De Mente

 

Por Maria Lucia Solla



Ouça “De Mente” na voz e sonorizado pela autora

Ah! quanta coisa a gente não aprende na escola; e nem em casa. E quanta falta isso faz.

Os reencarnacionistas dizem que, no momento do nascimento, um dispositivo zera a memória que trazemos de outras vidas. Talvez por isso choramos. Aí aprendemos que chorando, gritando e esperneando chamamos atenção; e abrimos o berreiro por tudo e por nada, para testar o exercício e a reação da turma em volta. Isso quer dizer que nossa mente concreta, a que conhecemos mal e mal, chega com sistema operacional instalado e é só. Dalí para frente é um instalar arquivos e aplicativos que não tem mais fim; o nó é quando se quer desinstalar alguma coisa. Dá uma trabalheira danada, e continuamos chorando, segundo o estilo de cada um. Os arquivos instalados viram crenças, que passam a agir, independentes do que chamamos de vontade, a memória do ruim vira trauma, do bom vira vício e se bobear, a vida vira um suplício.

O bombástico é que, por volta dos 7 anos, nossa personalidade se cristaliza, a responsabilidade dos que nos acolhem é fatal. Mas, nem tudo está perdido ou ganho. Há sempre luz no fundo do túnel, seja você gênio ou tacanho.

Lembra da Lei da Atração que andou na moda? Como tudo na vida, no ritmo da onda do mar, teve seu momento de glória e caiu no esquecimento. Quem é que fala hoje do filme O Segredo? O Segredo veio nos lembrar de que juntamos um pensamento daqui e outro dali e criamos ideias, e são essas ideias que assumem o comando e acabam regendo a nossa vida. Ligamos o piloto automático, por preguiça, desinteresse ou ignorância e entregamos a direção dela a elas, sem nos darmos ao trabalho de separar o joio do trigo. A vida me fez assim e pronto.

Onde está então a tal da luz no fim do túnel? Dentro de você e dentro de mim, meu caro, e se o problema está na mente, a solução está nela coincidentemente.

Esquece o passado. O que passou, passou. Você pensou estes anos todos, sem se dar conta de que pensamentos são unidades de uma construção que resultou no que você é hoje. Ora, sei bem que a gente é mais do que isso; somos o que comemos, o que vemos, o que pensamos e o que dizemos, mas você há de convir que, de toda essa atividade, toda essa presepada, a de pensar ganha de goleada. A gente pensa muito mais e mais rápido do que fala, não consegue reportar em palavras tudo o que vê, mas consegue pensar o que vê e registrar tudo na mente, num zás-trás.

Então, vale a pena, além de arrumar e limpar o guarda-roupa, de arrumar e limpar a casa nos preparativos para o ano que vem chegando, dar-se uma oportunidade e encontrar um tempo para arrumar e limpar a mente das ideias e crenças que já não servem mais. Vale a pena, além de diminuir a gordura e a fritura, diminuir e eliminar o pensamento inútil e o nocivo que tornam nossa vida tão dura.

Então coragem! Fique esperto, não deixe que a mente te engane e que ela seja de você, o inimigo mais perto. Quando estiver pensando, participe do evento não deixe que seu pensamento seja movido pelo vento. Não permita que pensamento aleatório faça parte do teu repertório.

Escolha a dedo o pensamento que vai tua mente ocupar e me diga, depois, se diminuiu o teu sofrer e o teu chorar.

Faxina na mente, já! Afinal, quem é que manda nela?

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung

música: coming back to life – Pink Floyd
foto: A Persistência da Memória, de Salvador Dalì

Muito além do paletó e gravata

 

Por Dora Estevam

A questão não é só o nó da gravata.

Têm homens que amam gravatas, de todas as cores e padrões. Quando viajam compram centenas delas de várias marcas ou sem-marca, o importante é gostar e achar que aquela vai fazer a diferença.
 
Bom, com verão ou sem verão quem usa gravata obrigatoriamente e não pode evitá-las, acaba sempre encontrando um jeitinho de produzir o visual de maneira que a gravata não pese e, sim, que ela fique charmosa e irresistível aos olhares femininos.
 
Separei alguns modelos para vocês se inspirarem:

  
 
Mas também tem a turma dos sem-gravata. Eles não suportam as compridinhas, quando tem um casamento que pede o uso delas ficam numa frescura só, usam, mas logo fazem aquele charme de tirar na festa. Enfim, tem gosto pra tudo e para todos.
 
Como toda produção, sem gravata também é possível ficar charmoso e elegante com muita classe. Até que passa um ar de conquistador e despojado. Também separei alguns modelos para você ter ideia do que estão usando pelo mundo.

Ah, não pense que são modelos para revistas, são pessoas clicadas na rua. São os fotógrafos de streetstyle que adoram saber o que as pessoas normais usam no dia-a-dia.


  
Ah tá ! Ai você me diz, mas eu não gosto de gravata muito menos de paletó. O seu estilo é muito mais esportivo e descontraído. Sem problema. Também vale e muito, ainda mais no Brasil onde temos clima favorável para exibir corpos saudáveis e roupas coloridas.
 
Inspire-se:


 
Então, gostaram? Use a química do seu bom gosto com bom senso e a sua simpatia e arrase nestas festas.
 
Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung

Painel pelos Direitos Humanos, no metrô da Luz

Com cerca de 22 metros quadrados, este painel instalado na estação de metrô da Luz, centro de São Paulo, leva a assinatura da franco-belga Françoise Schein. Com a parceria de jovens, ela chama atenção para os artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos dando seguimento a projeto que desenvolve há mais de dez anos. Lisboa, Paria e Bruxelas são outras cidades que abriram espaço em suas estações de metrô para trabalhos de Françoise Schein. Nesta sexta-feira, comemora-se o Dia Internacional dos Direitos Humanos.

Cátia visita o maior parque de São Paulo

 

Parque do CarmoA Cátia Toffoletto segue seu passeio pelos parques de São Paulo e nesta sexta-feira estará no Parque do Carmo, zona leste da capital. Com 1,5 milhão de metros quadrados,  está é uma rara área na região marcada por enorme aglomerado urbano e pouco verde. O Carmo, inaugurado em setembro de 1976, é o maior parque da cidade e mantém algumas peculiaridades como o bosque de cerejeiras mantido pela comunidade japonesa.

Em texto enviado ao blog, a Cátia lembra:

A área do Parque, pertencia à fazenda de propriedade de Oscar Americano de Caldas Filho,  um engenheiro de construção civil que loteou e vendeu parte da propriedade, na metade do século passado. No local, passava os finais de semana.  Oscar Americano faleceu em 1974 e anos depois, sem muitos interesses por esta fazenda, seus herdeiros resolveram vendê-la. Uma parte ficou com a Prefeitura e outra (a maior) ficou com a COHAB.

Você participa desta série sugerindo o nome de locais que a Cátia pode visitar na cidade de São Paulo nos próximos dias. Mande sua opinião para fabiola.cidral@cbn.com.br e não deixe de acrescentar informações e personagens que podem colaborar com a reportagem, ao vivo, na CBN. Se você tiver fotografias envie para nós para fazer parte do álbum digital do CBN SP no Flickr.

Vereador apela ao “bom humor” em eleição na Câmara

 

Em campanha de pouca graça e muita ameaça – algumas concretizadas -, o vereador Adilson Amadeu (PTB) decidiu apelar para o bom humor e sugeriu ao cartunista Eklisleno a charge em que o prefeito Gilberto Kassab (DEM) caça votos em favor do candidato dele à presidência da Câmara Municipal de São Paulo, José Police Neto (PSDB). Com uma certa dose de sarcasmo, destacou galhos de planta que lembra o ex-colega de partido do Democrata, o governador-fugido do Distrito Federal José Roberto Arruda.

Em nota divulgada por sua assessoria, Amadeu justificou a brincadeira:

O disse-me-disse, as denúncias infundadas são mais desgastantes do que produtivas. Como diria o colega Police Neto, nesse cenário é impossível promover “um debate saudável ou construir qualquer aliança positiva”. Para tentar afastar o baixo astral, decidi colocar um pouco de humor nessa história.  De voto, todos precisamos, inclusive o prefeito Kassab que vem empreendendo  à sua maneira uma verdadeira caçada nessa reta final.  Por via das dúvidas tem até um galho de arruda por perto.

Fora das “quatro linhas”, Amadeu diz que o papel que os governistas estão fazendo de vítimas neste processo eleitoral para a presidência da Câmara Municipal de São Paulo é uma fábula, pois a disputa seria desigual. Enquanto a prefeitura estaria oferecendo cargos, secretarias e demais facilidades aos seus apoiadores, o Centrão não teria o que dar em troca para atrair o apoio dos partidos.

O bom humor que sobra ao vereador Adílson Amadeu para inspirar a charge faltou na “conversa” que ele teve com Marcelo Aguiar (PSC), há alguma semanas, quando em lugar dos pincéis foram usados os punhos.

Avalanche Tricolor: Meninos, eu vi, juro que vi

 

Grêmio 3 (5) x 1 (3) Goiás
Sulamericana – Avellaneda (ARG)

Menino, eu vi, eu juro que vi Vítor de braços abertos fazendo milagres em defesas impossíveis.

Meninos, eu vi, eu juro que vi Paulão despachando a bola para as arquibancadas sempre que o perigo esteve próximo.

Meninos, eu vi, eu juro que vi nossos alas correndo, aloprados, ao fundo do campo deixando tontos os marcadores adversários.

Meninos, eu vi, eu juro que vi Rochemback, Rafael Marques, Adílson e todos os nossos marcadores comendo a bola com a ponta da chuteira.

Meninos, eu vi, eu juro que vi Douglas com maestria entregar a bola aos seus companheiros como se a eles desse uma joia rara.

Meninos, eu vi, eu juro que vi Andre Lima atrapalhado colocando a bola para as redes e Jonas fazendo a única coisa que é capaz de fazer em campo: muitos gols.

Meninos, eu vi, eu juro que vi Renato gesticulando ao lado do campo, gritando frases inaudíveis na inútil tentativa de organizar o caos.

Mas eu vi muito mais do que isso, juro que vi, na noite e madrugada de futebol jogado na argentina Avellaneda, em estádio com emblemático nome Libertadores da América.

Estavam lá nas arquibancadas Lara, Arce, Ancheta, Airton, Calvet, Everaldo, Dinho, Gessi, Ronaldinho, Iura, André Catimba, Alcindo, Juarez, Tarciso … e tantos outros que se misturavam aos milhares de torcedores que empurravam os azuis à conquista de uma vaga na Libertadores.

O Grêmio foi grande, desta vez travestido de Independiente. Assim como o foi em tantos outros momentos mágicos do futebol mundial em que nossos espírito foi incorporado por times nem sempre com jogo qualificado, mas com desafios inacreditáveis

A primeira entrevista a gente nunca esquece

 

Carlos Magno Gibrail

… a gente e a autora, também.

Dilma Rousseff reafirmou ao “Washington Post” o que já tinha externado em sua primeira entrevista como presidente eleita, quando sinalizou uma mudança na política externa brasileira ao definir como “bárbara” a ameaça de um provável apedrejamento contra a iraniana Sakineh Mohammadi de acordo com as leis e tradições locais.

Mais uma vez, coube ao tradicional jornal americano o mérito de estampar tão importante indício, publicando a fala sobre o apedrejamento, e que, certamente, repercutirá internacionalmente assim como aconteceu ontem na imprensa nacional:

“Não sou presidente do Brasil, mas me sentiria desconfortável, como uma mulher eleita presidente, em não dizer nada contra o apedrejamento. Minha posição não vai mudar quando eu assumir. Não concordo com a posição brasileira. Não é a minha posição.”

“Não concordo com práticas que tenham características medievais contra as mulheres. Não há nuances. Não vou fazer nenhuma concessão nessa matéria”.

As mulheres são de Vênus e os homens de Marte?

Vejamos o que o presidente Lula disse sobre o mesmo tema:

“Se começassem a desobedecer às leis deles para atender aos pedidos dos presidentes, daqui a pouco haverá uma avacalhação”.

No momento em que a Suíça quebra a isonomia democrática, com o tratamento dado aos imigrantes após plebiscito nacional, e Holanda, Itália e Dinamarca se tornam precursoras de um fantasma que assombra a Europa, designado de fascismo suíço por Vladimir Safatle em seu artigo de ontem na Folha, é imprescindível que o Brasil se apresente de forma enérgica em defesa dos Direitos Humanos.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas-feiras no Blog do Mílton Jung

A década eleitoral

 

Por Antonio Augusto Mayer dos Santos

Brasil –

O Brasil realizou seis eleições nos últimos 10 anos. O custo operacional do voto, pago pelo contribuinte através de deus impostos, oscilou de R$ 4,91 (2000) a R$ 3,58 (2010). Em meados de 1997, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Associação de Juízes para a Democracia obtiveram mais de um milhão de assinaturas para que um projeto fosse apresentado ao Congresso Nacional.

A ideia era “fechar o cerco” contra os candidatos que negociavam votos ou até enganavam eleitores para vencer as eleições que disputavam. A legislação eleitoral não punia a disseminada “compra de votos” e, com dificuldade, reprimia o abuso de poder. Surgiu, então, o art. 41-A da Lei das Eleições, punindo com a perda do registro (ou do diploma) e multa de até R$ 53,2 mil, os candidatos que comprarem votos, e cassação e também a aplicação de multa, até R$ 106,4 mil, para aqueles que usassem a “máquina pública” nas campanhas.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral – erros judiciários e excessos de julgamento à parte –, 667 prefeitos, vices e vereadores foram cassados pela Justiça Eleitoral, até maio de 2009, com base na lei de iniciativa popular 9.840/99. Eles perderam seus mandatos em função da aplicação desses dois novos dispositivos da Lei Eleitoral. Apenas em 2008, segundo relatório do movimento, foram 238 prefeitos cassados. Entre 2007 e 2008, centenas de Vereadores foram cassados pela Justiça Eleitoral por haverem trocado de partido.

A regra da infidelidade partidária também cassou o Governador do Distrito Federal. Entre 2008 e 2009, três Governadores de Estado foram cassados e afastados pelo TSE de seus cargos. Com o advento da discutível Lei da “Ficha Limpa”, em 2010, dezenas de candidatos a vários cargos eletivos tiveram seus registros indeferidos. Outros concorreram, venceram mas “não levaram”. É dizer: foram votados mas não serão diplomados nem empossados.

Nesta década que finda, Lula exerceu dois mandatos presidenciais (2002-2010), Fernando Collor foi eleito Senador por Alagoas (2006) e Itamar Franco por Minas Gerais (2010). Houve uma redução das cadeiras nas Câmaras Municipais (2004). O país votou no referendo das armas e Dilma Roussef foi eleita a primeira Presidente do Brasil. Tiririca é o novel fenômeno eleitoral, após Enéas.

América –

Numa eleição discutível e até hoje revestida de suspeita, George W. Bush se reelegeu Presidente dos Estados Unidos em 2001. Perdeu nas urnas mas venceu no Colégio Eleitoral. Em janeiro de 2006, a médica Michelle Bachelet se elegeu presidente do Chile, a primeira do seu país. Entre 2000 e 2010, a Argentina teve sete Presidentes da República. Apenas Fernando de la Rúa, Eduardo Duhalde, Néstor e Cristina Kirchner foram eleitos pelo voto direito. Hugo Chavez preside a Venezuela a mais de uma década. Sua primeira eleição fora em 1999. No pleito do dia 4 de novembro de 2008, Barack Obama foi eleito o 44º Presidente dos Estados Unidos, o primeiro negro, vencendo seu adversário, John McCain, por uma diferença de 52% a 47% no total de votos.

Mundo –

Angela Merkel, uma ex-alemã oriental, é a Chanceler da Alemanha desde a eleição de 2005. Em 2009, após se reeleger, foi considerada pela revista Forbes como a mulher mais poderosa do mundo. Na Itália, sob acusações de corrupção e ligações com a Màfia, Silvio Berlusconi exerce o cargo de Primeiro Ministro pela segunda vez nesta década. Antes de se tornar presidente da França, eleito em 2007, Nicolas Sarkozy foi líder partidário e chefiou meia dezena de Ministérios. As eleições e a cidadania na China não avançaram nesta década. Qualquer cidadão pode perder o direito de votar caso seja acusado – basta ser investigado – de “ameaçar a segurança nacional”.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor do livro “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age); e escreve no Blog do Mílton Jung.

CBN SP estará no Parque do Povo, nesta terça-feira

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Distante, sim. Nunca afastado. Por isso, sei que nesta terça-feira, a Cátia Toffoletto mostrará aos ouvintes do CBN São Paulo a estrutura à disposição no Parque do Povo, área verde bem ao lado da Ponte Cidade Jardim e Marginal Pinheiros, na zona sul da capital. Este será o terceiro local visitado por ela na séria “Parques de São Paulo” que se iniciou semana passada.

Resultado de intensa luta do paulistano, o parque foi reintegrado à cidade em 2008, pois durante décadas esteve ocupado de forma ilegal por grupos particulares que exploravam a área. Ironicamente, sua recuperação ocorreu graças a iniciativa privada que para explorar a construção de prédio nas redondezas foi obrigada a investir na construção do Parque do Povo.

No quadro de imagens acima, além de fotografias feitas pela Cátia Toffoletto você verá imagens enviadas por ouvintes-internautas dos parques da Água Branca, da Luz e do Povo. A escolha do local visitado pela reportagem da CBN também tem a participação do público que envia suas sugestões para nós por e-mail ou as deixa registrada no blog.

Como estou de férias, sugiro que o seu material com nome do parque, histórias ou personagens interessantes seja enviado para fabíola.cidral@cbn.com.br.

Avalanche Tricolor: É muito bom ser pai desses meninos

    Grêmio 3 x 0 Botafogo
    Brasileiro – Olímpico Monumental

    Olímpico Monumental

    Os foguetes começaram a estourar logo cedo. Alguns ônibus já estavam estacionados perto de casa e torcedores improvisavam o local para o churrasco. Ouviam-se gritos à distância e camisas do Grêmio desfilavam na calçada diante da casa de minha infância e adolescência. Foi ali que meu coração foi forjado gremista e minha alma, imortal.

    O clima era de decisão como tantas que havia assistido em meu passado porto-alegrense, boa parte delas com o direito de me iludir com os ídolos e me enganar com as promessas de vitória. Às derrotas, havia meu pai suficientemente maduro e calejado para me consolar.

    Hoje não, o pai era eu. Quem havia motivado os meninos para viajar à Porto Alegre e torcer pelo Grêmio no Monumental, neste começo de férias, é quem teria de assumir a responsabilidade pelo feito (ou desfeito).

    Por que não levá-los à primeira partida no Olímpico em jogo menos complicado? Quem sabe um de campeonato Gaúcho, desses por onde comecei a saborear o gosto pelas conquistas? Fui escolher logo uma “final” de Brasileiro, com a difícil tarefa de vencer e esperar um resultado externo para saber se teríamos o direito de estar mais uma vez na Libertadores.

    E se nada desse certo? O resultado ruim, a frustração, o estádio lotado de tristeza, os meninos me olhando querendo entender tudo aquilo ? Será que encontrarei lugar para eles sentarem e assistirem à partida com segurança?

    Nessas horas, tudo ganha uma dimensāo muito maior do que deveria. Tinha a responsabilidade de transformar aqueles momentos em algo especial, mesmo que boa parte do espetáculo não dependesse apenas de mim.

    Os meninos foram se vestir para o jogo, e buscaram na mala camisas azuis, sem que eu pedisse – davam sinal de ansiedade, também.

    Lá fora, a música entoada pelos torcedores aumentava, ainda faltavam algumas horas para seguir ao estádio, apesar de minhas preocupações já terem percorrido toda a curta caminhada até o nosso destino.

    Churrasco em família encerrado, não dava mais para recuar. Era hora de sair para ver o Grêmio no Monumental. É bem diferente do que vê-lo em qualquer outro lugar, muito mais do que torcer por ele diante da televisāo como os acostumei.

    Saí de casa de mãos dadas com os dois, e havia ainda a companhia dos meus irmão e sobrinho, ambos neófitos nestas caminhadas até o estádio – torcem pelo Grêmio sem sofrimento, na maior parte das vezes de ouvido apenas.

    Em Familia

    Tantas dúvidas e apreensões não resistiram atė a esquina da Saldanha Marinho, rua que sempre marcou o início do meu passeio ao Olímpico. Os primeiros passos na companhia deles foram suficientes para perceber quanta bobagem desnecessária havia passado pela minha cabeça. Temer o quê, se estar ali com meus dois filhos – acrescido de mais dois caras muito legais em minha vida – era, sim, o mais importante. Maior do que qualquer outra coisa que o futebol pudesse me proporcionar.

    Entrar no Pórtico dos Campēoes com eles em meio a multidão entusiasmada de gremistas foi especial, estávamos quase correndo como se não suportássemos mais a ansiedade de entrar no estádio e encontrar nosso lugar para gritar e comemorar aqueles instantes juntos.

    Pouco antes de subirmos ao nosso espaço não-reservado, encontrei dois velhos conhecidos. Verardi, eterno supervisor do clube, e Pedrão, antigo segurança sempre presente ao lado do time. Foi ele quem me lembrou de frase-lamento que repeti várias vezes ao meu pai sempre que uma adversidade surgia no caminho do Grêmio: “estão nos roubando, pai!?”

    Desta vez ninguém me roubaria a alegria de estar com meus dois filhos no Monumental, independentemente da estratégia armada pelos técnicos e do jogo jogado pelos times.

    Quis o destino, porém, que a alegria fosse completa.

    Meu time e a minha torcida foram cúmplices da satisfação de cantar trechos do hino rio-grandense ao lado dos meninos, de aplaudir a escalação e a movimentação dos jogadores, de socar o ar na bola que explodia no travessão ou fora tirada do adversário com um elegante carrinho.

    Foram cúmplices na festa do gol, dos três gols, emocionantes gols marcados por nossos ídolos. Os de André, Jonas e Douglas. Os evitados por Vítor e Paulão. Os quase feitos por Clementino. Os que se tornaram possíveis graças a inteligência emocional de Renato.

    Meu prazer, nosso prazer, de estarmos pulando, abraçando um ao outro, rindo dos torcedores boca suja, vibrando com o resultado e pedindo sorvete para matar a sede me fez criança como eles. Como na época em que eu era eles. Em que eu era apenas um menino apaixonado pelo seu time.

    Hoje, sou o pai desses meninos. Meus meninos gremistas.

    Vibrar