O trauma de um ônibus queimado

 

Por Adamo Bazani

Ônibus queimado em São BernardoIndignação e trauma. Estes eram os sentimentos dos funcionários da Auto Viação ABC Ltda. Nessa terça-feira, 3 de agosto, o Caio Apache Vip II, prefixo 233, da empresa foi cercado por criminosos na rua dos Feltrins, bairro Demarchi, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.

Com truculência, o grupo obrigou motorista, cobrador e passageiros da linha 409 (Estação Santo André/ Jardim LasPalmas) a abandonarem o veículo. Todos tiveram de sair correndo. Em poucos segundos, após ser banhado de combustível, provavelmente gasolina, o ônibus virou uma enorme tocha de fogo. Felizmente ninguém se feriu, fisicamente.

A gerência da empresa falou ao ‘Ponto de ônibus” e foi possível constatar o sentimento de perda, não de um veículo apenas, mas de confiança, da sensação de segurança. Os funcionários ficaram traumatizados, muito assustados e precisaram ser amparados. Com os passageiros não foi diferente.

Mesmo se tratando de uma ação que dizem ser isolada e, provavelmente, não vai ocorrer todo o dia no mesmo local, a marca permanece. Enquanto estes criminosos ficam impunes, o motorista, cobrador e os demais passageiros vão ter de continuar a vida, trabalhar. E, como as vezes o País passa a sensação de que o trabalhador tem menos oportunidades e benefícios que o criminoso, voltar a Rua dos Feltrins não vai ser a mesma coisa. Talvez, enquanto estávamos conversando com a gerência da empresa ou escrevendo o post, os criminosos até tenham voltado ao local para ver os restos do ônibus, como se fosse um troféu.

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Um desastre com vista para a Guarapiranga

 

Guarapiranga, a represa

A represa de Guarapiranga é dos principais mananciais do estado de São Paulo e responsável pelo abastecimento de 3,8 milhões de pessoas. Uma área de beleza cobiçada que foi tomada de construções irregulares nas últimas décadas. Calcula-se que a população que vive no seu entorno chegue a 800 mil pessoas, ocupação que cresceu em 40% entre os anos de 1991 e 2000.

Houve uma série de medidas para coibir estas invasões, a partir de regras municipais como o Plando Diretor Estratégico e estaduais, porém um decreto do prefeito Gilberto Kassab (DEM) volta ameaçar a região. O texto publicado no Diário Oficial permite a construção de habitação popular em Zonas de Preservação Permanente desde que haja liberação da prefeitura. De acordo com informação levantada pelo jornal O Estado de São Paulo o objetivo do governo municipal é facilitar a construção de prédios populares nas áreas próximas das represas de Guarapiranga e Billings, onde ocorre processo de reurbanização de 64 favelas.

O promotor de Justiça do Meio Ambiente da Capital José Eduardo Lutti disse no CBN SP que vai abrir inquérito para investigar o caso pois considerou a medida “um desastre administrativo”. Ele comentou que a prefeitura é incompetente para administrar o problema das invasões e, por isso, adota ações como esta que causará prejuízos ambientais ainda maiores na região.

Ouça a entrevista do promotor de Justiça do Meio Ambiente da Capital José Eduardo Lutti ao CBN SP e do especialista em direito ambiental Virgilio Alcides de Farias, do Movimento em Defesa da Vida da Região do Grande ABC

A prefeitura de São Paulo foi convidada a falar sobre o tema, mas não se pronunciou.

Campanha “Quero casa, não quero estádio”

 

QUERO-QUERO 2

Indignado com o rumo da discussão sobre investimentos para a Copa do Mundo de 2014, o ouvinte-internauta Severino Ramos decidiu lançar por conta própria campanha para sensibilizar as autoridades públicas deste País. Criou o slogan, desenhou um selo e mandou a justificativa para o CBN São Paulo. Leia e se concordar deixe seu recado e mande o desenho pra frente. Se discordar, dê suas razões. E vamos discutir o tema juntos.

“O quero-quero é um bicho esquisito tem um corpo carnudo e um par de pernas finas e longas e um topete pra trás.
É comum vê-los nos campos de futebol, fazendo uma barulheira danada e vibrando uma das patas na grama como um drible de Robinho para confundir sua presas e capturá-las. Porém faz seu ninho no chão e sua casa é em qualquer lugar.

Em 2014 quero 1 estádio de 650 milhões ou 13.000 casas populares?

Um abraço,
Severino Ramos”

Conheça ônibus da nova empresa de Mauá

(Com atualização às 14:08)

 

Grupo de Curitiba deve começar a operar ainda em agosto e pretende transformar o transporte de passageiros de uma das cidades mais carentes de ônibus da Grande São Paulo.

Ônibus da Leblon

Por Adamo Bazani

O ônibus que você vê com exclusividade neste post passará a rodar em Mauá com o desafio de mudar o cenário de um dos sistemas de transportes mais complicados na região metropolitana de São Paulo. É de propriedade da Leblon Transporte, do Paraná, que ganhou a licitação do segundo lote operacional, em 2008, mas que ainda não presta serviço porque o Grupo TransMauá contesta na justiça o resultado do certame.

A TransMauá, atualmente, opera sozinha todas as linhas de ônibus do município. No lote 1, através da Viação Cidade de Mauá, antiga Barão de Mauá; e no lote 2, pela Viação Januária.

A prefeitura admitiu que a cidade tem um dos sistemas mais complexos e carentes da Grande São Paulo. Além de investimentos públicos em obras a partir de um cronograma de pavimentação e recapeamento de vias, reformas de terminais e mudança em algumas das principais linhas, a aposta é que a entrada de nova empresa no setor represente melhora significativa no serviço prestado.

Ao permitir que mais de um grupo opere na cidade, algo que há muito tempo não ocorria, Mauá estimulará a disputa pelo passageiro resultando avanços na qualidade do serviço.

Até aqui o que se vê é a troca de ônibus velhos por ônibus um pouco mais novos. Às vezes são colocados nas linhas carros “zero quilômetro”, mas apenas o mínimo exigido para atender as leis de acessibilidade e reduzir a idade média da frota, também uma demanda legal. A Leblon colocará em Mauá uma frota novinha em folha. Todos os ônibus serão “zero quilômetro” como este Torino, da foto exclusiva. Os ônibus serão carroceria Marcopolo, incluindo micros, midis (micrões) e articulados Volvo, modelo Gran Viale. Serão 75 em operação mais carros reservas, totalizando 86.

Outra boa expectativa em relação à entrada da Leblon é a tradição e o retrospecto do grupo empresarial de Curitiba. A capital paranaense que é referência mundial em transporte público, desde 1974, com a implantação do primeiro BRT (Bus Rapid Transit) do planeta, conta com os serviços da Leblon há várias décadas.

Em 1969, a empresa começou com serviços escolares e fretamento. Em 1982, entrou para o serviço urbano no Paraná, com a linha Fazenda Rio Grande. No ano de 1989, foi a primeira empresa a integrar o sistema integrado da Região Metropolitana de Curitiba.

ônibus da Leblon tem águiaHaroldo Isaak, proprietário do Grupo Leblon, falou sobre o que a empresa vai oferecer de diferente para os passageiros de Mauá:

“Além de seguir todas as normas de segurança, conforto e acessibilidade, vamos oferecer mais ainda para os passageiros e nossos funcionários em Mauá. Os ônibus serão dotados de câmeras internas e externas para inibir a violência, a evasão de receitas, o vandalismo e até mesmo elucidar acidentes de trânsito. Todos terão cofres temporizados, o que também inibe a ação de criminosos, proporcionando mais segurança a quem trabalha e viaja”.

Haroldo aproveita para lembrar das conquistas obtidas pelo Grupo Leblon Transporte no setor:

“Somos a empresa de ônibus urbanos mais antiga em operação a ter o ISO 9000, certificado de qualidade obtido em 1997, com o processo para a certificação iniciado em 1995. Fomos finalistas do Prêmio da ANTP – Associação Nacional dos Transportes Públicos, o que nos orgulha muito, mostra que nosso trabalho está no caminho certo. Mas sempre vamos partir para uma melhora constante.”

A águia pintada na lataria do ônibus com efeito formado por qautro rostos é símbolo da empresa e tem o intuito de evidenciar as principais características do animal: visão, força e agilidade.

“Esperamos trazer o melhor para Mauá e, logo de início, instruir nossos funcionários a valorizar quem usa ônibus, que não é apenas um usuário, mas um cliente” – diz Haroldo.

A estimativa é de a empresa começar a prestar serviços já neste mês de agosto

Adamo Bazani, repórter da CBN e busólogo, escreve no Blog do Mílton Jung

Foto-ouvinte: kombi reciclável

 

kombi reciclagem

A cidade faz de conta que leva a coleta seletiva a sério enquanto uma rede paralela faz do material reciclável sua forma de vida. E usa dos recursos que tem em mãos para levar tudo aquilo que seria desperdiçado na lata de lixo do paulistano por falta de um serviço oficial capaz de atender a demanda existente na capital. A kombi acima, fotografada pelo ouvinte-internauta e colaborador deste blog Marcos Paulo Dias, passava pela rua Manuel Jorge Ribeiro, no bairro da Penha, zona leste. Capenga, assim como a estrutura montada por São Paulo na coleta seletiva, mas sobrevivente.

Comandante da Rota diz que foi salvo “graças a Deus”

 

Vítima de atentado e alvo de 11 tiros na manhã de sábado, o comandante da Rota em São Paulo, Paulo Telhada, disse que não morreu “graças a Deus” e tomará ainda mais cautela, pois “você sempre espera que tenha problemas, agora [quando ataca] a sua casa é complicado”.

Ele afirmou em entrevista ao CBN São Paulo que a polícia não mudará sua forma de atuar contra o crime organizado e os ataques que ocorreram no fim de semana sinalizam que o trabalho da segurança pública no Estado incomoda os criminosos.

Para ele, muitas outras coisas precisam mudar, a começar pela “glamorização dos bandidos”. Telhada disse que “bandido aparece na mídia andando com mulheres bonitas” e visto como “um coitadinho, enquanto a polícia é algoz”. O comandante da tropa de elite da polícia paulistana voltou a falar em Deus quando comentou que “homem que vai a Igreja não mata”.

Um dos fatos que chamaram atenção é que para Telhada o homem que foi morto após participar de atentado contra o quartel da Rota é um egresso do sistema penitenciário, viciado em droga, que teria dívidas a pagar e, por isso, teria sido obrigado a participar da ação. Porém, o comandante preferiu não comentar sobre o fato de que o sistema prisional não é capaz de recuperar as pessoas que cumpriram pena pelo crime cometido.

O tenente-coronel Paulo Telhada nega que alguma facção criminosa domine os presídios no Estado de São Paulo e entende que é prematuro afirmar que os ataques contra ele e o quartel da Rota tenham relação com o incêndio de carros.

Ouça a entrevista completa do tenente-coronel e comandante da Rota Paulo Telhada ao CBN São Paulo

Ficha Limpa pode impugnar 60 candidaturas, em SP

 

ficha-limpa-limpaApós analisar a ficha e os cadastros de 3.100 candidatos, a Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo pediu a impugnação de 1.486 registros, entre eles o do deputado federal Paulo Maluf (PPS) que concorre à reeleição. Assim como o ex-prefeito, 60 candidatos podem perder o direito de disputar esta eleição por não atenderem as exigências da Lei Ficha Limpa.

De acordo com o Procurador Regional Eleitoral de São Paulo Pedro Barbosa Pereira Neto foram apontados problemas, também, na candidatura de Paulo Skaf (PSB) ao Governo de São Paulo. O empresário não apresentou documento que comprove o afastamento dele da presidência da Fiesp dentro do prazo previsto em lei eleitoral. Neste caso, porém, o próprio procurador entende que basta o envio do documento.

Todos os pedidos de impugnação serão julgados pelo TRE-SP, tendo os candidatos ainda direito de recorrer ao TSE.

Ouça aqui a entrevista com o Procurador Regional Eleitoral de São Paulo Pedro Barbosa Pereira Neto, ao CBN SP


Agora o outro lado

A assessoria do candidato Paulo Skaf enviou nota sobre o assunto:

“O entendimento dos advogados da campanha é que a Fiesp não é entidade sindical, assim, Skaf não estaria sujeito às regras de desincompatibilização de outros órgãos sindicais. Ainda assim, por excesso de zelo, e para que não fosse alegado durante a campanha o uso da máquina da entidade em prol da candidatura, o candidato do PSB se licenciou da presidência da Fiesp dentro do prazo legal. Hoje mesmo será entregue à Justiça Eleitoral um documento com tal comprovação, com o intuito de sanar eventuais dúvidas da Procuradoria”

O horário eleitoral não é gratuito

 

Por Antonio Augusto Meyer dos Santos

Entre os dias 17 de agosto e 30 de setembro, todos os canais de TV aberta, além dos canais a cabo sob responsabilidade do Senado, da Câmara dos Deputados, Assembléias Legislativas e Câmaras Municipais, estarão obrigados a transmitir os “produtos” que candidatos, partidos e coligações elaboraram na tentativa de influenciar e obter o voto do eleitor no primeiro turno. Durante os 45 dias deste período, os pretendentes aos cargos de Presidente e Vice-Presidente da República, Governador e Vice-Governador de Estado, Senadores, Suplentes, Deputado Federais e Estaduais irão usufruir de 3.780 minutos naquele que é conhecido como horário eleitoral gratuito de rádio e televisão.

Todavia, esclareça-se que esta propaganda é denominada de “gratuita” somente porque os atores do cenário eleitoral suportam apenas os encargos com a produção dos programas, nada desembolsando quanto à utilização do espaço de exibição naqueles que também ficaram conhecidos (e negociados) como “horários nobres” da televisão. É que a União Federal confere isenção fiscal ao valor que seria cobrado por inserções comerciais não-obrigatórias. Por outras palavras: o pagamento deste espaço e de seus respectivos impostos é remetido ao contribuinte.

Para esta eleição, há uma estimativa de que as 4.254 concessões públicas nacionais deixem de recolher o equivalente a R$ 851 milhões durante aquelas 63 horas de programação compulsória. As emissoras deduzem aproximadamente 80% do que receberiam se o período destinado ao horário eleitoral gratuito fosse vendido para o horário comercial normal.

Diante disso e, principalmente, dos resultados de diversas pesquisas apontando que expressiva maioria de entrevistados admite que este horário influencia a sua decisão, mais do que nunca se faz necessário valorizar o voto. Uma vez que um mandato é de no mínimo quatro anos e o eleitor é o destinatário desta conta, nada mais coerente do que juízo crítico, conscientização e valorização da cidadania. Assistir, avaliar, escolher e votar. Esta é a postura. O resto é lamúria.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor do livro “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.

Quando bicicleta e carro se entendem

 

Na leitura do Blog MacFuca me chamou atenção a imagem da bicicleta acima em destaque num espaço sempre destinado ao mais popular de todos os carros. Logo identifiquei o motivo: a bike tem a assinatura da Volkswagen.

A fabricante alemão desenvolveu este modelo elétrico, sem pedais, dobrável e pronta para ser levada no espaço destinado a estepe do carro. Enquanto é transportada pode ter a bateria recarregada no próprio veículo. Ou, então, em uma tomada elétrica.

A ideia, apresentada na Auto China 2010, é oferecer ao cidadão a oportunidade de usar os dois modais em um deslocamento na cidade. O carro trafegaria nas distâncias maiores e ficaria em um estacionamento quando a bicicleta fosse usada para encarar as áreas mais congestionadas ou com trânsito restrito.

Ônibus movido a passageiro

 

Onibus movido a passageiro
Por Devanir Amâncio
ONG Educa SP

Não é fácil andar de ônibus em São Paulo.

Na tarde de sexta-feira(30/7), às 16h10,um ônibus quebrado – de bancos duros – propiciou um belo espetáculo de solidaridade para quem estava passando pela Rua Roberto Simonsen, no Centro. O veículo, de número 81 895, da Empresa Transpass-Consórcio Sudoeste, que faz a linha Jardim Bonfiglioli-Belém, abriu o bico naquela rua estreita que remete a São Paulo do século XIX. E tanto transtorno produziu em curto tempo que o motorista, desesperado, recorreu à boa vontade dos homens simples , inclusive aos próprios passageiros. Cerca de 10 juntaram forças e entre um “agora e vai !”, fizeram o ônibus pegar no tranco para seguir viagem. Sob aplausos, partiu soltando tochas de fumaça preta. João Luís, o João da Marmita , desabafou : “Só faltava essa!.. Precisar empurrar ônibus para ir trabalhar.”

O problema remete ao curioso cenário do transporte público na Cidade. Pelo seu potencial econômico, a atividade certamente fez dos permissionários um núcleo empresarial de causar inveja. E pelo que se lê na imprensa, essa mesma circunstância deu-lhes grandes poderes políticos, que, é claro, não revertem em favor da população usuária. Eles adotam, conforme o dito popular, apenas a política do “venha a nós”, sem nada dar em troca, como atesta a pane – fruto da má manutenção – sofrida na Rua Roberto Simonsen, altura do número 62. Com certeza, o esforço das pessoas que o empurraram não será levado em conta no próximo pedido (e as pressões recorrentes) de aumento das tarifas. Para usar um recurso literário, a população continuará empurrando seus lucros.