Conte Sua História: Retalhos de minha infância

 

Márcia OvandoA invasão da rua 25 de Março ainda não havia ocorrido, apesar de as lojas de confecção já estarem lá, quando Márcia Ovando se mudou com os pais e as irmãos – o irmão mais novo ainda não havia nascido. Fez amigos e conhecidos, muitos dos quais continuaram a visitá-la quando deixou o apartamento da 25 por uma casa em Moema, outro bairro que tinha cenário distante daquele que conhecemos, atualmente.

Márcia foi personagem do Conte Sua História de São Paulo quando contou lembranças dos tempos de meninas. No depoimento ao Museu da Pessoa, descreveu com emoção a prisão do pai, vítima do regime militar, e com alegria a vivência com famosas personalidades da televisão.

Ouça o depoimento de Márcia Ovando, sonorizado por Cláudio Antonio

Você também pode participar. Agende uma entrevista pelo telefone 2144-7150 ou no site do Museu da Pessoa e Conte Sua História de São Paulo.

Avalanche Tricolor: Eu sou campeão !

 

Grêmio 2 (0) x 1 (1) Inter
Gaúcho – Olímpico Monumental

Gremio campeão

Um guri de meia com os punhos cerrados e os braços esticados canta o hino do Grêmio sobre o travessão da goleira que fica do lado do campo em que está a torcida Da Geral. Ele acabara de jogar sua terceira partida vestindo a camisa do Imortal Tricolor consagrando um sonho de criança e se sagrando Campeão Gaúcho. Neuton – que aceita ser chamado Nilton – já havia comemorado roubadas de bola, gesticulado com raiva chutes para a lateral e feito a torcida vibrar com uma escapada pela linha de fundo e um cruzamento que lhe renderam o escanteio e o nocaute ao adversário.

Incorporou naquele momento minha vontade neste domingo. Estar lá no alto, cantar com todo gás e perder a voz com o grito de campeão. Muitas vezes foi isso mesmo que fiz, pulei ao lado de todos os torcedores, o suor escorreu pelos cabelos – era um tempo em que eles eram fartos -, a garganta parecia explodir junto com a emoção e cantei o hino repetidas vezes sem jamais cansar.

Placar 1987Comemorei como um torcedor alucinado na arquibancada até o fim da minha adolescência, mas festejei também na época em que repórter de campo me ofereciam a chance de participar da jornada final, como na foto que aparece neste post, feita em 1987. Fui campeão, ainda, narrando pela televisão a decisão da Copa do Brasil, em 2001. E nestes anos todos que estou em São Paulo, diante da TV, sentado – às vezes, em pé – no sofá de casa, vibrei com gritos contidos para não assustar a vizinhança.

Por isso, me emocionei ao ver a felicidade de Neuton na imagem fechada da televisão. Poderia ter me fixado na alegria de Jonas e na brincadeira de Hugo, na corrida pelo gramado de Leandro, na satisfação do primeiro título do capião Vitor, no sorriso do atacante Borges.

Mas em um futebol de jogadores ciganos que perambulam de um clube para o outro, sem tempo de construir sua paixão, são estes guris que nasceram ali na redondeza do Olímpico Monumental é que conseguem revelar quanto pode ser sincero o beijo no escudo de seu time. Eles sabem o valor de uma vitória sobre o rival de sempre.

Jovens que há pouco brincavam de futebol na várzea, batiam bola no meio da rua e narravam suas próprias jogadas, são estes que comemoram como sempre comemorei os títulos de meu time. Sem esperar nada em troca, sem imaginar para onde aquela conquista me levará. Apenas, única e exclusivamente, pelo prazer de gritar:

“O meu Grêmio é campeão !”

De lua

 

Por Maria Lucia Solla

Ouça De lua na voz e sonorizado pela autora

Galeria de Eduardo Amorim no Fliuckr

Mulher é lua, tem fase. Incha, fica plena, regozija, depois murcha, murcha, diminui. Muda a forma: escurece, emagrece, emudece, quase desaparece.

Um dia, invadida pelo calor solar, volta aos poucos a inchar.

Só me parece importante lembrar que tudo isso – fase, forma, luz, escuridão – é ilusão.

eu mulher
eu lua
lua mulher

tenho fase de alegria
colorida como fantasia
onde o riso brota fácil sem regar
tudo vai e vem
em pacote envolto em linda fita

tenho outra porém
de tristeza infinita
dura seca escura maldita
lágrimas rolam
feito folhas no outono
e me vejo sozinha
no amargo abandono

É mais fácil falar de tudo isso quando se está no quarto-crescente porque é aí mesmo, é desse lugar que a gente pode perceber uma nesga da realidade, um vislumbrar da sanidade.

“Na verdade, somos tão voltados para nós mesmos, para o nosso umbigo, para a imensa muralha que é o nosso ego, que somos, na verdade, absolutamente cegos.

Todos.”

Eu disse isso na semana passada, e ouvi bem o que eu mesma disse. A velha história dos ouvidos que estão mais próximos da boca que fala ou, a gente só tenta ensinar o que precisa aprender.

Pois agora, na fase ascendente, percebo ainda melhor que não são os grandes acontecimentos, os presentes caros, os momentos de fogos de artifício e de champanhe francês que vêm nos resgatar da escuridão da dor, do breu da solidão.

São coisas prosaicas: pequenos sorrisos que só arqueiam os cantos da boca, a mão que se estende e os braços que se abrem no gesto que te aconchega, que oferece conforto, que alivia tanto a descida quanto a subida. É o brilho intenso do olhar que vem certeiro na tua direção, a palavra quase dita, o telefonema inesperado, o doar-se, o oferecer de si mesmo, um pedacinho que seja, que dão o impulso para o passar de fase.

é cada pequeno evento que faz que eu
mulher que anseia
trilhe de novo a via que leva
a mais uma fase cheia

eu mulher lua
vestida nua
no quarto na rua

é cada pequeno gesto
percebido reconhecido recebido
que me ajuda a recolher
os fragmentos da fase vazia
que me deixa
contente
e me faz de novo
gente

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira, realiza curso de comunicação e expressão e escreve aos domingos no Blog do Mílton Jung em todas fases da lua


Imagem da galeria de Eduardo Amorim, no Flickr

Novos anos 70 de novo

 

Por Dora Estevam

mariacarlaboscone-harpersb[1]

A década de 70 está de volta. Renovada ganhou um ar mais opulento no qual há espaço para muitas pedrarias, tricôts, paetês, lurex, bordados enormes e tecidos brilhantes.  
 
Como a moda não tem fronteiras quando se fala em anos de 1970 logo vem a mente o estilista Jean Paul Gaultier, que apresentou o último desfile de alta-costura  todo inspirado no folclore e nas ricas paisagens do México.
 
E não foi a primeira vez, o encantamento de Gaultier com o México já vem de muito tempo. Ele é conhecido tanto como defensor da causa feminina como da homossexualidade.

gaultier-1998[1] 

Em 1998, o desfile de Gaultier foi totalmente inspirado na vestimenta da artista mexicana Frida Kahlo, que já era conhecida por seus trajes folclóricos 40 anos antes de a moda dos anos 70 ser reconhecida ou intitulada e por eles influenciadas.
 
Na década de 70 quando as mulheres se vestiam friamente para trabalhar ele foi lá e colocou as mãos na tesoura e foi totalmente “irracional” para a época. Aboliu a moda de homem e de mulher. Não queria saber quem iria fumar o charuto ou usar as suas saias.
 
Enquanto os amigos estilistas colocavam estrelas na passarela, Gaultier queria saber de gente autêntica: bonita ou feia; gorda ou magra; jovem ou velha.
 
Verifica-se sempre uma atratividade em suas coleções: “Os Mongóes”, “Os Rabinos Chiques”, “A Grande Viagem”… Até os punks tatuados já serviram de inspiração para estampar camisetas. Uma verdadeira ampliação do conceito de beleza. Pode ter certeza, ele já irritou muitos políticos com este jeito único de ser, como ele próprio se denomina o enfant terrible da moda.
 
Madonna também apreciou o talento do estilista ao usar os famosos corpetes com peitos bicudos em sua digressão Blond Ambition, em 1990.
           

Com tudo podemos dizer então que a década de 70 serviu como uma alforria para a moda, na qual tudo poderia ser misturado  (e pode).
 
Hoje, 40 anos depois, os criadores olharam com carinho para trás e nos trouxeram a exuberância, o luxo e a criatividade dos 70 com toque renovado e chique, atualizado e clássico.
 
dujourmagazine[1]

O que os estilistas estão querendo dizer é esqueça a crise e provoque o mundo com a sua beleza. Use roupas mais coloridas, estampadas, coloque maquiagem colorida nos olhos e na boca, use jóias com pedrarias que lembram a natureza, com suas riquezas de cores e assimetrias. Use muito brilho: nas saias, nas meias, nos shorts, regatas.
 
Mas cuidado, não vai sair por ai tipo  David Bowie, que era puro brilho, das roupas a maquiagem, nem com aquele kit Dancin’Days, de 1978. Prefira uma versão mais urbana e sofisticada, explore bem as jóias e respeite a anatomia do seu corpo. É isso, a antimoda na moda.
 
Agora me conte caro (a) leitor (a), como é que foi a sua passagem pelos seventies?

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida aos sábados no Blog do Mílton Jung

Flores para este sábado de outono

 

Para que você tenha um bom sábado, o álbum digital do CBN SP traz sequência de detalhes que fazem parte da exposição fotográfica Flores, que abre neste sábado, em homenagem ao Dia das Mães, no Centro Digital, de São Caetano do Sul, na avenida Goiás, 950. Aproveite o fim-de-semana.

Anchieta, a sessentona e o transporte rodoviário

 

Semana passada, dia 22 de abril, a Via Anchieta completou 63 anos, rodovia que se transformou em sinônimo de modernidade em uma época na qual o transporte rodoviário engantinhava, superando crises internacionais.

EXPRESSO BRASILEIRO INAUGURAÇÃO

Por Adamo Bazani

A Rodovia Anchieta, que faz parte do sistema Anchieta-Imigrantes, em São Paulo, recebe mais de 30 mil veículos por dia na semana e até 80 mil por dia sábados e domindos, isso sem contar os feriados prolongados. Foi um sonho antigo de desenvolvimento de quem entendia a importância de uma ligação moderna entre três grandes pólos econômicos no Estado de São Paulo: Santos, pelo seu porto, o maior da América Latina, principal ponto de exportação dos produtos nacionais; ABC e Capital Paulista, pelo número de indústrias e população que aumentava de maneira considerável desde dos anos de 1930.

Com o aumento da atividade econômica no litoral e no planalto, ampliando também a área urbanizada nestas regiões, os deslocamentos de produtos e pessoas se faziam mais necessários. A ligação principal entre Santos e a Capital era a Estrada de Ferro Santos-Jundiaí, da São Paulo Railway, empresa de capital inglês, que desbravou a Serra do Mar por trilhos. No entanto, desde o governo de Washington Luís, nos anos de 1920, o Brasil começava a adotar política rodoviarista, por opção e, também, necessidade para atender de maneira rápida e barata o crescimento da população e da economia nos centros urbanos.

Mesmo com o trem sendo predominante, já em 1929, as autoridades e a população constatavam o esgotamento da rota Estrada Vergueiro, Caminho do Mar, Estrada Velha de Santos, pelo aumento do número de pessoas, mercadorias e veículos.A estrada velha se tornaria perigosa. Os veículos de transportes de cargas e passageiros se tornariam maiores e sua circulação se tornaria mais difícil.

Neste ano, em 4 de janeiro de 1920, o governo paulista de Júlio Prestes autoriza a obra que cortaria a Serra do Mar. Durante o Estado Novo de Getúlio Vargas, no entanto, o projeto ficou parado. Era época de conflito mundial e os recursos ficariam escassos.

Ironia ou não, foi na época de Segunda Guerra Mundial que a Anchieta começou a ser construída, apesar de todas dificuldades financeiras e incertezas em relação ao futuro.

A construção começou em 10 de julho de 1939 e foi considerada uma da obra prima da engenharia rodoviária brasileira. Foram inúmeras as dificuldades e até vidas foram perdidas. Os viadutos, pontes aterros, túneis e cortes na Serra do Mar foram feitos quase artesanalmente, esculpida por trabalhadores e engenheiros com ferramentas simples. Não se poderia usar máquinas de grande porte em alguns pontos, por causa de riscos de deslizamentos.

Em 22 de abril de 1947, no governo de Adhemar de Barros, a primeira parte da rodovia, apenas a pista utilizada rumo ao Litoral era inaugurada. Os serviços de ônibus marcaram a fundação da rodovia. Para se ter ideia, no dia da apresentação se formava uma fila de ônibus novíssimos GM Parlour Coach, verde-amerelos, da Expresso Brasileiro, Viação Ltda, que fazia a ligação entre São Paulo-Santos, desde 1942, por iniciativa do empresário Manoel Diegues.

Canto da Cátia: Marronzinho de bicicleta

 

Marronzinho de bicicleta

Esta é uma das duas bicicletas da CET que circulam pela área do estádio do Pacaembu, de segunda a sábado. No Ibirapuera, há cerca de 15 fiscais-ciclistas pedalando para controlar movimento de carros e pessoas. E bicicletas, também.

Ter marronzinhos pedalando ajuda os fiscais a passarem a enxergar as bicicletas como meio de transporte neste enorme aglomerado urbano que vivemos.

Avalanche Tricolor: Além do próprio Grêmio

 

Fluminense 2 x 3 Grêmio
Copa do Brasil – Maracanã

Jonas surgiu rápido dentro da área, driblou um, driblou dois e cortou três de uma só vez. Jonas disparou para receber fora do alcance dos dois zagueiros, parou, sapateou, olhou e deslocou o goleiro. Douglas correu na diagonal, em direção à área, ignorou a água no gramado, passou por um, passou por dois e limpou a jogada.

Em um lance e noutro – e no outro, também -, a bola foi parar dentro do gol adversário, em uma noite em que o Grêmio foi muito além do próprio Grêmio. O Brasil acostumado ao lugar-comum do time guerreiro, de raça e lutador, talvez tenha tido dificuldade para entender o que levou o Imortal à vitória no Maracanã.

Vencermos com um a menos, não nos surpreende mais. Mesmo que este “a menos” seja o Patrão da Área, Rodrigo, o zagueiro que dá consistência à nossa defesa. Convenhamos, para quem já venceu um campeonato com apenas sete….

Foi a categoria de um time que vem sendo construído pouco a pouco, o talento de jogadores habilidosos e experientes, a personalidade de jovens que não se intimidam com o grito de uma torcida inteira no maior estádio do mundo (nem a cara feia de um técnico mal-humorado ao lado do campo). Todos estes elementos se somaram a mística que faz parte da nossa história.

Em noite de inspiração, Silas deu seu drible ao manter dois atacantes quando nos faltava um defensor e mostrou que pode ser ousado. Termina a primeira metade das quartas-de-final com o melhor desempenho de todos os oito participantes.

Jogamos com personalidade, inteligência e, sim, muita garra, pois este sentimento está impregnado em nossa camisa, nosso Manto Tricolor.

E pensar que domingo tem Gre-Nal !

Pauta #cbnsp: Denuncie propaganda eleitoral

 

CBN SPDenuncie propaganda eleitoral – O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo abre espaço no seu site para denúncias sobre propaganda eleitoral irregular. O registro pode ser feito no site http://www.tre-sp.jus.br. O juiz assessor da presidência do TRE-SP Marco Antônio Martim Vargas explicou como a justiça pretende atuar depois de receber a denúncia do cidadão.

De olho nos terrenos – A subprefeitura do Butantã, zona oeste de São Paulo, iniciou operação “Melhora Bairro” que visa controlar irregularidades em terrenos particulares que estejam fechados. Além disso, os fiscais irão verificar as condições das calçadas. A entrevista foi com o subprefeito Régis Oliveira que divulgou dois canais de contato para os moradores da região. O telefone 011 3397-4600 e o e-mail regisoliveira@prefeitura.sp.gov.br

Flanelinhas sem lei – A polícia militar somente pode coibir a ação de flanelinhas se houver denúncia da vítima no local em que a extorsão tenha ocorrido. A afirmação é do capitão Emerson Massera, porta voz da Polícia Militar de São Paulo.

Venda de ingresso – Torcedores de futebol são mais uma vez desrespeitados e tiveram de enfrentar enormes filas para comprar ingresso para final do Campeonato Paulista, entre Santos e Santo André, neste domingo, no Pacaembu. Os problemas ocorreram no estádio do Pacaembu, no Ginásio do Ibirapuera e no estádio Bruno José Daniel, em Santo André. http://cbn.globoradio.globo.com/sao-paulo/2010/04/29/TORCEDORES-ENFRENTAM-LONGAS-FILAS-E-TUMULTO-PARA-ASSISTIR-FINAL-DO-PAULISTAO.htm.

Esquina do Esporte – Está na hora de Ronaldo deixar o time do Corinthians. A opinião é do comentarista da CBN Leonardo Stamillo que falou, também, do São Paulo, na Libertadores, e do Santos, na Copa do Brasil.

Época SP na CBN – Duas apresentações de folk estão entre os destaque da noite paulistana. Acompanhe as dicas de Rodrigo Pereira.