Arena do Corinthians em Itaquera interessa à São Paulo

 

Estadio Corinthians

Desde que Ricardo Teixeira descartou o Morumbi para a Copa do Mundo, surgem ideias de todos os lados. A última é a construção do estádio do Corinthians no bairro de Itaquera, na zona leste da capital paulista. Não sei quanto de fantasia existe na proposta que estaria conectada as comemorações dos 100 anos do clube, mas que investidores coloquem dinheiro naquela região me parece mais interessante para a cidade.

Em 2002, o fundo americano Hicks Muse negociou com a prefeitura terreno ao lado da rodovia Raposo Tavares para levantar uma arena esportiva que seria usada pelo Corinthians. Na época, lembrei várias vezes do erro estratégico para a cidade se aceitasse a proposta.

Já que é para levantar um estádio – sem dinheiro público, é lógico – que o seja onde mais possa interessar a São Paulo. A Arena do Corinthians poderia induzir o desenvolvimento da zona leste, alvo de uma série de projetos que pouco andam por falta de interesse do poder público. Com Poá, Ferraz de Vasconcelos e parte de Guarulhos e Itaquaquecetuba, o leste metropolitano de São Paulo tem a maior concentração populacional da região.

O aeroporto internacional de São Paulo está para aquele lado, assim como as rodovias Dutra, Fernão Dias e Airton Senna, o que facilita o acesso de outras partes do País. Já existem linhas de metrô e trem atendendo aqueles bairros. Teriam de aumentar sua capacidade de transportar passageiros.

Há carência de equipamentos culturais, artísticos e esportivos na zona leste paulistana. A Arena atenderia esta demanda transformando-se em boa opção para os moradores que, atualmente, precisam cruzar a cidade em busca de atrativos.

Melhoria da estrutura viária, saneamento e rede hospitalar seriam bem-vindos para aqueles moradores, também.

Os recursos voltados à zona leste teriam reflexo no mercado de trabalho e, a partir de ações bem planejadas, se teria um plano de expansão que poderia tornar a região auto-sustentável, benefício para toda a cidade com renda mais bem distribuída, redução no número de viagens e qualidade de vida.

Duvido muito da capacidade de se construir um estádio com 65 mil lugares que comporte a abertura da Copa do Mundo de 2014, já que o projeto corintiano chega ao máximo de 45 mil. Verdade que, há dois anos, o jornalista Victor Birner divulgou um esboço da Arena que poderia ter até 77 mil assentos – é o desenho que você vê reproduzido aqui no post.

Não, sei também, se há dinheiro para tocar esta obra em tempo de receber jogos do Mundial. Há quem aposte que sim.

Mas quanto a Copa da Fifa que se preocupem aqueles que se comprometeram em fazê-la. Eu, ao acreditar no desenvolvimento da zona leste, tendo a Arena do Corinthians como âncora, penso em São Paulo e seus moradores, apenas.

Receita pra mobilizar o webeleitor

 

adoteApós a conversa com Henrique Parra Parra Fº no CBN São Paulo, ele passou aqui no Blog e deixou a receita do bolo para quem tem interesse em mexer com a webcidadania nesta eleição e replicar em sua cidade ou região a ideia da Cidadania Ativa que está funcionando muito bem em Jundiaí.

Alguns dos pontos que Henrique considera importantes:

1. Abra um perfil no site Cidade Democrática e apresente proposta dentro dos moldes do “Responda, Deputado !” (visite o criado em Jundiai);

2. Convide amigos e conhecidos a deixarem perguntas aos candidatos da sua região. Isso dá força à causa e constrói sua relevância, necessária para que os candidatos comecem a se mexer !

3. Divulgue a ideia para ONGs e outros grupos da sociedade. Eles têm suas bandeiras e conhecimentos em diversos temas. Certamente poderão fazer muitas perguntas !

4. Organize um evento, sabatina ou qualquer outro tipo de encontro para comprometer os candidatos com o projeto.

5. Converse diretamente com os candidatos e os convide para que abram seu perfil no Cidade Democrática onde publicarão respostas às perguntas do cidadão. Eles estão em campanha e em busca de voto, não será difícil convencê-los.

Com estes passos, Henrique entende que as pessoas serão estimuladas a cobrar posições dos candidatos e a conhecerem melhor cada um deles antes de fazer sua escolha. Já os políticos terão de assumir compromissos públicos dos quais poderão ser cobrados durante o mandato.

Mãos à obra !

Conte Sua História de SP: O rio Tietê é lindo!

 

Ana Helena Puccetti nasceu em 1962 na cidade de São Paulo. Ela é psicóloga e por muito tempo dedicou-se também ao remo. Ela contou ao Museu da Pessoa, em novembro de 2009, a emoção de deslizar pelo rio Tietê, um paraíso dos remadores de épocas passadas. Seu relato foi escrito “em homenagem ao senhor Arlindo Donato, que durante toda a sua vida preservou a memória do remo e do rio Tietê”. O texto de Ana foi ao ar no Conte Sua História de São Paulo:



Meu nome é Ana Helena Puccetti. Sou remadora desde 1984. Aprendi a remar com o Sr. 
Arlindo Donato. Ele foi técnico do Clube Esperia e tinha, ao lado do “barco-escola” no clube, um galpão que era um verdadeiro museu da história do remo em São Paulo. Além de guardar as últimas “catraias”, que antigamente circulavam pra lá e pra cá nos passeios de domingo pelo rio, guardava fotos da época em que a piscina do clube era um cercada das águas do Tietê. Ele fazia questão de mostrar para seus alunos o arquivo pessoal que guardava, para que a história do remo e do rio não fossem parar no lixo, de onde tirou muitas das fotos preciosas que preservou e estão hoje no Arquivo Histórico do Clube Esperia.



Em 1999, eu era diretora de remo do Esperia e, para celebrar o centenário do clube, resolvemos realizar uma regata no rio Tietê. Remar no rio Tietê, bem embaixo da Ponte das Bandeiras. Fazia quase trinta anos que os remadores haviam abandonado o Tietê. Rio que fez nascer os mais importantes clubes da cidade às suas margens.

Foi uma ousadia remar no rio Tietê. Foi necessário construir um pontão de 
embarque e desembarque embaixo da Ponte das Bandeiras. O DAEE limpou as margens, a Sabesp levou um caminhão pipa para que tivéssemos água para dar um banho emergencial em alguém e nos barcos, a CET teve que interromper o trânsito na pista da esquerda da via expressa da marginal para que os barcos pudessem chegar às margens do rio. A prefeitura interrompeu o trânsito numa pista da Ponte das Bandeiras para que ninguém do público que assistia à regata fosse atropelado. Os bombeiros, vestidos com roupas especiais, acompanharam todas as provas dentro de um barco inflável, uma draga foi colocada atravessada no leito do rio para evitar que grandes quantidades de lixo que viessem boiando e atingissem algum barco. E tudo isso para colocar seis barcos a remo na água.

Até os anos 70 as regatas eram disputadas nesse mesmo lugar, o rio vivia cheio de gente e barcos, o Tietê não estava isolado…

Graças a Deus deu tudo certo! Fizemos uma regata festiva. A maioria dos participantes eram ex-remadores do rio Tietê, senhores de 70 a 80 anos que tinham treinado e competido naquelas águas e depois de 30, 40 anos estavam de volta ao rio. A ponte ficou cheia de parentes, muitos netinhos que olhavam e aplaudiam aqueles senhores, vovôs, dentro das águas do Tietê fazendo o tempo voltar por algumas horas.



Quando chegou minha vez de remar, eu sentei no barco tipo canoe e saí remando e sorrindo. Olhei para as barrancas e para os aguapés que passavam boiando por mim e 
pensei no Rio e em suas histórias. Era um sonho de remadora se realizando e me senti feliz!

Eu me imagino remando no Tietê sempre que passo pela Marginal e atualmente também quando abro a janela do meu quarto. Hoje moro na casa que era da minha avó Helena em Santana de Parnaíba e, da janela do meu quarto, vejo o Rio Tietê e suas 
espumas.

Cada dia ele passa de um jeito, porque a Usina Hidrelétrica muda a vazão das águas de acordo com as necessidades das cidades que o margeiam. 

Tenho o privilégio de morar ao lado do Tietê. Tirando a sujeira que é toda nossa, não dele, o rio Tietê é lindo!

Você também pode participar do Conte Sua História de São Paulo, enviando seu texto ou gravando seu depoimento no Museu da Pessoa. Agende uma entrevista pelo telefone 2144-7150

Webcidadania valoriza internet na campanha eleitoral

 

Ouça entrevista com Henrique Parra, do Voto Consciente, sobre wevcidadania, em Judiai (publicado às 14h40)

Há uma aparente decepção com o efeito da internet nas eleições 2010. Super-valorizada desde o fenômeno Barack Obama nos EUA, apostou-se que a web seria arma decisiva na campanha que se iniciou há 15 dias.

Na Folha, segunda e hoje, duas análises que põem em dúvida o potencial da internet na eleição. O professor de filosofia da USP Vladimir Safatle disse que a promessa política da internet não se realizou com base em estudos feitos em 2006 e 2008. E o jornalista Alec Duarte escreveu que “a campanha é atropelada pela militância e parece vazia”.

Nesta semana, Marina Silva (PV), quem estaria mais disposta a colher frutos do palanque digital, promoveu um “twittaço” para chegar a marca de 100 mil seguidores. Não obteve, ainda, o mesmo resultado para melhorar a arrecadação na campanha. Aliás, o Estadão de domingo mostrou que os partidos não sabem bem como gerenciar a entrada de dinheiro pela rede.

É cedo, no meu entender, para avaliarmos a influência da internet nas campanhas e na qualidade do debate político. Mas temos sinais positivos na rede.

Segunda-feira, 26.07, um momento importante com o 1º Debate On Line, promovido pelo Terra, IG, Yahoo e MSN, às 3 da tarde. Serra (PSDB) e Marina (PV) confirmaram presença. Dilma (PT) está relutante – uma pena.

Sabatina com candidatos a Deputado Estadual

Em Jundiai, interior de São Paulo, um grupo de cidadãos tem promovido movimento interessante a partir da internet para envolver candidatos aos cargos legislativos com o projeto “Responda, Deputado !”. Semana passada, políticos da região que disputam vaga para o Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa participaram da sabatina organizada por ONGs, movimentos sociais e moradores da cidade.

Além de responder perguntas ao vivo, os candidatos foram convidados a abrir perfil no site Cidade Democrática, onde passaram a ser questionados pelos eleitores. “Como as perguntas e respostas ficam registradas de forma pública, qualquer internauta pode agora acompanhar as discussões e utilizar o espaço como uma fonte de informação para a escolha do voto”, disse Henrique Parra Parra, coordenador do núcleo local da ONG Voto Consciente.

O eleitor Nikolas Schiozer, por exemplo, quer relacionar a experiência do candidato com os temas que este considera prioridade no seu mandato. A Mariângela Sutti cobra reformas políticas, enquanto Valdir Chamba está interessado em saber qual a influência dos meios de comunicação no jogo político. Ao serem provocados pela rede e terem sua opinião registrada no Cidade Democrática, os candidatos também assumem compromisso público com os temas propostos pelos eleitores.

Muitas vezes explorada de maneira irresponsável e com pobreza de ideias, a internet é valorizada na campanha eleitoral com a webcidadania.

US$ 1 tri de prejuízo em 60 anos de congestionamento

 

Estudo desenvolvido pelo engenheiro Adriano Branco mostra gastos com combustível, perda de produtividade no trabalho, maior desgaste de veículos e vias, entre 1948 e 2008, em São Paulo.

ônibus 1960

Por Adamo Bazani

A imagem é dos anos de 1960, mas o problema persiste até hoje. E, pelo jeito que as coisas estão, não ficará melhor do que isto. Uns poucos ônibus perdidos num mar de carros. Isto que a foto havia sido feita na Rua Augusta, no centro de São Paulo, que tinha uma mão para ônibus.

A cena explica parte das razões de o transporte público sufocar os trabalhadores, aqueles que pagam caro por um serviço desconfortável e até perigoso. As soluções adotadas pelo poder público são paliativas. Um faz de conta.

A majestade das ruas continua sendo o carro. A autoridade prefere beneficiar os 5m2 de espaço ambulante que costuma transportar uma só pessoa em detrimento dos 30m2 ocupados por um ônibus que leva até 100 passageiros.

O transporte de passageiros que é democrático, pois atende uma demanda maior em menor espaço, não é priorizado. Ou seja, não há democracia nas grandes e médias cidades.

O engenheiro Adriano Branco, um dos responsáveis pelo projeto Sistran, que trouxe uma nova geração de trólebus para o Brasil, escreveu artigo recente no qual apresenta dados impressionantes, que mostram que o problema do transporte tem raízes antigas. Ou seja, há muito tempo as autoridades sabem o que se passa e o pior, sabem o que fazer. Mas não fazem.

No ano de 1958, o prefeito Adhemar de Barros contratou uma equipe de economistas e técnicos, chefiada pelo general Anápio Gomes, para verificar a questão da mobilidade urbana. Isso porque, a CMTC quando foi criada em 1947, com o monopólio do transporte de passageiros por ônibus e bonde, transportava em média mais pessoas do que, em 1958, quando as empresas particulares voltaram a dominar o cenário do transporte coletivo.

O índice de mobilidade nos transportes urbanos (incluindo trens) em 1954, auge da CMTC, era de 392 viagens por pessoa em um ano. No início dos anos de 1960, quando as particulares predominavam, a mobilidade caiu para 343 viagens, mesmo com o aumento no número real de passageiros.

O estudo de Anápio Gomes revelou algo inédito: o custo dos engarrafamentos para cidades como São Paulo. Apesar dos índices de congestionamentos serem bem menores do que na atualidade, o fato de se dar prioridade para os carros causava prejuízos de 1,5 vezes o orçamento da cidade.

Já imaginou o que pode ser feito com um US$ 1 trilhão, só na área de transportes?

Corredores de ônibus em quase toda São Paulo, metrô, trem, VLP, VLT, monotrilho, o que for preciso.

Pois é, mas foi justamente isso que a cidade de São Paulo amargou em prejuízos entre 1948 e 2008, de acordo com estudo de Adriano Branco. Isso inclui combustível, perda de produtividade no trabalho, maior desgaste de veículos e vias.

Cada centavo negado para o ônibus ou trem, no futuro se reverte em gastos bem maiores.

Dados da própria SPtrans revelam que em março de 2006 foram transportados 263 milhões de passageiros contra 293 milhões no mesmo mês de 2009. Aumento de 10%, mas a frota só cresceu 0,5% neste mesmo período.

Nesta terça-feira, 20.07, durante uma hora, o programa A Liga, da Tv Bandeirantes, mostrou a rotina dos transportes e trouxe dados importantes. Os repórteres fizeram ‘passeios’ ao lado de passageiros que chegam a fazer viagens de mais de três horas dentro da própria cidade para chegar ao trabalho. (veja a reportagem aqui)

Especialistas são unânimes: resolver o problema não é tão difícil e caro. Os corredores de ônibus são a solução imediata, barata e de ótimo retorno. Basta ter coragem e colocar ônibus e carros nos seus devidos lugares.

Recado aos busólogos

Em vez de restringirem a discussão à beleza ou feiura de tal modelo de ônibus ou a provarem que um OF tem 10 parafusos nas rodas e outro tem 8, busólogos de todo o Brasil deveriam, sim, pensar em questões mais complexas. Aproveitarem o conhecimento que desenvolveram para cobrar de forma séria daqueles que recebem, e muito bem, para operar e gerenciar o transporte público.

Adamo Bazani, busólogo, jornalista da CBN e que se revolta ao ver a situação atual dos transportes.

Conte Sua História: A rua das Camélias

 

Vladimir Bosio nasceu em 1968 em Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul. Mas passou parte de sua infância na rua das Camélias, na cidade de São Paulo. Um lugar inesquecível, descrito por ele com poesia em história enviada pela internet ao Conte Sua História de São Paulo, através do site do Museu da Pessoa, em janeiro de 2010:

Ouça a história de Vlademir Bosio sonorizada por Cláudio Antônio

Era ali que eu morava, são dali as primeiras lembranças da minha vida, as primeiras imagens registradas na minha memória. A subida íngreme e cansativa. A descida afoita e alegre. A casa na esquina, de calçada vermelha, de muro baixo. Os anos eram os 1970 e eu não tinha mais do que sete, os acinzentados anos militares, com televisão preto e branco, como branca e preta era a fumaça que subia do Joelma.

Lá embaixo havia um rio, hoje eu sei que é uma avenida. Algumas pessoas tinham que descer para pegar o ônibus, e eu as observava da janela tentando entender por que os braços também se movimentam se, na verdade, a gente caminha com as pernas. Eu e minha mãe tínhamos que subir para eu ir à escola. Meu pai, acho, voltava do trabalho descendo. O sobe e desce da rua das Camélias era calmo e podia ser pela rua ou pela calçada, sem problemas. Tinha feira ali por perto, eu sei disso porque havia senhoras carregando carrinhos, tinha padaria lá para cima, pois as pessoas desciam com sacolas de papel pardo com pão cheiroso.

Interessante, mas não havia carros, pelo menos eu não me lembro deles, mas sim das crianças riscando amarelinha no asfalto, sem medo e sem ninguém gritando “vem pra dentro”. Mas se não havia carros, as casas tinham garagens, eu sei disso porque todos os meninos jogavam bola nas suas garagens, gol a gol, mas não podia dar “bicuda”. Dentro da minha casa, na rua das Camélias, tinha um tamborzinho que segurava a janela aberta, no quarto, que era no segundo andar. Na verdade, não lembro do tambor, mas lembro do meu dedo achatado pela janela quando esta caiu em cima dele. Alguém me disse que não era para tirar ele dali, mas será que alguém disse que não era para deixar o brinquedo ali, que a criança iria querer pegar? Não importa, o dedo sarou e a lembrança ficou.

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Avalanche Tricolor: Uma noite perdida

 

Grêmio 1 x 1 Vasco
Brasileiro – Olímpico

Gremio e Vasco embaixo da água

Havia chovido quatro horas seguidas antes de a partida se iniciar, em Porto Alegre. A previsão era, inclusive, de granizo. Mas o árbitro Héber Roberto Lopes entendeu que havia condições de se jogar futebol.

Choveu durante todos os 45 primeiros minutos. E com vento forte a atrapalhar. Isto não foi suficiente para ele cancelar o jogo. Talvez tenha se iludido com o fato de as duas equipes terem conseguido marcar gols logo no início (quando a condição do gramado era apenas precária).

As equipes retornaram para o segundo tempo embaixo d’água, e sofreram até o fim com um aguaceiro que apenas aumentava a cada minuto. Nada, porém, convenceu o árbitro de impedir a continuidade da partida. A chuva era tal que ele foi incapaz de enxergar um pênalti no minuto final que favoreceria o time da casa – se é que não viu.

Muitos dos poucos torcedores que foram ao estádio, na noite desta quarta-feira, vaiaram o técnico Silas e a diretoria gremista assim que o jogo se encerrou, descontentes com a campanha do Tricolor (imagino que ninguém esteja feliz).

Deveriam, no entanto, ter se indignado com o principal personagem deste triste espetáculo aquático encenado no Olímpico. Faltou responsabilidade ao árbitro Hérber Roberto Lopes que desrespeitou o público e expôs atletas profissionais a um risco desnecessário.

A lamentar, ainda, o fato de que no intervalo e fim do jogo não houve nenhuma declaração dos jogadores contra a autoridade que permitiu a realização deste evento. Deveriam ter tido a coragem de pedir o cancelamento da partida por total falta de condições para a prática esportiva.

Esperar, porém, que jogadores de futebol se unam em defesa de seus direitos talvez seja um pouco demais, já sinalizaram em várias oportunidades de que são incapazes de se articular sem que estejam sob a tutela de seus empresários.

É uma pena. Desperdiçou-se uma noite de futebol, no estádio Olímpico.

Goldman insiste no Morumbi, mas nada está decidido

 

Ainda não decidimos. Este foi o resumo do recado de pouco mais de cinco minutos passado aos jornalistas ao fim do encontro que discutiu a participação de São Paulo na Copa do Mundo de 2014, no Palácio dos Bandeirantes, no meio do dia. Alberto Goldman, governador, Gilberto Kassab, prefeito, e Ricardo Teixeira, presidente da CBF, conversaram sobre as alternativas para que a capital seja palco da partida de abertura do Mundial.

Na reunião, Goldman insistiu na ideia de que o estádio do Morumbi, reformado, é a primeira opção para que a cidade de São Paulo seja sede do Mundial. Em entrevista ao CBN SP, antes do encontro, ele comentou que a CBF e a Fifa poderiam abrir mão de algumas exigências e permitir que o local sirva para a realização do jogo inaugural. A construção do Piritubão, que já foi opção para o prefeito Gilberto Kassab, foi descartada. Goldman reforçou, também, a ideia de que dinheiro público é apenas para obras de infraestrutura, jamais para estádios.

Ouça a entrevista de Alberto Goldman antes da reunião com o presidente da CBF. Ricardo Teixeira

Hoteleiros defendem dinheiro público em estádio

Os empresários do setor de hotéis em São Paulo foram taxativos ao defender o uso de dinheiro público na construção de estádio caso haja algum risco de a cidade perder o jogo de abertura da Copa do Mundo de 2014. Na entrevista desta manhã, ao CBN SP, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, em São Paulo, Maurício Bernardino, explicou que a oportunidade não pode ser desperdiçada pois o retorno econômico com a presença de profissionais e turistas na cidade compensaria os gastos.

Outros destaques da pauta #CBNSP:

Com biblioteca – Após três anos de reformas, a biblioteca Mário de Andrade foi reaberta, parcialmente, na cidade de São Paulo. Acompanhe a reportagem de Juliano Dip que visitou o local.

Sem buraqueira – É possível fazer obras no subsolo da cidade sem deixar cicratizes, mas para isso é preciso investir em tecnologia. É o que defende o presidente da Associação Brasileira de Tecnologia Não Destrutiva, Paulo Dequech. Ele explicou ao CBN SP que estas técnicas já são usadas pela Sabesp e Comgás, por exemplo, em São Paulo. Desta maneira, as intervenções nas ruas e avenidas podem ser feitas sem a necessidade de se abrir enormes crateras para a troca e implantação de equipamento.

Daqui a pouco, ouça a entrevista de Paulo Dequech que fala, também, sobre a má-qualidade dos reparos feitos no calçamento após a realização de obras.

Época SP na CBN – Maria Alcina e a banda de um homem só são destaques na agenda cultural de São Paulo. Ouça as dicas de Rodrigo Pereira, no CBN SP

TT: Tira Teixeira

 

Por Carlos Magno Gibrail

Copa 2014Tira Teixeira é a campanha recém lançada para a saída de Ricardo Teixeira da CBF e pela transparência na COPA 2014, encabeçada por Eduardo Rocha Azevedo, um dos fundadores da BM&F.

Pelas condições de manutenção de poder das entidades do futebol, FIFA, CBF, e demais, talvez demore um pouco a saída da CBF. Entretanto não há motivo para desânimo, pois um processo vigoroso de oposição popular e de lideranças políticas, esportivas, empresariais e dos meios de comunicação começa a tomar corpo pelo controle dos gastos públicos a serem realizados para a Copa 2014. Principalmente em São Paulo, a primeira vítima dos ataques do secretário geral da FIFA, Gêrome Valcker.

E é de São Paulo que virá a resposta sugerida ano passado por Juca Kfouri ao então governador José Serra, através de seu sucessor Alberto Goldman para o presidente da CBF e do COL (Comitê Organizador Local): “São Paulo abre mão da abertura da Copa caso o Morumbi permaneça vetado pela CBF”.

É o que o jornalista Juca Kfouri relatou domingo na Folha e no seu blog no UOL.

Goldman difere de Serra e segue o mesmo padrão da Premier da Alemanha, Angela Merkel, que se impôs à FIFA ao manter o Estádio Olímpico de Berlim para a final sem alterações exigidas na fachada com colunas e preservando os “pontos cegos” apontados pela equipe de Blatter.

O que a FIFA não conseguiu na Alemanha, que investiu apenas U$ 2 bilhões em estádios, dos quais apenas 1/3 do governo, veio alcançar na África do Sul. Ganhou U$ 3,2 bilhões e deixou à África uma conta de U$ 1,1 bilhão de dólares para pagar. Prejuízo que nem os mais de 100 participantes do COL africano puderam evitar. Ganharam nota 9 de Blatter, que tinha dado 8 para a Alemanha, mas pelo apetite demonstrado pelo secretário geral, espera um 10 do Brasil.

E não devem faltar argumentos, pois pela composição do COL brasileiro há chances. Teixeira acumula o cargo de presidente, a sua filha Joana Havelange é a secretária executiva, o advogado de Daniel Dantas, Francisco Mussnich é o diretor jurídico, o assessor de imprensa da CBF, Rodrigo Paiva ocupa a mesma função no COL, o administrador do patrimônio pessoal de Teixeira, Carlos Langoni faz parte da diretoria financeira do COL.

O que Blatter, Valcker e Teixeira não consideraram é aquilo que Lula começou a perceber e que Alberto Goldman será o porta-voz. São Paulo, embora tardiamente, não se curvará, assim como a Alemanha e a França, no episódio com a entidade francesa de futebol, não se submeteram às exigências da FIFA.

Sobre o tema sugiro os artigos nos blogs:

Juca Kfouri – Em Clima de Paz


Victor Birner – Da Carta Capital e quem vigia Teixeira

Conte Sua História de SP: ‘Perigos’ da cidade

 

Mario Messaggi Junior nasceu no Rio de Janeiro em 1962, mas passou a infância em São Paulo. Na cidade, ele precisava ficar distante dos grandes perigos da cidade: um carro que poderia aparecer e os ventanistas. Ele falou sobre todos esses perigos ao Conte Sua História de São Paulo em texto enviado pela internet ao Museu da Pessoa. em janeiro de 2010:
 

Ouça a história de Mário Messaggi Júnior sonorizada por Cláudio Antonio

Nasci no Rio de Janeiro e vim para São Paulo com quatro anos de idade, em 1966. Guardo flashes da viagem de trem do Rio a São Paulo. Chegamos à noite, chovia, o tamanho do trem me impressionou.

Fomos morar no bairro de Vila Mariana, numa casa térrea bem mal cuidada pelos antigos inquilinos, na Rua Sabóia de Medeiros. Depois da escola, o almoço, a lição de casa e a ordem de minha mãe: “Vá brincar lá fora, nada de ficar grudado na TV”. Imagino que as mães dos outros meninos diziam o mesmo, porque a rua se transformava num enorme parque de diversões, com carrinhos de rolemã descendo a Joaquim Libânio, bicicletas de todas as cores, velotróis fazendo ratatá, guerra de mamona e futebol na ladeira. O gol era demarcado por camisetas, pedras ou latas.

Os pais achavam perigoso brincar com carrinhos de rolemã, porque sempre podia aparecer um carro. Isso mesmo, podia: as ruas em volta de minha casa eram movimentadas, mas mesmo assim os carros ainda não as dominavam, dava tempo de avisar os amigos. “Olha lá um carro!”

O fluxo era de um carro a cada meia hora. As histórias de crianças que entravam por debaixo de caminhões com seus rolemãs eram contadas sempre pelos pais, com uma entonação dramática, como um aviso sinistro. Nem eu e nem meus amigos presenciamos algo assim.

As oficinas mecânicas estavam acostumadas com moleques que iam pedir rolemãs velhos para montar seus carrinhos, que ganhavam pedaços de pneu como freio, ripa de madeira pregada atrás do assento, fazendo o encosto, e pinturas coloridas das mais variadas. Muitos moleques queriam ser chofer de caminhão quando crescessem, talvez por essa razão os rolemãs tivessem frases escritas com tinta a óleo.

Outra preocupação dos pais eram os “ventanistas”, ladrões que entravam nas casas e roubavam roupas do varal. As pessoas achavam o cúmulo alguém roubar roupas no varal, era um absurdo, um escândalo. Para evitar os ventanistas, bastava fechar a porta, nem era preciso trancar. Eles não ousavam abrir. Bons ladrões!

Cinco e meia, seis da tarde, a criançada voltava para casa em bando, para tomar banho, jantar, assistir uma hora de TV e ir para a cama.

Você também pode participar do Conte Sua História de São Paulo, enviando seu texto ou gravando seu depoimento no Museu da Pessoa. Agende uma entrevista pelo telefone 2144-7150.