O verão de Porto Alegre e o compromisso de 12 partidos com a sustentabilidade

 

O calor insuportável em Porto Alegre e seus efeitos já foram descritos neste blog, semana passada, pelo titular de todas às quintas-feiras, Milton Ferretti Jung. Tive a oportunidade de conferir, neste fim de semana, a realidade que tem influenciado o hábito dos gaúchos e contaminado todas as conversas. Verdade que cheguei à cidade na sexta-feira, véspera de mudança na temperatura devido a entrada de frente fria, mesmo assim pude perceber o sofrimento dos meus conterrâneos neste verão. O desembarque no aeroporto Salgado Filho e o passeio até a área de estacionamento foram suficientes para tirar o fôlego e pedir, urgentemente, um carro com ar condicionado. Ao chegar na sede da Assembleia Legislativa, onde haveria de mediar encontro do Fórum Social Temático 2014, antes das boas vindas, ouvi comentários solidários em função do terno cinza e da camisa social que vestia. Apesar de conhecer o verão porto-alegrense, confesso que me surpreendi com o cenário que encontrei. E os gaúchos, que por lá vivem, também: no elevador, soube que a madrugada anterior havia registrado 30,8ºC, a mais quente desde 1910 quando se iniciaram os registros oficiais da temperatura; no supermercado, me lembraram que havia sido constatado pico histórico do consumo de energia com 6.570 megawatts (MW), no Estado. Em meio ao ar de sofrimento que as informações eram passadas, confesso, que senti uma certa ponta de orgulho dos viventes.

 

O calor ficou em segundo plano ao menos no auditório Dante Barone, da Assembleia Legislativa, onde participei da mesa de diálogo “Cidades Sustentáveis e Eleições 2014”. E não foi o ar condicionado o responsável por essa sensação agradável. O Programa Cidades Sustentáveis conseguiu o compromisso de 12 dos maiores partidos políticos em atuação no Brasil de debaterem a inclusão nos seus programas de governo, para a eleição estadual deste ano, de políticas públicas que façam parte da agenda de sustentabilidade. Os representantes dos partidos também se comprometeram a aprovar a proposta de emenda constitucional que cria o Plano de Metas, nos mesmos moldes que temos em vigor na cidade de São Paulo e mais 34 municípios brasileiros. Além de assinarem a carta-compromisso, cada um deles subiu ao palco e defendeu a proposta publicamente. Como alertou o colega André Trigueiro, que fez ótima palestra na abertura do encontro, “é uma premissa ética, o que se prometeu tem que ser cumprido”. Historicamente, lembrou Trigueiro (e ratifico o pensamento dele), não tem sido essa a regra no Brasil. Mesmo assim, deixei a reunião com a esperança de que poderemos ter debate mais rico nestas eleições, incluindo temas que vão influenciar na qualidade de vida do cidadão. E, quem sabe, reduzir o impacto das temperatutas extremas nas nossas cidades.

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