Tô de saco cheio: quem mandou me acostumar mal !?

 

 

Este texto publiquei, originalmente, na coluna “Mais ou Menos” da revista MacMais de Abril/13, a convite do editor Sérgio Miranda, a quem agradeço pela oportunidade. O artigo se encaixa na coluna ‘Tô de saco cheio’, que sai às segundas-feiras aqui no Blog e se dedica a falar da relação empresas e prestadores de serviço com o consumidor:

 

Uma Olivetti de teclas grandes cercada por laudas e papel carbono decoravam minha primeira mesa de trabalho em uma redação. Ainda era protótipo de jornalista, contratado como estagiário para trabalhar na Rádio Guaíba de Porto Alegre, em 1984, e já realizava o sonho de produzir e redigir programa dedicado ao esporte amador. Também levava comigo mania incômoda e pouco produtiva: uma letra errada ou frase mal escrita não podiam ser retocadas, jogava-se a lauda fora e começava-se tudo de novo. Os textos tinham de estar sempre limpos e respeitando a margem. Perdia tempo e papel, mas teimava em não rebater as letras ou usar o pincel corretor.

 

Comecei minha carreira no mesmo ano em que, nos Estados Unidos, era lançada uma máquina que iria revolucionar a forma de nos relacionarmos com os computadores e tornaria meu trabalho muito mais simples – você não imagina o alívio que sinto ao corrigir uma frase ou justificar o texto com apenas um ou dois toques. Gosto de lembrar desta coincidência de datas, em minhas palestras, para mostrar a evolução da comunicação nestes quase 30 anos de jornalismo. Se ao começar na profissão, o computador que era um sucesso rodava a 8 Mhz e estava há milhas de distância, hoje escrevo este artigo diante de um MacBook Pro que acelera a 2,8GHz. A evolução da tecnologia e a alta velocidade com que os dados são trocados colocaram de cabeça para baixo os meios de comunicação, mexeram no cotidiano dos jornalistas e mudaram o hábito do consumidor de informação. Poucos têm paciência para o jornal do dia seguinte ou o telejornal da noite; todos querem a notícia aqui e agora.

 

Tenho certeza de que Steve Jobs pensava em mim quando criou o Macintosh II. E sabia que, mesmo que levasse 20 anos para me encontrar com um Apple, ali estaria a máquina que iria resolver os meus problemas. Meu batizado foi em um PowerBook G4, que ainda guardo em casa, apesar do problema na tela que nenhum técnico é capaz de resolver. No teclado confortável para um notebook escrevia textos com rapidez e clareza. As ideias fluíam com facilidade. Percebi que o Keynote era um espetáculo quase tão significativo quanto o conteúdo da palestra. E era possível manipular arquivos de maneira simples, direta e objetiva.

 

Contaminado pelas máquinas prateadas – tive ao menos mais três modelos de Mac, inclusive o primeiro MacBook Air -, imaginava ter todas minhas necessidades atendidas. O tempo me mostrou, porém, que o reino encantado de Jobs tinha limites, em especial quando dependia de terceiros. A começar pela dificuldade de algumas empresas em fazer rodar seus programas – e não me refiro a games, hoje um problema menor. Por exemplo, tenho de manter um pequeno HP na mesa para acessar minha conta jurídica no Bradesco, que me promete há meses uma solução, sem sucesso. As certificadoras digitais me obrigam a manter versão antiga do Firefox para emitir notas fiscais. Pior mesmo são as assistências técnicas que se apresentam como autorizadas.

 

Nestes dez anos em que me acostumei a ser bem servido pela Apple, nas vezes que precisei de um conserto fiquei muito frustrado. O usuário Mac tem computador de alta qualidade, programas que satisfazem e performance de deixar qualquer colega da mesa ao lado de boca aberta. Infelizmente, as assistências técnicas da marca constroem um padrão de atendimento que vai na contramão da imagem de qualidade embarcada nos produtos da Apple. E não se trata de pedir nada de excepcional, apenas que respeitem o direito do consumidor.

Tô de saco cheio: qual produto é essencial para você?

 

Quando surrupiaram o que podiam da minha casa, fui correndo a uma loja comprar o notebook. As televisões, o computador de mesa, o equipamento de som, os video games e o Ipod deixei para substituir mais tarde. Meu MacBookPro era essencial para tocar a vida profissional, responder emails, preparar projetos, escrever os textos encomendados e buscar informações na internet. Nem mesmo o telefone celular – graças a Deus este ficou comigo – seria imprescindível diante da urgência daquele computador.

 

Entender quais produtos são essenciais na vida de um cidadão é o que o Governo brasileiro está tentando desde o dia 15 de março quando a presidente Dilma Roussef lançou o Plano Nacional de Consumo e Cidadania. O Plandec – adoro estas siglas inventadas nos gabinetes – prevê a criação de uma lista de produtos essenciais para troca imediata de artigos com defeito, dentro do prazo de garantia.

 

Qual produto é essencial para você?

 

As prioridades mudam de acordo com as peculiaridades de cada família, meio social e profissional. Há produtos, contudo, que não devem ficar de fora. Com 261,8 milhões de linhas de telefonia móvel (Anatel/2012) e sua multifuncionalidade, o celular estará no topo da lista, com certeza. Geladeira, fogão e computador, também vão aparecer com destaque.

 

Apesar de a resposta parecer simples para muitos de nós, até agora Governo, ministérios da Justiça e do Desenvolvimento, a indústria e o varejo não conseguiram entrar em acordo. A lista, inicialmente com 50 itens, deveria ter sido apresentada no dia 15 de abril, mas houve pedido para se estender o prazo sem que nova data fosse decidida. Nem mesmo sobre o número de itens que devem compor a lista há consenso. Nesta semana, haverá mais uma rodada de negociação.

 

Na reportagem de O Globo, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, faz declaração que evidencia a dificuldade para o acordo. Ele diz ser um “absurdo” elaborar a lista de produtos essenciais, na medida em que esta criará uma insegurança jurídica enorme: “Por que existe assistência técnica, garantia? É para que os produtos que têm algum defeito de fabricação, algum vício, possam ser recuperados, mas não para serem trocados imediatamente”.

 

Como será que ficaria o presidente da CNI se o smartphone recém comprado por ele apresentasse vício de qualidade (é como os burocratas chamam equipamento com defeito)? Gostaria de ficar esperando dias ou semanas pela devolução? Sem telefone? Provavelmente, compraria outro. Dinheiro não deve lhe faltar. O mesmo não se pode dizer da maioria acachapante dos consumidores desrespeitada pelos fabricantes e varejistas. No ano passado, foram 2,03 milhões de queixas devido a produtos com defeito nos Procons e esta insatisfação foi o terceiro item mais reclamado dos órgão de defesa, atrás apenas de assuntos financeiros e telecomunicações.

 

Tô de saco cheio: Nextel não informa duplicidade de cobrança

 

Sou cliente da Nextel há cerca de sete anos, empresa de telefonia da qual já tive seis linhas simultâneas. Atualmente, mantenho três números. No segundo semestre do ano passado para acompanhar melhor os custos do serviço, solicitei que o pagamento fosse feito mediante boleto bancário e não mais pelo débito automático, o que começou a ser feito desde novembro. Em fevereiro deste ano, percebi que, havia quatro meses, estava pagando duas vezes pela mesma conta: no débito automático e no boleto bancário. Reuni os comprovantes, fui até uma loja da Nextel e, sem precisar mostrar nenhum dos papéis que levei, o atendente identificou no sistema da empresa que eu tinha um crédito de quase R$ 2 mil. Ele me informou que eu deveria, a partir daquele momento, ligar para a Nextel todos os meses e solicitar o resgate de parte do valor para pagar as próximas contas dos telefones.

 

É possível que neste processo eu tenha cometido o erro de não informar o banco de que deveria suspender o pagamento em débito automático. Não tenho certeza. Mas vamos considerar o seguinte:

 

  1. Nos boletos bancários da Nextel, enviados desde novembro, não havia a informação de que o pagamento estava sendo feito em débito automático, conforme padrão usado por outras empresas de telefonia, luz e água, por exemplo. Portanto, a empresa passou a me cobrar no boleto, mas não deixou de cobrar do banco.
  2. A Nextel sabia que eu estava pagando a conta duas vezes, pois estava registrado no seu sistema, sequer precisou dos meus comprovantes, mas entendeu por bem continuar recebendo estes valores indevidamente e não me avisar do erro. Preferiu esperar que eu reclamasse ou deve ter imaginado que pagava a mais como prêmio pelos bons serviços prestados.
  3. Pior, além de aceitar o pagamento em duplicidade, não incluiu estes valores nos meus créditos, descontando automaticamente da conta seguinte, como fazem, por exemplo, as administradores de cartão de crédito.

 

Após três meses ligando para o serviço de atendimento da Nextel, segundo recomendação da empresa, para “pagar a conta” com o crédito que estava à minha disposição, tendo, algumas vezes, de passar por mais de um atendente, e sendo obrigado a refazer a ligação devido a queda da linha, descubro que o correto seria a empresa me devolver o dinheiro em conta corrente. Informação esta que me foi passada por um concorrente da Nextel em evento que participei há um mês.

 

Semana retrasada procurei a Nextel para exigir meu direito e, mais uma vez, surpreendentemente, o funcionário que me atendeu não fez nenhuma objeção e disse que poderia fazer a operação, devendo apenas esperar alguns dias para o dinheiro cair na minha conta. Ou seja, a empresa sabia do direito do consumidor, mas não o informou, assim como sabia que recebia a mais, mas não o ressarciu. Finalmente, sexta-feira passada, o dinheiro foi depositado.

 

Ficam as dicas para a Nextel:

 

  1. Identifique no extrato a cobrança do débito automático;
  2. Registrada pelo sistema a cobrança em duplicidade, informe o cliente imediatamente;
  3. Constatado o erro ofereça ao cliente as opções de (1) descontar na próxima fatura, automaticamente; (2) devolver o dinheiro com depósito em conta corrente;

 

Com estes cuidados mínimos, a Nextel preserva seus clientes e não colabora para a coluna #ToDeSacoCheio aqui do Blog.

Tô de saco cheio: Oi, Vivo, NET e Sky na bronca do leitor

Fone Fácil

 

Semana passada estreei coluna Tô De Saco Cheio, para falar do direito ao consumidor, aqui no Blog. Não precisei esperar muito tempo para perceber que meu sentimento era compartilhado pelos caros e raros leitores deste espaço. Acompanhe a sequência de mensagens deixadas na área de comentários do meu texto:

 

O leitor Pedro reclama da cobrança indevida feita pela Vivo Celular SP, são R$ 94 a mais a cada conta, em função de serviço que não foi contratado por ele. A bronca da Márcia também tem como alvo empresa de telefonia celular, no caso a Oi, que aliás foi a campeão no ranking de reclamações dos Procons, no Brasil, em 2012, conforme dados do Ministério da Justiça. Ela conta que a Oi não cumpriu o prazo de sete dias para instalação de linha telefônica, no Morro dos Cabritos, em Copacabana, no Rio de Janeiro.

 

Já o Armando briga com a NET que lhe cortou o sinal por quatro dias em uma semana, a mesma empresa que tem provocado dor de cabeça ao nosso comentarista do Blog, Carlos Magno Gibrail. Aliás, outro dos comentaristas, Milton Pai, registrou queixa em relação a serviço da Sky que o deixou na mão em jogos comprados pelo PPV, mas ao menos foi ressarcido em parte depois que fez a reclamação. Aliás, vale a regra de reclamar sempre e pedir o dinheiro de volta pelo serviço não prestado, mesmo que para isso tenhamos que ganhar fios brancos de cabelo enquanto esperamos o atendimento nos SACs.

 

Leia o texto de estreia da coluna Tô de Saco Cheio e a reclamação completa dos leitores do Blog, aqui.

 

A propósito, não sei se você percebeu, mas semana passada foi a vez da Anatel – Agência Nacional de Telecomunicações divulgar pesquisa de opinião sobre o serviço das empresas de telefonia celular. Não surpreende que nenhum dos 200 mil usuários consultados tenha respondido estar totalmente satisfeito com a prestação de serviço. Os resultados indicam que, na telefonia pós-paga, 56% consideram o serviço mediano – portanto, nem estão satisfeitos nem estão insatisfeitos -, 29,5% estão satisfeitos e 14,5% insatisfeitos.

 

Sobre o assunto conversei com Marcelo Sodré, professor de direito do consumidor da PUC-SP, que chamou atenção para a responsabilidade da Anatel que deveria cobrar, punir e exigir serviços melhores das operadoras de telefonia celular.

 

Ouça a entrevista completa:

 

Tô de saco cheio: um novo padrão no atendimento ao consumidor

 

Camelôs na 25 de Março

 

Um novo padrão de atendimento ao consumidor foi o tema de debate que tive oportunidade de mediar, alguns dias atrás, a convite da Editora Padrão, que colocou no palco os representantes de algumas das principais prestadoras de serviço do país. Itau, TIM, Claro, Oi, Sky e Nova.com – que reúne o comércio eletrônico de Ponto Frio, Extra e Casas Bahia – se fizeram presentes através de seus vice-presidentes e diretores responsáveis pelo atendimento ao cliente – uma turma que exerce o papel do marisco, frágil animal marinho que vive entre o mar e o rochedo. Longe de mim querer eximí-los da responsabilidade de prestar o melhor serviço possível. É para isso que usam o crachá da empresa. Mas, com certeza, ocupam uma função ingrata, pois têm de equilibrar as forças entre os interesses das corporações e os direitos dos clientes.

 

No palco, diante de plateia especializada e interessada no assunto, defenderam de forma convicta tudo que suas empresas realizam e deixam de fazer. Fora dele, ouvi, em off, frases do tipo “realmente, aqui em São Paulo nosso serviço é muito ruim”. Publicamente, foram unânimes em destacar a complexidade do serviço prestado, em especial daqueles setores com uma base de clientes tão grande quanto o da telefonia, por exemplo. Reclamam que a necessidade de atender legislações diferentes em cada cidade e Estado complica ainda mais as ações, além de torná-las caras. Um exemplo é a Lei de Entrega em vigor no Estado de São Paulo, na qual as empresas são obrigadas a informar a data e o turno em que a encomenda será entregue, sem cobrar taxa extra, regra estabelecida para que o cliente não tenha de perder o dia inteiro aguardando em “horário comercial”. A lei atrapalha, entre outras coisas, a logística das empresas, pois pode ocorrer de o caminhão ter de fazer mais de uma viagem para o mesmo bairro ou rua, no mesmo dia, em horários diversos. Sem contar que os Correios, maior empresa de entregas do Brasil, não tem a obrigação de atender o horário estabelecido, ficando a responsabilidade apenas para quem vende a mercadoria.

 

As empresas têm razão em parte no que reclamam, mas ao mesmo tempo não aceitam reduzir a velocidade dos seus planos de expansão e acabam vendendo mais do que podem entregar. Além disso, em lugar de “complexo e difícil”, palavras usadas para justificar falhas no atendimento, oferecem na propaganda o “simples e fácil”. Ou como bem definiu Marcelo Sodré, um dos criadores do Código de Defesa do Consumidor, também participante do debate: “as empresas vendem o Mundo dos Jetsons e entregam o Mundo dos Flinstones”.

 

Dito isso, registro que, a partir desta semana, criarei aqui no Blog a coluna “Tô de saco cheio”, na qual compartilharei com você, caro e raro leitor, problemas que enfrentamos no relacionamento com as empresas e prestadores de serviço. Por não ser especializado no assunto, a ideia é descrever minhas sensações e indignações como consumidor. Não tenho a pretensão de mudar o atendimento, quero apenas desabafar com você e, assim, evitar um ataque do coração, o que me levaria a ter de usar os serviços dos planos de saúde e a burocracia imposta por estas empresas quando você mais necessita (ops, já comecei).

Mundo Corporativo: estratégias para vender ao novo consumidor

 

“Há uma profunda transformação no varejo, nos últimos anos. Esta profusão de alternativas de relacionamento, comunicação e informação criou o neoconsumidor: multicanal, digital e global”. O consultor Marcos Gouveia de Souza fala sobre esse consumidor e como o varejo deve se adaptar ao cenário atual na entrevista ao Mundo Corporativo, da rádio CBN. O diretor-geral da GSMD Gouveia de Souza conta que nos Estados Unidos as compras na internet já representam 7% do volume total de vendas, enquanto no Brasil, apenas 2,5%, no entanto, o crescimento no mercado brasileiro tem sido mais veloz: “ou as empresas acompanham este processo ou ficam para trás”, alerta.

 

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, no site da CBN, com participação dos ouvintes-internautas pelo e-mail milton@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn. O programa é reproduzido, aos sábados, no Jornal da CBN.

Onde Estamos?

 

Por Julio Tannus

 

Um novo conceito de consumo

 

 
Deixou de ser “um modo passivo de absorção e de apropriação de bens e serviços, com a finalidade de preencher necessidades” para se constituir numa “atividade sistemática na qual se funda todo o sistema cultural contemporâneo”.

 

Uma nova ordem foi estabelecida: a precedência do consumo sobre a acumulação. Um sintoma dessa precedência: muitas vezes compra-se primeiro para depois resgatar o compromisso pelo trabalho.

 

Mudanças mais significativas na oferta:

 

Novos produtos e serviços
Conceito de “serviço” na venda de produtos
Novos meios de comunicação
Novos mercados a partir de novas tecnologias
Globalização – abertura e diversificação
Redução do papel dos Estados na economia
Incremento nos níveis de competitividade entre produtos e serviços
Surgimento dos Mercados Comuns

 

Um novo consumidor

 

As mudanças mais significativas no consumidor:
Maior consciência do poder de compra
Maior consciência de seus direitos
Maior nível de exigência e redução dos limites de tolerância
Maior nível de informação sobre o mercado de oferta
Maior individualidade – mercados cada vez mais segmentados
Surgimento de novos mercados (terceira idade, baixa renda)
Incorporação do conceito de “serviço” na compra de produtos
Preocupação crescente com a relação preço-valor
Preocupação ecológica
Redução do tempo disponível
Consumo compulsivo

 

O sistema de consumo atual

 

E não poderia deixar de citar o filósofo Jean Baudrillard em seu livro O Sistema dos Objetos:

Não há limites ao consumo. Se fosse ele aquilo que consideramos ingenuamente: uma absorção, uma devoração, deveria se chegar a uma saturação. Se dissesse respeito à ordem das necessidades, deveria se encaminhar a uma satisfação. Ora, sabemos que não é nada disso: deseja-se consumir cada vez mais. Esta compulsão de consumo não se deve a alguma fatalidade psicológica (o que o berço dá, a tumba leva, etc.) nem a uma simples coerção de prestígio. Se o consumo parece irreprimível, é justamente porque constitui uma prática idealista total que nada mais tem a ver (além de um certo limiar) nem com a satisfação de necessidades nem com o princípio de realidade. É que ela se acha dinamizada pelo projeto sempre frustrado e subentendido no objeto. O projeto imediatizado no signo transfere sua dinâmica existencial para a posse sistemática e indefinida de objetos/signos de consumo. Esta doravante somente pode ultrapassar-se ou reiterar-se continuamente para permanecer aquilo que é: uma razão de viver… Finalmente, é porque se funda sobre uma “ausência” que o consumo vem a ser irreprimível.

 


Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada, co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier) e escreve no Blog do Mílton Jung às terças-feiras.

Franquias, a técnica e a emoção

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Graças ao crescimento do setor de franquias no Brasil, em grande parte devido ao fato da compatibilidade entre a cultura aspiracional do brasileiro aliada ao seu espírito empreendedor, temos hoje um vasto arsenal de informações técnicas do sistema de franquias.

 

Dentro deste conhecimento geral embasado no acúmulo de experiências de sucesso e insucesso, o processo da escolha é um dos aspectos mais relevantes.

 

Da revista Exame, dentre outros tantos exemplos, podemos extrair um resumo bem elaborado dos procedimentos a seguir para uma boa decisão da franquia a adquirir. Eis seis passos para fazer uma boa escolha:

 

1. Conheça o setor de franquia
2. Avalie-se
3. Elimine opções
4. Calcule o capital
5. Cheque a região
6. Investigue o franqueador

 

Acompanhando há 30 anos o desempenho do setor de franquias, posso ressaltar que no processo de escolha as técnicas e as informações acumuladas têm municiado de forma suficiente os candidatos à franquia. Destacaria apenas a importância de não confundir empreendedor com consumidor, pois uma coisa é gostar de pão de queijo e outra é cumprir a rotina de lojista, acompanhando os processos de atendimento, compras, finanças, etc. embora tal conjunção quando possível é quase certeza de sucesso.

 

Assim como o franqueado embora empreendedor, precisa seguir padrões e tem pouco espaço para criação. O capital também deve ser tratado com a importância necessária, evitando financiamentos e considerando capital de giro próprio suficiente para manter saudável o fluxo de caixa. Por fim, ter sempre em mente que os Ps do marketing mix devem ser checados, ou seja, Pessoas, Produto, Ponto, Propaganda e Promoção.
Entretanto, é a emoção que poderá fazer a diferença entre o trivial e o sensacional.

 

Selecionar uma marca para ser franqueado ultrapassa a técnica, que é necessária, mas não é suficiente. Quando as marcas passam a pertencer aos consumidores e o intangível determina seu valor de mercado, fica claro que os números ajudam, mas não resolvem. É imprescindível o empreendedor de “espírito animal”. E, mais uma vez Keynes desponta: “A decisão de investir depende em larga medida da confiança do empresário – uma questão de psicologia, e não de prospecção matemática. A condição ideal para o investimento ocorre quando o cálculo racional se complementa e se sustenta pelo espírito animal, de modo que o pensamento sobre o fracasso é posto de lado, como um homem saudável coloca de lado a expectativa da morte”. E complementa: “O espírito animal associa-se a um instinto de otimismo espontâneo, uma propensão natural para a ação, em vez da inação. Essa tendência inata para a atividade é que faz a engrenagem da economia e dos empregos girar”. 

 

Livros, artigos, entrevistas e palestras sobre franquias tem esquecido Keynes. Fica aqui a lembrança.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos, e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

Mundo Corporativo: como conquistar, fidelizar e recuperar clientes

 

“Para começar o processo de conquista do cliente tem de acertar qual é o público alvo, qual é o seu perfil, entender o que ele quer. Não dá pra fazer tudo para todos, é preciso me tornar melhor para algum público especificamente”. A afirmação é do consultor e especialista em gestão de relacionamento Agnaldo Lima, entrevistado do programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Ele conta experiências de empresas na relação com seu público e alerta para a necessidade de se traçar estratégias diferentes para conquistar e para manter clientes. Lima é autor do livro “Como conquistar, fidelizar e recuperar clientes”, lançado pela editora Atlas.

 

Esta entrevista está disponível apenas em áudio:

 

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, no site da CBN. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Considerações Contemporâneas

 

Por Julio Tannus

 

O Conhecimento

 

 

Os efeitos combinados da globalização e avanços da tecnologia da informação e comunicação desencadearam um processo onde a informação tornou-se disponível muito mais facilmente e em quantidade sem precedentes. Entretanto é preciso considerar que a informação torna-se necessária, mas não é suficiente. É preciso transformar a informação em conhecimento: o todo é maior que a soma de suas partes.

 

O Consumidor

 

 

No passado: o consumidor passivo, submisso, oprimido.

 

Sem Procon (Procuradoria de Proteção e Defesa do Consumidor), sem Pesquisa de Satisfação do Cliente, sem alternativa de escolha para várias categorias de produtos, etc.

 

No futuro: O consumidor resgata a sua alma, através das comunidades, dos blogs, dos comentários.

 

Internet amplamente acessível, inúmeras redes sociais, ampla gama de produtos dentro da mesma categoria, etc.

 

A Nova Geração

 

 

Lorena, com dois anos e meio de idade, ao ouvir que a sua avó por parte de pai era mãe de seu pai, retrucou “por que ele precisa de mãe, ele já é grande!”.
Em outra ocasião, sua mãe ao dar bronca nela respondeu “não mãe você não vai ficar brava comigo, eu que vou ficar com você”.

 

Catarina, hoje com 15 anos de idade, aos 12 anos escreveu:

 

Canto, poesia alçada
Aos ares de vasta alegria;
Sonho, sem cabeças ou pés
Sem pés fincados no chão.

 

Mundo vasto, desejo imenso
Calado, sem eira nem beira
E no fim, o que resta é somente
Aquilo que é infinito.

 

Tempo e espaço mentem.

 

Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” recém-lançado pela Editora Elsevier na Livraria Cultura. Às terças-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung