Horto, de volta ao futuro

 

Por Carlos Magno Gibrail

Horto Florestal

O Horto Florestal reserva ambiental para o Município paulistano, contíguo ao Parque Estadual da Cantareira, abrigando remanescentes da Mata Atlântica e da Mata de Planalto, compõe o Cinturão Verde da Cidade dentro do corredor de vegetação que a Serra da Cantareira está estrategicamente posicionada.

O Parque Estadual Alberto Lofgren, nome oficial do Horto, escolhido pela CBN SP para encerrar a série Parques da Cidade, teve certamente ontem uma exposição bastante produtiva.

A reportagem de Fabiana Novello e a participação de usuários do Horto e do Coordenador do Programa de Uso Público, Reinaldo Moreira, ressaltaram a satisfação que o Parque causa para visitantes e usuários ao mesmo tempo em que exige atenção a alguns aspectos de manutenção e cuidados especiais.

A despoluição da água dos lagos e a educação cívica com o trato do bem comum foram destaque.
Para o futuro, segundo Reinaldo Moreira já estamos providenciando um programa estadual de educação infantil. Em breve certamente teremos uma geração mais ambientalista.

Para o presente, já existe um pré estudo para despoluir totalmente os lagos. Idealizado pela estilista e empresária Cristiane Barbara Strauss e executado pela Manancial, empresa especializada e que aquiesceu ao convite de uma empreitada ambiental que pudesse gerar um Planejamento Técnico Econômico-Financeiro para o tratamento das águas com o aporte de recursos da iniciativa privada.

A direção da Manancial informa que a tecnologia já está definida aguardando o plano de mídia para buscar os demais patrocinadores.

A direção do Horto sinaliza disposição em flexibilizar ao máximo as condições de divulgação do projeto, com o intuito de torná-lo atraente aos futuros parceiros.

Tudo indica que se trata de um empreendimento em que todos os envolvidos poderão levar vantagem. Os usuários, o Horto, a Cidade e os Patrocinadores. E, na volta à qualidade das águas do passado estaremos vivenciando no futuro uma Cidade de mais qualidade.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve, às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

Cidadão quer lago recuperado no Horto Florestal

 

Lago do Horto Florestal Clique aqui e veja as imagens da série Parques da Cidade produzida pelo CBNSP

Onze quilômetros o separa do centro da cidade, distância que não deve ser empecilho para o paulistano deixar sua casa até área tão privilegiada quanto o Horto Florestal, na zona norte. No pé da Serra da Cantareira, com cerca de 174 hectares, boa estrutura para receber os visitante e dois lagos que merecem cuidado maior, o Horto foi cenário da última reportagem ao vivo da série sobre os parques da cidade, produzida pelo CBN SP desde a primeira semana de dezembro.

A sujeira e o mau cheiro dos lagos foram as principais reclamações dos frequentadores ouvidos pela repórter Fabiana Novello que esteve lá durante toda a manhã desta terça-feira.


Ouça a opinião do público sobre o Horto Florestal

Fabiana, também, conversou com a administração do local para saber quais ações que estão sendo adotadas pelo Estado para atender a demanda dos visitantes. De acordo com o coordenador de educação ambiental Reinaldo Moreira a expectativa é pela parceria com a iniciativa privada para efetuar a limpeza do lago.

Ouça o que disse o representante do Horto Florestal

Conte Sua História de São Paulo: Eu vi o Zepellin

 


Ouça estas duas história sobre o Zepellin sonorizadas por Claudio Antonio

Na década de 1930, apenas dois anos antes do início da Segunda Guerra Mundial, o Hindenburg Zeppelin passou pela cidade de São Paulo. A imagem do monumental dirigível cortando os céus da cidade marcou a memória dos moradores na época. Alzira Paulino, nascida em São Paulo em 1931, contou suas lembranças durante uma oficina de memória do Museu da Pessoa em novembro de 2008:



Morávamos, eu e minha família, na rua da Consolação, travessa da avenida Paulista.
Deveria ter mais ou menos 7 anos quando ouvimos um grande alvoroço na rua. Era um Zepellin que estava passando lentamente, muito grande, parecia um balão. Saímos todos muito assustados, pois nunca tínhamos visto tal coisa no ar; mamãe, vizinhos, todos acenando para o alto, e éramos correspondidos; as pessoas que nele estavam também acenavam para nós. Foi emocionante, ficamos muito tristes quando soubemos que o mesmo havia pegado fogo com todos os tripulantes e passageiros. Foi um fato que muito marcou a minha infância.



Samuel Blay, nascido em São Paulo em 1922, era adolescente quando o Zeppelin passou pela cidade. Ele também se lembra da comoção na época do incêndio do dirigível. Mas o que mais o marcou foi a lentidão com que a aeronave cruzava o céu, como ele contou ao Museu da Pessoa em 1999:





Foi em 1937 que o Zeppelin Hindenburg passou por São Paulo, e depois ele pegou fogo lá nos Estados Unidos, caiu e matou muita gente.  A velocidade do Zeppelin era três vezes menor do que a de um avião e parece que tinha também compartimentos, camarotes para passageiros… Isso eu não tenho muita certeza, havia uma forma de acolher os passageiros, porque levava dois, três dias uma viagem de Paris a Nova York. O avião levava 15 horas e o Zeppelin levava, vamos dizer, umas 40 horas.


Participe do Conte Sua História de São Paulo enviando seu texto ou agendando uma entrevista em vídeo e áudio no site do Museu da Pessoa.

De semente


Por Maria Lucia Solla

Zeus at Versailles

Ouça De Semente na voz e sonorizado pela autora

Estamos muito afastados do divino, e é urgente que esse elo seja restabelecido. Eu não saberia dizer como nem quando começamos a nos afastar, mas tenho pistas do afastamento, e pistas da reaproximação.

Para começar, há muito ignoramos os mitos; a ponto de lançarmos olhares enviesados, quando alguém fala de Afrodite, Atena, Cronos ou Hermes. Desprezamos o passado como se fosse bagaço, sem perceber que é na estrada esculpida por ele que eu e você caminhamos aos tropeços, por não conhecer seu traçado.

Atena é intelectual; mais cabeça do que corpo. Afrodite, ou Vênus, tem o cetro do amor e da beleza, enquanto Apolo é um deus artista que se guia pela intuição. Só para dar uma provinha do que é o Panteão.

Deletamos os deuses e usurpamos seus atributos, como crianças mimadas que roubam o Ferrari do papai e se esborracham na primeira curva. Substituímos os deuses que nos serviam de bússola, por máquinas e outras traquitanas.

Conhecendo deuses, seus mitos, suas histórias encontramos as pistas que procuramos para compreender os nossos homens, e eles podem entender a que viemos, nós as mulheres, se conhecerem um pouco das deusas.

A mulher esqueceu que representa a vida, para onde ela traz o homem, e quer ser reconhecida por algo que nem mesmo sabe o que é. Assim segue cambaleando, batendo a cabeça, feito galinha-sem-cabeça zanzando pelo terreiro, antes de mergulhar na panela. Segue sem decidir se se orgulha de ser o que é ou se quer parecer ser o que não é.

Os povos que nos precederam criaram mitos e os presentearam de geração em geração, como mantras, como oração; e nós, com toda a modernidade, esquecidos do Paraíso, em vez de abraçarmos uns aos outros, espalhamos pela Terra incompreensão e ganância, desde a mais tenra idade. Sonegamos amor; e amor é como água, se não deságua inunda, e se inunda mata.

Ah, Zeus, pai de deuses e homens, aí do teu trono no Olimpo, olha por nós que nos colocamos assim, de próprio desejo, em total abandono.

Ah, Cronos, deus do tempo e da responsabilidade, faz que percebamos da vida a finalidade.

Netuno senhor dos mares, faz que entendamos que a turbulência é só na superfície; nas profundezas de mares e amares há mais beleza que tristeza.

Somos universos em miniatura; contemos tudo, o universo inteiro, o mesmo celeiro que encontraríamos, se tivéssemos acesso aos universos fora de nós.

e na chegada do natal

agradeço pela vida

pelas vidas que gerei

pelas geradas por elas

e por todas as que fisicamente

não conhecerei

as vidas que geraram a minha

quero também agradecer

pelo que desde o início dos tempos

me permitiram perceber

Παν = todo – θεοσ =deus – Pan + Téos = Panteão.

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

A moda muda as pessoas…

 

Por Dora Estevam

… ou as pessoas mudam a moda. Isso é normal, durante as fases da vida vamos lapidando o nosso jeito de ser e, consequentemente, o de vestir. Como não estamos sendo fotografados todos os dias nem nos vemos em revistas com frequencia não percebemos esta diferença com facilidade. As vezes nos damos conta quando encontramos um amigo e este comenta a aparência diferente. Pode ser um cabelo que cresceu ou que caiu, uma aumentada na silhueta, um estilo de roupa que antes não usava.

Veja o exemplo da artista Kelly Osbourne. Quando ela apareceu na mídia ,cerca de 10 anos, era uma garotinha punk que cativou o público da MTV com sua atitude atrevida e rebelde. Hoje, o radar continua ligado na garota, mas o motivo é totalmente diferente: o estilo pessoal. A moça trocou o negrito do punk por coleções mais elegantes, incluindo terninhos e vestidos, e uma coleção de sapatos exclusivos. Com tudo isso, ficou reconhecida no mundo da moda, também.

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Outra atriz que se transforma da tela para a vida pessoal é Jéssica Alba. Impossível não se encantar com o jeito meigo de Alba. A moça é cativante, todos os papéis dela na tela são adoráveis. Embaixadora da Revlon (produtos de beleza) por cinco anos, a atriz de primeira linha é aficcionada por produtos de beleza. Sem contar que o guarda-roupa da moça é considerado bem avaliado.

Com uma carreira ininterrupta Alba tem a possibilidade de variar bem as personalidades. Segundo os editores, a moça leva a sério esta questão de moda.

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Vejam como são as coisas, enquanto os vestidos de lantejoulas brilham nas araras, neste fim de ano, como pacotão de férias, o modelo mais cobiçado durante anos está sendo preparado para a proxima estação: o velho e elegante terninho.

Ele reaparece num estilo mais feminino, com aberturas especiais, cortes diferenciados. De qualquer forma, é impossivel separar o terno do criador, Yves Saint Laurent, criador e pioneiro na década de 1966, do ícone Le Smoking.

Não importa o estilo ou o corte ou os detalhes do terno, o interessante é que a brincadeira de androginia voltou: use e abuse das novas silhuetas. E não tem como negar que o terno é uma altrnativa perfeita para os cocktails e eventos sazonais.

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Dora Estevam é jornalista e escreve aos sábados no Blog do Mílton Jung

Jogada rara no futebol

Dignidade e ética são palavras que costumam não combinar com futebol. Mas fazem parte da estratégia do técnico Franco Navarro, vice campeão peruano pelo Leon de Huanuco, provável adversário do Grêmio na Libertadores 2011 – pelo que se constata ao ler reportagem publicada na primeira página do uruguaio El Pais.

Navarro abriu mão do título do campeonato nacional do Peru ao deixar fora da equipe seu melhor jogador, o volante argentino Gustavo Rodas, que havia sido expulso na partida anterior por ter se envolvido em uma briga generalizada. A Comissão de Justiça da Associação Profissional de Futebol, porėm, deu ao jogador efeito suspensivo sob a alegação de que ele não havia agredido ninguém – mesmo que as evidências mostrassem o contrário.

“Todos concordam, inclusive Rodas, que não se deve tirar vantagem de algo errado. Há muita hipocrisia no futebol, porém, este clube tem dignidade”, disse o treinador em atitude pouco comum ao esporte. Com a derrota por 2 a 1 para o San Martín, Navarro perdeu pela quarta vez a disputa do título nacional, mas parecia bem mais preocupado em defender seu caráter a uma taça.

Com este gesto, Navarro mexe com nosso mais básico instinto de torcedor e põe em xeque comportamentos com os quais nos acostumamos na busca pela vitória.

Antes de aplaudir a atitude dele, no entanto, pense o que você diria ao técnico do seu time caso ele tomasse a mesma decisão.

Considerações sobre a eleição na Câmara de Vereadores

 

Vi de longe a reta final da disputa pelo comando da Câmara Municipal de São Paulo, um distanciamento provocado pelas férias neste mês de dezembro que também me afastou do blog. Faço a ressalva assim que começo a escrever este post, pois isto me impediu de assistir às cenas dos últimos capítulos da novela que se transformou a briga pela presidência da Casa e posso ter perdido alguns momentos significativos.

A vitória de José Police Neto (PSDB) não surpreende, pois foi resultado de projeto construído pelo vereador nos últimos quatro anos. Pode-se dizer até mesmo que a carreira política dele o levou até o posto. Neste segundo semestre, a postura incisiva do prefeito Gilberto Kassab (DEM), porém, foi fundamental – uma ação que não se resumiu às conversas em conjunto com Police e Milton Leite, seu adversário, como o vereador deu a entender em entrevista.

A interferência de Kassab impõe ao novo presidente da Câmara seu primeiro desafio. Provar de que não será um mero despachante de projetos do Executivo. Tem capacidade para isso, mas precisará se impor aos interesses políticos do prefeito que desde antes mesmo da eleição presidencial já se movimenta com astúcia no sentido de preparar seu futuro político visando a disputa para o Governo do Estado de São Paulo.

Police Neto conhece como poucos os bastidores da Câmara Municipal e por isso não deve ter dificuldades para conversar com o PT e o que resta do Centrão na montagem de uma pauta que interesse ao cidadão, apesar da promessa da oposição de jogar pesado no próximo ano, afinal tem seus próprios interesses eleitorais, em 2012.

Outro desafio, será o de oferecer à população um espaço para debate há muito reclamado pelas entidades organizadas que acompanham o trabalho legislativo. Precisa tornar realidade a esperança depositada nele por alguns desses grupos que acreditam na possibilidade de que os atos na Câmara sejam transparentes e os critérios que definem sua pauta, claros. Muitos desses desejos expostos em série de entrevista feita pelo CBNSP disponível neste blog.

Uma mudança pouco comentada – levando em consideração meu acesso restrito às informaçōes nestes últimos dias – mas que pode ter importância na grandeza que se deseja ao legislativo municipal: a corregedoria da Câmara, após cinco anos, sai das mãos de Wadih Mutran (PP) e passa para as de Marco Aurélio Cunha (DEM). O primeiro exerceu em seu mandato aquilo que seus pares desejavam, engavetou toda e qualquer possibilidade de investigação. Que Marco Aurélio faça aquilo que o cidadão e a cidade necessitam, apuração e punição de toda e qualquer irregularidade.

Café no Brasil, maior produtor mundial, pior bebedor nacional

 

Por Carlos Magno Gibrail

jack johnson:supposed to be

Há tempos somos os maiores do mundo na produção do café, e estima-se, a partir deste ano também no consumo.

E, não é pouco, pois o produto café emprega 8% da população mundial, sendo o segundo maior gerador de riquezas, atrás apenas do petróleo.

As perspectivas globais são fantásticas, pois o crescimento de consumo é da ordem de 1,9% ao ano e da produção de 0,6%. As estimativas nacionais são explosivas, pois per capita chegamos a aproximadamente 6 kg, equivalente da Alemanha, superior a França e Itália, mas metade dos países nórdicos como Finlândia, Noruega e Dinamarca, além de tomarmos café de baixa qualidade e de extrema equivalência, de acordo com os especialistas.

Nelson Barrizzelli, professor, economista, consultor de consumo, e acima de tudo um dos 320 000 cafeicultores brasileiros nos deu o seguinte depoimento, num dos raros restaurantes que servem na capital paulista um café compatível com a excelente qualidade do cardápio:

“Infelizmente ainda precisamos trabalhar muito a qualidade do café para oferecer ao consumidor uma bebida diferente daquela com a qual ele está acostumado há dezenas de anos. Na prática o consumidor brasileiro precisa reaprender a tomar café”.

“Por razões econômicas a qualidade do café comumente vendido, com raras exceções, deixa muito a desejar. Grãos de qualidade inferior e até grãos rejeitados por não por possuírem características mínimas para oferecer aroma e sabor adequados, são torrados quase até a queima e moídos com granulação muita fina para esconder as imperfeições da matéria prima utilizada. A torra excessiva aliada à moagem, deram ao consumidor a percepção de que o café brasileiro é um café forte. Na verdade ele é amargo e queimado”.

“Foi preciso que empresas estrangeiras entrassem no mercado brasileiro, com café importado do nosso país e em seguida torrado e moído na Europa, para nos ensinar de que existem bebidas aromáticas e sem amargor. Isto ocorre porque, nestes casos, são usados unicamente grãos selecionados, de origem conhecida e manufaturados em equipamentos de última geração”.

“Como não podia deixar de ser, esse produto é muito mais caro do que a maioria dos cafés vendidos nos supermercados, mas o prazer de tomar uma bebida com a certeza de que se trata do melhor produto que o mercado pode oferecer, compensa o custo”.

Outro especialista, Marcelo Pierossi, engenheiro agrícola e editor do Blog do Agronegócio transmite a seguinte advertência da SINCAL Associação Nacional dos Sindicatos Rurais das Regiões Produtoras de Café e Leite:

“Senhores cafeicultores e consumidores estamos bebendo tão somente 35% do café que dá a palatabilidade, aroma e outras propriedades organolépticas que caracterizam o café de qualidade”.
É a porcentagem de café arábica de qualidade, misturada a 65% de robusta e outros grãos inferiores.

“A SINCAL, como legitima representante dos cafeicultores, toma a liberdade de aconselhar a ABIC Associação Brasileira da Indústria do Café a segmentar e diferenciar, enfaticamente como se faz o bom marketing em praticamente todos os segmentos da economia desde as bebidas, indústria alimentícia, até as indústrias mais pesadas como de carros e aviões”.

“O café como o vinho oferece nuances muito particulares que proporciona uma segmentação com agregação de valor numa escala extraordinária”.

“Vamos esquecer o drawback. Precisamos vender e não comprar. O Brasil possui a maior gama de tipos e qualidade de café do mundo. Produzimos cafés nos mais diferentes tipos de solo, altitude, latitude, longitude numa extensão territorial quase que continental dando a maior diversidade do mundo e não justifica importar café”.

“Vendemos sempre muito barato detonando com os preços do mercado mundial. Chega de Commodity, vamos segmentar, diferenciar, agregar e valorizar o nosso precioso CAFÉ como é feito pelos mercados desenvolvidos”.

Na cerveja, na carne, o Brasil já demonstrou competência suficiente. Esperamos que Barrizzelli, Pierossi, SINCAL e outros que pensem e ajam da mesma maneira possam sensibilizar o mercado.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve no Blog do Mílton Jung

CBN SP no Parque da Aclimação

 

Foi jardim, teve zoológico, esteve ocupado, mas, atualmente, é reconhecido com um dos bons parques da cidade de São Paulo. Refiro-me ao Aclimação, na região central, que está sob o controle da prefeitura desde 1939, e apenas não foi “tomado” de maneira ilegal porque um grupo de cidadãos se mobilizou para que o local fosse tombado pelo patrimônio histórico.

O Parque da Aclimação receberá a visita da Cátia Toffoletto, nesta terça-feira, se não chover, na série de reportagens, ao vivo, que vem sendo realizada há três semanas. O local foi sugerido por ouvintes-internautas convidados a apontar parques e praças da cidade de São Paulo que podem se transformar em opções de passeio durante as férias.

A Cátia Toffoletto em parceria com ouvintes-internautas também prepara um álbum de fotos dos parques que visitou e as reportagens estão reunidas em página especial no site da CBN. Mande seu material para milton@cbn.com.br ou converse sobre o tema pelo Twitter da Fabíola Cidral

Conte Sua História de São Paulo: No Cine Nacional

 

Roberto Cetra nasceu em São Paulo em 1948. Mas um dia se redescobriu um turista em sua própria cidade. Um turista do tempo, e não do espaço, como ele contou neste texto em homenagem ao Cine Nacional, escrito em fevereiro de 1992 e  enviado ao Museu da Pessoa:


Ouça o texto de Roberto Cetra sonorizado por Claudio Antonio

Entrei e fiquei olhando para cima e para as paredes, tal e qual um turista visitando a Capela Sistina, que admira por horas seguidas os detalhes contidos naquelas seculares obras de arte. Porém o prédio onde eu me encontrava não tinha um valor histórico de 500 anos, tinha no máximo 50. No lugar das maravilhosas pinturas de Michelângelo, tinha apenas um forro de Eucatex pintado de preto fosco. No lugar do riquíssimo altar, um palco, também preto, com cortinas de tecido brilhante e finalmente, em vez do silêncio sagrado de uma igreja, eu fui atropelado por centenas e centenas de decibéis vomitados por imensas e agressivas caixas acústicas instaladas nos dois lados do palco.

Mesas colocadas em forma de ferradura abraçavam, com certo aconchego, a pista de dança. O restante delas, arrumadas no mezanino. Tudo levava a crer que se tratava de uma casa de espetáculo e dança bem grande, moderna, porém comum, isto é, sem detalhes artísticos importantes pelas paredes, teto e estrutura arquitetônica que pudessem deixar alguém parado a contemplar. Mas por incrível que possa parecer, eu estava emocionado e até mesmo trêmulo por estar novamente sob o mesmo teto e paredes em que passei grande parte da minha infância e adolescência.

Quando saí de casa, eu já tinha um pensamento fixo: apesar de totalmente reformado, o prédio ainda é o mesmo e naturalmente haverá de ter sobrado algum vestígio do passado.
Passei pela portaria com a ansiedade de um homem que retorna a sua terra depois de muitos anos ausente.
Entrei no salão, olhei para o chão, tudo diferente, mas quando olhei para cima, lá estavam as arandelas em formato de janelas de palácios árabes, perfeitamente acesas e conservadas como quando ali funcionava o velho cinema, essas luzes somente eram desligadas depois de uns cinco minutos de filme.
Continuando o meu garimpo, reconheci o forro (sim, aquele forro comum, de Eucatex furadinho) denunciado à minha memória pelo recorte das placas que formavam grandes círculos em torno das enormes saídas do ar condicionado central.

Parece-me que restaram muitos vestígios, e o que restou era familiar demais para mim. Foi gratificante constatar que boa parte da memória havia sido resgatada, não sei se por consciência do arquiteto ou do dono da obra, mas o importante é que estava lá.

Quando o cinema parou de funcionar, o prédio ficou muitos anos fechado, depois abriu como depósito de sementes e implementos agrícolas, passou alguns anos assim e novamente ficou anos fechado, até que passasse pela grande reforma que o transformaria na casa de espetáculos Olympia.

Eu precisava partilhar com alguém a minha alegria, mesmo sabendo que eu conseguiria passar somente meras informações e não a emoção, pois aquilo tudo só teria significado para quem conviveu comigo naquela época. Não me contive, peguei esposa e filha pelos braços e saí mostrando.

– Estão vendo aquela escada com corrimão estilo art déco? Ela dá acesso ao mezanino, ao banheiro masculino e à sala de projeção. Tudo ainda está lá, nos mesmos lugares!

– Logo abaixo da escada – continuei – ficava a bombonière. Nas matinês de domingo, tão logo entrávamos, íamos direto a ela, a custo de empurrões e cotoveladas, cada um de nós queria ser atendido em primeiro lugar. Os que tinham mais dinheiro comparavam Mentex; os outros, sem melhores alternativas, optavam por bala de goma ou amendoim doce, aquele que tem cor de ferrugem.

O importante não era o doce e sim o celofane, para fazer de assobio. Mentex tinha uma vantagem, o proprietário adquiria o poder de assobiar mais depressa, bastando para isso desencapar a caixinha. Já o amendoim somente poderia ser usado como assobio quando terminava o seu conteúdo. Até então poderia já ter terminado o Primo Carbonari e deixar de vaiar esse filminho de notícias desatualizadas que eles insistiam em passar seria realmente muito frustrante. Esse documentário semanal tinha uma gasta e riscada vinheta de abertura na qual aparecia um chafariz numa praça, tão apagada que ninguém conseguia afirmar se fora filmado de dia ou de noite, acompanhado de um fundo musical, tão tremido e desafinado que mais parecia um disco rodando ao contrário. Era, então, perfeitamente normal surpreender garotos numa atitude desesperada, despejando o saquinho de amendoim inteiro na boca, enchendo as duas bochechas de tal forma que mal podiam mastigar para poder assobiar no papel. As técnicas de arrotos em altos volumes eram altamente desenvolvidas por essa trupe de educados meninos para soltar nas horas tristes ou românticas dos filmes.

– Estão vendo aquela porta ao lado do banheiro feminino? Lá era a gerência. O gerente era um senhor com idade superior a 60 anos, ele tinha um defeito na perna e usava uma grossa bengala de madeira, era calvo e apesar da paciência que tinha conosco, nós o respeitávamos muito, não sei se pela sua aparência de vovô, se pelo seu modo de pouco falar ou se por analogia com o diretor de escola. Em compensação, os “lanterninhas” que agiam com muito rigor tornavam-se verdadeiras vítimas em nossas mãos.

– Naquela parede, à esquerda de quem entra, ficava todo o nosso orgulho. Apesar de termos sido expulsos daqui inúmeras vezes por indisciplina, nós amávamos este cinema e era ali que estava instalada uma placa de bronze com os dizeres: LOTAÇÃO DESTE CINEMA 2.250 PESSOAS.


Participe do Conte Sua História de São Paulo, envie seu texto ou agende uma entrevista em áudio e vídeo pelo site do Museu da Pessoa