De simplicidade

 

Por Maria Lucia Solla

Salada

A dança da simplicidade não tem volteio; vai de um ponto a outro e pronto. Soa fácil? Rá!A simplicidade é sofisticada até não poder; mora na verdade e no real, de onde a gente insiste em fugir. Nos afogamos na elucubração que enche nossa mente e confunde nosso coração.

Focada na tal da simplicidade, aprendi que quanto mais a persigo, mais longe ela fica de mim. Como tudo na vida, nada deve ser perseguido como se fosse tábua de salvação. O caminho das pedras é decidir a proposta e deixar que o resto vem por si. De todo modo vejo a simplicidade como algo que mais se aproxima da perfeição, e inevitavelmente caio no binômio de aparência impossível: como é que alguma coisa pode ser simples e perfeita ao mesmo tempo? O nó é que é difícil encontrar bom-senso no emaranhado de condicionamento que somos, para arriscar uma resposta à pergunta. Somos um emaranhado de nós apertados pelo tempo, pelo esforço de sermos vistos e reconhecidos pelo outro; pela insegurança, pelo egoísmo, pelo impulso de nos sobre-sairmos, e isso tudo de simplicidade não tem nada. Talvez porque não sejamos treinados para sermos simples. Somos treinados para termos razão e sem simplicidade nos afastamos cada vez mais da felicidade; do bem-estar.

No amor, onde está o bem-estar, se cada um tenta aprisionar o outro? se os casais vivem de mentiras, na maior parte do tempo, o tempo todo? Na maioria dos relacionamentos, a simplicidade não tem espaço, é preciso mentir, é preciso fingir, é preciso seduzir para podermos acreditar que possuímos o impossuível: o outro.

Na moda, o estilista que alcança a harmonia da simplicidade de conceito e de linhas, faz sucesso que dura, dura por gerações. Vem modismo vai modismo, o simples volta e fica, chega e arrasa em qualquer situação. Na música, a harmonia descomplicada é eterna. Acalenta.

Sempre que me sento no banco da praça onde chego depois da escolha de uma estrada na minha vida, me dou conta da confusão. Olho em volto e vejo que tenho mais do que preciso, escondo mais do que externo, pretendo mais do que ajo. Sem drama. Tudo sempre dá certo no fim; e se ainda não deu certo é porque… …você conhece o final.

Que tal pensar nisso e dar uma revisada, cada um no seu tanto de emaranhado? É sempre um bom começo.

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira, realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung.

Orelhão com internet grátis deve ser incentivado

 

A decisão de retirar os “orelhões” da Oi com internet grátis das calçadas de Ipanema, no Rio, chama atenção por uma série de aspectos que se misturaram no debate sempre acirrado que se desenvolve nas redes sociais e blogs.

Para relembrar: a concessionária instalou nove cabines que, além de servirem como telefone público, ofereciam wi-fi de graça a um raio de 50 metros. Os “orelhões” foram plantados nas calçadas da avenida Visconde de Pirajá, no bairro de Ipanema em um projeto-piloto que poderia – ou pode – se estender a outros pontos da cidade. Bastava estar próximo de um deles e você seria capaz de entrar na rede com seu Ipad, por exemplo.

A ideia de espalhar sinal gratuito de internet pelas cidades é bem-vinda, portanto a iniciativa da Oi, neste sentido, é correta e deveria ser incentivada. Imagine se cada orelhão se transformasse em um hotspot, a medida que seu uso como telefone público tem sido cada vez menor em função da popularização do telefone celular.

Você aí na rua da Praia, em Porto Alegre, passearia pela internet sem dificuldade; na avenida Ipiranga, em São Paulo, também; assim como fariam os passantes da Visconde de Pirajá, no Rio. Ninguém teria mais benefício do que os moradores de comunidades pobres que poderiam acessar serviços de internet disponíveis em seus celulares. Em tese.

Seria necessário entender melhor os aspectos técnicos e financeiros que envolvem esta operação, mas não deu tempo de testar a funcionalidade do negócio. Em uma semana, a prefeitura entendeu que o impacto visual e de circulação provocado pelas cabines era ruim e mandou retirar os equipamentos. Moradores de Ipanema, entrevistados na imprensa, concordaram com a decisão. Não encontrei nenhuma palavra de alguém que tenha acessado a internet pública e gratuita.

Do ponto de vista da mobilidade, cravar mais uma barreira arquitetônica nas calçadas não faz sentido mesmo. Cada dia se tira mais espaço dos pedestres, não bastasse o piso ser irregular e impróprio em muitas vias. É banca de jornal, banca de ambulante, armação de ferro para sustentar saco de lixo, puxadinho do comércio, canteiro mal acabado, carro estacionado irregularmente, além dos próprios orelhões. Aliás, estes exigem há algum tempo uma revisão em seu desenho, pois da maneira como foram projetados no Brasil se transformaram em uma armadilha para deficientes visuais, tema sobre o qual já conversamos neste blog.

A Oi deveria ter tido cuidado ao pensar em um novo modelo de cabine telefônica e buscar um desenho menos agressivo a paisagem urbana, que se parecesse menos com um totem publicitário, assim como identificar os pontos em que ficariam mais bem colocados. Algumas vezes as empresas parecem subestimar o bom gosto do cidadão e de forma prepotente tentam impor trambolhos arquitetônicos (o poder público, também). Talvez deva convocar a criatividade nacional em busca de uma linha mais apropriada para a paisagem urbana.

A prefeitura do Rio não deve, porém, desperdiçar a oportunidade gerada. Tem de convidar a empresa, sentar e conversar sobre como estes pontos de acesso a internet, acoplados aos telefones públicos, podem ser implantados com menor impacto urbanístico. Pois a ideia, era substituir os orelhões atuais – ou alguns deles – que já não são grande coisa e colocar equipamento mais moderno. Seria um grande exemplo para as demais cidades brasileiras.

E você, caro e raro leitor deste blog, não perca tempo. Recomende ao prefeito da sua cidade – mande e-mail, twitter, carta ou ligue de um telefone público – que procure as concessionárias de telefonia da região e tome a iniciativa de discutir maneiras interessantes e criativas de oferecer internet grátis ao cidadão.

Orelhão com wi-fi tem câmera e tamanho de orelhão (publicado às 18h50)

Está cada vez mais claro para mim que erros de comunicação estão por trás da polêmica sobre os orelhões com wi-fi grátis da Oi que foram retirados de Ipanema. E reforço: responsabilidade que deve ser dividida entre a empresa e a prefeitura. O leitor Julio Abreu foi em busca de mais informações sobre o equipamento e nos conta, em comentário publicado neste post (recomendo a leitura), que as cabines teriam também câmeras de vídeo com imagens monitoradas por serviço de segurança. A intenção era colocar estes equipamentos diante de escolas púbicas, substituindo os tradicionais orelhões, medida que ofereceria duplo benefício: vigilância e internet livre aos estudantes. Outro aspecto interessante é que o espaço ocupado pela cabine é o mesmo do orelhão e o desenho mais robusto se faz necessário para proteger os equipamentos que estão embutidos.

Uma vantagem – esta ressaltada por mim – é que o desenho do orelhão com wi-fi não impõe aos cegos o mesmo risco que os orelhões tradicionais.

Morre Dekha, a mulher da paz

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A pacifista Dekha Ibrahim Abdi morreu após uma semana internada em um hospital de Nairóbi, vítima de um grave acidente de carro. Foi no distrito em que nasceu, Wajir, que esta queniana iniciou o trabalho que resultou na salvação de centenas de vítimas graças ao modelo de resolução de conflitos desenvolvido por ela.

Era início da década de 90 e o ódio que tomava conta das diferentes etnias que viviam na região havia levado a morte cerca de 1.500 pessoas, logo após o fim do regime de urgência que durou 27 anos. Dekha desafiou o poder dos chefes desses grupos e mobilizou mulheres e homens preocupados com a dimensão da violência. Através de comitês de conciliação passaram a organizar a mediação entras as partes em conflitos. Surgiu, então, o Comitê de Paz Wajir, com representantes de todos clãs, orgãos de segurança, parlamentares e religiosos.

Considerada uma líder na construção da Paz, Dekha recebeu o Right Livelihood Award em 2007. Ole von Uexküll, diretor executivo da Fundação responsável pelo prêmio, lamentou a morte da queniana: “Ela usou sua própria experiência para ajudar e treinar outros povos. Sua dedicação incansável à causa e sua habilidade de inspirar as pessoas construiu um modelo global. Sua perda será terrivelmente sentida por todos que lutam pela paz.”

No acidente, o carro em que estavam ela e o marido bateu frontalmente em um caminhão. Dekha, o marido e o motorista do caminhão morreram. Ela deixa quatro filhos e um legado que se reproduz a cada novo grupo que surge no mundo – e em algumas comunidades do Brasil, também – interessado em conter os conflitos através do diálogo.

Com informações da Right Livelihood Award Foundation e foto de Wolfgang Schmidt

Quando Kassab aposentar o helicóptero

 

Na revista Piauí que causou tanto espanto pelas afirmações do todo-poderoso da CBF Ricardo Teixeira, a reportagem de capa é dedicada ao prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (“O Político apolítico”). O texto é assinado pelo jornalista Plínio Fraga e tem passagens bem interessantes sobre a carreira e o cotidiano do Grande Líder do PDS – perdão, PSD. Algumas hilárias e próprias de repórter observador. Uma das que me chamaram atenção e me divertiram não se refere ao prefeito, mas a um vereador que foi visto em conversa com ele, Dalto Silvano, ex-PSDB e futuro Sabe-Se-Lá-O-Quê:

“Camisa fora do jeans, cabelos longos e encaracolados, Silvano nem precisava dizer que seu ídolo é o cantor Roberto Carlos: está na cara”

A reportagem completa você lê na Piauí (não está disponível no site). Mas reproduzo aqui o parágrafo final que reflete bem o quanto distante São Paulo ainda está das grandes metrópoles mundiais e da ideia que o próprio Kassab pretende transmitir ao mundo de que vivemos em um ambiente urbano desenvolvido e sustentável. Fraga fala do encontro dos prefeitos das maiores cidades mundiais que ocorreu mês passado, na capital paulista:

“Depois do almoço, (Kassab) seguiu para Vila Euclides, embarcou de helicóptero e voltou a São Paulo. Durante o encontro dos quarenta prefeitos, Bloomberg (NY) disse que vai trabalhar de metrô. A vice-prefeita de Paris, Anne Hidalgo, falou que prefere ir de bicicleta”

Quando Kassab ou seus sucessores passarem a ter o transporte público e a bicicleta como boas, seguras e confiáveis opções para o deslocamento na cidade teremos, sim, alcançado o estágio de cidade avançada e criativa como a propaganda oficial tenta nos convencer.

Morte de motoqueiros não surpreende

 

Milton Ferretti Jung

Assisti a um vídeo no site Terra que mostrava motoqueiros flagrados pela Polícia Rodoviária Federal fazendo racha na Fernão Dias. Todos, é claro, pilotavam motos potentes. Os infratores, provavelmente, após escutar um sermão que deve ter caído em ouvidos moucos, foram liberados. É evidente que voltarão a se exibir nas estradas, colocando em perigo a vida deles e, o que é pior, a de outras pessoas.

O vídeo não me surpreendeu. No último sábado, aproveitando a trégua concedida pelo duro inverno que os gaúchos estão enfrentando, fui a um município da serra onde se realizava uma festa em que eram servidos vinhos e queijos. No retorno a Porto Alegre, bandos de motoqueiros, não sei se fazendo rachas ou somente correndo por prazer, ultrapassaram, em altíssima velocidade, o carro que o meu cunhado dirigia. O nosso veículo rodava a 80 quilômetros por hora, máximo permitida na estrada. As motos deviam superar 150. E desciam a serra ziguezagueando entre os carros, o que, aliás, os motoboys também fazem nas cidades.

Nessa segunda-feira, era manchete num de nossos jornais, a morte de cinco motoqueiros em conseqüência de quedas e colisões. O número de acidentes fatais em que são vítimas pilotos e, inclusive, caroneiros, aumenta constantemente. Não é de causar espanto que isso ocorra. Motoqueiro pode passar pela maioria dos aparelhos controladores de velocidade sem se preocupar em ser multado. Os pardais (conforme são chamados no Rio Grande do Sul) detectam veículos de quatro ou mais rodas. Nem mesmo obstáculos, como as lombadas, conseguem obrigar motos a diminuir a marcha.

A impunidade, seja nas cidades ou nas estradas, além da absoluta falta de educação de alta porcentagem de motoristas e motoqueiros, facilita a ocorrência de abusos de todas as espécies, de uns e de outros. A educação para a vida começa em casa, mas deveria se estender às escolas e, a referente ao comportamento das pessoas no trânsito, em particular, precisaria ser matéria obrigatória, desde o primário, nos estabelecimentos de ensino. Já escrevi, não faz muito tempo, sobre tal necessidade. Não custa, porém, repetir. Afinal, velho e indesmentível adágio popular, reza que água mole em pedra dura tanto bate até que fura.


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

De volta, com amigos e propósitos

 

Ensaiei a retomada do blog por dias. Queria ter recomeçado na segunda-feira. É sempre para a segunda nossas promessas: a do regime, do curso de especialização, do check-up médico, da mudança de hábito. Foi-se a segunda-feira e com esta a terça e a quarta, também. Pensei em postergar para a próxima semana que é quando reassumo o Jornal da CBN, mas havia escrito no último post antes das férias que o blog voltaria mais cedo aqui.

Pressionado pelo compromisso (que eu próprio me impus), cá estou. Quase tão magro quanto saí, o que é uma conquista para aqueles que sempre usam as férias como desculpa para os quilos que se sobressaem no cós da calça. Com um braço meia-boca (ou seria meia-mão?), resultado de um tombo na pista de esqui (sei que você me avisou, Carlos Magno), que limitará algumas atividades, mas não me impedirá de escrever, ler, falar, apresentar e tudo aquilo que preciso para exercer minha profissão.

Estou aqui, também, com alguns amigos a mais, que era afinal uma das boas metas nestes dias de descanso.

Bem verdade que, por enquanto, a maior parte deles está no rol dos conhecidos. Para serem amigos de verdade ainda precisaremos de mais tempo, que impõe os desafios capazes de criar intimidade ou distanciamento. É um grupo, porém, formado por gente simpática, falante, disposta a se aproximar dos outros e construir relacionamento. Para quem contamos algumas peculiaridades da vida em família e de quem ouvimos ensinamentos que não soaram como interferência no nosso cotidiano.

Para o retorno neste blog – no Twitter, no Facebook, também -, algumas ideias nas quais pretendo me pautar. Textos mais pessoais, frequentes e curtos. Opinativos, sim; provocantes, se eu tiver esta capacidade. Tentarei me desvencilhar de São Paulo – esta cidade que não apenas conquistou meu coração como meus pensamentos – sem perder o olhar para os temas das nossas cidades. Afinal, o desafio de ancorar o Jornal da CBN é nacional e preciso conectá-lo ao blog.

Não abrirei mão – com certeza – dos colaboradores e comentadores que proporcionam diversidade de assuntos e pensamentos. A Maria Lucia, o Carlos, a Dora, o Milton (Pai), o Antonio Augusto e todos os demais que me oferecem o privilégio de publicar seus textos são fundamentais para a existência deste blog. Além de serem a garantia de que de todas as resoluções pós-férias ao menos um delas será cumprida: a presença deles no Blog do Mílton Jung.

Quanto as demais, dependem de mim. E levando em consideração minha desastrada tentativa de descer uma pista de esqui de dificuldade mediana, no Chile, é melhor não confiar muito na minha capacidade de cumprir as metas propostas.

Para fazer amigos

Ao caro e raro leitor,

Nos próximos dias estarei distante de São Paulo, longe do trabalho e afastado das notícias. Desconectado ? Provavelmente. Não posso lhe garantir. É meu objetivo, mas vai depender de coragem e obstinação. Desplugar-se é um desafio para quem tem mantido uma relação tão profunda com as máquinas e redes. E isto não é um privilégio meu – se é que assim pode ser chamado; estamos todos nesta mesma situação. Vi agora há pouco – ainda não me desliguei – que o Governo Dilma lança programa de banda larga para que as pessoas possam navegar na internet. Na televisão, o rapaz entrevistado fala de como é difícil a vida sem acesso a rede: fico sem conversar com os amigos, disse ele, para após citar a necessidade de pesquisar para trabalhos na escola. Por prioridade, dialogar com as pessoas vem em primeiro lugar assim que o cabo chegar até a casa dele.

Será mesmo que precisamos destas traquitanas para nos aproximarmos dos outros? Dia desses, meu filho mais velho, ele tem 14 anos, constatou em seu blog fragmento da realidade virtual na qual para fazer amigo, se iludem muitos, basta um clique no botão, bem mais fácil do que na época em que precisávamos conquistar a confiança de um desconhecido, mostrar-lhe nossas habilidades, desnudar nossos pensamentos para, então, ele entrar no rol de amizade. Ou nós entrarmos no dele. A fama do camarada é medida pelo número de amigos que tem no Facebook – os do Orkut não valem mais – ou de seguidores no Twitter. Se não tiver nenhum clique no curtir é sinal de fracasso. Claro que as coisas não podem ser assim. Não são assim. E as férias são um excelente momento para nos testarmos, identificarmos se ainda somos capazes de construir amizades ou preservá-las.

Estarei fora do ar nas duas próximas semanas, devo voltar antes para o Blog e apenas no dia 18 de julho para o Jornal da CBN. Peço licença aos comentaristas e comentadores que sempre se fazem presente por aqui para desligar a chave e somente renovar textos no meu retorno. Sei que o Carlos Magno Gibrail, a Maria Lucia Solla, a Dora Estevam, o Antonio Augusto Mayer dos Santos e meu pai entenderão minha ausência, mesmo que tenham sido voto vencido. Você que nos lê, aproveite a oportunidade para reler esta turma que me acompanha e agrega valor diversificado ao Blog. Basta clicar na coluna dos artigos do lado direito da tela. Cada clique será como uma batida do coração deste espaço, quanto mais cliques mais ele estará vivo, mesmo com o meu sumiço momentâneo.

Aos amigos que conquistei nestes três anos – o primeiro post, envergonhado, foi em 1º de junho de 2008 – obrigado e voltem sempre. Estarei logo ali tentado fazer novos amigos.

Mundo Corporativo: Comunicar é preciso, saiba como

 

A importância da comunicação corporativa está no centro desta conversa com a jornalista e empresária Maristela Mafei, dona do grupo Maquina P.R, e considerada uma das principais executivas do setor no Brasil. No Mundo Corporativo da CBN, falamos como o relacionamento das empresas com seus diferentes públicos tem se desenvolvido no País desde a abertura de mercado e o processo de privatização, a partir dos anos de 1990. Maristela Mafei chamou atenção, também, para o desafio que as redes sociais têm imposto aos profissionais que atuam neste setor. Aliás, quem são estes profissionais ? Quais as habilidades que eles devem ter ? Assista a entrevista a seguir:

O Mundo Corporativo vai ao ar, quartas-feiras, 11 horas, ao vivo, no site da CBN, com participação de ouvintes-internautas pelo Twitter @jornaldacbn e pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br. Aos sábados, você acompanha a reprodução dessa entrevista no Jornal da CBN.

Narcossalas em lugar da Cracolândia

 

Cracolândia em São Paulo

Os restos humanos que caminham em meio ao lixo e as drogas, nas ruas da Cracolândia, compõem um dos cenários mais tristes da cidade de São Paulo. São centenas de pessoas em processo de destruição, doentes e alucinados que, enquanto esperam a morte, única esperança que têm, se alimentam com crack. As soluções ensaiadas até aqui não oferecem perspectivas positivas. A reurbanização proposta pela prefeitura esquece da saúde pública; e a remoção citada por Gilberto Kassab, em sabatina na Folha de SP, tem caráter policialesco e autoritário. Não há histórico no mundo de que estas políticas tenham servido para melhorar a qualidade de vida das pessoas e da cidade.

São Paulo poderia ser inovadora e propulsora de uma guinada na história do combate às drogas se ouvisse o que disse Walter Maierovitch, presidente do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais Giovanni Falconi, na conversa que tivemos na segunda-feira, no quadro Justiça e Cidadania, do Jornal da CBN. Incentivador das políticas sociossanitárias, ele lembrou a experiência desenvolvida em Frankfurt, onde foram implantadas as primeiras narcossalas do mundo, em 1994, recomendada pela ganhadora do Nobel de Medicina Françoise Barre Simousse.

Leia o texto completo no Blog Adote São Paulo, no site da Época SP

Saudade da pracinha de futebol

 

Por Milton Ferretti Jung

Quem, porventura, leu algum ou alguns dos textos por mim postados neste blog talvez imagine que sou saudosista. Houaiss, porém, informa, no seu dicionário, que essa palavra descreve quem cultiva o saudosismo. Este, por sua vez, significa “tendência, gosto fundado na valorização demasiada do passado”. Eu valorizo, sem demasias, tanto o passado quanto o presente. Já o futuro, embora me preocupe, deixo para lá, porque a Deus pertence, diz o ditado popular.

Seja lá como for, sinto saudade de meus falecidos avós, pais, de minha irmã e de muitos amigos que se foram e de outros que ainda aí estão, mas com os quais perdi contato. Tenho saudade também de coisas: meus times de botões. Guardo-os até hoje, mas nem meus netos se dispõem a jogar comigo. Todos preferem os sofisticados jogos de computador. E lhes dou razão. Afinal, também pratico alguns desses, os menos complicados, claro. Por falar nessas maravilhosas máquinas modernas, apresento mais uma prova de como dou importância ao presente. Gosto de novidades: GPS, IPod, IPad, carros modernos, repletos de air-bags, com câmbio automático e avanços incontáveis em todos os sentidos.

Não esqueço, entretanto, das coisas passadas que fizeram o encanto da minha infância: os terrenos baldios, por exemplo, quase todos, na minha zona, usados para que jogássemos peladas. Esses foram aos poucos se rarefazendo à medida que eram ocupados por residências. Sobrou a “pracinha” – como a chamávamos carinhosamente – um triângulo formado pela junção de duas ruas, situada bem na frente da casa paterna. Nela, praticamos vários esportes, embora o terreno tivesse um declive e quem jogasse na parte mais alta – a ponta aguda do triângulo – sempre ficasse em desvantagem. Havia, na “pracinha”, todo o tipo de jogo, desde bolinha de gude, vôlei e basquete, até um gol a gol disputado com bola de tênis, impulsionada a cabeçadas e, claro, as peladas, nossas preferidas. Às vezes, entretanto, nos transformávamos em espectadores.

Um pouco distante da minha rua havia um campo de futebol amador no qual jogava o União. Para nós, meninos e adultos, era o União do Buraco, porque o gramado ficava ao lado de um morro. Neste, se aboletava a maioria dos espectadores. Da janela do quarto dos meus avós, ouvia-se o barulho da bola chutada pelos “craques” que, não raramente, se desentendiam e partiam para a pauleira. Era um salve-se quem puder. Lembro que muitos dos que fugiam passavam correndo por minha rua. O futebol, no campo do União, fazia a alegria das tardes de domingo, tanto da criançada quanto dos adultos. Bem mais longe, situava-se o campo do Pombal. Este era outro dos times amadores que não deixavam de ter seus torcedores. A vantagem dessas equipes é que não precisavam ceder seus jogadores para seleções de todas as espécies ou para o futebol europeu, árabe, japonês, russo, ucraniano, etc. Não sei se algum dos nossos “craques” chegou a se profissionalizar. Isso, todavia, nunca impediu que a gente torcesse para eles.


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele).