O dia em que o candidato comprou um livro

 

Crawford Doyle Booksellers [02]

 

A cobertura jornalística da campanha eleitoral, em rádio e TV, tem várias limitações impostas pela legislação e, algumas vezes, se transforma em um “agendão”, como costumamos dizer nas redações. O candidato está aqui, vai até lá e passou acolá. Informações ilustradas por imagens de político sorridente em meio a multidão que se espreme na feira livre e a rua de comércio popular. Gostam também de aparecer no palco de seminários de engravatados, onde recebem propostas de governo que assinam e jamais serão cumpridas. Com o pé no chão ou no palanque, estas agendas costumam render cenas para a campanha, talvez votos e, em alguns casos, infecção estomacal. Um dos lugares preferidos desta semana é a Bienal do Livro, que leva hordas de estudantes e fãs de escritores para os corredores no Parque do Anhembi, em São Paulo.

 

Há uns dois dias, vi um dos candidatos à presidência, ao lado de seu vice, caminhando entre “eleitores” e encenando para selfies que serão distribuídos nas redes sociais. Nos estandes, folhavam livros e posavam para as câmeras como se estivessem interessados na leitura. E nós jornalistas relatando o acontecido. Encenação que me lembrou história contada pelo jornalista Lucas Mendes, na época em que trabalhamos juntos na redação da TV Cultura. Ele já dava expediente em Nova York quando o presidente Fernando Collor acabara de ser eleito no Brasil. Antes da posse, Collor fez viagem para os Estados Unidos, não lembro se para descansar e recuperar o fôlego da intensa campanha eleitoral ou se para mais uma vez viver no mundo do faz de conta, o que lhe era típico. Cada passo que dava era coberto com curiosidade e intensidade pela imprensa brasileira que deslocou suas equipes de jornalistas atrás do primeiro presidente eleito desde o fim da Ditadura Militar.

 

Conta Lucas Mendes que, entre os programas realizados, Collor entrou em uma livraria e começou a olhar as estantes em busca não se sabe de que livro. Dezenas de repórteres cinematográficos e fotógrafos entraram correndo para registrar o momento, assuntando a dona da livraria. Ela se dirigiu a Lucas Mendes, que observava tudo da periferia da confusão, e quis entender “por que toda esta gente?”. Lucas explicou que o novo presidente do Brasil estava comprando um livro. E foi obrigado a ouvir da atônita livreira americana: “ele nunca comprou um antes?”

Um pouco do que penso sobre ser jornalista

 

Recentemente concedi entrevista para o site NUBE que faz seleção e recrutamento de estagiários na qual falei sobre exercer o jornalismo. Reproduzo aqui o resultado da conversa com a repórter Cláudia Giannoni. O texto que segue é da apresentação da entrevista feita pelo próprio site:

 

 

Jornalista há 30 anos e uma das vozes mais conhecidas pelo brasileiro. Logo cedo, acorda os paulistanos com as mais diversas notícias e informações e faz de sua rotina uma pauta diária. No “Especial Carreira” desta semana você conhecerá um pouco mais sobre Milton Jung, âncora da Rádio CBN.

 

Formado em jornalismo pela PUC, ele conta ter pensado durante uma época de sua vida em fazer educação física. “Porém, toda minha família é da imprensa, tio, pai, esposa. Então, não tive como fugir muito do ramo”, comenta.

 

Em sua carreira, já passou pelos mais renomados veículos de comunicação e adquiriu uma experiência imbatível na arte de noticiar. Portanto, se você quer conhecer um pouco mais sobre o mundo onde os acontecimentos mandam e desmandam nos assuntos midiáticos, assista agora mesmo mais uma reportagem da TV Nube!

 

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É preciso humildade no jornalismo (no futebol, também)

 

Coritiba 4 x 0 Grêmio
Brasileiro – Curitiba (PR)

 

 

Foi muito divertido, sem contar que fiquei honrado, a oportunidade de dividir o palco com a turma do Fim de Expediente, no Teatro Eva Herz, no Conjunto Nacional, em São Paulo, na sexta-feira. Como sempre conseguem fazer, Dan Stulbach, Zé Godoy e Teco levaram a conversa entre o bom humor e o papo sério, entretendo o público que não coube nas dependências do teatro. Foram colocadas cadeiras extras e muitos ainda tiveram de assistir ao programa no telão do lado de fora do teatro. Havia uma ocasião especial para o convite: venci a aposta que fiz com Dan nas quartas-de-final da Copa do Brasil. Aproveitaríamos o programa para entregar a camisa do tricolor gaúcho que prometi caso passássemos pelo Corinthians, o que aconteceu na quarta-feira, em Porto Alegre. Para a aposta ficar completa, Dan, corintiano, como deve saber o caro e raro leitor desta coluna, teria de vestir a camisa diante do público, o que foi cumprido, apesar da resistência dele.

 

Nosso ator chegou a preparar uma estratégia para não vesti-la. Levou a conversa por quase uma hora e somente permitiu que a camisa lhe fosse entregue nos minutos finais do programa. A número 10, de Zé Roberto (que saudade dele), estava em uma caixa que imitava a Arena do Grêmio e assim que aberta tocava o hino composto por Lupicínio Rodrigues. Dan abriu e pegou a camisa, mas no momento de vesti-la, encerrou o programa, a luz do teatro apagou e as cortinas fecharam. Só pagou a aposta porque o público bateu pé e não saiu do Eva Herz enquanto ele não voltou ao palco devidamente fardado. Perdeu mas levou no bom humor (e teve humildade).

 

Falamos muito de jornalismo durante todo o programa. Dan pediu minha opinião sobre merchandising, prática comercial usada por empresas que pagam para jornalistas fazerem publicidade de produtos, marcas e serviços. Repeti o que digo há muito tempo: sou contra, não é papel do jornalista fazer propaganda. Zé me deu a chance de falar sobre o rádio dos tempos modernos: lembrei que das cinco características exigidas, atualmente, dos meios de comunicação – mobilidade, velocidade, interação, multiplataforma e personalização – o rádio já tem três delas desde seus primeiros anos de vida. É móvel, ágil e aberto à intervenção do ouvinte desde sempre. Teco quis saber como foi migrar do CBN SP para o Jornal da CBN, há pouco mais de dois anos e meio. Expliquei, entre outras coisas, que uma das intenções foi levar os temas urbanos para o cenário nacional.

 

Já não lembro mais se foi o Dan, o Teco ou o Zé quem levantou a bola sobre a exposição pública que o rádio e o jornalismo de uma maneira geral nos proporcionam. Disse a eles que, sem dúvida, ganhamos destaque. As pessoas se aproximam. Passam a nos conhecer melhor. Dizem que gostam ou odeiam. Não ficam indiferentes. Tudo isso nos envaidece. E diante de tudo isso passa a ser fundamental o exercício da humildade. É grande o risco de nos considerarmos mais importantes do que os fatos e nos imaginarmos donos da verdade. Quando isso acontece o tombo é grande, machuca e faz vítimas.

 

Tivemos um bom exemplo disso no início da noite desse domingo. E você, acostumado a ler essa Avalanche, sabe bem do que estou falando.

Tenho muito orgulho deles

 

 

Permita-me, caro e raro leitor deste blog, abrir espaço entre posts e comentários, para dividir com você as emoções que me aguardam neste fim de semana. Sei que pode parecer corujice, exercício muito praticado pelos pais em razão do sucesso dos filhos. Esta, porém, é na contramão de seu significado pois parte do filho para o pai e do marido para a mulher, também. Sim, em lugar de uma, farei duas corujices. Justificáveis, acredito, dadas as emoções com as quais me confrontarei.

 

A primeira, na noite desta sexta-feira, quando Abigail Costa, que você lê de vez em quando neste blog, minha mulher e mãe dos meninos, subirá ao palco do Esporte Clube Sírio para receber o Troféu Regiani Ritter, da Aceesp – Associação dos Cronistas Esportivos de São Paulo, pelos bons anos que dedicou ao jornalismo esportivo nas TVs Globo e Cultura, onde foi apresentadora e repórter. O prêmio especial é um reconhecimento ao pioneirismo de seu trabalho, iniciado na segunda metade dos anos de 1980, época em que não era comum a presença de mulheres no cotidiano do futebol e demais modalidades esportivas. Foi, também, uma das primeiras apresentadoras do Globo Esporte. A mesma sensibilidade com que cobria a chegada de craques nos clubes, vitórias e derrotas de torcidas e as muitas aventuras que vivenciou, anos depois, levou para a redação do jornalismo. A lembrança do nome dela por colegas chega em um momento importante de revisão, reavaliação do que fez, e de projeção, que poderá levar seu talento para outras áreas profissionais. Enquanto estiver aplaudindo a entrega deste troféu, vou lembrar de alguns domingos em que tive de deixá-la na porta do estádio para trabalhar e noites que fiquei acordado esperando sua chegada – oportunidades em que tentei demonstrar com gestos, e talvez não tenha conseguido transmitir para ela, o que sempre senti no coração: orgulho.

 

As emoções se estenderão ao domingo quando estarei ao lado de parte da família assistindo ao Gre-Nal, último jogo do estádio Olímpico Monumental, em Porto Alegre. Mais do que os acontecimentos no campo, estarei atento ao som do radinho de pilha, sintonizado na Rádio Guaíba de Porto Alegre, para relembrar os bons tempos de narração de Milton Ferretti Jung, este que você lê às quintas-feiras aqui no blog, também. A pedido de torcedores gremistas, a emissora o convidou para transmitir os primeiros 15 minutos do clássico em uma homenagem ao Grêmio, ao Olímpico e a todos nós que somos filhos, parentes, amigos e fãs do Milton Gol-Gol-Gol Jung. Vou retornar aos tempos em que, criança ainda, ficava sentado ao lado dele, na cabine da Guaíba, no Olímpico, assistindo ao jogo e orgulhoso de saber que era meu pai quem, com a voz incrível e precisão invejável, embalava as emoções dos torcedores gremistas, sempre a espera do seu grito original de gol-gol-goooooooooool !

Joelmir Beting, simplesmente genial

 

 

O jornalista Joelmir Beting morreu na madrugada desta quinta-feira, aos 75 anos:

 

A coluna do Joelmir Beting era consulta obrigatória antes de sair da redação para as reportagens de economia, na época em que trabalhei na TV Cultura, ali pelos anos de 1990. Do texto dele tirava o entendimento para a pauta que iria fazer. Mantive a prática mesmo quando o tema já não era recorrente nas minhas reportagens. Joelmir tornava simples a complexa arte de escrever sobre números, índices, bolsa de valores, negócios de outro mundo. Escrevia com agilidade e ritmo. Períodos curtos, bem combinados. Metáforas inteligentes. Doses corretas de humor e ironia. Habilidade que tornou fácil a transição dele do jornal para os meios eletrônicos, rádio e TV. Desculpe-me se digo que esta migração de meios tenha sido fácil para ele. Não é para desmerecê-lo. Ao contrário. É que Joelmir sempre nos deu a impressão de que o mundo era simples de entender e viver. Fazia isso com profundo conhecimento e alegria.

Foto-ouvinte: esforço de reportagem

 

Vestido da repórter

 

A cobertura jornalística exige alguns esforços extras para que a notícia chegue até a casa dos telespectadores. A maioria sequer percebe os desafios enfrentados pelos repórteres no cotidiano da cidade e quanto é exigido de criatividade para superar percalços. Neste caso, a repórter da TV Globo Sabina Simonato teve de encarar um inimigo comum das mulheres de saia: o vento. Diante do prédio da rua Riachuelo, centro de São Paulo, que acabara de ser cenário de uma tentativa de invasão por sem-tetos, ela e sua equipe encontraram uma forma original para impedir qualquer safadeza do vento. A foto é do ouvinte-internauta e colaborador deste blog Devanir Amâncio.

Reviravoltas na cobertura esportiva

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Os Jogos Olímpicos de Londres aproximam-se do seu encerramento. Este, a exemplo do que aconteceu na sua abertura, é de se imaginar, será outro espetáculo inesquecível. Duvido que, mesmo os mais exigentes turistas, jornalistas e telespectadores, ao fim e ao cabo desta Olimpíada, terão algum reparo a fazer sobre o que viram. Os que ficaram em suas casas assistindo ao que as emissoras de televisão mostraram, principalmente os felizes proprietários de tevês Full HD e 3D, com certeza, deliciaram-se com as sensacionais imagens que brotavam de seus aparelhos. Tomara que, daqui a quatro anos, quando chegar a vez de o Rio de Janeiro sediar os próximos Jogos Olímpicos, o Brasil possa também encantar o mundo, em todos os sentidos.

 

Fui um dos que tiveram a chance de acompanhar, em casa, boa parte dos jogos. Ao ver a cobertura realizada pelos meu colegas de profissão, invejando-os com santa invídia, lembrei-me da época em que compartilhei da experiência vivida na Inglaterra pelos jovens e veteranos jornalistas que lá ainda estão. Das Copas do Mundo que fui escalado para cobrir como narrador da Rádio Guaíba, a de 1974, na Alemanha, me dá saudade. Escrevi faz duas semanas, que a nossa chegada – minha e do comentarista Ruy Carlos Ostermann – começou com um susto. Achávamos que a nossa bagagem tivesse se perdido. Seria um mau começo. Para quem não leu o texto em que relatei essa história, esclareço que as encontramos no dia seguinte ao do nosso desembarque em Frankfurt. Estavam na sala de bagagens não reclamadas.

 

Conhecer a Alemanha – ou um pouquinho dela, porque jornalista e radialista não são turistas – foi muito agradável. Afinal, meu bisavô paterno,o primeiro dos Jung do meu ramo que desembarcou no Brasil, era alemão. A primeira etapa da nossa estada no país avoengo foi na industrializada cidade de Frankfurt. A equipe da Guaíba que nos precedeu, alugara um Fusca, depois trocado por um BMW. Ruy e eu viajamos com esse carro por boa parte das “bundesautobahnes”, as maravilhosas rodovias que, em 1974, já era excelentes. A última das nossas viagens foi, para mim, pelo menos, inesquecível. Precisamos sair de Honnover e ir até Essen. A maioria da equipe nos esperava hospedada em um hotel, nessa cidade. Lá pelas tantas, anoiteceu. Foi quando encontramos a primeira placa indicando que estávamos em Essen. Eu dirigia o BMW. O Ruy olhava para as placas. Andamos um pouquinho mais e começaram a surgir outras placas. Era um tal de Essen isso, Essen aquilo que parecia não ter fim. Tínhamos que tomar uma resolução. Então, entramos na próxima saída com esse nome na placa.

 

E agora? Sabíamos somente o nome do hotel em que se hospedavam os nossos companheiros. E mais nada. Não se via viva alma nas ruas. Quem sabe a gente parava numa cabina telefônica e ligava para um dos nossos? Não lembro quem atendeu e informou que tínhamos de entrar numa elevada, perto de onde nos encontrávamos. E veríamos o hotel. Chegamos aonde queríamos ir. Foram necessárias, porém, tantas voltas, subindo e descendo a elevada, que elas já ameaçavam se tornar infinitas, até que, finalmente, atinamos com a saída. Foram dois caras famintos e com sono que, ainda por cima, tiveram de suportar a gozação dos colegas.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

A missão dos jornalistas na Rio+20

 

A pauta está contaminada pela Rio+20 e basta abrir a caixa de correio aqui da rádio para identificar uma quantidade enorme de propostas de temas relacionados a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável que se inicia nesta quarta-feira. Tem todo tipo de sugestões, entidades e personalidades dispostas a aproveitar o momento e ganhar espaço na discussão. Os jornalistas devemos estar atento a estas iniciativas, avaliando o que é de interesse público ou apenas privado – para ser mais claro, o que é de interesse coletivo ou apenas individual. A invenção anunciada por uma empresa interessa somente a ela se não estiver disponível à sociedade. Precisa ser vista como inovação para atender os critérios de publicação.

 

O desafio dos jornalistas vai além, se levarmos em consideração o resultado de pesquisas de opinião divulgadas recentemente. A última foi encomendada pelo Ministério do Meio Ambiente e constatou que 78% ignoram a Rio+20 ou menos de um quarto da população brasileira sabe o que acontecerá no Rio de Janeiro. Dada a importância dos temas em discussão, nosso esforço nas redações será fazer com que este debate chegue ao cidadão e desperte o interesse dele no tema. Para tanto é preciso deixar claro às pessoas e às empresas que os impactos do acordo que for fechado podem ser intensos na nossa qualidade de vida e na maneira de gerir os negócios.

 

Um exemplo que nos oferece o Instituto Ethos, também preocupado com o distanciamento de parte da população com a Rio+20: se for aprovada orientação para que os governos deixem de dar incentivos a produtos que causem impacto negativo ao meio ambiente, o governo brasileiro, para oferecer redução de IPI às montadoras de carro, teria de exigir, por exemplo, uma fabricação mais verde, carros menos poluentes, e nossas cidades teriam um ar mais limpo, o que beneficiaria a sua saúde.

 

Precisamos, em reportagens e entrevistas, mostrar que o que estaremos tratando nos próximos dias no Rio de Janeiro tem a ver com o nosso cotiano, nossos hábitos e nossa forma de vida. E não apenas com o nosso futuro, mas com o nosso presente. É a nossa missão.

“E o vento levou … a nossa Imprensa ?”

 

Por Julio Tannus

 

 

A notícia de primeira página da Folha de S. Paulo de 29/03/12 “Morumbi é o bairro com mais roubo a casas em SP” carece de explicação. Isto nos lembra do verso de Dominguinhos:

 

Na pressa que tava

Não pude esperar

Eu vivo fugindo pra outro lugar

Aonde a tristeza não saiba que fui

E a felicidade vá lá

 

Me pegue de novo no colo

Me faça de novo menino

Não deixe que eu morra de medo

Não deixe que eu durma sozinho

 

Chega um tempo na vida

Em que a gente presta atenção

Vê que nem tudo no mundo

Carece de explicação

 

Ou seja, tal afirmativa contempla apenas o número de casas roubadas, mas não considera o total de casas existentes no bairro na comparação feita com as demais regiões consideradas na matéria.

 

Como pesquisador, indagamos: É censo ou pesquisa por amostragem? Se por amostragem, qual o tipo de amostra? Qual o tamanho do universo de cada região, ou seja, quantas casas existem em cada região? E o tamanho de cada amostra pesquisada? Qual o coeficiente de confiança? E o erro amostral? E assim por diante…

 

A nosso ver uma notícia correta, precisa e isenta seria algo como: na comparação com o mesmo período do ano passado; ou, proporcionalmente ao total de casas existentes no bairro o índice de casas roubadas é de x% com um erro amostral de y% para mais ou para menos, etc.

 

E aí nos perguntamos, seguindo o arrazoado do Sr. Alberto Dines no programa Roda Viva da TV Cultura de 19/3/12: “não há liberdade de imprensa?” ou “a iniciativa privada no Brasil não dá liberdade?” e também “ela se deixa infiltrar por setores religiosos, políticos, comerciais?”

 

Para então concluirmos: É, padece de explicação!

 

Julio Tannus é consultor em estudos e pesquisa aplicada,
co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier)

Lentes e vozes da mídia

 

Por Carlos Magno Gibrail

Na segunda feira, o ministro da saúde Alexandre Padilha respondeu ao Mílton Jung, que na reunião preparatória ao encontro com a presidenta Dilma sobre as últimas enchentes, realizada domingo das 18hs às 21hs, em nenhum momento se falou de Bezerra.

Ora, mais fácil e mais inteligente era ter respondido que não poderia entrar no assunto. Mas a sinceridade não tem sido muito usada. Por ausência de inteligência ou por desconsideração com ouvintes e eleitores.

A verdade é que a escola de Maluf está ultrapassada. Aquela velha técnica de ignorar as perguntas que não interessam. Grosseria e tanta. Todavia, menos maniqueísta e simulada do que o modelo de Kassab. O alcaide responde com avaliação que pode levar incautos à loucura, dando nota máxima para erros que considera acertos.

Tudo indica que será uma tendência. O ministro do interior, o pernambucano Fernando Bezerra, já a adotou. Acusado pelo Ministério Público de proteger seu nicho eleitoral levando 80% das verbas nacionais e também praticado fisiologismo, está negando tudo. Ao mesmo tempo em que avalia sua administração como de alta performance.

É uma nova escola política cujo antídoto não será a melhora da economia e nem da educação nacional, mas da ética e do controle pela mídia, com lentes e microfones. É o que nos diz o premiado jornalista Nicholas Kristof do New York Times, sobre os fatos políticos da maior economia do mundo e uma das nações mais bem formadas.

E Kristof desabafa: “Nós jornalistas, às vezes saímos de uma entrevista coletiva de um político sentindo a necessidade urgente de um banho”.

Enquanto Congressistas e demais figuras políticas não fazem nada produtivo, estudantes e astros de Hollywood têm dado exemplos de maturidade e conexão com problemas sociais globais da mais alta significância.

Angelina Jolie dirigiu e está apresentando um filme sobre as atrocidades na Bósnia. Bem Afleck é hoje um especialista sobre o Congo. George Clooney tem seguido o caminho de Darfur no Sudão assim como Mia Farrow tem feito viagens no deserto para atender e entender os aflitos da região.

Entretanto, as lentes e as vozes da mídia norte americana, segundo Kristof, tem preferido dar espaço a republicanos e democratas se acusarem diante de espectadores e ouvintes. Afinal sai mais barato e talvez dê mais audiência, do que cobrir as exemplares atividades dos astros. Quando não fazem pior, ao darem mais destaque a separação de George Clooney do que às suas proezas assistenciais.

Como vemos, lá como cá, a solução está nos leitores e eleitores, que através da mídia poderão pressionar a ética necessária.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.