Fórum Social de SP: Outra cidade é possível

 

Rua de terra

O que fazer em nossa cidade para que o interesse público e os direitos do cidadão e cidadã prevaleçam sobre o interesse do dinheiro e do lucro? Dez mil pessoas estarão reunidas, no fim de outubro, em busca de respostas para esta que será a questão central do Fórum Social de São Paulo. É a primeira vez que uma cidade brasileira traz para dentro do seu ambiente a mesma filosofia que move o Fórum Social Mundial, que se consagrou por pensar, discutir e refletir temas que privilegiam o cidadão e não o capital.

São Paulo é a sexta maior cidade do planeta e somada a população da região metropolitana somos mais de 19 milhões de pessoas. Apenas na capital, temos sete milhões de carros, além daqueles que passam ou vem para cá, que se transformam na principal fonte de poluição do ar. E com a frota crescente não é de se espantar que o número de dias em que a qualidade do ar ficou imprópria aumento 146% nos primeiros sete meses de 2011 na comparação com o mesmo período de 2008. Tudo isso, claro, impactando ainda mais a rede pública de saúde.

Produzimos 17 mil toneladas de resíduos por dia e os dois aterros sanitários que funcionavam na capital estão entupidos, sem capacidade de receber um caminhão sequer. Temos de exportar os dejetos para cidades que ficam na Grande São Paulo, região onde as prefeituras ainda permitem o surgimento de lixões, locais que “abastecem” cerca de 17 mil pessoas, infelizmente.

Leia o texto completo e a minha resposta para a pergunta inicial no Blog Adote São Paulo, da revista Época SP

Reforma política prevê sistema misto de votação, em 2012

 

Duas horas de conversa foram necessárias para o deputado Henrique Fontana (PT-SP) explicar as mudanças que, acredita, tornarão as eleições e o jogo político mais equilibrados e transparentes. Nota-se, porém, que de acordo com as regras nem mesmo uma eleição inteira será suficiente para esclarecer alguns pontos que serão votados a partir da semana que vem na Comissão Especial da Reforma Política, na Câmara dos Deputados, em Brasília.

O sistema proporcional em vigor se transformará em sistema proporcional misto que dividirá as vagas que o partido ou coligação conquistarem entre os candidatos mais bem votados e os candidatos que fazem parte de uma lista definida pelo partido. O financiamento da campanha também será misto e feito a partir de doações de empresas e indivíduos a um fundo que será distribuído entre os partidos de forma proporcional. Ficará proibida a doação direta para coligações, partidos ou candidatos. Caso a arrecadação não seja suficiente para a campanha, conforme parâmetros definidos pelo Tribunal Superior Eleitoral, a complementação será feita com dinheiro público.

Estes dois pontos serão os primeiros a serem colocados em votação, ao lado de um capítulo que está sendo chamado de “Democratização dos partidos”, regra que pretende impedir a participação de agremiação partidária que estiver sendo comandado por comissões provisórias – o que costuma ocorrer onde há intervenção da cúpula nacional.

Foi Roseann Kennedy, nossa comentarista e repórter de política, quem me explicou, em bate-papo por telefone, como seria o sistema de votação misto se aprovado conforme proposta do deputado petista.

Atualmente, os votos no partido, coligação e candidatos são somados e através de uma divisão de cadeiras proporcional os mais bem votados daquele grupo ocupam as vagas disponíveis. A nova regra prevê que os partidos definam uma lista ordenando o nome dos candidatos de acordo com seu interesse. As cadeiras conquistadas no parlamento serão divididas entre os candidatos mais votados do partido e os primeiros candidatos da lista. Portanto, se um partido tiver direito a seis vagas, a primeira é do candidato mais votado e a segunda do primeiro candidato da lista, e assim sucessivamente. Ou seja, se o sistema atual já é complicado, imagine o que está em discussão.

Roseann entende que muito provavelmente a comissão analise e aprove estas medidas deixando de lado, por enquanto, os demais pontos da reforma política. Descrevo com brevidade alguns deles:

Projetos de lei de iniciativa popular poderão ser apresentados com 500 mil assinaturas, metade do que é exigido atualmente;

A sociedade terá direito de pedir que o projeto de lei de iniciativa popular seja analisado em caráter de urgência se conseguir apresentar até 1 milhão de assinaturas;

Os senadores não se elegerão mais com dois suplentes; caso se ausente, a vaga será ocupada pelo deputado do partido mais bem votado na última eleição;

Haverá segundo turno para cidades com até 100 mil eleitores, hoje somente nos municípios com 200 mil ou mais eleitores;

Será mantido o sistema de cotas por gênero, no sistema três por um, ou seja, para cada três candidatos de um sexo, o partido terá de apresentar um candidato de outro sexo;

A figura do prefeito itinerante será proibida, impedindo que o político que tenha sido eleito duas vezes seguidas em uma cidade, mude o domicílio eleitoral para concorrer na eleição seguinte.

Ouça a reportagem de Roseann Kennedy que foi ao ar no Jornal da CBN

Cheque clonado, o seguro morreu de velho

 

Por Milton Ferretti Jung

Os bancos, com certeza, ainda são os locais mais confiáveis para que a gente deposite neles o nosso dinheiro. Os malandros de todas espécies, porém, vivem estudando maneiras de ludibriar a segurança das casas bancárias, muitas vezes, diga-se a bem da verdade, com safadezas bem sucedidas. Quando uma é descoberta, os patifes, imediatamente, inventam outras. Há espertinhos que tentam usar internautas ingênuos ou navegadores principiantes, para aplicar os mais diversos golpes. Quem lê seu correio eletrônico, por exemplo, é assediado com frequência a abrir e-mails supostamente enviados por bancos. Só hoje recebi mensagens de dois. Sou, entretanto, cliente de apenas um deles. Logo o deste, chegaram três. O assunto do e-mail era atualizaçãp de dispositivo. Bancos não costumam mandar e-mails para seus clientes por questões de segurança. Assim mesmo, existe quem, inadvertidamente, cai na esparrela. Conheço gente experiente em Internet que, se descuidou, sofreu momentânea bobeira e marchou nesse tipo de golpe. Outra mensagem muito usada é a que fala em “recadastramento de segurança”.

Tomei conhecimento na semana passada de outro golpe que está sendo aplicado, este mais novo e com tecnologia mais moderna. Pessoa de minhas relações foi consultar seu extrato e quase desmaiou com o que viu: sua conta estava no vermelho, eis que alguém, usando os dados de um cheque seu, que estava bem adiante do último que fora passado, havia feito retirada de certa importância, felizmente de pequena monta. Seu cheque tinha sido clonado. A vítima foi aconselhada a ir a uma delegacia para fazer um boletim de ocorrência. Lá, ficou sabendo que outras seis pessoas tinham adotado idêntico procedimento, visando a serem ressarcidas pela instituição bancária que também é vitimada pelo golpista.

Sei lá por que, nunca tinha ouvido falar em cheque clonado. Como eu, talvez várias pessoas estejam no mesmo caso. Para diminuir o risco que corremos de virar vítimas de vigaristas, conviria que controlássemos mais amiúde o extrato bancário. Sei que há quem não ligue para isso. Mas, como ouvia meu pai dizer frequentemente, seguro morreu de velho. Quem conhecia a trampa, que me desculpe. Escrevi o texto para alertar possíveis incautos.

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Keynes: é melhor conhecer o cara

 

Por Carlos Magno Gibrail

Keynes é um fenômeno. Não é herói contemporâneo. Nem artista, nem esportista. É economista, mas é mais acessado no Google do que Leonardo di Caprio.

Keynes anda infernizando a vida de muita gente O governador texano Rick Perry ficou tão irritado com a presença incômoda que interrompeu um debate republicano para informar aos adversários que Keynes, afinal, estava morto.

Estas notas contidas no artigo de Silvya Nasar, dias atrás no New York Times e publicadas em Visão Global no Estado, traduzem a ressência de Keynes no panorama atual.

John Maynard Keynes nasceu e faleceu na Inglaterra em 1883 e 1946 respectivamente. Economista e otimista defendeu a intervenção do Estado na busca pelo pleno emprego. Considerou que o ciclo econômico não é auto regulado e, portanto, as teorias clássicas precisariam ser revistas.

Keynes consolidou a sua teoria no livro “Teoria geral do emprego do juro e da moeda”.

“A teoria atribuiu ao Estado o direito e o dever de conceder benefícios sociais que garantam à população um padrão mínimo de vida como a criação do salário mínimo, do seguro-desemprego, da redução da jornada de trabalho (que então superava 12 horas diárias) e a assistência médica gratuita. O Keynesianismo ficou conhecido também como “Estado de bem-estar social”. Wikipédia

A atualidade keynesiana foi marcante na ultima crise econômica mundial, quando a maioria das nações, encabeçada pelos Estados Unidos de Obama seguiram a sua cartilha. Hoje, ainda com a Europa em discussões frenéticas, assombradas pelos gregos, nada de Aristóteles, Sócrates e Cia.

Lord Keynes, o britânico, é o “cara”.

Como se não bastasse ter brilhado na vida profissional, o inglês de Cambridge foi diferenciado na vida pessoal. Participou do Grupo de Bloomsbury, onde intelectuais como a ensaísta Virginia Woolf, o pintor Duncan Grant e o escritor Lytton Strachey deram margens a controvérsias pelas posições e ações.

Lord Keynes esteve envolvido com Duncan Grant que conheceu em 1908 e, também, com o escritor Lytton Strachey, antes de se apaixonar e casar com a bailarina russa Lydia Lopokova no ano de 1925. Ela engravidou em 1927, mas a gestação não vingou.

Keynes não deixou filhos, mas sua obra está viva, para perturbar republicanos e neoliberais.


Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve no Blog do Mílton Jung às quartas-feiras.

Meu Jardim Suspenso ainda está lá

 

Democrático, mesmo no futebol, este blog abre espaço, nesta terça-feira, para reproduzir texto do ouvinte-internauta Luis Fernando Gallo, diretor de fotografia, fotógrafo de primeira e palmeirense de coração. Ele foi ver como estavam as obras da arena de seu clube, construída no mesmo espaço do Parque Antarctica. Fez algumas imagens e revelou outras que estavam em sua memória:

Divina Memória: obra no Palmeiras

Resignado, assustado e emocionado, me deparo frente ao meu Palestra Itália, o meu Parque Antártica, cuja arquitetura deixava o campo num lindo Jardim Suspenso. Foi lá que, em 1965, meu pai me levou pra ver um Palmeiras e São Paulo. Eu, com seis anos, já estava sendo doutrinado para o reduto tricolor da família. Mas a memória infantil é um “Super HD”, nunca mais você apaga suas emoções. Foi o que aconteceu. Quando vi o elegante Djalma Santos, que, usando sempre a força das suas mãos, o primeiro brasileiro a fazer da cobrança de lateral em um cruzamento para a área adversária, foi algo inesquecível.

O sucesso atual dos treinadores gaúchos pelos clubes da nossa cidade, Mano Menezes, Tite, Carpeggiani, e Luis Felipão Scolari, não apagam a lembrança do pioneiro de Taquara (RS), no banco, com aqueles óculos imensos e sempre fumando, bicampeão Brasileiro e Paulista na década de 1970, o mestre Oswaldo Brandão.

Como apagar as imagens das jogadas elegantes e clássicas do “Divino” Ademir da Guia, o “Pai da Bola”, maior jogador que vi jogar, depois de Pelé. Junto com e Dudu, formaram um meio campo que jogaram juntos por 10 anos.

Essas memórias de minha infância iam se apagando diante do que eu me deparava, tudo no chão, aquelas máquinas demolindo tudo, fui fotografando sem parar toda aquela transformação.

Lá na frente, junto com os meus netos com certeza terei muito que contar. Agora, definitivamente, com obras a todo vapor, e com “dinheiro privado”, a nova Arena Palmeiras, com sua ótima localização, será com certeza um grande marco cultural e esportivo para a nossa cidade. É a torcida de um alvi-verde paulistano da gema!

Ah! Com toda modernidade empregada meu “ Jardim Suspenso” será mantido !!

Sinalizador ajuda cegos a pegar ônibus, em Londrina

 

Placas que lembram os sinalizadores usados antigamente pelas equipes de fórmula 1 têm ajudado pessoas com problemas de visão a pegar ônibus, em Londrina, no Paraná. A ideia foi do presidente da Adevilon – Associação de Deficientes Visuais de Londrina, Antônio Carlos Ferreira, virou lei na cidade e está valendo desde a semana passada, leio em post do Blog Ponto de Ônibus, do colega Adamo Bazani. Foram distribuídas até agora 100 dessas placas feitas de papelão, divididas em três filetes, presos em espiral e com letras e números convencionais e braile. O equipamento serve para as pessoas que têm dificuldade de identificar o número da linha de ônibus que está chegando no ponto. Assim que ouvem um ônibus se aproximando, estendem a placa com o código da linha e o motorista para facilitando o embarque. Até então, era necessário contar com a ajuda dos demais passageiros ou parar todos os ônibus quando se estava sozinho no ponto.

Leia a reportagem completa no Blog Ponto de Ônibus

Foto-ouvinte: Chafariz “revitalizado” na Nove de Julho

 

Por Marcos Paulo Dias

 

Chafariz

Já que a prefeitura não passou por lá, o artista foi.

O recado foi dado aqui no Blog do Mílton Jung, em 28 de maio de 2010, no post “Nove de Julho desrespeitado”:

O Túnel 9 de Julho pode ser considerado um patrimônio? Lancei a questão no Google e, logo, veio a resposta, no sítio da Prefeitura: ”Com 460 metros de extensão, foi o primeiro túnel da cidade e, durante muito tempo, considerado em símbolo da modernidade da metrópole.” Hoje, o que se vê por lá é muita sujeira, resto de alimentos, descaso e abandono. O chafariz permanece desligado, além do vazamento em um dos canos na parte interna. Acumula lixo e, também, água da chuva, o que facilita a proliferação de insetos. Moradores de rua usam o espaço como dormitório.

Voltei lá semana passada (21/09/11), um ano e quatro meses depois e a situção é a mesma, nada mudou. Melhor, pouca coisa mudou. Encontrei dois grafites, talvez com a intenção de contribuir com a revitalização do local ou chamar atenção para o descaso. Infelizmente não posso dizer o nome do artista, pois não tive a sorte de encontrá-lo. O que eu ainda não consigo entender é o descaso da Prefeitura com o patrimônio da nossa cidade.

Conte Sua História de SP: As mamonas da Mooca

 

No Conte Sua História de São Paulo, Argemiro Navarro Ortega, 72 anos, lembra das batalhas de mamonas na rua dos Trilhos, na Mooca, onde foi morar assim que deixou a cidade de Santo Anástico, interior paulista. Ele tinha apenas dois anos quando a família Ortega decidiu se instalar no bairro famoso por ser reduto de italianos. Das brincadeiras de criança, gostava também dos banhos de rio na região. Dos tempos da juventude, se divertia nos bailes de formatura, onde conheceu sua esposa:

Ouça o depoimento de Argemiro Navarro Ortega, gravado pelo Museu da Pessoa, editado pela Juliana Paiva e sonorizado pelo Cláudio Antonio

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, sábados, logo após às dez e meia da manhã, no CBN SP. Você também pode contar mais um capítulo da nossa cidade, gravando um depoimento ou escrevendo texto para o site do Museu da Pessoa.

Compre aqui o livro “Conte Sua História de São Paulo” lançado pela Editora Globo.

Avalache Tricolor: E da-lhe, da-lhe, da-lhe Mário !

 

Avaí 1 x 2 Grêmio
Brasileiro – Florianópolis (SC)

Nossa torcida, na Ressacada, em foto no site gremista aovivo.ducker.com

Foram seis toques com o pé direito até a bola ser ajeitada para o esquerdo, que concluiu cambaleante mas com força suficiente para passar pelos braços do goleiro adversário. Douglas que acabara de escapar para dentro da área pelo lado direito, certo de que seria o destino final da jogada, não teve tempo de reclamar pela decisão individual de seu colega. Foi sensível o suficiente para, com os braços abertos, pedir que André Lima deixasse a bola escorregar para dentro do gol que premiaria um dos jogadores mais incríveis do Grêmio, nesta temporada: Mário Fernandes.

Com apenas 21 anos – completados no início da semana – , Mário foi centro-avante nas primeiras peladas, chegou ao futebol profissional zagueiro e, pelas circunstâncias, se travestiu e ala direito. E foi nesta posição que, recentemente, teve sua primeira convocação para a seleção brasileira principal. Haverá alguém para lembrar que esta apenas se fez devido a restrição imposta a Mano Menezes de chamar os jogadores “estrangeiros”. Que pense assim ! Nosso lateral (como sempre gostei de chamar os que atuam nesta posição) demonstra enorme capacidade para estar entre os titulares do Brasil na Copa 2014, a persistirem os sintomas. É moderno, não no cabelo nem no modo de se vestir, mas na performance, no jeito com que avança em direção ao gol. Mistura força e talento como na arrancada que resultou na abertura do placar na tarde deste domingo, em Florianópolis.

Sempre que o vejo, fico com a impressão de que não vive aquele ambiente. Olha para algum lugar, sem definição. Expressa uma leve depressão no semblante. Quando a bola chega a seus pés escapa pela lateral do campo até a linha de fundo, fazendo atalhos entre as pernas dos marcadores a caminho da área, atropelando quem se atreve a parar na frente. É quase irresponsável nestas escapadas. Uma irresponsabilidade saudável, ressalte-se, pois se beneficia da falta de medo em errar. E se errar, volta com velocidade pronto a abortar o contra-ataque adversário e começar todo o trajeto, novamente. Faz tudo isso como extrema simplicidade. Sem reclamar, espernear ou chiar. E, assim, se transforma em um guerreiro (desculpe-me André Lima, mas este, sim, merece o apelido).

Por tudo isso, merecia aquele gol. E merecia marcá-lo em uma tarde na qual o Grêmio reencontraria a vitória com todos os percalçados e defeitos que nos são comuns nesta temporada.

Em tempo: não bastasse tudo isso, Mário Fernandes ainda carrega nas costas o meu número 13. Dá-lhe, Mário !

Veja mais foto da vitória em Florianópolis, no site Ducker.com