Quarenta dias sem carne, vai encarar !?

 

Por Rosana Jatobá

O jejum já durava nove meses, tempo em que praticou ioga e se aventurou pela filosofia budista. Mas numa tarde fria do inverno novaiorquino, foi possuído por um impulso atávico, e correu para o Plataforma Grill, pondo fim à sua abstinência. A faca deslizou sem esforço cortando o bife de picanha. Dourada, macia e suculenta, a carne exalava o aroma característico e abrigava o tempero discreto que realça o sabor incomparável. Pediu o segundo pedaço e o terceiro. Voltou pra casa a passos lentos, saciado e feliz.

O meu amigo Hélio me contou esta experiência, indignado com o poder da memória da carne.
– Pra mim, que sou gaúcho, é mais que uma questão cultural. Tá no DNA. Não pude resistir por mais tempo…..

Pra mim, que sou baiana, talvez seja mais fácil.

Resisto à carne vermelha há um ano e cinco meses porque a considero indigesta. Mantive-me firme diante da tentação quando percebi que havia me livrado das cólicas menstruais.

Não sou de apregoar os malefícios da ingestão de carne, como aumento da incidência de câncer ou de doenças cardiovasculares. Tampouco condeno os carnívoros. Mas enfrento bravamente a enxurrada de críticas pelo meu jejum.

-“Você vai ficar fraca e doente.” , diz minha mãe. “A carne é a principal fonte de proteínas, além de ser rica em ferro, minerais e vitaminas. A abstinência pode causar anemia, deficiência de vitaminas do complexo B e de zinco”.

– Por enquanto, os exames anuais mostram que minha saúde é de ferro. Ferro do brócolis, beterraba, couve-flor, agrião, feijão, grão-de-bico, ervilha, lentilha, nozes e castanhas…

Recentemente revi dados sobre o desastre ecológico provocado pela criação de gado no Brasil, o que reforçou a minha convicção .

Nos orgulhamos de ter o maior rebanho do mundo, de sermos os maiores exportadores de carne vermelha, mas fazemos um comércio burro e predador. Hoje temos na Amazônia duas cabeças de gado pra cada morador da região, às custas da destruição do nosso mais precioso bem. Qual será o valor da biodiversidade perdida pelo desmatamento? E o do aumento das emissões de CO2 para transformar floresta em pasto? Quem paga o preço da emissão de metano – gás vinte vezes mais poderoso que o dióxido de carbono – oriundo dos arrotos e flatulências do boi? Se somarmos à conta o desperdício de água contaminada pela pecuária, lá se vão 16 mil litros pra cada quilo de carne produzida.

-Num mundo com um bilhão de famintos, você vem questionar se o pum do boi agride a atmosfera?

– Mas é justamente a criação de gado em grande escala que ameaça a segurança alimentar!

A questão da crueldade com os animais selou de vez a minha privação.

Para que a carne de vitela chegue à mesa com a maciez característica, o bezerro, ainda não desmamado, vai para um lugar escuro e é acorrentado, a fim de que não se mexa e não desenvolva músculos. É alimentado apenas com leite para que fique anêmico e a carne adquira uma cor branca. Não consegue nem andar até o corredor do abate, onde é alvo de uma pistola pneumática que o paralisa antes de ser sangrado, ainda vivo. Este é a cadeia produtiva do baby- beef!!

Mas a compaixão do homem só beneficia alguns poucos escolhidos: os bichos que adentram as fronteiras da casa e se tornam dignos de estimação.

Do contrário, prevalece o exclusivo traço do ser humano de subjugar o animal, tornando-o coisa, reduzida a seu bel prazer para atender a uma futilidade do paladar .

No início do ano visitei um dos “pueblos” do Atacama, o deserto mais seco do mundo. Ao ouvir a sugestão do guia de turismo – aqui vende-se carne de lhama, tenra e saborosa!- , meu marido não hesitou. Correu ao encontro do churrasqueiro ali mesmo na pracinha e pediu o famoso espetinho de lhama com cebola.

Eu reagi:
– Amor, você não pode comer a lhama. Ontem mesmo tiramos várias fotos desse bichinho simpático e você inclusive comentou o quanto ele parecia afetuoso. Não tem pena?

O meu apelo foi em vão.
– Pena? Aqui todo mundo come lhama.

E depois de uma mordida, prosseguiu:
– Hum.. você não imagina que delícia essa carne!

De volta ao Brasil comentei o fato com a minha irmã, que também tinha uma história gastronômica exótica pra contar.
– No periodo em que morei na Austrália, me ofereceram um jantar com carne de canguru. Comi, pensando na viagem que tinha feito no dia anterior para vê-lo de pertinho. O tempo passou, mas até hoje não digeri bem a idéia do canguru na panela.

Voltar no tempo pode ser milagroso quando temos o importante desafio de escolher o alimento.

Na idade média, o povo raramente comia carne vermelha. A iguaria era consumida só em banquetes, nas côrtes e nas residências dos nobres. Eram as orgias chamadas “carnevale”, símbolo da gula, associada ao pecado. É daí que vem o nosso carnaval.

Se é tempo de quaresma , de reflexões e renovações, que tal um jejum de carne vermelha como gesto de conversão? Vamos pedir perdão à natureza, ao corpo e à alma. Vamos converter sangue em sumo. O meu amigo Hélio resistiu à tentação por 240 dias. Você é capaz de pelo menos se abster até a Páscoa?


Rosana Jatobá é jornalista da TV Globo, advogada e mestranda em gestão e tecnologias ambientais da USP. Toda sexta, conversa com os leitores do Blog do Mílton Jung sobre sustentabilidade – e gastronomia, também.

Subprefeitura da Sé e mais 3 não limpam bueiros

 

Ao menos quatro subprefeituras de São Paulo não realizaram nenhum dos serviços de limpeza de bueiro programados para os dias 14, 15, 16 e 17 de fevereiro. De acordo com os dados publicados pela prefeitura na internet, o pior desempenho é o da Subprefeitura da Sé que atende área que sofreu sérios alagamentos nesta semana. Havia 58 ordens de serviço mas nenhum bueiro foi limpo no prazo estabelecido.

A limpeza também não foi feita pelas subprefeituras de Itaquera, zona leste, Pirituba, norte, e Capela do Socorro, sul, para as quais havia 105 solicitações e onde há bairros atingidos por enchentes. Em mais sete subprefeituras, no máximo a metade das ordens de serviço foi realizada. A capital tem 31 subprefeituras.

Nesta quinta-feira, o prefeito de São Paulo Gilberto Kassab (DEM) insistiu na tese de que a administração municipal está realizando os trabalhos de combate as enchentes com qualidade e transparência. Lembrou que agora a população pode acompanhar como está sendo feita a limpeza de bueiros pela internet no serviço “Zelando Pela Cidade” disponível no portal da prefeitura.

No post anterior você tem publicada a entrevista do prefeito feita pela repórter Cátia Toffoletto que registrou imagem de um fiscal da CET desobstruindo bocas de lobo da avenida Eusébio Matoso, na zona oeste, onde ponto de alagamento prejudicava o trânsito pela manhã. Não há no portal da prefeitura nenhuma informação de que o serviço tenha sido realizado naquele trecho da avenida. Aliás, a solicitação para limpeza de bueiro feita pela prefeitura à empresa terceirizada mais próxima do local – na esquina da Rebouças com a Capitão Rosa – não havia sido atendida até 17 de fevereiro, apesar de o prazo ter se encerrado três dias antes.

Pouco adianta a prefeitura alardear que os dados estão disponíves na internet se a limpeza de bueiro não é realizada. Não é preciso acessar o computador para saber disto, basta tentar sair pela cidade em dia de chuva.

Agora o outro lado
(publicado em 19.02, às 20h)

Resposta da Coordenadoria das Subprefeituras de São Paulo:

“Nesta fase de testes, os técnicos das Subprefeituras ainda estão se adaptando à nova ferramenta, o que pode gerar atraso na alimentação das informações sobre os serviços executados. Em tempo, a Subprefeitura Sé informa que todos os serviços de limpeza de bocas-de-lobo programados foram executados”

Canto da Cátia: Ponto de desrespeito

 

Chuva na cidade de São Paulo

A Patrícia Madeira da Climatempo abriu a conversa ressaltando o número de pontos de alagamento na cidade, na quarta-feira (17.02). Teriam sido 92 segundo dados do Centro de Gerenciamento de Emergência da capital. Fiquei curioso para saber se este é um dado relevante para a avaliação feita pelos meteorologistas e ela explicou que a quantidade desses pontos dá a dimensão do temporal e a capacidade da cidade absorver a água da chuva. Estamos mal, segundo estes números.

Pelas ruas, a Cátia Toffoletto assistiu na quarta às ondas que se formavam na avenida Dom Pedro VI no bairro da Lapa, zona oeste da capital. E, hoje, encontrou o fiscal da CET se esforçando para impedir que novos pontos de alagamento se formem na avenida Eusébio Mattoso, próximo da Marginal Pinheiros.


Ouça a reportagem da Cátia Toffoletto que registrou a ação do fiscal da CET e após foi falar com o prefeito Gilberto Kassab que insiste na ideia de que a população reconhece o esforço dele para resolver os problemas.
(publicado às 19h30)

Da estupidez da enchente à gentileza do banheiro

 

Por Abigail Costa

– Moço qual é o próximo voo?
– Para onde senhora?
O moço elegante e engomado da companhia área parecia surpreso.
– Destino? Qualquer um, desde que a chuva não pare a cidade.

Esse diálogo só aconteceu na minha cabeça, tamanho o desespero de ficar três horas e 10 minutos para percorrer 23 quilômetros do trabalho para casa.

Deu fome e pra encher o estômago água. A água engana mas enche a bexiga, logo…
O negócio começou a apertar.

No rádio, o Eros Ramazzotti cantava “Unica come sei”. E eu respondia: única e sem saída. Assim que encontrei uma, tive que decidir: entre a Marginal congestionada e a avenida lotada. Optei pela avenida. Pelo menos tinha a chance de encontrar um boteco – meu interesse imediato era um banheiro.

Nada de restaurantes, bares.
Um posto no meio do caminho, no meio do caminho um posto.
Aleluia !

Já não tinha mais vontade de nada. Sentia dores. Na bexiga? Nem sei dizer, já estava generalizada, sem exageros. Parei o carro, desci meio curvada tentando me equilibrar no salto alto (tão elegante sempre, e tão ridículo naquele momento).

Meu primeiro olhar encontrou a placa SANITÁRIO. Foi tipo paixão à primeira vista. Ela piscou pra mim. Antes precisava localizar o frentista. Estava na cara que a porta estava trancada. Imaginei uma linha reta e mirei o rapaz gordo de boné vermelho.

– Posso usar o banheiro?
Ele sem nenhum pudor:
Vai trocar o óleo, hein?
Não entendi a brincadeira, ou não quis. Queria sim um banheiro.

Sorridente, ele saca um galão de óleo vazio que servia para segurar uma pequena chave. Agarrei o galão como um troféu e me mandei. Claro que a caminha ao meu destino não foi fácil. Passar entre os carros com aquele negócio nos braços, chamava a atenção. E muito.

Alguns motoristas sabiam exatamente onde eu ia. Certamente muitos já teriam passado por isso. Mirei a setinha enquanto pensava: Mesmo que não tenha papel já tô no lucro. Quando abri a porta, estava num oásis. Limpeza, papel higiênico, papel toalha e sabonete líquido. Nem acreditei.

Passada mesmo fiquei quando li na parede:

“Senhores clientes, caso não encontre o recinto limpo, sem papel ou com problemas de iluminação, aperte a campanhia e avise a gerência”.

Como assim? Estou fora de São Paulo ?

Aquilo me fez engolir a vergonha que estava sentindo em ser paulistana e sentir orgulho das pessoas que tentam fazer desta cidade um pouco melhor. Evidentemente, fui agradecer ao frentista. Ele ficou até meio sem graça. Talvez como eu, não esteja acostumado a gentilezas.

Abigail Costa é jornalista, escreve às quintas-feiras no Blog do Mílton Jung e teve de encarar com altivez o temporal de ontem na cidade de São Paulo

Avalanche Tricolor: A primeira decisão do Mário

 


Grêmio 4 x 2 Veranópolis
Gaúcho – Olímpico

Foi a primeira decisão do ano, jogando em casa, precisando apenas do empate e contra um adversário que talvez você nunca tenha ouvido falar.  E o que estava em jogo era apenas uma vaga na semifinal do primeiro turno do Campeonato Gaúcho. Apenas?

Seja sincero. Quando seu time entra em campo toda e qualquer partida tem importância. Ninguém quer perder, ouvir o torcedor adversário que senta na mesa ao lado corneteando no seu ouvido ou abrir o jornal do dia seguinte e ler os comentarista criticando a sua equipe. Imagine, então, se este jogo é eliminatório. Perdeu, está fora. Vai ficar em casa assistindo aos demais disputando a competição para voltar apenas no segundo turno.

Desculpe-me se você desdenha momentos como esse. Eu, não. Por isso, desde cedo tenho anunciado: hoje é dia de decisão. E decisão em ritmo de copa é com o Grêmio mesmo. Time que neste ano havia jogado nove partidas e em oito saído atrás no placar.

Foi com este espírito – o de decisão – que o Imortal Tricolor entrou no estádio Olímpico, onde há um ano e cinco meses não perde uma partida sequer. E logo de cara nossos atacantes mostraram  porque estão entre os goleadores do campeonato: Jonas, com drible e oportunismo, e Borges com categoria e esperteza deixaram as suas marcas, mais uma vez. (Borges já fez 11 gols na temporada; quantos o Washington marcou, mesmo ? Quatro ?). Hugo que entrou faltando 10 minutos também fez um e tem muito a agradecer pela jogada do colega Borges.

Dedico o último parágrafo desta Avalanche para falar do terceiro gol gremista. Contrariando a natureza, o grandalhão Mário Fernandes é habilidoso com a bola nos pés. Hoje, aos 38 minutos do segundo tempo, o menino que ainda vai completar 19 anos marcou o primeiro gol como profissional. Não foi um gol qualquer. Foram sete cuidadosos toques na bola em jogada que se iniciou fora da área, com a cabeça erguida, desafiando o marcador que recuava a cada passo que ele dava, gingando o corpo para desviar do zagueiro, livrando-se dele com leve toque de pé esquerdo que o deixou diante de seu objetivo. Preciosista ainda deu mais uma ajeitada com o pé direito para concluir cruzado e correr para a torcida que já o tem no coração.

E esta foi apenas a primeira decisão que o Mário disputou. Que Mário ? Calma, um dia você vai conhecê-lo melhor.

Tem biblioteca e biblioteca, assim como laranja e banana

 

Bibliotecas de São Paulo e Mario de Andrade

O sucesso da Biblioteca São Paulo, no Parque da Juventude, ex-Carandiru, alerta para a situação dos demais equipamentos públicos que prestam serviço semelhante. São 62 sob responsabilidade do município, na capital paulista, além da Mário de Andrade, fechada há três anos para reforma, a segunda maior do País. Para Quartim de Moraes o modelo de gestão da nova biblioteca estadual, uso de Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público – OSCIP, é um dos motivos que levam a qualidade da iniciativa: “comprovou a agilidade e eficiência de um modelo de gestão que permitiu a sua instalação completa e sua inauguração em prazo inacreditavelmente curto para uma obra pública desse porte”, escreveu no Estadão de terça (leia tudo aqui) e repetiu no CBN SP de hoje.

Jornalista e editor associado da Global Editora, Quartim fez contraponto ao citar a demora para reconstrução da Biblioteca Mário de Andrade, na avenida Consolação, que está “à espera de que a burocracia oficial se entenda sobre objetivos, custos e prazos de uma reforma há décadas reclamada, já muito bem concebida e planejada, mas que ninguém ousa prever quando será finalmente completada”.

Carlos Augusto Calil, secretário municipal de Cultura, ousa: em março ou abril será entregue a biblioteca circulante – área pública – e até o fim do ano todas os demais setores. Nega, porém, que a demora esteja relacionada ao modelo de gestão da instituição. Esta teria ocorrido pela complexidade do trabalho e surpresas que foram encontradas na reforma: desde quadrilha que roubava livros a bichos que consumiam livros. Para ele, comparar a biblioteca São Paulo com a Mário de Andrade é misturar “laranja com banana”.

Ouça a entrevista de Quartim de Moraes ao CBN SP

Ouça o que disse o secretário Carlos Augusto Calil ao CBN SP

Pra fechar: depois da promoção em relação a inauguração da Biblioteca São Paulo muita gente foi surpreendida ao dar de nariz na porta, na segunda-feira de Carnaval, único dia da semana em que o equipamento fica fechado. Esperavam que por ser um feriado prolongado e a biblioteca uma atração, estivesse aberta. Talvez seja de repensar a escala de trabalho para atender a demanda nestes dias em que o cidadão tem oportunidade de andar pela cidade e visitar os locais mais interessantes.

Quem diria, Andy Warhol acabou na internet !

 

Ele é do tempo da TV colorida

Ele é do tempo da TV colorida

Por Carlos Magno Gibrail

Armando Italo Nardi, Claudio Vieira e Alberto Beh Ribeiro, ouvintes-internautas CBN, e tantos outros mais que tem prestigiado o Blog do Mílton Jung, já podem se considerar exemplos que contestam a assertiva de Andy Warhol.

O artista americano, criador das bases da POP ART, célebre pelo trabalho com os símbolos do consumo como latas de sopa Campbell’s, garrafas de Coca Cola, fotos de Marilyn Monroe, prognosticou os 15 minutos de fama que todos teriam direito. Não mais que isso num mundo fugaz que se projetava.
Nardi, Vieira e Beto estão construindo gradativamente uma imagem através da internet, consistente e duradoura, num ritmo eletrônico. Como comentaristas de artigos publicados ou como protagonistas de blogs e ações políticas e sociais. Fato que se pode constatar de imediato clicando seus nomes nos sites de busca.

“Tila Tequila, é uma celebridade estadunidense da Internet e da televisão. É modelo, atriz, cantora e compositora de ascendência vietnamita. Ela é conhecida por sua posição como a artista mais popular no MySpace (de acordo com “page views”) desde Abril de 2006 sendo atribuído títulos de “Miss Myspace” e “Queen of Myspace””.Wikipedia.

Tila explodiu como Andy Warhol previu na sua teoria dos 15 minutos de fama, mas não sumiu. Ficará para sempre na memória de fãs e de todo o mundo que clicar nos sites de busca. Capa de revista e notícias de jornais, mídias que na época da internet ficam registradas nos arquivos eletrônicos.

Raquel Pacheco, assinando como “Bruna Surfistinha”, ganhou notoriedade ao contar suas ações sexuais em um blog. Foi reportagem no New York Times e lançou o livro “O doce veneno do escorpião”. Teve o lampejo de celebridade mas sua história jamais morrerá para quem quiser conhecê-la. Está na internet.

Katilce Miranda, de Volta Redonda, cumpriu Wharol e foi beijada e beijou de verdade Bono Vox durante o show do U2 no Morumbi em São Paulo. O Orkut chegou a um pico de 900 acessos por minuto. Ela sumiu? Nem tanto, acesse o Google e veja que seu nome tem mais de 7000 ocorrências. E. é claro, fotos e fotos do beijo.

Marimoon apresenta o Scrap MTV desde 2008 e em seu site ela mesma se pergunta como chegou à TV: “é tudo culpa da internet! Primeiro, eu fiz parte do Vidalog (um programa tipo blog na TV), em 2006; fui capa da Capricho no mesmo ano. No ano seguinte, fiz campanha pra uma marca de calçados de plástico e, no fim de 2007, me chamaram pra fazer teste de VJ pra comandar o Scrap MTV, em 2008”.

A nutricionista Ruth Lemos bem que gostaria que sua fama gerada pelo “ponto eletrônico” gago fosse apenas de 15 minutos, ou que pelo menos não estivesse na internet.

Em Seoul, uma estudante não limpou a sujeira de seu cão no metrô, e irritada provocou a ira dos passageiros, que fotografaram e inseriram a cena na internet. O assunto correu por toda a Coréia e a “Dog Poop Girl” teve que sair da Universidade e seus minutos de fama ficaram eternizados por reportagens em todo o mundo.

Domingo, Carlos Eduardo da Silva, ombudsman da Folha de São Paulo dá o veredictum final, abrindo a sua coluna com o título: “Quem cai na rede nunca mais sai”. Uma leitora há nove anos, então com 18 anos, deu uma declaração ao ser entrevistada com outros participantes de um precursor dos reality shows. Hoje, nega a veracidade das suas palavras e informa que está sendo prejudicada. Ao clicar no Google o seu nome, aparece em segundo lugar a tal matéria. A solicitação da leitora é para que a reportagem seja retirada, ao que o jornal respondeu :“A Folha não pode retirar de seu arquivo eletrônico reportagens que foram publicadas na edição impressa”.

Eis aí uma questão a ser resolvida.

Enquanto isso vamos usufruir as possibilidades que a democracia da internet disponibilizam. Conhecimento e elegância podem traçar um perfil positivo de cada internauta, transformando-o em personalidade perene.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, escreve às quartas no Blog do Mílton Jung e tem 62.500 citações no Google.

Adote um Vereador: “Aprendendo a ser cidadão”

 

1º Encontro do Adote um Vereador em 2010

O Carnaval rolava solto do lado de fora, no deck muitos curtiam no sol forte de sábado como se estivessem à beira da praia e logo atrás de nós uma meninada disputava online um jogo de guerra. Aproveitando-se do ar-condicionado da sala de informática do Sesc Pompeia e de uma mesa alta entorno da qual nos reunimos, integrantes do Adote um Vereador tiveram interessante conversa sobre política e cidadania.

Na primeira reunião mensal do ano, visitas inspiradoras: Rodrigo Bandeira, do Cidade Democrática; Henrique Parra Parra, do Voto Consciente Jundiaí; Ricardo Matheus e Manuella Ribeiro, ambos pesquisadores do Instituto Pólis. Chamou atenção e foi bastante produtiva a presença da jornalista Silvana Silva do gabinete do vereador Adílson Amadeu (PTB-SP), assim como do “adotador” Nikolas Schiozer que “controla” o vereador Julião (PSDB-Jundiaí).

Mário Cezar Nogales, Sérgio Mendes e Claudio Vieira também estavam lá, os três podem ser escalados na galeria de fundadores do Adote, fossemos uma instituição com pompa e circunstância. Mas não o somos. Tendo surgido de uma ideia, sem organização ou regras, o Adote um Vereador funciona muito mais como provocador da cidadania. Não nos interessa se 10, 20 ou 30 estejam atuando, queremos apenas que cada um de nós (você que lê este blog incluído) se proponha a prestar mais atenção no que fazem os vereadores e compartilhe esta informação com a sociedade.

Há uma conversão de forças para que se consiga desenvolver a ação cidadã pela internet como pude constatar no relato do Rodrigo, do Cidade Democrática, que desenha a criação de um espaço na rede para congregar todos estes movimentos. Aliás, ele relacionou uma série deles, daqui e de fora de São Paulo, muitos dos quais teremos de conversar para quem sabe aprendermos um pouco mais sobre organização. A oportunidade talvez seja em março, quando entre os dias 10 e 13, haverá uma conferência de redes sociais, em Curitiba (PR).

O Henrique, do Voto Consciente, explicou a construção da Agenda Cidadã que levou vereadores de Jundiaí a incluírem emendas ao Orçamento Municipal e audiências públicas na discussão do Plano Diretor da cidade do interior paulista. Já falamos sobre o assunto aqui no Blog. E teve sua conversa complementada pelo Nicolaz que contou ter conseguido avanços no diálogo com o vereador “adotado” que é líder do governo na Câmara Municipal de Jundiai.

Da Silvana ouvimos algumas impressões do trabalho realizado pela Câmara Municipal de São Paulo e a necessidade que os vereadores tem de negociar projetos de lei com colegas para que suas propostas possam avançar. Pensei comigo: se conseguissem mobilizar os cidadãos em favor de seus projetos teriam mais força para transformá-los em lei, sem a necessidade de conchavos ou acordos nem sempre muito claros. Ela ainda nos sugeriu – e para as organizações que acompanham o trabalho no legislativo, também – atitude propositiva, não apenas de fiscalização (já começamos).

A dupla do Instituto Pólis trouxe das melhores notícias para quem acredita no Adote um Vereador. O projeto foi destacado pela organização internacional Global Voice pelo uso da internet no incentivo à cidadania. Falaremos mais sobre isto, nesta semana, mas você pode se antecipar lendo a reportagem publicada no site (clique aqui).

Foi de uma “olheira”, porém, que ouvi a frase mais interessante da tarde. Karen, mulher do Cláudio, em voz baixa mas com convicção: “estou aprendendo a ser cidadã”. O refrão do nosso samba enredo estava pronto, tive vontade de tamborilar na madeira da mesa. Dada minha falta de ritmo, preferi apenas escrevê-la no papel.

PS: Algumas pessoas teriam ido ao Sesc Pompeia e não encontrado a reunião do Adote um Vereador. Culpa nossa e deste viés anarquista que esperamos jamais perder, mas que não nos impedirá de nos próximos meses tornarmos os encontros mais explícitos. Promessa de campanha.

Para mais informações do Adote um Vereador, acesse o wikisite ou o site da campanha