Avalanche Tricolor: A lenda e o quero-quero

 

Grêmio 2 x 1 Caxias
Gaúcho – Olímpico Monumental

Quero-quero foi condenado por Nossa Senhora a cantar a mesma música pela imprudência cometida quando acompanhava a passagem pelo deserto da Sagrada Família, que fugia da ordem do rei Herodes para que fossem mortos. Diz a lenda que a família do Menino Jesus estava parada num oásis cercada de aves e animais quando soldados inimigos se aproximaram. Todos se aquietaram a pedido de Nossa Senhora, menos o danado do quero-quero que por pouco não revelou o esconderijo de João, Maria e Jesus.

É por isso que o quero-quero, até hoje, mesmo que queira, não pode dizer outra coisa, escreveu Roque Callage (1888 – !931) em história que teve origem no imaginário popular rio-grandense e reencontrei, neste sábado, no livro “Lendas Gaúchas” que me chamava atenção ao lado do aparelho de TV, enquanto o Grêmio suava em bicas em mais uma partida pelo Campeonato Gaúcho.

O sufoco tricolor tinha origem muito mais na temperatura – batia nos 40 graus – do que no adversário. Apesar deste ter chegado ao Olímpico Monumental envergando a bandeira de melhor campanha da competição, líder do seu grupo e com o goleador do Campeonato em seu ataque. Banca esta que se desfez antes mesmo dos primeiros 10 minutos.

Com uma defesa segura, saída rápida para o ataque, bola sendo passada com velocidade, e jogadores se movimentando por todos os lados, o Grêmio resolveu a partida ainda no primeiro tempo, mesmo que em campo estivesse apenas parte de seu time titular. O torcedor ainda teve oportunidade de assistir à estreia do zagueiro Rodolfo e o retorno do atacante Borges. Bote nesta conta, também, os gols de Douglas e Vilson.

O calor era tal que nem a família de quero-quero – já tradicional nos jogos em Porto Alegre – se arriscava a bater asa no gramado do estádio Olímpico. Quando muito dava uma corridinha sem-vergonha para o lado do campo para escapar da bola. Gritar seu grito tradicional, nem pensar. Melhor calar.

Foi o quero-quero que apareceu na TV e a falta de fôlego dos jogadores no segundo tempo que me levaram a passar a mão no livro de Lendas e, por coincidência, abri-lo na página em que Callage descreve a saga do passarinho matraqueador. Muito mais interessante do que o jogo modorrento que se desenrolava.

Ainda bem que os jogos do Campeonato Gaúcho ainda servem para alguma coisa: lembrar as boas histórias contadas nos Pampas.

A propósito: sabe quem já tem a melhor campanha da competição e com uma partida a menor é líder de sua chave ?

Poderia dizer que é o Grêmio responsável por escrever algumas das maiores lendas já vistas no Sul do País, mas achei melhor ficar quieto, senão ainda haverá alguém para publicar nos comentários aí embaixo que eu sou um falastrão igual ao quero-quero.

Divirta-se, a moda é masculina

 

Por Dora Estevam
 
Estou adorando todas as postagens de moda masculina. O que os desfiles de Paris, Milão e São Paulo mostraram para os homens é algo totalmente vigoroso de uma alegria contagiosa.  Os desfiles estão cada vez mais incríveis em termos de produção e moda, propriamente combinados.
 
Quer matar a curiosidade de como funciona este meio?

Acompanhe o vídeo a seguir. Foi feito por Justin Wu especialmente para Jak & Jill Blol. Super carinhoso e de bom gosto. Alegre, cheio de vida, o vídeo mostra os bastidores dos desfiles e de alguns dos melhores momentos dos meninos de Paris e Milão. Adoro!

Por aqui, separei algumas fotos de alguns estilistas. É tudo muito diferente, foge do que estamos acostumados a ver nas ruas. Mas vamos respeitar o trabalho destes moços, certo?
 
LINO VILLAVENTURA

Lino fez uma moda renovada para homenagear os 15 anos da São Paulo Fashion Week.

 
 
ALEXANDRE HERCHCOVICH

Se depender de Alexandre pode vir terremoto, vulcões ou tempestades. Com as roupas que ele criou para o próximo inverno os homens estarão protegidos de tudo isso. Ah, e modernos!


  
JOÃO PIMENTA

Trouxe um desfile inspirado na moda militar e religiosa. Entendi. Quase um franciscano. Um frasciscano com dinheiro.


 
 
 
 
CAVALERA

Fez chover para dar um clima intimista, mais a cara da cidade nestes dias tão molhados.
 

 
Por toda esta produção você deve ter imaginado o quanto estes estilistas trabalharam. Um esforço e tanto. Tudo isso você terá o prazer de ver pessoalmente, provar e ter uma ou várias peças em seu armário em poucos meses, em lojas de shoppings e de rua.
 
 É o horizonte da moda masculina – como escrevi no post anterior.
 
E você está preparado para ser este homem?

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung, aos sábados

Na moda, criatividade vale mais que dinheiro

 

O artigo de Carlos Magno Gibrail (Marketing e Futuro na Moda arrasam nop SPFW), nosso doutor em marketing de moda, trouxe importante colaboração para a reflexão sobre a exposição das marcas na 15a edição da São Paulo Fashion Week. Aproveito este sábado, sempre dedicado a moda e estilo de vida, graças as provocações da colunista Dora Estevam, para destacar um dos comentários publicados aqui no Blog, assinado pela leitora-internauta Louise Rossetti:

Eu concordo que este tipo de ação chame a atenção, cause mídia espontânea (inclusive a sua) e burburinho. Mas somente Promoção e Propaganda não criam posicionamento de marca. Acho raso, volátil, linkar a marca a celebridades, principalmente quando elas não tem absolutamente nada a ver com a identidade da marca.

Se a marca é pop, deve investir em ideias pop, não em marketing “barato” e óbvio. O consumidor não é mais inocente como nos anos 90. Não se aceita mais qualquer coisa. E apesar da mídia gerada, o produto é fraco, o posicionamento é dissonante e a ligação com o cliente fica prejudicada assim que se usa o produto, pois é quando a imagem do Ashton ou da Giselle se dissipam. (ou seja, deixa-se de atender o desejo do cliente).

Eu acredito em construir uma identidade de marca, com mais P’s fortes, além de promocao e propaganda. E isso se faz priorizando tbm os outros fatores.

“Falem mal, mas falem de mim” é pobre, dura pouco. Branding em que a criação não conversa com a comunicação, não é branding.

Acho a ideia da Ellus mais louvável, por exemplo. Uma marca que quer se posicionar como moderna, avant gard, que usou uma mídia nova, diferente.

Para pagar U$ 500.000 para uma celebridade, basta ter dinheiro. Para fazer algo bacana, e elevar a marca, definitivamente, precisa-se de criatividade.

Olhos e ouvidos abertos na Câmara de São Paulo

 

As câmeras de segurança da Câmara Municipal de São Paulo ganham nova função. Desde terça-feira, são os olhos do cidadão a vigiar o trabalho dos vereadores. Se antes serviam apenas para preservar o patrimônio, agora transmitem pela internet as sessões das comissões permanentes e audiências públicas, onde são realizados os principais debates em torno de projetos de lei e temas de interesse da cidade.

A estrutura técnica do site da Câmara permitirá que cerca de 300 internautas assistam aos encontros de uma só vez, número que aparentemente é baixo se levarmos em consideração a audiência possível na internet, mas é muitas vezes maior do que a quantidade de eleitores que comparecem no parlamento.

Foi Massao Uehara, um integrante do Adote um Vereador – projeto que convida o cidadão a controlar ação parlamentar através de blogs -, que identificou a possibilidade de transformar as imagens das câmeras de segurança em fonte de informação da sociedade, no ano passado.

Naquela época, a demanda já havia sido apresentada pela ONG Voto Consciente em uma lista de sugestões para tornar mais clara a atuação dos vereadores. Restrições técnicas eram alegadas para impedir o acompanhamento das comissões na internet. Pura balela, como pode se ver agora.

Bastou o grupo que mandava na Câmara ser derrotado na eleição à Mesa Diretora para o projeto ser executado. Foi um dos primeiros atos do novo presidente da Casa José Police Neto (PSDB) que sem gastar um só tostão em equipamento colocou as imagens na tela do nosso computador. Para a transmissão serão desembolsados cerca de R$ 7 mil por ano.

Mais importante, porém, é o que esta medida tomada pelo novo comando da Câmara Municipal de São Paulo significa na relação do legislativo com a sociedade. “Foi mais do que um passa à frente, foi um enorme pulo”, disse Sônia Barbosa do Voto Consciente entusiasmada com as raras ações que tornam a vida no parlamento mais acessível ao cidadão, nestes cerca de 20 anos em que a ONG acompanha o trabalho dos legisladores.

“Vai facilitar nosso controle, pois boa parte é feita pela internet”, reforçou Cláudio Vieira que ao lado de Audrey Danezi e Sérgio Mendes representaram o projeto Adote um Vereador no lançamento do sistema.

A falta de transparência é um dos motivos que levam o legislativo paulistano – e não é diferente nas demais cidades – a um índice de confiança vergonhoso. Dentre 24 instituições, é a pior avaliada, tendo a desconfiança de 62% das pessoas ouvidas em pesquisa do IRBEM – Indicador de Referência de Bem-Estar no Município, encomendada pela Rede Nossa São Paulo.

Para mudar esta percepção será preciso ir além. Por isso, depois dos olhos eletrônicos é preciso abrir bem os ouvidos para o que a sociedade pensa.

Seria importante criar um canal para receber, examinar e encaminhar as reclamações, sugestões e pedidos da população. Comentários deixados neste blog revelam o quanto a ausência de respostas indigna o eleitor.

Mais do que reduzir a frustração deste à falta de atenção a e-mails e cartas enviadas, o serviço poderia funcionar como um representante dele dentro do parlamento, identificando as demandas não atendidas e cobrando medidas em determinadas situações.

A luta (literal) eleitoral que ocorreu na disputa pela Mesa Diretora em dezembro, a troca de favores por cargos no Executivo e o surgimento de denúncias de vereadores que se beneficiam com verbas indenizatórias – como a que atinge Antonio Goulart (PMDB) – mostram que a Câmara tem muito a melhorar.

Portas escancaradas – seus olhos e ouvidos, incluídos – à comunidade pode induzir esta transformação de comportamento. E caberá ao cidadão ocupar estes espaços com sua voz para que as decisões no parlamento se traduzam em melhor qualidade de vida no ambiente urbano.

Foto-ouvinte: Poste dente de leite

Poste em queda

Moradores partiram para o bom humor na tentativa de evitar uma tragédia na rua Hastimplhilo de Moura, próximo do Portal do Morumbi, zona oeste da capital. Este poste está prestes a cair, pendurado em barras de aço expostas. Sua proximidade com um ponto de ônibus amedronta pedestres, principalmente. Após reclamar para Eletropaulo e prefeitura e não serem atendidos, colocaram um cartaz no qual qual batizam o poste de “Dente de Leite – é só puxar que cai.

A foto foi enviada por Vera Lúcia Alves da AMASUMO – Associação dos Moradores e Amigos da Super Quadra Morumbi

Éramos felizes e não sabíamos ?

 

Por Milton Ferretti Jung

“Éramos felizes e não sabíamos”. Ouve-se seguidamente essa frase. Quem ainda não a escutou? Ela serve para lembrar, com prazer, o passado, nem sempre se referindo ao que as pessoas viveram. Outro dia, por exemplo – socorre-me o Google – um diretor da Rede Globo disse que os radiodifusores sentem saudade do tempo em que não havia a ameaça das novas mídias em seu modelo de negócios.

Normalmente, porém, quem pronuncia a frase é gente que vivenciou na sua infância momentos inesqucíveis, comparando-os com a realidade dos dias de hoje.

Permitam-me que regresse aos meus oito anos ou pouco mais que isso. Minha família morava diante de uma pracinha. Essa não passava de um triângulo situado no encontro de duas ruas. A prefeitura tentou em vão transformá-la numa praça de  verdade, mas nós, seus usuários, nunca permitimos porque acabaria com nossos improvisados jogos de futebol, basquete, vôlei e outras brincadeiras. Na minha rua havia também muitos terrenos baldios, os quais, às vezes ,serviam para que uma turma maior participasse de “peladas”, eis que o chão da pracinha era não só inclinado como sem um mínimo de grama.

O tempo foi passando, a pracinha permaneceu incólume. Os terrenos baldios acabaram. Em seu lugar surgiram casas. Os guris cresceram, casaram, tiveram filhos, alguns edifícios substituíram as casas mais velhas. Ainda sobraram os que, na juventude,fundaram um clubezinho – o Tijuca – que congrega parte da turma antiga em jantares de confraternização.

Meus filhos, quando visitavam seus avós, que nunca se mudaram, chegaram a conhecer a pracinha. Meus netos, porém, nunca passaram sequer perto da residência avoenga. Eles estão noutra. Brincam,hoje,como muitas crianças da idade dele, com computadores,iPod,iPad,Nintendo,Play Station, etc.

O Fernando, mais moço da turminha, filho do Christian e da Lúcia,irmão da Vitória, possui até um blog e está tentando ensinar a tia Jacque a criar o dela. Gregório e Lorenzo, filhos do Mílton e da Abigail, desde menininhos lidam melhor com computadores  que muita gente grande. Eu jogo somente Tetris no PC. E olhe lá.

Quando paro para pensar, volta e meia me ocorre a frase com a qual iniciei este texto e me pergunto quem teria mais razão para usá-la: eu, meus filhos ou meus netos? Responda quem se achar capaz.

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista, trabalha na Rádio Guaíba de Porto Alegre e é meu pai. Às quintas, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Avalanche Tricolor:Pachecão,Rochemback e a conquista

 

Grêmio 3 x 1 Liverpool
Libertadores – Olímpico Monumental


O destino havia nos oferecido oportunidade rara e difícil. Disputar uma decisão ainda no início da temporada, quando as pernas não estão devidamente equilibradas, e os companheiros de equipe tentam se entrosar, entender onde cada um deve estar no momento em que a bola é passada ou o contra-ataque surge.

Alguns jogadores mal haviam sido apresentados à torcida e aos próprios colegas, mas vestiam a mesma camisa, o mesmo Manto Tricolor, capaz de unir e transformar atletas em campo. Foi o que aconteceu com Vinícius Pacheco sacado do banco de reservas quando o Grêmio estava em desvantagem no primeiro tempo e a ameaça de se despedir precocemente do sonho de toda sua torcida estava no ar. Uma incógnita para a maioria dos gremistas.

A presença dele naquela altura, em movimento apropriado do técnico Renato Gaúcho, foi fundamental e mostrou que para ser grande é preciso coragem. Muitos esperariam o intervalo para a troca, mas nosso treinador foi acostumado a driblar o lugar comum do futebol. E com este lance, permitiu que Vinicius se apresenta-se à América do Sul: “Prazer, Pachecão !”

Incomum também é saudar atletas que surgem como coadjuvante no espetáculo dos gols. Seria simples lembrar de mais um marcado com a cabeça e as lágrimas de André Lima ou os dois definitivos de Vinícius Pacheco. Mas um jogador merece citação especial: o capitão Fábio Rochemback. Nesta noite esteve na origem de todas as jogadas que resultaram em gols. No primeira, o cruzamento certeiro; no segundo, o passe preciso; no terceiro, a cobrança de escanteio.

Foi grande no desarme das jogadas, nos carrinhos precisos e no olhar duro para intimidar na marcação, também. Deu exemplo àqueles acostumados a subestimar o adversário, que se imaginam maior e mais importante do que todos; e acreditam que a vitória será alcançada sem luta e seriedade.

Rochemback tem, a partir de agora, a tarefa hercúlea de liderar o Grêmio até o título da Libertadores, e ele se sacrifica com talento para tal.

A caminhada para o Tri será intensa mas pelo início vitorioso desta temporada temos muitos motivos para desconfiar de que o Imortal Tricolor está prestes a aprontar mais uma façanha no futebol sul-americano.

A primeira conquistamos nesta noite. Que venha a próxima.

Marketing e Futuro na Moda arrasam na SPFW

 


Por Carlos Magno Gibrail

O público que teve contato com a 15ª SPFW São Paulo Fashion Week certamente aplaudiu a espetacularização que a ELLUS e a COLCCI efetivaram. Os especialistas, divididos, ficaram entre os extremos com críticas contundentes a favor e contra.
É o que quase sempre acontece em outras áreas, como nos filmes, quando os especialistas esnobam obras como Avatar, mesmo tendo sido o maior sucesso de bilheteria da história do cinema.

E é de cinema que a ELLUS se apossou quando contratou o fotógrafo gaúcho Jacques Dequeker e o videomaker e doutor em Ciências da Arte Marcos Mello para dirigir em 3D uma película de 11minutos com a modelo catarinense recém estrela de Balenciaga em Paris, Aline Weber, e o paulista Rafael Lazzini. Exibiu o filme na sala de desfiles transformada em sessão pipoca tecnológica, com direito a um iPAD para cada jornalista e vip presentes, com o conteúdo do espetáculo apresentado.

Mac Luhan ficaria orgulhoso, pois já enunciara que os meios são as mensagens. Courrèges, na mesma década de 60, também, pois foi dele a última inserção do futuro numa criação de moda, enquanto os estilistas do presente têm usado do passado para construir o contemporâneo.

Kotler, Ries e Aaker, autores de Marketing e Marcas, precisam ser apresentados a esses tantos jornalistas de Moda que ainda pensam que os consumidores compram especificamente produto.

Provavelmente a COLCCI considerou outros P, dentre os componentes do Marketing Mix, além de Produto, como Posicionamento, Promoção, Propaganda. Gisele Bunchen, Ashton Kutcher, Demi Moore vieram nesta direção. Assim como Paris Hilton e Lea T, para TRITON e HERCHCOVITCH.

Se há ou não pertinência entre a imagem das personalidades com as marcas não cabe aqui discutir. O que fica claro é que precisamos de especialistas de especialistas, ou seja, generalistas. É o que os médicos chamam de clínico geral.

Do 1º Morumbi Fashion ao atual 15º SPFW, Paulo Borges conseguiu evolução condizente com a grandeza de São Paulo. A Moda pode ser tudo ou nada, depende dos protagonistas e também dos analistas.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas-feiras no Blog do Mílton Jung

Corregedor da Câmara enfrenta primeiro desafio do Centrão

 

Mal assume o cargo de Corregedor da Câmara Municipal, o vereador Marco Aurélio Cunha (DEM) já se vê diante de uma denúncia grave contra o vice-presidente da Casa. Antonio Goulart, do PMDB, é acusado de ter gasto cerca de R$ 38 mil da verba indenizatória (dinheiro público) para contratar serviços da gráfica em que a mulher dele é uma das donas.

Cunha teve cautela ao falar do assunto na entrevista ao CBN SP mas vai se deparar com uma situação complicada, pois ao assumir o cargo levou junto a esperança de que haveria mudanças na condução do trabalho da Corregedoria que nos últimos seis anos esteve nas mãos de Wadih Mutran (PP), que se notabilizou por fechar a porta às denúncias contra seus colegas.

Ao mesmo tempo, os integrantes da Mesa Diretora, da qual faz parte Cunha, têm muito a agradecer a Antônio Goulart. Ele era do Centrão e havia assinado documento em março de 2010 se comprometendo a apoiar o candidato do grupo que mantinha o comando da Câmara desde 2005. Trocou de lado e apoiou o vereador José Police Neto (PSDB), na reta final da campanha à presidência da Casa  – aquela que rendeu socos, pontapés e ameaças. Foi chamado de traidor.

Marco Aurélio Cunha sabe que a legislação proíbe que vereadores e seus cônjuges tenham contrato com órgãos da administração pública, desde 2003. Disse isso ao CBN São Paulo, na manhã desta terça-feira quando recém havia lido a notícia publicada no Estadão. Portanto, como os documentos de contratação da empresa são públicos e o nome da mulher de Antonio Goulart, Kazuko Goulart, aparece nos registros da gráfica Companygraf, será muito difícil que o parlamentar escape de uma punição.

Goulart pode receber uma advertência verbal – algo do tipo “da próxima vez, preste mais atenção na empresa que vai contratar’”- ou até mesmo perder o mandato – coisa inimaginável em condições normais de pressão e temperatura, na Câmara.

Ouça a entrevista de Marco Aurélio Cunha (DEM) ao CBN São Paulo

Na Câmara há apenas uma certeza entre os parlamentares. A denúncia contra Antônio Goulart marca o início da reação dos vereadores do Centrão que não aceitaram a perda de poder. Seria o cumprimento de uma ameaça feita pelo ex-presidente da casa Antonio Carlos Rodrigues (PR) após ver correligionários abandonarem a candidatura apoiada por ele: “Toda ação tem uma reação”.

Jooji Hato (PMDB) e José Olímpio (PP) seriam outros alvos do grupo. Hato permanece na casa até 15 de março quando assume o cargo de deputado estadual. Olímpio terá mais sorte, pois já está ocupando gabinete na Câmara dos Deputados, em Brasília.

Mais um desafio para o Corregedor Marco Aurélio Cunha. A maioria dos integrantes da Corregedoria é da “oposição”: José Américo (PT), Wadih Mutran (PP), Celso Jatente (PTB) e Antonio Carlos Rodrigues (PR). Apenas Eliseu Gabriel (PSB) e Ricardo Teixeira (PSDB) são da “situação”.

Vereador paulistano custa R$ 115 mil por mês

 

Os vereadores voltam ao trabalho nesta terça-feira sob olhar atento da sociedade incomodada com o reajuste de 61,08% que eleva o salário deles para R$ 15 mil por mês. O gatilho salarial do legislativo foi disparado em Brasília com a decisão da Câmara dos Deputados e põe em questão quanto vale um político.

Antes que você publique qualquer comentário desaforado – e eu compreenderia perfeitamente sua reação – faço aqui as contas de olho nos gastos da maior cidade do País com a sua Câmara Municipal. De dinheiro que vai para sustentar diretamente o vereador e seu gabinete, deve-se por na conta:

Salário R$ 15.013
Verba de gabinete R$ 84.407,60
Verba indenizatória R$ 15.393,75

Puxando o traço, chegamos a R$ 114.814,35 por mês.

Lembro que a verba de gabinete paga o salário dos 18 assessores a que têm direito; e a verba indenizatória será recebida desde que o parlamentar apresente as notas fiscais comprovando seus gastos com material de escritório, telefone, gasolina, viagens para outras cidades, material gráfico, manutenção de site entre outras despesas ligadas ao mandato.

Aqui não está calculado o dinheiro para sustentar toda a Casa e seu corpo de funcionários

Não entrarei na conta rasa se o que desembolsamos para sustentar os vereadores é muito alto ou não. Entendo que é fundamental analisarmos antes o que fazem cada um desses vereadores pela cidade.

Um parlamentar que cumpra seu papel de representante da população e fiscal do prefeito começa bem nesta avaliação. São tarefas difíceis pois exigem enorme esforço para superar interesses partidários e políticos. Imagine um vereador da base governista ao se deparar com uma ação do prefeito que cause prejuízos à cidade. Denuncia e prejudica o trabalho de seu correligionário ou se cala para evitar desgaste do Governo, tentando resolver o problema apenas nos bastidores?

É importante que zele pelo dinheiro público defendendo a aplicação do Orçamento de forma equilibrada e nos programas considerados prioritários para a cidade, alertando sempre que verbas deixem de ser investidas nos setores para as quais foram destinadas.

Em relação ao dinheiro que gastamos para sustentá-lo, o verereador tem de formar um gabinete que atenda mais aos interesses de mandato do que de campanha. É comum as vagas serem distribuídas entre cabos eleitorais em lugar de profissionais capacitados a atuar em áreas ligadas a atuação de parlamentar. Um vereador que atue na comissão de finanças é recomendado que tenha entre seus funcionários especialistas em finanças públicas, por exemplo.

Além disso, deve estar ciente de que a cotratação de pessoal e empresa precisa não apenas ser legal, mas moral. Contratar empresas ligadas a parentes ou que não sejam idôneas é desrespeitar o dinheiro do cidadão. E sai caro para a cidade.

A transparência nas ações, a clareza na defesa de suas ideias e a abertura de canais de comunicação e participação de eleitores com o mandato são outras formas de tornar bem mais barato o peso de um vereador nas contas públicas.

Por tudo isso, é preciso que o cidadão se aproxime do vereador pois somente assim terá noção mais clara sobre quanto ele realmente vale para a cidade. Aproveite a retomada dos trabalhos legislativos na Câmara de São Paulo e adote um vereador. Controle os políticos antes que eles controlem você.