Foto-ouvinte: Fugaz celebridade

 

Sala na Oscar Freire

Que o mundo das celebridades é fugaz, nunca teve dúvida. Não esperava, porém, que em tão pouco tempo – as prestações sequer haviam sido pagas – seria abandonado na calçada. Este sofá, assim como a cidade, esperava um pouco mais de respeito, principalmente por ter servido a clientes e lojistas chiques que visitam a mais luxuosa das ruas paulistanas, a Oscar Freire, onde teve abandono flagrado pelo ouvinte-internauta Sérgio Mendes. Entre roto e rasgado, pensava com suas almofadas: “Tivesse a assinatura de um Kuramata iria para casas de antiguidade”.

Conte Sua História de São Paulo: O guarda-chuva

 

Jayme da Silva

Objetos do cotidiano reacendem lembranças, fazem um dia comum se transformar em algo especial, mesmo que este seja apenas um guarda-chuva, desses que você perde a todo momento. Foi, por sinal, um guarda-chuva perdido duas vezes que fez parte de uma das histórias contadas pelo ouvinte-internauta Jayme Pereira Silva, em depoimenro gravado pelo Museu da Pessoa.

Nascido na Vila Anastácio, Jayme fala da primeira casa construída pelo pai dele e do guarda-chuva que o fez viajar pelas lembranças de São Paulo em mais um capítulo do Nossa História de São Paulo que você ouve aqui.

Você também pode participar deste quadro que vai ao ar aos sábados, logo após às 10 e meia da manhã, no CBN SP. Agende um entrevista pelo telefone 011 2144-7150 ou no site do Museu da Pessoa e Conte Sua História de São Paulo.

Avalanche Tricolor: Tá na história

 

Juventude 1 x 2 Grêmio
Gaúcho – Olímpico Monumental


Foi a décima-quinta vitória consecutiva na temporada, marca jamais alcançada por nenhum outro time que vestiu a camisa do Grêmio. O Imortal 2010 faz sua própria história sob a desconfiança dos adversários e mesmo de muitos torcedores que ainda temem a próxima partida – seja esta qual for. É talvez este olhar receoso que desafia os jogadores tricolores e os fazem superar as expectativas, a registrarem ao fim deste feriado de Páscoa a melhor campanha do futebol brasileiro com 88% de aproveitamento.

A quem lembrar que boa parte destes jogos foi válida pelo Campeonato Gaúcho, bom não esquecer que mesmo equipes respeitadas pela crítica não foram capazes de alcançar esta sequência vitoriosa em temporadas anteriores. Não custa citar que o “Queridinho da Crônica” enfrentando os mesmos adversários não somou 15 vitórias em toda a competição. Classificou-se na bacia das almas para esta próxima fase, na qual o Grêmio chega como líder absoluto.

O Grêmio tem decidido suas partidas nos primeiros 15 minutos, foi assim nas quatro últimas. Jonas, mesmo sozinho no ataque, é o goleador do ano (13 gols) e merece todos nossos aplausos. Não vejo hora dele se reencontrar com Borges, fora há mais de um mês por lesão.

Douglas, o 10, é o Tcheco com mais saúde. Forte para dividir, mais ainda para manter a bola em seus pés. É capaz de encontrar companheiros em lugares que a televisão não mostra (tudo bem que os diretores de TV, no PPV, não têm se esmerado muito no corte das imagens). Tem um passe preciso e lança com açúcar e afeto como fez no primeiro gol.

É preciso, porém, que se abra um parágrafo nesta Avalanche para destacar um jogador que tem sido fundamental nesta campanha. Experiente, firme e talentoso, o zagueiro Rodrigo, que chegou neste ano, joga com pinta de quem logo se transformará em “Cherifão do Tricolor”. A presença dele no time fechou espaços que permitiam o assédio constante dos adversários, no início do ano (lembra quantas vezes tivemos de virar o placar ?). Hoje foi forte quando preciso, tranquilo na medida certa e ainda se deu ao luxo de despachar uma bola da nossa área, aos 40 e tantos minutos do segundo tempo, de calcanhar (só não precisa exagerar, prefiro bem mais uns carrinhos de vez em quando).

Jonas, Douglas e Rodrigo ainda precisam fazer mais, muito mais, para merecerem o título de Imortal, necessitam confirmar este título Gaúcho, seguir em frente na Copa do Brasil, abrir caminho na Libertadores e azarar os “Queridinhos da Crônica˜. Mas já podem dizer por aí que após mais esta vitória, a décima-quinta seguida, entraram para a história. E eu me orgulho disto.

Em tempo: Recebo informação de Arigatô que a marca de 15 vitórias consecutivas é sul-americana. Confira no Blog Imortal Tricolor.

De condicionamento

 

Por Maria Lucia Solla

Click to play this Smilebox slideshow: De condicionamento
Create your own slideshow - Powered by Smilebox
This free picture slideshow created with Smilebox


Não acreditei quando encarei o voraz condicionamento que domina meu comportamento. Aí me perguntei: como pode?! eu que vivo furungando os modos de não mofar, não embolorar por dentro e por fora, me percebo contaminada desse jeito!

Esta semana, quem me deu a cutucada foi a geladeira, que de fria, pelo jeito, só tem o interior

Ela morava, originalmente, na cozinha – como manda o figurino. Acontece que sou avessa a figurinos, e a minha saiu de lá para morar no quartinho dos fundos, que faço de despensa. Para chegar nela eu saía da cozinha, dava seis passos atravessando a área de serviço, entrava na despensa e ela ficava ali, do meu lado direito.

Saiu da cozinha para que eu pudesse instalar, no seu lugar, uma bancada para amassar a massa de pão.

Detalho o trajeto dela para demonstrar a gravidade do caso.

Aqui em casa as coisas se movimentam bastante. Meu quarto já foi na sala de cima porque eu queria curtir o amanhecer, o sol, a lua, o céu, as estrelas. Já foi no quarto de hóspedes e agora se instalou onde deveria ter se instalado desde o começo. Importante dizer que quando o quarto desceu, a sala de jantar subiu. E vou parar por aqui.

Toda essa informação faz parte do dossiê que compõe a minha defesa. Vem ajudar a provar que não sou apegada a hábitos. Gosto da mudança e vivo, há muito, aninhada em seus braços.

Faz quinze dias, pouco mais, pouco menos, que tirei as máquinas de lavar e de secar, da área de serviço e instalei as ditas cujas no banheiro da despensa. Na realidade negociei com a pia do banheiro, tipo o Chaves da Venezuela: as máquinas entraram e ela dançou!

Isso feito, a geladeira ocupou o lugar das máquinas.

Não se estresse que eu chego lá. A geladeira, as máquinas, a despensa, a pia e a bancada para amassar a massa do pão vêm explicar meu comportamento de cachorro de Pavlov.

Durante esses quinze dias eu saía da pia, passava batido pela geladeira, entrava na despensa e me surpreendia com a falta dela. Ene vezes por dia. Tudo bem que quando cozinho fico mergulhada nos mistérios da alquimia, mas não tinha noção de que eu podia funcionar assim no piloto automático!

eu me pensava livre, senhora da própria vida
que nada!
sou toda condicionada
de pura decisão não tenho nada

e é bom que eu perceba isso logo
para não sair por aí
cheia de pompa e circunstância
dando e vendendo arrogância

eu pensava ter as rédeas
em toda situação.
que nada!
quando penso ser cabeça
me percebo inteira coração

até o ortopedista se enreda
e o raio X então lhe segreda
que osso que nada
você procura na porção errada

olho para trás, para os lados
e o que vejo da minha vida
é um colar de situações
de drama, humor e paixões
que tem um pingo ou outro
das minha próprias decisões

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e organiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung com a intenção de tirar nossos móveis do lugar

Táxi ! Por favor, com elegância

 

Por Dora Estevam

Taxi, na galeria de Stephen Geyer

Esta semana, observei alguns pontos de táxis.  O que me chamou a atenção foi a roupa dos motoristas. Notei que, atualmente, eles estão mais sociais na maneira de se vestir, e isso me causou uma boa impressão.

Quando estão em grupo, é fácil identificar o que estão vestindo, parece uniforme mesmo: calça bege ou preta, camisa branca e sapato social. Barba bem feita e carro limpo … Para combinar, é claro.

“Esta é uma das nossas preocupações, além da ética no atendimento com o cliente”, diz Natalício Bezerra Silva, presidente do Sindicato dos Taxistas de SP. “Nosso compromisso com o passageiro vai  desde o relacionamento até o bem estar dele em toda a viagem. Imagine se um passageiro entra no carro e da de cara com um motorista todo sujo e mal cheiroso”.

Eu jamais pegaria um táxi se o motorista estivesse cabeludo, barbado e de óculos escuros, isso depõe contra o profissional. “E se eu fosse um cliente me manteria longe deste tipo”, ensina Edson Lamonica, motorista com ponto no Real Park, em SP.

“Aqui no ponto, nós trabalhamos durante a semana com roupas sociais, somente no sábado partimos para o casual, mas sempre bem arrumado. Procuramos estar com o rosto sempre a mostra, o carro limpo e organizado e, em todos os pedidos, descemos do carro para abrir a porta para o passageiro, seja ele uma empregada doméstica ou um grande executivo” – conta.

Edson trouxe na bagagem a experiência de 12 anos como motorista de empresa particular. Assim, foi mais fácil a adaptação. Ele até passa dicas para os amigos.

Estar barbeado e asseado faz parte do compromisso com o passageiro, a regra é fiscalizada e cobrada pelos coordenadores das praças.

“Assim como a roupa, o motorista tem de ser discreto: Não podemos falar mal da cidade de São Paulo nem tampouco dos passageiros, seja ele turista ou morador.” Discrição, também, em relação ao cliente, explica Natalício: “não podemos sair por ai contanto tudo o que ouvimos ou vimos dentro do táxi”.

O carro é como se fosse uma empresa. O motorista precisa se vestir adequadamente, falar bem e ter educação. O perfil dele indica a maneira com que conduz o carro. Um motorista bem arrumado causa boa impressão.

Ao pegar um táxi, espero que o motorista seja discreto, limpo, tenha bom senso, não ouça rádio com som alto e não encha minha viagem com histórias tristes, sobre a vida dos outros ou reclamando da própria. Espero que ele saiba me ouvir e me compreenda, além de chegar ao destino pelo melhor caminho.

Assim, certamente, ele fará parte da minha agenda, tão discreta e elegante.

Dora Estevam é jornalista, escreve aos sábados no Blog do Milton Jung e anda de táxi na cidade de São Paulo

Muito além de um elegante vestido preto

 

Por Rosana Jatobá
Vestido preto em tela por Bertrand Eberhard

Ela surgiu para esconder as vergonhas, mas hoje em dia revela o íntimo de cada um. A roupa é o sinal instantâneo da auto-imagem que queremos exibir. E, na visão da grande dama da moda, ela pode ser uma arma poderosa e infalível:

“Vista-se mal, e notarão o vestido. Vista-se bem, e notarão a mulher.”

Mademoiselle Chanel revolucionou, não apenas porque libertou a mulher dos trajes desconfortáveis e rígidos do fim do século 19. Mas porque valorizou o senso crítico:

“O mais corajoso dos atos ainda é pensar com a própria cabeça”.

Se os tempos modernos desafiam nossas escolhas em nome da Sustentabilidade, invocar a genialidade de Coco Chanel pode ser norteador. Foi o que eu fiz quando recebi um presente, que chegou cheio de recomendações:

– Tenha muito cuidado, guarde-o em lugar fresco e escuro, e, se sujar, leve a um especialista. Esta pele pertenceu à sua avó. É um vison!

Vesti e imediatamente senti o poder de transformação do visual. A peça macia e felpuda de cor castanha tinha a pelagem espessa, brilhante e vistosa. Embora com mais de meio século, mantinha um design atemporal. Envolta na altura dos ombros, proporcionava uma sensação de conforto e proteção. Era a mais perfeita tradução do luxo, o acessório que permitia a metáfora: os diamantes estão para as orelhas, assim como a pele está para o corpo.

Chegou o dia de exibi-la. A noite do casamento estava mesmo fria em São Paulo, coisa rara nos últimos invernos. A festa era de gala, num endereço tradicional da cidade, o Jockey Clube. Escolhi um vestido de seda preto, me enrolei no vison e me perfumei,
afinal, segundo nossa musa:

 “Uma mulher sem perfume , não tem futuro!”

 Mas a última olhada no espelho, em vez de glamour, revelava inquietação:

Eu sabia que o animal havia sido morto numa época em que não existia o risco de extinção da espécie. Tinha certeza de que ninguém iria me hostilizar na festa , pois grande parte das mulheres estaria ostentando a sua estola ou casaco de pele. Possuía o aval da papisa da moda, Anna Wintour, editora da vogue americana, fã incondicional de peles e uma das responsáveis pela “fur mania” atual, um boom que não se via desde os anos 80.

Tinha, portanto, razões de sobra para usar o bicho, mas nenhuma tão contundente quanto a deixada pelo legado de Chanel :

“A moda não é algo presente apenas nas roupas. A moda está no céu, nas ruas, a moda tem a ver com ideias, a forma como vivemos, o que está acontecendo.”

Não poderia ignorar que, se usasse o vison, vestiria a capa da indiferença diante de um mercado cruel e fútil, que não para de crescer. De acordo com a Peta (Pessoas pela Ética no Tratamento de Animais), a indústria da pele mata 50 milhões de animais por ano no mundo. Só na China, a produção atingiu números entre 20 e 25 milhões em 2010, ao passo que no ano 2000, oscilava entre 8 e 10 milhões de peles. A organização beneficente invade desfiles de moda e aterroriza as donas do acessório, jogando baldes de tinta para inutilizar a peça. É uma forma de protestar contra os maltratos dispensados aos bichos, que passam suas vidas confinados em minúsculas gaiolas.

Para a extração da pele, são eletrocutados, asfixiados, envenenados, afogados ou estrangulados. Nem todos morrem imediatamente, alguns são esfolados ainda vivos! Em alguns locais, para que as peles fiquem intactas, corta-se a língua do animal, deixando-o sangrar até morrer.

A voz da consciência soprou mais uma vez ao meu ouvido e ouvi o conselho da mestra das agulhas:

“Elegância é recusar.”

Abri mão da gostosa sensacão térmica da pele morta do vison e fui às bodas.

No salão ricamente enfeitado, a fauna mórbida desfilava à minha frente. Era uma profusão de visons, chinchilas, raposas, zibelinas, cabras e cordeiros. Bichos montados, pendurados, entrelaçados em mulheres superproduzidas. …e bem agasalhadas.

Toda concessão tem seu preço.

O ar gelado entrava pelas janelas e resfriava até a minha alma, obrigando-me a contorcer os músculos.

Mas toda renúncia, a sua recompensa.

O desconforto em pouco tempo desapareceu, quando me senti envolvida pelo calor dos braços de um certo alguém. Como dizia Gabrielle Coco Chanel:

“Uma mulher precisa de apenas duas coisas na vida: um vestido preto e um homem que a ame”.

Rosana Jatobá é jornalistas da TV Globo, advogada e mestranda em gestão e tecnologias ambientais da USP.


Veja mais imagens da galeria de Leemox, no Flickr

Avalanche Tricolor: A rotina

 

Grêmio 3 x 0 Votoraty
Copa do Brasil – Olímpico Monumental

Deva Pascovicci, tenor do futebol da CBN, santista e provocador, há três semanas ameaça a classificação do Grêmio na Copa do Brasil com a história de ascensão do recém-nascido adversário dessa quinta-feira. Quatro anos de vida, quatro níveis a mais no futebol e a presença entre os 64 clubes com esperanças de chegar a Libertadores.

Histórias comparadas, a do Grêmio é mais rica e vitoriosa. Seja pelos mais de 100 anos, seja pelas muitas conquistas, algumas impossíveis e impressionantes, seja porque o diabo sabe mais por velho do que por diabo. Em qualquer ponto de vista o Imortal levaria vantagem.

Sabemos, porém, que a Copa é traiçoeira. Nesta Sexta-feira Santa tem gente grande que já está fora da disputa, sem contar os que se mantiveram em pé por muito pouco. Hoje, são apenas 16 os que seguem almejando o título.

O Grêmio está entre estes. Sem nenhuma pretensão, não é novidade. Primeiro campeão da Copa, em 1989, maior finalista com sete disputas, tendo vencido quatro delas, chega as etapas mais decisivas da competição com o respeito que merece – ao menos o nosso respeito, já que os adversários teimam em desdenhar qualidades evidentes.

Em campo seguimos nossa trajetória. Mais uma vez foram necessários apenas 15 minutos para confirmar a classificação. Mais uma vez Jonas e Maylson marcaram e, agora, com o apoio de Rodrigo. Mais uma vez fizemos história com a 14.a vitória consecutiva, somente alcançada em 1979. Mais uma vez vencemos no Olímpico Monumental.

A rotina de sempre.

Sem sofá na casa, mal permanece

 

O Brasil é adepto a política do sofá. Basta tirá-lo que o marido não será mais traído, pensam seus defensores. Nesta semana, duas ideias comprovam que aumenta cada vez mais o número de adeptos a tese. Em Londrina, a Justiça proibiu a venda das pulseiras do sexo, adereços coloridos usados por adolescentes que significariam cada uma um tipo de relação com parceiros (de beijo na boca à sexo oral, podendo passar por todo o espectro sexual). Uma menina de 14 anos foi estuprada por três jovens, um maior de idade, e a pulseira está condenada. Melhorar a educação, fortalecer varlores e incentivar a relaçao pai-filhos, deixa pra outra hora.

Sobre a proibição da pulseira do sexo falamos no Liberdade de Expressão, dessa quinta-feira, no Jornal da CBN

Em São Paulo, cada dia surge uma novidade em defesa do silêncio urbano, depois da desastrada tentativa de implantar a lei do barulho, na Câmara Municipal. Agora, o vereador Jooji Hato (PMDB) pretende fechar os bares à meia-noite. Seria matar dois coelhos com uma cajadada só (se o politicamente correto assim me permite escrever): ninguém mais incomodaria o vizinho e a violência diminuiria, diz ele. Tornar o serviço do PSIU, matido com nossos impostos, mais eficiente é coisa pra mais tarde.

Ouça aqui a entrevista do vereador Jooji Hato e suas explicações

Sobre o assunto, aliás, a Luciana Marinho conversou com o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes Percival Maricato que lembrou que estes projetos de lei tem como origem a incapacidade das autoridades de tratar os grandes temas: “É gorjeta, lei seca, antitabagismo, manobrista, cardápio para o cego, cadeira para o gordo, a espuma do chopp e o lugar pra cachorro”, disse na entrevista que você pode acompanhar aqui.

Com a campanha eleitoral beirando, sugiro que alguém erga a bandeira: “Abaixo, o sofá !”

Ando devagar

 

Por Abigail Costa

Começo de abril de 2010. Não é falta de assunto, mas tudo está andando tão rápido que quando paro pra pensar nisso tem que ser rápido.

Ainda outro dia reunimos amigos em casa numa função gostosa para brindar a chegada do ano, depois uma viagem planejada, início das aulas.

Tudo já faz parte do passado.

Tenho encarado essa “passagem rápida” do tempo, dia a dia, bem-vivida ! Aproveitado mesmo.

Jantar em família é pra eles. O prato preferido de um filho, a massa recheada do outro, a bebida que nós gostamos. De sobremesa,  as gargalhadas – a parte deliciosa da noite.

Depois, um encontro com uma amiga – ouvir, falar, reforçar as palavras de carinho. – Até um outro dia !

E assim vamos nós. Sem a obrigação de correr paralelo ao tempo.

Pela manhã, os compromissos. Se entra algum extra, algum tem que sair. Não dá para espremer as horas. Caso contrário eles vão se somando, você se esgotando.

Compromisso de hora em hora fica bonito na agenda do médico. Reparou?   Tudo enfileirado, das oito às oito. Agora, o seu doutor cumpre o horário?

Se cumpre passa pra mim. Os meus, não!

O nome do seriado não sei, mas me lembro que  alguém dizia:

– “Perceba como as pessoas se apropriam de várias vidas e acabam deixando de viver a dela”.

Numa vida é impossível não cumprir várias  tarefas. Carregá-las  depende da vontade de sofrer.

Pode ser uma opção.

A minha é aproveitar as horas desta quinta-feira, 1º de abril de 2010.

Único dia, mês e ano.

Se fez, fez. Se não deu, vire a página. Vá para a outra tarefa.

Carregar tudo nas costas é uma opção.

Abigail Costa é jornalista e, às quintas, escreve no Blog do Mílton Jung, sem pressa

O primeiro olhar no Rodoanel Sul

 

De um lado, a festa oficial com o governador em exercício Alberto Goldman dirigindo seu carro na inauguração do trecho sul do Rodoanel Mário Covas. Do outro, uma fila de carros esperando a abertura da nova pista com quase duas horas de atraso. No meio de tudo, imagens bonitas da rodovia que ligará as principais estradas paulistas ao litoral. E muito pó.

Foram alguns dos detalhes registrados pelas repórteres Cátia Toffoletto e Pétria Chaves, que nesta manhã acompanharam a inauguração do novo trecho do Rodoanel. O reflexo positivo que se promete no trânsito não foi possível constatar, pois a avenida Bandeirantes – uma das principais vias a ser beneficiada pela redução no tráfego – foi cenário de mais um acidente de caminhão.