Hora de tomar chá de cadeira

 

Por Carlos Magno Gibrail

Morumbi da Galeria de Alvez no Flickr

O futebol e Ricardo Teixeira têm tudo a ver. Imagem e semelhança da grande maioria dos dirigentes de federações e clubes. Teixeira é a favor dos poderes plenos, da perpetuação nos cargos, dos sistemas e regras imutáveis, da aversão absoluta às mudanças, da paixão por si próprio, do apoio total aos bajuladores e da administração focada na manutenção do poder pessoal, adotando os amigos e expurgando os inimigos.

Não é a toa que o esporte mais popular do planeta não exiba nenhuma empresa dentro do ranking das melhores e maiores do mundo. Além da maioria dos clubes apresentarem crônicos prejuízos. A FIFA e demais federações, detentoras dos monárquicos poderes, conferem os lucros. Na Alemanha faturou US$ 2,6 bilhões, na África do Sul prevê US$ 3,8 bilhões e para o Brasil planeja US$ 4,4 bilhões onde 70% dos ingressos já estão vendidos.

Estranhamente, mas dentro do padrão incoerente do futebol, a FIFA começa a exigir do Brasil mais do que o fez em outros países. Isenções fiscais, vantagens operacionais, e de repente dirige a atenção para São Paulo. Afirmou ao governador José Serra que São Paulo teria a abertura da Copa, e que o Morumbi, indicado pela Prefeitura e Estado como a única alternativa, seria o local.

Entretanto a seguir, o secretário-geral da FIFA começava a torpedear o projeto apresentado, desqualificando-o. Ao mesmo tempo que ignorava as demais sedes, muitas das quais não cumpriam as datas e condições mínimas então exigidas.

Em 19 de março, finalmente, o todo poderoso Jerome Valcke declara a respeito do Morumbi, em entrevista coletiva após a reunião do comitê executivo da entidade na Suíça: “O último projeto que recebemos preenchem todos os requisitos pedidos”.

Em menos de 15 dias, Ricardo Teixeira ignora Valcke e ataca o Morumbi. Não surpreendeu quem acompanhava a luta travada no Clube dos 13. Apenas confirmava a marcação serrada para a disputa do poder e as consequentes vantagens financeiras e estratégicas neste campo encharcado de ações e traições políticas. Teixeira não perdoava o apoio de Juvenal Juvêncio à Koff. Muito menos a sua candidatura como Vice do Clube dos 13. Entidade que conseguiu trazer as quotas de TV de 20 para 450 milhões em benefício aos clubes.

Juvenal, iludido por Teixeira, deixa-o desiludido. Ou vice-versa. Ente ilusões e desilusões façamos alusão ao que interessa, pois a FIFA, Blates e Teixeira precisam mais de São Paulo, do que São Paulo necessita da Copa.

A coerência da escolha do governo paulista fica bem clara nas palavras que o Presidente da SPTuris Caio Luiz de Carvalho atenciosamente nos concede:

“Desde que começou a corrida pela Copa de 2014 no Brasil, indicamos o Estádio do Morumbi como sede dos jogos em São Paulo por vários motivos: é o maior da cidade e tem a capacidade exigida, tem a melhor infraestrutura e o SPFC se comprometeu a investir nas reformas necessárias, inclusive assinando esse compromisso (“Stadium Agreement”). O Governo do Estado de São Paulo e a Prefeitura de São Paulo, após o estudo inicial, consideraram que não seria viável construir um novo estádio na cidade com verba pública, já que só o município possui outros sete estádios (alguns deles, inclusive, subutilizados e que vem apresentando pouco público durante as partidas), um novo seria muito dispendioso e possivelmente não “se pagaria”, ou seja, talvez fosse apenas mais um para a cidade custear, bancar sua igualmente cara manutenção após a Copa e que poderia ser subutilizado. Por isso, o Comitê Paulista optou por focar seus investimentos em obras que a cidade realmente necessita como intervenções em transporte público e mobilidade”.

De outro lado, a dependência da Copa 2014 a São Paulo é evidente se olharmos os números da cidade, que Caio nos forneceu:

São Paulo – com orçamento de 34 bilhões de reais para projetos de infraestrutura, transporte público e mobilidade que ficarão prontos para a Copa de 2014 -, com 15% do PIB do Brasil, 6% da população e, portanto, disparada em primeiro lugar quanto às possibilidades econômico-financeiras, tão importantes para uma COPA, reflete em infindável relação de quesitos esta posição.

É a primeira cidade turística, tendo recebido em 2009 mais de 11,3 milhões de visitantes. Seus 410 hotéis possuem 42.000 quartos enquanto o Rio 26.000, Brasília 20.000 e BH 8.000. E os hotéis de São Paulo comemoraram em 2009 uma taxa de ocupação de 63%, com um valor médio de 190 reais por unidade habitacional. Os 90.000 eventos realizados certamente contribuíram.

12.500 Restaurantes, 15.000 bares, 3.200 padarias oferecem como opção 52 tipos de cozinhas diferentes.    45 grandes shoppings, 59 ruas comerciais especializadas em 51 segmentos, 240.000 lojas, comercializam produtos do mundo todo.

Para a cultura, 110 museus, 160 teatros, 260 cinemas, 90 bibliotecas, 40 centros culturais, 105 faculdades e 28 universidades.

No transporte, o aeroporto de Cumbica recebeu 20 milhões de passageiros em 2008, Congonhas 14 milhões e os três terminais rodoviários 16 milhões. São 89 estações de trem, 55 estações de metrô e 83 km de linha, 200 heliportos. 32.000 taxis, 15.000 ônibus. E o porto de Santos fica a 70 km de São Paulo.

Diante disso, com Serra ansioso, Teixeira pretensioso, só nos resta ouvir Juca Kfouri e tomar chá de cadeira, esperando a queda do Ricardo Teixeira.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, escreve às quartas no Blog do Mílton Jung e tá crente que vai assistir à abertura da Copa do Morumbi


Veja mais imagens na galeria de Alvez, no Flickr

Foto-ouvinte: Velejando em represa verde

 

Represa de Guarapiranga

Velejadores tem encontrado dificuldade para treinar na Represa de Guarapiranga, zona sul de São Paulo. A superfície está tomada por esta vegetação que pode ser percebida, também, no trecho do rio Pinheiros, próximo da barragem. De acordo com o ouvinte-internauta Celestino Neto o problema se agrava a cada dia e praticamente inviabiliza o uso dos barcos na região.

Acidente de carro vira briga eleitoral, no Blog

 

Um acidente de carro e a intolerância política transformaram a notícia do primeiro capotamento no trecho sul do Rodoanel, na segunda-feira, em um embate sem eira nem beira. Ou com beira no absurdo, aqui no Blog.

A informação publicada em primeira mão, ontem, e a reclamação de Elaine Utiyke que se sentiu vítima das condições da estrada passaram a ser atacadas por leitores que entenderam haver conotação eleitoral no conteúdo divulgado. Houve quem suspeitasse até do número de vezes que o veículo rodou na pista.

Teria a motorista forjado o acidente para manchar o bom nome do Rodoanel ?

Imagens feitas pela repórter Cátia Toffoletto, divulgadas no site da CBN, e entrevistas publicadas em vários veículos de comunicação mostraram motoristas desorientados fazendo manobras perigosas, nestes primeiros dias.

Estariam eles a serviço de algum partido político, também ?

Claro que não, e talvez até tenham sido desatentos ou descuidados. Mas não se pode reduzir toda a discussão a preferências partidárias. É evidente que houve falhas de comunicação e há dúvidas em relação a segurança do trecho sul, apesar do esforço da Dersa em garantir que não há qualquer perigo na pista.

Isto é tão claro quanto o fato de que haverá redução no trânsito da Marginal Pinheiros e na avenida Bandeirantes, ao menos até o início da cobrança do pedágio, ano que vem. Ou até a frota de carros e caminhões alcançar novamente a capacidade máxima destas vias que estão dentro da cidade de São Paulo.

Qualquer argumento, porém, perde o sentido para quem pensa que o mundo gira em torno de PSDB e PT.

Se estes sintomas “eleitorais” se agravarem, em breve o Rodoanel será reservado aos tucanos, e a avenida Bandeirantes, aos petistas. Quanto aos demais, ficaremos em casa assistindo ao espetáculo que se desenrola no palanque.

Pauta #cbnsp 06.04.2010

 

Fog em SP Dia complicado na cidade de São Paulo com céu fechado e chuva inspirou a repórter Pétria Chaves que, no helicóptero da CBN (enquanto este pode ficar no ar), enxergou-se em meio ao fog londrino. Crítico mesmo é o cenário no Rio que tomou parte do noticiário local devido a gravidade da situação, onde até o fim da manhã 40 pessoas haviam morrido em função da chuva que se iniciou na tarde de segunda-feira. Para atualizar estas informações visite o site da CBN.

Profissões Invisíveis – Os repórteres da CBN, Luciana Marinho e Juliano Dip, se vestiram de varredores de rua, saíram por São Paulo e identificaram o preconceito e riscos de uma profissão essencial para as cidades. Acompanhe as reportagens da série.

Lei da Mordaça – O cidadão corre o risco de perder o direito de denunciar se a Lei da Mordaça for aprovada no Congresso Nacional, alerta a Procuradoria Regional da República, em São Paulo. Hoje, manifesto público será realizado na capital para chamar atenção para os efeitos do projeto de lei do deputado federal Paulo Maluf (PPS). A procuradora chefe Luiza Cristina Fonseca Friseheisen explicou os motivos que levam representantes da justiça, Ministério Público e outras organizações sociais a criticar a “Lei da Mordaça”.

Aeroporto de Congonhas – A redução no número de vôos no aeroporto de Congonhas, exigida pela prefeitura de São Paulo, terá impacto econômico negativo e precisaria ser acompanhada por ampliação de outros aeroportos na região. A opinião é da economista Amaryllis Romano, da Tendências Consultoria.

Outros assuntos serão publicados no decorrer do dia.

São Paulo testa ônibus para bicicleta

 

Bike Bus em São PauloÔnibus e bicicleta nunca se deram bem na cidade de São Paulo. E o prejuízo maior, claro, sempre é de quem pedala. Por isso, chama atenção a iniciativa da Secretaria Municipal dos Transportes, flagrada pelo ouvinte-internauta Luis F. Gallo, nesse início de semana, diante da sua sede, na Rua Boa Vista, centro.

O ônibus tem na parte dianteira um equipamento capaz de transportar até duas bicicletas. O “Bike Bus” seria usado em linhas que passam pelos parques da cidade, permitindo que o ciclista se desloque até lá com mais facilidade, utilizando os dois modelos de transporte, principalmente nos trajetos mais longos.

Veja mais fotos do “Bike Bus” em São Paulo no Flickr do CBN SP

Outras iniciativas no mundo

Double deck com bicicletaUm sistema semelhante é usado há cerca de 10 anos em cidades do Canadá, conforme mostramos no post “Ônibus e bicicleta, uma antiga relação de amor”, em 02.10.08, com a colaboração do nosso busólogo Ádamo Bazani (hoje ele está com tudo aqui no blog). Na reportagem dele, vimos, inclusive, uma das primeiras experiências – e bem mais complexa – registrada na inglesa Dartford, em 1963, com a adaptação de um ônibus de dois andares, no qual os passageiros viajavam na parte de cima e as bicicletas na de baixo (foto ao lado).

A primeira capotagem no Rodoanel Sul

 

Carro capotado

Olá, Mílton


 

Moro no quilômetro 18 da Rodovia Raposo Tavares e trabalho no Pólo Industrial de Sertãozinho, em Mauá, próximo a saída para a Avenida Papa João XXIII.

Hoje, saí de casa às 8h30 com destino a Mauá. Eu ouvia a CBN, às 9h15, com o Heródoto e as notícias da cidade. E pouco antes do quilômetro 79 do Trecho Sul do Rodoanel, aquaplanei. Perdi completamento o controle do carro. Tentei voltar à pista, mas rodava sem parar. Tentei jogar para o canteiro central, mas entrei de ré no canteiro e voltei na contramão. Rodei novamente e bati de costas na mureta de um abismo. Capotei várias vezes sobre a mureta e caí de ponta cabeça na pista.

 

Havia um caminhoneiro atrás de mim que viu tudo e me contou como foi, pois na hora não conseguia perceber o que estava acontecendo. Muitas pessoas pararam e a polícia demorou um pouco para chegar. Vieram policiais rodoviários, ambulância e gente da Dersa. Talvez eles tenham demorado por falta de informação correta do local do acidente, pois muitos usuários estão perdidos no Rodoanel e não sabem que direção seguir.

 

Enfim, fui atendida pelos médicos e pelos policiais, depois de um tempo o guincho da Dersa chegou, destombou o carro e o levou até o posto da Polícia Rodoviária,  no km 68 (próximo a Represa Billlings). Estavam sendo atendidos mais dois acidentes – dois carros que se bateram, e um caminhão de soja que se chocou na traseira do outro.

 

Não havia estrutura nenhuma para os policiais trabalharem. A “base” da polícia não tem energia elétrica nas tomadas, funciona com um gerador e não há parte administrativa para atender ocorrências. Os policiais não tem nem bebedouro, compram galões para tomar água e levam café de casa ou da padaria para tomar durante o dia.

 

Sou uma motorista experiente e responsável, dirijo constantemente no trânsito de São Paulo desde outubro de 2003, acostumada a pegar estrada, e nunca tinha sofrido nenhum tipo de acidente. Andava a 90km/h em trecho no qual a velocidade máxima é 100k,/h. Assim, culpo a irregularidade da pista que acumula água da chuva e oferece tamanho risco ao usuário.

 

Além do transtorno que as obras tem causado aos trabalhadores de Mauá, ainda inauguram uma obra insegura, que quase me matou hoje pois eu poderia ter caído no abismo e aí nao teria a sorte que tive.


Por Elaine Maria Utyike


A pressão das montadoras e o desenvolvimento do “ônibus limpo”

 

Em mais uma parte da entrevista com a executiva da Eletra, Ieda maria Alves de Oliveira, a reportagem traça as barreiras corporativas para o desenvolvimento de tecnologia limpa e a perspectiva de crescimento deste setor.

Primeiro ônibus elétrico híbrido

Por Adamo Bazani

“As grandes montadoras internacionais impedem suas filiais de desenvolver tecnologias limpas para ônibus antes de suas matrizes”. Seja por questões culturais ou prioridade de investimentos é o que acontece no mercado, segundo a gerente geral da Eletra, Ieda Maria Alves de Oliveira. Resultado deste comportamento é o desperdício de oportunidade de crescimento do Brasil. Aqui, há profissionais capacitados em condições de desenvolver projetos de tecnologia limpa, conta a representante de uma das companhias nacionais com maior capacidade no setor.

“As montadoras não colaboram com quem produz sistemas de tração limpa. Não há uma política de compensação de preços. Por exemplo, para embarcar num ônibus o motor e a tração elétrica e híbrida, compramos chassis praticamente pelados. Dispensamos o motor e também a transmissão (o câmbio e o equipamento de embreagem). Isso reduz em até 40% o valor do chassi, mesmo assim, temos desconto de apenas 5% a 10%. E não há nenhuma atitude do poder público para compensar isso”.

Assim, em vez de os chassis se adaptarem à alta tecnologia de tração, o que seria bem mais fácil e mais barato, são as empresas de tecnologia que têm de se adaptar aos chassis nacionais. Para isso, é investido um montante muito grande para alterar motores, sistemas de geração e funcionamento dos ônibus limpos.
“Temos de alterar potência de motor, número de componentes, baterias armazenadoras, equipamentos eletrônicos. Se houvesse essa sinergia, sairia mais barato para todo o mundo”. – explica.

Ieda conta que hoje não existe um chassi específico para trólebus no Brasil. É necessário pegar um ônibus convencional e adaptá-lo, seguindo suas normas técnicas e limites. Esse também é um dos motivos de um trólebus com baterias armazenadora fabricado no Brasil não ser usado aqui e operar na Nova Zelândia. Com a bateria, o trólebus ficaria mais pesado e necessitaria de um chassi mais reforçado, com um eixo mais forte, o que não existe no Brasil para este tipo de aplicação.

“A Nova Zelândia, que se beneficia das baterias que dão autonomia aos trólebus brasileiros que operam lá, não precisou fazer um super chassi. Eles apenas colocaram um eixo traseiro a mais, deixando o ônibus trucado. Um aumento de custo irrisório frente ao benefício de eficiência energética gerado por este sistema de baterias” – garante José Antônio do Nascimento, também da Eletra.

Continuar lendo →

Direitos dos pré-candidatos

 

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

Inicialmente disseminada entre partidos políticos e meios de comunicação, a referência às “pré-candidaturas” como forma de identificar aqueles nomes que provavelmente disputarão os cargos da eleição se estendeu à legislação. A Lei Federal nº 12.034 define que a participação de pré-candidatos em entrevistas, programas, encontros ou debates de rádio, televisão e internet, inclusive com a exposição de plataformas e projetos políticos, sem pedido de votos, não caracteriza propaganda antecipada.

Em função das informações e do interesse público que refletem nos veículos de comunicação, o Tribunal Superior Eleitoral, através do seu poder normativo de disciplinar questões que julga convenientes, já havia reconhecido tal figura. Sem dúvida, esta liberdade de espaços públicos reforça a transparência e realidade que deve predominar num processo eleitoral com a envergadura deste de 2010. A possibilidade da realização de programas de debates ou entrevistas entre pré-candidatos pelas empresas de rádio e televisão dá um caráter realista à discussão política. Afinal, desenvolver comentários ou críticas sobre a administração pública sem pedir votos ou declinar virtudes aptas a influenciar o eleitorado não caracteriza propaganda eleitoral antecipada. Aliás, repressões judiciais neste setor evidenciam o aspecto irrealista da norma eleitoral vigente, a ponto da mesma conter determinações que agridem a própria natureza dinâmica da vida política.

De outra parte, este mesmo TSE, que em 2006 condenou um eleitor paulista pela criação de uma página de apoio a Geraldo Alckmin, ao que tudo indica, tolerará a profusão de sites e blogs relacionados aos pré-candidatos. Uma brevíssima navegada e o eleitor encontrará endereços de José Serra (Eu quero Serra; José Serra Presidente 45), Dilma Roussef (Dilma13, Dilma Presidente) e Marina Silva (Movimento Marina Silva) sendo diariamente atualizados e aperfeiçoados com diversos links estimulando a participação do internauta em pesquisas, opiniões, criação de redes, comentários, opiniões, etc.

Não há menor dúvida de que estes endereços eletrônicos fazem indisfarçada apologia e propaganda pessoal dos nomes cogitados para disputar a eleição. Por outro, não há como inibir a ação de simpatizantes ou apoiadores, até porque, em decisão recentíssima (17.03.2010), o mesmo TSE disse que isto é algo que “decorre de terceiros” e não diretamente do interessado.

Para este longo período intermediário compreendido entre as desincompatibilizações (abril) e convenções partidárias (junho), a lei ainda permite a realização de encontros e similares em ambientes fechados, às expensas dos partidos, para tratar da organização dos processos eleitorais, planos de governos ou alianças partidárias visando às eleições, bem como a realização das prévias partidárias.

Estas permissões se estendem aos parlamentares candidatos à reeleição que permanecem no exercício de suas prerrogativas, que podem manter blogs, sites pessoais e seus perfis nos portais legislativos, bem como enviar seus boletins e participar de programas de rádio e televisão acerca de suas atividades. É um plus legalmente previsto. Afinal, não se pode punir os parlamentares dedicados e coerentes em função daqueles inúteis e parasitas.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral e autor do livro “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.

Pauta #cbnsp 05.04.2010

 

A prefeitura de São Paulo decide multar em mais R$ 1 milhão a Infraero por não atender normas ambientais no aeroporto de Congonhas como redução do horário dos vôos e de barulho nas operações. O secretário municipal do Verde e Meio Ambiente, Eduardo Jorge, estava no aeroporto para notificar a empresa. No entanto, a Infraero tem liminar que lhe protege da multa, neste momento. Ouça a entrevista de Eduardo Jorge, ao CBN SP

Saúde – Faltam médicos e o atendimento aos pacientes está prejudicado no Hospital Municipal Alíppio Correa Neto, em Ermelino Matarazzo, na zona leste de São Paulo. A constatação é da Comissão de Saúde da Câmara de Vereadores que esteve no local semana passada e considerou a situação “calamitosa”. No CBN SP, o tema foi discutido pelos vereadores Zelão (PT) e Adolfo Quintas (PSDB).

Congestionamento – Uma semana após a abertura de novas pistas na Marginal Tietê, São Paulo atinge mais de 100km de congestionamento nesta manhã chuvosa. A informação é da Mônica Pocker.

Profissionais invisíveis – Trabalhadores essenciais para que a cidade fique em ordem, mas que pouco são notados pelo cidadão. Estes personagens estão no centro da série de reportagens que vai ao nesta semana, produzidas por Luciana Marinho e Juliano Dip. O destaque desta segunda é para os varredores e coletores de lixo.

Adote um Vereador é destaque no Global Voice

 

logoO Adote um Vereador ganha destaque internacional no projeto “Technology for transparency network”, criado em 2009, e desenvolvido pela ONG Global Voices, por incentivar o cidadão a fiscalizar o trabalho legislativo através da criação de uma rede de blogs. A ideia que se iniciou em São Paulo está em uma lista de 14 programas de 10 países que foram indicados por olheiros em todo o mundo.

O Global Voices  é uma iniciativa sem fins lucrativos do projeto “global citizens’ media” criado pelo Centro Berkman para Internet e Sociedade da Escola de Direito de Harvard, uma incubadora de pesquisa focada no impacto da Internet na sociedade. A intenção da ONG é agregar, selecionar e amplificar a discussão global online para desenvolver ferramentas, instituições e relacionamentos que ajudarão todas as pessoas a serem ouvidas, não apenas uma parcela de privilegiados.

“Escolhi o Adote um Vereador como um dos casos porque é um projeto que envolve o engajamento cívico e ao mesmo tempo o controle social por incentivar os cidadãos a fiscalizarem os vereadores e darem publicidade as informações sobre eles para permitir que outros cidadãos saibam como seus representantes agem durante o mandato. Também achei interessante ser um projeto que não apenas usa a tecnologia para divulgar seus propósitos, mas também incentiva e ensina os cidadãos a criarem seus blogs e páginas wiki” – explicou por e-mail Manuela Maia Ribeiro, convidada pela Global Voice para mapear e fazer estudo de casos na América Latina, ao lado da advogada e ativista dos direitos humanos na Guatemala, Renata Avila.

Na página do projeto “Technology for transparency network” é possível conhecer outras experiências na Índia, Quênia, Filipinas, Argentina, Chile, China, Gana, Guatemala e Israel. No Brasil, além do Adote um Vereador, está indicado o site Cidade Democrática que reúne cidadãos e os incentiva a discutir problemas e buscar soluções no meio urbano.