Conte Sua História de SP: o poeta que casou com a cidade

 

Por Alceu S. Costa

 

 

Meu Tributo à Cidade de São Paulo.

 

De olhos fechados eu não sonhara.
Talvez, cerrados de fato não os tivera.
Então, se acordado, tudo aquilo era verdade,
Uma piscada, um flerte…o futuro conluio,
Que virou namoro, noivado…
Foi assim que me casei com esta Cidade.

 

25 de outubro de 1965.Tarde primaveril.
De costas para o passado, nova realidade.
A busca pelo sustento sem conhecer o relento,
A mão do amigo, a simplicidade do abrigo,
A distância do perigo…
Serena viagem nas asas do tempo.

 

De olhos abertos, construí o meu sonho.
Apesar da idade, a Cidade não perde o viço,
A nossa relação amadureceu, meu desvairado vício.
Não nego, estou tentado pelos acenos da outra,
Jovem, atraente, sedutora …ah!
-Trair, jamais!, descarta peremptória minh’alma sonhadora.

 

O Conte Sua História de São Paulo tem a sonorização do Cláudio Antonio, narração de Mílton Jung e  vai ao ar aos sábados, no CBN SP. Para participar, envie seu texto para milton@cbn.com.br.

Acabou o tempo das promessas e prefeitos eleitos terão de encarar a verdade das contas públicas

 

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O tempo está fechando em foto de Valter Santos/FlickrCBNSP

 

 

À noite, soltavam foguete pra comemorar a vitória nas urnas. Hoje cedo, os eleitos acordaram para a realidade. Ainda falam em prioridades de governo. A maioria faz o discurso da conciliação após eleição acirrada e violenta na maioria das cidades.

 

Na transição, os futuros prefeitos vão se sentar diante do orçamento escasso, da queda da arrecadação e do aumento dos gastos e terão de desenhar suas administrações a despeito das caricaturas que fizeram durante a campanha.

 

Os planos mirabolantes que conquistaram eleitores até aqui terão de ser deixados na gaveta, porque não cabem nas contas impactadas pela recessão que se iniciou há dois anos. Calcula-se que em três anos, o PIB terá encolhido 10% no país.

 

Estudo da Firjan – Federação da Indústria do Rio de Janeiro, divulgado em julho, puxou o traço do rombo dos municípios e chegou a R$ 45,8 bilhões de deficit nominal (é o saldo entre as receitas e despesas, incluindo gastos com juros, que neste caso é negativo)

 

O Índice Firjan de Gestão Fiscal (IFGF) mostra que mais de 87% das cidades estão em situação difícil e crítica. Poucas escaparam da crise em condições de oferecer folga fiscal aos prefeitos eleitos. E triste daquele prefeito eleito que entender que este dinheiro que restou possa ser gasto sem responsabilidade.

 

A Confederação Nacional dos Municípios calcula que 77,4% das prefeituras estão com suas contas no vermelho.

 

Em processo que se iniciou há décadas, atendendo reivindicações de grupos políticos locais, o Brasil assistiu à pulverização de municípios com a criação de cidades em número muito aquém do necessário. Criou-se cidades e se esqueceu de oferecer condições para estas se manterem.

 

A maioria dos 5.770 municípios brasileiros não é capaz de pagar sua própria conta com o dinheiro arrecadado, depende do que entra no Fundo de Participação dos Municípios e de convênios assinados com o Governo Federal. Uma fonte e outra estão secando. O FPM é formado por 22,5% da arrecadação do IR e do IPI que caiu diante da crise e tem sido repassada em quantidade menor às cidades. Enquanto os convênios se tornam escassos em um governo que tem obrigação de ajustar as contas que, em breve, serão travadas por emenda constitucional (vide PEC 241).

 

Soma-se a esse drama a dificuldade que os prefeitos terão de aumentar suas principais fontes de arrecadação: o IPTU, o ISS e o ITBI. Seja pela carestia que atinge os contribuintes seja pelas promessas que fizeram na campanha de não mexer nas alíquotas. Há ainda aqueles que se comprometeram em assumir parte do aumento de gastos com transporte público sem repassar às tarifas. É mais custo e menos dinheiro no cofre.

 

Os prefeitos eleitos não podem alegar desconhecimento de causa. O problema nas contas públicas vem sendo alardeado há pelo menos dois anos. Portanto, se temiam falar em cortes ou controle de gastos na campanha, para não perder a eleição, espera-se que, a partir de agora, sejam honestos em assumir a tarefa de administrar com equilíbrio e sensatez as contas do município.

 

Falta de honestidade e contas descontroladas cobram um preço alto demais do cidadão. E dos políticos, também, como mostra a história bem recente do país.

SP Zoneamento: lei será votada na quinta-feira

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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À véspera da votação da Lei de Zoneamento, surgiram 188 emendas. Onde se identifica algumas proposições que desvirtuam o mérito, enquanto outras se aprofundam na permissibilidade à preservação ambiental da cidade de São Paulo.

 

Vamos a elas.

 

1. Autorização específica do aumento do ruído urbano de 45 decibéis para 50 decibéis.

 

2. Diminuição do valor da multa do PSIU aos infratores. O valor máximo de R$ 38 800,00 passará parar R$ 8 000,00.

 

3. Manutenção de usos impactantes nas ZCor (zona corredor).

 

4. Aumento do gabarito construtivo que já tinha aumento de oito para 14 andares, extrapolado para 16 andares.

 

5. Retirada de 3,2 milhões de metros quadrados de áreas marcadas como zonas de proteção ambiental.

 

6. Liberação à construção civil de 1,4 milhão de metros quadrados de áreas de proteção aos mananciais.

 

7. Permissão para edificação de imóveis de cinco andares nas ZCor residenciais.

 

Todas estas medidas oferecidas à cidade se juntam aquelas específicas para as ZERs (zona estritamente residencial), liberando atividades comerciais em suas áreas até então preservadas.

 

Não bastasse isso, uma manobra política permitiu que a votação fosse feita com um quórum mínimo de 33 vereadores. Quando o normal para uma Câmara de 55 membros, é o quórum mínimo de 37 vereadores.

 

Suspeita-se que 33 é a quantidade de votos que Haddad tem para aprovar o Projeto.

 

Ontem, na Câmara Municipal de São Paulo os vereadores decidiram que a votação deste Projeto de revisão da Lei de Uso e Ocupação do Solo, será realizada amanhã, quinta-feira, 25.

 

Se este Zoneamento for aprovado, “SÃO PAULO NÃO PODE PARAR” de tanto orgulho em um passado recente, terá que adotar o “SÃO PAULO NÃO PODE RETROCEDER”.

 

NON DUCOR DUCO, a luta continua.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

SP Zoneamento: fio de esperança ou desconfiança?

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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As 40 entidades que representam as ZERs foram surpreendidas segunda-feira pela reportagem da Folha que informava alteração na lei de zoneamento, ao restringir restaurantes, bares e bufês apenas aos Jardins, Pacaembu e Lapa.

 

Este era um dos pleitos de todas, de forma que a matéria intitulada como lobby de poucas entidades e endossada pelo vereador Andrea Matarazzo-PSDB, requeria esclarecimentos.

 

Pelo “lobby” e pelo vereador.

 

Matarazzo sempre se mostrou atento às solicitações que preconizavam a manutenção das ZERs indistintamente. Diante disso, vários representantes das Sociedades de Moradores em ZERs foram ao relator Paulo Frange-PTB para apresentar a estranheza sobre a discriminação pretendida pelo Prefeito e a inconformidade à argumentação ao atribuir diferenças entre as ZERs.

 

A justificativa apresentada pela maior distância do centro da cidade entre as ZERs centrais e as demais, é impertinente, pois o conceito de zonas exclusivamente residenciais,não tem nada a ver com distâncias.

 

Esses 4% de área da cidade em que as ZERs estão localizadas, são habitados por moradores que não desejam comércio na porta de casa. Independentemente se vivem no
Jardim da Saúde ou no Jardim América. Se assim desejassem, estariam morando nos 96% restantes.

 

O Prefeito, que tem mostrado inflexibilidade nos sistemas implantados na cidade, fazendo faixas de ônibus iguais sem respeitar as diferenças regionais, assim como ciclo faixas uniformemente espalhadas, de repente apresenta flexibilidade surpreendente.

 

Será que esta maleabilidade pode ser um fio de esperança às demais ZERs que não foram beneficiadas, e terão as benesses de um sistema inteligente mantendo o conceito básico, mas se adaptando às peculiaridades de cada região?

 

Andrea Matarazzo respondendo minha indagação sobre o material publicado pela Folha afirmou que não foi consultado, e não postulou medidas exclusivas àquelas regiões. E, vê uma possível ponta de esperança a favor de todas as ZERs, como sempre postulou. É a primeira vitória.

 

Haddad pode estar se modernizando guardando sua implicância apenas aos carros. É o que esperamos.

 

A luta continua.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

São Paulo respira, mas perigo permanece: lei de Zoneamento ficou para fevereiro

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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A cidade de São Paulo ganhou um fôlego a mais ao ter protelada a votação da lei de Zoneamento.

 

Como se sabe, os 4% de áreas preservadas foram visados por interesses diversos para abrir ocupações não exclusivamente residenciais.

 

Como também se sabe, o prefeito Fernando Haddad, cujo conceito de urbanismo é peculiar e esdrúxulo, haja vista o critério da implantação das ciclovias e da redução das velocidades, chegou a reconhecer que o lado minoritário está perdendo para a maioria.Entretanto, acredita que as mudanças propostas e aceitas reduziram a distorção, e apenas 0,1% das vias da capital tiveram sua ocupação alterada. Conclui então, que fazendo alguma flexibilização neste espaço a população estará atendida.

 

Na realidade a lógica é oposta, pois em área tão pequena não há razão para mudanças. É aí que entra a visão estrábica do alcaide, que a demonstra em entrevista à jornalista Juliana Diógenes do Estado:

 

“Aquele comércio e serviço que funciona à noite com moderação, você evita que ao anoitecer a avenida perca completamente as suas características do dia e se transforme em alguma coisa completamente diferente do que era. As grandes metrópoles precisam disso”.

 

Haddad realmente é um exemplo típico do fenômeno brasileiro atual, quando políticos e líderes nacionais tergiversam, para dizer o mínimo. Tanto é que Juliana, após ouvi-lo, resumiu a nova lei nos seguintes pontos preocupantes à cidade:

 

Residências x Comércio – permissão de Zonas Corredores em ZERs
Verticalização – locais formados por casas receberão torres sem limite de altura
Imóveis tombados – descongelamento após o prazo de dois anos
Prédios mais altos – nas vias de centralidade, a permissão será de prédios de 28m/8 andares para 48m/14 andares

 

Se no âmbito federal a protelação de importantes decisões políticas, econômicas e morais foram um mal à Nação, nesse caso do município paulistano pode ter sido uma chance de retroagir para manter o equilíbrio ecológico da cidade.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Moradores são ouvidos e Comissão vota hoje projeto que pode preservar bairros residenciais, em São Paulo

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Quinta-feira, após insistentes pedidos, o grupo que representa 42 entidades de bairros residenciais, foi atendido pelo Vereador PTB Paulo Frange, na véspera da votação inicial do zoneamento ora proposto.

 

A tensão que antecedeu a reunião, devido ao perigo que as áreas preservadas da cidade estarão sujeitas, se aprovado o zoneamento tal como está sendo proposto, aliado à proximidade da votação marcada para dali a 20 horas, felizmente foi aliviada devido a postura de ouvinte demonstrada por Frange.

 

O Grupo apresentou duas premissas básicas, apoiando-se no Plano Diretor:

 

1. Não incluir nas ZERs nenhuma possibilidade de uso que não seja residencial
2. Não discutir os corredores comerciais neste momento, deixando esta análise para depois e fixando os estudos dentro das próprias regiões interessadas.

 

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O vereador Paulo Frange entendeu claramente as propostas e determinou que a primeira votação, na Comissão de Política Urbana, fosse transferida de sexta para esta segunda-feira, bem como se comprometeu a analisar as sugestões do Grupo.

 

Caberá então à Comissão de Política Urbana da Câmara Municipal de São Paulo, a análise e deliberação sobre o Projeto de Lei 272/2015, em sessão extraordinária, hoje às 17 horas, na qual participarão os vereadores:

 

Gilson Barreto, PSDB, presidente
Nelo Rodolfo, PMDB, vice-presidente
Paulo Frange, PTB, relator

 

E os integrantes:

 

Dalton Silvano, PV;
Souza Santos, PSD;
Aurelio Miguel, PR;
Juliana Cardoso, PT.

 

Esperamos que a proposição das ZERs seja incluída e a votação seja levada posteriormente ao plenário da Câmara Municipal.

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.

Adote um vereador: um tanto de gente no Pateo e mais um montão no Santa Maria

 

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Chego cedo e sento na mesa menor. É uma forma de não criar falsas expectativas. Gosto da sensação de mudar para a mesa ao lado, na qual cabem mais cadeiras, a medida que as pessoas vão se aprochegando, pois tendo a acreditar que estamos contaminando mais pessoas com a ideia de participação na política local. Ir direto para a mesa grande e sair de lá com cadeiras vazias me causaria tremenda e indesejável frustração.

 

Nesse sábado, como em todos os segundos sábados do mês, quando os adeptos e simpatizantes do Adote Um Vereador se sentam para conversar no café do Pateo do Collegio, no centro histórico de São Paulo, sei lá por qual motivo, fui direto para a mesa maior, que fica quase no fim da área destinada ao café. Além do risco que assumia, ainda fui para o lugar mais frio dessa tarde muito fria na capital paulista.

 

A mudança no clima havia espantado os turistas que costumam frequentar o Pateo o que aumentou a impressão de isolamento naquela mesa grande. E ali, sozinho, permaneci por algum tempo. A temperatura baixa, próxima dos 15 graus, com sensação térmica ainda menor, graças ao vento no alto da cidade, mais os recados de alguns integrantes do Adote, que havia recebido desde o meio da semana, anunciando a ausência por diferentes e sempre justificáveis motivos, me fizeram temer que, finalmente, chegaria o dia em que eu seria o único participante do encontro.

 

As reuniões informais do Adote costumam ser momentos de relacionamento pessoal, oportunidades para contar alguma novidade, tirar dúvidas ou colocar a conversa em dia. Não temos organização, pauta a ser cumprida ou atas para se preencher. Nunca foi esse nosso objetivo, mesmo porque o Adote jamais se constituiu uma entidade, mantém-se, desde 2008, como uma ideia a inspirar cidadãos, de São Paulo e de outras cidades brasileiras.

 

Há alguns meses tenho me questionado sobre o que seria necessário para tornar essa ideia ainda mais inspiradora e reforçar o sentimento de cidadania nas pessoas. Tenho conversado com alguns ativistas mais experientes e muita gente ligada às novas tecnologias, pois acredito que este será o caminho para ampliarmos o alcance do nosso trabalho e, principalmente, impactarmos a ação dos vereadores (se você tiver sugestões mande para nós).

 

No frio e na mesa do café, a espera de alguém que aparecesse, pensei em saídas melhores para tornar o Adote mais influente em suas ações. Peguei o bloco de anotações para organizar o pensamento, porém mal havia começado a escrever e o primeiro parceiro apareceu, depois o segundo, o terceiro acompanhado, o quarto surgiu cheio de animação, o quinto estava com o filho a tiracolo e as cadeiras passaram a ficar ocupadas até precisarmos pegar assentos extras nas mesas ao lado… de repente, estávamos todos lá contando suas experiências, convencendo uns a fazer mais e tentando ajudar outros a encaminhar suas reivindicações.

 

A Sílvia, o Cláudio e o Marcos Paulo que andavam distantes, voltaram. O Moty trouxe companhia. E ainda convidou o Mário que nunca havia aparecido, que chegou de bicicleta acompanhado pelo filho pequeno. O Sandro também foi novidade e se mostrou entusiasmado em encarar a ideia de ficar de olho no que acontece na Câmara. A Lúcia e a Silma dificilmente faltam.

 

Foi, então, na conversa que tivemos que lembrei de registrar para “constar em ata” que naquele mesmo instante havia mais um monte de gente participando ativamente da política na cidade, motivada pelo Adote um Vereador. É que a Maria Cecília, professora do colégio Santa Maria, em Santo Amaro, na zona sul de São Paulo, tinha mandado e-mail informando que, no sábado, o projeto Câmara no Bairro estaria lá na escola.

 

O que isso tem a ver com o Adote? Muito, pois foi inspirada na nossa ideia que a Maria Cecília mobilizou os alunos do EJA – Educação de Jovens e Adultos e os fez mapear quem eram os vereadores da região, identificar que trabalho cada um deles fez ou deixou de fazer pela cidade e cobrar ações de melhoria para o cidadão. Segundo ela, os vereadores aceitaram a ideia de levar o programa do legislativo “devido ao enorme sucesso obtido no projeto desenvolvido, pelos alunos da Educação de Adultos, após aderirmos a sua ideia de ADOTARMOS UM VEREADOR”.

 

Naquela altura do encontro, o frio não era mais problema, o sentimento de solidão havia passado e se firmava a ideia de que, aos trancos e barrancos, seguimos em frente motivando mais e mais pessoas.

 

Agora, só falta você!

Controle do cidadão pode fazer das parcerias público-privadas solução para mobilidade

 

 

Mediar o debate no Connected Smart Cities – Cidades do Futuro no Brasil foi um enorme desafio pois a parte que me coube foi tornar claro ao público de que maneira poderíamos encontrar investimentos para as obras de mobilidade necessárias nas cidades brasileiras. Menos mal que na mesa de discussão havia gente gabaritada, daqui e do exterior. No foco da nossa conversa, estavam as parcerias públicos-privadas, sistema que tem permitido a ampliação e modernização dos sistemas de transportes, mas que, para alcançar o resultado pretendido, depende de regras muito bem definidas e controle da sociedade. No vídeo, gravado logo após o debate, ocorrido no último dia do seminário, em São Paulo, apresento de forma resumida o que penso sobre o tema.

Conte Sua História de SP: reencontro

 

Por Sidarta S. Martins

 

 

Novamente…
Novamente me envolvo em seus braços
Sinto o calor de seus abraços.

 

A cada reencontro, as lembranças…
Cada lembrança me faz voltar
Voltar a um tempo feliz
Um tempo que passamos juntos
Nos abraçamos, nos envolvemos
Juntos, enlouquecemos…

 

E cada dia mais
Mais e mais
Eu te amei.
Loucamente, profundamente.
Eu te amei.

 

E você me amou.
Amou-me com ternura,
Dedicou-se a mim,
Deu o melhor de si
O melhor que você podia…

 

Você era uma criança
– Você continua uma criança,
Descobrindo, errando
Caindo, levantando, acreditando…

 

Mas me amou!
Amou-me como gente grande
Como nenhuma outra
Fez-me crescer
Mostrou-me a vida…

 

Eu te amo!
Continuo te amando como no passado
Loucamente, profundamente.

 

Abandonei-te, sinto muito!
Você disse que outros a haviam abandonado
E eu?
Eu jurava amor eterno
Mas fui um ingrato.
Sinto muito, te abandonei!
Conheci outras
Procurei novas aventuras
Envolvi-me, me entreguei
Aconcheguei-me em outros braços.

 

Você sabe disso
Eu sei disso
Mas te amo!
Amo-te sempre
Sempre e sempre…

 

A cada volta
Me apaixono novamente.
Sou volúvel?
Não sei!
Sei que te amo!

 

Tuas curvas, às vezes perigosas
Revelam segredos novos e velhos
Sou curioso, sou atrevido, insaciável
Os caminhos estreitos
Os cruzamentos perigosos
Seus sinais…

 

Verde: Vá em frente!
Amarelo: Atenção!
Vermelho: Perigo, muito perigo!

 

Suas colinas, seus vales
Suas avenidas que convidam
Convidam a ir em frente
Sempre em frente…

 

Destemido, quero conhecer mais
Perder-me em seus bosques
Deitar em seu colo
Beber de sua fonte
Embriagar-me novamente.

 

Dá-me tua mão, me conduz
Quero voltar ao passado
E só você tem a receita
Só você conhece meu prato predileto
Os segredos da cozinha alemã
A alegria italiana
A formalidade e a formosura da chinesa.
Minha caipirinha predileta
Meus bares, meus programas…

 

Com simplicidade você me fala de seus poetas
Dos escritores, dos professores
Dos locutores, de seus cantores…

 

Culta, você sabe ser simples
Inteligente, você sabe ser humilde
Rica, você sempre acolheu os pobres
Rápida, você aceita a lentidão
Bondosa e sincera, sempre acredita em promessas.

 

Perdoa-me, te abandonei!
Andei por aí afora
Vaguei pelo mundo
Troquei-te por outras.

 

Mas volto sempre!
Preciso de você
Preciso de seu pulsar
Preciso de seu calor
Nada sou sem te ouvir.

 

Dá-me tua mão
Leva-me por aí afora.

 

Você é meu norte
De norte a sul.
Você é meu leste,
De leste a oeste.
Você é santa!
A única em minha vida com nome de santo.
São Paulo…

 

Amo-te!
Amar-te-ei sempre!

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, logo após às 10h30, no programa CBN SP. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você pode participar enviando texto para milton@cbn.com.br

Adote um Vereador: de cara nova e a espera da sua cara

 

Adote Um Vereador

 

Havia uma cara nova na camisa de cada um, apesar de não haver caras novas vestindo a camisa. No primeiro encontro do Adote um Vereador, em São Paulo, neste segundo semestre, fomos apresentados ao novo visual do grupo, criado pelo Christian e Fernando, dois artistas da serigrafia que se dispuseram a nos ajudar. O que antes era uma foto transformou-se em caricatura, como são alguns de nossos vereadores (não todos, é lógico). O jovem com lupa, cabelo bem aparado e cara de sério, ganhou ares de irreverência, como se fosse um convite para que assim sejamos no controle do trabalho desenvolvido pelos parlamentares.

 

Christian e Fernando doaram seu tempo para fazer as novas camisas

Christian e Fernando doaram seu tempo para fazer as novas camisas

 

Em 2008, quando iniciamos, éramos apenas uma ideia. Ganhamos adeptos e perdemos muitos. A nos consolar, o fato de que a semente se espalhou por outras cidades e ganhou forma própria. Alguns fiscalizam e analisam seus vereadores com critérios bem estabelecidos, outros apenas com o sentimento de um cidadão disposto a fazer mais pela sua cidade (e, convenhamos, isso não é pouca coisa). De vez em quando avançamos, outras, recuamos. Mas não desistimos. Insistimos.

 

Os que estavam na mesa do café do Pateo do Collegio, sábado passado, eram alguns dos insistentes. Alecir Macedo, que mantém o site e o blog do grupo, talvez seja o maior deles, pois está desde os primeiros momentos e aparece na Câmara, bate na porta do gabinete, ouve muito e fala mais ainda. Provoca reações nos vereadores e reclama de tudo e de todos. Inclusive dele próprio. Se não vai ate lá, senta-se diante do computador, se informa e dispara seus comentários. Provavelmente, se você sentar ao lado dele e ouvi-lo falando vai imaginar que é um descrente na mudança das coisas. Já não caio mais nessa. Pois quem não tem fé, não luta tanto quanto ele.

 

Adote um Vereador se encontrou no Pateo do Collegio, em São Paulo

Adote um Vereador se encontrou no Pateo do Collegio, em São Paulo

 

Ao nosso lado, também havia Sonia e Danilo, conhecidos de longa data de todos aqueles que se esforçam por uma cidade melhor. Eles sempre nos inspiraram, apesar de hoje darem a entender que cansaram de tanta luta. Eu sei que é só da boca para fora. O Danilo vai na Câmara, assiste à reunião dos líderes, participa das audiências públicas e protesta com seu olhar crítico e palavras certeiras. A Sonia integra, agora, o conselho de um dos parque da cidade e, também, nos ajuda a entender melhor o que acontece no legislativo municipal graças a sua experiência.

 

Os demais e todos os que se ausentaram, alguns, inclusive, que decidiram se calar, lamento, já foram contaminados pela ideia de que o cidadão tem de ser o protagonista de sua cidade. Por mais que pareçam desestimulados, precisam de muito pouco para voltar. E, tenho a esperança, de que uma nova imagem chame atenção deles e os faça renovar suas boas intenções e suas excelentes ações em defesa do nosso ambiente urbano.

 

Tenha certeza, o Adote um Vereador estará sempre disposto a recebê-lo de volta, de braços abertos e, agora, de camisa e cara novas. Se quiser vesti-la, é só nos encontrar no segundo sábado de todos os meses, lá no Pateo do Collegio, centro de São Paulo. Eu espero você. Até lá!