Foi a série de mensagens de pequenos e médios industriais e comerciantes enviada ao CBN São Paulo que nos levou a conversar no programa sobre o sistema de substituição financeira que, desde junho, está implantado, também, no segmento de eletro-eletrônicos do Estado. Semana passada, a Secretaria Estadual da Fazenda criticou o desconhecimento dos contribuintes e negou que haveria aumento no preço dos produtos. Hoje, o CBN SP consultou a pesquisadora do Núcleo de Estudos Fiscais da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas, Vanessa Raal Canado. Ela concorda com a susbstituição tributária, vê vantagens para a fiscalização em alguns setores, lembra que o aumento de arrecadação pode levar à queda de impostos mais à frente, mas entende que os preços podem, sim, aumentar.
Canto da Cátia: Fonte pichada
A Fonte Monumental, na Praça Julio Mesquita, centro de São Paulo, foi pichada durante a madrugada segundo constatou a repórter Cátia Toffoletto hoje cedo. A obra é de autoria da artista Nicolina Vaz de Assis, uma das primeiras escultoras brasileiras, que costumava trabalhar com imagens femininas.
Agora o outro lado:
Nota enviada pelo Secretário das Subprefeituras Andre Matarazzo:
Em relação à pichação na fonte da praça Julio Mesquita, dentro do possível temos feito a manutenção do local. Porém, é lamentável que um monumento como aquele tenha sido vandalizado. A manutenção destas obras na cidade é realizada pelo Departamento do Patrimônio Histórico (DPH), que já foi informado do ocorrido para que possa viabilizar a limpeza da peça. É importante lembrar que a fonte está listada entre as obras do projeto “Adote uma obra artística”, da Secretaria de Cultura, no qual uma empresa ou pessoa física cuidam, junto com o poder público, de sua manutenção. Paralelamente, a Subprefeitura Sé está estudando alternativas à utilização das vascas da fonte (locais onde a água fica armazenada) para evitar que sejam usadas, como têm sido, como banheiros, esconderijo, depósito de lixo etc.
Na madrugada: Carreta roubada, carreta tombada
Uma carreta tombou na Rodovia Presidente Dutra, no acesso para a Rodovia Fernão Dias, entre Guarulhos e capital, no início da madrugada. A surpresa no atendimento: o caminhão havia sido roubado na noite de segunda-feira. Pouco antes do acidente, os ladrões haviam parado em uma borracharia para trocar os pneus, mas foram localizados pelo rastreamento eletrônico e fugiram sem terem colocado quatro dos pneus. Segundo o repórter da CBN, Gabriel Correia, que esteve no local e registrou as imagens que você vê clicando na foto acima, os bandidos sumiram logo após o tombamento.
Câmara Municipal na veia
Terminei a segunda-feira com uma hora de gravação do Fim de Expediente, programa apresentado por Dan, Teco e Zé, na CBN, no qual discutimos o papel das câmaras municipais e dos vereadores. Estava na mesa, o coordenador de projetos da Transparência Brasil Fabiano Angélico que apresentou números interessantes sobre gastos no legislativo. Deixo para que estes sejam divulgados na sexta-feira, às sete da noite, quando o programa for ao ar.
Discordamos eu e ele apenas quando a pergunta do Teco foi se éramos a favor ou contra o voto obrigatório. Por ser nova a experiência democrática no Brasil, Angélico defende que a obrigatoriedade seja mantida. Eu sou contra: o eleitor tem de ter o direito de escolher, inclusive se quer ou não votar. E ao candidato restará se aproximar cada vez mais do cidadão para convencê-lo a ir para as urnas.
Foi, aliás, uma segunda dedicada à Câmara, pois logo cedo estive lá na “Casa do Povo”, por quatro horas, falando o mínimo necessário e ouvindo muito em seminário que discutiu a participação da sociedade civil no legislativo. Líderes de alguns partidos e o Movimento Nossa São Paulo provocaram a discussão pública pois estão convencidos de que o resgate da credibilidade da casa passa pela ação cidadã acompanhando o trabalho do parlamentar.
Fora um ou outro discurso histérico, o tom da conversa foi positivo. Os vereadores insistiram na ideia de que os poderes do legislativo são restritos e, portanto, muitas das ações não avançam como a sociedade espera. O Nossa SP, através de Oded Grajew, chamou atenção para o fato de a Câmara não demandar pelo respeito que merece ao permitir que leis aprovadas pelos vereadores não sejam cumpridas pelo Executivo.
Crente de que apenas aproximando o olhar vamos entender melhor a ação legislativa e teremos capacidade de avaliar a produtividade dos parlamentares, reforcei a intenção da campanha Adote um Vereador, que lá esteve representada por três padrinhos – o Sérgio, o Massao e o Cláudio Vieira (o blog que cada um deles mantém, está na lista aí do lado direito), aos quais devo desculpas públicas pois deveria tê-los apresentado no auditório.
Sobre a cobertura jornalística lembrei que ainda o fazemos de maneira pontual, preconceituosa e generalista, reproduzindo o senso comum. E o papel do jornalista é ir além, analisar melhor, qualificar e não apenas quantificar a atuação parlamentar.
Se há ainda muita gente sem esperança de que podemos recuperar o legislativo, depois desta overdose de Câmara estou entorpecido com a ideia de que a coisa vai melhorar para o nosso partido, o do Cidadão.
“Furo” de Garagem
Por Adamo Bazani
Todo admirador de ônibus, além de gostar de saber do passado e de como os sistemas de transportes se tornaram o que são, é ligado numa novidade. É o “Furo de Garagem”.
Então vão algumas novidades no ABC Paulista.
A EAOSA – Empresa Auto Ônibus Santo André, que serve os municípios de Mauá, São Caetano do Sul, Santo André e São Paulo foi obrigada a renovar a frota. E o processo já começou. Antes mesmo de chegar às ruas, flagramos um Mascarello Articulado GranVia na garagem, com motor Volkswagen.
Já o poder municipal de Mauá, obrigou as duas empresas que operam na cidade, Barão de Mauá e Januária, que são do mesmo grupo, a adotar um novo padrão visual. Foi possível flagrar um Caio Alpha com nova pintura, um Caio Foz micro sendo pintado e mais um bi-articulado que vai fazer o inédito serviço no ABC (como antecipou este blog), carroceria Marcopolo, motor Volvo.
Para um busólogo de verdade, nem mesmo a dor ou as dificuldades, impedem um “furo de garagem”. Graças a estes, os passageiros já sabe o que vem por aí nos transportes. E em várias regiões do País, um número cada vez maior de busólogos corre atrás destas novidades.
Adamo Bazani é busólogo sem nunca deixar de ser repórter.
Cidade-vegetariana para melhorar o meio ambiente
Os produtores, frigoríficos e açougues não gostarão da ideia, mas imagine uma cidade inteira sem comer carne uma vez por semana. O projeto começou na bela e medieval Ghent, na Bélgica, para combater a obesidade e reduzir a emissão de gases estufa. Toda quinta-feira, os restaurantes serão obrigados a servir um prato vegetariano e os moradores são convidados a deixar seu hábito carnívoro de lado.
O dia sem carne não é obrigatório e não haverá fiscais invadindo os restaurantes com “carnômetros” em punho para medir o hálito dos frequentadores e provar que eles não aderiram a proposta. Os primeiros a se comprometerem a atender a recomendação foram os integrantes do conselho da cidade, espécie de Câmara de Vereadores.
Cálculos da ONU mostram que a produção e consumo de carne são responsáveis por 18% das emissões globais de gases estufa. Se os moradores de Ghent aderirem e deixarem de comer carne toda quinta, em um ano o efeito no meio ambiente será semelhante ao da retirada de 500 mil carros das ruas.
Quanto a valia dos números acima, não tenho como garantir, mas que reduzir o consumo de carne dá uma bela força à nossa saúde, não tenho dúvida.
Fonte: Ambiente Brasil
Na sala de aula, crianças discutem leis
Reportagens publicadas em jornais, nos dias 19 e 20 de maio, se transformaram em tema de discussão na sala de aula entre alunos de 9 e 10 anos de escola da zona sul de São Paulo. Naqueles dias, havia expectativa sobre decisão do Governo paulista em relação a lei que proibia a venda nas cantinas escolares de produtos com gordura trans, de alto teor calórico e de poucos nutrientes. O projeto da deputada estadual Patrícia Lima (PR) foi vetado pelo governador José Serra (PSDB). Ao mesmo tempo, houve reportagens sobre o desrespeito à lei Cidade Limpa que estava para completar dois anos, na capital paulista. Passeio pelas ruas da cidade mostrava que ainda havia comerciantes insistindo em colocar painéis, cartazes e faixas irregulares.
A professora Graziela Dib Dutra, do Colégio Guilherme Dumont Villares, decidiu levar para dentro da sala de aula estes assuntos. Com jornais em mãos, provocou a leitura das reportagens e incentivou os alunos da quarta série do ensino fundamental a escreverem para a sessão “Carta dos Leitores”, desenvolvendo, além da escrita, o senso crítico.
Resultado, opiniões surpreendentes, assim como discordantes, o que demonstra a personalidade crítica de cada uma das crianças que não deixaram se levar apenas por aquilo que estava escrito nos jornais ou pela opinião das autoridades.
Para que o trabalho desses meninos e meninas ficasse completo, e a ideia de atuarem criticamente diante dos diferentes temas fosse incentivada, teriam de ter suas “cartas” publicadas, também. Em um dos jornais distribuídos na capital, o editor se negou a divulgá-las sob alegação de que não fazia parte do público-alvo. Como tive acesso às cartas, decidi postá-las por aqui como forma de estimular a abertura de espaço para que as crianças sejam ouvidas e novos projetos com o mesmo sentido em sala de aula.
Lembro que os textos que serão lidos abaixo são escritos por alunos de 9 e 10 anos e estão publicados sem intervenção deste “editor”.
Da semana que passou
Por Maria Lucia Solla
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Olá,
Mais uma semana passa voando. Zunindo. Nisso concordamos. Todos.
O tempo passa mais depressa, a cada segundo. Será que a velocidade duplicou? Triplicou? Não sei; só sei que não dá tempo de sentar para calcular. Ele passa chispando, e pronto. Perdeu a chance? Dançou. Ao menos na situação que passou.
O danado voa. E voa porque a gente pisa fundo no acelerador. A pressa é hoje um dos males que mais matam. Aleija, derruba, deforma, corrompe, elege, impede o olhar de ver, subjuga e acorrenta a liberdade. Que ironia.
Imagine você, eu, todos nós pisando fundo no acelerador. Querendo passar uns aos outros; querendo chegar. Mas,que tal sairmos do lugar?
Corremos e não saímos dali, cavando buracos fundos e mal mantendo o nariz para fora, para poder respirar. Carregamos corpos empanturrados, que definham. Sabemos muito sobre vitaminas, mas nossos corpos são cada vez menos nutridos. Todos os corpos. Físico, emocional, mental, e espiritual, para mencionar alguns.
Nossos corpos engordam, mortos de inanição. Doido isso, não é?
Artistas de todas as artes, costureiras, mecânicos, poetas, atores, garis, executivos de multi-nacionais, gerentes de loja de bairro, secretárias, professores, filósofos, escritores, jornalistas, contadores, manicures, meditantes, cabeleireiros, economistas, juristas, políticos, atletas, pais, mães, filhos, estudantes, crianças, jovens, velhos, brancos, negros, amarelos, marrons, pretos, branquelos, bronzeados, vermelhos, doutores da alegria, precisamos de vocês mais do que nunca.
A Era de Aquário chegou. Tocou a campainha da porta há pelo menos quarenta anos, e a gente ainda nem lavou o rosto e penteou os cabelos para recebê-la com a pompa merecida por uma Era.
É agora ou nunca. It’s now or never!
Andamos densos demais. Preocupados com o próprio umbigo, não percebemos a curva fechada à esquerda. Puff.
Desde o parto não temos percebido a beleza e a riqueza do nascer. Continuamos estacionados na dor da expulsão. Em vez de celebrarmos, lamentamos o tempo todo. Viciamos no chorinho do bebê, que deu tanto ibope na época.
Vamos combinar que não dá mais para adiar, ou vamos acabar fragmentando nossas vidas, como se fragmenta tudo à nossa volta. Os partidos políticos estão aí, e não me deixam mentir.
Minha intenção era falar, prosaicamente, da semana que passou voando. Viu só o que aconteceu? Fui me meter de pato a ganso com o tempo, e perdi a hora.
E você, o que tem perdido?
Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.
Maria Lucia Solla é terapeuta e professora de língua estrangeira. Aos domingos escreve no Blog do Milton Jung sempre de olho no nosso tempo.
Conte Sua História de São Paulo: A lanterna
Por Antonio Quadrado
Ouça o texto “A lanterna” de Antonio Quadrado
Gira-fogo, gira-fogo… gira-mundo.
É junho, noite e frio!
Não fossem as lanternas, o duro breu da noite engoliria a todos.
Estamos chegando ao topo do morro, onde nos esperam; da arriscada aventura. Não foi fácil ao pequeno grupo cumprir a missão de afanar as batatas-doces, pinhões e, sobretudo, o quentão que as mães haviam preparado em fogueira montada na rua, frente as casas dos vizinhos – que sabiam se cotizar nos afazeres.
Não seria ali, sob os olhos dos adultos, que a turma iria passar o Santo Antônio; que abria o período das esperadas festas juninas.
Há pouco, de longe, já nos era possível avistar o giro das lanternas em nosso aguardo. Os rodopios circulares, verticais na lateral do corpo ou horizontais sobre as cabeças, só eram superados em destreza pelos movimentos em forma de oito-infinito, frontais ao corpo dos pequenos acrobatas.
O conjunto, dos sincronizados movimentos luz-calor, era de tal belezaque a visão turva, pós-quentão, certamente brotaria em lágrimas, mas que a fumaça das lanternas, faria desculpadas.
A sensação de liberdade que a companhia da turma,a distância dos adultos e a cobertura da noite propiciavam, precisava ser comemorada. Em nenhum outro período do ano seria possívelestar fora de casa depois da Ave-Maria. Não, ao menos, sem a surra de praxe.
Era junho, na periferia da provinciana e ingênua São Paulo, nos idos 60’s.Periferia, hoje quase centro, da principal megalópole do hemisfério sul.
Os garotos do pequeno grupo haviam cumprido a contento sua missão; por isso recebidos, quase como heróis.
As poucas canecas de alumínio, logo cheias do quentão pinga-gengibre-açucar,
eram repassadas entre todos, para dar à festa o clima que faltava.
Os cigarrinhos de machucho, cada um fazia o seu, mantidos acesos mais pelo fogo das lanternas do que pela destreza dos fumantes-recrutas.
Os pinhões eram facilmente divididos; não, as encarvoadas e escaldantes batatas-doces, que só as folhas dos jornais – dos balões-galinha – permitiam segurar para o corte das maiores, já que a grande quantidade de batatas surrupiadas, nunca era suficiente para atender toda a turma.
“Segura a lata, pô! Como cê qué que eu corte a abertura?”
A pedra martela a faca, há pouco subtraída aos olhos da mãe. A abertura de controle da ventilação vai sendo aberta na lata de óleo: uma lingüeta, furada do meio ao piso-dobradiça, na lateral mais larga da lata; de há muito guardada para a ocasião.
A parte superior, já tinha sido aberta. Por ela, e sobre as brasas emprestadas da fogueira, iriam sendo introduzidos os gravetos, sempre renovados, quando consumidos pelo calor do fogo,fonte da luz que permitia ao grupo se deslocar em segurança na noite em minguante.
Em seguida, com o auxílio do prego emprestado, seriam feitos os furos no topo superior das laterais mais estreitas da lata, por onde seria passado o arame de sustentação que permitiria, à mão, ficar longe do fogo e comandar as acrobacias pirotécnicas que, só funcionalmente, serviam para reavivar o fogo. De fato, a lúdica-estética era tudo o que contava.
Era essa imagem, da confecção da lanterna, que povoava a imaginação infantil, enquanto os olhos vislumbravam as, ainda visíveis, miríades de estrelas do céu paulistano daqueles, ainda-novos, tempos.
A imagem se completa: o efêmero vôo piro-fumegante do balão-galinha corta a cena. Uma folha de jornal, cujas pontas dobradas para baixo se juntam por delicada torção, é o que basta para que, ao ter as pontas incendiadas, leve ao céu preces e sonhos da molecada da Turma da Monteiros, da Vila Monumento.
Antonio Quadrado é ouvinte-internauta do CBN SP. Você pode participar do Conte Sua História de São Paulo enviando seu texto ou arquivo de áudio para contesuahistoria@cbn.com.br
Foto-ouvinte: Pintura na praça
Passeando “pelo cinza do Anhangabaú”, o ouvinte-internauta Léo Pinheiro diz ter tido o prazer de se deparar com os tapumes que cercam a Praça das Artes, em frente ao prédio do Correio, transformados em painéis de pintura. A intervenção teria sido realizada pelo grupo de grafiteiros Liga da Justiça (Bárbara Gay, Mundano, Crânio, Scorre, entre outros). Léo espera que novos ‘quadros’ surjam na cidade.






