Calçada, pra que te quero?

 

“No ritmo do teu post de terça-feira (E segue o desrespeito ao espaço público), aqui vai o registro do meu passeio na semana passada. Uma única quadra, na Rua Dr. Fonseca Brasil, na Vila Andrade. Deus salva a Rainha e nos salve dos reizinhos!” – mensagem de Maria Lucia Solla, comentarista do Blog e autora das imagens a seguir:

Se você encontrar mais problemas no seu caminho, mande o recado aqui para o Blog do Mílton Jung pelo e-mail milton@cbn.com.br

Paulistano quer prioridade para ônibus

 

Agilidade no atendimento nas unidades de saúde e pontualidade dos ônibus, duas das reivindicações feitas pelo paulistano na consulta pública “Você no Parlamento”, mostram o descontentamento do cidadão com a prestação de serviço na capital paulista. Foram ouvidas 33.340 pessoas no trabalho organizado pela Rede Nossa São Paulo e a Câmara Municipal que pretende pautar a atuação do parlamento na construção do Orçamento, apresentação de projetos de lei e fiscalização da prefeitura.

Ouça a entrevista com Oded Grajew, da Rede Nossa SP, ao Jornal da CBN

Os resultados completos da consulta pública serão entregues aos 55 vereadores de São Paulo, hoje às três da tarde, em audiência aberta a participação do cidadão. Acompanhe algumas informações antecipadas pela Rede Nossa São Paulo e Câmara:

De acordo com os resultados relativos à saúde, 75,24% dos paulistanos consideram que o poder público deveria priorizar medidas para agilizar o agendamento e a realização de consultas e exames. Como as pessoas que responderam o questionário podiam assinalar até cinco opções relacionadas à área, a segunda prioridade escolhida, com 72,98%, foi a ampliação da rede de Unidades Básicas de Saúde (UBS), Assistência Médica Ambulatorial (AMA) e de Especialidades (AMAE), Prontos Socorros e Hospitais.

No tema transporte e mobilidade, o desejo da grande maioria dos paulistanos é que o poder público priorize o transporte coletivo (ônibus e corredores de ônibus) no sistema viário, para diminuir o tempo de espera e instituir a pontualidade nos terminais e pontos de ônibus. Esta alternativa foi assinalada por 77,41% dos consultados.

A redução do preço das passagens do transporte público, com 58,95%, e a implantação de ciclovias e todas as regiões da cidade, com 48,84%, ocuparam respectivamente a segunda e terceira opções mais votadas pelos paulistanos.

Informações complementares:

A consulta pública foi realizada entre os dias 15 de junho e 30 de setembro deste ano. Por meio de um questionário – respondido pela internet ou em material impresso –, os cidadãos participantes puderam opinar sobre quais as medidas mais importantes para melhorar as áreas de saúde, educação, meio ambiente, transporte e mobilidade, habitação, cultura e transparência e participação política, entre outras.

No total, 18 temas importantes para a qualidade de vida dos moradores da cidade foram abordados na consulta, que teve como base os Indicadores de Referência de Bem-Estar no Município – IRBEM, elaborado pela Rede Nossa São Paulo.

Fórum Social de SP: Outra cidade é possível

 

Rua de terra

O que fazer em nossa cidade para que o interesse público e os direitos do cidadão e cidadã prevaleçam sobre o interesse do dinheiro e do lucro? Dez mil pessoas estarão reunidas, no fim de outubro, em busca de respostas para esta que será a questão central do Fórum Social de São Paulo. É a primeira vez que uma cidade brasileira traz para dentro do seu ambiente a mesma filosofia que move o Fórum Social Mundial, que se consagrou por pensar, discutir e refletir temas que privilegiam o cidadão e não o capital.

São Paulo é a sexta maior cidade do planeta e somada a população da região metropolitana somos mais de 19 milhões de pessoas. Apenas na capital, temos sete milhões de carros, além daqueles que passam ou vem para cá, que se transformam na principal fonte de poluição do ar. E com a frota crescente não é de se espantar que o número de dias em que a qualidade do ar ficou imprópria aumento 146% nos primeiros sete meses de 2011 na comparação com o mesmo período de 2008. Tudo isso, claro, impactando ainda mais a rede pública de saúde.

Produzimos 17 mil toneladas de resíduos por dia e os dois aterros sanitários que funcionavam na capital estão entupidos, sem capacidade de receber um caminhão sequer. Temos de exportar os dejetos para cidades que ficam na Grande São Paulo, região onde as prefeituras ainda permitem o surgimento de lixões, locais que “abastecem” cerca de 17 mil pessoas, infelizmente.

Leia o texto completo e a minha resposta para a pergunta inicial no Blog Adote São Paulo, da revista Época SP

O salário dos vereadores de Porto Alegre

 

Por Milton Ferretti Jung

São Paulo é, como todas as grandes metrópoles, uma cidade que enfrenta, quem não sabe, problemas sem conta. Em vários aspectos, porém (e quem escreve este texto é insuspeito por não ser sequer morador daí), é invejável. No caso, o adjetivo que usei é sinônimo de apreciável. Um destes aspectos aos quais me referi diz respeito ao programa Adote um vereador. Não trato do assunto porque o Mílton foi o primeiro a se filiar ao Adote quando desafiou os ouvintes do CBN São Paulo – se é que alguém não sabe disso – a adotar um vereador. Por que cito o Adote um vereador?

Explico: por que, se existisse iniciativa semelhante na minha cidade, Porto Alegre, os vereadores daqui não teriam, talvez, aumentado os seus salários, sem votação em plenário.  Ganhavam  R$10.335,72 e passarão a perceber R$14.837,94. Convém acrescentar que eles tem à disposição cota máxima de R$8.785,56 por mês para custear despesas do gabinete, tais como materiais, conta telefônica, combustível, diárias, passagens aéreas, etc. Afora isto, recebem duas ajudas de custo, uma em 15 de dezembro  e outra em 15 de fevereiro, para complementar as despesas. O valor é referente a um mês de salário e está descrito no contracheque.

Apenas dois vereadores contrariaram a decisão da maioria: Pedro Ruas e Fernanda Melchionna, ambos do PSOL, que doarão a diferença a instituições sociais. O aumento, ainda por cima, é retroativo a fevereiro. Enquanto isso, os professores municipais precisaram entrar em greve para, ao fim e ao cabo, receberam 5% de aumento (?) e terão de compensar, no período de férias, os dias em que ficaram parados. Gostaria que tivéssemos, em Porto Alegre, programa semelhante ao de São Paulo. Possuíssemos o “Adote um vereador”, quem sabe, repito, os nossos respeitariam mais os seus iludidos eleitores. Encerro, para que os paulistanos saibam com quem nós, porto-alegrenses estamos lidando, com a declaração de Luiz Braz do PSDB, um dos que embolsará o aumento se este se confirmar: “Com o salário que ganhamos, fazemos nosso trabalho com muita dificuldade. Com o aumento, ganhamos fôlego para realizarmos.

Em tempo:  Depois que encerrei este texto o Tribunal de Contas do Estado, em decisão cautelar, suspendeu o aumento concedido pela Câmara Municipal de Porto Alegre aos vereadores. Sofia Cavedon do PT, presidente da Câmara, resolveu não recorrer.


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Sociedade no combate a corrupção

 

Há pouco mais de uma semana para as comemorações do Dia da Independência, em 7 de setembro, crescem os movimentos de combate a corrupção organizados pela sociedade. Boa parte destas ações explora as redes sociais com o objetivo de reunir pessoas interessadas em reclamar dos desvios de dinheiro público. Existem vários grupos em especial no Facebook, é possível encontrar blogs e sites, também, que convidam para eventos com o mesmo objetivos.

O primeiro movimento a ganhar espaço no noticiário foi o Todos Juntos Contra a Corrupção, no dia 20 de setembro, na Cinelândia, do Rio, que se iniciou com um rasgo de indignação de uma cidadã, e foi motivo de comentário no Liberdade de Expressão, do Jornal da CBN (ouça aqui, o que disseram a Vivi, o Xexeo e o Cony). Em seguida, , recebi mensagem da ouvinte-internauta Carla Zambelli alertando para o grupo “Manifesto público contra corrupção”, formado no Facebook, e não foi preciso ir muito a fundo para logo descobrir outras iniciativas semelhantes.

Corrupção/Muda from brasil+ético on Vimeo.

O anúncio que ilustra este post, encontrado no Blog Brasil+Ético, apesar de não se saber qual a fonte de criação, revela de forma clara como a sociedade se porta diante do tema. Da mesma forma que grita contra o desrespeito de políticos e agentes públicos, quando tem seus interesses atingidos busca facilidades na mesma moeda. Vale a pena refletir sobre este comportamento e, se de interesse for, se engajar em um dos movimentos a seguir. Caso você tenha outros movimentos semelhantes registre na área de comentários para darmos publicidade à ação.

CARAS PINTADAS CONTRA A CORRUPÇÃO
SÃO PAULO / 07 de Setembro 9:00 – 14:00
Avenida Paulista- MASP

PORTO ALEGRE // 07 de Setembro 10:00 – 14:00
Passeata da Av. Loureiro da Silva, até o Brique da Redenção

RIO DE JANEIRO //  07 de Setembro 9:00 – 23:30
Av. Rio Branco ( EM FRENTE A CÂMARA DOS VEREADORES)

BELO HORIZONTE // 07 de Setembro 9:00 – 14:00hs
Praça da Liberdade

BELÉM  // 07 de Setembro
Atrás do último pelotão do desfile oficial

SÃO JOSÉ DOS CAMPOS/SP // 07 de Setembro 9horas
Saída Vicentino Aranha

MARCHA CONTRA A CORRUPÇÃO – BRASÍLIA
MUSEU DA REPÚBLICA // 07 de Setembro 10:00 – 14:00

#NASRUAS – MANIFESTO PÚBLICO CONTRA A CORRUPÇÃO NACIONAL
Por todo o Brasil  // 07 de Setembro  13:00 – 08 de Setembro , 17:00
Cidades e locais confirmar no endereço do movimento
Bauru: Vitória-Régia
Belo Horizonte – Praça da Liberdade até a Praça 7
Brasília: Congresso Nacional
Balneário Camburiu: Praça Tamandaré
Campinas: Em frente a prefeitura
Campo Grande – Praça Ari Coelho
Cuiabá: Praça das Bandeiras
Itu: da Praça Souza até a Praça Guanabara (em frente a receita federal)
Jaragua do Sul: Praça Angelo Piazera
Joinville: Em Frente ao Shopping Muller
Mairiporã: Praça da antiga Rodoviária
Manaus: Mesmo trajeto da Marcha da Liberdade
Porto Alegre: Monumento aos Açorianos, na Avenida Loureiro da Silva
Recife – Praça Rio Branco (Marco Zero)
Salvador – Em frente a câmara dos vereadores (antiga prefeitura)
Santo André: Praça IV Centenário
São Carlos: (cidade universitária -UFSCar, USP, UNICEP) Praça Coronel Salles
Uberlândia: Praça Tubal Vilela
Vitória: Avenida Getúlio Vargas

REAÇÃO CONTRA CORRUPÇÃO – O BRASIL DE LUTO
Por todo o Brasil  // 07 de Setembro  7:30  – 08 de Setembro , 17:30

TODOS JUNTOS CONTRA A CORRUPÇÃO – RIO DE JANEIRO
Cinelândia // 20 de Setembro · 18:30 – 20:00
https://www.facebook.com/event.php?eid=130744290352035

DESFILE DA ESCOLA DE SAMBA  – “UNIDOS CONTRA A CORRUPÇÃO”
SÃO PAULO / 07 de Setembro 14:00 a 19h
Avenida Paulista- MASP

DIA DO BASTA (CONTRA A CORRUPÇÃO)
RIO DE JANEIRO  //  07 de Setembro 14:00 a 19h
Praça da Cinelandia

RECIFE // 07 de Setembro 13:00 a 16h
Marco Zero

SÃO PAULO / 07 de Setembro 14:00 – 17:00
Avenida Paulista- MASP

PASSEATA:  CORRUPÇÃO, BASTA!
Campinas (Sao Paulo)  //  do Centro de Convivência até a Praça Arautos da Paz

MANIFESTO CONTRA A CORRUPÇÃO NO BRASIL (ANON REUNION BRASIL)
Por todo Brasil  //  07 de Setembro 13:00 a 15h
Grupos fechados organizados por Estados e Cidades (melhor consultar site)

CARREATA “BRASIL VERDE E AMARELO”
Por todo Brasil  //  07 de Setembro 13:00 a 15h

SOS Morumbi: Tem de trocar muro por investimento social

 

Em sentido semelhante a texto que escrevi para o Blog Adote São Paulo, no site da revista Época São Paulo (reproduzido neste blog, também), mas com relato de alguém que vive dentro da Paraisópolis, publico, hoje, artigo de Gilson Rodrigues, presidente União dos Moradores e do Comércio de Paraisópolis, no qual pede a imediata retomada da Virada Social na comunidade. Leia, pense e comente:

Diante da convocação de manifestação contra a violência para o próximo dia 28 de agosto pelo movimento SOS Morumbi, a União dos Moradores e do Comércio de Paraisópolis gostaria de contribuir com este debate.

Em 2011 comemoramos mais de 60 anos de existência da comunidade de Paraisópolis. O Estado, no entanto, só se fez presente aqui nos últimos anos, e ainda de forma insuficiente. A canalização de córregos, abertura e asfaltamento de ruas, a posse legal das casas que já morávamos há décadas, a regularização dos serviços de água e luz, só começaram a partir das obras de urbanização.

Temos cerca de 70% de nossa população com menos de 30 anos. No entanto não contamos com teatros, cinemas, espaços de lazer e esporte. A única escola técnica para atender uma comunidade de 100 mil habitantes, tem apenas 2 em cada 10 matriculados morando aqui, temos cerca de 5.000 crianças fora de creche e ainda a escola com a pior avaliação da cidade de São Paulo.

Apesar do imenso trabalho realizado pelo projeto Escola do Povo, que alfabetizou mais de 3 mil jovens e adultos, Paraisópolis ainda conta com 12 mil analfabetos, uma das maiores taxas do Brasil. O desemprego atinge uma grande parte desta juventude, e 90% dos empregados tem uma média salarial de 1 a 2 salários mínimos.

Durante a realização da Operação Saturação da Polícia Militar em 2009, a comunidade de Paraisópolis, governo estadual e a prefeitura se uniram para transformar esta realidade e organizar a chamada “Virada Social”, que definiu 126 ações do Estado na comunidade, destas apenas 22 foram concluídas. Ações importantes como a construção de mais um CEU, mais uma ETEC, Clube-Escola, Centro de Educação Ambiental, CREAS, Parque Paraisópolis, CIC, Casa de Cultura entre outros, nunca saíram do papel.

No entanto, a “Virada Social” foi interrompida, e 83% das ações aprovadas e prometidas não foram executadas.

Nossos trabalhadores, estudantes e mulheres sofrem tanto ou mais com a realidade criticada pelo movimento SOS Morumbi. A solução para isso, no entanto não passa por aumentar o muro que divide o Morumbi de Paraisópolis, mas pela continuação imediata das ações da Virada Social e dos investimentos em educação, saúde, esporte e moradia. Afinal o que mais diferencia os jovens que moram em Paraisópolis daqueles que moram no Morumbi é a ausência de oportunidades iguais.

Ações pontuais, ditas “emergenciais” sozinhas não resolverão os imensos desafios que temos que vencer. Levando em consideração que todas as vezes que conquistamos algo foi unidos, e Paraisópolis e Morumbi estão diretamente ligados, contamos com o apoio e participação dos moradores do Morumbi para exigir que o Governo entre de fato nessa luta e retome imediatamente a Virada Social.

Problemas sociais se resolvem com políticas sociais e mais presença do poder público.

Exercite sua cidadania, pense e julgue

 

Adote um Vereador
Danilo, Cláudio e Sonia participaram do encontro do Adote um Vereador

 

Ler, pensar e julgar. São exercícios aparentemente banais mas que diferenciam o cidadão. Na academia da vida, a sociedade se fortalece quando se capacita a desenvolver estas habilidades e somente não avança mais porque as subestima. Pensei nisto, sábado, durante encontro mensal do Adote um Vereador, no café do Pátio do Colégio. Nossa colega de agitação cidadã, Sonia Barboza, nos convidou a avaliar os 50 primeiros projetos de lei apresentados pelos vereadores de São Paulo, em 2011, com a intenção de identificar o apuro com que o Movimento Voto Consciente analisa as ações no parlamento.

O desafio era entrar no site da Câmara Municipal, identificar os projetos, ler o texto e a justificativa apresentada pelos vereadores e dar uma nota sobre o impacto da lei proposta na cidade, conforme os critérios do Voto Consciente – ONG que não exige apresentação, ao menos para você caro e raro leitor deste Blog. Ressalte-se, ao avaliar o impacto, dentro das normas do VC, não se está dizendo se somos contra ou a favor do projeto de lei, apenas o quanto aquela ideia, se aprovada, pode se refletir na cidade.

As notas e critérios para esta avaliação são as seguintes:

10 – política públicas para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos ou estimular a transparência da administração e a prestação de contas

9 – Amplo alcance sobre um setor da administração pública, como saúde, educação e outros, buscando uma regulamentação mais ou menos ampla deles

7 – Regulam problemas de uma determinada zona geográfica e que se referem a temas de imapcto territorial

5 – Projetos feitos para atender demandas e exigências de grupos com carcaterísticas similiares ou reunidos em torno de um interesse comum, que pode ser de uma associaçao, comunitário, reivindicatório, etc

3 – Projetos de menor impacto

0,5 – Projetos para melhorar a gestão, o funcionamento interno ou a dinâmica das sessões da Câmara, ou outros projetos menores

0 – Homenagem, denominação de logradouros, datas, eventos, etc, não foram considerados.

Ao navegar no site, abrindo projeto de lei por projeto de lei, a primeira tentação foi dar notas de acordo com meu gosto (ou desgosto) pela ideia proposta. Apesar de esse ser um ótimo exercício, que deveria ser frequente para cada cidadão, não era o meu papel naquele momento. Tinha de identificar apenas se a pretensão registrada pelo vereador teria capacidade de atingir toda a cidade, uma área temática ou geográfica, um grupo de pessoas apenas ou, simplesmente, não servia para nada.

Em seguida, percebi que continuamos a desperdiçar o tempo do parlamento com assuntos de pouco interesse, alguns dos quais, se aprovados, não mexerão uma palha na vida do cidadão. Ao mesmo tempo, há assuntos que merecem discussão mais profunda e podem colaborar com a melhoria da qualidade de vida na cidade, se não de todos ao menos de uma parcela da população.

Tive dúvidas em muitos casos sobre que nota seria a mais justa, mesmo que discordasse do projeto de lei. Fui obrigado a ler, reler e compreender a intenção do parlamentar nem sempre clara no texto de justificativa, marcado pela burocracia. Em lugar dos artigos e citações de lei, ficaria mais satisfeito se encontrasse uma descrição sincera e transparente, do tipo: “quero aprovar este projeto porque vai ajudar o pessoal que me ajudou a eleger.

Apesar da dimensão do trabalho, avaliar o impacto do projeto dos vereadores não requer prática nem habilidade – como costumava dizer minha mãe. É necessário um pouco de sensibilidade cidadã, apenas. Paciência, também, para procurar as informações.

Se você tiver a mesma paciência que eu tenho, leia o roteiro que preparei; caso contrário, pule para o parágrafo seguinte:

Na relação que está do lado esquerdo da tela, procure “ATIVIDADE LEGISLATIVA”; em seguida clique em “PROJETOS”; procure em “TIPO DE PROJETO” o nome “PROJETO DE LEI”; coloque o “NÚMERO DO PROJETO” (no caso de 1 a 50) e o “ANO” (2011); e clique em “PESQUISAR”; vai abrir a tela com a ementa ou o resumo do projeto de lei e, caso você queira mais detalhes, clique no link que aparecerá com o número e a data do PL; lá dentro haverá uma série de informações disponíveis, sendo as mais importantes o texto completo do PL e a justificativa.

Dos muitos colegas que participaram do encontro não sei quantos terão tempo suficiente para atender ao pedido feito pela Sonia, mesmo porque o prazo que ela nos impôs era curto. Minha lista mandei nesta segunda-feira mesmo. Tenho certeza, porém, de que todos saíram de lá com mais uma lição das muitas que aprendemos desde que nos iniciamos no Adote um Vereador. O olhar criterioso sob as ideias apresentadas pelos vereadores é bem interessante e nos ajuda a entender melhor o que pensam nossos representantes, qualificando nossas escolhas e votos.

Se boa parte dos cidadãos se desse ao trabalho de “ler, pensar e julgar” sobre os atos de cada um dos vereadores, usando o critério que lhe convier, finalmente conseguiríamos construir uma Câmara Municipal mais apropriada para a dimensão e importância da cidade de São Paulo.

Adote chama para o “Reage, Brasília”

 

A rede Adote um Vereador foi citada em reportagem do Congresso em Foco, site dedicado a cobertura do Congresso Nacional e dos principais fatos políticos em Brasília. A lembrança do trabalho que se iniciou em São Paulo se deu a partir de iniciativa do Adote um Distrital que mobiliza os moradores do Distrito Federal para o “Reage, Brasília”, no dia 23 de agosto, que se realizará no Eixo Monumental, onde ficam os órgãos públicos distritais.

Motivação não falta para o protesto, embora seja difícil pontuar todos os casos, diz a reportagem do Congresso em Foco que ouviu um dos coordenadores do movimento, Diego Ramalho, de 24 anos: “Não foi um caso só. Foi o conjunto”.

O Adote um Distrital é um filhote que nasceu da ideia que desenvolvemos na capital paulista. Mas como aquele filho que cresce mais do que o pai, os organizadores do programa cidadão em Brasília têm conseguido levar muitas pessoas às ruas e a controlar a ação dos deputados distritais.

Leia a reportagem completa do Congresso em Foco

Morre Dekha, a mulher da paz

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A pacifista Dekha Ibrahim Abdi morreu após uma semana internada em um hospital de Nairóbi, vítima de um grave acidente de carro. Foi no distrito em que nasceu, Wajir, que esta queniana iniciou o trabalho que resultou na salvação de centenas de vítimas graças ao modelo de resolução de conflitos desenvolvido por ela.

Era início da década de 90 e o ódio que tomava conta das diferentes etnias que viviam na região havia levado a morte cerca de 1.500 pessoas, logo após o fim do regime de urgência que durou 27 anos. Dekha desafiou o poder dos chefes desses grupos e mobilizou mulheres e homens preocupados com a dimensão da violência. Através de comitês de conciliação passaram a organizar a mediação entras as partes em conflitos. Surgiu, então, o Comitê de Paz Wajir, com representantes de todos clãs, orgãos de segurança, parlamentares e religiosos.

Considerada uma líder na construção da Paz, Dekha recebeu o Right Livelihood Award em 2007. Ole von Uexküll, diretor executivo da Fundação responsável pelo prêmio, lamentou a morte da queniana: “Ela usou sua própria experiência para ajudar e treinar outros povos. Sua dedicação incansável à causa e sua habilidade de inspirar as pessoas construiu um modelo global. Sua perda será terrivelmente sentida por todos que lutam pela paz.”

No acidente, o carro em que estavam ela e o marido bateu frontalmente em um caminhão. Dekha, o marido e o motorista do caminhão morreram. Ela deixa quatro filhos e um legado que se reproduz a cada novo grupo que surge no mundo – e em algumas comunidades do Brasil, também – interessado em conter os conflitos através do diálogo.

Com informações da Right Livelihood Award Foundation e foto de Wolfgang Schmidt

Adote um vereador e a lição de cidadania

 

Reunião do Adote dia 11 de junho 2011

Um jornalista interessado, uma recém-chegada entusiasmada e a vontade de sempre de contar o que foi feito no último mês estavam em torno das duas mesas que ocupamos no bar do Pátio do Colégio, nesse sábado à tarde, em São Paulo. É lá que o Adote um Vereador escolheu se encontrar uma vez por mês e conversar sobre avanços e recuos no esforço de influenciar o trabalho da Câmara Municipal de São Paulo.

Chico Junior é repórter do Metrô News e queria saber o que acontece nas reuniões do Adote. Conversou com alguns integrantes e “encalhou” ao sentar do lado de Alecir Macedo, dos que mais falam sobre política, cidadania e outras tantas coisas. Sempre de olho na própria pressão, Alecir às vezes parece não crer que a sua pressão sobre os vereadores resultará em sucesso. Interessante, porém, é ver que não desisti nunca. E não é porque é brasileiro, não. É porque nasceu assim, incomodado e interessado.

Luciana Bueno é novata na rede do Adote e experiente quando o tema é política. Mantém contato com parlamentares – no Senado, na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa. Quer escolher um vereador para acompanhar o trabalho e se envolver com a política local. Desde agora tem um blog interessante no qual escreve e direciona seus leitores a entender conceitos políticos em discussão na reforma em curso, o Observatório da República.

O primeiro casal da cidadania paulistana, Sonia e Danilo Barbosa, fizeram-se presentes, também. Parece que eles recarregaram as baterias e se deram conta de que são reféns do compromisso que assumiram há alguns anos quando chegaram a São Paulo e se transformaram voluntários do Movimento Voto Consciente. Precisamos deles.

Massao Uehara, Audrey Danezi, Marcos Paulo Dias, Liliane Silva, Frederico Sosnowski. Cláudio Vieira e Camila Migliorini completaram a mesa nas mais de duas horas de bate-papo.

Um dos temas foi a baixa participação popular nas discussões em plenário e nas audiências públicas, além da manipulação que existe em muitas dessas reuniões que impede o debate aprofundado. Boa parte do tempo o microfone é ocupado por parlamentares, assessores de parlamentares, representantes de parlamentares e os convidados dos parlamentares.

Das coisas mais curiosas que ouvi, foi o Alecir quem me contou – ele conta muita coisa. Durante sessão no plenário, acompanhada pela Tv Câmara e comentada pelo Twitter, o vereador Antônio Carlos Rodrigues, do PR, decidiu dar a ele aulas de cidadania.

Lição nº 1 de ACR: “Você precisa conhecer o Regimento Interno para comentar sessões da Câmara”.

Lição nº 2 de ACR: “Entendo a importância do trabalho que vocês realizam e acredito que a fiscalização de parlamentares deve ser sempre pautada pela imparcialidade”.

O ex-presidente da Câmara se engana duplamente.

Para cobrar do vereador basta ser cidadão. O que o Adote um Vereador incentiva é que este cidadão esteja mais próximo do legislativo para entender como a casa funciona (ou não). Conhecer o regimento interno da Câmara Municipal pode ser importante, mas não é fundamental. Aliás, muitos dos vereadores não o conhecem e precisam da ajuda de colegas até mesmo para elaborar um projeto de lei. Não por acaso, usam e pagam com dinheiro público técnicos da área jurídica.

Para ser do Adote, exige-se tudo menos imparcialidade. A rede é formada por blogueiros e voluntários compromissados até o pescoço com a cidadania. E a ideia é aumentar o número de adeptos dispostos a escolher um vereador, abrir um blog e fiscalizar o trabalho dele desenvolvendo seu olhar crítico. Não há nada que exija destes voluntários isenção, apenas ação.

Se você estiver disposto a se unir ao Adote um Vereador, não espere o próximo encontro. Abra logo seu blog, conte para gente e seja mais um cidadão a fazer parte desta rede.

Conheça mais o Adote um Vereador:


Blog do Adote um Vereador


Site do Adote um Vereador

WikiSite do Adote um Vereador

Twitter @AdoteUmVereador

Álbum de fotos do Adote um Vereador, no Flickr

Jornal eletrônico do Adote um Vereador