Foto-ouvinte: Abrigo de ônibus (?)

(nota republicada com novas informações)

Abrigo de ônibus e gente

Soube, ontem, que São Paulo tem cerca de 9 mil pontos de ônibus, desde aqueles sinalizados com apenas um poste até os cobertos e protegidos dos corredores exclusivos. Nenhum, porém, oferece o conforto deste flagrado pelo ouvinte-internauta Tiago Cheregati em uma das ruas da Móoca, a Borges de Figueiredo. Verdade que atende apenas um paulistano, mas não dá para negar a versatilidade deste abrigo que já não é mais de ônibus.

Um drama social

A ouvinte-internauta Glória, após ouvir a informação no CBN SP sobre o abrigo de ônibus usado como moradia, esclareceu: ali mora uma senhora com mais ou menos 70 anos que foi colocada no lugar pela própria filha. A senhora tem problemas de saúde. A prefeitura, às vezes, passa por lá e a leva para tomar banho. Segundo Glória, a senhora já foi professora na Itália, voltou ao Brasil e reencontrou a filha, usuária de droga. A neta dela foi levada para uma instituição de assistência. A senhora implora por ajuda e clama por um quarto, pois imagina que assim poderá ter a neta de volta. Tem dificuldade de locomoção e precisa da cadeira de roda. “É triste pois com esta idade, o problema de saúde e ainda não anda, precisaria de cuidados médicos, pois só se alimenta quando algum vizinho caridoso lhe dá comida”.

Garantia de Kassab vai por água abaixo, com o perdão do trocadilho

O prefeito Gilberto Kassab (DEM) demorou 19 horas para dar uma resposta ao paulistano sobre o caos que se transformou a cidade na terça 17.03 após chuva torrencial. No dia do temporal estava em Brasília onde reuniu-se com ministro das Cidades, Saúde e Relações Internacionais, além de um grupo de prefeitos (segundo agenda oficial). Por lá também falou, provocado por jornalistas, em favor da candidatura de José Serra (PSDB) à presidência da República.

Apenas no fim da manhã de quarta-feira, Kassab deu explicações sobre os problemas enfrentados pelos paulistanos. A principal cobrança foi em relação a “garantia”  dele, em novembro de 2008, ao lançar o programa antienchentes, de que São Paulo estava preparada para a temporada de chuvas.

Ouça o que o prefeito Gilberto Kassab (DEM) disse em entrevista reproduzida pela repórter Cátia Toffoletto

O prefeito esqueceu de fazer esta ressalva de que “nem todo o Orçamento de São Paulo daria para resolver o problema das enchentes, em quatro anos” quando criticou as gestões passadas por terem sido incapazes de impedir os transtornos no período de chuvas, durante as duas campanhas eleitorais das quais participou. Também não o fez ao apresentar o programa antienchente, no fim do ano.

A cidade não está preparada  como todos nós sabemos. E o prefeito, também. São Paulo tem dificuldades históricas para reduzir o impacto que o desenvolvimento urbano desorganizado provocou. Qualquer cidadão não-contaminado pela visão partidária sabe que o trabalho para resolver os problemas das enchentes vai despender muito dinheiro e esforço, inclusive com mudança no nosso comportamento cotidiano.

Exatamente, por isso, a autoridade pública tem de ter mais cuidado no momento em que faz críticas, afirmações ou promessas, sob o risco de ser cobrado assim que estas se revelarem frágeis. Assim que estas se depararem com a realidade enfrentada pelo cidadão.

Escritor de rua diz que aumentou número de sem-teto; secretária não confirma

Foi o Gilberto Dimenstein quem levantou o assunto, nesta semana. No comentário do Mais São Paulo chamou atenção para a percepção de que o número de moradores de rua tem aumentado na capital. Registrada a opinião, o CBN São Paulo passou a receber mensagens de ouvitnes-internautas descrevendo a mesma situação, inclusive em áreas onde isto não ocorria como São Miguel Paulista, na zona leste. Hoje, durante entrevista na qual o escritor de rua Sebastião Nicomedes falou sobre o retorno da peça “Diário dum Carroceiro” a São Paulo o tema também foi discutido.

Para Nicomedes não há dúvida do maior número de pessoas dormindo nas ruas da capital. Uma das possibilidades seria a falta de acerto entre a prefeitura e ONGs que trabalham na área social, tema, aliás, que foi destacado, recentemente, pelo Jornal da Tarde.

Ouça a entrevista de Sebastião Nicomedes na qual ele fala sobre moradores de rua, ação social e a peça “Diário dum carroceiro”

Agora o outro lado

Para a secretária de Assistência e Desenvolvimento Social Alda Marco Antônio não há como afirmar que houve aumento no número de moradores de rua na capital. A prefeitura vai realizar censo para fazer este levantamento e a informação só estará disponível no fim do ano. A secretária que acumula o cargo de vice-prefeita anunciou mudanças para breve na relação com as pessoas que vivem nas ruas.

Ouça a entrevista da secretária Alda Marcoantonio, ao CBN SP

Infelizmente não tive tempo de cobrá-la sobre os contratos com as ONGs, mas a produção do CBN São Paulo vai pedir uma resposta sobre o tema à assessoria de comunicação da Secretaria.

Serviço da peça

“Diário dum carroceiro”
Hoje – 7 da noite
Espaço Sociocultural – Teatro CIEE
Rua Tabapuã, 455 – Itaim Bibi – São Paulo – SP

Saber esperar é uma virtude

Por Abigail Costa

São frequentes as conversas sobre o descontentamento na vida profissional. Gente com dez, quinze anos de casa.  Gente que se sente desmotivada na função. Às vezes, devido as promessas feitas pelos chefes e não cumpridas. Outras, por causa da promoção do colega que entrou bem depois de você.

Esse blá-blá-blá todo, é para resumir a ansiedade que vem tomando conta da vida de alguns. Claro, todos queremos ser notados profissionalmente, ter reconhecimento financeiro, mas em determinados momentos é preciso saber esperar. Em paz.

Tirar o pé do acelerador não significa ligar o botão do “não tô nem aí”. Essa folga é para respirar melhor. Falar menos e observar mais a nossa volta. O lado pessimista parece sempre bem mais espaçoso do que o outro, mas um olhar cuidadoso e profundo pode mudar a situação.

O que escrevo, soa como papo de auto-ajuda ? Se você pensar assim e isto lhe fizer bem, por que não?

A bagunça do não-sei-direito-o-que-pensam-ao-meu-respeito, só fere um lado: o seu. Nessas horas, melhor mesmo é procurar o colo de um amigo.  Não aquele de mal com a  vida que vai lhe aconselhar a jogar tudo para o alto. Mas o apaziguador, que vai lhe ajudar a esperar.

Você se lembra  quantas crises dessas já foram deixadas no passado? Pois é:  essa é só mais uma.

Paga pra ver!

Abigail Costa é jornalista e toda quinta escreve aqui no blog com a experiência de quem soube esperar.

Avalanche Tricolor: A fera está solta

Maxi Lopez faz o primeiro com a camisa do Imortal (foto: Grêmio.net)

Grêmio 6 x 1 São José

Gaúcho – Olímpico

O São  José foi o segundo time a morar num pedacinho de corações gremistas e colorados. Se não era verdade, tratava-se, pelo menos, de  santa mentirinha. As novas gerações já não cultivam esse hábito e, com mais razão, os profissionais dos dois times, haja vista, por exemplo, a goleada aplicada pelo Grêmio no Zéquinha. A propósito, procurei pela Avalanche Tricolor no teu blog e não a encontrei

Quase como um puxão de orelha, chego em casa após a meia-noite e leio esta mensagem na caixa de correio, assinada pelo ouvinte-internauta  que se identificou apenas pelo primeiro nome, Pablo. Tinha razão da bronca, logo na noite em que o Grêmio faz uma apresentação como esta pelo Campeonato Gaúcho por que haveria de abrir mão desta coluna mantida há mais de ano e escrita sempre após os jogos do Imortal. Escrita, algumas vezes (poucas, por sinal), com imensa dor no coração.

Compromisso profissional me tirou de casa antes do término da partida. Fui participar do programa Quarta Viva, apresentado pelo professor e vereador Gabriel Chalitta, na TV Canção Nova. Aproveitei para falar da campanha Adote um Vereador, conversei sobre a responsabilidade do jornalista diante do cidadão, e a importância da palavra, entre outros temas. Antes de mim, na mesma cadeira, esteve Heródoto Barbeiro que falou da experiência (enorme, por sinal) dele na comunicação, e desfilou conhecimento e simpatia.

Foi, aliás, no bate-papo com o Heródoto, antes do programa se iniciar, que fiz minha última consulta na internet para confirmar o resultado da partida do Grêmio contra o São José. “Santo o quê ?”, perguntou o professor. Minha explicação não foi tão precisa quanto da mensagem reproduzida na abertura deste texto, mas me parece que ele não estava muito interessado mesmo. Queria apenas ironizar mais uma conquista do tricolor.

Confesso que não fiquei surpreso com o placar final. Ao sair de casa, o Grêmio vencia por 4 a 1 e o primeiro tempo sequer havia se encerrado.  Goleada que se iniciou aos 21 segundos de jogo (recorde do ano), quando em um ataque fulminante Tcheco completou para as redes. Em seguida, viriam os gols de Léo, Jonas e Jonas.

Fábio Santos, soube depois, fez o quinto. Mas lamento mesmo não ter tido a oportunidade de assistir ao sexto gol, o primeiro de Maxi Lopez vestindo a camisa do Imortal, que saiu do banco para levantar a torcida, conforme leio na imparcial cobertura do portal Grêmio.net. Sem tempo para procurar o gol na internet me delicio com o poder da imaginação. Vejo a bola disparar dos pés de Souza na cobrança de falta com velocidade suficiente para tornar impossível a defesa do goleiro adversário que a solta na área quando surge o argentino, cabeludo, visão aguçada e faro de gol;  a bola se apresenta a ele e Maxi, educadamente, atende: Muito prazer, eu sou a Fera !

“Perigo de gol” tirou Marzagão da Segurança

A figura de linguagem foi usada pelo presidente do Instituto Brasileiro Giovanni Falcone, Walter Maeirovitch, para explicar a decisão do governador José Serra (PSDB) de tirar da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo Ronaldo Marzagão. O pedido de exoneração, oficialmente feito pelo próprio, foi apresentado ontem (terça 18), e resulta da pressão sofrida por Marzagão desde as denúncias de corrupção contra o seu ex-secretário-adjunto Lauro Malheiros que deixou o cargo ainda no ano passado.

Maierovitch contesta os resultados que a política de segurança pública tem alcançado, pois ao mesmo tempo em que houve redução nas taxas de homicídio, o Estado não teria sido capaz de combater o crime organizado.

Ouça a entrevista do presidente do IBGF Walter Maierovitch 

Ouça, também, mais duas avaliações sobre a saída de Ronaldo Marzagão da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo:

Presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de SP

Coordenador do Núcleo de Estudos da Violência da USP, Sérgio Adorno

Canto da Cátia: Cidade na lama

Carro após enchente

O velho Chevette tem as marcas da enchente de terça 18, na capital paulista. A cidade, também. Ruas cheias de lama, pedestres com dificuldade para caminhar, garis tentando limpar o que a chuva deixou após duas horas de temporal. Hoje pela manhã, a Cátia Toffoletto conversou com pessoas que sofreram prejuízos com os alagamentos e registrou para nós as cenas do pós-chuva.

Clique na foto acima e vá até o álbum do CBN São Paulo no Flickr com imagens dos efeitos da chuva na capital e região metropolitana.

O futebol e a fábula

Por Carlos Magno Gibrail

Torcida virtual no Museu do Futebol, por Regia Sofia

O futebol, esta grande paixão nacional, parece bem com a moral da fábula “O velho, o menino e o burro” que demonstra a impossibilidade de se contentar a todos. Fato que seria comemorado por Nelson Rodrigues: a unanimidade é burra.

O presidente Lula assinou na sexta-feira 13, três medidas que fazem parte do plano de ações para a Copa do Mundo de 2014. Entre elas, o  projeto de lei que criminaliza os atos de violência dos torcedores e das torcidas organizadas, tanto nos estádios e arredores quanto no trajeto para as partidas. Assinou, também, um decreto que amplia as exigências técnicas para funcionamento dos estádios e um termo de cooperação técnica para monitorar o acesso de torcedores. Os projetos serão encaminhados ao Congresso e Lula já pediu urgência na aprovação.

“O ministro e as carteirinhas” Juca Kfouri; “Stalinismo no futebol” Fernando Rodrigues; “Todos fichados” Folha; são algumas das manchetes desfavoráveis.

Embora reclamado há muito pela mídia geral e especializada, pela autoridade geral e policial, pela população em geral e esportiva, o combate a violência é uma unanimidade em termos de apelos para o seu controle. Afinal só de mortes são mais de sete por ano, além de inúmeras ocorrências policiais.  De torcedores e de policiais.

Mas há acusações políticas eleitorais. “Dentro do projeto da Folha de São Paulo de contribuir para a eleição de José Serra, em 2010, vale tudo.
 A coluna do Fernando Rodrigues, neste sábado, é um bom exemplo disso. O Projeto de Lei, que modifica o Estatuto do Torcedor foi escolhido para ser o alvo das críticas”. Casa do Torcedor.

O Clube dos Treze declarou ontem que apóia em princípio as medidas e está disposto a discutir as carteirinhas, pois acredita que o cadastramento possa ser feito sem elas.

“De vez em quando a PM também faz coisas que não deve, passa dos limites, agride sem necessidade. Como seremos penalizados, eles [policiais militares que cometerem abusos] também tem que ser”. Presidente da Força Jovem do Santos Futebol Clube, Pedro Luiz Ribeiro Hansen.

“Violência gera violência. Às vezes, têm só dois elementos brigando numa arquibancada, a polícia chega agredindo geral e a coisa se espalha”. Presidente da torcida rubro negra Jovem Fla, do Flamengo, Leonardo Sansão.

O projeto de lei anunciado pelo governo define formalmente as torcidas organizadas como pessoas jurídicas de direito privado, que podem responder civilmente pelos danos causados por qualquer um de seus associados no local da competição, nas imediações ou no trajeto de ida ao jogo e de volta da partida.

O mérito da questão é criminalizar algo que é crime em seu sentido real e figurado. Agressões de torcedores e policiais e o impedimento do maior espetáculo da terra que é o futebol ao vivo, aos cidadãos verdadeiros, são efetivamente um crime.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e toda quarta está aqui no blog na torcida para que um dia estádio de futebol seja como sala de espetáculo. E desta Organizada eu faço parte.

Veja mais fotos de Regia Sofia, no Flickr.

Secretário “digital” da Educação tem blog e Twitter

As vezes o próprio Estado também carrega em si o preconceito. Lembro quando há meses fui procurado por um diretor de escola que gostaria de ver reconhecidos seus direitos após a morte de seu companheiro. Para mim à época isto era uma novidade, pois imaginava que já estava assegurado. Mas não estava. E o jurídico da Secretaria Municipal de Educação fez um belo trabalho a partir do caso. E hoje, graças a este diretor, criamos uma jurisprudência no município.

O comentário acima é do secretário municipal de Educação Alexandre Schneider (PSDB) a propósito da notícia da morte de 14 homossexuais no Parque dos Paturis, em Carapicuíba.  A informação está publicada no blog criado no início de março que leva o nome dele. Schneider é admirador da internet, gosta dos computadores da Apple e tem explorado a mídia digital para falar, principalmente, sobre a área que atua, como é possível notar em sua nuvem de tags.Recorte das TAGs do Blog de Alexandre Schneider

Lá no blog, o secretário já deu explicações sobre o atraso na entrega dos uniformes escolares e divulgou os dados sobre a carência de vagas nas creches municipais. Mas não restringe seus posts no blog à educação, gosta de falar sobre o comportamento dos meios de comunicação e, inclusive, sugere músicas.

Há duas semanas, Alexandre Schneider também se inscreveu no Twitter e dispara notas sobre compromissos públicos, atividades com a família no fim de semana e seu gosto pelo Corinthians.

O investimento na internet ajudará o secretário a difundir suas ideias e desenvolver conceitos sobre educação, principalmente. Mas, também, torna-se mais exposto à opinião pública que tem oportunidade de publicar seu pensamento, seja através de comentários no blog seja na conversa pelo Twitter.

Vídeo-ouvinte: Sem saída

Falta organização e respeito nos super-lotados trens de São Paulo, conforme relata o ouvinte-internauta Wilson Ferreira da Silva que gravou estas imagens na chegada da estação Brás. “As pessoas que estão na plataforma invadem o trem e não deixam quem está dentro desembarcar”, reclama.