Controle do cidadão pode fazer das parcerias público-privadas solução para mobilidade

 

 

Mediar o debate no Connected Smart Cities – Cidades do Futuro no Brasil foi um enorme desafio pois a parte que me coube foi tornar claro ao público de que maneira poderíamos encontrar investimentos para as obras de mobilidade necessárias nas cidades brasileiras. Menos mal que na mesa de discussão havia gente gabaritada, daqui e do exterior. No foco da nossa conversa, estavam as parcerias públicos-privadas, sistema que tem permitido a ampliação e modernização dos sistemas de transportes, mas que, para alcançar o resultado pretendido, depende de regras muito bem definidas e controle da sociedade. No vídeo, gravado logo após o debate, ocorrido no último dia do seminário, em São Paulo, apresento de forma resumida o que penso sobre o tema.

#MundoCorpCBN: Carlos Miranda da Flores Online e as estratégias para o comércio eletrônico

 

 

A mobilidade e a velocidade estão transformando a experiência do consumidor no ato da compra, portanto o comércio eletrônico tem de levar em consideração estas duas coisas e se adaptar a este novo cenário. A recomendação é de Carlos Miranda, CEO da Flores Online e da BR Opportunities, em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo da rádio CBN. Ele calcula que de 32 a 35% das pesquisas de compras atualmente são feitas através dos celulares e sugere que se construa estratégias para atuar neste ambiente. No programa, você vai conhecer a trajetória da Flores Online, empresa pioneira na venda de flores e presentes pela internet, e saber como tornar seu negócio atrativo para fundos de investimentos como a BR Opportunities.

 

Você pode assistir, ao vivo, ao Mundo Corporativo, quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site http://www.cbn.com.br, e enviar perguntas para mundocorporativo@cbn.com.br e para os Twitters @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). Participam do programa Paulo Rodolfo, Douglas Mattos e Ernesto Foschi.

Ciclistas usam petição para pressionar promotora que pediu interrupção das obras da ciclovia

 

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O grupo Vá de Bike, dos muitos que incentivam e inspiram o uso de bicicletas na cidade, publicou, no fim de semana, texto no qual lembra das duas petições escritas e apoiadas por 6 mil pessoas, 17 entidades e três empresas que foram entregues ao prefeito Fernando Haddad, em setembro do ano passado, com o objetivo de pressioná-lo a cumprir promessa de implantação de 400km de ciclovias, em São Paulo. Com os documentos, havia ainda lista de 18 razões para se apoiar as vias exclusivas de bicicleta na capital. Encontra-se nessa relação, a melhora da qualidade de vida, benefícios à saúde, economia de tempo e redução de poluição. Uma das razões, se opõe inclusive a tradicional reclamação de que ciclovias prejudicam o comércio: “ciclistas são clientes potenciais que passam em baixa velocidade e não exigem grandes áreas de estacionamento, podendo facilmente parar em frente a uma vitrine … Comerciantes da região do Largo 13 de Maio, em Santo Amaro – que têm suas lojas dentro da área onde houve restrição da circulação de automóveis desde 2013 – tiveram aumento nas vendas com as pessoas circulando a pé, em velocidade similar à de uma bicicleta”.

 

Seis meses depois e com metade da promessa cumprida, instituições que defendem o uso das bicicletas na cidade pretendem usar o mesmo artifício para que o Ministério Público de São Paulo recue da ideia de interromper a construção das ciclovias. Para lembrar, a Justiça de São Paulo acolheu parcialmente o pedido da promotora Camila Mansour Magalhães da Silveira, que entrou com ação civil pública questionando não apenas o método da implantação, pela inexistência de estudos técnicos, mas a própria importância desta política pública no plano de mobilidade do paulistano. O documento que já reuniu mais de 15 mil assinaturas, entre outros trechos, diz :

 

“Sabemos que há, em algumas regiões da cidade, localizados movimentos contrários à implantação de ciclovias. São em geral preocupações locais, que fazem sentido somente se enxergarmos nossos bairros como partes isoladas da cidade – um individualismo sem nenhuma lógica. Enquanto negam o direito coletivo de utilização segura das ruas em bicicletas, essas vozes defendem ainda que o espaço público (de todos) siga sendo utilizado para fins particulares: vagas de estacionamento exclusivo de automóveis, em detrimento de vias de circulação de pessoas utilizando o veículo bicicleta”

 

Para conhecer a petição completa, discuti-la e apoiá-la, se você entender que esta é uma alternativa a ser pensada pela cidade, clique aqui.

Passe livre: a evolução

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Impulsionado pelo reajuste da tarifa em janeiro, voltaram as manifestações do Movimento Passe Livre SP. A verdade é que a implantação da tarifa zero enfrenta grandes desafios. Financeiros, Sociais e Comportamentais.

 

Sob o aspecto financeiro a adoção do passe livre na cidade de São Paulo precisaria aproximadamente de R$7,2 bilhões de um orçamento de R$51,3 bilhões/ano. O que não é pouco, pois a educação fica com 9,8, a saúde com 7,6 e o subsidio da prefeitura atualmente é de 1,4.

 

Para liberar o consumidor de uma parcela ou do total do bilhete foram apresentadas várias hipóteses não excludentes. Por exemplo: IPVA, IPTU e o CIDE sobre combustíveis. Alternativas que demonstram a possiblidade de transferir arrecadações ou aumentá-las.

 

Entretanto, é preciso analisar os efeitos destas medidas dentro do contexto social. Para alguns, a tarifa zero seria como a Saúde e Educação, serviços públicos gratuitos. Quem não pode, usa e quem pode, viaja de carro ou de ônibus com ar, sentado e ouvindo música. Aliás, foi o que Erundina implantou e Maluf acabou com os ônibus de luxo, para atender os taxistas que perdiam clientes.

 

Dentro do aspecto social, a mobilidade é a capacidade das pessoas de se movimentar livremente. Atenderíamos os carentes e liberaríamos a demanda reprimida, ocasionando congestionamentos. Um risco que talvez valha a pena. Ronaldo o Fenômeno quase não segue carreira ao ser aprovado pelo Flamengo e não ter dinheiro para a passagem.

 

O economista Paulo Sandroni em artigo no Estado relata a experiência comportamental do grupo mais emblemático da cidade. As torcidas organizadas. No tempo da CMTC a depredação de ônibus por parte da torcida que perdia no jogo do Morumbi era total. Foram suspensas a linhas. A arrecadação caiu drasticamente. Os clubes procuraram a CMTC e ficou acertado, apenas com o protesto do corintiano Vicente Mateus, que os ônibus voltariam e, de graça, para os torcedores, mas, com a ameaça de parar tudo se houvesse depredação. Quem pagaria a conta seriam os clubes, com 1% a 2% da arrecadação. Sucesso total. Todos lucraram, e a CMTC descobriu que o custo operacional baixou 22%, que era o custo da cobrança.

 

Bem, dentre os desafios, resta a coragem política. E haverá?

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Não tenho nada contra os ciclistas, mas …

 

Por Julio Tannus

 

Eu questiono radicalmente a forma como foram implantadas as ciclovias, por várias razões. Entre outras, adianto aqui algumas delas:

 

1) Qual o público efetivamente apto e disposto a utilizá-las? Foi realizada uma sondagem de opinião? E uma pesquisa de origem-destino?
Não se tem a mínima informação!

 

2) Quais as prioridades de investimento concernentes à cidade de São Paulo?
Todos nós conhecemos as péssimas condições das vias públicas, da iluminação de nossas ruas e avenidas, da falta de tratamento da vegetação. Os motociclistas nos xingam, nos agridem, quebram nossos espelhos retrovisores, e o poder municipal fecha os olhos a essa catastrófica situação.

 

3) Qual o estudo/ planejamento que definiu as ciclovias como viável?
Foi puro exercício do poder municipal sobre nós. Maquiavel que o diga!

 

4) Quais estudos a Prefeitura já elaborou para melhorar nossa locomoção pela cidade?
Ampliação extensiva da rede metroviária? Desenvolvimento de micro pólos urbanos para diminuir os deslocamentos diários e rotineiros? Implantação de um novo sistema de trólebus com tecnologia atual? Implantação de um serviço de locação de veículos movidos a energia elétrica, nos moldes que está sendo concretizado na cidade de Paris!

 

Não tenho nada contra os ciclistas mas a forma de administrar é totalmente incompatível com um sistema que se diz democrático.

 

Se essa situação continuar assim “vou-me embora pro passado”!!!

 

Leia sobre este mesmo tema:

E as ciclovias!?

 


E as ciclovias!? Vão bem obrigado (por enquanto)

 


Julio Tannus é consultor em estudos e pesquisa aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier)

E as ciclovias!? Vão bem, obrigado (por enquanto)!

 

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Esses dias, publiquei aqui no Blog texto no qual me referia ao esforço que devemos fazer para mudar nossos hábitos. Falava da atividade física e do mau costume que temos de voltarmos ao sedentarismo duas semanas depois de feita a inscrição na academia mais próxima de casa. Pesquisas provam que precisamos de 66 dias para transformar uma ação em rotina. Lembrei-me disso ao ler e publicar o texto do colega de blog Julio Tannus no qual critica as ciclovias implantadas em São Paulo e a falta de planejamento na cidade.

 

Por anos nos acostumamos a usar o automóvel, meio de transporte privilegiado tanto pela forma como a cidade se espraiou sem que o sistema público conseguisse alcançar as franjas da capital quanto pelo incentivo à indústria automobilística. De maneira geral, nossas cidades transformaram-se em grandes aglomerados urbanos sem que suas administrações encontrassem formas de financiar a expansão necessária do transporte coletivo – e São Paulo é o exemplo mais bem acabado deste modelo (ou seria, mal acabado?). O resultado é o drama diário de paulistanos que passam parte do dia emperrados no trânsito enquanto tentam se deslocar de casa para o trabalho, do trabalho para a escola, e vice-versa.

 

Desconstruir essa lógica da cidade, convidando as pessoas a deixarem o carro em casa e em troca oferecendo sistema de ônibus e metrô mais eficiente e espaço para bicicleta, é tarefa para muito mais do que uma gestão. Um costume que exigirá investimento e envolvimento em ações conjuntas do poder público e privado. Imagino que ninguém têm a ilusão de que as faixas pintadas nas ruas e avenidas, seja para ônibus seja para bicicletas, resolverão esse problema. Porém, e aí começo a me distanciar do que pensa meu colega de blog, havia a necessidade de alguém disposto a dar a “pincelada” inicial.

 

A atual administração decidiu tomar para si a responsabilidade de implantar ciclovias como já havia feito com as faixas nem tão exclusivas de ônibus. Aposta que o número de ciclistas aumentará – como já se percebe em algumas vias – tanto quanto cresceu a velocidade dos coletivos. É verdade que se esqueceu de conversar com os cidadãos, o que poderia ter amenizado a reclamação inicial e evitado alguns atropelos e rotas impróprias. As faixas vermelhas, porém, servem de alerta aos motoristas de carro para algo que o próprio Código Nacional de Trânsito já prevê, mas nunca foi respeitado: o compartilhamento da via pública entre carros, caminhões, ônibus, motos e bicicletas. Em nenhum momento é exigida identificação dos ciclistas e da bicicleta, mas lhe é cobrado o respeito às leis de trânsito – mesmo porque a condução imprópria deste veículo tende a ser muito mais arriscada ao seu condutor do que a terceiros.

 

As dimensões e geografia de São Paulo devem servir muito mais de incentivo do que restrição para o uso da bicicleta. Com uma cidade deste tamanho (e altura) pode-se, por exemplo, pedalar em trechos menores e medianos, reduzindo a frequência com que usamos o carro, ou integrá-la ao transporte coletivo, como ocorre em algumas estações.

 

O que mais prejudica a implantação das faixas de ônibus e de bicicleta é a falta de confiança do cidadão no poder público. Poucos creem que as medidas persistirão e apostam que assim que a tinta começar a desbotar as boas intenções permanecerão apenas na propaganda de governo. Prevêem que as faixas de ônibus nunca se transformarão em corredores exclusivos, e as de bicicleta logo estarão tomadas por todo tipo de obstrução. E têm motivos para isso: nossa história, como o próprio Tannus, descrente, descreve em seu texto, está cheia de bons planos nunca executados e execuções mal planejadas.

 


Não deixe de ler o texto do nosso colunista Julio Tannus que gosta muito de bicicleta, mas não de como estão nossas ciclovias

E as ciclovias!?

 

Por Julio Tannus

 

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Trabalhei desde 1975 com o sistema de transportes na cidade de São Paulo: SISTRAN – Sistema de Transportes para a cidade de SP, no governo Olavo Setúbal na Prefeitura e Paulo Egídio Martins no Estado. Participei de projetos no Metrô e coordenei projeto para um novo sistema de trólebus. No governo Franco Montoro (governador) e Mário Covas (prefeito) atuei no projeto Participação e Descentralização.

 

Tudo engavetado!

 

Mudam-se os personagens e a peça é outra! O que é preciso mudar é essa estrutura política infame!

 

Lutei ferozmente, enquanto presidente e fundador da Sociedade Amigos da Região da Praça-do-Pôr-do-Sol para um novo Plano Diretor para a cidade de São Paulo, no governo Marta Suplicy: só faltou sair tiros, não fosse a intervenção da polícia, pois em uma das reuniões descobriu-se que o lobby imobiliário havia “comprado” alguns participantes para que votassem a favor de seus interesses.

 

Falando das ciclovias: essa medida é totalmente irresponsável, pois não há nenhum controle sobre as bicicletas, não se tem qualquer registro de quem é o proprietário, de quem está dirigindo, e assim por diante. Afora a questão da (in)segurança: se somos assaltados dentro de nossos carros, o que dirá em cima de uma bicicleta!

 

E há quem a defenda, citando como referêcia algumas cidades europeias. Amsterdã, por exemplo, é uma cidade totalmente plana, com uma população incomparavelmente menor e socialmente diferente da nossa.

 

E as ciclovias foram construídas nesse período totalmente atípico de falta de chuva.

 

Como diz o sociólogo Zygmunt Bauman sobre os dias atuais, quando, na visão dele, a experiência e a maturidade não têm mais vez: “aprender com a experiência a fim de se basear em estratégias e movimentos táticos empregados com sucesso no passado não funciona mais”.

 


Julio Tannus é Consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier)

Porto Alegre, 22 gols depois da Copa do Mundo

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Na semana passada fiz algumas projeções ao tratar da Copa do Mundo e os seus reflexos em Porto Alegre,porque é daqui que escrevo no blog ancorado pelo Mílton. Algumas se confirmaram,outras não. Redigi as projeções,como sempre,dois dias antes da postagem. Foi um risco,mas bem menor do que andaram correndo as oito seleções classificadas para disputar as Quartas de Final. Não foi fácil para nenhuma delas alcançar a segunda meta da mais importante competição de futebol do planeta. Como o recomeço está marcado para sexta-feira,desta vez,não será necessário me meter de pato a ganso com prognósticos acerca de quem está mais perto das Semifinais.Vou escrever sobre o que já ocorreu nesta Copa do Mundo.

 

O Internacional encerrou gloriosamente as suas atividades copeiras. Foram cinco jogos muito interessantes realizados na Arena Beira-Rio,começando por Austrália x Holanda e se encerrando com a disputa entre uma das seleções favoritas e outra que nunca havia ido além da fase de grupos do Mundial,a Argélia. Não vou esquecer tão cedo dessa partida. Para homenagear postumamente a memória dos meus avoengos – foi da Alemanha que veio o meu bisavô Jung – torci pelos germânicos. E não me arrependi. Diga-se a bem da verdade que os eliminados argelinos lutaram bravamente durante 120 minutos,mas tiveram de se render aos alemães. Esses,no entanto,tiveram em Neuer,um misto de goleiro e volante,eis que saiu cinco vezes da goleira para desarmar perigosos contra-ataques. A Alemanha,com seis titulares do Bayer, me fez lembrar do Grêmio,que conquistou o seu primeiro Campeonato Brasileiros em 1981 enfrentando,no Morumbi,sob o comando de Ênio Vargas de Andrade,um São Paulo com sete jogadores da Seleção Brasileira. Choramos todos com a comoção provocada pela vitória:Jacque,Mílton,Christian,a mãe deles,Ruth e eu.

 

A conclusão dos jogos na Arena Beira-Rio,durante os quais foram marcados 22 gols,demonstrou que a Copa,por aqui,deixou felizes os torcedores das nações que jogaram no estádio colorado e os que assistiram a bem disputadas partidas de futebol. Os moradores da Zona Sul de Porto Alegre vão,por sua vez, contar com obras que prometem facilitar acesso ao Centro Histórico e demais regiões da Capital gaúcha. A rigor,a prefeitura ficou devendo a conclusão da Avenida Tronco. Essa não progrediu porque vai ser necessário remover para outro locais moradores de casas situadas ao longo da via. Outro projeto que gorou foi o do metrô. A mobilidade urbana melhoraria muito se essa obra fosse realizada,mas não houve tempo hábil para que pudesse ter sido,pelo menos,iniciada. Vamos,a partir de sexta-feira,assistir aos jogos das Quartas de Final,torcendo,é claro,para que a Seleção Brasileira faça o que dela se espera. Ser campeã!

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, publica seu texto no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Fora da Área: a perda de tempo para quem chega ao Brasil

 

 

A moça de ar desolado, pendurada na barra do ônibus e esmagada entre passageiros é a imagem escolhida pela The Economist para ilustrar o Brasil que recebe turistas estrangeiros na semana da Copa do Mundo. A reportagem que está na capa do site da revista inglesa tem o título “Traffic and tempers” (Tráfego e temperamentos) e se inicia com o lamento de um restaurateur americano, Blake Watkins: “no momento em que você aterrissa no Brasil começa a desperdiçar tempo” constatou ao chegar no país pelo aeroporto internacional de Guarulhos, na manhã de 9 de junho, quando São Paulo enfrentava mais um dia de greve no metrô. O primeiro desperdício, conta a reportagem, foram os 15 minutos para conseguir uma vaga para o desembarque dos passageiros, o que, convenhamos, está dentro dos padrões brasileiros. Para tirar a paciência, mesmo dos mais mal-acostumados entre os nossos, foram as duas horas e meia esperando os táxis para a capital, que não chegavam por estarem bloqueados nos congestionamentos. O repórter estranhou que táxis que traziam passageiros retornavam vazios e descobriu que mais importante do que atender as pessoas era respeitar o monopólio que impede que motoristas sem licença da empresa que explora o serviço no aeroporto trabalhem. Não seria tão estranho se houvesse sistema de transporte público à disposição, mas a reportagem lembra que foram concluídos apenas cinco dos 35 projetos de mobilidade previstos para a Copa do Mundo. Se não me falha a memória, mesmo que fossem entregues, o inglês permaneceria na fila pois Guarulhos não seria contemplado. Após receber essas boas-vindas no Brasil, a reportagem do The Economist entendeu melhor a pesquisa do Pew Research Center que identificou haver 72% dos brasileiros insatisfeitos com a forma como as coisas estão indo no Brasil e, também, a ausência do “ouro, verde e azul” nas ruas. Ao mesmo tempo, tem consciência que o mau humor aparente possa sumir assim que o torneio se iniciar, e se a seleção de Luis Felipe Scolari tiver bons resultados em campo a alegria, considerada uma marca do povo brasileiro, será retomada, mesmo diante do grande afluxo de turistas, greves e ocasionais protestos.

 


A reportagem completa da The Economist você lê aqui

Resultado com faixas exclusivas de ônibus causa desânimo

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

A CBN, há uma semana, dentro do programa de análise do primeiro ano da gestão Haddad, entrevistou o engenheiro e mestre em Engenharia de Tráfego Prof. Sergio Ejzenberg da USP, que trouxe significativos subsídios ao tema da mobilidade urbana na cidade de São Paulo. Com o objetivo de ampliar o uso do transporte coletivo, Haddad aumentou a área destinada aos ônibus através de faixas e corredores exclusivos, chegando a 290 km. Ao mérito de atacar um dos principais entraves da cidade, o desânimo do resultado, pois não houve progresso, talvez retrocesso.

 

À complexidade do problema, o Eng. Ejzenberg simplificou a solução. Segundo ele, o aumento da área de circulação dos ônibus apenas trouxe mais rapidez aos atuais passageiros, o que não resolveu a questão da mobilidade, pois não houve acréscimo na frota. A meta não é a velocidade, é a capacidade. Para aumentar a capacidade é preciso aproveitar melhor o espaço colocando de 500 a 600 veículos por hora em cada uma destas áreas reservadas, enquanto estão sendo usados apenas os mesmos 30 ônibus por hora. O ônibus chega ao destino em menos tempo, mas não sai outro a seguir. Ao ocupar mais espaço com o transporte coletivo, Haddad reduziu o espaço para os automóveis. Além de não conseguir a transferência de passageiros dos automóveis para os ônibus, piorou as condições de tráfego para os usuários do transporte privado. Fato grave, não tanto quanto ao discutível aspecto econômico, pois são as pessoas que movem valores maiores no trabalho, mas pela quantidade. Metade da população usa transporte coletivo e metade usa transporte privado.

 

E como desgraça pouca é bobagem, ainda poderemos ter a proibição dos táxis circularem pelos corredores. Já são subutilizados e poderão ficar ainda mais, enquanto os automóveis disputarão espaços cada vez mais reduzidos.

 

Esse farto e valioso material deixado pelo Eng. Ejzenberg nesta entrevista à Fabíola Cidral ainda provou que ninguém é perfeito, porque o Professor depois de apontar tantas falhas deu nota 8 ao primeiro ano da gestão Haddad.

 

Ouça aqui a entrevista que foi ao ar no CBN São Paulo:

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.