Novas estações ainda não aliviarão metrô

 

Linha Amarela do Metrô de São Paulo

A entrega das duas primeiras estações da linha 4-Amarela do metrô não será suficiente para amenizar a situação daqueles que se aglomeram nas plataformas e enfrentam dificuldades par embarcar nos vagões nos diferentes ramais do sistema. A inaguração será nessa terça-feira e a nova linha que funcionará em sistema de teste durante as próximas semanas ligará a avenida Faria Lima, no Largo da Batata, até a Avenida Paulista. Para que os primeiros resultados sejam percebidos será necessário que a extensão da linha ocorra ao menos com a abertura de mais duas estações – Butantã e Pinheiros – o que deve ocorrer até o fim do ano.

Novo modelo de concessão e tecnologia avançadas são marcas da linha 4-Amarela, conforme destacou em entrevista o secretário estadual de Transportes Metropolitano José Luis Portela. O novo trecho deverá ser percorrido em pouco mais de 6 minutos, o que oferecerá enorme ganho principalmente para os passageiros de ônibus que hoje perdem de 20 a 30 minutos, apesar da existência de um corredor exclusivo.

Para conhecer as novidades que estarão disponível acompanhe aqui a entrevista com o secretário Portela que foi ao ar, nesta terça-feira.

Tremembé, pioneiro no transporte de São Paulo

 

O alemão Ewald Kruse ficou famoso por oferecer transporte alternativo à Maria Fumaça e foi proprietário de uma das primeiras linhas regulares de auto-ônibus da Capital

SANTANA TREMEMBÉ

Por Adamo Bazani
 
O que o antigo Tremembé, na zona norte de São Paulo, tem a ver com a história dos transportes na cidade? Lá rodavam jardineiras, responderão alguns. Tem razão, mas há um fato ainda mais marcante. O bairro abrigou uma das primeiras linhas regulares de ônibus da cidade.

E para falar da linha Santana-Tremembé, o “Ponto de Ônibus” conta com o apoio do colecionador e historiador Waldemar Correa Stiel, autor de vários livros sobre transporte, que cedeu a rara foto deste veículo que auxiliou no desenvolvimento viário da região norte da capital. O serviço de auto-ônibus no Tremembé foi iniciado e regularizado com este veículo Ford que pertencia a Ewald Kruse.

Nascido na Alemanha, em 1889, Kruse veio para o Brasil jovem. Foi parar no distrito de Tremembé que apesar de distante do centro, atraía imigrantes europeus, pela sua topografia, tranquilidade e o clima, próximo da Serra da Cantareira. Ao mesmo tempo, a região era um desafio para o transporte. Principalmente, para a Jardineira de Kruse.

Vendo o lento crescimento do bairro, mas um com uma visão de que a área seria populosa, o alemão inaugura o primeiro serviço de auto-ônibus da região, e um dos primeiros da cidade, no ano de 1926. Segundo contam familiares dele, as dificuldades para ligar Santana a Tremembé eram grandes e o velho Ford, na verdade um carro adaptado com carroceria artesanal de madeira, atolava quase todo o dia de chuva. O pequeno veículo tinha capacidade para transportar até 12 passageiros. Com as laterais abertas, os dias de chuva eram um martírio, mesmo com as cortininhas.

O serviço de Kruse complementava e, em alguns trechos, concorria com os trens da “Tramway da Cantareira”, conhecido comop “Trenzinho da Cantareira” que começou a operar logo no início do bairro. Sua linha foi inaugurada em 1894 para auxiliar na construção dos reservatórios de água da cidade. A estação de Tremembé era a penúltima antes da Cantareira, onde havia fontes naturais de água. Com a configuração da região em loteamentos, os trens começaram a transportar passageiros.

Vale lembrar que antes mesmo do Trenzinho da Cantareira e do ônibus de Kruse, uma tentativa primitiva de transportes já existia no bairro. Eram os bondes a cavalo de Antônio Pontes Júnior, que levavam passageiros da Ponte Grande, perto do Rio Tietê até Santana. O serviço, precário, não resistiu e seus dois veículos, dois cocheiros e 18 cavalos se aposentaram em maio de 1907.

O bairro do Tremembé, nome que em Tupi Guarani significa brejo, nasceu no fim do século 19 com o desmembramento da fazenda da família Vicente de Azevedo. O local foi divido em glebas de terra para a criação de chácaras. De acordo com levantamento histórico da Prefeitura de São Paulo, a sede da fazenda ficava na área que hoje corresponde a Avenida Nova Cantareira com a Rua Mara Amália Lopes Azevedo. A região era conhecida por Fazendinha.

No início do século 20, a procura por moradias no bairro crescia. Eram portugueses, espanhóis, italianos, mas principalmente alemães. O Tremembé sem dúvida foi um dos grandes núcleos alemães até meados do século 20.

Em 1910, vendo a procura por casas na região, os filhos de Pedro Vicente de Azevedo e Maria Amália Lopes de Azevedo criaram a Cia Villa Albertina de Terrenos, dando início ao loteamento em moldes urbanos. O distrito de Tremembé, constituído oficialmente, em 1890, começava a dar ares de que seria um bairro.

Por isso, Ewald Kruse não perdeu tempo. Ele via um crescimento de demanda de passageiros que não seria atendida pelo Trenzinho da Cantareira, pois este não ia loteamentos a dentro. Flexibilidade na época que só os ônibus poderiam ter, por isso que foram responsáveis pelo desenvolvimento de muitos bairros. A importância desta iniciativa pode ser medida pelo fato de que as primeiras ruas a serem pavimentadas na região foram aquelas pelas quais passavam o ônibus.

O desenvolvimento ao longo do Rio Tietê também fez crescer o bairro. A linha que ligava Santana a Tremembé se expandia e se tornava mais longa. O trenzinho não dava conta da demanda de passageiros e da necessidade de flexibilização dos trajetos. E operou até 1964.

A presença alemã no bairro ainda nos anos 60 era tão grande que, além dos jornais nacionais, circulava pela região o periódico “Notícias Alemãs”. Além de trazer informações do País de origem dos imigrantes, o jornal destacava em uma página dedicada a Memória, os alemães que marcavam o desenvolvimento de Tremembé.

E na edição de 24 de julho de 1966, guardada pelo historiador Waldemar Correa Stiel, o jornal lembrava a façanha pioneira de Ewaldo Kruse: “Naquele tempo, os seus modernos carros Ford eram transformados em veículos para o transporte coletivo e integrados à linha que ligava o bairro de Tremembé a Santana”.

O jornal ironizava o Trenzinho da Cantareira dizendo que ele não era concorrente do ônibus de Kruse, pois os passageiros da jardineira do alemão não precisavam se preocupar com as fagulhas pretas soltadas pela Maria Fumaça.

Nos anos 40, segundo estimativas da Prefeitura na época, a população do Tremembé mais que dobrava. Algumas pequenas fábricas apareciam na região e muitos moradores de Tremembé e loteamentos vizinhos precisavam se deslocar para a região central de São Paulo ou outros municípios para trabalhar. O bairro então foi inserido no programa de reorganização dos transportes municipais, criado pelo prefeito Abrahão Ribeiro, em 1946, ano em que instituiu a CMTC – Companhia Municipal de Transportes Coletivos. Nesta época, pelo projeto, a CMTC, que havia herdado de Light & Power à operação dos transportes municipais de São Paulo, seria responsável pelos ônibus que ligassem os bairros ao centro e as empresas de ônibus particulares (muitas sucumbiram nesta época) fariam as ligações periféricas bairro a bairro.

Com o Tremembé não foi diferente. Entre os anos de 1948 e 1949 é inaugurada a linha 77 da CMTC, que ia até a região central de São Paulo, mas já passando por um cenário misto: meio rural ainda, com vegetação, chácaras e paisagens e meio urbano, com calçamento, pequenas fábricas e até um pouco de trânsito.

De acordo com o departamento histórico da Associação Nacional das empresas de Transportes Urbanos – NTU, o primeiro ônibus a rodar em São Paulo, foi uma jardineira Saurer, importada da França. Mas o veículo não tinha linhas e horários definidos. Já com Kruse foi diferente. Ele apresentou ao poder público uma solução compromissada, com itinerário fixo, preço e número de viagens.

Muitos outros pequenos investidores – na época não havia grandes empresários de ônibus – se inspiraram em Kruse e também elaboravam seus itinerários e horários.

Certamente, a este imigrante e ao bairro de Tremembé, a cidade de São Paulo deve muito quando se fala em história dos transportes. E Tremembé deve também aos transportes, pois foi a partir do Trenzinho da Cantareira, da jardineira de 1926, passando pela linha 77 da CMTC, que mais pessoas e empresas procuravam o bairro. Devido aos transportes, a infraestrutura, principalmente iluminação e calçamento, chegava mais rapidamente. Dos 96 distritos da cidade, atualmente a região do Tremembé é a quarta em tamanho e uma das maiores em área verde por causa da Serra da Cantareira, apesar de ter crescido e muitas construções terem se instalado no local.

Este texto nasceu de uma pesquisa feita a partir da descoberta da raríssima foto do acervo do historiador Waldemar Correa Stiel e prova que uma imagem vale mais que mil palavras: pode contar.

Adamo Bazani, busólogo, repórter da CBN, e que se ente descobridor de um tesouro quando lhe é entregue uma ligam como esta da jardineira de Kruse

Pauta #cbnsp: Morte não é da Virada Cultura, diz Kassab

 

CBN SPA morte de um rapaz no centro de São Paulo não está relacionada a Virada Cultural, realizada neste fim de semana, na opinião do prefeito Gilberto Kassab (DEM). O jovem de 17 anos foi esfaqueado e a polícia ainda não sabe precisar o motivo do crime. Ouça a opinião do prefeito que foi ao ar no CBN SP

Acompanhe outros assuntos da pauta #cbnsp:

Virada muda rotina –
O repórter Victor Ferreira da Época SP conta sobre a mudança na rotina de trabalhadores do centro de São Paulo, como os garis, e de moradores de rua, devido a Virada Cultural. Ele e o Camilo Vanucchi estão morando na região para uma reportagem que será publicada na revista e postam no Blog Centroavante. Ouça a nossa conversa.

Fraude na Nota – A conta de contribuintes no site da Nota Fiscal Eletrônica foi fraudada e os créditos “roubados”. A Secretaria Estadual da Fazenda de São Paulo admite que o desvio tenha ocorrido, mas não deu nenhuma explicação sobre o assunto. Ouça a reportagem.


Protesto na M’Boi Mirim –
Manifestação de moradores da zona sul de São Paulo torna ainda mais complicada o trânsito da estrada do M’Boi Mirim, nesta manhã. As soluções apresentadas pela prefeitura até agora não surtiram efeito. Acompanhe a reportagem da Pétria Chaves.

Esquina do Esporte –
São Paulo e Santos não deveriam ter se poupado nesta rodada de fim de semana pelo Campeonato Brasileiro, na opinião de Deva Pascovicci e Mário Marra. Ouça nosso bate-papo sobre o futebol.

Epoca SP na CBN – Ana Fridmann está entre os destaques da música nesta segunda-feira, em São Paulo. E o Rodrigo Pereira traz duas dicas de bar e restaurante.

Como as encarroçadoras andam no Brasil IV

 

Os empresários do setor de carrocerias de ônibus estão entusiasmado com a possibilidade de crescimento do setor, devido a investimentos para as eleições, em 2010, e para a Copa do Mundo em 2014 e as Olímpiadas em 2016. Na última reportagem da série você vai conhecer as perspectivas do setor.

CHASSI

Por Adamo Bazani

Os fabricantes de carrocerias de ônibus foram agentes ativos no desenvolvimento do País, pois faz parte da cadeia produtiva do setor de transportes, essenciais para os trabalhadores de todos os demais segmentos da economia. Uma realidade que ficou muita clara na entrevista com Roberto Ferreira, executivo da Fabus, entidade que reúne as encarroçadoras brasileiras, que nos guiou nestas quatro reportagens publicadas nesta semana no “Ponto de Ônibus”.

A falta de investimento em trens e metrôs e o incentivo a indústria automotiva desde os anos de 1950, deixaram para os ônibus o papel de principal meio de transporte de massa, na cidade e na estrada.

Em alguns momentos, o setor de carrocerias quase entrou em colapso, principalmente na época da inflação. Milhares de empregos foram perdidos, dezenas de empresas desapareceram de vez, outras ressurgiram das cinzas e o setor conseguiu se superar. Mas o que a população e a economia podem esperar do segmento de encarroçamento de ônibus e do setor de transportes em geral?

De acordo com Roberto Ferreira, há boas perspectivas a curto, médio e longo prazos, apesar dos resultados de 2009 terem sofrido reflexo da crise internacional. Foram produzidas 25.600 unidades, queda de 19% em relação a 2008. O recuo só não foi maior por causa da recuperação do mercado interno nos últimos três meses, quando as empresas decidiram renovar parte de suas frotas.

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Como as encarroçadoras andam no Brasil III

 

Ônibus para a zona rural, carros mais confortáveis para os passageiros e prontos para circular em corredores segregados. As fabricantes de carroceria precisam estar prontas para atender o mercado como você pode ver na terceira reportagem desta série

ÔNIBUS PARA BRT

Por Adamo Bazani

O Projeto Padron, sobre o qual falamos no texto anterior, fez com que o Brasil se aperfeiçoasse na fabricação de ônibus e permitiu que a indústria nacional alcançasse o prestígio mundial que tem atualmente. O país é dos maiores exportadores do mundo de veículos preparados para circular em corredores segregados, conhecidos por BRTs – Bus Rapid Transit.

Estes modelos são exportados, principalmente, para a América Latina. São brasileiros, por exemplo, os ônibus do sistema BRT Metrobus do México, Transantiago do Chile, e o Transmilênio da Colômbia. Roberto Ferreira, da Fabus, que nos acompanha nestes artigos, explica:

“Temos tecnologia, basta investimento público nas vias para priorizar o transporte por ônibus rápido com pistas modernas, com pontos de ultrapassagem nas paradas, estações que proporcionam embarque no nível do ônibus e pagamento antecipado. Basta que o poder público invista mais neste tipo de transporte com eficiência semelhante a do Metro e com custo até dez vezes menor por quilômetro construído”.

Nem sempre, porém, vanguarda e tecnologia andaram a bordo dos ônibus produzidos no Brasil, lembra Roberto. Por aqui rodavam veículos que não eram mais aproveitados na Europa, onde ficava a maior parte das sedes dos fabricantes.

“As montadoras ganhavam. Traziam para o Brasil o que era novidade aqui e conseguiam vender o que lá seria sucata, produto depreciado”.

Para enfrentar esta realidade, Roberto conta que uma das principais preocupações dele na diretoria da Fabus era dialogar com as montadoras.

“Toda vez que tinha uma novidade aqui, vinda por meio de matrizes de ferramental de outros países ou mesmo desenvolvida no Brasil, eu procurava saber como seria a configuração do chassi e se seria possível encarroçá-lo dentro da realidade dos fabricantes e a realidade dos transportadores. Nossos engenheiros conversavam com os engenheiros dos chassis e, felizmente, todas nossas observações eram atendidas. Às vezes a configuração do chassi não permitiria que alguns instrumentos da carroceria seriam dispostos de uma maneira melhor, mais prática, barata e eficiente. Mas as montadoras acatavam nossas observações e nós as delas. Costumo dizer que a fabricação de ônibus é como um casamento. Há o chassi sendo fabricado de um lado e a carroceria do outro. Tem de haver sinergia nos projetos, no namoro, para que esse casamento dê certo”.

Roberto ensina que para esta sinergia ter resultado positivo é preciso, também, ouvir os donos das empresas de ônibus. São eles que vivem as dificuldades do dia a dia. O produto tem de corresponder a sua realidade econômica e operacional.
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Como as encarroçadoras andam no Brasil – parte II

 

Na segunda reportagem da série sobre o mercado de carrocerias de ônibus no Brasil você conhecerá algumas inovações tecnológicas que só foram implatadas após um duro período em que “quase os ônibus foram para o brejo”.

CIFERAL


Por Adamo Bazani

A crise econômica que marcou a década de 1980 foi apenas um dos motivos que atingiram o mercado de carrocerias, no Brasil. Problemas administrativos e falta de capacidade para comandar o próprio negócio também afetaram as encarroçadoras, de acordo com o diretor executivo da Fabus, Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus, Roberto Ferreira.

“Foi a época em que mais apareceram e desapareceram encarroçadoras. Muitos executivos e engenheiros de empresas maiores, ou demitidos, ou com a ilusão de terem um negócio próprio, fundavam suas encarroçadoras. Levavam um time limitado e na hora de gerenciar viam que não bastava apenas saber produzir ônibus, tinham de entender de finanças e negociações com montadoras, frotistas e governos. Muita gente quebrou a cara”

Os erros administrativos também eram cometidos por empresas com experiência no setor. Reduziam demais os preços para conquistar mercado, os custos aumentavam e a margem de lucro estreita os levava a operar com prejuízo. Houve perdas, também, devido a iniciativas audaciosas em um tempo de incertezas.

Roberto Ferreira cita o caso da Cobrasma, empresa tradicional do setor ferroviário.

“Ela decidiu lançar um ônibus rodoviário com chapa de aço inoxidável. O veículo ficou muito caro e pesado e ônibus pesado interfere diretamente no custo de combustível e desgaste de pneus. Além disso, a manutenção deste veículo era muito cara. Se batesse, não bastava um simples serviço de funilaria para desamassar a peça. Todo o componente tinha de ser trocado. Nem precisa dizer que o ônibus, cuja principal propaganda era a chapa de aço, não foi bem sucedido no mercado”
Houve casos pontuais que assustavam o setor de encarroçamento de ônibus. Um desses foi a falência da Ciferal, mesma empresa cujo dono fundou a Fabusa. A Comércio de Ferro e Alumínio Ltda foi uma das principais empresas do segmento. Hoje, atua apenas no setor urbano e, desde 2001, pertence a Marcopolo.

A Ciferal foi fundada, no Rio de Janeiro, em 11 de outubro de 1955 pelo austríaco Fritz Weissmann, depois que este se afastou da Carrocerias Metropolitana, criada em parceria com o irmão Franz. Foi uma das primeiras a implementar o duralumínioe a criadora, a pedido da Viação Cometa S.A, de São Paulo, do modelo Dinossauro, inspirado nos GMs americanos. As linhas modernas e inovações tecnológicas deixaram um legado nas estradas brasileiras. Ela também produziu em 1979 o primeiro trólebus Padron de 12 metros, com novas tecnologias, o Padron Amazonas.

Em 1982, sofreu um grande golpe. Somou-se aos problemas administrativos, o cancelamento de uma grande encomenda de trólebus para a CMTC. A Companhia Municipal de Transportes Coletivos, de São Paulo havia encomendado 1.200 carrocerias. A Ciferal investiu todos os recursos que tinha para adaptar a linha de produção. Novos componentes de fabricação foram comprados, o parque fabril foi remodelado, foram gastos vários recursos em estudos e engenharia. A CMTC alegou problemas financeiros e comprou apenas 200 ônibus. A Ciferal não teve condições de honrar o financiamento com o Banco do Estado do Rio de Janeiro e os fornecedores para a linha de produção. A falência foi decretada e o setor de carrocerias como um todo sofreu um grande abalo.
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Como as encarroçadoras de ônibus andam no País

 

Roberto Ferreira, da Fabus, há mais de 30 anos, relembra das lutas de empresários e funcionários para o desenvolvimento do setor de carrocerias, no Brasil. Na primeira parte desta nova série de reportagens, o “Ponto de Ônibus” mostra como o segmento enfrentou o período da inflação.

CARROCERIAS SOBRE CHASSI DE CAMINHAO

Por Adamo Bazani

O fechamento de uma empresa e a onda de demissão e incerteza são dos maiores sofrimentos para o trabalhador. Não se resume a números em uma estatística de desemprego, são famílias, sonhos e projetos ameaçados – um carro a ser comprado, uma casa ou um tratamento médico que caem por terra.

Quem assistiu de perto este cenário, por muitas vezes, foi Roberto Ferreira, diretor executivo da Fabus, Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus, entidade que reúne as principais encarroçadoras do país. Há 33 anos na função de executivo da entidade, Roberto diz que a indústria de ônibus se desenvolveu muito e vive condição favorável, atualmente. Nem sempre foi assim, ressalta.

“Sou enfático em dizer que a indústria de encarroçamento de ônibus no Brasil é uma grande vencedora, contribuiu com o desenvolvimento do País e, mesmo que a duras penas, soube superar os momentos econômico e social mais difíceis, no s anos de 1980 e 1990”

Nascido no Bosque da Saúde, zona sul da capital paulistao, Roberto Ferreira, de 65 anos, mudou-se para Santo André, no ABC Paulista, quando era criança. Seu primeiro contato com os transportes foi entre os anos de 1966 e 1968, quando administrava com o pai, Olegário Ferreira, uma distribuidora de bebidas na região:

“Eu cuidava da parte administrativa na distribuidora, e meu pai com um velho caminhão vendia as bebidas. Tirando a área central do ABC, as demais ruaseram de barro e cascalho. Quando chovia era um Deus nos acuda. Meu pai atolava com o caminhão e eu tinha de providenciar o resgate. Na época, para trabalhar com transporte, não bastava apenas dirigir. Tinha de entender de mecânica. E eu via meu pai trabalhando, consertando o velho caminhão. Lembro-me, por exemplo, da dificuldade que era, principalmente nos dias depois de chuva forte, a subida da Rua Gamboa para a Juazeiro, no Paraíso, em Santo André. Quantas vezes o caminhão do meu pai atolava neste lugar”.

Na distribuidora de bebidas, Roberto conheceu as dificuldades no transporte e desenvolveu experiência para gerenciar empresas:

“Peguei o tino para gerenciar e dirigir um negócio de uma tal maneira que quando vendemos a distribuidora, ela valia três vezes mais que na época quando entramos no negócio”.

Na década de 1970, Roberto Ferreira continuava no ramo de transportes. Desta vez, como gerente da Expresso Santa Catarina, em Blumenau, uma empresa de transporte de carga seca. Querendo voltar para São Paulo, ele descobre uma vaga para diretor executivo da Fabus.

“Quando cheguei na sede da entidade, na Rua Guaiaúna, na Penha, fui entrevistado por um mestre em transportes: o senhor José Massa, na época presidente da entidade e que, entre 1945 e 1946, fundou a Caio – Companhia Americana Industrial de ônibus -, homem visionário, um dos pioneiros da fase profissional de fabricação de carrocerias no Brasil”.

Em 16 de fevereiro de 1977, ele assume o cargo de diretor da Fabus. Mal sabia que anos depois, por causa da conjuntura econômica, além de problemas específicos no setor, enfrentaria um dos maiores desafios de sua carreira.

“No início, pensava que era mais tranquilo que o gerenciamento da transportadora. Quanto estive à frente da Expresso Santa Catarina, eram problemas como caminhão quebrado, frete não entregue na hora, discussões por causa do preço das entregas, e na Fabus, todas as associadas entregavam seus balanços direitinho e relatavam as necessidades do setor, para entrarmos em contato com montadoras, fornecedores e poder público. Mas, as coisas logo depois não foram tão tranquilas assim”.
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Pauta #cbnsp: “Eu acabaria com o rodízio amanhã”

 

CBN SPUm milhão de veículos a mais passaram a andar na cidade por causa do rodízio municipal, segundo pesquisa encomendada pelo Sindicato dos Estacionamento Particulares (Sindipark). De acordo com dados do estudo desenvolvido pelo especialista Horácio Augusto Figueira 27,5% dos paulistanos tem um carro extra na garagem para “driblar” a restrição no tráfego. “Eu acabaria com o rodízio amanhã”, disse Horácio em entrevista à CBN. A Secretaria Municipal de Transporte entende que os dados não condizem com a realidade, pois pesquisa de Origem-Destino, realizada pelo Metrô de São Paulo, mostra que houve redução na proporção de famílias com mais de um carro. Enquanto em 1997, 10,5% das famílias paulistanas tinham dois carros, em 2007 este percentual ficou em 9,5%. Ouça a reportagem.

Transporte sustentável – Passageiros transportados com segurança e conforto, ônibus rodando em corredores segregados e com motores menos poluentes. É o cenário ideal para quem sonha ter um transporte sustentável, distante daquele que encontramos na capital paulista. Especialistas e vereadores discutem o assunto hoje na Câmara Municipal de São Paulo. Cícero Yagi, do Movimento Nossa São Paulo, em entrevista ao CBN SP, chama atenção para o fato de a cidade não ter indicadores confiáveis, descumprindo lei municipal, o que prejudica o planejamento do transporte.

Gripe suína – Começa a última etapa de vacinação contra a gripe suína na capital e as filas foram constantes nos postos. Durante o fim de semana, faltaram doses em alguns locais e a justificativa é que a procura foi acima do esperado. Nesta senama, o problema não vai se repetir, disseram autoridades ouvidas pela repórter Cátia Toffoletto na reportagem que você acompanha aqui.

Esquina do Esporte – O Campeonato Brasileiro começou no fim de semana com parte dos clubes atenta nas decisões pela Copa do Brasil e Libertadores, na quarta-feira. E no noticiário a rodada perde destaque pela expectativa da chamada da seleção brasileira que será amanhã, 13h. Mário Marra, novo comentarista da CBN SP, e Marcelo Gomes falaram sobre a possibilidade de haver novidades na lista a ser anunciada por Dunga.

Passeio de trólebus celebra passado de olho no futuro

 

Em comemoração aos 61 anos do trólebus no Brasil, organizações não governamentais e empresa operadora levam a população a refletir sobre a necessidade de transportes mais limpos e apresentam obras de expansão de rede de trólebus

Organizadores do passeio de trólebus

Por Adamo Bazani

Um encontro do passado com o futuro. Foi essa a tônica do passeio em comemoração aos 61 anos de trólebus no corredor que liga São Mateus, na zona Leste de São Paulo, a Jabaquara, zona Sul, pelos municípios de Santo André, Mauá, Diadema e São Bernardo do Campo. O evento que reuniu entusiastas e especialistas no setor de transportes, neste sábado, dia 8 de maio, é fruto de uma parceria entre a Metra (Sistema Metropolitano de Transportes Ltda), que é a empresa operadora do sistema, e movimentos sociais em prol do desenvolvimento dos transportes e da ampliação da oferta de veículos com tecnologia limpa, como Movimento Respira São Paulo, Movimento Defesa do Trolebus e Portal Via Trolebus.

Além de ser relembrada a história dos trólebus, considerados os veículos mais adequados à realidade econômica brasileira para oferecer um transporte de qualidade e sem emissão de poluentes, foram apresentadas aos participantes as obras de ampliação da rede elétrica para a colocação de trólebus no trecho do corredor entre Piraporinha, no ABC Paulista, Diadema e Jabaquara, na zona Sul de São Paulo.

O gerente de projeto funcional da CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanas, que atuou em diversos sistemas de transportes do Estado, Airton Camargo e Silva, afirmou que a eletrificação do corredor é uma antiga demanda da população que é servida pelo sistema do corredor ABD e que só não se realizou anteriormente por conta da descontinuidade administrativa.

“Na época do governador Franco Montoro, no início dos anos de 1980, o Metrô elaborou um grande projeto de ‘Rede Metropolitana de Trólebus”, que não previa apenas o corredor ABD, mas diversas ligações, que devido ao grande fluxo de veículos e de passageiros, se optou por serem servidas por veículos de tração elétrica para não haver degradação ambiental. O primeiro corredor a ser construído foi este do ABC Paulista. As obras começaram em 1985. Terminou o governo Montoro, o sucessor Orestes Quércia concluiu o corredor segregado em 1988, mas não eletrificou o trecho entre Piraporinha e Jabaquara. Acontece que as administrações seguintes também não se empenharam como poderiam. Só agora vemos as obras em andamento. Na verdade é um sonho antigo da população” – comenta Airton.

Problemas na contratação das construtoras também atrasaram as obras que já deveriam ter sido feitas há mais de 20 anos.

Nova estação de alimentação

Apesar do sonho ser antigo, a eletrificação do corredor será dotada de novidades em relação aos outros sistemas existentes no Brasil. É o que explica Jorge Françozo do Movimento Respira São Paulo: “O que há de moderno será instalado nesse trecho do corredor. As subestações de alimentação são mais novas e avançadas e virá ao Brasil um sistema que já deu certo na Europa. O trecho terá Rede Flexível. É um tipo de rede aérea cujos fios que fornecem energia para os trólebus são sustentados por pêndulos. Esses pêndulos minimizam os impactos causados por variações no solo, o que possibilita menos quedas de alavancas, menor desgaste de fios e, pelo fato de a rede se ajustar mais ao movimento do veículo, é possível uma condução mais simples, com maior velocidade e segurança, principalmente em curvas, e menor desgaste dos fios”. Ele também atribuiu a demora pela eletrificação do trecho à dificuldade dos políticos se decidirem em favor do meio ambiente. “Creio que até o final deste ano, as obras estejam concluídas”.

Pesquisa realizada no corredor confirma que os usuários preferem os trólebus aos ônibus convencionais, por serem menos poluentes, emitirem menos ruído e oferecerem mais conforto.

Tanto Jorge Françozo como Airton Camargo afirmam que a tração elétrica confere maior potência aos veículos, inclusive em trechos de maior exigência do ônibus, é mais econômica, pode durar até quatro vezes mais que equipamentos de outras fontes de energia, além de trazer uma qualificação ambiental da região que servem.

O passeio também foi marcado pela solidariedade. Cada um dos participantes doou um quilo de alimento não perecível. O material será repassado para a “Casa de Lucas”, unúcleo beneficente que ajuda crianças carentes, localizado em Santo André. Mensalmente a Metra doa para a entidade 2 toneladas de papel, boa parte dos bilhetes usados engolidos pelas catracas, para reciclagem.

Adamo Bazani, repórter da rádio CBN, busólogo e costuma escrever às terças-feiras no Blog do Mílton Jung, mas não perde uma viagem sequer na história do transporte de passageiros.

Faltam estacionamentos para bicicleta na cidade

 

Enquanto isso, em Nova Iorque, estacioamento de bike é arte

Enquanto isso, em Nova Iorque, estacioamento de bike é arte

Andar de bicicleta em São Paulo é tarefa tão difícil quanto estacionar a bicicleta, como se percebe no texto escrito pela designer Marina Chevrand que me foi encaminhado pelo diretor geral do Instituto CicloBR André Pasqualini. No artigo que você lê a seguir, Marina descreve a tentativa dele de assistir a um filme após deixar a casa dela pedalando:

Onde amarrei minha Filó

Nove da noite: horário marcado para minha sessão de cinema começar. Menos de 8 km separam minha casa, que fica na Pompeia, do Reserva Cultural na Avenida Paulista, meu destino.

Doze minutos é o tempo que eu gastaria de carro segundo o Google Maps (sem trânsito, sem semáforo, sem pedestres, sem esquinas e sem buracos na rua, provavelmente). Média de 35 minutos – nas mesmas condições e sem considerar o tempo de espera da condução -, se eu encarasse um busão e uma caminhadinha. Uma hora e meia se eu resolvesse gastar toda a sola do meu All Star.

Vinte e cinco minutos. O Google não me disse, mas sei que esse é o tempo que gasto pedalando a Filó para fazer esse trajeto. Não dependo do trânsito, não fico parada em sinais e conheço meu ritmo. Não tenho muitos fatores adversos a considerar: se o filminho (na faixa) começa às 21h, partindo às 20h,  chego, no máximo, às 20h30 no cine e ainda dá tempo de descolar um ingressinho, não dá? Não senhora, me desculpe, os ingressos esgotaram, dá uma lida no aviso que coloquei aí, ó.

Assim como o Google Maps, no Brasil ainda não considera um trajeto percorrido de bicicleta, os motoristas e os responsáveis por cuidar dos interesses de quem mora na cidade também ignoram o fato de que os ciclistas existem. Por isso ninguém se preocupou em fazer ciclovias ou ciclofaixas nem em criar espaços para estacionar as bikes. E era esse o fator adverso com o qual eu não contava.

Portanto, às 20h25, horário planejado para minha chegada, começou minha saga – não planejada: Moço, posso prender minha bike aqui? Não, o poste é do prédio, vão reclamar.

Empurrando a magrela, sigo em frente e sorrio para a moça da CET: Oi, tudo bem!? Pode me dizer onde estacionar a bike? Um longo minuto de silêncio, tenho a impressão que perguntei a ela quais seriam os números da Mega Sena. Ihhhhh moça, aqui na Paulista? Ixi! Da até vergonha de responder isso, mas tá complicado né?!.

Sorriso amarelo de cá, outro de lá. Um estacionamento do outro lado da rua, como não pensei nisso antes! Oi, posso deixar a bike aqui no cantinho? O que é isso menina, isso aqui é um estacionamento de carro!. Então, mas é que eu não tenho carro, só tenho minha bike…mas tenho dinheiro e posso pagar. A saída é daquele lado de lá, moça, não dá não.

20h40. Parada na calçada central da Paulista, olho para minha magrela. Juntas não somamos nem 60 quilos. Não poluímos, não fazemos barulho, não ocupamos espaço, mas me sinto muito marginal com ela por, simplesmente, não cabermos na lógica de São Paulo.

Outro estacionamento e o tempo corre. Oi, por favor, pelo amor de Deus, posso deixar minha bike aqui no cantinho?! Preciso correr, meu filme vai começar e ainda nem retirei meu ingresso! Me envergonho de mim mesma naquela situação ridícula, de mãozinhas em prece e sobrancelhas enviesadas. Põe no cantinho lá no final, menina. Alma boa tem o moço, descolou um lugarzinho seguro e tranquilo pra minha Filó.

20h55. O tal do aviso colado na minha cara me faz respirar fundo de raiva.

Mas… outro filme, talvez? Nada? Esgotou tudo? O café ali de baixo também já tá fechando? No meu caminho de volta paro pra perguntar a um ciclista sobre como ele conseguiu “gambiarrar” aquelas luzinhas no capacete, e aperto o passo ansiosa para chegar em casa e fazer o mesmo.

Oi de novo, voltei, posso pegar minha bicicleta?. Mas já, menina?

25 minutos, 30 buracos e 10 buzinadas depois estou de volta, refazendo minhas contas de tempo, com durex, luzinhas e capacete nas mãos e sabendo que apesar de tudo, melhor opção não há.

A pedido da Marina publico o link com reportagem sobre o paraciclo da foto, projeto do ex Talking Heads e cicloativista David Byrne