Quando o menos é mais

 

Por Abigail Costa

Das primeiras vezes que ouvi isso, as pessoas se referiam as roupas.

Muitas cores, muitos colares, muitos anéis. Tudo “over”.

Bastou um olhar mais atento para camisa branca ou o pretinho básico e as diferenças apareceram.

Das roupas para a vida nossa de cada dia, ficou mais fácil.

É natural, além de ser mulher, mãe, esposa, profissional, incorporar outras figuras.

Foi num desses momentos de múltiplas funções que me deparei com um desgaste fora do normal.

O cansaço veio acompanhado de uma sensação de ser incompleta.

Poucos minutos para o café da manhã já que o dia tem pressa.

Uma espécie de cronômetro para medir se o que foi feito estava absolutamente certo ou pela metade.

Uma cobrança invisível de sofrer.

Ninguém diz nada mas você sabe.

Poderia ter ido mais além aqui. Deveria ter brecado ali.

Era como ir para o quarto e perceber que com algumas mudanças nos móveis conseguiria mais espaço para ter um corredor.

Em alguns momentos é hora de sacar o pretinho básico do guarda-roupa para não perder tempo com as combinações de cores que estão fora de moda.

Uma dúzia de funções ficam bem para mostrar para os outros como você é ou se sente ocupada.

Ocupada, mas sem tempo de desempenhar as principais tarefas que só dependem de você.

DESCENTRALIZAR.

Estou “in love” com essa palavras.

Ando namorando, o mais é menos.

Descobrindo que posso, não preciso, andar com o cronômetro na bolsa.

Quer saber?

Me perguntaram outro dia.

– Esta fazendo o quê?

– NADA.

Do outro lado lado:

– Aí que inveja!

Eu me senti vestida de menos, o outro me viu DEMAIS.

Estou conseguindo.

Abigail Costa é jornalista e escreve às quinta-feiras no Blog do Mílton Jung

Cánto da Cátia: Minha Casa, Meu Lixão

 

Fazenda Joaninha

O Sítio da Joaninha era um antigo lixão que atendia as cidades do ABC Paulista, em especial Diadema e São Bernardo do Campo. Hoje, moram pouco mais de 600 famílias, boa parte assustada desde que vieram no noticiário a tragédia do Morro do Bumba, no Rio de Janeiro. A repórter Cátia Toffoletto conversou com alguns dos moradores que estão por lá há quase 20 anos, outros chegaram recentemente. Todos, porém, estão cansados de ouvir promessas das autoridades públicas.

Na reportagem da Cátia Toffoletto a descrição do que é viver no Sítio da Joaninha, nome singelo para uma área que pode causar tanto mal.

No CBN SP, entrevistei o geólogo do IPT Eduardo Macedo que se mostrou preocupado com a situação de famílias que moram sobre aterros sanitários ou lixões. O Instituto de Pesquisas Tecnológicas fez estudo há 10 anos por ali e nunca mais voltou. Eduardo Macedo explica os riscos para as famílias estabelecidades nestas áreas que serviram de depósito de lixo no passado.

Atenção senhores moradores, voo chegando

 

Prédio na cabeceira de Congonhas

Esta é a imagem que o piloto tem ao se aproximar para o pouso na cabeceira 35 do aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, pelos lados do bairro do Jabaquara. O ouvinte-internauta Armando Italo, nosso colaborador, chama atenção para o prédio que aparece no meio do caminho. Lembrou-se do fato ao ouvir entrevista com o comandante Carlos Camacho, diretor de Segurança de Voo do Sindicato Nacional dos Aeronautas, ao Jornal da CBN, na qual falou sobre os riscos nas operações em Congonhas. Disse, por exemplo, que é perigoso descer no aeroporto da capital, principalmente com chuva e à noite, pois não há área de escape suficiente.

Armando gostaria de saber quem permitiu a construção do prédio neste local.

A entrevista do comandante Carlos Camacho você acompanha aqui.

Foto-ouvinte: Santo Antônio agradece

 

R. Santo Antonio

A bela foto do nosso colaborador Marcos Paulo Dias se não sensibilizou ao menos mobilizou a prefeitura de São Paulo que decidiu enviar uma equipe até a rua Santo Antônio, na Bela Vista, e fechar a cratera que ocupa o espaço dos carros e pedestres. A foto do conserto – enviada pela subprefeitura da Sé – não ficou tão bonita quanto a do buraco, mas aqui não era a estética que importava.

Rio “verde” é resultado da poluição na Guarapiranga

 

Rio Pinheiros verde

O rio Pinheiros mais verde que a Pétria Chaves encontrou lá do alto do helicóptero da CBN não chega a ser motivo de orgulho. O que temos dentro da água é algo que foi batizado como “macrófitas”, mas também atende pelo nome de aguapé. Semana passada, publicamos no Blog e tratamos no CBN SP da ocupação da superfície da Represa de Guarapiranga, na zona sul de São Paulo, por esta planta aquática e soubemos que sua proliferação está ligada ao esgoto despejado no reservatório. De acordo com a Empresa Metropolitana de Águas e Energia (EMAE) a vegetação apareceu no Pinheiros devido as descargas do reservatório Guarapiranga para controle de nível: “Como essa vegetação estava nas proximidades das comportas, o fluxo de água gerado pela descarga arrasta essa vegetação flutuante para o rio, de onde é possível fazer a retirada” – explico a empresa, em nota.

Avalanche Tricolor: Sofrer na internet

Grêmio 3 x 1 Avaí
Copa do Brasil – Olímpico Monumental

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São cerca de 300 canais à disposição e passei um por um em busca das imagens do Grêmio. Havia nove emissoras transmitindo quatro jogos diferentes: da Libertadores, da Copa do Brasil e mais um VT de times que não guardei o nome. Nenhum acompanhando o time quatro vezes campeão e que mais finais fez na competição.

Que os canais abertos estivessem mais atentos às partidas de São Paulo, não há o que discutir. São emissoras comerciais, sobrevivem graças a audiência e não faria o menor sentido se não estivessem com os clubes paulistas na tela. Mas a TV fechada teria de ser a opção. Poderia muito bem oferecer esta oportunidade aos torcedores. Preferiram disputar público com eles próprios, inclusive abrindo os canais de PPV para partidas que estavam na concorrente.

Foi-se, porém, o tempo em que na falta da televisão, me obrigava a levantar a antena de um rádio Transglobe que ficava escondido no armário durante a semana e de lá somente era retirado para sintonizar as emissoras de Porto Alegre em dias de jogos do Grêmio. Deixava-o escondido, pois temia algum boicote da família incomodada com a chiadeira emitida nos 90 minutos de partida. Às vezes, não conseguia entender direito o nome do autor do gol, mas a força do grito do narrador sinalizava ao menos se era o time da casa que havia marcado.

Com a internet, o “radião de pilha” ficou abandonado. Transferi minhas emoções para a tela do computador, onde após três, quatro, cinco tentativas se encontra algum link com capacidade de trazer até você cada segundo de esforço dos seus craques, de estratégia do seu técnico e vibração da sua torcida que lota as arquibancadas – isso quando o time em campo e os torcedores no estádio lhe oferecem tudo isso, é lógico.

Hoje, a torcida me transmitiu esta energia cantando, nos fones de ouvido de meu computador, desde seus gritos de guerra até seu hino de paixão que, no caso do Imortal Tricolor pode ser tanto o criado por Lupicínio Rodrigues, conhecido mundialmente pelo refrão “Até a pé nós iremos”, ou o Rio-Grandense, uma marca dos gaúchos nos campos de futebol.

O Grêmio também fez a sua parte com Jonas e Borges mostrando que formam dos melhores ataques do Brasil e Vítor, indiscutivelmente, defendendo o título de melhor goleiro. Muito mais do que isso não fizemos e parece que o time não irá fazer mesmo, apesar de esboçar boas jogadas e trocas de passe.

É uma sina que nos persegue na TV, no rádio, na internet ou em pé na “geral”: sofrer acreditando na vitória quando estamos em desvantagem no placar e temer pelo pior mesmo quando a diferença de gols nos é favorável.

Vá entender este coração tricolor !

Morador de rua não é caso de polícia

 

O uso da Guarda Civil Metropolitana para retirar moradores das ruas é de causar constrangimento a qualquer cidade com perspectiva de modernidade. O caso tem de ser tratado do ponto de vista da assistência social, não da segurança urbana – esta é acessório na solução do problema. São Paulo, ao contrário, não se envergonha disso, coloca em lei. Foi esta a iniciativa da administração Kassab (DEM), que no dia 1º de abril – parece brincadeira, mas não é – baixou ordem para que os guardas metropolitanos passassem a atuar na remoção das milhares de pessoas que dormem nas calçadas e praças da capital.

De acordo com o secretário municipal de Segurança Urbana, Edson Ortega, os GCMs foram capacitados para atuar neste setor e trabalham de “forma coordenada” com os servidores da assistência social. Apesar da tal “união”, o secretário não soube informar o número de moradores de rua na capital, dado básico para se traçar qualquer tipo de estratégia: “Quem tem esse número é a Secretaria de Assistência Social”, informou.

Confesso que fiquei na dúvida. Se há sinergia, estes dados teriam de ser de domínio tanto da segurança urbana quanto da assistência social. Mas aí há outro problema: desde o fim do ano passado, a secretária municipal de Assistência Social e vice-prefeita Alda Marco Antônio promete divulgar o resultado de pesquisa que mostra a quantidade de moradores de rua na capital. Mesmo tendo gasto cerca de R$ 800 mil no estudo, os dados não foram publicados até agora.

“Eles não conversam, cutucam”, foi o que disse o padre Julio Lancelotti, da Pastoral da Rua, se referindo ao modo de operação dos guardas metropolitanos, em referência a abodagem que fazem com as pessoas que vivem na rua. Para ele a substituição da assistência social pela segurança urbana exclui a solução para outros problemas como a falta de moradia, desemprego, dependência de drogas e dificuldade de acesso aos serviços de saúde mental

Você ouve aqui a entrevista com o padre Julio Lancelotti e com o secretário Edson Ortega, ao CBN SP

PAUTA #CBNSP 14.04.2010

Acompanhe outros destaques da edição desta quarta-feira, no CBN SP:

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Escola sem medo

 

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Por Carlos Magno Gibrail

A FOX TV em 20 de abril de 1999 espetacularizou a chacina protagonizada por Eric e Dylan no cenário da Columbine High School, em Colorado, nos Estados Unidos, através de transmissão nacional ao vivo. Na hora do almoço entram no refeitório, matam um professor e em seguida caminham carregados de armas automáticas procurando suas vitimas. Depois de 900 tiros e 12 mortos, se suicidam.

Os “bocós” de 17 e 18 anos, como Eric e Dylan eram chamados não tinham efetivado uma ação, mas uma reação.

Lamentável que este preço tão alto para a sociedade americana não tivesse servido de estímulo para que a origem e a causa do “Bullying” não fossem abrandadas.

Ainda hoje, algozes e vítimas carecem de atenção, tanto na América quanto no Brasil.

Aqui, país menos armamentista, mas com estatística vergonhosa, quando de 8ª Economia ostenta 88º em Educação é de se perguntar, preocupadamente, como vamos nesta questão dos maus tratos aos colegas e da violência nas Escolas.

A Plan Brasil, afiliada da Plan International, organização presente em 66 países, que cuida de 75.000 crianças brasileiras, contratou a CEATS – Centro de Empreendedorismo Social e Administração em Terceiro Setor e a FIA – Fundação Instituto de Administração da USP, para pioneiramente efetivar um mapeamento sobre o “Bullying escolar no Brasil”.

O resultado desta pesquisa foi apresentado, hoje, no auditório da Ação Educativa, em São Paulo.

Moacyr Bittencourt, Country Director da Plan Brasil, antecipou a apresentação da pesquisa, que, responsavelmente, apresentamos um resumo, desejando que este levantamento chame a atenção de todos para que a violência física ou moral possa ser combatida em nossas escolas.

Foram pesquisados 5.160 alunos, 14 grupos com 55 alunos, 14 pais e 64 técnicos, nas 4 regiões do Brasil. Houve fase quantitativa e qualitativa.

70% já viram pelo menos uma vez algum colega ser maltratado na escola

10% vêem todos os dias maus tratos em colegas

9% vêem várias vezes por semana

29% já maltrataram colegas

Regionalmente aparecem as seguintes taxas de maus tratos: nordeste 5,4%, norte 6,2%, sul 8,4%, sudeste 15,5%%.Desconcertante verificar que nas regiões mais ricas as taxas são maiores.

Na internet a incidência constatada é de 17%, com duração de uma semana de ofensas e ataques.

As formas mais comuns de Bullyng são: xingamentos, apelidos, insultos e ameaças. Os locais mais incidentes são a sala de aula e o pátio de recreio. O que é inexplicável, pois denota falta de controle da escola por serem locais de fácil visibilidade e controle.

As reações da vítima: 49,5% nega maltrato 6,6% fica magoada, 6,3% se defende, 5,4% fala com o pai, 5% revida, 4,7% fala com o diretor, 4% pede que parem, 3,3% fala com os amigos, 1,6% fala com irmãos.

As consequências na vítima são a perda do entusiasmo, da concentração e medo de ir à escola. No agressor são as mesmas, isto é, perda do entusiasmo na escola e falta de concentração.

As características da vítima não estão nem na cor nem na etnia. As diferenciações são outras, enquanto o dos agressores concentra-se no desejo de aceitação social, da necessidade de exercer influência sobre os colegas e a busca de popularidade. Além da ausência do medo da punição.

Os professores opinam que por serem externas as causas, isto é, família e sociedade, não podem resolver definitivamente a questão. Agem punindo os agressores com suspensões e advertências, chamando os pais para conversar com educadores e equipes técnicas. Sugerem campanhas, palestras e grupos de discussão. O que faz sentido porque ficou claro na pesquisa que os alunos não identificam o Bullyng.

Os pais afirmam que a escola não sabe lidar e transferem para eles a responsabilidade de resolver conflitos.

Qualquer observador mais atento não terá duvida em afirmar que a solução está na junção da escola com o lar. Lastreado na pesquisa, fica aberto o caminho para a melhoria do ensino em nosso país. Uma grande oportunidade para que o conhecimento obtido da pesquisa venha a ajudar o conhecimento das crianças e adolescentes de hoje.

E, principalmente, a sua felicidade.


Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve no Blog do Mílton Jung

Foto-ouvinte: Arte no buraco

 

Buraco na Santo Antonio

Tem um buraco no caminho. Um buraco a atrapalhar pedestres e automóveis. Mas que diante da lente da câmera do colaborador do Blog do Mílton Jung Marcos Paulo Dias ganha cores diferentes. A bela imagem captada por ele na rua Santo Antonio, no bairro da Bela Vista, região central de São Paulo, não é suficiente para nos fazer esquecer a falta de cuidado com a cidade.

Parque será construído dentro de represa, diz MP

 

Veja outras imagens no álbum de Henrique Bronze, no FlickrA Represa de Guarapiranga, que abastece a região metropolitana de São Paulo, pode sofrer sérios prejuízos ambientais com a construção de um parque que vai ocupar parte interna do reservatório. O alerta é do promotor de Meio Ambiente da Capital, José Eduardo Ismael Lutti, que está investigando o que ele considera um crime ambiental. O parque Nove de Julho terá cerca de 530 mil m2 e foi anunciado pela prefeitura e Governo do Estado como a solução para preservar a represa, vítima de ocupações irregulares há dezenas de anos. Ele disse que a obra é demagogia do poder público.

O subprefeito da Capela do Socorro, Valdir Ferreira, escalado pela prefeitura para defender a administração municipal desta acusação, disse que a intenção de usar a área de inundação do parque, com a colocação de alguns equipamentos na área, é impedir que as ocupações avancem naquela região. Ferreira disse que a fiscalização não é suficiente para impedir as invasões.

Após receber o laudo da perícia realizada sexta-feira em Guarapiranga, o promotor José Eduardo Lutti disse que pretende identificar quem foi responsável pelo licenciamento ambiental que autorizou a construção do parque naquela área.


Ouça a entrevista do promotor José Eduardo Ismael Lutti, ao CBN SP

E aqui a resposta da prefeitura, na entrevista com o subprefeito da Capela do Socorro Valdir Ferreira