Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: por que cliques não bastam para construir uma marca forte

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Estar entre os primeiros resultados de uma busca ou reunir milhares de curtidas pode gerar vendas, mas não garante que uma marca tenha conquistado um lugar na preferência do consumidor. O alerta em relação a obsessão pelaperformance nas plataformas digitais foi tema do comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso.

O ponto de partida da conversa foi uma pergunta típica dos tempos atuais: o que acontece quando empresas passam a perseguir apenas indicadores de desempenho e deixam em segundo plano a construção de valor da marca? 

Para Jaime Troiano, esse comportamento revela uma distorção provocada pela busca incessante por resultados imediatos. “Vivemos a tirania da performance”, afirmou. Segundo ele, muitas organizações concentram seus investimentos em campanhas que geram vendas rápidas, mas deixam de fortalecer a imagem que sustentará o negócio no futuro.

Jaime observa que esse foco excessivo nos números faz com que profissionais percam a visão do conjunto. A comparação usada por ele ajuda a entender o problema: é como enxergar apenas a árvore e deixar de perceber a floresta. Nesse contexto, o marketing passa a perseguir métricas diárias, enquanto a marca deixa de construir vínculos duradouros com o público.

Para ilustrar essa ideia, ele citou o caso do Airbnb. A empresa reduziu investimentos em anúncios voltados exclusivamente para performance e voltou a apostar em campanhas de marca, baseadas em histórias e experiências. O resultado foi o aumento do tráfego direto e o fortalecimento da marca. 

Na avaliação de Jaime, depender apenas de plataformas de busca significa pagar continuamente pela atenção do público. “Se você só aparece quando paga para o Google ou hoje em dia também para IA generativa, você não tem uma marca propriamente, você tem um custo de aluguel de audiência.”

Outro ponto destacado foi a diferença entre comportamento e percepção. Os dados mostram o que as pessoas fizeram, mas não revelam, necessariamente, o que elas sentiram. Essa dimensão emocional explica por que curtidas e cliques não asseguram fidelidade. Um consumidor atraído apenas por uma promoção pode mudar de escolha assim que encontrar um desconto maior.

Cecília Russo ressaltou que isso não significa abandonar a tecnologia nem desprezar as informações produzidas pelos dados. Para ela, o desafio está em compreender o papel de cada elemento na estratégia. “O dado vai dar esse mapa, mas talvez a gente possa traduzir que a marca, numa linguagem metafórica, é a bússola.”

Essa distinção ajuda a entender um conceito importante do branding: o brand equity, expressão utilizada para definir o valor que uma marca ocupa na mente do consumidor. Em outras palavras, é a reputação construída ao longo do tempo, capaz de influenciar escolhas mesmo quando não há propaganda ou promoção diante do cliente.

Cecília lembrou que marcas como Natura, Granado e Boticário não dependem apenas dos algoritmos para vender. Elas acumulam uma reserva de reputação construída de forma consistente. O consumidor procura essas marcas porque já estabeleceu uma relação de confiança com elas.

Ela também chamou atenção para a diferença entre despertar um clique e despertar desejo. Quando uma empresa depende exclusivamente de impulsionamento para ser lembrada, torna-se refém desse investimento permanente. Em contrapartida, quando o consumidor digita espontaneamente o nome da marca na barra de busca, e não apenas o nome de um produto, existe um patrimônio construído que vai além da publicidade.

O resumo da conversa no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso veio na frase da Cecília: “os dados mostram o caminho, mas a gente tem que ir atrás do coração, da emoção”. Afinal, são as conexões emocionais que transformam uma compra ocasional em uma escolha recorrente.

A marca do Sua Marca

Os dados orientam decisões importantes, mas não substituem a construção de confiança, reputação e identificação com o consumidor. Performance gera resultados imediatos. Marca forte cria preferência duradoura e continua sendo escolhida mesmo quando o algoritmo aponta outras opções.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Conte Sua História de São Paulo: o dia que o Corinthians mudou a vida de muita gente

Por Isabella Alves Brito Donadel

Ouvinte da CBN

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Quando ouvi na CBN, que seria feita mais uma homenagem a esta nossa maravilhosa cidade, decidi contar esta história. Aqui vou falar de natureza, vou falar de preservação e vou de falar um campo.

A natureza é esportiva. A preservação é de um local de muitas histórias vividas pelos paulistanos. E o campo? Bem, este é o gramado do estádio do Pacaembu.

Há algul tempo, durante a pandemia da Covid, constatei que meu pai estava chateado e para mudar essa situação lembrei que poderia provocá-lo a contar uma história que sempre o deixava feliz. A história de um dia que, segundo ele, foi “um dia ser lembrado para sempre”. 

Foi um dia que mudou a vida de muita gente na cidade de São Paulo. No Estado, no Brasil e no Mundo — sem exagero: Quatro de Julho de 2012.

Quando se comemoravam os 263 anso de independência dos Estados Unidos, um time de futebol brasileiro e paulista, conquistava a América. O time de mais de 33 milhões de torcedores.

Era uma quarta-feira, bem no meio da semana, e em um lugar que costumávamos chamar de “A casa dos corintianos”: o saudoso estádio Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu.

Naquela noite, meu pai estava ansioso. Mas assim com a maioria, para não dizer a totalidade, daqueles milhões de torcedores, sabia que o time estava em uma excelente fase. Um elenco que exalava confiança. E transmitia essa sensação a todos os torcedores.

Este sentimento foi fundamental para a conquista que viria a ser alcançada: naquela noite, o Sport Clube Corinthians Paulista venceria por dois a zero o poderoso Boca Juniors, time argentino que já havia vencido diversas Libertadores da América. Foi uma vitória incontestável e invicta.

Ao fim daquele jogo, todo corintiano podia gritar em alto e bom som para quem quisesse ouvir: “depois de campeões do mundo, em 2000; também somos campeões da américa, em 2012”. 

Estávamos livres de ouvir dos tradicionais adversários a frase: “nunca serão …”. Sim, naquele 4 de julho de 2012, “nóis” corintianos éramos campeões da América.

Para mim, então com 11 anos, ficpu a lembrança do dia mais feliz na vida de meu pai. E com certeza de milhões de corintianos.

Viva a natureza esportiva. Viva o Pacaembo e o seu gramado mágico, palco de tantas emoções para esta nossa maracilhosa cidade de São Paulo.

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Isabella Alves Brito Donadel é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: Luana Ozemela, do iFood, destaca o uso da tecnologia para ampliar inclusão e oportunidades

Luana Ozemela, CSO e Vice-Presidente de Impacto e Sustentabilidade do iFood
Luana Ozemela, do iFood, é entrevistada no Mundo Corporativo. Foto: Priscila Gubiotti/CBN


“A gente precisa cultivar essa mentalidade de sermos arquitetos de impacto social. Que que significa isso? Todos os dias estamos pensando como que a minha empresa, além do impacto econômico que eu gero, como que eu posso gerar mais impacto social?”

Mais de 60 milhões de consumidores, 600 mil entregadores ativos e cerca de 550 mil estabelecimentos comerciais formam um dos maiores ecossistemas digitais do país. O desafio é transformar essa escala em oportunidades de trabalho, acesso à educação, proteção social e crescimento econômico para diferentes públicos. E foi razão da entrevista com Luana Ozemela, vice-presidente de impacto e sustentabilidade do iFood, ao programa Mundo Corporativo, da CBN.

Ao falar sobre o papel da tecnologia nesse ambiente, Luana definiu a empresa como um espaço de observação permanente das relações sociais que acontecem dentro da plataforma. “O iFood de hoje é o que eu chamo um verdadeiro laboratório social”, afirmou.

Segundo ela, a tecnologia não deve servir apenas para conectar oferta e demanda. Também precisa identificar vulnerabilidades, prevenir conflitos e ampliar o acesso a direitos e oportunidades. “A tecnologia hoje, ela vem para não só aproximar a demanda da oferta, criar essas oportunidades de trabalho para toda essa população, mas também para intervir onde precisa intervir para dissipar conflitos.”

A executiva destacou ainda iniciativas voltadas aos entregadores, como acesso à educação, pontos de apoio e mecanismos de proteção contra violência e discriminação. “A tecnologia precisa estar monitorando todas essas vulnerabilidades o tempo todo e resolvendo os conflitos e levando essa educação.”

O debate global sobre o trabalho em plataformas

O crescimento das plataformas digitais trouxe para governos, empresas e trabalhadores um desafio que ainda está em construção: encontrar modelos de regulação capazes de equilibrar inovação e proteção social.

Para Luana, a economia de plataformas é um fenômeno recente e exige soluções que respeitem as particularidades de cada país. Ela lembrou que o iFood participa das discussões internacionais sobre o tema desde 2021 e integrou iniciativas promovidas pelo Fórum Econômico Mundial.

“Os últimos três anos de fórum culminaram na estrutura no lançamento da Aliança Global pelo Trabalho Digno de Plataformas”, disse.

A executiva também comentou a aprovação de uma convenção internacional da Organização Internacional do Trabalho (OIT) voltada aos direitos dos trabalhadores. Na avaliação dela, o acordo representa um avanço porque estabelece princípios globais sem impor uma única fórmula regulatória.

“Em cada país o vínculo é definido conforme a legislação local. Em cada país o ganho mínimo é definido conforme a legislação local.”

Para Luana, esse modelo permite ampliar a proteção aos trabalhadores sem comprometer a continuidade das oportunidades geradas pelas plataformas digitais.

Digitalização e acesso ao crédito para pequenos negócios

Além dos entregadores, outro grupo fundamental para o funcionamento da plataforma é formado pelos pequenos empreendedores.

Segundo Luana, uma das principais contribuições do iFood está na aceleração da transformação digital desses negócios. Ela observa que muitos estabelecimentos chegaram ao ambiente digital com atraso e agora precisam lidar com ferramentas cada vez mais sofisticadas.

“A gente já está falando de levar agentes de inteligência artificial para que esses pequenos negócios consigam organizar suas contas, o seu estoque, fazer uma melhor precificação.”

A executiva destacou ainda a oferta de produtos financeiros adaptados à realidade dos restaurantes e pequenos comerciantes. Como a plataforma possui informações detalhadas sobre o desempenho dos estabelecimentos, consegue avaliar riscos de forma diferente da utilizada por instituições financeiras tradicionais.

“Pelo fato da gente conhecer esse restaurante, conhecer como que os clientes gostam do restaurante, como que eles voltam para esse restaurante, a gente consegue dar produtos financeiros muito melhores.”

Entre os serviços oferecidos estão crédito, microcrédito, cartão de crédito e antecipação de recebíveis, instrumentos que ajudam empresas de menor porte a expandir operações e enfrentar períodos de instabilidade.

Inovação social para enfrentar problemas complexos

A área de impacto e sustentabilidade do iFood trabalha com o conceito de inovação social, que, segundo Luana, consiste em encontrar novas formas de resolver desafios coletivos.

Um dos exemplos apresentados na entrevista foi a segurança no trânsito. Em vez de concentrar esforços apenas em mecanismos de punição, a empresa passou a estudar fatores comportamentais capazes de estimular mudanças mais duradouras.

“Inovação social para a gente nada mais é do que pensar de múltiplas formas, como resolver problemas sociais complexos.”

A partir desse princípio, foi desenvolvido um sistema baseado em ciência comportamental para incentivar práticas mais seguras na condução de veículos. O programa utiliza dados e mecanismos de incentivo para estimular mudanças de comportamento entre os entregadores.

“A gente conseguiu reduzir drasticamente o número de entregadores que dirigiam consistentemente acima da velocidade do viário urbano.”

Segundo Luana, os resultados foram alcançados sem reduzir a eficiência operacional da plataforma. “A gente fez isso sem tornar a nossa operação mais lenta.”

Para ela, a inovação social se torna relevante justamente quando consegue enfrentar um problema coletivo e, ao mesmo tempo, manter a viabilidade do negócio.

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Letícia Valente, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Priscila Gubiotti.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: por que o excesso de informação faz as marcas parecerem iguais

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Quanto mais estímulos disputam a nossa atenção, maior é o risco de deixarmos de perceber aquilo que torna uma marca diferente. Esse foi o tema do comentário Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, apresentado por Jaime Troiano e Cecília Russo, no Jornal da CBN.

A dificuldade não está apenas no aumento da concorrência. Ela também está no limite da capacidade humana de processar tantas informações ao mesmo tempo. Jaime Troiano lembrou que estudos realizados ainda na década de 1970 já mostravam que o excesso de estímulos embaralha nossa percepção e reduz a capacidade de diferenciar uma opção da outra.

Para explicar esse fenômeno, ele recorreu a uma imagem criada há cerca de 400 anos por Isaac Newton: o disco formado pelas sete cores do arco-íris. Parado ou girando lentamente, é possível distinguir cada cor. Quando gira muito rápido, porém, todas desaparecem em uma única impressão visual. “Você vê tudo branco e não distingue as cores.”

Segundo Jaime, o mesmo ocorre com o mercado. A quantidade de mensagens, produtos, campanhas e ofertas cresce continuamente. Como resultado, as diferenças entre as marcas tendem a ficar menos evidentes para o consumidor. “É tanta comunicação, são tantas alternativas no mercado, é tudo tão rápido”, resumiu.

Cecília Russo mostrou como esse efeito aparece na prática ao recordar uma visita à Feira da APAS, um dos maiores eventos do varejo brasileiro. Centenas de expositores disputavam a atenção dos visitantes com painéis, lançamentos, cores, sons e experiências. Sem um objetivo definido, explicou, a tendência é sair do evento cansado e com dificuldade para lembrar do que realmente chamou atenção.

“A cabeça gira com tantas informações, alternativas, produtos, empresas, marcas”, observou. Para ela, essa sensação também ajuda a entender o desafio enfrentado pelas empresas em praticamente todos os setores.

Esse cenário exige um esforço ainda maior para construir uma identidade clara. Em vez de ampliar a quantidade de mensagens, torna-se mais importante reforçar uma promessa consistente e facilmente reconhecida pelo público.

Cecília apresentou um dado de uma pesquisa realizada pela Troiano que ilustra essa dificuldade. Ao medir a associação entre celebridades e as marcas que elas representam, o estudo mostrou que os consumidores acertaram a resposta em apenas 15% dos casos. Nos outros 85%, as pessoas confundiam os porta-vozes e as empresas, sinal de que o excesso de estímulos acaba embaralhando até campanhas de grande visibilidade.

A conclusão dos comentaristas é que, em um ambiente de comunicação cada vez mais acelerado, vencer a disputa pela atenção depende menos de fazer mais barulho e mais de construir uma identidade coerente ao longo do tempo.

No encerramento, Jaime Troiano sintetizou essa orientação: “Pense religiosamente naquilo que a sua marca tem de único, de especial e não abandone esse caminho.” Para ele, é justamente essa característica singular que permitirá à marca ser percebida em meio a tantas alternativas.

A marca do Sua Marca

A principal lição do comentário é que o excesso de informação tornou a diferenciação mais difícil. Por isso, marcas fortes não são necessariamente as que mais aparecem, mas as que conseguem comunicar, de forma consistente, aquilo que têm de único e relevante para o consumidor.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Conte Sua História de São Paulo: o chiado do rádio na Copa do Mundo de 1958

Laudizio Jorge Marquesi

Ouvinte da CBN

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Meu pai, alfaiate, Luiz Marquesi. Minha mãe, excelente dona de casa, Albonea  Marquesi. Família que na época eu já considerava grande: quatro homens, com nomes iniciando pela letra L, e três mulheres, toda com nomes começando com N. Eu, por ser o caçula, escapei de me chamar Lauro. Meu pai, ouvindo a rádio Nacional do Rio, descobriu o “Laudizio, mago das joias”. E o acréscimo veio do dia de nascimento, inspirando no dia do santo, São Jorge.


De Garça, interior de São Paulo, para o bairro da Casa Verde, na São Paulo de 1955, foi um pulo. Minha irmã Neide veio na frente, em 1954, e foi ser telefonista no Hotel Jaraguá, na rua  Major Quedinho, edifício do Estadão. Ano da comemoração do IV Centenário da cidade. Era uma São Paulo festiva e brilhante. Recebeu artistas do cinema americano. Na époica já havia transmissões de TV para os privilegiados. O rádio segui imbatível.

Como disse, cheguei uma ano depois, mas me permita dar um salto no tempo: 1958. Que ano maravilhoso! Brasil, campeão do Mundo na Suécia. Foi quando Pelé nasceu para o futebol. As transmissões de rádio eram em ondas curtas e retransmitidas pelas grandes emissoras da época, casa uma em um estado diderente. 

Ao microfone da Bandeirantes, Edson Leite e Pedro Luiz. E apesar do chiado a festa era enorme a cada gol do Brasil. Lembro da final da Copa, em 28 de junho. Dia de São Paulo. 5 a 2 para o Brasil. Terminada a partida, nos céus, milhares de balões com as cores do Brasil e um foguetório enormo. Que emoção. Que alegria. Imagine o que era ouvir, pela primeira vez, o Brasil ser campeão do Mundo. 

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Laudizio Jorge Marquesi é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto agora e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: Valdenice Minatel, do Colégio Dante Alighieri, explica como funciona o modelo de liderança compartilhada

Valdenice Minatel Melo de Cerqueira, Dante Aligheri
Valdenice em entrevista ao Mundo Corporativo. Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“A liderança sem essa escuta ativa, é liderança estéril. Ela não promove a construção de novas lideranças, que é o que a gente precisa.”

Uma escola com 115 anos de história decidiu substituir a figura do diretor único por uma gestão compartilhada formada por três diretoras. A mudança reflete uma busca por decisões mais colaborativas, diversidade de perspectivas e maior conexão com os desafios contemporâneos da educação. 

Em entrevista ao Mundo Corporativo da CBN, Valdenice Minatel Melo de Cerqueira, diretora institucional e de tecnologia do Colégio Dante Alighieri, disse que a transformação começou a ser desenhada em 2019. Naquele ano, ela assumiu uma posição de liderança mais ampla na instituição. Após um período de estudo e observação da estrutura da escola, surgiu a proposta de criar um colegiado responsável pelas decisões estratégicas.

Segundo a diretora, a experiência acumulada na área de tecnologia ajudou a consolidar a convicção de que uma gestão eficiente não pode depender apenas de uma pessoa. “Não é possível fazer uma boa gestão de forma isolada e de maneira unilateral”, afirmou.

A estrutura atual reúne, além de Valdenice, Angela Martins, diretora pedagógica, e Helenice Ziziotti, diretora de admissões e cursos extracurriculares.

O valor das decisões compartilhadas

Um dos questionamentos mais comuns sobre modelos colaborativos é a possibilidade de tornar os processos mais lentos. Para Valdenice, o risco existe, mas pode ser administrado por meio de critérios claros de urgência e responsabilidade.

Ela reconhece que a mudança exigiu adaptação de todos os envolvidos. “Obviamente que toda mudança que é proposta  traz um desconforto. Inclusive para nós, que estávamos habituados a ter uma gestão mais centralizadora.”

Ao mesmo tempo, acredita que o desconforto faz parte da construção de novos caminhos. “Mas é a partir desse desconforto que a gente vai encontrar um conforto para seguir, considerando que a escola é um lugar do coletivo. Ninguém faz nada sozinho.”

A diretora relatou um episódio que ilustra os benefícios da gestão compartilhada. Diante de um aluno que acumulava problemas disciplinares, a equipe optou por oferecer uma nova oportunidade em vez de adotar medidas mais severas. A decisão foi tomada coletivamente.

Anos depois, o estudante se destacou na carreira acadêmica. Para Valdenice, o resultado reforçou a importância de diferentes perspectivas participarem do mesmo processo decisório.

Governança feminina e diversidade

O modelo implantado no Dante Alighieri também tem uma característica particular: é conduzido por três mulheres.

Segundo Valdenice, a composição do grupo não foi resultado de uma escolha planejada, mas da trajetória profissional das líderes que já atuavam na escola. Ainda assim, ela considera que a presença feminina amplia a qualidade das decisões.

A executiva também defende a ampliação da participação das mulheres em conselhos e espaços de governança.

“Eu defendo que essa diversidade é necessária sobre todos os aspectos, porque nós vamos entender o mundo de uma maneira mais plural.”

Para ela, a diversidade não se limita à questão de gênero. Envolve diferentes experiências, trajetórias, origens e formas de interpretar a realidade. Esse conjunto de perspectivas contribui para análises mais completas e decisões mais equilibradas.

Escuta ativa como prática de liderança

Entre os conceitos destacados ao longo da entrevista, a escuta ativa apareceu como um dos pilares da gestão.

Valdenice fez questão de diferenciar ouvir de escutar.

“Nós fazemos muito a escuta ativa. Não é simplesmente estar na sua frente e ouvir o que você vai falar, é genuinamente se interessar pelo que você está trazendo.”

A prática se estende aos alunos, às famílias e aos profissionais da escola. Na avaliação da diretora, organizações que desejam formar novas lideranças precisam criar ambientes em que as pessoas se sintam ouvidas e respeitadas.

Formação humana além dos vestibulares

Com cerca de 4.200 alunos e atividades que se estendem das sete da manhã às nove da noite, o Dante Alighieri, em São Paulo, enfrenta o desafio de equilibrar desempenho acadêmico e formação humana.

Valdenice reconhece que os vestibulares continuam exercendo forte influência sobre o trabalho das escolas. Ao mesmo tempo, considera insuficiente limitar a educação à preparação para exames.

“Não dá para pensar numa escola que só se preocupe com o vestibular. Acho que é muito reducionismo.”

Ela resume a proposta educacional da instituição na expressão “high tech, high touch”: combinar excelência acadêmica, tecnologia, criatividade, empreendedorismo e desenvolvimento socioemocional.

Segundo a diretora, o mercado de trabalho exige cada vez mais competências relacionadas à tomada de decisão, capacidade de colaboração, criatividade e liderança, habilidades que precisam ser desenvolvidas ainda durante a vida escolar.

Inteligência artificial e o papel da escola

Outro tema central da entrevista foi a inteligência artificial.

Valdenice classificou a chegada da IA generativa como um dos momentos mais disruptivos da história recente da educação, comparável ao impacto provocado pela popularização da internet nos anos 1990.

Desde 2023, o Dante Alighieri vem desenvolvendo iniciativas para integrar a tecnologia às atividades pedagógicas. A estratégia inclui formação de professores, orientação às famílias e definição de critérios para o uso das ferramentas pelos alunos.

Segundo ela, o princípio que orienta todas as decisões é simples: a tecnologia deve servir às pessoas.

“A prioridade é o humano. São as relações humanas e a tecnologia vem para melhorar, para potencializar.”

A escola adotou plataformas que permitem aos professores selecionar e organizar os conteúdos utilizados pela inteligência artificial, preservando a autoria e a participação ativa dos educadores no processo de aprendizagem.

Aprender continuamente

Uma lição que considera essencial para qualquer profissional, independentemente da área de atuação, foi destacada por Valdenice ao fim da entrevista: a aprendizagem contínua.

“Eu não vou me cansar. É o lifelong learner. A gente continua aprendendo o tempo todo.”

Para ela, escolas, empresas e profissionais precisam manter uma postura permanente de atualização, buscando novas práticas e novos conhecimentos sem perder de vista a importância das relações humanas.

“A escola é um espaço do coletivo, assim como é qualquer instituição e todos aprendem.”

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Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: quais marcas têm a cara das festas juninas?

Foto: Alan Kleina Mendes

Poucas celebrações no Brasil conseguem unir tradição, identidade regional e consumo de forma tão intensa quanto as festas juninas. Durante o mês de junho, produtos, receitas, costumes e marcas passam a ocupar um espaço especial na memória afetiva dos brasileiros.

No ritmo da ‘quadrilha, Jaime Troiano e Cecília Russo analisaram como diferentes marcas se conectam às festas juninas em várias regiões do país. A conversa, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, mostrou que, mais do que vender produtos, algumas marcas conseguem se tornar parte da própria experiência cultural vivida pelos consumidores.

Ao lembrar dos santos celebrados no período — Santo Antônio, São João e São Pedro —, Cecília destacou a força dessa tradição na cultura brasileira. Para ela, algumas marcas já estão incorporadas ao imaginário das festas juninas. “Ao falar em Yoki, parece que eu vejo já bandeirinhas de festa junina na embalagem”, afirmou.

A associação não acontece por acaso. Ao longo de décadas, produtos como pipoca, amendoim, canjica e ingredientes usados em receitas típicas passaram a reforçar a presença dessas marcas nas comemorações. O resultado é uma ligação que vai além da propaganda e se estabelece pela repetição de hábitos familiares e experiências compartilhadas.

Entre os exemplos citados por Cecília, além da Yoki, de presença nacional, a Paçoquita, da empresa Santa Helena, e a gaúcha DaColônia. Cada uma delas, à sua maneira, construiu uma relação com elementos tradicionais da festa junina. No caso da DaColônia, ela destacou a preservação de uma identidade regional mesmo após ampliar sua presença pelo país.

Jaime Troiano ampliou o olhar para outras regiões brasileiras e mostrou como as marcas acompanham as características culturais de cada localidade. No Nordeste, onde as festas de São João movimentam cidades inteiras e atraem milhares de visitantes, a relação entre cultura e marcas é ainda mais evidente.

“Se a Yoki é forte no Sudeste, a Vitamilho é a rainha absoluta do Nordeste”, observou Jaime. Segundo ele, a marca conseguiu se tornar referência para produtos como fubá, canjica e misturas utilizadas nas receitas típicas da região.

No Norte do país, a culinária junina incorpora ingredientes associados à floresta e às tradições locais. Nesse contexto, Jaime destacou a presença da Hiléia, empresa paraense que participa das celebrações por meio de produtos amplamente utilizados nas receitas regionais.

Já no Centro-Oeste, a referência lembrada foi a Piracanjuba. Nascida em Goiás, a marca está associada a ingredientes usados em doces tradicionais, como arroz-doce e doce de leite, muito presentes nas quermesses.

A conversa também revelou uma característica importante da construção de marcas no Brasil: a força da regionalidade. Embora as festas juninas sejam celebradas em todo o território nacional, elas assumem características próprias em cada região. As marcas que conseguem compreender essas diferenças tendem a estabelecer vínculos mais fortes com os consumidores.

Essa lógica vale para empresas de qualquer porte. Uma marca não precisa falar com todo o país da mesma forma. Muitas vezes, a conexão mais consistente surge justamente quando ela reconhece e respeita as particularidades culturais de cada comunidade.

A marca do Sua Marca

As festas juninas mostram que marcas fortes não são construídas apenas por campanhas publicitárias. Elas ganham relevância quando fazem parte da cultura local, respeitam tradições e conseguem criar vínculos autênticos com as pessoas sem perder sua identidade.

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Conte Sua História de São Paulo: a vilinha era nosso palco de brincadeiras, de encontros e Copas

Débora Ferreira 

Ouvinte da CBN

VILA POMPÉIA
Vila Pompeia. Foto de Eduardo Guarizo Pimentel no Flickr

Capitão Teófilo Marcondes da Silva. O nome é grande. A rua é pequeninha, charmosa, dessas que cabem inteira na lembrança. Era chamada de “vilinha”, assim mesmo, no diminutivo, do jeito carinhoso com que os moradores e vizinhos a tratavam. E foi ali que me encantei pela Vila Pompeia.

Naquela rua, começaram outros amores também: o primeiro namorado, as brincadeiras soltas pela calçada, a febre dos patins, as voltas escondidas de moto pelo bairro (às vezes até mais longe).

Na rua, também tinham os encontros nas casas dos amigos para ouvir as bandas que estavam aparecendo nos anos 80, e os bailinhos improvisados na garagem.

Em uma Copa do Mundo, os vizinhos até fecharam a vilinha pra todos nós asistirmos aos jogos e depois comemorar — até onde a seleção brasileira permitisse. 

Da “vilinha” dava pra ir a pé no Sesc Pompeia, no restaurante Degas, no Shopping Matarazzo e no Clube Palmeiras, onde a gente passava o dia todo durante as férias — ah, se aquele clube  falasse?!?

Até que um dia minha família teve mudar da “vilinha”. Não haveria outra rua igual. Não com os mesmos amigos, as mesmas brincadeiras, os mesmos afetos. Era perfeita demais.

Meus pais encontraram outra casa na Pompeia. Não era a nossa “vilinha “, mas vejam o lado bom: era perto do nosso colégio  o Sagrado Coração, que naquela época, ainda era exclusivamente feminino. A casa era grande, cabiam dois carros na garagem, tinha salão para fazer as festinhas.

Ela tinha lá o seu charme, cheia de roseiras no jardim, padaria na frente — o que ninguém esperava estava logo ao lado. De repente, ônibus começaram a estacionar diante da nossa casa. Dois dias, três, quatro. Às vezes uma semana inteira. Eram ônibus de artistas. Deles desciam músicos, cantores, equipes. Um entra e sai constante na casa vizinha.

O que será que a casa ao lado tem? 

Também frequentavam as bandas de rock, aquelas que a gente escutava na “vilinha”: cantavam “Sonífera Ilha, descansa meus olhos … ”.  Com aquela formação original, aquelas roupas e cabelos diferentes, estacionavam seus carros na frente da nossa casa.

Um dia entrou na casa um dos meus ídolos, Toquinho. E aí uma prima resolveu matar nossa curisiosidade e perguntou o que se fazia naquela casa: era um super estúdio de gravação, onde as grandes duplas sertanejas, as bandas dos anos 80 e 90 e grandes nomes da MPB gravavam seus álbuns. Todos desfilando na nossa calçada, diante dos nossos olhos.  Teve até um dia que um dos artistas chamou as minhas irmãs para participarem como backing vocal em uma música!

E quando a gente já estava se acostumando com aquela rotina improvável , cheia de vozes famosas e melodias que atravessavam o quarteirão, mudamos de casa  de novo: — ”mas vamos ficar na Pompeia “, assim prometeu meu pai.

E lá fomos nós para o  nosso terceiro endereço nesse bairro tão charmoso que nunca deixou de ser nossa casa e onde minha mãe mora até hoje. Um bairro cheio de boas histórias — dessas que continuam pedindo para ser contadas. 

Ouça o Conte Sua História de São Paulo

Débora Ferreira é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Envie o seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos visite meu blog miltonjung.com.br e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Mundo Corporativo: saiba qual é a nova etapa de desenvolvimento da IA, segundo Ricardo Mucci, da Cisco

Ricardo Mucci, presidente da Cisco Brasil

“A IA deixa de ser algo adicional, um luxo, e passa a ser algo nativo, essencial para o crescimento daquela companhia.”

A inteligência artificial até recentemente ocupava um espaço experimental dentro das empresas. Agora já é tema central das estratégias corporativas. Ricardo Mucci, presidente da Cisco Brasil, em entrevista ao Mundo Corporativo da CBN, disse que, de acordo com pesquisas, a tecnologia aplicada aos negócios e cibersegurança passaram a figurar entre as principais preocupações dos CEOs em todo o mundo. Estão diretamente relacionadas ao crescimento das receitas e à sustentabilidade das operações.

Ao longo da conversa, Mucci destacou que a transformação digital não pode mais ser entendida apenas como aquisição de tecnologia. Para ele, as organizações que avançam de forma consistente são aquelas que incorporam a inteligência artificial à estratégia da companhia e não apenas a iniciativas isoladas em departamentos específicos.

“A aplicação da visão da IA em modelo estratégico da companhia e não modelo mais departamental” é o que diferencia as empresas que obtêm resultados mais expressivos, afirmou.

Segundo o executivo, a inteligência artificial atravessa uma nova etapa de desenvolvimento. Se antes predominavam chatbots e sistemas generativos voltados à produção de conteúdo, agora surgem agentes capazes de interagir entre si, trocar informações e executar tarefas sem intervenção humana direta. Essa evolução exige uma infraestrutura tecnológica robusta e uma abordagem mais ampla de governança e segurança.

Infraestrutura e segurança passam a ser prioridades

Para Ricardo Mucci, um dos principais aprendizados dos últimos anos é que não existe transformação digital sustentável sem investimentos em infraestrutura. Redes, processamento de dados e segurança precisam ser tratados como elementos integrados.

“Não há como se dizer agora que você constrói uma camada de segurança separada da infraestrutura convencional de rede.”

Ele explicou que o crescimento do uso da inteligência artificial gera um aumento exponencial no tráfego de dados e na demanda por processamento. Por isso, empresas que investem apenas nas aplicações e ignoram a modernização de sua infraestrutura correm o risco de encontrar limitações operacionais no futuro.

A preocupação com segurança também ganhou nova dimensão. Segundo Mucci, a cibersegurança deixou de ser vista apenas como proteção da reputação corporativa e passou a ser tratada como elemento fundamental para evitar perdas financeiras e interrupções nos negócios.

Entre os riscos estão sequestros de dados, vazamento de informações, roubo de identidade digital e ataques potencializados pelo uso da própria inteligência artificial por agentes mal-intencionados.

O Brasil na vanguarda da adoção da IA

Contrariando a percepção de que o país costuma chegar atrasado às grandes transformações tecnológicas, Ricardo Mucci afirmou que o Brasil ocupa posição de destaque na adoção da inteligência artificial.

“O Brasil hoje está na vanguarda na utilização de IA.”

De acordo com dados apresentados durante a entrevista, 66% das empresas brasileiras já possuem algum nível de implementação ou maturidade na utilização da tecnologia. O executivo também destacou o crescimento do ecossistema de startups voltadas à inteligência artificial e a capacidade dos empreendedores brasileiros de desenvolver aplicações para setores diversos.

Entre os exemplos citados estão soluções para saúde, educação, mineração e petróleo. Na área médica, ele mencionou sistemas capazes de realizar a coleta inicial de informações do paciente, estruturar relatórios e sugerir encaminhamentos ao profissional de saúde, reduzindo tempo de atendimento e aumentando a eficiência dos processos.

O custo da inteligência artificial

A popularização da IA trouxe também um novo desafio: controlar os custos associados ao uso dessas tecnologias.

Durante a entrevista, Mucci chamou atenção para a importância de utilizar de forma eficiente os tokens, unidades de processamento consumidas pelos modelos de inteligência artificial.

“Não dê bom dia para a IA, porque na hora que você der bom dia para a IA, ela vai te responder e você vai consumir um token ali.”

A observação foi usada para ilustrar um problema que muitas empresas começam a enfrentar: a conta do uso intensivo da tecnologia. Segundo ele, organizações mais maduras já buscam modelos híbridos, combinando recursos próprios e serviços em nuvem para equilibrar desempenho e custos.

Pessoas continuam no centro da transformação

Embora a inteligência artificial automatize tarefas e aumente a produtividade, Ricardo Mucci rejeita a ideia de que a tecnologia substituirá amplamente os profissionais.

Segundo ele, a tendência é que as pessoas passem a desempenhar funções mais estratégicas, supervisionando sistemas inteligentes e tomando decisões de maior valor agregado.

“Vai perder o trabalho possivelmente não aquela pessoa que não saiba nada de IA, ou que não conhece o negócio, mas vai perder para aquela pessoa que esteja utilizando melhor as plataformas de IA.”

O executivo destacou ainda a necessidade de investir em capacitação. Citou como exemplo o programa Cisco Networking Academy, iniciativa de formação tecnológica mantida pela companhia há mais de duas décadas, e defendeu maior participação das empresas na preparação dos profissionais para o mercado de trabalho.

Educação, adaptação e liderança

Filho de professora da rede pública e formado em escola técnica estadual, Ricardo Mucci atribui à educação boa parte de sua trajetória profissional. Ao recordar o início da carreira, destacou a influência da mãe, que repetia constantemente uma mensagem que o acompanhou ao longo da vida:

“Só tem uma coisa que vai mudar sua vida: é a educação.”

Ao falar sobre liderança, ressaltou a importância da aprendizagem contínua, da capacidade de adaptação e da abertura às mudanças tecnológicas. Para ele, as transformações são inevitáveis e exigem profissionais preparados para aprender continuamente.

Ricardo Mucci resumiu sua visão sobre o papel da tecnologia na sociedade:

“A transformação só vale a pena se for para melhorar a vida das pessoas.”

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Letícia Valente, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Priscila Gubiotti.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: estudo inédito revela tendências na indústria farmacêutica

Oura ring
Lançamento do Oura Ring é tendência no setor Foto: Jeroen Sangers, no Flickr

A indústria farmacêutica brasileira vive uma transformação que vai muito além do desenvolvimento de medicamentos. O foco passou a incluir, cada vez mais, a experiência, o bem-estar e a qualidade de vida das pessoas — em lugar de se ater apenas aos produtos desaenvolvidos e lançados no mercado.

No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, da CBN, Jaime Troiano e Cecília Russo falaram deste tema que faz parte do relatório “O Pulso do Mercado”, produzido pela TROIANO para analisar tendências e movimentos que estão redesenhando o setor farmacêutico.

Os números ajudam a dimensionar a relevância desse mercado. Segundo Jaime Troiano, a indústria farmacêutica brasileira encerrou 2025 com faturamento de R$ 246 bilhões, crescimento de 11% em relação ao ano anterior. Além disso, o Brasil concentra 42% de todo o faturamento do setor na América Latina. Outro dado revelador é que a indústria farmacêutica se tornou, em 2024, o quarto setor que mais investe em compra de mídia no país.

Para Jaime, essa mudança está associada a uma transformação mais profunda. “É perceptível como o paciente saiu da posição de coadjuvante e tornou-se protagonista. Antes, a molécula estava no centro de tudo. Hoje, também estão as pessoas.”

O relatório identifica cinco forças que estão moldando o futuro do setor, todas conectadas a um mesmo conceito: a humanização da saúde. Em vez de olhar apenas para o tratamento das doenças, as empresas passam a considerar a jornada completa do indivíduo, suas necessidades, hábitos e expectativas.

Dentro desse contexto surge uma mudança de perspectiva resumida em duas palavras da língua inglesa: lifespan e healthspan. A primeira está relacionada ao tempo de vida. A segunda, à qualidade desse tempo. Como explicou Jaime Troiano, a preocupação deixa de ser apenas viver mais para incluir também viver melhor.

Essa mudança abre espaço para novos modelos de negócio e para marcas que atuam em áreas antes distantes da indústria farmacêutica tradicional.

Cecília Russo citou como exemplo a empresa finlandesa Oura Ring, que desenvolveu um anel inteligente capaz de monitorar sono, frequência cardíaca e padrões de comportamento. Com o apoio da inteligência artificial, o dispositivo oferece recomendações personalizadas para melhorar a saúde e o bem-estar.

Outro caso mencionado foi o da britânica Zoe. A empresa transformou o monitor contínuo de glicose, antes associado quase exclusivamente ao tratamento do diabetes, em uma ferramenta de acompanhamento para pessoas interessadas em hábitos mais saudáveis. “Tiraram o estigma de doença e abriram uma nova categoria”, observou Cecília.

Ela destacou ainda um trabalho realizado pela TROIANO no Brasil com a marca Sany D, do laboratório Aché. O reposicionamento buscou ampliar o significado da vitamina D, conectando o produto a conceitos como energia, disposição e qualidade de vida.

Na avaliação de Cecília Russo, a principal consequência desse movimento é que a diferenciação das empresas passa cada vez mais pela construção da marca. “Num mercado onde os produtos ficam cada vez mais parecidos do ponto de vista técnico, a marca que faz toda a diferença.”

A afirmação ajuda a compreender um fenômeno que não se limita ao setor farmacêutico. Quando a tecnologia se dissemina e os produtos se aproximam em qualidade e desempenho, confiança, identificação e vínculo emocional tornam-se fatores decisivos na escolha do consumidor.

A marca do Sua Marca

A principal lição do Sua Marca é que a saúde está deixando de ser tratada apenas como combate à doença para ser entendida como promoção de qualidade de vida. Nesse cenário, as marcas que enxergam pessoas em vez de diagnósticos ampliam sua relevância e fortalecem sua conexão com o público.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.