcho mudaria alguma coisa, já que nem ele estava no banco. Dois meninos, porém, me fizeram sorrir novamente e enxergar nosso desempenho com parcimônia: Jean Deretti, que mudou o ritmo do meio de campo e passou a acionar o time pelo lado direito, já que até então só se descia pela esquerda; e Wendell com belíssima jogada que deu início ao gol marcado por ele e contou com a participação importante do próprio Deretti (o pai tinha razão, Wendell é bom de bola).

 

Eu sou assim mesmo. Não preciso de muito para acreditar na nossa capacidade e encontrar aspectos positivos que possam nos levar às conquistas desejadas. Tenho sempre a tendência de acreditar que a força de nossa história será suficiente para nos levar à frente e superar fragilidades. Por isso, preparem-se, pois estou pronto para acompanhar a temporada, certo de que este ano teremos muito a comemorar e disposto a escrever novas Avalanches mesmo que isso sacrifique algumas horas de sono.

 

PS: tem certas coisas que parece jamais vão mudar, por exemplo, os idiotas de plantão que vão para os estádios expor suas frustrações e cometem atos de imbecilidade como os de hoje quando duas bombas foram arremessadas contra o goleiro do Juventude. Precisamos nos livrar dessa gente que além de gerar violência e pôr em risco a saúde física dos demais torcedores, atletas e profissionais que estão no estádio, podem prejudicar o Grêmio.

De Mistérios Lexigramados e Soletrados III

 

Por Maria Lucia Solla

 

Aecio_12

AÉCIO NEVES

 

Olá, caríssimos e valentes leitores,

 

antes de começar a compartilhar os mistérios encontrados em mais um nome de figura pública em destaque, quero lembrar que Lexigrama não faz profecia. Não é oráculo, é descoberta. Apenas descoberta.

 

No nome de Aécio Neves há 8 letras disponíveis, onde só a letra E se repete, aparecendo ali três vezes. As outras, (a, c, i, o, n, v, s) aparecem uma vez. Isso quer dizer que quando Lexigramo o nome dele, posso encontrar palavras que contenham até três Es.

 

Então vamos lá.

 

AÉCIO NEVES não tem DAtA, mas tem VÊNIA, que quer dizer respeito. Não tem NEtO pela falta do t, mas tem AVÔ, confirmando a história, e tem COVAS. Pisciano que é, tem OVAS e de lambuja AVE, mas sem Maria. De nomes próprios e apelidos tem EVA, IVO, NICE, ANE, IVAN, NICO e NICA.

 

Traz no nome NOVE NOVAS e uma referência ao Japão pela palavra IENE. Tem VOCÊ, VOCÊS, NÓS e VÓS. Eu não aparece, o que penso seja bom para segurar o ego, que também não tem.

 

Tem CENSO, que quer dizer cadastramento, e tem CEIA, CEVA E OVNIS (Objetos voadores não identificados), Encontrei CAIO e SAIO, mas tem VENCI, VENCE, VENCES e VENÇO, e também encontrei SOVA.

 

No pacote vem SOA O SINO de AÇO E VAI À SINA, que quer dizer destino, Para VINhO falta o h, mas tem CAVE e SECO e também tem VIÉS e VOA, VEIA e AÇO.

 

Encontrei É O SACI, NÉ? e SACIA, que é do verbo saciar, e não o feminino do personagem.

 

Tem IEE e tem ISO, que considero de bom tom.

 

Agora, que tal brincar de encontrar palavras e mais palavras e sugerir o nome para o próximo Lexigrama? Ou não.

 


Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Mundo Corporativo: Sandra Cabral fala dos desafios na escolha da sua carreira

 

 

O jovem tem a tendência de procurar no mercado a carreira que pretende seguir quando deveria olhar para si mesmo. O alerta é de Sandra Cabral, diretora de Desenvolvimento e Carreira do Grupo DMRH, entrevistada pelo jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Ela recomenda que para fazer a escolha do caminho a seguir é preciso perceber o que mobiliza esse jovem, o que é de seu interesse: “olhe para as coisas e as situações onde você acredita que faz a diferença, a escolha não está fora, está dentro”.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, e pode ser assistido pelo site da rádio CBN: http://www.cbn.com.br. Para participar, envie perguntas e mensagens para o e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn. O programa é reproduzido aos sábados, a partir das 8 horas da manhã, no Jornal da CBN. Aproveite para debater o tema, no grupo de discussão Mundo Corporativo na CBN, no Linkedin.

 

No luxo, não basta atender

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

 

Ao falar em varejo de luxo é inevitável lembrar-se de grifes renomadas, glamour, objetos de desejo, lojas lindas e faturamentos milionários. Apesar de parecer um “mundo perfeito”, todos sabemos que nem tudo é o que parece ser. Mesmo as mais prestigiosas marcas ainda pecam no atendimento mesmo trabalhando com público de altíssimo poder aquisitivo e nível de exigência acima do comum. Os problemas vão desde falta de informação sobre o produto, história e valores da marca até a forma de abordagem. Há vezes que os profissionais de venda esquecem (ou não sabem) que é necessário ouvir cada cliente e saber o que é o luxo pra ele, quais são as suas necessidades.

 

Ser renomada, ter lojas em local privilegiado, decoração de bom gosto, produtos exclusivos e de alta qualidade são, sem dúvida, essenciais para o sucesso no mercado do luxo, porém se as empresas não se preocuparem em contratar pessoas e as capacitar a transmitir os valores da marca, seus diferenciais, e que transformem o relacionamento com clientes em algo próximo, profundo e duradouro, certamente poderão sofrer no futuro.

 

 

É imprescindível entender as características desse mercado, conhecer o consumidor e ter alto grau de entendimento das relações interpessoais na relação marca X cliente, que a cada dia está mais bem informado e exigente. São consumidores que dificilmente toleram falha ocasional de atendimento, por exemplo, e que desejam ser atendidos, entendidos e encantados. Toda a paixão ou admiração que alguns consumidores tem pela grife pode ser colocada em risco em uma situação negativa no ponto de venda.

 

As empresas devem possuir rigoroso CRM (Customer Relationship Management), ou seja, gestão de relacionamento com clientes, armazenando informações e detalhes de preferências de cada cliente e trabalhar essas informações. Afinal, CRM é um processo estratégico e não apenas ferramenta tecnológica. Vale destacar que no momento de venda de um produto de luxo, o aspecto emocional é muito forte, e deve ser entendido pelo profissional, que deve colocar a sua atenção totalmente à disposição de cada cliente, e jamais cometer erros (que ainda ocorrem no varejo premium e de luxo) como acessar o próprio celular durante a venda, comentar de algum cliente com outro funcionário ou tentar atender mais de um cliente simultaneamente.

 

E sua empresa? Está preparada para atender, entender e encantar o seu cliente?

 

Ricardo Ojeda Marins é Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Esquiar é bem menos perigoso do que as notícias contam

 


Tropecei no esqui há dois anos quando tirei férias no Chile. Foi um desafio interessante, pois jamais imaginei ficar em pé sobre aquelas duas prancha deslizantes. Descer uma pista por mais simples que esta fosse me parecia impossível. Nos tempos de guri, por exemplo, mantive distância prudente do skate, preferindo apenas aplaudir as manobras que meu irmão mais novo, o Christian, fazia na calçada da Saldanha Marinho ou na pista do Parque Marinha do Brasil, ambos em Porto Alegre. A experiência chilena me mostrou que com um pouco de esforço e coragem se vai ao longe. Depois de alguns dias de aula já me sentia à vontade e com capacidade para desviar de obstáculos, encarar algumas curvas e realizar manobras mais simples. Foi quando aprendi, também, que na neve não tem vez para a prepotência, pois, confiante, fiz uma descida descuidada, caí no chão e desloquei o ombro.

 

Nos dois anos que se seguiram aquela queda, treinei em academia, me preparei fisicamente, reforcei o ombro e me senti pronto para voltar a pista de neve. Era a meta das última férias, passadas nos Estados Unidos, para desespero de amigos que não se cansaram de me alertar para os riscos do esporte. Não bastassem os alarmistas, assim que desembarquei em Nova York, me deparei com a triste notícia do acidente de Michael Schumacher, que completou esta semana um mês internado no Centro Hospitalar Universitário de Grenoble, na França, para onde foi levado após sofrer sérias lesões no cérebro, resultado de queda que teve ao descer fora da trilha normal da pista da estação de esqui de Meribel. Na sequência, veio o tombo da chanceler alemã Angela Merkel quando praticava esqui cross-country na estação em Engadina, na Suiça, com fratura na pélvis, que apesar de não ser grave reforçou a pressão contra minha nova aventura. Mesmo assim tentei mostrar que eu jamais me arriscaria como eles, pois estava ciente da minha capacidade (ou incapacidade). Somaram-se aos acidentes com celebridades barreiras naturais que me impediram de chegar ao Estado de Vermont onde me aguardavam as pistas de Stowe. Primeiro foi a Delta que cancelou o voo quando estava na porta do avião, conforme já contei para você neste blog, e depois uma nevasca que não deixou que eu saísse de carro pelas estradas americanas. Com tantos percalços no caminho e pedidos de desistência, me restou viajar 40 minutos até Patterson, no estado de Nova York, e no último dia de férias brincar no pé da montanha de Thunder Ridge e sob orientação de um instrutor. O risco era tão baixo quanto a emoção de esquiar naquele ambiente e velocidade, que estavam aquem da minha expectativa. Por outro lado, economizei doses de estresse nos meus companheiros de viagem e na parte da família que ficou no Brasil.

 

Trago essas lembranças pessoais provocado pelo choque com a notícia de mais um acidente grave no esporte, desta vez envolvendo a atleta brasileira Laís Souza que treinava, nos Estados Unidos, para participar das provas de esqui aéreo, nos Jogos Olímpico de Inverno, em Sochi, na Rússia. Ela está internada em estado grave no Hospital da Universidade de Utah, em Salt Lake City, onde foi submetida à cirurgia para realinhar a terceira vértebra da coluna cervical, que foi deslocada na queda que sofreu. Ao contrário do que se imagina, Lais não se acidentou quando fazia manobras arriscadas, mas ao descer a pista com seu treinador e a colega de esporte Josi Santos, também atleta da equipe brasileira. Fico na torcida de que ela se recupere o mais breve possível e com o mínimo de sequela que as lesões permitirem e a medicina ajudar.

 

Apesar da sequência de notícias ruins envolvendo o esporte, o esqui está distante de ser das práticas mais perigosas, como mostram as estatísticas. O “Postugraduate Medical Journal” ensina que as chances de alguém morrer esquiando é de uma em 1,4 milhão, sendo muito mais perigoso correr (uma em 1 milhão) e pedalar (uma em 140,8 mil). Não tenho os dados do legado deixado em sobreviventes dos acidentes nesses esportes, mas devem ter relação semelhante ao número de mortes. Usar equipamentos corretos, seguir as normas de segurança, andar nas pistas sinalizadas de acordo com a sua habilidade reduzem de forma considerável os perigos nesta e em todas as demais atividades da vida.

 

Dito isso e sem esquecer a máxima “no creo em las brujas, pelo que las hay, las hay” decidi recomeçar, sábado, os treinos de golfe.

Mensalidades das escolas particulares estão assustadoras

 

Por Mílton Ferretti Jung

 

Esta manchete do jornal gaúcho Zero Hora é assustadora:

 

“Mensalidade escolar aumenta até 12%, o dobro da inflação”.

 

É claro que o título se refere a colégios particulares,mas nem todos os pais, cujos filhos estudam nos educandários citados na reportagem de Zero Hora,devem ter-se dado conta de que estão pagando preço tão acima da inflação. Muitos deles,sem dúvida,fazem das tripas coração para quitar,em dia, a importância contida nos boletos bancários mensais. Convém prestar atenção para o que se lê em ZH logo abaixo da manchete:

 

“Levantamento de Zero Hora em 10 colégios particulares aponta elevação média de 8,73%,enquanto em 10 universidades gaúchas reajuste ficou em 6,69%,diante da inflação de 5,91% em 2013”.

 

Uma das explicações – eu prefiro dizer desculpas – para “justificar” a alta,por mim classificada no início do texto como assustadora,foi dada por Osvino Toillier,vice-presidente do Sinepe – Sindicato das Escolas Privadas – segundo o qual essas são surpreendidas por gastos imprevistos,”assim como as pessoas”.

 

Na minha adolescência, estudei em dois colégios que estão entre os 10 privados do Rio Grande do Sul com maior número de alunos: o Anchieta,que na época tinha sua sede na Rua Duque de Caxias,e o Colégio Marista Nossa Senhora do Rosário. O meu pai podia se queixar do meu aproveitamento escolar,mas jamais ouvi dele uma palavra sequer sobre o quanto lhe custava me manter nessas duas instituições de ensino. Talvez,ele pagasse mensalidades bem menos altas do que as atuais. Para não dizer que jamais fui matriculado em colégio público,lembro-me que fiquei uma semana no Souza Lobo,mas voltei logo para o Sagrada Família,sãs freiras franciscanas. Estive internado por um ano e meio no São Tiago,escola marista,em Farroupilha-RS. Apelidaram-me nessa de fugitivo,tantas vezes tentei escapar do educandário. Só fiz essa digressão,porque os meus netos,todos em colégios particulares,não se espelharam no avô e,provavalmente,não leem os meus textos neste blog,ancorado pelo pai do Gregório e do Lorenzo.

 

Os meus três filhos também estudaram somente em escolas particulares. Aliás, os três – a Jacque,o Mílton e o Christian -concluíram sua escolaridade no Rosário,no qual,agora, está o Fernando,filho do Christian. Pego o fio da meada,quase perdido,para lembrar que enfrentei época de vacas magérrimas na Rádio Guaíba e nunca atrasei o pagamento das mensalidades escolares. Gostaria de ter cabeça tão boa que me permitisse recordar quanto custava,por mês,manter três filhos no Colégio Marista Nossa Senhora do Rosário. Seja lá como for,só posso imaginar que não tivesse de pagar mensalidades muito acima da inflação. Tenho muita pena dos pais menos abonados que se matam trabalhando para conseguir segurar os seus filhos em colégios particulares.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Novelas, conceitos e preconceitos

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

A dois dias do fim de “Amor à vida” temos vivenciado ampla cobertura da mídia sobre a novela das 9hs da TV Globo. Nada mais natural, pois se trata do programa de maior audiência do país. E um dos mais antigos. Fato que lhe confere importância ao mesmo tempo em que se questiona o seu futuro, tendo em vista a atual tendência da queda de pontos no Ibope. Não é o que preocupa, por exemplo, o autor da próxima novela, Manoel Carlos, pois em entrevista a Veja, lembrou que na década de 60 até o cinema e os romances água com açúcar tiveram seu desaparecimento previsto.

 

Na verdade a segmentação de mercado explica a queda de pontos, ao mesmo tempo em que a posição se fortalece dentro do seu mercado específico. Certamente por isso que as novelas absorveram as inovações tecnológicas e operacionais, inclusive atuando no dia a dia da internet e das mídias sociais, mas não mudaram conceitos básicos. Até mesmo a longa duração está sendo mantida.

 

Se os conceitos não foram mudados, os preconceitos também não. É comum ouvir pessoas orgulhosamente se identificar com aversão a novelas. Em contrapartida, consumidores fidelizados e eventuais têm oportunidade de acompanhamento e participação como nunca tiveram. E ao considerarmos um contingente diário de mais de 20 milhões de pessoas assistindo ao mesmo programa durante oito meses, pode ser que não chegaremos a afirmar que as novelas são o pão nosso de cada dia, como exagerou Manoel Carlos, mas é um evidente fenômeno.

 

Mesmo extrapolando algumas vezes, ao abusar da inteligência da audiência ou transformando merchandisings em propaganda explícita, algumas novelas têm atuado nos usos e costumes criando situações educativas ou mesmo denunciando problemas como o tráfego de pessoas, o desrespeito aos idosos, e a ignorância no trato com doenças crônicas. Além de atacar os preconceitos com as minorias.

 

É arte que copia a vida e é também copiada. É fantasia e ficção, mas é muito real como negócio e por isso deve ser consumida como tal.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Falta de respeito à lei causa morte e acidentes de caminhão, no Rio e São Paulo

 

 


A terça-feira se iniciou encrencada para os motoristas de São Paulo e Rio de Janeiro devido a acidentes de caminhões em algumas de suas principais vias de tráfego. Logo cedo, assim que o Jornal da CBN entrava no ar, noticiamos que as marginais Pinheiro e Tietê apresentavam problemas na circulação em função dos acontecimentos. Aparentemente, foi o acidente na Pinheiros que causou maiores problemas depois que um carreta de 40 toneladas transportando plástico tombou na via expressa, em direção à rodovia Castelo Branco. Houve necessidade de equipamento especial e operação cuidadosa para destombar o veículo e liberar as faixas. O motorista não se feriu, mas terá de dar explicações do motivo de estar rodando na Marginal Pinheiros dentro de horário de restrição, que se inicia às quatro horas da manhã e foi criado com o objetivo de diminuir os congestionamentos e os riscos aos motoristas de carro que usam a via.

 

Nada do que aconteceu em São Paulo se compararia com a notícia que chegou do Rio de Janeiro assim que o Jornal da CBN se encerrou. Recebemos a informação de outro caminhão que havia provocado acidente ao se chocar com uma passarela de pedestres, na Linha Amarela. Desde as primeiras notícias na rádio, assim como as imagens que a GloboNews transmitia ao vivo, davam a ideia de que o caso carioca seria ainda mais grave. No decorrer da cobertura, infelizmente, nossa percepção se confirmou e soube-se que quatro pessoas morreram e cinco ficaram feridas após o caminhão, que estava com a caçamba levantada, derrubar a passarela. Na Linha Amarela, os caminhões só podem rodar após às 10 horas da manhã, mas o motorista disse à polícia que estava atrasado e para ganhar tempo decidiu cortar caminho.

 

As duas maiores cidades brasileiras têm buscado soluções para reduzir o impacto do trânsito e aumentar a segurança restringindo a circulação e a velocidade de carros e caminhões em horários e áreas específicos. Porém, a falta de respeito de motoristas – muitas vezes profissionais como os personagens das notícias desta manhã – e a fiscalização capenga impedem que os resultados sejam efetivos. Enquanto todos acreditarem que a vida em sociedade carece de respeito às regras, mortes e transtornos se repetirão seja no trânsito, como hoje, seja nas obras, como no Itaquerão há dois meses, seja nas boates, como na Kiss, em Santa Maria, há um ano.

O verão de Porto Alegre e o compromisso de 12 partidos com a sustentabilidade

 

O calor insuportável em Porto Alegre e seus efeitos já foram descritos neste blog, semana passada, pelo titular de todas às quintas-feiras, Milton Ferretti Jung. Tive a oportunidade de conferir, neste fim de semana, a realidade que tem influenciado o hábito dos gaúchos e contaminado todas as conversas. Verdade que cheguei à cidade na sexta-feira, véspera de mudança na temperatura devido a entrada de frente fria, mesmo assim pude perceber o sofrimento dos meus conterrâneos neste verão. O desembarque no aeroporto Salgado Filho e o passeio até a área de estacionamento foram suficientes para tirar o fôlego e pedir, urgentemente, um carro com ar condicionado. Ao chegar na sede da Assembleia Legislativa, onde haveria de mediar encontro do Fórum Social Temático 2014, antes das boas vindas, ouvi comentários solidários em função do terno cinza e da camisa social que vestia. Apesar de conhecer o verão porto-alegrense, confesso que me surpreendi com o cenário que encontrei. E os gaúchos, que por lá vivem, também: no elevador, soube que a madrugada anterior havia registrado 30,8ºC, a mais quente desde 1910 quando se iniciaram os registros oficiais da temperatura; no supermercado, me lembraram que havia sido constatado pico histórico do consumo de energia com 6.570 megawatts (MW), no Estado. Em meio ao ar de sofrimento que as informações eram passadas, confesso, que senti uma certa ponta de orgulho dos viventes.

 

O calor ficou em segundo plano ao menos no auditório Dante Barone, da Assembleia Legislativa, onde participei da mesa de diálogo “Cidades Sustentáveis e Eleições 2014”. E não foi o ar condicionado o responsável por essa sensação agradável. O Programa Cidades Sustentáveis conseguiu o compromisso de 12 dos maiores partidos políticos em atuação no Brasil de debaterem a inclusão nos seus programas de governo, para a eleição estadual deste ano, de políticas públicas que façam parte da agenda de sustentabilidade. Os representantes dos partidos também se comprometeram a aprovar a proposta de emenda constitucional que cria o Plano de Metas, nos mesmos moldes que temos em vigor na cidade de São Paulo e mais 34 municípios brasileiros. Além de assinarem a carta-compromisso, cada um deles subiu ao palco e defendeu a proposta publicamente. Como alertou o colega André Trigueiro, que fez ótima palestra na abertura do encontro, “é uma premissa ética, o que se prometeu tem que ser cumprido”. Historicamente, lembrou Trigueiro (e ratifico o pensamento dele), não tem sido essa a regra no Brasil. Mesmo assim, deixei a reunião com a esperança de que poderemos ter debate mais rico nestas eleições, incluindo temas que vão influenciar na qualidade de vida do cidadão. E, quem sabe, reduzir o impacto das temperatutas extremas nas nossas cidades.