Está na hora da Voz do Brasil

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

VargaseAHoradoBrasil

 

Às vésperas de completar 80 anos, e a dias da votação na Câmara, o programa radiofônico “A voz do Brasil” deverá ser trazido à realidade. Fato que, se confirmado, irá tirar “A voz do Brasil” do rol dos grandes contrastes nacionais. Temos mais de 10.000 rádios AM e obrigamos todas a transmitir gratuitamente o programa federal. Em um dos melhores horários do dia. Para as rádios e para os ouvintes.

 

Em 22 de julho de 1935, quando foi criado o “Programa Nacional”, em plena ditadura de Vargas, o conceito era levar informação às populações interioranas num país continental com apenas 40 rádios. Hoje, somos a 7ª economia do mundo, temos menos de 15% da população de mais de 200 milhões na área rural, 90 milhões de usuários no facebook, e somos o melhor no agronegócio com tecnologia própria. Os critérios de informação e manipulação que foram os objetivos iniciais para a implantação do programa não fazem mais sentido neste Brasil democrático e informatizado de hoje.

 

Sobre o tema três projetos de lei tramitam no Congresso Nacional desde 2011. Incluindo o da ex-senadora Marinor Brito, que pretende tornar o horário das 19h fixo eternamente. Dedicado à “Voz do Brasil” como marco do “Patrimônio cultural imaterial do Brasil”.

 

Felizmente o senador Ricardo Ferraço PMDB-ES, relator da comissão mista da MP 648/2014, que tratou da flexibilização do horário da Voz do Brasil no período da COPA, decidiu transformá-la em lei. Propôs a flexibilização do horário de forma permanente. O Relatório foi aprovado e enviado à Câmara onde deve ser votado em Plenário neste início de mês.

 

Em minha opinião, o quanto antes tirarmos esta constrangedora imposição e restrição ao uso democrático do rádio, no momento nobre dos congestionamentos urbanos, será um alívio. Para a imagem nacional e para o prazer pessoal.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Atropelando o bom senso e a língua portuguesa

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Invejo os colunistas de jornais diários que necessitam encontrar a cada dia assuntos capazes de satisfazer aos seus leitores e sempre descobrem um tema. Houve uma época na qual eu escrevia aos domingos sobre futebol,dividindo com Ibsen Pinheiro meia página do Correio do Povo. Ele tratava do Internacional e eu,do Grêmio. Quem não está a par da rivalidade que reina absoluta no futebol do Rio Grande do Sul talvez desconheça que os meios de comunicação gaúchos devem cuidar para não fazer diferença entre os dois times. Hoje,o meu compromisso com o blog do Mílton me permite escrever sobre assuntos variados,inclusive futebol. Nem por isso,entretanto,fico menos agoniado quando chega a terça-feira,dia em que entrego o meu trabalhinho para o âncora deste blog.E não há nada a me inspirar. Não é,felizmente,o caso de hoje.

 

Chamou-me a atenção matéria publicada pela Zero Hora dessa segunda-feira. Trata de trânsito,assunto com o qual preenchi muitos dos meus textos de quinta. O jornal começa assustando quem tem de enfrentar,especialmente,as rodovias deste país,ao lembrar que,”em uma década,meio milhão de pessoas tiveram as vidas interrompidas em ruas e estradas do Brasil,enquanto outros 2 milhões ficaram feridos”.Os dados foram compilados pela UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro. Na proporção para cada 100 mil habitantes,o Brasil ganha – acho melhor dizer que perde – de goleada para os Estados Unidos,Finlândia,China e Reino Unido. As estatísticas não tratam de quantos desses acidentes fatais tiveram caminhões como participantes. É incompreensível que,em uma terra como a nossa as ferrovias sejam as filhas desprezadas. Por quê? Seria interessante que essa pergunta fosse feita para a candidata à reeleição,Dona Dilma,em cujo governo nada foi feito em prol do transporte ferroviário,muito menos poluente e pouco sujeito a acidentes. Pelo menos,não se encontra,entre os maquinistas,bêbados e drogados.

 

Os números que acabei de repetir,retirados da reportagem sobre acidentes de trânsito,deveriam preocupar,por exemplo,os nossos senadores. Mas não é o que ocorre. Pelo jeito,resolveram imitar os linguistas e assemelhados,eis que estão estudando modificar,novamente,as regras ortográficas que,segundo imagino,não é assunto para curiosos. Ou eles são doutos em ortografia? O último acordo ortográfico,droga contestada por professores de português,que retirou o hífen de várias palavras,ainda nem foi assimilado pelos viventes de todas as idades,e já querem nos impor mudanças ainda mais estúpidas do que a última. Os portugueses,simplesmente,não ligaram para a reforma,eis que ainda chamam meninos de putinhos e insistem em meter um “c” em facto,além de outras idiossincrasias que vão impedir por “saecula seaculorum” que falemos todos a mesma língua,sem tirar nem por.

 

Imaginem que o “H” desapareça,o “G”fique com som de “GUE”,o “CH” seja substituído por “X”e outras asneiras que as alterações trarão no seu bojo. A vontade que eu tenho é de “EZECUTAR”os nossos senadores e todo e qualquer defensor de nova reforma ortográfica. Como cantaria Roberto Carlos,”quero que vá tudo pro inferno”!!!

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele).

21 anos, dez comissões e nenhuma reforma

 

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

 

Em outubro de 1992, como decorrência do Impeachment do então Presidente da República, foi instalada na Câmara dos Deputados a “Comissão Especial de Legislação Eleitoral e Partidária” encarregada de elaborar uma primeira versão para uma nova lei dos partidos políticos e também a lei temporária que regulamentou as eleições gerais de 1994.

 

No mês de março de 1995, a “Comissão Especial da Reforma Política e Eleitoral” recebeu o projeto de alteração da lei dos partidos políticos que resultou na Lei Nº 9.096/95, a atual Lei dos Partidos Políticos brasileiros.

 

Uma terceira Comissão, integrada exclusivamente por Senadores e denominada “Temporária Interna encarregada de estudar a reforma político-partidária”, foi instalada em 21 de junho de 1995 sob a missão de sistematizar projetos relacionados a uma Reforma Política que tramitavam simultaneamente nas duas Casas do Congresso Nacional. Este foi o grupo de trabalhos que primeiro sistematizou um conjunto de itens relacionados ao sistema eleitoral propondo modificações substanciais.

 

A quarta, “Especial da Reeleição”, funcionou simultaneamente à anterior e aprovou a Emenda Constitucional Nº 16, que introduziu a polêmica possibilidade de reeleição para os cargos do Poder Executivo.

 

Em abril de 1997, a Câmara dos Deputados instalou nova “Comissão Especial” objetivando a elaboração de uma lei temporária para disciplinar o pleito subsequente. Seu trabalho resultou na Lei Nº 9.504/97, conhecida como Lei Eleitoral ou das Eleições que, a par de regular todos os pleitos do país, traz inúmeras incongruências, inutilidades e omissões.

 

Nos meses de maio de 2001 e fevereiro de 2003, duas outras “Comissões Especiais” foram instaladas novamente na Câmara pretendendo a retomada do Relatório de 1998. A primeira formulou o Projeto de Lei nº 5.268/01, que ampliou a proposta original mediante alterações no processo eleitoral. A segunda apresentou o PL 2.679/03 propondo a extinção das coligações para as eleições proporcionais, instituindo a Federação de Partidos, lista fechada e regulamentando o financiamento exclusivamente público de campanhas eleitorais.

 

Em 30 de maio de 2007, o Plenário da Câmara dos Deputados, por 378 votos a 43 e 4 abstenções, aprovou requerimento de urgência para o denominado “novo projeto da Reforma Política”, materializado no PL 1.210/07 que, na prática, reeditou os anteriores mas que poucos meses depois, foi inteiramente rejeitado. Um detalhe explicitando a costumeira postura errática e superficial do Congresso na matéria: para desobstruir a pauta, foi necessário a Casa rejeitar o Projeto de Lei nº 8.039, de 1986, anterior à Constituição vigente e que reunia mais de 100 propostas tratando de matérias relacionadas a uma reforma política.

 

Em 2011, nova proeza parlamentar se configurou: o Senado Federal e a Câmara dos Deputados implantaram duas comissões para estudar e elaborar, separadamente, propostas para uma reforma política. Resultado: projetos superficiais, inconsistentes e nada alterado na legislação.

 

Em julho de 2013, após as bizarras manifestações do Poder Executivo pregando inicialmente uma Constituinte exclusiva e depois um plebiscito, a Câmara dos Deputados instalou a décima comissão temática num espaço de 21 anos para estudar e deliberar sobre o mesmo assunto. Desta vez a matéria se encontra no Projeto de Lei nº 5.735/13, o qual, restrito à Brasília, introduz avanços e retrocessos na legislação eleitoral e partidária do país.

 

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor dos livros “Prefeitos de Porto Alegre – Cotidiano e Administração da Capital Gaúcha entre 1889 e 2012” (Editora Verbo Jurídico), “Vereança e Câmaras Municipais – questões legais e constitucionais” (Editora Verbo Jurídico) e “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.

Sobre a fábrica de leis que assola o País

 

Vereador discursa e plenario não presta atenção

 

Foi com satisfação que li o artigo intitulado “O joio legislativo” do jornalista e consultor político de comunicação Gaudêncio Torquato, publicado na página 2, da edição dominical do Estadão. O texto trata dos critérios usados pelos parlamentares brasileiros para a tarefa legislativa levando em consideração a quantidade de projetos de lei apresentados e aprovados nas diferentes casas. Diz que de 2000 a 2010 o País criou 75.517 leis, média de 6.865 por ano, enquanto na Alemanha a aprovação de 20 leis, em 2012, foi suficiente para uma enxurrada de críticas (pelo excesso, esclareça-se). O autor chamou esta intensa e, na maior parte das vezes, inútil produção dos parlamentares tupiniquins de Produto Nacional Bruto da Inocuidade Legislativa (PNBIL).

 

Além de listar uma série de barbaridades aprovadas por senadores, deputados federais e estaduais e vereadores brasileiros, Torquato chama atenção para a desobediência da sociedade às leis que caem no esquecimento ou ferem a Constituição. Das 3 mil ações diretas de inconstitucionalidade, nos últimos dez anos, 20% foram consideradas procedentes pelo STF. Ou seja, cerca de 600 leis estavam fora da lei.

 

O artigo de Gaudêncio Torquato me trouxe satisfação particular pois – com muito mais talento – corroborou pensamento que, no mesmo fim de semana, defendi na coluna mensal que escrevo na revista Época SP (ainda não disponível na internet, mas já nas bancas), com o título “É proibido ideia de Jerico na cidade”. Algumas leis e projetos, inclusive, foram citados nos dois textos, em uma demonstração do tamanho do absurdo que seus autores cometeram. Casos como o do estojo de primeiros socorros em automóveis, dos cachorros proibidos de latir e o das pessoas de morrer na cidade.

 


Leia o artigo completo de Gaudêncio Torquato no jornal O Estado de São Paulo

Os senadores que não deixaram a conta do IR para nós

 

Dos 165 senadores, ex-senadores e suplentes, apenas 47 vão pagar os valores do imposto de renda sobre os 14º e 15º salários. O senado bancou mais de R$ 5 milhões de imposto dos parlamentares que não manifestaram interesse em pagar o débito com recursos próprios.

 

Confira abaixo a lista dos senadores que pagaram a conta por iniciativa própria (atualizada às 15h36):

 

Aécio Neves (PSDB-MG)
Alfredo Nascimento (PR-AM)
Aloizio Mercadante (PT-SP, atual ministro da Educação)
Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP)
Alvaro Dias (PSDB-PR)
Ana Amélia (PP-RS)
Ana Rita Esgario (PT-ES)
Armando Monteiro (PTB-PE)
Blairo Maggi (PR-MT)
Casildo Maldaner (PMDB-SC)
Cássio Cunha Lima (PSDB-PB)
Cícero Lucena (PSDB-PB)
Clésio Andrade (PMDB-MG)
Cyro Miranda (PSDB-GO)
Edison Lobão (PMDB-MA, atual ministro de Minas e Energia)
Eduardo Braga (PMDB-AM)
Eduardo Suplicy (PT-SP)
Eunício Oliveira (PMDB-CE)
Flexa Ribeiro (PSDB-PA)
Gim Argello (PTB-DF)
Gleisi Hoffmann (PT-PR, atual ministra-chefe da Casa Civil)
Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE)
João Tenório (ex-senador pelo PSDB alagoano)
José Agripino (DEM-RN)
José Pimentel (PT-CE)
José Sarney (PMDB-AP)
Kátia Abreu (PSD-TO)
Lindbergh Farias (PT-RJ)
Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC)
Marco Antonio Costa (PSD-TO, suplente de Kátia Abreu)
Marco Maciel (ex-senador pelo DEM de Pernambuco)
Marina Silva (ex-senadora pelo PV do Acre)
Marta Suplicy (PT-SP, atual ministra da Cultura)
Paulo Bauer (PSDB-SC)
Pedro Simon (PMDB-RS)
Pedro Taques (PDT-MT)
Randolfe Rodrigues (Psol-AP)
Regis Fichtner (PMDB-RJ, atual secretário da Casa Civil do Estado do Rio de Janeiro)
Ricardo Ferraço (PMDB-ES)
Rodrigo Rollemberg (PSB-DF)
Sérgio Souza (PMDB-PR, suplente da ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann)
Valdir Raupp (PMDB-RO)
Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM)
Vital do Rêgo (PMDB-PB)
Waldemir Moka (PMDB-MS)
Walter Pinheiro (PT-BA)
Wellington Dias (PT-PI)

 

(Com informações do Congresso Em Foco e do Jornal da CBN)

Reforma convincente:menos deputado,sem suplente …

 


Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

Não há mais possibilidade de contornar temas aflitivos que despertam indignação na própria “classe política”, além da sociedade. A sucessão de Comissões e adiamentos impulsiona uma sensação de que o desfecho pretendido jamais será alcançado. Se por um ângulo a constante exposição da matéria converteu a Reforma Política numa espécie de redenção ética de cunho salvacionista, a outro é leviano supor que a sua aprovação funcionará como um antídoto capaz de eliminar todas as mazelas políticas que vicejam no país.

Preocupante, no entanto, é a dualidade de Comissões a tratar do mesmo assunto. Câmara e Senado formaram grupos autônomos para debater a Reforma Política que todos difundem. Neste momento, sem algo novo, por conta da insuperável divergência entre parlamentares e blocos em alguns pontos, não se crê em modificação alguma a partir do proposto por ambas as Casas do Congresso. A oportunidade é de convergência e não de hegemonia entre as Casas do Congresso.

De rigor, para ser convincente, uma outra reforma deve brotar e se impor. Algo possível, dotado de razoabilidade. Chega de miopia e pirotecnia. É essencial que prevaleça lucidez na delimitação de temas que possam dar vitalidade à política como atividade pública respeitável. Lista fechada, voto distrital e financiamento público são temas importantes mas demasiadamente complexos para este momento-limite. Outras questões mais factíveis e nem por isso menos decisivas, todas com projetos formulados e tramitando, se credenciam como viáveis para atenuar os níveis de saturação que o sistema eleitoral e de representação manifestam.

Ampliação das atribuições de deputados estaduais e vereadores – A administração pública é compartilhada, em todas suas esferas. Não é razoável que iniciativas parlamentares sejam restringidas sob a alegação de interferência no Executivo. Projetos relevantes não podem ser repelidos por sua origem. Parlamentos são polpas vivas das comunidades e merecem real autonomia.

Eliminação do quociente eleitoral – A representação popular sofre desvirtuamento quando um candidato ao Legislativo, seja qual for este, amparado em votação retumbante, é preterido por outro de desempenho inferior. Conforme a PEC 54/07, os eleitores, além de não entenderem, desconfiam de um sistema eleitoral que admite a eleição de candidatos com pouca votação. O eleitorado brasileiro passou dos 2/3 da população e um sistema introduzido em 1932 já não se sustenta mais frente esta outra realidade.

Suplentes no recesso – Porque contrasta à realidade e ao bom senso, a efetivação de substitutos nos períodos de recesso é descartável vez que, na prática, sua finalidade se revela contraproducente. O parlamentar fica impossibilitado de apresentar projetos, participar de sessões, as Comissões não se reúnem. Esta anomalia desacredita o Parlamento perante o eleitor.

Transições pós-eleitorais – A PEC 60/2004, de autoria do ex-senador gaúcho Sérgio Zambiasi, preserva a continuidade administrativa e os serviços públicos, impedindo que mesquinharias paroquiais ou intrigas eleitoreiras desviem a finalidade e a rotina das instituições públicas em prejuízo do contribuinte. Tal como já ocorre no modelo federal, é preciso disciplinar uma relação organizada de responsabilidade entre o governante e o seu sucessor nos níveis estaduais e municipais.

Redução da Câmara dos Deputados – Inoperância pelo excesso de parlamentares, elevado custo público, sucessões de escândalos, apresentação de projetos inúteis ou bizarros, produção legislativa escassa ou irrelevante. É a indisfarçável ineficiência de uma estrutura acrítica justificando a sua diminuição.

Extinção dos suplentes de senador – Injustificável. Preenchida de forma indireta e confinada à homologação de nomes indicados por partidos ou coligações, a suplência, além de impopular, é destituída de respaldo pelo eleitor e vulnera a soberania popular que chancela as eleições para os demais cargos.

Redução do mandato dos senadores – A demasiada extensão do mandato senatorial (oito anos), a par de anacrônica e sem justificativa plausível, é fator impeditivo à renovação e fiscalização da Casa Legislativa e de seus membros. O cargo de Senador é relevante por suas atribuições e não pela sua duração.

“Janela” partidária – Não adianta impregnar o tema de ranço, generalizações e preconceitos. Uma troca de partido no curso do mandato não pode ser vedada de forma artificial e tampouco rotulada de injustificável. É imperativo atenuar o rigorismo vigente, decorrente de uma regra estabelecida pelo TSE e não pelo Congresso Nacional. No seio das agremiações ocorrem fatos que tornam a coexistência insuportável. O que deve ser reprimido são malícias e dissimulações.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor do livro “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.

Suplentes, os senadores sem-voto

 

Por Antonio Augusto Mayer dos Santos

Dispõe a Constituição Federal que cada Senador será eleito com dois Suplentes (art. 46, §3º). O Código Eleitoral (1965) afirma que se entende dado aos Suplentes o voto conferido ao candidato ao Senado. A disciplina do cargo também consta na Lei 9.504/97 e nas resoluções do Tribunal Superior Eleitoral relativamente a registro de candidatura e propaganda eleitoral, bem como na Lei de Inelegibilidades (LC 64/90) quanto às desincompatibilizações.

Interpretando este conjunto de regras, o TSE reconhece que os Suplentes são políticos tão eleitos quanto o Senador com o qual compartilham a chapa. Todavia, a redação constitucional é insofismável ao estabelecer que cada senador será eleito com dois suplentes, excluindo, assim, aqueles do sufrágio universal. Dito por outras palavras: somente o titular é que é eleito; os Suplentes se encontram numa situação jurídica de mandatários sem votos.

Face às renúncias de alguns Senadores eleitos Governadores em 2010 e as licenças de outros para assumir Ministérios a partir de 2011, é importante lembrar que a diplomação do Suplente habilita-o à investidura no cargo de Senador nas mesmas condições do titular afastado.

O tema é realmente controvertido e apresenta regulamentação peculiar em cada país, variando quanto à possibilidade e limitação de tempo na investidura. Na Itália, se um Senador é nomeado Ministro de Estado, ele deve manter as suas funções no Legislativo compatibilizando-as àquelas do Executivo pois inexiste Suplente, ao passo que na França, esta é a única hipótese dele assumir, vez que para as outras situações há previsão de convocação de nova eleição para o preenchimento da vaga.

Nos Estados Unidos também inexistem Suplentes. Se o Senador se afasta do mandato ou este é declarado vago em razão de outras circunstâncias (cassação, impedimento, morte ou renúncia), assim permanece, salvo se o titular falece durante o primeiro ano de mandato, quando é convocado um pleito específico para o seu preenchimento. Se esta vacância for declarada no último ano, a Assembléia Estadual a qual o titular representava se reúne e ratifica a indicação de um Senador para cumprir o restante daquele mandato. Na Alemanha, há previsão de procedimento semelhante ao americano que ocorre somente se a vacância surge até seis meses antes do pleito normal de renovação da vaga.

No Brasil, desde a sua origem, diversos são os questionamentos que incidem sobre o suplente. Embora relegado a um plano secundário da Reforma Política, o tema da suplência vem recebendo editoriais contundentes nos meios de comunicação, com absoluto predomínio da rejeição do modelo atual. Também neste sentido concluiu uma pesquisa do próprio Senado Federal divulgada em 09.07.2007, quando 72% dos entrevistados não concordou com o atual modelo constitucional, preferindo que os Suplentes “sejam votados separadamente”.

Em 20 anos, mais de 200 suplentes assumiram cadeiras no Senado Federal. Objeção substancial invocada pelos adversários da atual forma de recrutamento dos Suplentes diz quanto ao nepotismo. Com razão. Afinal, uma análise das recentes composições do Senado Federal confirma que pai, esposa, primo, filhos, cunhados, tio e irmãos de Senadores foram indicados, sendo que vários exerceram o mandato.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor do livro “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.

E aí, vamos controlar esta turma ?

 

A eleição ainda está em curso, a campanha no rádio e TV recomeça hoje e o segundo turno está logo ali. Durante a semana, olhamos e revisamos a lista dos deputados e senadores eleitos. No CBN SP, estiveram alguns deles, inclusive Aloysio Nunes PSDB e Marta Suplicy PT que serão nossos representantes no Senado.

Você que lê este post talvez tenha se sentido satisfeito com o resultado e conseguido eleger o seu representante para o parlamento. É um privilegiado, pois a maioria dos eleitores não conseguiu porque não compareceu às urnas, votou em branco, anulou ou, simplesmente, escolheu alguém que não teve voto suficiente para garantir uma vaga.

Em uma ou em outra situação, o certo é que dentro de poucos dias, semanas, meses a eleição será passado e, muito provavelmente, boa parte do brasileiro esquecerá em quem votou, por isso temos de aproveitar este momento, em que a discussão política ainda está viva, para darmos início a mais uma etapa do projeto Adote um Vereador, que se iniciou em 2008. Vamos ampliar estas fronteiras.

Ainda nesta semana, Mário Cezar Nogalez colocou no ar o Blog Fiscalizando Aloysio Nunes, onde irá postar todas as informações que obtiver sobre o senador eleito. Ele, com apoio de voluntários, já mantém um blog para fiscalizar Eduardo Suplicy PT, desde o ano passado.

Deputados estaduais e federais também devem ser alvo deste controle da sociedade com acompanhamento dos primeiros movimentos antes mesmo da posse e, depois, do trabalho deles no parlamento. Algumas experiência neste sentido já existem na Assembleia Legislativa de São Paulo, mas os resultados mais avançados ainda se concentram nas câmaras municipais.

Participar do Adote (um Vereador, um Deputado ou um Senador) é muito mais simples do que parece e com resultados bem interessantes, seja na forma do parlamentar agir seja na consciência que o ‘adotador’ desenvolve.

Escolha um dos parlamentares eleitos, abra um blog e publique todas as informações que você considerar importante sobre o trabalho dele.

Para conseguir estas informações, não deixe de acompanhar o noticiário no rádio, TV e jornal; crie uma rotina e procure referências ao político nos sites de busca; se for possível mande e-mails cobrando posições e respostas sobre o tema de seu interesse; se quiser vá até o gabinete dele, peça para ser recebido por ele, conheça aquele ambiente de trabalho e reproduza suas sensações.

Encontro neste sábado

Uma vez por mês, integrantes do Adote Um Vererador de São Paulo se reúnem em volta da mesa do bar do Centro Cultural São Paulo, na rua Vergueiro, a partir das duas horas da tarde. É um encontro informal, marcado pela troca de experiência e contação de história sobre a relação com os “adotados”. Não adianta perguntar para a coordenação do Centro onde estaremos porque eles nunca sabem. Às vezes, nem mesmo nós. Mas lá na lanchonete do Centro, a mesa mais animada e com uma placa do Adote um Vereador em cima é onde estaremos.

Conheça um pouco mais desta experiência no wikisite do Adote um Vereador e no site Adoteumverador.net.

Controle os políticos, antes que os políticos controlem você.

Transparência tem apoio de 27 candidatos ao Senado

 

A dificuldade de o projeto de lei da informação pública (PLC 41/2010) ser aprovado no próximo mandato legislativo pode ser medida pela quantidade de candidatos ao Senado que se comprometeu com a proposta. Dos 91 procurados pela Transparência Brasil, em todo o País, apenas 23 responderam as duas perguntas feitas pela ONG:

– Qual sua posição em relação ao PLC 41/2010 ?
– O Senhor tomará alguma providência para acelerar a tramitação do PLC 41/2010 ?

Rio de Janeiro e Goiás foram os estados nos quais o maior número de candidatos – três dos procurados – se posicionaram a favor da lei que defende a transparência na relação do cidadão com o Estado. Em Roraima, Acre, Tocantins, Pará, Alagoas, Sergipe, Rio Grande do Norte, Mato Grosso e Bahia, nenhum dos candidatos respondeu as questões.

No Estado de São Paulo, apenas o candidato ao senado Aloysio Nunes (PSDB) se comprometeu a apoiar o projeto, tendo sido procurados, também, Marta Suplicy (PT), Netinho de Paula (PC do B), Romeu Tuma (PDT) e Ciro Moura (PTC). Foram procurados apenas os candidatos que apareceram com mais de 10% nas intenções de voto.

No Estado de Minas, o candidato ao Senado Aécio Neves (PSDB) enviou e-mail mas foi dúbio na resposta, não explicando se apoiaria ou não a proposta.

Para entender

O projeto de lei 41/2010 garante o direito de o cidadão acessar informação pública que esteja em poder dos governos federal, estadual e municipal, seja no legislativo, executivo ou judiciário, incluindo as autarquias e sociedades de economia mista. Esta é uma ferramenta importante para a transparência da gestão pública, facilitando o controle da sociedade sobre o exercício do poder e a forma como o dinheiro dos contribuintes está sendo gasta, por exemplo.

O prazo para a liberação das informações solicitadas é de até 20 dias, prorrogável por mais dez. A lei prevê, ainda, que os dados sejam divulgados na internet em formatos abertos que permitam a leitura através de máquinas, possibilitando melhor manipulação pela sociedade civil.

Veja na tabela a seguir como o seu candidato a senador se posicionou em relação a lei de acesso a informação pública, sendo que “sim” é para quem respondeu e “não” para quem não respondeu

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E por falar em Ficha Limpa

 

ficha-limpa-limpaSe cumprir promessa feita ao CBN SP, Celso Russomano do PP será o primeiro candidato ao Governo do Estado a se cadastrar no site do Ficha Limpa, apesar de faltarem cerca de 20 dias para a eleição. Se seguir a tendência dos candidatos ao Senado que estiveram no programa será mais um político a descumprir com a palavra assumida publicamente.

Na série de entrevistas com os candidatos ao Senado por São Paulo, perguntei a 10 deles se assumiam o compromisso de se cadastrar no site do Ficha Limpa. Apenas um se comprometeu e cumpriu: Marcelo Henrique do PSOL.

Sete, apesar de dizerem que iriam tomar a atitude no dia seguinte, até agora estão devendo a promessa: Netinho de Paula (PC do B), Ciro Moura (PTC), Afonso Teixeira (PCO), Dirceu Travesso (PSTU), Serpa (PSB), Mazzeo (PCB) e Redó (PP).

Dois se negaram a se cadastrar no site: Marta Suplicy do PT e Aloysio Nunes do PSDB.

O candidato ao senado Ricardo Young do PV não precisou ser cobrado, pois foi um dos primeiros em todo o Brasil a aderir ao Ficha Limpa.

Nessa quarta-feira, também fiz a pergunta ao candidato ao Governo Paulo Skaf (PSB) que disse não ter condições de fazer prestação de contas semanais, uma das exigências para ter o nome cadastrado no site. Ele também se negou a divulgar o nome dos financiadores de sua campanha antes das eleições.

Até a noite desta quinta-feira, 63 candidatos em todo o Brasil estavam cadastrados no Ficha Limpa dos quais sete concorrem ao Senado, três a governos estaduais e um à presidência. Confira a lista completa clicando aqui.