Skate ameaçado no Parque da Independência

 

Skate Independência

A prefeitura diz que não tem nada decidido. Mas o recado já foi passado aos skatistas: a partir de 8 de agosto quem insistir em andar na ladeira do Parque da Independência pode ser preso e ter o skate recolhido. Haveria reclamações quanto ao risco que a prática do esporte gera aos demais visitantes, de acordo com o conselho gestor do parque onde está o Museu do Ipiranga.

Há décadas o local é usado pela turma do skate, mas parece que agora a pressão para impedir a ´brincadeira´ pode acabar com o espaço. Durante o CBN São Paulo, a secretaria municipal do Verde e Meio Ambiente enviou uma nota na qual informa que a proibição ainda não está decidida:

“A Secretaria do Verde se reunirá com o Conselho Gestor e representantes dos diversos segmentos de usuários do parque, inclusive com os skatistas, para definir um procedimento de comum acordo. A prática de skate no parque tem causado acidentes e os usuários têm se queixado junto à Administração”

O skatista Carlos Alberto Sales, por e-mail, diz que gostaria de saber de onde partem as reclamações e se existem registros dessas queixas dos usuários. Ele desconfia que isto esteja muito mais ligado a incompreensão dos atuais gestores do parque:

“A maioria dos colegas skatistas é consciente dos riscos e toma as providências quanto ao uso de equipamentos e aos cuidados com a velocidade para evitar a colisão entre si e com os pedestres. Muitos já frequentam o local há anos, conhecido como berço do skate em São Paulo …a “meca” do esporte no Brasil . Assim como eu, meus colegas têm idade acima dos 40 anos, são maduros e responsáveis, são pais de familia…e a maioria dos skatistas do local tem este perfil. Foi só mudar o conselho de Gestão do Parque este ano que começaram os boatos sobre a proibição … creio que isto reflete a opinião pessoal dos Gestores que não analisam a história deste espaco tão importante para o skate não só de Sao Paulo”.

Uma das preocupações dos skatistas é que se o local tiver acesso restrito, muitos irão praticar o esporte em ruas e avenidas, aumentando o perigo de atropelamentos e acidentes graves. Um abaixo-assinado corre na internet com o objetivo de mobilizar os skatistas e simpatizantes para que o espaço seja preservado. E você pode acompanhar a mobilização dos skatistas no site Quintal do Ipiranga.

Em tempo:

(atualizado e corrigido às 19h24)

De acordo com informações da jornalista Marilia Fakin (que você vê na foto), dia 8 de agosto haverá manifestação de skatistas no Parque da Independência. O movimento pela liberação do skate já esteve reunido neste fim-de-semana por lá com o objetivo de chamar atenção dos frequentadores para a tentativa de se proibir a prática também de bicicleta e patins no local. Na oportunidade foi lembrada, ainda, a morte de Rafael Mascarenhas, filho de Cissa Guimarães, atropelado e morto terça-feira quando andava de skate em um túnel fechado, no Rio.


A foto deste post é de autoria de Leonardo Berno, publicada originalmente no site da Waves

Pesquisadores querem conhecer efeitos do Adote

 

adotePrestes a completar dois anos, o projeto Adote um Vereador reúne um número razoável de pessoas a controlar o trabalho de parlamentares, não apenas em São Paulo, além disso serve para dar publicidade a importância de o cidadão controlar os políticos. A mobilização interessou pesquisadores que indicaram o programa na rede Technology for Transparency, do Global Voices, que agora pretendem se aprofundar em um estudo de casos de impacto ligados a ideia do Adote.

Um dos resultados mais interessantes do envolvimento dos cidadãos no projeto foi a pressão exercida na Câmara Municipal para que os vereadores divulgassem os documentos fiscais que comprovam os gastos com a verba de gabinete.

Cada vereador pode usar até R$ 14.859,38 por mês para comprar material de escritório, correio, combustível, consultoria e transporte, além de cobrir os custos com telefone e aluguel de carro. O que não foi utilizado em um mês fica acumulado para os meses seguintes. O valor e a forma de utilizar a verba de representação estão previstas em lei. Os parlamentares eram obrigados apenas a divulgar onde usavam este dinheiro, mas o cidadão não tinha acesso as notas fiscais e recibos.

Havia uma série de reportagens na mídia sobre o assunto, envolvendo o Senado brasileiro devido a prestação de contas irregulares. O “adotador” Clóvis Pereira, morador do bairro de Perus, zona sul de São Paulo, através de e-mail, cobrou do seu “adotado”, o vereador e líder do Governo Kassab José Police Neto (PSDB), uma postura sobre o tema na Câmara paulistana. Pediu para que ele divulgasse os dados independentemente da existência de regras sobre o assunto na Casa. A resposta do vereador foi que ele era a favor da divulgação das notas fiscais, mas que havia um compromisso com os demais líderes de partidos para que isto somente fosse feito quando todos aceitassem adotar o procedimento.

A opinião do vereador José Police Neto, bastante influente na atual legislatura, ganhou projeção, pois o diálogo entre “adotado” e “adotador” foi enviado ao CBN São Paulo. Quando divulguei a resposta do parlamentar, questionei se o compromisso do vereador tinha de ser com os colegas de parlamento ou com o cidadão. Constrangido, José Police Neto levou a questão para a reunião de líderes e declarou no encontro que não iria ficar com o ônus da decisão de manter em sigilo os documentos fiscais, em nome do compromisso assumido internamente.

A partir daí, o colégio de líderes resolveu levar a público toda a documentação que, agora, é publicada com a prestação de contas no site da Câmara Municipal de São Paulo.

Com as informações à disposição, identificou-se a dificuldade para se realizar o cruzamento das contas de todos os 55 vereadores, pois a forma com que eram publicadas impedia o cruzamento de dados. O tema passou a ser discutido publicamente entre os integrantes do Adote um Vereador, através do CBN São Paulo, dos blogs que integram a campanha e nas reuniões mensais do grupo.

Motivado pelo debate, o programador Maurício Maia desenvolveu um programa pelo qual é possível ‘raspar’ os dados da prestação de contas facilitando a pesquisa do cidadão em relação a seu vereador, partido e empresa prestadora de serviço. O site tem visual simples e se torna fonte de consulta importante para quem pretende avaliar o comportamento dos parlamentares com a verba de gabinete (leia mais sobre o assunto).

Recentemente, graças a prestação de contas detalhada com a apresentação de notas fiscais e recibos, o jornal O Estado de São Paulo identificou que empresas contratadas por alguns vereadores tinham problemas de registro e não estavam regularizadas para prestar o serviço para o qual estavam sendo pagas com dinheiro público.

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Ação de padrinho do Adote em destaque

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Adote um Vereador é destaque no Global Voice

Cobradores devem voltar aos ônibus de Santo André

 

Após recesso, vereadores da cidade do ABC Paulista discutem o retorno da função dos cobradores de ônibus. Há proposta, inclusive, para extinguir os micro-ônibus

Curuçá, micro-ônibus em Santo André

Por Adamo Bazani

A pauta da Câmara de Vereadores de Santo André está lotada. Além de o Orçamento Municipal, a polêmica questão do Código de Ética e Decoro Parlamentar Municipal que se arrasta há mais de 12 anos promete muitas discussões. Mas os vereadores também têm outros assuntos considerados delicados para discussão. A maior parte deve ser debatida após as eleições de outubro.

Entre os temas em destaque está a volta dos cobradores nos ônibus do sistema municipal. Um dos vereadores a encabeçar a proposta é José Montoro Filho, o Montorinho, do PT. Segundo o parlamentar, a ausência dos cobradores acarreta vários problemas. O primeiro é a falta de segurança no trânsito. Para receber o dinheiro das passagens, fazer troco e liberar a catraca, os motoristas, segundo ele, correm o risco de se distrair e se envolver em acidentes. Isso porque, após fechar as portas, para evitar congestionamentos e driblar a impaciência até mesmo de colegas de trabalho parados no ponto logo atrás, o motorista já tem de colocar o ônibus em funcionamento, mesmo ainda cobrando as passagens dos usuários que acabaram de embarcar.

Outro aspecto é em relação à qualidade de vida e de trabalho dos funcionários. Numa reunião entre os vereadores e o Sindicato dos Rodoviários do ABC Paulista, na Câmara, a entidade representativa dos trabalhadores afirmou que aumentou o número de afastamentos por conta de estresse e depressão (leia mais sobre o assunto aqui). “O motorista se sente muito pressionado, é muita responsabilidade para ele” – afirmou Montorinho.

O Sindicato afirma que o acúmulo de funções é ilegal e fere dispositivos constitucionais.

A preferência dos usuários pela figura do cobrador nos ônibus também foi discutida. Segundo os debates, os passageiros se sentem mais seguros com a presença do profissional no ônibus, que acaba não servindo apenas para receber dinheiro e dar troco, mas torna-se um auxiliar do motorista, informando os passageiros, identificando itinerários para condutores novos e controlando a entrada e saída de usuários.

Atualmente, na cidade de Santo André não possuem cobradores apenas os micro-ônibus e os midis (micrões) que juntos, representam cerca da metade do sistema municipal que conta com quase 300 ônibus. Há empresas que sequer possuem uma única linha com cobradores.

Montorinho pede a presença destes profissionais até nos micro-ônibus.

Já o vereador Antônio Leite, também do PT, foi mais enfático. Ele quer a retirada dos micro-ônibus da cidade. Afirma que os veículos são inseguros e impróprios para horários com lotação maior, tirando todo o conforto e impedindo a locomoção fácil dos passageiros dentro dos veículos.

Em entrevista ao Jornal ABCD Maior, o presidente da AETC-ABC – Associação das Empresas de Transportes Coletivos do ABC, Baltazar José de Souza, afirmou que se fossem retirados os micros e colocados os cobradores, os custos do sistema aumentariam e seriam necessários reajustes no valor das passagens. Além disso, enfatiza a dificuldade de operação de ônibus grandes em alguns locais. Baltazar diz que a população gosta dos micrões – veículos um pouco menores que os convencionais, mas que não possuem cobradores.

A persistirem em suas posições, os vereadores aprovarão o retorno dos cobradores:

Vereadores favoráveis a obrigatoriedade dos cobradores 

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Montorinho (PT), Tiago Nogueira (PT), Antônio Leite (PT), Cláudio Malatesta (PT), Jairo Bafile (PT), Jurandir Gallo (PT), Pinheirinho (PT), Alemão do Cruzado (PSL), Marcos Cortez (PSDB), Donizeti Pereira (PV), Gilberto do Primavera (PTB), Isqueiro (DEM), Ailton Lima (PDT), José Ricardo (PSB), Sargento Juliano (PMDB)

Vereador contrário a obrigatoriedade dos cobradores –
José de Araújo (PMDB)

Vereadores indecisos –
Paulinho Serra (PSDB), Bahia (DEM), Israel Zekcer (PTB), Marcelo Chehade (PSDB)

Adamo Bazani é jornalista da CBN, busólogo e escreve no Blog do Mílton Jung

Falta cidadão na Câmara Municipal

 

adoteO que precisa mudar na Câmara Municipal de São Paulo ?

Foi a pergunta que fiz a Sonia Barboza, do Voto Consciente, em entrevista na qual  pretendia avaliar o trabalho do legislativo paulistano. Ela me surpreendeu com a resposta. Em lugar de cobrar dos vereadores, chamou atenção para a baixa participação do cidadão no parlamento.

Ouça a entrevista de Sonia Barboza ao CBN São Paulo

Tem razão, Sonia. A Câmara que temos é a que escolhemos. E se nos mantivermos distantes, é a que teremos para sempre. Pouco adianta cobrar do vereador que ele tome decisões compatíveis com o meu pensamento, que atue de maneira apropriada a um representante do cidadão, se este – o cidadão – não demonstra interesse nem está atento ao trabalho realizado por lá.

Sei que estamos em uma democracia representativa. Escolhemos o vereador – assim como escolheremos o presidente, o governador, os senadores e os deputados federal e estadual – para que ele decida em meu nome. Mas não é assim que funciona. Eu sei e você, também.

Por isso, precisamos controlar os passos que estes representantes dão. Devemos mostrar a eles que estamos de olho no que fazem ou deixam de fazer. Que os fiscalizamos.

A presença do cidadão na Câmara é essencial. E os integrantes do Voto Consciente sabem a diferença que isto faz na vida do parlamento, assim convocam todos os eleitores a comparecerem nas sessões em plenário, nos encontros das comissões e nas audiências públicas.

Sonia Barboza aproveitou a entrevista para convocar os eleitores a assistirem o seminário que se realizará, no dia 9 de agosto, às 10 da manhã, quando a prefeitura explicará os critérios que utiliza para definir os investimentos na área de saúde.

Após a entrevista dela no CBN SP, recebi várias mensagens de ouvintes-internautas comentando sobre o horário do encontro que se realizará no momento em que estão trabalhando. É verdade. Dez da manhã tem muita gente no emprego. Mas duvido que seja este o principal motivo para a ausência do cidadão na Câmara. Mesmo que a reunião fosse à noite, os mesmos alegariam outras razões para não participar.

Infelizmente, não faz parte do nosso cotidiano acompanhar o trabalho parlamentar. Há um descrédito preocupante em relação ao papel dos políticos, sem dúvida. Mas a ausência ocorre muito por inércia da sociedade.

Tem gente, por exemplo, que se apresenta como apolítica, como se fosse possível viver sem esta. Esquecem que as decisões tomadas no parlamento mexem com a nossa vida. Razão pela qual promovo à exaustão a ideia do Adote um Vereador.

É preciso estar de olho no que fazem na Câmara Municipal para não sermos surpreendidos com medidas estapafúrdias que prejudicam o nosso dia a dia.

Controle os políticos, antes que eles controlem você.

Eleitor paulista é de centro-direita, diz cientista

 

adoteA disputa dos adversários de Geraldo Alckmin (PSDB) na corrida ao Governo de São Paulo é para chegar ao segundo turno. E, dificilmente, Marta Suplicy (PT) perde uma das duas vagas ao Senado. A opinião é do cientista político e professor da Fundação Getúlio Vargas Fernando Abrúcio ao comentar o resultado das pesquisas eleitorais divulgadas pelo Instituto Datafolha.

Abrúcio disse que o PSDB é muito forte no interior do Estado, por isso a dificuldade para Aloísio Mercadante (PT) se aproximar dele. Além disso, o eleitorado paulista tem uma tendência de centro-direita o que daria vantagem ao tucano mesmo na disputa em segundo turno. Para o cientista político, o candidato petista dependeria muito dos votos da região metropolitana e de maior identificação com o presidente Lula e a candidata à presidência Dilma Roussef.

Na disputa ao Senado, na qual Marta aparece como líder, Abrúcio acredita que quatro nomes disputem a segunda vaga: Oreste Quércia (PMDB), Netinho (PC do B), Aloísio Nunes (PSDB) e Romeu Tuma (PTB). Ele disse que a desinformação do eleitorado em relação aos candidatos a senador ainda é muito grande.

Para Abrúcio, entrevistado do CBN SP, será possível ter uma ideia melhor sobre o cenário eleitoral duas semanas após o início do horário eleitoral.

Ouça a entrevista de Fernando Abrúcio ao CBN SP

Os 13 candidatos ao Senado pelo Estado de São Paulo foram convidados pelo CBN SP para participarem de entrevistas. Os candidatos a governador também terão oportunidade de conversar com o ouvinte da CBN.

Campanhas tímidas e reprimidas

 

Por Antonio Augusto Mayer dos Santos

Antes, logo na arrancada das campanhas eleitorais, as cidades amanheciam “sinalizadas” com banners, pirulitos, faixas e cartazes colados em tapumes, praças e até no chão. Por conta disso, principalmente dos excessos, a propaganda eleitoral em bens públicos exigia a imposição de regramentos e limitações porquanto a maioria dos candidatos abusava da liberdade e poluía passarelas, postes e calçadas. Mais quem isso: não retirava o material de campanha após o pleito. A propaganda remanescia de um pleito para o outro, deixando o que já não era muito limpo e agradável ainda mais horrendo. Entretanto, agora, o excesso de vedações e restrições decorrentes reveste a ação dos candidatos de uma temeridade jamais vista. Hoje, contudo, vigora o excesso de regulamentação, a burocratização legal e o irrealismo.

Prova disso é que passado o primeiro mês de campanha, está tudo discreto e severamente vigiado. Vejamos por quê. Há necessidade do material impresso (santinhos, jornais, etc) reservar espaços para a propaganda dos majoritários (governo, senado). Tudo que for impresso por candidatos e coligações deve identificar quem produziu. Um pintor de muro ou cabo eleitoral podem vulnerar contabilmente uma prestação de contas. A eliminação da verticalização, que vigorou em 2002 e 2006, se a um ângulo liberou para coligações nacionais e estaduais, a outro complicou para a confecção das propagandas. Uma simples fotografia ou referência jornalística de um parlamentar ou de um candidato sem mandato mas com intensa atividade social, gera temor de representação ou denúncia. Os doadores de campanha, injusta e sistematicamente demonizados a cada pleito num cenário de constante “moralização das campanhas”, receosos do endurecimento da lei com relação a si e às empresas, aguardam.

Não resta dúvida que o volume de propaganda diminuiu substancialmente em razão destes fatores. Partidos e candidatos ficam intimidados e com receios os mais diversos, sobretudo multas ou acusações de abuso de poder por “excesso de propaganda”, o que tem resultado numa campanha virtual, de visitas e arregimentação local (junto às bases dos candidatos a deputado).

Neste sentido, é imprescindível lembrar que a involução imposta pela Lei 11.300, ainda em 2006, de eliminar os outdoors das campanhas eleitorais, os muros e painéis em terrenos passaram a ocupar um espaço privilegiado, ainda que pretensamente “espontâneos e gratuitos”. Atos outrora singelos e corriqueiros de campanha se tornaram burocráticos. Peças ordinárias como um simples banner, um adesivo, uma pintura, passaram a ser instrumentos infracionais.

Tudo passou a ser ameaça ao meio ambiente, à ordem pública ou passível de questionamento. A maioria dos justos pagando pelos poucos e competentes pecadores que sistematicamente violam leis.

A falta de bom senso na regulamentação das eleições no Brasil decorre da miopia e surdez do Congresso Nacional que não avalia corretamente as decisões tomadas pela Justiça Eleitoral, não dialoga frontalmente com o TSE e o que é pior: elabora normas erráticas, confusas e destituídas de bom senso a pretexto de “aperfeiçoar o sistema”. Se a propaganda eleitoral se tornou ofensiva à Democracia, é porque falta harmonia entre os Poderes.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor do livro “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.

Homenagem aos motoristas

 

Nesse domingo, se comemorou o Dia do Motorista, uma das profissões mais estressantes do mundo, apesar do desenvolvimento tecnológico.Em alguns casos, nem São Cristovão resolve.

70 ivolante

Por Adamo Bazani

Ônibus automático, suspensão que prioriza o conforto, ar condicionado, computador a auxiliar operações, vias mais largas e melhor planejamento. Situação ideal para quem é motorista de ônibus. Mas estudos mostram que a profissão é cercada de adversidades que colocam em risco a saúde, a integridade física e a qualidade de vida dos mestres do volante.

Pode-se dizer, sem usar jargões ou frases feitas, que os motoristas em geral – de ônibus, caminhão, carros de socorro e de diversos serviços – conduziram e continuarão a conduzir o progresso, ainda mais num país que desde os anos de 1950 privilegiou a política rodoviarista e abandonou o transporte ferroviário.

Motoristas de ontem e de hoje podem ser considerados heróis, mas de diferentes batalhas.

Ao longo do nosso trabalho de pesquisa sobre história dos transportes, tivemos a oportunidade de conversar com motoristas de diversas gerações. Os que atuaram na época em que as cidades ainda estavam crescendo, as ruas eram de barro – e atoleiro em dias de chuva -, e a direção e o sistema de embreagem dos ônibus eram duras de encarar, dizem que preferiam aqueles tempos. Os que ainda trabalham, concordam.

Propaganda Motorista Da mesma forma que o crescimento econômico, a nova postura dos empresários de ônibus e a evolução da indústria trouxeram benefícios, vieram junto os problemas decorrentes deste novo cenário. Estudos de diversos órgãos de medicina do trabalho revelam que dirigir ônibus tem sido cada vez mais cansativo, insalubre e perigoso. Os motoristas vivem em constante tensão. Trânsito caótico, assaltos em maior número e com mais violência, vandalismo, pressão por parte das empresas e passageiros dispostos a descontar neles o sofrimento pela lotação e longa espera nos pontos.

Tudo isso se reflete em afastamentos constantes do trabalho de motoristas que não suportam a rotina sacrificante. Uma pesquisa nacional, com mais de 1.300 motoristas de diversas capitais e regiões metropolitanas do País, realizada pela UnB – Universidade de Brasília – em 2008 mostrou dados alarmantes.

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Avalanche Tricolor: Vai começar

Cruzeiro 2 x 2 Grêmio
Brasileiros – Sete Lagoas (MG)

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Há certas coisas mágicas no futebol gaúcho. Campanhas sofríveis se transformaram em vitoriosas, graças a uma superação surgida sei lá de onde. Momentos de desespero culminaram em atos de heroísmo. Jogadores de passagem medíocre por clubes de outros Estados foram levados a condição de ídolo após alcançarem resultados impressionantes.

E nenhuma outra coisa é mais relevante para que esta mutação se realize do que um clássico Gre-Nal. E nele deposito a esperança de ver este time que tem lutado muito e conquistado pouco – e me refiro ao que fez nas duas últimas partidas – encontrar o instante da virada.

Dentro de campo, confesso, me surpreendi com alguns momentos, apesar da lentidão na armação das jogadas. Mesmo fora de casa, dominamos o jogo. Houve trocas de passes que chamaram a atenção, jogadores que marcavam bem, movimentação capaz de complicar o adversário, muita gente com vontade de chutar a gol – às vezes não sabendo conter este desejo – e tentativas de dribles com bons resultados – haja vista, o desempenho de Jonas.

Ao mesmo tempo, tinha a nítida impressão de que o que se construía não era sustentável. E os poucos cruzamentos que chegaram a nossa área mostraram isso. Parecia faltar alguém ou alguma coisa a unir aqueles jogadores.

O que aconteceu no vestiário depois da partida ninguém sabe ao certo. Falam isso, falam aquilo; uns desmentem, outros enaltecem. Sabe-se que boa parte das vezes, o que dizem que houve, houve mesmo. E se houve é preciso que se resolva tudo lá dentro do próprio vestiário. Que se tenha competência para que qualquer incidente seja canalizado para o bem.

Os erros, os resultados, a indisciplina (se houve), tudo isso tem de servir de lição, ser superado, reciclado. E se aproveitar que a tabela do Campeonato nos ofereceu na 12a. rodada a ocasião certa para a redenção.

Domingo que vem é a hora certa para que se inicie a Avalanche Tricolor.

De umbigo

 

Por Maria Lucia Solla

Vou poupar meus olhos, meus ouvidos, e tudo o que estiver acoplado.

O um diz que o dois está errado. O dois vem logo depois e diz que o um não sabe nada. Os que ficam no meio dividem-se entre: um é um energúmeno, o outro é sem-noção e nenhum dois dois sabe de onde veio e nem para onde vai.

Ninguém presta; ninguém vale nada, a não ser o Egão e a turma que lhe interessa na situação. A onda é reclamar; a onda é criticar: Brasileiro é um-sete-um, francês não toma banho, português é básico, argentino metido, americano é isso, italiano é aquilo. Ninguém presta. Muita pedra jogada na Geni, cabelo cortado do Zezé, e pouco se-é-tarde-me-perdoa.

Falar mal do Brasil, então, é preferência de nove entre dez brasileiros. A gente não aprendeu na escola a se orgulhar de nós. Tudo bem que nosso país foi colonizado na base da exploração, da expoliação, e do desrespeito pelos que habitavam esta terra, mas a gente não vai crescer nunca? Vai ficar rateando e botando a culpa no papai e na mamãe? Ora, já faz 510 anos que a lanterna foi focada na nossa direção e nos deu à luz para o mundo. Já faz 188 que fomos considerados capazes de tocar o barco sozinhos, e ainda agimos infantilmente, batendo o pé para tudo. Como queremos evoluir? Como queremos que nos vejam e ouçam com respeito, se somos um bando de peterpans? Crianças mimadas e chatas.

Deve ter chegado a hora de o Criador desistir do modelo, passar uma base branca na tela e recomeçar sua obra. Basta uma camada de base para apagar você, eu, e o resto da humanidade senhora da verdade – cada um da sua, é claro, e da verdade da sua turma.

Cansei de ouvir julgamento e condenação: fulado tititi; sicrana trolóló, ele, ela, eles, elas, ai! que porre! A vida é difícil, o mundo não é justo, blábláblá.

Poucos falam na primeira pessoa; já reparou? Eu fiz, eu disse, criei, cuidei, cozinhei, preparei, arrumei, limpei, toquei, errei, abracei, beijei, amparei, disse “eu te amo”, agradeci, aprendi, reconheci, perdoei, me dei conta, acordei, limpei a baba do canto da boca. O que vem do outro não presta; pobreza! Tudo bem que pobreza rima com leveza, esperteza e incerteza, mas maledicência rima com indecência, ineficiência; deficiência.

É tanta energia gasta no tititi e no trololó, na desconstrução de tudo e de todos que não dá tempo de construir, de criar, de se empenhar para consertar. Ouvir, então! A fala do outro serve de intervalo para que eu recobre o fôlego e me ponha a falar de novo, para me ouvir, me deleitar com o som da própria voz. Como é possível viver num mundo que a gente odeia! Viver cercado de gente errada!

Sociedade de dedo em riste, tristes juízes do mundo, entramos no parque de diversões e só conseguimos ver a pintura descascada no carrossel. Pobres de nós! Perdemos, perdemos muito, quando só vemos beleza e importância no próprio umbigo. E é bom lembrar que os políticos de plantão são frutos da nossa árvore. Ou investimos na educação, séria e prioritariamente, ou continuamos assim, a rezar:

Deus tenha piedade de nós
faça e viva por nós também
em nome do Pai
do Filho e do Espírito Santo
amém

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de línguas, realiza curso de comunicação e expressão e escreve no Blog do Mílton Jung, aos domingos

Transgressão na moda

 

Por Dora Estevam

Givenchy Lea T Corpo ZoomA moda é mesmo surpreendente. Ou, devo dizer, surpreendente é quem faz a moda. 

A cada coleção ficamos sempre nos questionando. E agora ? Será que vou ter que trocar todas as minhas roupas ? Será que serei uma cafona ? Uma fora de moda se não comprar esta ou aquela peça ? Se não renovar a minha sapateira com cinco pares de sapatos, pelo menos, vou ficar por fora ? As minhas amigas não vão querer sair mais comigo ? 

E os homens: será que minha namorada vai querer ficar em casa ou se esconder em algum restaurante de bairro ? Tá legal assim ?

Tudo por causa da tal moda.

De qualquer forma, uma revistinha você acaba lendo, certo ? Ninguém é de ferro mesmo. Nós já até demos dicas de algumas para homens. Sim, porque pra mulher nem precisa. É dom conhecer todas. 

Bem, quando você abre uma revista para apreciar as páginas de moda normalmente encontra belas modelos apresentando roupas femininas e homens vestindo os lançamentos  masculinos.

Também estamos acostumados a olhar as fotos e identificar uma modelo ou outra e saber que sempre tem aquela que está mais em destaque, uma revelação ou um fenômeno, a quem buscamos como referência para vestir e copiar.

Givenchy Lea T Anuncio

As editoras (poderosas) das revistas mais influentes do mundo sempre escolhem as mais cotadas para os editoriais.

Às vezes, a surpresa vai além da nossa expectativa. E a novidade agora é a modelo e estilista Lea T.

Dela, acredito, você ainda não ouviu falar. Do pai dela, com certeza, ouviu: o ex-jogador Toninho Cerezo. Ocorre que Cerezo tem quatro filhos, um deles é a Lea – ou, Leandro como foi batizado. Uma modelo transexual que mora na Europa e é assistente do estilista da Givenchy, Riccardo Tisci, de quem também é namorada.

leat2O trabalho de maior destaque de Lea T. é o ensaio nu que acaba de fazer para a Vogue Paris, escalada por ninguém menos que a poderosa Carine Roitfeld, editora-chefe da revista.  A moça está fazendo o maior sucesso, até já foi contratada pela agência de modelos Woman. Mas a musa de Tisci já deu o que falar antes destas fotos. 

Sim, ela fez parte da campanha inverno 2010’11 da marca francesa Givenchy.  Foi neste trabalho que Carine Roitfeld conheceu “Leo” – como também é chamado. E ele responde. A editora gostou tanto da musa do estilista que reservou páginas e páginas, inteirinhas, para ela. 

Sobre a sexualidade, Lea disse em entrevista a revista “Vanity Fair” que quer fazer a operação para mudança de sexo. 

Eu, só sei dizer que a moça, nascida em BH, virou sensação da temporada.

Quem pode, pode. 

 

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung