Vereador quer proibir velinhas de aniversário, em São Paulo

 

Porta arrombada, tranca de ferro! Desde pequeno ouço este ditado que, me parece, inspirou o vereador Wadih Mutran (PP), de São Paulo, ao apresentar projeto de lei com a intenção de evitar a repetição de tragédias como a da boate em Santa Maria. No embalo das medidas salvadoras que surgiram desde o incêndio que matou até agora 239 pessoas, Mutran entendeu por bem propor a proibição das velinhas de aniversário em casas noturnas fechadas.

 

O projeto 01-00004/2013, apresentado à Câmara Municipal, assinado por Mutran diz que “fica terminantemente proibida à utilização de qualquer instrumento ou mecanismo que produza faísca ou fogo, inclusive velas de aniversários de qualquer espécie ou natureza”.   Ou seja, os fiscais não trabalham, as autoridades não agem, os bombeiros fazem vistas grossas, os donos das boates são irresponsáveis e sobra para a pobre da velinha de aniversário, aquela que compramos por alguns poucos reais para enfeitar o bolo das crianças.

 

O vereador deve ter descoberto nas profundas pesquisas que realizou após os acontecimentos no interior do Rio Grande do Sul que por trás daquele ingênuo pedaço de cera que adorna as festinhas há uma arma de altíssimo poder de destruição. E para acabar com este disfarce de bom moço (ou boa moça), a velinha será banida das festividades, ao menos em São Paulo.  

 

Depois dessa, só me resta acender uma vela para o santo e pedir para que ilumine a cabeça dos nossos representantes na Câmara Municipal de São Paulo.

 

Para que não haja mal entendido, eis o texto completo do PL 01-00004/2013 do vereador Wadih Muran (PP)

“Dispõe sobre a proibição de qualquer ato que envolva a produção de faísca e fogo em casas noturnas e boates fechadas, localizadas no Município de São Paulo e da outras providências.
A CÂMARA MUNICIPAL DE SÃO PAULO, decreta:
Art. 1o – Fica terminantemente proibida à utilização de qualquer instrumento ou mecanismo que produza faísca ou fogo, inclusive velas de aniversários de qualquer espécie ou natureza, em casas noturnas fechadas como boates, casa de shows, localizados no município de São Paulo.
Art. 2o – Torna obrigatório ainda, a instalação de sinalização com o uso de tintas fosforescentes, tipo fosfocrômica especial no chão indicando rotas de fuga em todas as casas noturnas e boates localizadas no Município de São Paulo.
Art. 3o – Para a adaptação das normas instituídas no artigo 2o desta lei, os proprietários dos referidos estabelecimentos terão um prazo de 60(sessenta) dias para o cumprimento do dispositivo.
Art. 4o – O não cumprimento do exigido nesta Lei, serão puníveis com multa, que implicará no valor de 1.500(Hum mil e Quinhentas)UFIR’S, sendo que em caso de reincidência o valor da multa duplicará.
Art. 5o – As despesas com a execução desta lei correrão por conta das dotações orçamentárias próprias suplementadas se necessárias.
Art. 6o- Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.
Sala das Sessões, às Comissões competentes.”

Conte Sua História de São Paulo: o Sargento salvou meu casamento

 

Por Bernadete Areias Borges
Ouvinte-internauta

 

Mosteiro de São Bento

 

Ouça este texto sonorizado pelo Cláudio Antonio, no Jornal da CBN

 

Rodrigo e eu marcamos nosso casamento no Mosteiro de São Bento, centro da cidade, para o dia 17 de janeiro de 2004. A escolha do local foi feita depois de termos rodado São Paulo inteira a procura de alguma igreja diferente de todas que já tínhamos ido. Visitamos a Capela da PUC, mas era pequena para os 300 convidados. A Catedral da Sé, mas era grande demais… Enfim, decidimos com um ano e meio de antecedência que o Mosteiro de São Bento seria a igreja ideal. Durante este período, nos aproximamos dos monges e aprendemos a apreciar ainda mais as belezas do Mosteiro. As exigências foram cada vez mais fazendo sentido. Eram proibidas velas para não estragar as madeiras, flores grandes para não diminuir a beleza … Tivemos muita dificuldade de contratar um coral que não tivesse voz feminina, pois mulheres não poderiam passar pela clausura, acesso até o lugar das vozes.

 

Tudo estava perfeito, atendendo nossos sonhos e respeitando a importância do Mosteiro de São Bento, até que recebi uma ligação do meu avô Roberto. Paulistano de 80 anos, aposentado do Jockey Club de São Paulo, conhecia o Centro de São Paulo como ninguém e foi ele quem me alertou: – “Você está sabendo que haverá uma caminhada pelo Centro Histórico de São Paulo para comemorar os 450 anos da cidade no dia do seu casamento?”.  Pronto, já não sentia mais minhas pernas e meus sonhos tinham desabado!

 

 
Procurei mais informações e descobri que todo o Centro seria fechado para carros e a caminhada passaria pelo Mosteiro de São Bento por volta das cinco horas da tarde. Meu casamento estava marcado para as seis, impreterivelmente, após as 18 badaladas dos sinos da Igreja. Falei com todas as secretarias envolvidas, prefeitura, DSV, até que descobri uma Base da Polícia Militar em frente ao Mosteiro. Liguei, expliquei para um Sargento minha situação e ele, provando de que ainda existe gente boa neste mundo, de a solução. Uma vez que os acessos estariam fechados, pediu que eu comunicasse a todos meus convidados que viessem pela Rua Florêncio de Abreu e subissem a ladeira lateral ao Mosteiro (que é contramão e tem trânsito proibido), pois haveria um acesso permitido apenas aos convidados do casamento.

 

 
Claro que não acreditei que isso funcionaria, mas como não havia nenhuma outra opção, fizemos as comunicações devidas  e começamos a rezar para São Bento. A semana foi longa, mas a espera foi compensada: ao seguir as instruções, passei pela caminhada como alguém famosa, com toda a pompa dentro de um Rolls Royce (que pertenceu a Getúlio Vargas), sendo fotografada por todas pessoas que estavam admirando e prestigiando a mais linda das cidades brasileiras, São Paulo. Ao chegar no Largo São Bento, quem veio me receber? Ele, o Sargento. Mesmo estando de folga fez questão de organizar a chegada dos convidados e me dar todo suporte para o grande dia. Batedores da Polícia Militar escoltaram meu carro, que ficou parado em um isolamento da PM até a entrada na Igreja. Infelizmente – seja pelo nervosismo seja pela emoção – não me lembro do nome do Sargento que tanto me ajudou, mas é a ele que dedico minha homenagem à São Paulo.

 

Bernadete Areias Borges é personagem do Conte Sua História de São Paulo. Escreva para milton@cbn.com.br e comemore conosco os 459 anos de São Paulo.

Um cordel para comemorar os 21 anos da CBN

Prof. Gerardo Carvalho (PROF. PARDAL)
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

Prestem atenção nesta história
Que agora vou lhe contar
Deste amigo professor
Que aprendeu a colocar
O rádio na cabeceira
E a amizade é verdadeira
Que veio a se apaixonar.

 

Formado em Filosofia
Também em Comunicação
Social na UFC
Completando a vocação.
Isso foi em 2002,
Não mais deixei pra depois
O rádio está sempre à mão

 

Fiz duas cadeiras de rádio,
Lá na Universidade
Federal do Ceará,
Quando encontrei de verdade
Um professor vibrador.
Fazia rádio por amor
Tinha credibilidade

 

Era repórter da Povo,
A AM que hoje é parceira
Da CBN, que juntas,
Se tornaram a companheira
Deste humilde jornalista
Que não mais perde de vista
E ouve radio a vida inteira.

 

Foi Luiz Paulo Machado,
Repórter por convicção.
Que me ensinou ouvir rádio
E desde este tempo, então,
Ouvir rádio é tão solene,
Que só mesmo a CBN
Satisfaz minha audição…

 

Às cinco horas já ouço
Ceci Melo ao microfone.
Com suas Primeiras Notícias
“Bota a boca no trombone”.
Dá conta bem do recado
Quem quiser ficar informado?
No rádio a selecione…

 

Vem o Jornal da CBN
Com Milton na locução
Das 6 até às 9 horas
É um show de informação.
Pra ninguém perder de vista
Aqui e ali um comentarista
Faz a sua intervenção!

 

É a vez de Juca Kfouri
Bater sua bola no esporte
Depois vem o Sardenberg
Na economia dando o norte.
E para uma boa crítica
A esta confusa política,
O Merval vem dar suporte.

 

O Gilberto Dimenstein
Com suas curiosidades
Na ciência e educação
Ele só traz novidades.
Na vez de Arnaldo Jabor,
A sua crítica é um terror
A algumas falsas verdades.

 

Max Gehringer entra em ação
Com o “Mundo Cooperativo”
Ele orienta o ouvinte
Pra que este seja vivo
No emprego, em alguma parada
Pois para não dar mancada
Precisa ser criativo.

 

Dan Stulbach, Zé Godoy,
Luiz Gustavo Medina
Na “Hora de Expediente”
Trazem assuntos lá da China.
Cada qual mais engraçado
Dão ali o seu recado
Com uma boa adrenalina.

 

Quando chego em casa à noite
Ouço João Carlos Santana
Que faz da “Sala de Música”
Uma audiência bacana
Já ouvi do rock ao baião
Do zabumba ao violão
Do samba, valsa ao nirvana.

 

Digo, enfim, que a CBN
No país é raridade.
Como Rádio Jornalismo,
Ela alcançou de verdade
Nestes seus 21 ANOS
Toda a credibilidade.

 

Sobre o autor:

 

Escritor, poeta, cordelista, filósofo, bacharel em Comunicação Social (jornalismo);
Professor,Educador de trânsito; Vice-diretor da Escola
Municipal Madre Tereza de Calcutá – Fortaleza
Ex-seminarista franciscano; Autor de “São Francisco do Povo: ontem e hoje”,
Editora Vozes. Autor de mais de 70 títulos de cordel, abordando temas ligados à natureza e
defesa da vida. Recebeu vários prêmios como cordelista e trovador, entre eles, Seduc/Paic/2010; o prêmio Patativa do Assaré pelo Ministério da Cultura

Rua Augusta, o documentário

 

Tenho recebido muitas contribuições e sugestões de homenagens para a cidade de São Paulo que, nessa quarta-feira, completa 458 anos. Alguns textos serão usados no Conte Sua História de São Paulo, outros serão publicados aqui no Blog, nos próximos dias. Hoje, reproduzo documentário Augusta St, curta-metragem sobre a avenida que se inicia no centro da cidadem, atravessa a avenida Paulista e vai parar lá embaixo nos Jardins. Foi motivo de música e muita controvérsia, parte dela descrita neste vídeo criado por Ricardo Hirsch, Morgana Duque, Gabriel Tye e Natália Rodrigues, em uma realização do Senac-SP e sugestão da ouvinte-internauta Mia Triafa.

 

Curta:

 

Augusta St. [Documentary] from Morgana Duque on Vimeo.

A festa em fotos do CBN SP nos 457 anos da cidade

Público do CBN SP

Casa cheia, convidados interessantes e conversa de boa qualidade fizeram a festa de aniversário da cidade de São Paulo, no Pátio do Colégio, promovida pelo CBN SP, nessa terça-feira. Com destaque para o tema “livro e literatura”, o encontro reuniu agitadores culturais; de escritores a músicos; de livreiros a poetas. E se encerrou com uma nova biblioteca para os meninos e meninas da Associação Esportiva Da Doze, do parque Dorotéia, no extremo sul da capital paulista.

O chorinho do Retratos

Retratos, grupo musical que venera o chorinho, transformou os ouvintes que estiveram no Pátio em um coral que cantou músicas identificadas com a cidade e o Brasil como em Carinhoso, de Pixinguinha.

Zé Geraldo emociona

Zé Geraldo emocionou e levou pessoas às lágrimas com músicas que marcaram sua carreira artística. Não se limitou a cantar, contou histórias, também, e lembrou de quanto esteve em São Paulo ainda jovem ajudando na construção do Minhocão e outras obras da cidade.

Godoy e Herz no CBN SP

Na sala de estar, montada para receber os convidados, todos pareciam à vontade para falar sobre a importância do livro na nossa vida. Pedro Herz, da Livraria Cultura, Sérgio Vaz, da Cooperifa, José Godoy, do Fim de Expediente, e José Luiz Goldfarb, da campanha Doe um Livro alertaram para a necessidade de se entender a leitura como prática de lazer e sabedoria.

Sérgio Vaz, o poeta

Herz logo no início convidou os pais a lerem, pois assim contaminam seus filhos. Godoy sugeriu que a ‘leitura obrigatória’ na sala de aula busque autores mais atraentes aos jovens. Vaz levou como exemplo o Sarau da Cooperifa que reúne centenas de pessoas todas as quartas à noite na periferia de São Paulo.

Luiz Goldfarb do Doe um Livro

Goldfarb, de fala entusiasmada, apresentou Felipe, menino de 6 anos, que mexeu com os colegas da escola dele em Santo André e conseguiu reunir 100 livros para a campanha que tem ajudado a construir bibliotecas pelo País.

Felipe, o menino do livro

Enquanto tudo se desenrolava diante de um número impressionante de pessoas que foram assistir ao programa, ao vivo, a turma do Museu da Pessoa gravava depoimentos de ouvintes para o Conte Sua História de São Paulo, em um espaço reservado do Pátio.

O bom papo após o CBNS

Integrantes do Adote um Vereador estavam lá, também. E saíram com o apoio de ao menos mais dois colaboradores que gostaram da ideia de passar a controlar, monitorar e fiscalizar os parlamentares de São Paulo. Um professor se comprometeu a mobilizar seus alunos no projeto. Sejam bem-vindos.

Eu, como sempre, falei demais, mas me diverti muito com as conversas durante e após o programa. Deixei o Pátio apenas uma hora e meia depois do encerramento, período em que tive o prazer de receber sugestões, agradecer a presença de todos e ganhar um espetáculo à parte com um “Mário de Andrade” que baixou em um dos convivas.

Campanha Doe um Livro

Nada me agradou mais, porém, do que a mesa do Doe um Livro lotada de material levado por gente comum, gente graúda, uma gente muito boa e pronta para colaborar e comemorar o aniversário da nossa cidade.

Todas as fotos deste post e o álbum com imagens da festa (que você vê aqui) foram feitas por Massao Uehara

Conte Sua História de São Paulo: Festa da cidade

 

Entrevista_10Filha de ex-fazendeira do café e comerciante na capital, Maria Rosa Ascar chegou menininha em São Paulo carregada pelas mãos da mãe, após o pai ter morrido. Vieram mais oito dos 14 irmãos que viviam na mineira Nova Rezende e todos aqui foram estudar. Viveu com entusiasmo a festa dos 400 anos, comemorou ao lado de autoridades como o presidente Getúlio Vargas e assistiu a chegada da modernidade à capita: a escada rolante e o computador.

No depoimento gravado pelo Museu da Pessoa, durante a festa de aniversário de São Paulo, em janeiro deste ano, Maria Rosa lembrou de um dos primeiros bairros onde morou, a Bela Vista, e não conteve: cantarolou o amor pela capital.

Ouça o depoimento de Maria Rosa Ascar, sonorizado pelo João do Amaral

Você também pode participar. Agende seu depoimento ao Museu da Pessoa pelo telefone 011 2144-7150 ou pelo site www.museudapessoa.net. O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar aos sábados, às 10 e meia da manhã.

CBN SP 456 anos, a festa é no Pátio do Colégio

 

CBN SPAmanhece com sol e céu levemente esbranquiçado pela nuvem. A chuva deve aparecer mais tarde (ela sempre vem no verão), mas dá tempo de fazer a festa no Pátio do Colégio sem preocupação. A temperatura deverá ficar agradável. O programa, tenho certeza.

Nossos convidados são pessoas que tem muita história para contar e cantar. Haverá música ao vivo, com a abertura do maestro João Carlos Martins e seus músicos relatando uma experiência singular de vida. O projeto Samba do Baú também se fará presente com todos seus integrantes que têm em comum, além do talento, o desejo de preservar um ritmo musical que marcou época em São Paulo, o samba de raiz.

No sofá do lounge que está montado para receber a todos, Tia Dag e Maria Alice Setúbal vão relatar os movimentos que o destino lhes proporcionou levando-as, em regiões distintas da cidade – no extremo sul e no extremo leste, respectivamente -, a atuar em defesa do cidadão seja pela cultura, seja pela educação, seja pelo gesto de solidariedade. É festa, eu sei, mas o que elas tem para nos ensinar é muito sério.

O Gilberto Dimenstein também estará com a gente, assim como o Cid Torquato, o Rodrigo Pereira e a Patrícia Madeira. Todos juntos vamos bater um papo interessante sobre a cidade de São Paulo, em um lugar marcante na nossa história, afinal o Pátio do Colégio foi onde tudo isso começou.

Lá, também, o pessoal do Museu da Pessoa, nosso novo parceiro, estará a espera dos ouvintes-internautas com uma estrutura especialmente montada para registrar capítulos da nossa cidade contados por seus protagonistas. Este material fará parte do acervo do Museu e será reproduzido no Conte Sua História de São Paulo.

Se você estiver no rádio ou no computador, certamente vai curtir bastante este encontro, mas seria bem legal que estivesse ao nosso lado lá no Pátio. Uma oportunidade para caminhar pelo centro histórico de São Paulo que completa 456 anos.

Até lá !

Ouvintes começam a gravar depoimentos para a CBN

 

CBN SP
Em menos de uma semana, dez ouvintes-internautas já marcaram a data e hora para gravar sua participação na nova fase do Conte Sua História de São Paulo. Os depoimentos serão registrados em áudio e vídeo na sede do Museu da Pessoa, instituição especializada em resgatar e armazenar a memória do cidadão brasileiro.

Em lugar dos textos enviados por e-mail e interpretados por mim aos sábados, nesta etapa o Conte Sua História de São Paulo publicará as experiências dos moradores na capital paulista contadas por eles próprios. Além disso, o material passará a fazer parte do acervo do Museu da Pessoa, com possibilidade de acesso pela internet.

Na semana em homenagem aos 456 anos de São Paulo, que começa nessa segunda-feira (18.01), você terá oportunidade de ouvir alguns depoimentos que integram a memória digital do Museu. Foram selecionadas histórias de infância, lembranças de família, casos curiosos e inusitados que nos oferecerão um olhar sobre a diversidade da capital.

Para agendar sua entrevista, você deve ligar para 011 2144-7150, ou entrar no site do Museu da Pessoa.

Leia mais sobre o Conte Sua História de São Paulo especial e a programação da CBN no aniversário da cidade.

Inferno astral

 

Por Abigail Costa

Meu amigo desfrutava as últimas horas do fumódromo permitido dentro da empresa. Entre uma tragada e outra uma conversa entre virginianos. Como estamos próximos de completar mais um ano de vida, tudo o que não vem dando muito certo é culpa do inferno astral.

– Relaxa! Deixa pra resolver depois. São esses dias!

– Calma! Esse tipo de preocupação vai passar assim que chegar o dia do seu aniversário.

– Sério? Isso existe? De verdade?

Sabe que em determinados momentos é até bom acreditar em horóscopo, meditar nas palavras escritas no adesivo do pára-brisa do carro na sua frente.

“Deus deu a vida para cada um cuidar da sua”.

Essa li outro dia e costumo repetir a frase em tom de brincadeira.

Já pensou se a gente pudesse entregar a nossa vida nas mãos de alguém que durante um tempo zelasse por ela com paciência, amor, carinho, e nos devolvesse com juros, cotação lá nas alturas? Assim como um investidor cuida do nosso dinheiro, vez ou outra? Ações, euro, dólar, imóveis. Não quero nem pensar, faça o melhor por mim.

Acontece isso quando o mundo parece despencar na nossa cabeça. Vem de lá, de cá. Aparecem problemas até no pé da mesa!

Jesus apaga a luz ! Quando acender de novo tudo estará resolvido.

Enquanto ninguém toca na tomada, vou acreditando neste tal Inferno Astral, um jeito malandro que meu amigo me ensinou de ganhar tempo pra pensar melhor. No balanço das contas a gente percebe que alguns problemas não são assim tão urgentes.

Eles aparecem pra testar a nossa fé.

Abigail Costa é jornalista e escreve no Blog do Mílton Jung sem nunca perder a fé

De aniversário


Por Maria Lucia Solla

Olá!

Quando era pequena, achava que a cada aniversário eu seria outra marialúcia, depois de partir o bolo e apagar a velinha. Sentia medo e curiosidade. Não queria ser diferente, mas queria ir em frente. Tinha medo de perder o chão, mas vivia nas nuvens; e ainda sou assim.

Com o passar dos anos, o medo foi diminuindo, e a curiosidade ganhou espaço e tomou o quanto pode. Quero mais. Quero muito mais. Hoje sei que todas as marialúcias, de todos os dias e de todos os anos, moram aqui mesmo. Dentro de mim. Tem vezes que entram num conflito danado, mas acabam fazendo as pazes e unem as forças, em prol de todas.

Em mim, mora a menina que busca mão forte, proteção e direção, e também mora a adolescente que abomina a idéia tanto de proteção quanto de direção. Aquela que clama por liberdade sem limite. O tempero quem dá é a mulher que mora em mim, a mulher que quer usar a liberdade conquistada para testar os próprios limites. Que anseia pela mão forte que também esteja em busca de proteção e que saiba negociar a direção a seguir. Essa mulher quer que a mão forte roce a sua, por pura traquinagem, antecipando o momento de se perderem em meio a todos os seus eus. De ontem, de hoje, de amanhã.

E você, conhece quem mora em você?

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Ouça este texto na voz e sonorizado pela autora:

Maria Lucia Solla é terapeuta e professora de língua estrangeira; escreveu o livro “De Bem Com a Vida Mesmo que Doa”, publicado pela Libratrês; e recentemente comemorou o nascimento de mais uma marialúcia