Criatividade de paulistano substitui faixa de segurança

 

Criatividade na falta da faixa de segurança

Para reclamar da falta de faixa de segurança, um paulistano pichou o asfalto na esquina das avenidas Miguel Stefano e Jabaquara, zona sul de São Paulo. Com uma faixa branca de calçada a calçada e um “Cadê”, curto e grosso, acompanhado do ponto de interrogação, ele conseguiu algo inesperado para quem está acostumado com o desrespeito de motoristas na cidade. De acordo com a ouvinte-internauta Karina Mendes Francisco, os carros assim que se aproximam da esquina, respeitosamente, param antes da faixa branca. A criatividade deste cidadão anônimo talvez seja a alternativa para a demora da CET e das subprefeituras em resolver o problema que está, inclusive, sendo investigado pelo Ministério Público.

Pauta #cbnsp: É matar ou morrer ?

 

CBN SPO número de pessoas mortas por policiais militares aumentou 40% em São Paulo, de acordo com dados oficiais da Secretaria de Segurança Pública, quando comparadas as estatístiscas do primeiro trimestre deste ano e o primeiro trimestre de 2009. Entre janeiro e março de 2010 foram 146 os mortos pela PM, o que para a corporação não significa que a polícia esteja mais violenta. “O que aumentou foi o número de confrontos”, disse a porta voz da Polícia Militar Tenente Cibele Marsolla. “É preciso rever o discurso do comando da PM, da sceretaria e do governador”, elertou Denis Mizne, do Instituto Sou da Paz, que falou estar preocupado com o crescimento da violência policial
Acompanhe estas duas entrevistas feitas pelo CBN São Paulo


Carros abandonados –
A repórter Cátia Toffoletto voltou às ruas onde havia encontrado carros abandonados que incomodavam os moradores da região. Alguns desses foram retirados do local e outros permanecem. Boa parte tem multas e pendencias judiciais. Acompanhe a reportagem.
Esquina do Esporte –
As chances de Corinthians, Santos e Palmeiras na rodada desta quarta-feira e o fraco desempenho do São Paulo na Libertadores. Estes foram assuntos para Deva Pascovicci e Leonardo Stamillo.

Época SP na CBN –
João Bosco é a principal atração desta quarta-feira, na capital paulista. Nas dicas do Rodrigo Pereira, tem lugar também para o basquete (?) dos Harlem Globetrotters.

Sexo temporão

 

Por Carlos Magno Gibrail

Sexo e personalidades

A hipertensão cresceu no Brasil e atingiu o alto percentual de 24,4%. Rio com 28% e São Paulo com 26% são as cidades mais atingidas.

Diante deste quadro preocupante, o Ministério da Saúde convocou uma coletiva de imprensa para alertar e orientar a população, divulgando o início de uma campanha para evitar a ansiedade que causa a hipertensão. A doença está associada a fatores genéticos, hábitos alimentares, obesidade e estresse.

“Fazer sexo ajuda”.

“As pessoas têm que se mexer. A pelada do fim de semana não deve ser a única atividade. Os adultos devem praticar exercícios, caminhar, dançar, fazer sexo seguro”.

“O deputado Darcísio Peronde falou cinco vezes ao dia. Mas acho que cinco vezes por semana está bom”.

Foram as palavras de José Gomes Temporão, Ministro da Saúde, no lançamento da Campanha contra a Hipertensão.

Os hipertensos, se não pertencerem ao perfil sexual de Michael Douglas, Tiger Woods, Vagner Love, estarão diante de mais um ponto de tensão. Todas as indicações médicas para tratamento podem ser regularmente contratadas. Menos, evidentemente, a proposição mais acentuada pelo Ministro. Sexo saudável e seguro não se vende regularmente em academias, ginásios, farmácias.

É claro que foi uma graça impertinente ao momento e ao cargo de Ministro.

A imprensa reagiu como esperado. Pegou a deixa e o papel de retransmissora apenas, dado o curioso do tema. Certamente, iria despertar o interesse do público consumidor de seus veículos. Foi o que se viu durante a semana, nos jornais, nas rádios, revistas, internet, e até chamadas insistentes como uma das atrações para o Fantástico de domingo. E, quem assistiu verificou a inexatidão técnica da orientação, pois o sexo tem pré-requisitos. Do contrário pode acarretar problemas e não solução.

Temporão conseguiu chamar atenção para a Campanha, mas a graça roubou a pegada técnica. Diferentemente do Fantástico, a maioria das publicações abordou apenas a questão da recomendação da prática regular do sexo. As demais condições a serem absorvidas, entendidas, traduzidas, pois são complexas, ficaram em segundo plano.

O item alimentação, por exemplo, tem através do tempo trazido dúvidas. Hoje, na cidade de Okinawa, onde pessoas de 100 anos pedalam pelas suas ruas, o alimento básico é a carne de porco, tão combatida por muitos. O vinho, o uísque, a carne vermelha, o ovo, o leite de vaca, o azeite, ora são proibidos ora são endossados. Para início e retomada de exercícios há medidas que não podem ser desconsideradas, porém nada foi esclarecido, mesmo a titulo de cuidados iniciais.

Sem dúvida, o Ministro deu o tiro no pé e, provavelmente, um pontapé nas vendas de preservativos e consultas médicas para esclarecimentos.

Bom jornalismo e marketing serão bem-vindos na comunicação da próxima campanha do Ministério da Saúde.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas-feiras no Blog do Mílton Jung. Consta que não tem problemas de pressão alta.

Pauta #cbnsp: Transparência nas contas públicas

 

CBN SPO site De Olho nas Contas da prefeitura de São Paulo não atende as exigências da lei da Transparência que entra em vigor em 27 de maio, de acordo com avaliação do consultor da Fundação Getúlio Vargas Amir Khair, ex-secretário de finanças do município. Não é possível, por exemplo, se obter informações sobre todas as despesas e receitas da cidade, além disso haveria restrições em relação aos dados de contratos assinados pela prefeitura. Amir Khair entende que para cumprir a lei São Paulo terá de refazer o serviço disponível no Portal da Prefeitura, há cerca de um ano.

O secretário adjunto de Finanças do município, Sílvio Dias, diz não é verdade que haja restrições nas informações divulgadas pela prefeitura. Admite apenas que haja uma demora de um ou dois dias sempre que um pagamento é efetuado, mas que isto não prejudica a transparência nas contas públicas. Sílvio Dias entende a cidade já cumpri as determinações previstas em lei.

Acompanhe as duas entrevistas que foram ao ar no CBN São Paulo.


Outros destaques da edição desta terça-feira:


Segurança no trânsito 1-
A falta de estrutura do Detran de São Paulo e o esvaziamento da autoridade de trânsito na capital são motivos que levam a um cenário de violência em ruas e avenidas, segundo o médico Alberto Sabbag. Ele alerta para a necessidade de a Polícia Militar realizar função ostensiva de fiscalização para impedir abusos à lei. Alberto Sabbag, em entrevista ao CBN SP, reclama que o dinheiro arrecadado em multas e serviços não é aplicado em campanhas educativas.

Segurança no trânsito 2 –
A prefeitura de São Paulo terá de explicar porque a Marginal Tietê foi liberada para tráfego sem a sinalização de trânsito, desrespeitando o Código Brasileiro de Trânsito. O pedido partiu da promotora de Justiça de Habitação e Urbanismo da capital Maria Amélia Nardy que falou ao CBN SP que está investigando o fato de acidentes de trânsito terem ocorrido na pista devido a ausência de sinais. Já foi aberto inquérito para investigar as causas da falta de sinalização horizontal, também, em ruas recentemente recapeadas. Segundo a promotora, não é justificável que a prefeitura leve mais de três semanas para realizar este serviço.

Esquina do Esporte – São Paulo tem de apresentar bom futebol para convencer o torcedor de que tem condições de chegar a final da Libertadores, na partida contra o Universitários de Lima (Peru), logo mais às 7 e meia da noite, no Morumbi. Na opinião de Jesse Nascimento e Marcelo Gomes, porém, o time paulista deve vencer devido a fragilidade do adversário. Ouça nossa conversa sobre o futebol e o vôlei brasileiros.

A liberdade de imprensa e o direito à informação pública

 

imagem_blog_infoedireitoseu_690px(7)O dia internacional da liberdade de imprensa se confundiu com o da liberdade de expressão nos vários eventos realizados nesta segunda-feira. Andam de mãos dadas é verdade, apesar de terem sentidos diferentes. O veículo de comunicação tem de ser livre para publicar os fatos que considerar relevantes e divulgar sua opinião e posição editorial. A sociedade tem o direito de se expressar e receber as diferentes versões em torno desses fatos.

Dentre as atividades para marcar a data, o movimento Artigo 19 Brasil lançou spot de rádio chamando para a campanha “Informação é um direito seu”, na qual alerta-se para a importância da informação no cotidiano do cidadão e o papel que os jornalistas tem neste processo.

Convidado pelos organizadores da campanha, escrevi o post a seguir:

É comum ser informado de que o entrevistado não gostou do que ouviu, ficou incomodado com a pergunta feita. Confesso que não me orgulho de provocar este sentimento, mas tenho como obsessão descobrir a verdade, esclarecer o fato e mostrar aquilo que não aparece.  E que interessa ao cidadão. Nem sempre alcanço.

Na reação dos que reclamam, vejo que não entendem o papel do jornalista como alguém a proteger o direito à expressão (talvez por nossa própria culpa) nem aproveitam a oportunidade oferecida. Afinal, melhor que me perguntem aquilo que falam de mim para que eu tenha a chance de esclarecer e tirar a dúvida. Ao menos colocar um pouco mais de dúvida na cabeça de quem me julga. Entendo que o silêncio jamais revelará a inocência.

Lembro desta situação no momento em que celebramos a liberdade de imprensa, quando temos de ter consciência de que esta não existe para proteger o jornalista ou torná-lo impune. Está aí para garantir ao cidadão o direito à informação. Portanto, a liberdade de imprensa somente pode ser reivindicada se à sociedade for oferecida a liberdade de expressão.

E o acesso as informações públicas – sem as barreiras técnicas nem ideológicas –  é uma das formas de garantir estas liberdades fundamentais em uma democracia

Ouça o spot da campanha, baixe o arquivo e publique nos espaços que você tiver à disposição, eleia o texto “A liberdade de imprensa e o acesso à informação pública”, com depoimentos dos jornalistas Fernando Rodrigues, da Abraji, e Marcelo Soares, da MTV.

A polêmica sobre os novos ônibus de São Bernardo

 

Nem micros nem micrões, modelos oferecem mais espaço para os passageiros, mas são alvos de reclamação por parte dos motoristas que temem prejuízo à saúde

Novos modelos da  SBCtrans

Por Adamo Bazani

O Consórcio SBCTrans vai deixar a cara da cidade de São Bernardo do Campo um pouco diferente. Em lugar dos micros convencionais entrarão veículos com dimensões um pouco maiores mas que não chegam a ser os micrões. Alguns carros já circulam e a estimativa é que 50 deles estejam rodando até o fim do ano de acordo com funcionários. Mais de uma dezena desses ônibus estão na garagem.

Responsável pelo transporte de passageiros em São Bernardo do Campo/SP, o consórcio é liderado pelo Grupo da Auto Viação ABC, de João Antônio Setti Braga e Maria Beatriz Setti Braga, com a participação de empresários da região, como Baltazar José de Souza.

Os novos modelos de ônibus são encarroçados sobre chassi Mercedes Benz OF 1218.

Para o passageiro a vantagem é que os veículos são maiores que os micros convencionais, da série 11XX, que aos poucos serão substituídos. Pelo menos os micros mais velhos LO 814. Além disso, por se tratar de um veículo novo, já segue a Resolução 316 do Contran (Conselho Nacional de Trânsito) e NBR 15570, que estipulam acessibilidade para pessoas com deficiência: elevador na porta traseira, espaço para cadeira de rodas e cão guia, balaústres com relevos para passageiros cegos ou visão restrita, espaço mínimo entre os bancos de 30 cm e largura mínima no corredor para livre circulação interna de pessoas. Têm ainda saídas de emergência que seguem os novos padrões internacionais, faixas refletivas ao longo da lataria, entre outros itens.

O modelo de desenho controverso traz uma dificuldade para os motoristas. O embarque é feito logo após a roda dianteira (onde está a porta) e atrás do posto do motorista. Como o condutor também cobra a passagem, tem de se virar, torcendo o tórax, sempre que o passageiro tiver de pagar a passagem com dinheiro. Além de dirigir e cobrar, o que requer atenção redobrada, o motorista terá de fazer um esforço a mais num movimento repetitivo.

Novos modelos da  SBCtrans

Se há vantagens para o passageiro em comparação ao microônibus, para o operador há queixas. Sobre o desempenho, o veículo foi considerado bom levando em consideração a categoria que ocupa.

O consórcio SBCtrans diz que os ônibus estão dentro dos padrões de qualidade e aceitáveis pelos órgãos responsáveis pela homolgação de modelos automotivos. Os empresários explicam que não é vantajoso colocar veículos convencionais, com motorista ou cobrador, ou até mesmo os micrões, com porta antes da roda por conta da demanda. É possível perceber, porém, que em alguns desses trajetos, os micros andam lotados e em percursos que, há alguns anos, eram usados ônibus convencionais com motorista e cobrador, como Amélias, Vitórias, San Remos, Torinos, Urbanuss etc.

Adamo Bazani é repórter da CBN, busólogo e escreve no Blog do Mílton Jung às terças-feiras.

Cidade Universitária e a “Operação Portuga”

 

O livro é sobre corridas de rua ou sobre gente que corre, como ressalta na orelha o autor, jornalista Sérgio Xavier, da Placar. Da leitura de “Operação portuga – cinco homens e um recorde a ser batido” (Arquipélago Editorial), porém, destaco neste post trecho que fala de área privilegiada da capital paulista que não pode ser perdida pelo olhar míope de gestores públicos, a Cidade Universitária:

Não há placas nos postes, mas as regras são conhecidas. A primeira pista é deles, dos corredores. A segunda é ocupada pelos cilcistas, que costumam se deslocar em pelotões. Na terceira, os carros se espremem. Quem desrespeita essa lei tácita será xingado com fúria. O sentido dos corredores é habitualmente o anti-horário. As bicicletas é que andam no sentido horário. Os treinadores montam suas estruturas ao longo da Universidade de São Paulo, a USP.

Não há nada parecido no mundo. A Cidade Universitária é um espaço na zona oeste de São Paulo com 36 km de avenidas e alamedas. Durante a semana, a vida acadêmica da o tom do lugar. Alunos se deslocam de carro ou de ônibus. Nas calçadas, professores caminham com livros debaixo do braço. De segunda a sexta, a USP se parece com o que realmente é, uma universidade. Na manhã dos sábados, porém, a vida do lugar muda. A Cidade Universitária se transforma em uma das maiores áreas esportivas do Brasil.

Não vira exatamente um parque, porque ninguém esstá ali para passear ou caminhar com os filhos. A USP passa a ser um imenso campo de treinamento que chega a receber mais de cinco mil pessoas em uma única manhã. Pela grande extensão plana, pelas áreas sombreadas, pelo modo como os atletas acuaram os carros e lhes tomaram duas das faixas de rodagem, não há lugar melhor na cidade de São Paulo para se treinar. É possível escolher a rota plana de 6 km, a com subida de 10 km, a menos movimentada de 12 km, cada um faz o seu caminho. Os treinadores das grandes assessorias espalham pontos de abastecimento de água pela Cidade Universitária, a tribo do esporte dominou o pedaço

Para saber o que é a “Operação Portuga” vá na livraria mais próxima ou encomende pela internet

Pauta #cbnsp: “Ônibus anda como carroça”

 

CBN SPO bairro de Moema perde 3.850 vagas de estacionamento para que o trânsito possa fluir melhor, a partir desta segunda-feira. A medida provoca reclamação entre moradores e comerciantes da região e a repórter Luciana Marinho esteve lá para mostrar como ficou a situação. Para o engenheiro de tráfego de transportes Horácio Augusto Figueira, ouvido pelo CBN São Paulo, a medida tem de ser adotada oferecendo prioridade para o transporte de passageiros. Ele explica que estudo feito em informações da SPTrans mostra que os ônibus andam a velocidade médida de 6,2 km no corredor exclusivo da avenida Ibirapuera. “É menos do que anda uma carroça”, disse Figueira que atua, também, como consultor da Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego). Para o engenheiro é preciso que a pista do corredor seja duplicado ao menos no horário de pico.

Igreja do barulho –
Os templos religiosos são alvo da maior parte das reclamações por excesso de barulho feitas ao Ministério Público Estadual. O promotor José Eduardo Lutti, de Justiça e Meio Ambiente da Capital, disse que a maioria das vezes o barulho é resultado da falta de informação dos proprietários da Igreja e o problema é resolvido com orientação. A bronca com os templos já supera a reclamação de barulho dos bares da cidade. Para enviar denúncias ao Ministério Público use o e-mail: pjmac@mp.sp.gov.br

Direito do Cosumidor – O Procon de São Paulo autuou 94 lojas na Operação Dia das Mães, a maioria por venda irregular com cartão de crédito. Os comerciantes ou cobravam valores diferentes se a venda fosse à vista ou limitavam o valor da compra no crédito, medidas que ferem o Código de Defesa do Consumidor. A reportagem é de Márcia Arroyo.

Parque na Guarapiranga – A prefeitura promove atividade em área onde será entregue mais um parque no entorno da represa de Guarapiranga, zona sul de São Paulo. A destruição de um motel que funcionava no local foi o pretexto para o prefeito Gilberto Kassab (DEM) convocar a imprensa para ir até o local. Ouça a reportagem de Juliano Dip. Ao contrário do que foi dito na reportagem, essa área não é a mesma em que funcionará o parque Nove de Julho, que está na mira do Ministério Público Estadual devido a construção que invade a área de alagamento da represa.

Época Sp na CBN – Shows de Yamandú Costa e Nouvelle Vague abrem a semana de espetáculos em São Paulo. E Rodrigo Pereira lembra que estão à venda os ingressos para a apresentação de Johnny Rivers.

Cidade Inclusiva –
Os acidentes de trânsito matam cerca de 40 mil pessoas por ano, no Brasil, e levam mais de 120 mil para os hospitais, destes 1/3 fica com sequelas permanentes, informou Cid Torquato, comentarista do Cidade Inclusiva. Para combater este cenário de guerra, foi criado em 2009 o programa “Chega de Acidentes” que mantém site onde estão uma série de informações sobre o tema.

Pai, teu legado é nosso, teus caros ouvintes

 

A Rádio Guaíba de Porto Alegre, onde comecei a trabalhar como jornalista, anunciou na sexta-feira, dia 30 de abril, o encerramento da síntese noticiosa que estava no ar desde a fundação da emissora, em 1957. Apresentador desde 1964 do noticiário que surgiu com o nome Correspondente Renner, Milton Ferretti Jung, meu pai, consagrou-se como o locutor de notícias que por mais tempo permaneceu no ar no rádio brasileiro. Seguirá na Guaíba, onde participará como comentarista de um programa esportivo, área na qual atuou dezenas de anos na função de narrador esportivo. É para ele que escrevo o texto a seguir:

Pai,

Tua história nos orgulha. Não apenas a nós que te conhecemos tão intimamente e aprendemos contigo. A todos que cresceram no Rio Grande ouvindo tua voz a pontuar os fatos mais marcantes do país e do mundo. Por muitos anos, cada vez que tocava a característica do saudoso Correspondente Renner, programa que se iniciou com a Rádio Guaíba de Porto Alegre, em 1957, sabíamos da importância do que viria a seguir. A seleção das notícias era criteriosa; a redação, precisa; e a locução irretocável.

A forma com que tu transmitias as informações oferecia credibilidade ao noticiário; acentos, vírgulas, indignações eram percebidos na respiração; a entonação das palavras e a pronúncia dos nomes estrangeiros davam a cada um deles o seu verdadeiro sentido. No ar, pelo rádio, uma aula a todos teus ouvintes, dentre os quais eu sempre estive.

Eu era um ouvinte privilegiado, sem dúvida. Enganado, também. Tu deves lembrar quando a mãe puxava nossa orelha em casa: “se tu não te comportares, guri, teu pai vai te dar uma bronca pelo rádio!”. O Christian, a Jacque e eu parávamos a bagunça pra ti escutar.

Faz algum tempo que o Renner, como o conhecemos, não está ao ar. Mudaram-lhe o nome, perdeu-se a qualidade do texto e a importância dos fatos. Recentemente, em erro estratégico, encurtaram-lhe as edições e desfiguraram até mesmo a tradicional característica.

Tu, não. Perseveravas no talento e na exigência com a performance. Que performance! Com as notícias, seguias a transmitir conhecimento, cultura e responsabilidade. Mantinhas vivo em nossa memória este patrimônio do rádio brasileiro, pois se o Correspondente Esso consagrou a síntese notíciosa, o Renner a eternizou nestes 53 anos dos quais 48 esteve sob tua apresentação.

Assim, a decisão da Rádio Guaíba de tirar de sua grade o Correspondente será incapaz de apagar este legado que é teu. É nosso, teus caros ouvintes, para sempre.

A nos consolar, assim que voltares das férias, o radio-jornalismo terá perdido sua mais bela e competente voz, mas o Grêmio terá ganhado um defensor ferrenho no programa de esportes do qual farás parte, na Guaíba.

As coligações, os arranjos e o poder

 

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

Os horários de propaganda eleitoral no rádio e na televisão a serem veiculados apenas nos 45 dias anteriores à eleição decorrem de algo bem objetivo e específico: o resultado obtido pelos partidos políticos nas eleições para a Câmara dos Deputados. Quanto mais deputados federais eleitos, maior será o horário do partido nas eleições seguintes. Antes, quando não vigorava a fidelidade partidária, predominava a composição das bancadas à época da posse, agora vale aquela da eleição.

É por esta singela razão que (a) as coligações estaduais e mesmo a presidencial demoram a acontecer e são entabuladas ou armadas como se tudo não passasse de um grande jogo nu e cru e (b) os partidos maiores resistem a formar coligações para disputas proporcionais, vez que correm o risco das siglas menores, uma vez coligadas, elegerem alguém naquela vaga.

Ante o visível enfraquecimento, senão desaparecimento dos comícios tradicionais e o crescente desinteresse do povo pela política, o que vale agora é ter espaço na propaganda eleitoral gratuita. Com isto, dane-se a coerência ou as afinidades entre os partidos, o que vale mesmo são os preciosos minutos de mídia e ponto. Aliás, saiba o eleitor que não existe regra jurídica no Brasil que obrigue as coligações a buscarem afinidade programática para se associarem na disputa de pleitos.

Contudo, é justamente este aspecto de promiscuidade e interesse eleitoreiro que vitaliza o embrião das corrupções eleitorais e administrativas: aquelas por conta de negociações de duvidosa probidade acerca dos horários de propaganda gratuita para a campanha eleitoral; estas outras pelo loteamento de cargos públicos nas administrações.

Vejamos de outra forma:

O que é eleição proporcional?

É a disputa entre candidatos a deputado estadual e federal. Cada partido terá direito a um número de cadeiras conforme seu desempenho eleitoral. Quanto maior a votação total da sigla, maior será o número de vagas. A distribuição de forças decorre de um cálculo proporcional (quociente) e os lugares são preenchidos pelos mais votados.

O que é a coligação na proporcional?

Esta aliança ocorre quando duas ou mais legendas se unem formalmente (após as coligações assim deliberarem) para fazer propaganda eleitoral e disputar cadeiras legislativas. Os votos dos partidos são computados conjuntamente (todos os partidos formam um só) para calcular a porção de cadeiras destinada à coligação.

Quando essa aliança pode ser vantajosa?

Tema complexo.

Partidos pequenos – Sozinhas, siglas com estrutura limitada não disporiam de nomes para preencher integralmente as nominatas, tampouco votos suficientes para garantir vagas na hora do rateio. Com a aliança, somam forças para obter uma votação maior. Ficam com os lugares conquistados os candidatos que tiverem maior votação individual.


Partidos grandes – Tendo candidatos fortes, podem ampliar o seu número de eleitos (número de cadeiras). Isso porque a aliança garante uma maior fatia de vagas à coligação, mas a maior parte das cadeiras fica para a legenda que tiver os nomes com maior votação individual.

Quando essa aliança pode ser desvantajosa?

Tema também complexo.

Partidos grandes – Mesmo dotada de nominata completa e nomes fortes, experimentados e com amplos apoios consolidados, um partido corre o risco de a outra legenda coligada surpreender no momento da contagem de votos e ter candidatos com votação individual maior, que levariam mais cadeiras.

Partidos pequenos – Coligada a um partido grande, uma legenda menor ou pequena contribui para ampliar o total de cadeiras, mas pode ver a maior parte delas migrar para o partido maior, com candidatos de maior
votação.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor do livro “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.