Senhoras da Penha falam do bairro

 

“A história oral é o testemunho vivo da memória de um povo”, diz Douglas Nascimento do blog São Paulo Restaurada para justificar trabalho realizado no bairro da Penha de França, zona leste, com um grupo de senhoras que se reúnem na paróquia da região. Elas participam do grupo Raio de Sol e as histórias contadas para o blog servirão para projeto a ser desenvolvido em universidades com o objetivo de mostrar aos jovens o que pode ser apreendido com o pessoal da terceira idade. Para ouvir parte dessas histórias acesse o post Unidas pela memória de um bairro

Buracos na Cidade: Curta-metragem

 

Não contente em fotografar, o ouvinte-internauta Allan dos Reis decidiu filmar a avenida Diogo Gomes Carneiro, que liga São Paulo ao Taboão da Serra, na zona sul da capital paulista. Mesmo porque a condição da via é vergonhosa e o problema ali não se resume a um ou dois buracos. Veja as imagens clicando neste link

Foto-ouvinte: Crepúsculo paulistano

 

Crepusculo de São Paulo

“Uma lua no imenso céu tendo somente uma estrela ao seu lado, durante o nascer do sol” – cena que ela própria descreve – inspirou a ouvinte-internauta Sílvia Maria Vasconcelos a encarar os quilômetros de congestionamento e o tempo seco que marcaram o início da semana na capital paulista. Ao fotografar o horizonte ela se questionou se “o paulistanos param por alguns minutos para observar as coisas que a natureza oferece em meio a tantos prédios”.

Conte Sua História: Lembrança de Santo Amaro

 

Por José Roberto Leone
Ouvinte-internauta

Ouça o texto de José Roberto Leone com sonorização do Cláudio Antônio

Nascido em São Paulo. Sou de 1946. Muitos dessa época devem se lembrar do respeito aos mais velhos, às instituição. Lembram das boas escolas públicas e dos professores dedicados e competentes.

Estudei no Grupo Escolar Paulo Eiró e no Instituto de Educação Professor Alberto Conte, na época considerado o melhor colégio estadual do Brasil. Os dois ficam bem no centro de Santo Amaro.

O Paulo Eiró teve seu prédio, uma verdadeira relíquia dos santamerenses, derrubado na gestão Paulo Maluf, e seu espaço ocupado por um camelódromo. Em lugar do murmurio dos alunos na hora do recreio, na entrada e saída das aulas, ganhou-se o mau cheiro, a imundície e um barulho de poucas referências.

Do Alberto Conte restou pouco daquele que conheci. Parece um galinheiro, frequentado por alunos da região.

Sinto saudade do bondinho que nos transportava para bairros próximos, como Brooklin, Piraquara, e Campo Belo. As pessoas tinham aspecto diferente, eram habitantes de um país civilizado, com todos seus problemas, é lógico. Mas naquela época eram felizes, sim.

A gente podia andar sem medo pelas ruas, frequentar festinhas e ao chegar à noite em casa, encontrar a porta da sala “encostada com uma cadeira”. As crianças podiam ir à padaria, no empório, brincar no parque infantil sem qualquer risco. Uma das diversões mais esperadas era a aguardar a boiada que chegava de trem, acompanhadas pelos boiadeiros através do bairro até o matadouro local. Era uma festa quando um animal se desgarrava do grupo e promovia um verdadeiro show.

Com o passar do tempo, já quase adolescente, trabalhando e indo a todos os lugares da cidade como office boy, me encantava todos os dias com as coisas mais simples, como cartazes de filmes dos cinemas do centro, as belas vendedoras do Mappin , da Mesbla, aquela das Lojas Americanas (aquelas sim, exemplo de beleza natural e educação). Não essas que nos atendem mal, que usam tatuagem, piercings e todo tipo de maquiagem de péssimo gosto, além da natural deselegância.

Lembranças, apenas lembranças, de uma época que, tenho certeza, vai ficar na saudade.



Participe do Conte Sua História de São Paulo. Envie um texto ou arquivo de áudio para contesuahistoria@cbn.com.br. O programa vai ao ar, sábado, às 10h30, no CBN SP

Conte sua história de São Paulo

 

Um programa, um livro e uma série de post neste blog foram os resultados do Conte Sua História de São Paulo que surgiu no CBN SP, em 2004. Ouvintes-internautas enviaram centenas de relatos por e-mail descrevendo coisas do passado e fatos recentes que marcaram suas vidas. No início, ao vivo e diário, hoje o programa Conte Sua História de São Paulo vai ao ar às 10 e meia da manhã, todo sábado, dentro do CBN São Paulo.

Os textos que continuam a chegar no contesuahistoria@cbn.com.br ganham alma na sonorização do radialista Cláudio Antônio, técnico de primeira que está por trás da Charge do Jornal, que vai ao ar às 8h43, e da Rádio Sucupira, que encerra a edição de sexta, no Jornal da CBN.

Após ouvir reclamações de ouvintes-internautas que participaram do quadro e de outros que gostam de ouvi-lo, me comprometi a publicar todos os textos e gravações aqui no Blog. Desde 2007, quando o blog se iniciou, tenho postado alguns destes trabalhos, mas não com a frequência desejada. Alguns, infelizmente, se perderam com a extinção da Globolog e migração para o WordPress. Espero ter fôlego para cumprir com esta promessa pública. Para mostrar minha disposição, pretendo publicar um texto por dia, durante esta semana. E o farei até ter todos as gravações à disposição publicadas.

Conto também com a sua participação, enviando novos textos ou arquivos de áudio descrevendo uma momento vivido na capital paulista. A ideia de ter as história gravadas pelo próprio autor surgiu há dois anos, quando abrimos um estúdio de gravação no Pátio do Colégio, no dia do aniversário da cidade. Em 2008 e 2009, os ouvintes-internautas puderam gravar, em viva voz, sua própria história. Algumas foram realmente incríveis.

Apesar da possibilidade de publicar esta gravação no CBN São Paulo, poucas pessoas aproveitaram a oportunidade. Não desperdice a chance de ser o narrador de mais um capítulo da nossa cidade. Grave no seu computador ou qualquer outro arquivo de áudio e mande para contesuahistoria@cbn.com.br. Se for mais fácil, mande seu texto que eu terei o maior prazer em interpretá-lo.

Conte Sua História: Nariz de palhaço

 

Por Tony Marlon
Ouvinte-internauta

Ouça o texto de Tony Marlon sonorizado por Cláudio Antonio para o CBN SP

Quinta-feira. Ônibus Paraíso – Parque do Engenho. Caminho Avenida Paulista. Meu amor.

Depois de noite mal dormida, o primeiro banco vazio era um, antes da catraca. Ali mesmo me sentei. Próximo ao Shopping Eldorado entra uma menina. Eu tenho quase certeza que ela era uma princesa daquelas bem lindas que gostam de se disfarçar pra ver o que anda acontecendo no seu reino.

Entrou, e com o ônibus cheio, ofereci meu lugar. Sua mãe a pegou, e a colocou no trono. No banco. Encostei na porta do outro lado do ônibus, bem longe dela, séria. Muito séria. De repente, um restinho de olhar passou rápido por mim. Pensei: opa. Eu vi direito?

Ela olhou de novo. Tentou disfarçar, mas não deu tempo. No canto da boca um sorriso bem do arteiro. E eu entre jogadas de corpo e desvios de puro reflexo da porta que não parava de abrir, pensei: é agora. Os olhares se intensificaram. Os sorrisos também, praticamente num filme de Chaplin: tudo em silêncio em nossa relação.

De repente, a mãozinha acena para que eu atrevesse o ônibus. Atravesso; pedido dela é uma ordem.

– Qual é o seu nome?
– Tony.
– Ah. Toony?
– Isso. E o seu?
– Maria Eduarda.
– Que lindo nome, Maria Eduarda.
– É. Eu sei.
– Quantos anos você tem?

Neste momento desaparece o som. Quem fala agora é a mão: quatro dedinhos convictamente estendidos.

Me afasto. Volto pro meu lugar. Longe. Sem som. E as brincadeiras continuam. Ela e eu vivemos uma realidade que não é a mesma do restante do ônibus. Nela, eu sou motorista até mesmo sem colocar a mão no volante.

– Tony, deixa eu ver sua mão?
– Claro. Olha.
– Nossa. Sua mão parece de mulher. Olha a sua unha!
– Mas é bonita?
– É. Muito bonita.
– Então melhor assim, né?!
– É. Olha a minha.
– Linda também.
– É. Eu sei.

E tudo para de novo. Cada um pro seu canto. E vamos brincar de Chaplin; num silêncio cheio de coisas mágicas que somente ela e eu entendemos. E ela ri muito.

De repente meu nariz imaginário cai. Procuro desesperado naquele chão sujo do ônibus e não o encontro. A minha cara de preocupação e choro encontra o rostinho da Maria Eduarda, também preocupado. Deve estar pensando ela: como este menino perde o nariz dele assim? No meio do ônibus? Que desastrado.

Passa um senhor de cabelo longo em minha frente e eu, claro, desconfio que ele pode ter achado meu nariz. Procuro até dentro de seus cabelos e nada. Ela, igual a mim, também começa a ficar preocupada. E o rostinho dela fica realmente.

Achei! Achei! Estava ali, perto da lixeira. Como é que eu não vi ? Olho e ela está sorrindo lindamente com cara de aliviada. Comemoro o meu achado. Tanto que meu nariz acaba escapando da minha mão e caindo nas dela. Que menina cuidadosa, segurou firme. E um lindo sorriso de quem acaba de salvar o mundo surge no seu rosto.

Peço que me jogue o nariz. Afinal de contas, é imoral ficar andando por aí sem nariz, não é verdade Wellington? Ela se prepara e joga o nariz.

– (em slow) Nããããão!

Lá se vai meu nariz de novo. Alguém muito distraído esqueceu a janela do ônibus aberta. De dentro do ônibus eu vi meu nariz pingando como bolinha de borracha no chão da Avenida Rebouças.

Olho e ela está com uma carinha de preocupação que mal cabe em seus quatro anos. Deve pensar: o que eu fiz com o nariz do Tony, meu Deus? Serei presa e castigada por isso.

Como eu sou uma alma bondosa, além de muito vergonhosa pra ficar lá nu de nariz imaginário, digo em silêncio que vou resolver. Alguém lá em cima ouve, e o ônibus para em seguida para subida de um passageiro. Dou uma piscada pra ela. E enquanto o passageiro entra no ônibus, eu estico meu corpo pro lado de fora e…e…e…pego meu nariz! Volto eufórico, antes que a porta feche e eu perca também a parte de cima do corpo. Ela sorri aliviada! Um sorriso sincero e lindo!

Ficamos intermináveis horas de segundos comemorando meu ato heróico. E o sorriso da Maria Eduarda mal cabia nela mesma. Até ameaçar uma dança de comemoração ela ameaçou, mas os buracos da Avenida Rebouças mostraram que precisamos repensar sobre cinto de segurança nos ônibus.

E as brincadeiras seguiram, Wellington. Quase todas em silêncio. Próximo à Avenida Paulista, ela se vira totalmente pra mim. Depois olha pra mãe e diz:

– Ele é engraçado, né, Mãe?
– É, né?!
– É. Muito.

E assim, com espírito de quem vai contar o maior segredo do mundo, coloca as mãos em forma de concha. As alinha junto à boca. Assim, deve pensar ela, ninguém ouve o que vou dizer. Respira fundo. Olha pros lados. Olha pra mim. Com voz de sussuro, diz:

– Tony?
– O quê?
– Porque você não vira um palhaço?
– Virar um palhaço? Você acha que ia ser legal?
– Ia. Você é muito engraçado, sabia?
– Hum! Então eu vou virar um, tá?
– Tá.

As mãos se desfizeram do segredo. E o sorriso dela também por alguns instantes. Sua mãe a pegou, e a fez descer do banco. Pela porta dianteira, foram saindo. Maria Eduarda se virou. Me deu tchau. Com um sorriso lindo de quem aprontou uma daquelas.

– Dá tchau pro seu amigo, filha?
– Tchau, Tony.
– Tchau, Maria Eduarda. Foi um prazer te conhecer.
– Imagina. O prazer foi meu.

E foi se sumindo. Sumindo. E a Avenida Paulista, em meio ao caos, fez silêncio nascer. Somente para acompanhar esta história. Somente para acompanhar esta história.


Você pode participar do Conte Sua História de São Paulo enviando texto ou arquivo de áudio para contesuahistoria@cbn.com.br. O programa vai ao ar sábados, às 10 e meia da manhã, no CBN SP.

Canto da Cátia: Parem com esta poluição

Placa de sinalização pichada

Um protesto contra a poluição na cidade feito a base de vandalismo foi registrado pela repórter Cátia Toffoletto, no Viaduto Washington Luiz. Uma das placas que indicam o nome do local foi apagada com tinta escura e sobre ela está escrito: “Paren con a poluição” (sic). “Não devem estar falando da poluição visual”, comentou Cátia durante o CBN SP. A troca da placa é responsabilidade da CET, o dinheiro para tal sai do nosso bolso.

Canto da Cátia: Buraqueira geral

 

Colagem com 'buracos da cidade'

Na Aurélia, na Heitor Penteado e na Doutor Arnaldo. Por onde passou, a repórter Cátia Toffoletto encontrou buracos no caminho do paulistano. Estão todos registrados no álbum digital “Buracos da Cidade”, criado no Flickr para acompanhar os problemas enfrentados por motoristas e pedestres nas ruas e avenidas da capital paulista e arredores. É só clicar na imagem aí de cima e ver se você reconhece alguns dos buracos da cidade.

Se o buraco da rua não estiver lá, é só fotografar e mandar para milton@cbn.com.br

Buracos da Cidade: Trivial variado

 

No Viaduto Colassuono na Vila Prudente, que liga a avenida Salim Maluf com a Avenida Luis Ignácio de Anhaia Mello, sentido bairro, tem uma fenda capaz de cortar o pneu dos carros que se atrevem passar por ali. A reclamação é do ouvinte-internauta Laércio Teodoro.

O Paulo José chama atenção para a “péssima qualidade do piso” da Ponte Estaiada, sob o rio Pinheiros, inaugurada não faz muito tempo. “Custava fazer um piso tipo o da Rodovia dos Imigrantes ?”, pergunta o ouvinte-internauta.
A denúncia de Oduvaldo Donnini é em relação aos buracos e “costelas de vacas”da Avenida Brigadeiro Faria Lima, do Shopping Iguatemi até a entrada do túnel da Cidade Jardim. “O corredor de ônibus diante do Clube Pinheiros está esburacado”, escreve.

Rene Piccolo, por sua vez, reclama de buracos na avenida Presidente Wilson e na rua Auri Verde, no Ipiranga, usado como opção de desvio do trânsito. Além de ter obras do metrô e o enorme movimento dos caminhões.

Se você tiver fotos de buracos na cidade, envie para milton@cbn.com.br que publicaremos no álbum Buracos da Cidade, no Flickr