Avalanche Tricolor: espírito Olímpico volta no Dia dos Pais

 

Grêmio 3×0 Corinthians
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Sou gremista porque meu pai decidiu assim. Nasci sem cor nem clube, como nascem todos os bebês. E no momento em que meu destino teria que começar a ser traçado foi ele quem me ensinou, nos moldes da época, o caminho a seguir.

 

Foi meu pai quem me levou pela mão ao estádio Olímpico que ficava logo ali, quase na esquina de casa. A primeira vez, pelo que me lembro, foi para ver Pelé em campo. E daquela lembrança tenho a caminhada pelo “beco”, como chamamos as ruas de terra e cercadas por casas pobres, para cortar caminho.

 

Pode ter me levado antes ao estádio, mas a memória me trai. Sei, porém, que depois daquele jogo, levou-me duas, três, quatro, um centena de vezes, até que eu soubesse percorrer aquele caminho sozinho.

 

Meu pai me forjou gremista, sentindo o frio das cadeiras cativas no arco de cima do estádio Olímpico e visitando os corredores internos daquele monumento construído para abrigar nosso time de coração. Tive o privilégio de ver jogos ao lado dele na cabine de transmissão da rádio Guaíba. As arquibancadas lotadas causavam arrepios e minha emoção muitas vezes se transformou em lágrimas, tanto pela vitória quanto pela derrota.

 

Hoje, ao ver a Arena do Grêmio tomada por mais de 50mil torcedores, em um domingo especial no qual se comemora o Dia dos Pais, percebi que o espírito do Estádio Olímpico estava de volta. A torcida cantou e vaiou. Atreveu-se a pedir olé quando o placar estava decidido. O caldeirão esquentou.

 

Mesmo distante, tinha a impressão de que estava lá, sentado em um das cadeiras ao lado do pai, no velho Estádio Olímpico – que ganhou este nome por abrigar a Universíada – os Jogos Olímpicos Universitários, em 1963.

 

O número de torcedores presentes jamais havia sido registrado em partidas disputadas na Arena. E se estavam lá é porque sabiam que o time poderia responder a altura. Torciam para que isso acontecesse. E aconteceu.

 

Um time que começou a partida com postura diferente das últimas, semelhante a que nos deu vitórias importantes neste campeonato. Que não se importou com as ausência de dois de seus maiores talentos, Luan e Wallace, que ajudam o Brasil a ser melhor nos Jogos Olímpicos.

 

O resultado foi que nossos atacantes, Pedro Rocha, Everton e Miller, fizeram o que esperamos deles: gols. Nossos defensores, com destaque para Geromel, o Incrível, e Marcelo Grohe, cumpriram com méritos suas funções. E, mesmo com uma partida a menos, estamos de novo na disputa da liderança.

 

No Dia dos Pais, o espírito do Estádio Olímpico esteve de volta. E eu pude lembrar mais um vez como o pai foi importante na minha formação.

Avalanche Tricolor: isso só pode ser coisa da nossa cabeça

 

Grêmio 0x0 Santa Cruz
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Wallace Oliveira em foto de RODRIGO RODRIGUES/GRÊMIOFBPA

 

O cérebro é uma máquina genial e ao mesmo tempo complexa que sempre me fascinou. Usá-lo exige exige muito do corpo humano, pois consome 20% da energia que geramos, apesar de corresponder a apenas 2% do peso corporal total.

 

É uma falácia a ideia de que algumas pessoas usam somente uma pequena parte do cérebro. Isso é uma verdade que deve ficar apenas no campo da figuração, pois todos nossos atos exigem do cérebro um tremendo esforço. Por isso, ele é considerado um órgão preguiçoso, sempre em busca de um padrão para não se cansar muito com novos estímulos.

 

Um dos meus parceiros de negócio, nos trabalhos que realizo no desenvolvimento de líderes através da comunicação, é o psicólogo Esdras Vasconcelos que me ensinou, recentemente, que nosso cérebro tem a capacidade de refletir ações praticadas por outras pessoas. Esse fenômeno é provocado por pequenas estruturas batizadas de neurônios-espelhos, que entram em atividade quando se executa ou se observa uma ação.

 

Um dos exemplos que dr. Esdras usou para ilustrar o funcionamento dos neurônios-espelhos é a reação de torcedores nos estádios de futebol. O grito irritado de uma pessoa leva outra a agir da mesma maneira, mesmo que ela, em seu cotidiano, seja uma pessoa que não esteja acostumada a gritar daquela forma. É inconsciente.

 

Isso pode ocorrer também quando alguém mexe no cabelo diante de você, ou boceja, ou coça a orelha. Nossa tendência é reproduzir, mesmo sem pensar, o comportamento do outro. São os neurônios-espelhos atuando.

 

Você, caro e cada vez mais raro leitor desta Avalanche, deve estar se perguntando por que dedico mais da metade deste texto ao cérebro e seus neurônios-espelhos, quando se sabe que este espaço tem como foco principal o futebol?

 

Primeiro: trato deste assunto para não precisar me estender muito na escrita sobre o futebol jogado pelo Grêmio, nesta noite de quinta-feira (e você deve imaginar os motivos do meu desânimo para falar disso).

 

Segundo: busco uma explicação para entender o que acontece com o nosso time sempre que enfrentamos um adversário de baixa qualidade. Ao não encontrar uma justificativa plausível dentro de campo, resolvi olhar para dentro do cérebro de nossos jogadores. Foi, então, que me lembrei dos ensinamentos do dr. Esdras.

 

Só pode ser isso: os neurônios-espelhos. Eles são os culpados pelos quatro pontos perdidos nas duas últimas partidas e por desperdiçarmos a chance de assumirmos a liderança nesta primeira metade do campeonato.

 

Diante de um futebol pífio, reproduzimos o comportamento adversário e jogamos de maneira pífia. Quando temos um time mais bem qualificado, lá vem o nosso time a desfilar com aquela performance estruturada e pensada por Roger, que tanto nos orgulha.

 

Sim, tudo isso pode estar relacionado também a ausência de Luan, a falta de criatividade para driblar o adversário, a inexistência de um goleador capaz de decidir as partidas mais complicadas, a laterais que não sabem aproveitar as jogadas pelos lados … enfim, aquelas coisas que muitos dos torcedores já vêm pensando do time (e alguns escrevendo).

 

Seja o que for, o certo é que nosso técnico terá de quebrar a cabeça para mudar esse comportamento e nos levar para o topo da tabela de classificação.

Avalanche Tricolor: sofrer é preciso!

 

América MG 0x0 Grêmio
Brasileiro – Estádio Independência BH/MG

 

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Jailson escapa da marcação, em foto do site Grêmio.net

 

Começamos a rodada em terceiro lugar e com alguma chance de ser líder. Quando iniciamos a partida ainda havia a possibilidade de ser vice-líder. Terminamos o domingo, em quarto lugar.

 

E como isso aconteceu, levando-se em consideração o adversário!?

 

Era o lanterna do campeonato – aliás, o será por um bom tempo, a persistirem os sintomas – e acabara de ser goleado na Copa do Brasil. Havia levado 14 gols nas últimas sei-lá-quantas partidas que disputou.

 

A aposta da maioria, aqui em São Paulo, era de que os três pontos já estavam nas contas do Grêmio. Imagino que em Porto Alegre, Belo Horizonte e em todas as outras capitais brasileiras, também. A vitória era o único resultado previsível diante das circunstâncias, apesar de a disputa ser fora de casa.

 

Confesso que eu teimava em não acreditar em nenhuma das previsões otimistas. Aos que contavam com os três pontos na tabela, expressava meu ceticismo: “o Grêmio gosta de se complicar contra os pequenos”. Cheguei pensar que era coisa de torcedor chato, desconfiado … A partida me deu razão, infelizmente.

 

Foi um jogo mal jogado, e os primeiros minutos já deixavam claro de que a inspiração e respiração que costumam nos diferenciar dos demais adversários foram esquecidas em um lugar qualquer do vestiário.

 

O pouco espaço deixado pela marcação fizeram o bom futebol gremista se tornar pequeno: um chutão por cima, um pelo lado e outro no poste foram os únicos momentos capazes de nos dar alguma perspectiva de vitória.

 

Verdade seja dita, também: o perigo de perdemos esteve distante na maior parte do jogo; exceção a uma ou outra bola metida na área, como aquela em que de cabeça (sempre de cabeça) o atacante deles obrigou Marcelo Grohe a excelente defesa.

 

A expulsão de Edílson, aos 29 minutos do segundo tempo, serviu apenas para deixar mais complicado um problema para o qual não havíamos encontrado até aquele momento a solução.

 

A frustração e lástima dos próprios jogadores ao fim da partida refletia bem o pensamento da maioria dos torcedores. Cético, sofri menos, pois tive a impressão de que já estava com o espírito preparado para o empate sem gol.

 

Agora, antes que você, caro e raro leitor desta Avalanche, acostumado com minha visão sempre otimista, às vezes ufanista, em relação ao Grêmio, estranhe minha postura neste domingo: saiba que meu ceticismo se encerrou junto com a partida.

 

O tempo me ensinou que não sabemos fazer as coisas pela via fácil. Sofrer é preciso!

 

Assim que olhei a tabela da classificação, independentemente das boas possibilidades que tínhamos nesta rodada, percebi que agora estamos a apenas dois pontos da liderança. Um tropeço de um aqui, uma vitória ali, três pontos conquistados no confronto direto, e o Grêmio logo poderá comemorar o primeiro lugar.

 

Temos time, temos condições e o campeonato sequer chegou a metade. Bola pra frente!

Avalanche Tricolor: melhor recepção impossível!

 

Grêmio 1×0 São Paulo
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Douglas e cia festejam gol da vitória, em foto de LUCAS UEBEL/GrêmioFBPA

 

Cheguei há pouco a São Paulo. As férias estão terminando. Em dois dias estarei de volta ao trabalho. Reservei o domingo para colocar o fuso horário no eixo, depois de duas semanas com o corpo e a mente “rodando” cinco horas à frente. Fui muito bem recebido em casa, onde Bocelli, o Gato, me deu as boas vindas com um miado alto e forte como se reclamasse de saudades pelo tempo afastado.

 

Fui melhor ainda recebido pelo Grêmio, que mexeu no time para se adaptar as negociações e convocações. Na escalação, algumas surpresas para o torcedor como a preferência de Roger por Negueba para substituir Giuliano. E Roger fez certo. Nosso novo meio-campo foi apontado como um dos destaques da partida.

 

Soube de fonte segura que até meu amigo Teco Medina, são paulino de coração, bateu palmas para ele ao fim do jogo.

 

No time que me deu as boas vindas, tinha também, a confirmação de Jaílson, em lugar de Walace, para formar a dupla de volantes com Maicon, e de Miller Bolaños ocupando o espaço de Luan. Os dois cumpriram muito bem o seu papel, com Miller tendo sido fundamental para a vitória e mostrando que está pronto para reassumir a posição de titular, após convocações, lesões e complicações.

 

Neste meu retorno ao Brasil, o adversário era tradicional e histórico, e mesmo que tenha tropeçado aqui e acolá, nesta temporada, é sempre perigoso. Até agora não o havíamos vencido na Arena, nas quatro partidas até então disputadas.

 

Bem que o goleiro deles se esforçou para manter a escrita. Saltou pra cá, saltou pra lá. Defendeu com uma mão, com as duas, e quando não dava para alcançar a bola, deve ter cruzados os dedos, pois ela teimava em não entrar.

 

Do outro lado do campo, Marcelo Grohe assistiu ao jogo sem qualquer esforço. Na única vez em que o perigo parecia próximo, Geromel surgiu para despachar para escanteio. Aliás, nosso zagueiro segue encantando o torcedor.

 

Na defesa, fiquei muito feliz ainda com a maneira como fui recepcionado por Edílson, para quem o adversário torce o nariz, mas que dá conta do recado e com toques de picardia.

 

Soube das mesmas fontes anteriores que Teco Medina quer ganhar de aniversário uma camisa autografada pelo nosso lateral direito. Se não tiver a dele, pode ser a do Douglas. Apesar de que a deste, guardaria comigo na coleção que estou reconstruindo.

 

A camisa 10 tem sido vestida com genialidade por Douglas. No meio de campo, ele distribui o jogo com qualidade invejável, tem um passe refinado e facilita a vida de seus companheiros como nenhum outro em campo. No jogo de hoje, deu uma sequência de passes, no segundo tempo, que merecia o replay (mas o pessoal da TV prefere repetir pontapés e encontrões). Não bastasse o talento, Douglas tem se consagrado como reboteiro e marcado gols como o deste domingo, semelhante ao que já havia feito contra Santos, Cruzeiro e Inter. Mereceu todas as palmas recebidas quando deixou o gramado (inclusive as do Teco).

 

O Grêmio jogou muito melhor, quebrou um tabu na Arena, venceu um clássico e ficou apenas a dois pontos da liderança do Campeonato Brasileiro, após 16 partidas disputadas. Ainda por cima, tive o direito de brincar com meu grande amigo e colega de trabalho Teco Medina (aquele que sempre acha que eu tiro mais férias do que mereço).

 

Melhor recepção impossível!

Avalanche Tricolor: tropeço nas férias, não muda humor nem busca pelo título

 

Sport 4×2 Grêmio
Brasileiro – Ilha do Retiro/Recife

 

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A lua quase cheia me acompanhou pela madrugada enquanto assistia ao Grêmio, na Itália (foto: Abigail Costa)

 

Havia um tempo em que assistir aos jogos do Grêmio quando estávamos no exterior era um desafio à parte. A internet não havia se expandido, a tecnologia era precária e as transmissões pela televisão não alcançavam tão longe. Alguns sites com endereços duvidosos e arquivos maliciosos pirateavam as imagens da TV, que nem sempre chegavam com a qualidade desejada.

 

Os tempos são outros. O sinal de internet está muito mais acessível e os aplicativos estão disponíveis, desde que você tenha a assinatura da TV a cabo ou do pay-per-view. Já havia visto partida a bordo de um avião, cruzando o Oceano Atlântico, na tela do meu celular, portanto minha estada na Toscana, na costa do Tirreno, não seria motivo para me deixar longe do Grêmio.

 

De estranho mesmo, apenas o horário, pois aqui na Itália estamos cinco horas na frente do Brasil, e, assim, o que era final da tarde de domingo para você, já era fim de noite para mim. O jogo se iniciaria antes da meia noite e se estenderia pela madrugada. Como meu compromisso nessas férias é esperar o sol chegar e descansar na beira da praia, dormir tarde também não seria um problema.

 

Ipad conectado à internet, tela ampliada, transmissão iniciada e uma noite de verão europeu agradável, com lua quase cheia no céu: o cenário era perfeito para curtir meu Grêmio neste meio de férias. Pra deixar a turma com inveja: o vinho estava servido, também.

 

Aquela bola no poste assim que o jogo começou era o sinal para que aumentassem meu entusiasmo pelo time e a expectativa pelos três pontos que nos colocariam na vice-liderança do Campeonato Brasileiro. Os fatos que se sucederam, porém, frustraram meu programa de férias.

 

Depois de estarmos perdendo por dois a zero e desperdiçando muitos gols, no primeiro tempo, bem que Geromel se esforçou para me devolver a satisfação nesta noite, na volta para o segundo tempo. A reação durou pouco e nossos erros defensivos se repetiram.

 

Deixar de somar três pontos fora de casa, não é uma tragédia. Tem gente desperdiçando esses pontos diante da sua própria torcida. Mas como temos pretensões que vão bem além da maioria dos que estão disputando este campeonato, não devemos simplesmente aceitar o resultado passivamente.

 

Roger terá muito que conversar e treinar, conversar mais ainda e treinar ainda mais, nos próximos dias, para ajustar o que nos falta e darmos o salto maior nesta competição: chegar à liderança e lá permanecermos.

 

Como confio no trabalho de Roger e do elenco, sigo em frente com minhas férias, tranquilo, porque não será um tropeço no caminho que irá me tirar o bom humor nem estragar o sabor do vinho.

Avalanche Tricolor: trabalho duro até o fim é recompensado

 

Grêmio 2×1 Figueirense
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Grêmio comemora mais uma vitória na foto de LUCAS UEBEL/GrêmioFBPA

 

Vi parte, mas não vi tudo. Vi o primeiro gol na tela pequena do celular. E só vi porque o compromisso profissional do último domingo antes das férias atrasou. Providencial … pois foi suficiente para perceber que o Grêmio venceria seu compromisso no domingo pela manhã, o que estava claro desde o primeiro minuto de partida, quando só não abrimos o placar porque o zagueiro defendeu com o braço e o árbitro deu uma de joão-sem-braço.

 

Apesar dos ataques perigosos do adversário, os sinais que o Grêmio nos enviava era que o gol sairia e a vitória seria conquistada. E saiu no fim do primeiro tempo, de fora da área, e momentos antes de ter de desligar o celular.

 

Desliguei com a certeza de que conquistaríamos os três pontos. Verdade que nossas percepções nem sempre estão a altura da realidade. Aliás, era isso que discutíamos no programa que estávamos produzindo em que o tema principal é o poder da comunicação para quem pretende ser líder na sua carreira (líder, Grêmio … tudo a ver!). Às vezes, tentamos dizer algo, mas nosso interlocutor entende outra coisa. Às vezes, recebemos um sinal, mas enxergamos outro

 

Fechado em um estúdio de gravação por mais de 10 horas seguidas, com intervalo apenas para almoçar e algumas paradas técnicas, o que me restava era, em breves ligadas do celular, conferir o placar nas atualizações feitas pelo aplicativo do Grêmio.

 

O trabalho exaustivo me impediu de sofrer tanto quanto o torcedor que assistiu à injustiça do gol de empate e ao desespero de desperdiçarmos mais dois pontos dentro de casa. Ao menos tempo me tirou o prazer da recompensa saborosa de quem sofre mas acredita até o fim, aliás, acredita além do fim.

 

O gol aos 47 do segundo tempo, que não é mais novidade para este time que nunca desiste de lutar, confirmou minha percepção ainda no primeiro tempo. Talvez não tivesse saído e minha expectativa se frustrasse. Nem sempre as coisas acontecem como acreditamos e gostaríamos.

 

Roger, sua precisão e percepção, porém, fizeram sua parte ao colocar em campo dois jogadores que seriam decisivos na vitória desse domingo: Pedro Rocha e Bobô.

 

Com a vitória confirmada e meta alcançada, minha tarefa que se estendeu até próximo da meia-noite ficou menos árdua. Apesar do trabalho exaustivo, não havia do que reclamar: o Grêmio vencia mais uma, a gravação foi excelente e as férias estavam começando.

 

Até logo mais!

Avalanche Tricolor: o sinal da vitória!

 

Inter 0x1 Grêmio
Brasileiro – Beira Rio/POA-RS

 

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Douglas comemora único gol no Gre-nal, em foto de LUCAS UEBEL/GrêmioFBPA

 

O rapaz da manutenção apareceu aqui em casa com a camisa do Grêmio, mas disse que é palmeirense: “uso a camisa porque acho a mais bonita” (eu, também!). Aproveitei para mostrar-lhe a coleção que está em fase de reconstrução desde que tive meu acervo roubado, em São Paulo.

 

O padre gremista que sempre me recebe na porta da igreja aos domingos estava de vermelho e branco. Ao cumprimentá-lo com olhar desconfiado, ele arriscou: “será uma premonição?”. Sem saber o que responder, sorri amarelo para, em seguida, ouvir outra pergunta: “pode dar azar?”.

 

Padre falando em sorte e azar? Fiz o sinal da cruz e entrei.

 

Para um domingo de Gre-nal, palmeirense com a camisa do Grêmio e gremista com as cores do adversário, convenhamos, são sinais conflitantes.

 

Antes de o jogo se iniciar, tentei decifrá-los, na tentativa de antecipar o que aconteceria em campo logo em seguida. Mas não encontrei resposta razoável, a não ser a preocupação.

 

E foi com dose extra de preocupação que me postei diante da TV, neste domingo pela manhã.

 

Assim que a bola rolou, vi nosso time com aquela marcação sob pressão já no campo de defesa do adversário. Era sinal de que jogaríamos com a postura de quem está em casa, mesmo não estando.

 

Havia pouco espaço para jogar de um lado e de outro. O passe precisaria ser muito preciso e o drible faria a diferença. Douglas, Giuliano, Luan e Everton mais à frente, ensaiavam algumas jogadas, mas sem chegar na condição ideal para o gol.

 

O melhor sinal mesmo vinha lá de trás, com a defesa firme na marcação, roubando bolas e jogando para longe quando necessário – às vezes, para escanteio, o que poderia ter sido evitado.

 

Em um jogo congestionado, o contra-ataque era a chance de se tocar a bola com menos sufoco. E foi o que aconteceu aos 19 minutos do primeiro tempo, com a roubada de bola no nosso campo e a disparada para o ataque, com passe de pé em pé, jogadores próximos um dos outros, deslocamento rápido de Everton pela esquerda, o chute que já virou uma de suas marcas e a sobra para quem aparecer dentro da área: Douglas, o camisa 10, apareceu e marcou.

 

O Grêmio saía na frente do placar, mas não seria suficiente para sinalizar o que poderia ocorrer no restante do jogo, mesmo porque esquecemos que estar com a bola no pé é a maneira mais segura de evitar qualquer risco.

 

Riscos não faltaram no segundo tempo, com bola cruzando de uma lado, cruzando de outro, passando rente a trave, sendo despachada pelos zagueiros de cabeça, com o pé ou o do jeito que desse. Tinha também Marcelo Grohe para evitar o pior que se avizinhava.

 

“Estamos dando muita sorte para o azar”, pensei em voz alta e logo lembrei de um dos diálogos com o padre na porta da igreja.

 

Sorte? Azar? Meu Deus do Céu, lá vem a bola de novo!

 

Àquela altura, a nosso favor apenas o relógio que não parava um segundo sequer e a cada segundo que passasse nos deixava mais próximos da vitória. Havia também o desespero adversário que colocou quem pode dentro da nossa área, até o goleiro . Falharam todos.

 

Diante daquela situação, o sinal mais comemorado foi mesmo o apito final do árbitro que nos garantia a vitória no Gre-nal.

 

Com a conquista do clássico, mais três pontos na tabela e as perspectivas mantidas na busca pelo título do Campeonato Brasileiro, tentei entender o que todos aqueles sinais antes da partida tentaram me dizer.

 

Do palmeirense com a camisa gremista, imagino que seja o respeito a quem está chegando para tirá-los da liderança.

 

Já o vermelho e branco que se destacavam na vestimenta do padre e na decoração da igreja eram o convite para mais uma festa. Lá na igreja, pela solenidade dos apóstolos Pedro e Paulo; lá na casa do adversário, pela vitória do técnico que prefere dirigir um time de qualidade a um trator de pneu furado.

Avalanche Tricolor: do jeito que o Diabo gosta

 

Grêmio 3×2 Santos
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Marcelo Hermes comemora o terceiro gol em foto de LUCAS UEBEL/GrêmioFBPA

 

Do jeito que o diabo gosta.

 

A expressão pode não ser a mais apropriada, se levarmos em consideração que muitos de vocês, caros e raros leitores gremistas desta Avalanche, devem ter se agarrado às crenças e santos.

 

Lá pelos lados da casa do pai, na zona sul de Porto Alegre, tenho certeza de que a imagem de Padre Reus foi sofada, apertada e muito solicitada.

 

Se não me engano, ele mesmo já contou, aqui neste blog, sobre a imagem do padre alemão do qual é devoto. O pai costuma mantê-la ao seu lado, enquanto assiste aos jogos do Grêmio. E é nela que se segura para pedir ajuda divina sempre que a situação se complica.

 

Confesso a vocês que eu tendo a não misturar as coisas: religião de um lado, futebol do outro. Imagino que, antes de ficar atendendo as minhas preces por gols, vitórias e títulos, Deus tenha coisas bem mais importantes para resolver na vida.

 

Mesmo assim, não encontrei outra expressão para definir meu sentimento diante do jogo desta noite: foi do jeito que o Diabo gosta.

 

Até parecia que, finalmente, teríamos um resultado tranquilo, daqueles de lavar a alma, principalmente depois de duas derrotas seguidas, coisa rara desde que Roger chegou ao Grêmio.

 

Após dois minutos de marcação intensa, sufocando o adversário dentro da área dele, Everton driblou seus marcadores, chutou forte, o goleiro não conseguiu segurar firme e Giuliano apareceu para completar na rede.

 

Verdade que demoramos para marcar o segundo gol e o adversário teimava em manter a bola em seu domínio. Porém, a forma compacta como nossos jogadores marcavam o time deles, dava a entender que o risco do empate era mínimo.

 

Por isso, não me surpreendi ao ver, aos 44 minutos, o segundo gol que surgiu de lance muito parecido com o primeiro. Everton arrancou, driblou, chutou e o goleiro soltou. Desta vez, era Douglas quem estava bem colocado para explodir a bola na rede.

 

A partir daí, o Diabo entrou em campo. E, com o perdão do trocadilho, foi um Deus nos acuda daqueles.

 

Pelo alto e na cobrança de escanteio levamos o primeiro e em um vacilo na marcação tomamos o segundo. Não bastasse isso, um jogador caía aqui machucado e o outro caía logo ali. Sem contar as trapalhadas do árbitro.

 

A impressão era que a chance de disputar a liderança seria mais uma vez desperdiçada.

 

Foi, então, depois de alguma insistência em errar passes, que o time encaixou um contra-ataque, Giuliano foi esperto ao perceber que Marcelo Hermes entrava com velocidade e passou a bola para o nosso lateral esquerdo desviar do goleiro, aos 44 do segundo tempo.

 

Tivemos ainda mais quatro ou cinco minutos de acréscimo para sofrer diante da TV e manter a promessa de não pedir a Ele nada que se refira ao futebol. Preferi depositar toda minha confiança em Roger e seu time que tinham demonstrado uma garra incrível para chegar aos três pontos.

 

Mas que o Diabo se divertiu às nossas custas esta noite, não tenho dúvida. Pior para o Santos!

Avalanche Tricolor: pra não dizer que não falei de futebol

 

Atlético Paranaense 2×0 Grêmio
Brasileiro – Arena da Baixada/Curitiba-PR

 

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Já falei com vocês de eSports?

 

Isso mesmo, eSports. Ou esporte eletrônico: esse negócio que muita gente confunde com videogame.

 

Certamente já tratei do assunto no meu blog, talvez jamais nesta Avalanche.

 

O esporte eletrônico tem surgido no noticiário com incrível destaque e as equipes que se formam aqui no Brasil se organizam de maneira profissional. Especialmente as que disputam o League of Legends – Lol para os íntimos.

 

Muitas delas mantém suas equipes em casas e apartamentos, e treinam com o suporte de técnico, analista, psicólogo, nutricionista e preparador físico. Sim, a garotada tem de estar em forma, física e mentalmente, para aguentar a tensão das disputas.

 

Neste fim de semana, quatro das melhores equipes do Brasil se enfrentaram para decidir quem teria o direito de estar na final do CBLol – o Brasileirão de Lol – que será disputado no sábado, dia 9 de julho, no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo.

 

Enquanto assistia pela televisão ao futebol, agora há pouco, estava com meu celular em mãos acompanhando a semifinal entre INTZ e Pain Gaming.

 

Pelo celular, você consegue ver os jogos transmitidos diretamente do estúdio onde são disputados, em São Paulo. A cobertura também é profissional: imagem de qualidade, edições bem feitas; narrador, comentarista e repórter detalhando cada lance.

 

Confesso que entendo pouco do jogo e por isso me atentava a animação do narrador de Lol, capaz de me dar noção de que uma equipe estava superando a outra em lances eletrônicos difíceis de serem percebidos por leigos, como eu.

 

A variação do placar, atualizado em tempo real, no alto da tela, me animava sempre que uma equipe era capaz de virar em cima da outra, apesar de minha torcida estar voltada apenas a um dos times.

 

Ao fim e ao cabo, a INTZ, que dizem ser uma das maiores campeãs do Lol brasileiro conquistou vaga para a final e encara a CNB, que garantiu passagem ao vencer a semifinal disputada no sábado.

 

Boa sorte aos finalistas!

 

Ah, perdão, caro e cada vez mais raro leitor, se tomei seu tempo nesta Avalanche falando de um esporte que você não tem o menor interesse.

 

Eu também preferiria dedicar esta Avalanche ao Grêmio, como faço tradicionalmente, mas passei a tarde inteira tentando encontrá-lo em campo e o Grêmio não apareceu. Ao menos não aquele Grêmio que Roger no ensinou a gostar.

 

Fico na expectativa de que ressurja na próxima quarta-feira.

 

E por falar em eSports: meu time venceu e está na final do Lol.

Avalanche Tricolor: só não foi atípica aquela coisa-que-você-sabe-bem

 

Grêmio 1×2 Vitória
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Roger tenta acertar o time, em foto de LUCAS UEBEL/GrêmioFBPA

 

Há 34 anos e 17 jogos nosso adversário não vencia da gente em Porto Alegre, ouvi agora mesmo, ao fim da transmissão da partida pela SporTV, se é que meus ouvidos não me traíram por ainda estarem sob o impacto da derrota de quinta.

 

Um resultado atípico em um jogo atípico.

 

Como foi atípico o lance, aos 34 minutos do primeiro tempo, em que o árbitro – parece-me que é da Fifa, não é? – sinalizou o pênalti que não apenas nos deixou com um jogador a menos em campo como permitiu a ampliação do placar.

 

Um erro definitivo e marcado com convicção pois estava diante do lance e mesmo assim entendeu que houve falta em um momento em que Bressan apenas tirou o corpo para não tocar no atacante, que se jogou no chão e foi beneficiado.

 

Por falar em atípico, como definir o erro de Luan aos 45 minutos do segundo tempo, quando escapou livre em direção ao gol, ficou diante do goleiro, escolheu o canto onde colocaria a bola e chutou para fora?

 

Luan é dos melhores jogadores em atividade no Brasil; é o melhor jogador do Grêmio; decidiu partidas incríveis; dribla como poucos e tem desequilibrado os jogos a nosso favor. Jogar aquela bola para fora é atípico, eu não tenho dúvida.

 

Só uma coisa não foi atípica na partida, e esta aconteceu aos 25 minutos do primeiro tempo, veio pelo alto, saiu da lateral, passou por boa parte da nossa defesa e teve como ato final o cabeceio do atacante adversário. Aquela coisa-que-você-sabe-bem e sobre a qual prefiro nem dizer o nome. A coisa que, torço muito, Roger ainda haverá de acertar.

 

No mais, é lembrar que a vida segue em frente como nós seguimos no terceiro lugar e há apenas alguns passos atrás dos primeiros colocados, ou seja, em condições de alcançá-los em breve, apenas tendo que recuperar os pontos perdidos nesta partida atípica.

 

E lutar pelas nossas conquistas, mesmo em desvantagem, não tem nada de atípico na nossa história.