Novo órgão de transporte terá mais poder que EMTU

 

Governo paulista quer construir rede metropolitana de transporte público em todo o Estado reduzindo a dependência do automóvel. São Caetano sai na frente.

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Por Adamo Bazani

O Estado de São Paulo pretende criar um órgão para planejar e executar projetos integrados de mobilidade com a intenção de estruturar uma rede que ligue todas as cidades paulistas. Seria a AMT – Autoridade Metropolitana de Transportes com papel semelhante ao da EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos, que tem suas ações voltadas apenas para as três regiões metropolitanas (Campinas, Baixada Santista e São Paulo) e atua nos transportes intermunicipais por ônibus e de fretamento.

A AMT integraria também os transportes intermunicipais de outras regiões e promoveria a interligação com trens e metrô, e a EMTU seria mantida com as atribuições habituais.

Segundo o Secretário Metropolitano dos Transportes, José Luiz Portella, o projeto começou a ser desenvolvido há um ano e meio e, além das linhas intermunicipais, vai contemplar também as linhas internas de cada cidade. Uma tentativa de corrigir o que o próprio secretário diz ser um erro, pois serviços intermunicipais e municipais se sobrepõem, dividem o mesmo espaço urbano, e não há ao menos uma troca de informações entre os gestores. Para isso, o projeto prevê a criação de consórcios em cada uma das regiões. As cidades não serão obrigados a participar desses consórcios.

Com o planejamento e operação em conjunto, contando com as empresas privadas, a AMT teria capacidade de oferecer estímulo para o aumento da qualidade e produtividade dos serviços e integração tarifária real.

O blog teve acesso a partes do projeto.

Em relação à qualidade, melhorias de frota, de malhas e capacitação profissional dos operadores são pontos em destaque. Sobre a questão da produtividade, a ideia é reformular, em parceria com os municípios, trajetos ociosos, privilegiando aumento de oferta nas linhas de maior demanda. A integração tarifária já leva em conta a possibilidade de uso de modais diferentes por um valor fixo. Segundo o projeto, os custos dessa integração, alvos de estudo, seriam compensados pela maior produtividade e viabilidade dos serviços.

A implantação de monotrilhos e VLTs – Veículos Leves sobre Trilhos já está inclusa no pacote de integração.

O projeto da AMT – Autoridade Máxima de Transportes – visa criar mecanismos para desestimular o deslocamento de carro., mas para isso o transporte coletivo teria de aumentar a qualidade.
Esse projeto foi inspirado em modelos de transportes integrados já existentes na Espanha, Inglaterra e Estados Unidos, este último país, no qual os ônibus são integrados até com as ciclovias.

Em relação aos consórcios das cidades, estes teriam de se reportar sempre a AMT que analisaria e aprovaria ou não os projetos locais.

A ideia, segundo fontes ligadas a área de transportes, é remodelar as operações por ônibus, trem e metrô para melhorar a mobilidade no dia a dia dos passageiros e também preparar São Paulo para receber a Copa do Mundo do Brasil de 2014, quando a demanda por transportes de qualidade será maior.

Primeiros passos

A criação da AMT depende ainda de aprovação da Assembleia Legislativa de São Paulo, mesmo assim a primeira parceria para integração de transportes entre um município e o governo estadual já foi firmada, dentro dos parâmetros de funcionamento do futuro órgão.

De acordo com informações do jornal Diário do Grande ABC, o prefeito de São Caetano do Sul, Auricchio Júnior, e o Secretário de Transportes Metropolitanos, José Luiz Portella, elaboraram projeto para integrar os ônibus da cidade com os demais meios de transportes de outras regiões de São Paulo, incluindo a Capital Paulista, demais municípios do ABC e outras cidades próximas a Capital. Para Portella e Auricchio foi a primeira experiência para a integração de serviços de mobilidade nos moldes a AMT – Autoridade Máxima de Transportes.

O objetivo do encontro foi expor ideias para a melhoria dos transportes intermunicipais em São Caetano do Sul e como a cidade pode ajudar, pelo seu sistema de transportes local, outras regiões ligadas a ela. Protocolo de intenções entre a Secretaria Metropolitana de Transportes e a cidade de São Caetano do Sul será assinado.

Os técnicos de transportes do município do ABC Paulista diagnosticaram os principais problemas e lacunas nos serviços por ônibus. A partir destes dados, os profissionais devem realizar estudos temáticos separadamente para depois compor um conjunto de propostas que farão parte do acordo entre Governo do Estado de São Paulo e Prefeitura de São Caetano do Sul.

A população deverá ser consultada, já que estão previstas no cronograma do projeto pesquisas quantitativas e qualitativas com o usuário de transportes de São Caetano do Sul.
Em entrevista ao jornal Diário do Grande ABC, o prefeito José Auricchio Júnior, afirmou que essa nova parceria, já contando com a atuação da Autoridade Máxima de Transportes, vai preparar a cidade de São Caetano do Sul para a Estação Tamantuateí do Metrô e para a implantação de um sistema de Metrô Leve no território sul sãocaetanense.

Adamo Bazani, repórter da CBN, busólogo, escreve no Blog do Mílton Jung

Aprovado novo trólebus com tecnologia nacional

 

Veículo mais leve e com tecnologia desenvolvida no país para evitar o impacto no meio ambiente passou por todos os testes e recebeu aval da SPTrans para rodar na cidade de São Paulo.

Trólebus mais leve e mais limpo


Por Adamo Bazani

Agora é definitivo! São Paulo vai contar de fato com um trólebus novo, que traz soluções inéditas e prova que o Brasil tem condições de fabricar veículos de transporte coletivo com tecnologia limpa. Nasexta-feira, 18 de junho, a SPTrans – São Paulo Transportes – bateu o martelo e aprovou o trólebus Ibrava/Tuttotrasport/Iluminatti/WEG, a partir de critérios relacionados as novas normas de operação, segurança e conforto.

“Para nós a ansiedade foi muito grande. Apesar de contratempos normais na elaboração de qualquer produto novo, as etapas de concepção até a finalização do trólebus ocorreram como esperávamos. Mas, olha, o coração acelerava a cada dia. É uma tecnologia nacional, uma solução totalmente brasileira, o que vale ser destacado. Foi como o nascimento do primeiro filho de um recém-casado” – declara satisfeito Edson Corbo, da Iluminatti, umas das empresas envolvidas na concepção do novo trólebus.

Ele explica que o veículo se comportou de maneira satisfatória em todos os testes efetivos da SPTrans – São Paulo Transportes, gerenciadora do sistema municipal de ônibus de São Paulo. As avaliações começaram pra valer no dia 8 de junho. Entre os dias 9 e 10 houve os testes dinâmicos, que são aqueles nos quais, com equipamentos de referências de dados e com o atento olhar de técnicos, toda a operação do ônibus é simulada. Paradas em pontos, passagens pelas vias, relação com a rede elétrica aérea, peso simulando o dos passageiros. Tudo foi analisado nos mínimos detalhes.

Houve um contratempo em relação ao raio de giro, que leva em conta o quanto as rodas giram em manobras e curvas, ponto que é previsto na NBR 15570, que leva em consideração itens sobre conforto, segurança e operação dos veículos de transporte público. Mas o problema foi logo resolvido.

“Entrávamos cedo na garagem da Himalaia Transportes S.A, saíamos tarde, às vezes não tinha sábado, domingo, feriado” – relembra Edson Corbo sobre o trabalho da equipe durante todo o projeto, construção e adaptação do veículos.

A Himalaia é a única empresa que opera os cerca de 200 trólebus de São Paulo, que prestam serviços principalmente na zona Leste. Antes de 2001, quando boa parte das redes foi desativada, São Paulo chegou a ter cerca de 450 ônibus elétricos, que são totalmente não-poluentes.

São várias as inovações do veículo recém aprovado, que recebeu o prefixo 4 1901. O sistema refrigerado a água deixa o trólebus até 400 quilos mais leve, o que proporciona maior capacidade de transporte de passageiros, menos custos e desgastes de operação e melhor rendimento e aproveitamento da energia elétrica.

Toda a operação do trólebus pode ser monitorada em tempo real na garagem, terminais e no próprio ônibus. O IHN – Interface Homem Máquina – dá ao motorista, por meio de uma tela de LCD no painel do ônibus, todo o controle de tração e funcionamento. Já o sistema Multiplex permite oferecer informações em tempo real sobre as inclinações e estado da carroceria, funcionamento dos componentes e forma de operação. Os parâmetros sobre a forma de operação permitem que o motorista corrija eventuais falhas na hora e traz à garagem uma noção do comportamento dos operadores, o que pode gerar novos procedimentos mais eficazes de como dirigir e manter o trólebus. Todos estes sistemas de informação e tração permitem a redução da fiação interna do veículo, o que significa, menos peso ainda e mais eficiência.

Com o sistema de corrente alternada, mais eficiente que o de corrente contínua, e que permite o uso de eixos de tração nacionais, o novo trólebus disponibiliza de monitoramento por câmeras, que servem para segurança e auxílio do motorista nas operações. Monitores de LCD vão informar os passageiros sobre itinerários, horários e dicas úteis. A iluminação do salão de passageiros e área do motorista e cobrador também é moderna. Tudo por LED.

Participaram do projeto diversas empresas:

– Iluminatti: integração de todos os sistemas com carroceria, chassi e outros componentes.
– Bosch: câmeras de Vigilância, monitoramento e telas de informação ao usuário
– Tuttotrasporti: Chassi
– Ibrava: carroceria (a única no mercado planejada exclusivamente para trólebus, os outros modelos nas ruas, já são consagrados como veículos a diesel e foram adaptados para o sistema elétrico)
– WEG: motor e sistema de tração
– Dilmethoz: Sistema Multiplex de gerenciamento e informação operacional e itinerário
– Gardinotec: que desenvolveu sistemas modernos e exclusivos de compressores e de parte do sistema de suspensão

O melhor de tudo isso: todas estas empresas desenvolveram produtos brasieiros.

“Isso é prova que a indústria e as operadoras têm capacidade de desenvolvimento e prestação de serviços de veículos com tecnologia limpa. Algo que nos orgulha muito. Essa capacidade nacional prova que o trólebus é economicamente viável”.

Além do rendimento energético de um trólebus (o que faz mesmo o veículo andar) ser muito maior que os veículos a diesel, a energia no trólebus é aproveitada em 90% para movimento, enquanto no ônibus convencional o diesel só é aproveitado em torno de 45%, (o resto vira calor), o ônibus elétrico é mais seguro, dura até 3 vezes mais e não polui nada.

O próximo passo é aproveitar o lixo e sua queima, com estações dotadas de filtros especiais, para gerar energia elétrica e fazer os trólebus funcionarem, barateando ainda mais os custos de operação.

“Sabemos que isso é totalmente viável” – garante Edson Corbo da Iluminatti.

Apesar da aprovação total por parte da SPTrans, ainda a gerenciadora não estipulou uma data para as operações comerciais.

Adamo Bazani, repórter da CBN, busólogo e escreve no Blog do Mílton Jung

O que levar da Cidade do Cabo

Direto da Cidade do Cabo

Cidade do Cabo da Table Montain

A beleza intransferível da Cidade do Cabo seria o melhor que teríamos para levar daqui para São Paulo, pensei logo que a Fabíola Cidral perguntou-me sobre o assunto durante o CBN São Paulo, desta terça-feira. Fui injusto com certeza com esta que é a mais europeia das cidades sul-africanas, pois uma atenção maior no entorno e veremos que há muito mais do que a natureza ofereceu.

A limpeza do Cabo chama atenção, mesmo com a cidade tomada de turistas desde o início do mês. São milhares deles desfilando todos os dias, em especial no Waterfront, sem que deixem espalhados pelas calçadas suas marcas. Tive a curiosidade de perguntar a moradores daqui se a situação se devia aos cuidados para a Copa do Mundo e estes me garantiram que a vida por aqui é assim.

Desconhecem a Lei Cidade Limpa, pois é possível encontrar nas empenas dos prédios alguns anúncios publicitários. A poluição visual, porém, é imperceptível, talvez resultado do respeito que têm pela paisagem da cidade, desenhada pela Table Mountain e a baía logo em frente. Mesmo as lojas não usam luminosos extravagantes e na rua principal, Long Street, se esforçam para manter o cenário do passado, com balcões de arquitetura vitoriana que se estendem sobre as calçadas.

Cidade do Cabo

O desrespeito arquitetônico mais gritante está no pé da montanha, onde uma empresa de construção usou de uma brecha na legislação para levantar três torres absurdas que rasgam o visual da cidade. Exageraram tanto que chamaram atenção dos locais e as autoridades foram obrigadas a impedir que a construção seguisse para cima. Foi concluída, está em funcionamento, mas é uma vergonha viver ali.

Hoje pela manhã, encontrei com o jornalista Daniel Piza, do Estadão, que foi nosso colega na CBN, também. E ele me alertou para outro fator interessante que muitas vezes passa despercebido de nossos olhos: a organização nos pontos turísticos. Comparamos a subida a Table Mountain, feita por um teleférico, e a subida ao Corcovado, no Rio de Janeiro, que já havia sido motivo de queixa de um artista chileno que conheci. Aqui, chegasse aos 1.000 metros de altura e se tem um enorme parque para andar de maneira segura e rápida para as condições. As filas, apesar de grande, fluem sem cansar, ao contrário das que encontramos na capital fluminense. A estrutura oferecida ao turista também é muito boa.

Isto se repete em todos os demais pontos de visitação.

Cap Bay e Table Montain

Levaria para São Paulo, o respeito que os motoristas tem com as faixas de segurança. Em um trânsito que anda na mão inglesa, principalmente na área turística, o pedestre tem preferência para atravessar as ruas. Aliás, apesar dos problemas alegados para deslocamento, temos um tráfego bem mais ameno que o da capital paulista, pois falamos de uma cidade com 1,3 milhão de moradores que vivem em um extensa área geográfica, o que faz com que a densidade demográfica seja baixa, muito diferente de São Paulo.

Falaria, também, do respeito aos ciclistas, fator que presenciei nos primeiros dias de visita à cidade, porém ouvi queixas de brasileiros especializados no tema que estiveram por aqui. Renata Falzoni, por exemplo, disse que correram riscos ao encarar ruas e avenidas da cidade. Na dúvida, que levemos apenas o que eu vi e deixemos por aqui o que ela identificou.

A reclamar o serviço de táxi, bastante precário, apesar de termos encontrado motoristas sempre simpáticos e perdidos. Sim, eles pouco conhecem a cidade, parece que desembarcaram por aqui dias atrás para faturar com o movimento da Copa. Aliás, não só parece, pois é o que acontece com vários prestadores de serviço.

Torcedores na Cidade do Cabo

Deixemos por aqui, também, a violência que impera nesta sociedade. Mas São Paulo também é muito violento ? Índices comparados, a taxa de homicídio na capital paulista é metade da que encontramos na Cidade do Cabo. A insegurança, aliás, leva os restaurantes a manter hábito estranho para nós, às 11 horas as cozinhas fecham e não servem a mais ninguém. Quem chegou atrasado terá de se virar em algum pub da área turística.

Uma última coisa que gostaria de levar na mala é o clima que tomou conta da cidade neste Mundial, mas para tal teremos, primeiro, que garantir a participação de São Paulo na Copa2014.

Em três meses, ônibus a hidrogênio na cidade

 

Com projeto de U$ 16 bi, e testes com resultados positivos, ônibus não-poluentes vão rodar no corredor do ABD, anuncia EMTU

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Por Adamo Bazani

Depois do anúncio com muita pompa no ano passado, contando com a presença do então Governador de São Paulo, José Serra, o ônibus movido com célula combustível de hidrogênio caiu no esquecimento. O veículos estava em testes e a EMTU anunciou, finalmente, que o ônibus, com tecnologia desenvolvida e emissão zero de poluentes servirá a população em até 90 dia.

De acordo com a Empresa Metropolitano de Transportes Urbanos, que gerencia os transportes intermunicipais por ônibus nas regiões metropolitanas de São Paulo, Baixada Santista e Campinas, o veículo vai operar no corredor metropolitano ABD, ligando São Mateus, na zona leste, a Jabaquara, na zona sul da Capital, pelos municípios de Santo André, São Bernardo do Campo e Diadema, com extensão para a região da Berrini, na zona Sul de São Paulo, e para Mauá, no ABC Paulista.

O desenvolvimento do projeto deste ônibus custou U$ 16 milhões de dólares e teve a parceria de empresas privadas, governos federal e estadual e instituições internacionais. Os testes realizados com sacos de areia e galões de água no próprio corredor e, também, dentro da garagem da operadora Metra, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, surpreenderam positivamente a EMTU e a empresa.

O desempenho, segundo a EMTU, não ficou em nada atrás dos ônibus diesel e trólebus. Mas a grande novidade em relação aos testes foi a economia de combustível. A expectativa dos fabricantes era de que o ônibus percorresse 100 quilômetros usando 15 quilos de hidrogênio. O consumo médio foi de apenas 12 quilos para os mesmos 100 quilômetros percorridos, no corredor, que é de via segregada, com pavimento especial, considerado modelo mundial de transportes.

Mais ônibus a hidrogênio em São Paulo

A EMTU anunciou também que, em um ano, aproximadamente, serão comprados mais três ônibus a hidrogênio. O tempo de teste será bem menor e eles já devem rodar comercialmente dias após a aquisição. A gerência de planejamento da Empresa declarou que pretende comprar ônibus de 15 metros de comprimento, com três eixos, para serem abastecidos com o hidrogênio. Ainda não foi definida a carroceria, mas o chassi deve ser da TuttoTransport, o mesmo utilizado para o ônibus atual, Padron de 12 metros, com carroceria modelo Gran Viale, da Marcopolo, de Caxias do sul.

Além de planejar a compra de mais ônibus, a EMTU, em parceria com a Petrobrás, finaliza a construção de uma estação de geração e abastecimento para os ônibus. Esta estação está sendo construída dentro da garagem da Metra, em São Bernardo do Campo. Nela será feita a dissociação das moléculas de água em oxigênio e hidrogênio por um processo chamado eletrólise, um procedimento eletro químico que transforma o hidrogênio para a célula de combustível e libera oxigênio em forma de vapor d’água.

O ônibus a hidrogênio se trata nada mais nada menos que um veículo elétrico híbrido. O Hidrogênio é colocado nos tanques que ficam no teto do ônibus. Por meio de processos eletroquímicos, é transformado em eletricidade, que moverá o motor de tração do ônibus. A célula e o processo ainda são de materiais importados, mas carroceria, chassi e integração do conjunto são nacionais. O veículo também usa o princípio da frenagem regenerativa, no qual a energia é armazenada em situações nas quais o motor não precisa de força máxima para funcionar. Essa energia é utilizada depois em condições mais severas. Toda a energia extra é reservada num banco de baterias que pode mover o ônibus sem o hidrogênio.

Adamo Bazani, jornalista da rádio CBN e busólogo, escreve no Blog do Mílton Jung

A viagem no ônibus da Copa, em Santo André

 

Ônibus da Copa em Santo André

Por Adamo Bazani
 

“Já são três dias sem dormir direito. Não via a hora. Para mim a abertura da Copa do Mundo é hoje. A expectativa é a melhor possível”. A frase foi dita no dia 9 de junho, quarta-feira, e revelava a expectativa não de um dos convocados do técnico Dunga, mas de Fumassa (com dois esses mesmo), motorista da Viação Vaz, que faz parte integr o Consórcio União Santo André, gerenciado pela SATrans – Santo André Transportes.

Acostumado a se vestir de Papai Noel no fim do ano, desta vez o personagem que ele iria representar era outro: o de torcedor do Brasil, a bordo de um Comil Svelto Midi, motor Mercedez Benz OF 1418. A empresa vestiu o ônibus de verde e amarelo e o transformou em uma espécie de estádio de futebol ambulante. Há bandeiras e enfeites alusivos ao Brasil, uma réplica da Copa do Mundo no painel do Motorista e o assoalho está revestido com grama sintética. Além disso, foram instalados dois televisores LCD, de LED, 22 polegadas, para que os passageiros possam assistir aos jogos do mundial.

O sócio-diretor da empresa, Thiago Vaz, conta que a preparação do ônibus deu trabalho, mas que valeu a pena:

“Priorizamos a alegria e as cores do Brasil e isso será gratificante demais quando o ônibus estiver na rua. E esse veículo foi fruto de união, vontade, abnegação dos funcionários e trabalho de equipe. Primeiro elaboramos o layout com a opinião de todos, para deixar o ônibus com visual alegre, porém equilibrado, sem ser pesado ao olhos das pessoas. Depois veio o trabalho de envelopamento e adesivação, de acordo com o que foi autorizado pela gestora de transportes aqui de Santo André. Foi um dia inteiro de trabalho artesanal, contando com um profissional especializado. A parte interna, que tem os enfeites e a grama sintética, teve a participação de especialistas e também de funcionários. As idéias e boa parte do trabalho para decorar o ônibus internamente foram de duas funcionárias do setor de almoxarifado, a Regina e a Natiele. O ônibus integrou a equipe interna e com certeza vai integrar a Viação Vaz à comunidade” .

Só para o envelopamento externo a empresa investiu R$ 6,8 mil. Investimento que, segundo o dirigente, é compensado pela maneira como a comunidade reage diante de uma ação como esta.

Acompanhei a primeira viagem do ônibus pelas ruas de Santo André com o motorista Fumassa no comando. Mal saímos da garagem, no Jardim Bom Pastor, o pessoal de uma padaria foi para a calçada aplaudir e acenar.

“É hexa, é hexa” – gritava o motorista e a galera repetia.

Ônibus da Copa em Santo André

Na primeira parada, um presente para Fumassa. Era Dona Iraíde Paulo da Silva, que conhece o motorista desde pequenininho. Ela já entrou brincando:

“É muito chique viajar com o Fumassa. Conheço ele há 28 anos, quando tinha 5 aninhos e fazia o prezinho … Fumassa, sabe que eu tenho por você um amor de vó “ .

A demonstração de carinho emocionou o motorista, que lembrou de sua infância e adolescência difíceis. Junto com a mãe, ele tinha de ajudar no sustento da família.

“Minha mãe é uma guerreira, viu. Pena que ela já é de idade e doentinha. Senão, fazia questão que ela fosse minha primeira passageira neste momento tão especial” – emociona-se.

Especial mesmo. A cara emburrada e de cansaço de boa parte dos passageiros mudava ao ver o ônibus todo enfeitado e o motorista vestido como jogador da seleção – sim, porque Fumasse não perderia a oportunidade de estar travestido assim como o ônibus.

Muitos riam, outros puxavam assunto, faziam piadas. Alguns, mais surpresos, perguntavam se era mesmo o ônibus da linha I 03 (Jardim Bom Pastor / Parque Caupava).

As crianças então eram as mais entusiasmadas. Fumassa retribuia distribuindo chaveirinhos para os meninos e meninas que festejavam a passagem do ônibus. Era presente para crianças, mas adulto também queria.

As reações dos passageiros do “Bus Copa” eram as mais variadas possíveis.

“Muita gente diz que o povo só é patriota na Copa do Mundo. Eu discordo. Só de acordar cedo, pegar uma condução nem sempre como queríamos, trabalhar o dia todo com pressão e ainda ter um espaçozinho dentro do coração para ser bem humorado, já é um sinal de amor ao País e à vida” – disse o mecânico José Tonduratto, um dos passageiros do sentido Capuava.

Aliás, frases e pensamentos como este eram despertados pelos enfeites e o entusiasmo do motorista Fumassa.

Num certo ponto da viagem, um senhor entrou no ônibus, ficou admirando os veículo. A grama sintética no piso, o que era mais comentado pelos passageiros, mas passou quase o tempo todo em silêncio. Este repórter então foi puxar um papo com ele. Não deu outra, o homem demonstrou toda a emoção e saudosismo que sentia no momento. Isso porque ele, já aposentado, fora motorista de ônibus e, mesmo sem o incentivo da empresa, em época de Copa do Mundo, sempre fazia questão de decorar  o veículo mesmo que de maneira simples.

Erinédio Soares trabalhou na Viação Garcia, não a famosa do Sul do País, mais uma de fretamento que operava no ABC. Ele foi motorista só desta empresa por 24 anos.

“Nossa, me lembro que eu decorava os ônibus também. Claro, era simplezinho, mas para mim era uma ocasião especial na época de Copa do Mundo e outras datas festivas. O senhor Ângelo Garcia fundou a empresa em abril de 1973. Já fui trabalhar na empresa quase em seguida. Em 1981, ele passou para outros donos que ficaram com a Garcia Fretamento até 1998. Foi quando eu fui transferido para a São José de Turismo. Trinta carros com os motoristas foram para a São José e 60 carros, também, com os funcionários para a Domínio. Êta época boa, dirigir ônibus tem seus problemas e estresse, mas é muito bom” .

Ao se aproximar do ponto final, Fumassa falava em alto e bom som: “Aqui é minha área”. Era verdade. Ele tinha de parar em quase todo o quarteirão para dar um olá para um conhecido e entregar um chaveiro para uma criança. A cada rua uma história.

“Vi o filho da dona deste bar pequenininho, agora ele está crescendo …. nos finais do ano, sempre uma velhinha que morava nesta casa vinha me ver de Papai Noel …. ah essa casa aí, ta vendo? .. Tem uma senhora muito legal. Me dá uma garrafa de café quase todo o dia”.

Muitas outras histórias foram contadas por Fumassa até chegarmos ao ponto final, no Parque Capuava. A satisfação dele contaminava a todos e a este repórter, em especial.

Ao desembarcar, pensei comigo mesmo: ” Falta de união para lutar por uma vida melhor… Pouco engajamento político… A crença e ilusões … A fácil manipulação… Tudo isso é crítica que se pode fazer ao povo brasileiro, mas é um povo batalhador que com todos os problemas ainda dá valor ao sorriso, como se vê no rosto e na alma do motorista Fumassa”.

Ádamo Bazani é repórter da CBN, busólogo, e torcedor do Brasil

A Copa da África é nossa. Ou melhor, dos nossos ônibus

 

Meu consultor particular para assuntos de ônibus, Ádamo Bazani foi uma das fontes de informação para texto publicado na segunda-feira, no Blog Fora da Área, no Portal Terra. Deu o que falar, graças a participação de ‘comentaristas’ especializados ou não. Trago para cá, o texto de autoria do Ádamo que me inspirou na chegada a Cidade do Cabo.

Ônibus brasileiro na Copa

Por Ádamo Bazani
 
É oficial! O Brasil conquistou a Copa do Mundo na África do Sul, em 2010.

No futebol, ainda é necessário esperar e ver como o time de Dunga irá se comportar, mas no setor de transportes, o país surpreendeu até mesmo a expectativa dos produtores nacionais. Marca presença em praticamente todos os deslocamentos, urbanos e específicos para os times e comitê organizador do evento máximo do futebol mundial.

Vencendo concorrentes de até mais tradição na fabricação de ônibus, a indústria brasileira conseguiu aliar preço, boas condições de produção e qualidade e foi a grande vencedora do Mundial neste setor.

Se, em todos os campeonatos de futebol, em qualquer lugar do planeta, há um espírito de Brasil no ar, nesta Copa, mais ainda.

Os 460 ônibus que levarão as 32 delegações, o comitê oficial da Fifa, profissionais de imprensa, convidados especiais e que também prestarão serviços para as empresas de turismo que compraram camarotes são produzidos pela Marcopolo, empresa de Caxias de do Sul, com chassi Mercedes Benz do Brasil, cuja fábrica é em São Bernardo do Campo. Os ônibus foram adquirido pela Autopax Passenger Service Ltda, empresa com sede em Pretória , sendo a maior transportadora da África do Sul.

A Marcopolo, genuinamente brasileira, é uma empresa multinacional, e possui uma unidade fabril em Gauteng Province, localidade de Johannesbrugo. A fabricante de carrocerias ganhou a concorrência aberta pela Fifa em agosto do ano passado. Já em setembro começou a fabricar as primeiras das 460 unidades iniciais previstas. O número aumentou para 476, já que a empresa acabou fornecendo ônibus reservas e para outros serviços encomendados pela transportadora local. As últimas unidades foram produzidas em fevereiro. Os veículos chegaram no fim de abril na África do Sul, numa viagem de navio que durou aproximadamente um mês.

As carrocerias saíram do Brasil 80% prontas: sem os chassi, alguns detalhes de acabamento e pintadas de branco.

A maior parte dos veículos é do modelo Paradiso 1200, da Sexta Geração, um ônibus muito conhecido dos brasileiros e líder no segmento nacional de rodoviários para médias e longas distâncias. Eles possuem capacidade entre 38 e 46 lugares. A Marcopolo também vai fornecer o Modelo Andare 1000, com capacidade de transporte semelhante, só que mais simples, e, em menor número, os veículos de luxo Multego.

Aliás, dois Multego já estão garantidos para levar os dirigentes da Fifa. Eles possuem ar condicionado ecológico, capacidade para 39 passageiros, que serão transportados confortavelmente em poltronas mais amplas que as convencionais. Os Multego também possuem geladeira, área de convivência, com mesa, e são equipados com monitores de TV LCD especiais, mais finos que os aparelhos de LCD encontrados normalmente no mercado. Os Multego também terão portas centrais de acesso, o que permite um maior isolamento da área do motorista do salão dos passageiros.

Quando os ônibus Marcopolo chegaram à unidade da empresa na África do Sul, no fim de abril, foram finalizados, recebendo mais itens de conforto, pintura e chassi.

Vale lembrar que os ônibus que aparecem na TV, com as cores e frases das seleções, levam a marca da Hyundai, montadora de veículos, que é uma das patrocinadoras oficiais do evento.

Ônibus do Brasil na Copa

Não serão apenas as carrocerias que vão deixar a marca do Brasil nos transportes da Copa do Mundo na África do Sul. Os chassis destes veículos também são brasileiros. Os 460 veículos para o transporte especial voltado exclusivamente para evento, operados pela Auto Pax de Pretória, receberam plataformas e motores produzidos em São Bernardo do Campo.

Os chassis são da família O 500, a mais moderna da Mercedes do Brasil. A maior parte dos modelos é de O 500 RSD, de três eixos. É considerado um dos mais avançados do mundo. A motorização é toda eletrônica e segue rigorosos parâmetros europeus para a redução de emissão de poluentes e oferecem, por meio da eletrônica e informática, um maior controle operacional, fornecendo ao motorista dados em tempo real sobre o desempenho, operação e eventuais problemas nas partes elétrica e mecânica dos veículos. A potência também agradou os sul-africanos e os técnicos da Fifa. O motor desse ônibus, OM- 457 LA rende de 360 a 422 cavalos, dependendo do torque. O ônibus é robusto, com reforços na estrutura do chassi, nas rodas e todo sistema de transmissão. O Peso Bruto Total é de 24 mil quilos cada ônibus.

Os chassis e motores foram exportados para a África do Sul no sistema CDK, ou seja, partiram de São Bernardo do Campo desmontados. Chegando à África do Sul, eles foram montados na planta da Mercedes Benz em East London.

Quem quiser conferir as imagens de alguns ônibus das seleções, pode acessar o link

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Insensatez e demagogia

 

Por Carlos Magno Gibrail

estacionar

É melhor ser proibido de estacionar hoje do que ser obrigado a estacionar amanhã. Por total falta de espaço.

É proibido estacionar!

Em um ano esta deverá ser a realidade para a capital paulistana, se vingar o plano do secretário de transportes Alexandre de Moraes, reservando as ruas do centro expandido apenas para passagem, divulgado em manchete pela Folha há 10 dias.

Pelo proposto serão criadas 32.000 vagas de garagem em prédios e os caminhões e motos terão restrições de locomoção. Horários e locais serão revistos.

Essa política de exceções tendo em vista o crescente número de veículos que são introduzidos diariamente na cidade é absolutamente lógica. Entretanto, a população, já vitimada pela síndrome de Estocolmo, de acordo com recente pesquisa, que detectou boa parte dos paulistanos acomodados com o congestionamento, demonstra também um horror ao pedágio urbano. E a qualquer medida restritiva ao tráfego e circulação de automóveis. Síndrome e miopia que isoladas já seriam graves, mas juntas e somadas podem gerar um caos.

Moraes e Kassab sabem disso tudo. E, embora os técnicos como José Bento Ferreira da USP e Adalberto Felício Maluf Filho da Fundação Clinton apóiem as restrições, a precaução é tanta que há medo até de usar corretamente a palavra restrição.

O Secretário Moraes insiste que as mudanças são re-ordenamentos ou re-organizações, mas não são restrições.

Nem a imprensa escapa, pois a Ombudsman da Folha, Suzana Singer, domingo, puxou a orelha do seu jornal por ter dado manchete de primeira página à declaração do Secretário de Transportes quando anunciou a cobrança de estacionamento nas futuras garagens do centro expandido. Acatando críticas de leitores, ressaltou ainda que o jornal abriu pouco espaço ao desmentido da Prefeitura, que afirmava que vagas nas ruas continuariam. Como se o desmentido de Kassab fosse diferente do surrado expediente de culpar sempre a imprensa. De manipulação, de invenção, de intromissão, quando não de omissão.

Omissão que talvez ocorresse não fosse o diálogo de Gilberto Dimenstein na CBN com Mílton Jung quando, ao analisar reportagem do Estado sobre a ineficácia das obras recentes na Marginal, chamaram a atenção ao dinheiro desperdiçado em obras viárias, enquanto não se tem coragem de adotar o pedágio urbano.

Com o medo do pedágio urbano, esta proposta de cobrança de estacionamento por garagens privadas é no mínimo insensata, pois a solução é taxar os carros e reverter este capital para a construção de melhorias no transporte coletivo. Nunca deixar esta atividade para a iniciativa privada.
Como vemos a solução é simples. Basta usar as palavras certas.

Restringir os veículos: carros, caminhões, motos e priorizar os pedestres: ônibus, trens, metrô, bicicletas.
A dificuldade certamente é a eleição, ou o eleitor, que soubemos recentemente além da síndrome de Estocolmo e do trauma ao pedágio ainda está dividido entre voto obrigatório e voto facultativo.

Certamente os paulistanos deverão ter o trânsito merecido.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas no Blog do Mílton Jung

Corredor ABD quer ser maior e mais verde

 

Renovação da frota e ônibus maiores e menos poluentes trarão qualidade ao serviço que é tido como referência na América Latina que une cidades do ABC e a capital paulista.

Caio Millennium II da Metra

Por Adamo Bazani

Os passageiros de ônibus e trólebus da capital paulista e região do ABC, servidos pelo corredor metropolitano ABD, vão contar com uma série de inovações para o sistema, ainda no segundo semestre deste ano. O corredor liga o bairro de São Mateus, zona leste, ao Jabaquara, sul, passando pelas cidades de Santo André, São Bernardo do Campo, Mauá e Diadema. Em breve, terá veículos urbanos novos e articulados com o que há de mais moderno em termos de operação e acessibilidade. Ações ambientais serão implementadas pela empresa operadora Metra e haverá a conclusão das obras que acrescentarão mais 12 quilômetros de vias segregadas aos 33 existentes.

Já está na garagem da Metra uma parte do lote de pelo menos 11 ônibus novos que vão passar a rodar no corredor metropolitano. Apesar de movidos a diesel, trarão vantagens em relação ao impacto no meio ambiente provocado pela frota atual. Com motorização eletrônica a emissão de gases atende padrões europeus.

Trata-se do modelo com carroceria Caio Millennium II, chassi Mercedes Benz O 500 UA, motor Mercedes Benz OM – 457 LA, de 360 cavalos.

A alta potência do motor confere ao veículo rentabilidade e bom desempenho, principalmente nos trechos de via segregada. Com pistas melhores, a queima de combustível é menor. Isoladamente, este tipo de ônibus pode gastar mais que os convencionais, em compensação substitui de dois a três ônibus de dimensões comuns. Portanto, o mesmo número de passageiros é transportado com menos ônibus circulando. Menos ônibus rodando significa menos combustível queimando, melhor para o meio ambiente.

Caio Millennium II da Metra

O Caio Milleniumm II Mercedes Benz segue todas as regras previstas na Resolução 316, do Contran – Conselho Nacional de Trânsito – e na NBR 15570. Os dois dispositivos levam em consideração itens e tipos de prestação de serviço que visam maior conforto, segurança e acessibilidade, como distâncias mínimas entre os bancos e largura de corredor, ventilação, sinais de alerta de defeitos do sistema para o motorista e saídas mais eficientes de emergência.

O novo ônibus é do tipo Piso Baixo Central, ou seja, o assoalho do ônibus entre a porta da frente e a porta do meio, no primeiro carro (cada ônibus é formado por dois carros por ser articulado), fica na altura da guia para facilitar o acesso de idosos, gestantes e pessoas com deficiência.

Os passageiros com cadeira de rodas, além de contar com esse embarque mais fácil, têm espaço preferencial dentro do ônibus, que é dotado de um dispositivo de cintos e presilhas que fixam a cadeira com segurança junto as paredes. Há também um lugar especial para os acompanhantes e, se o cadeirante estiver sozinho na viagem, na hora de descer não vai precisar da ajuda de ninguém, se assim preferir. Existe um botão de acionamento de parada na altura da cadeira de rodas e o ônibus não tem degrau com embarque e desembarque na altura da guia.

Os deficientes visuais também serão beneficiados pelo novo ônibus articulado que rodará pelo corredor ABD. O veículo tem ferros de apoio com relevo especial para quem não consegue ter boa visão, e espaço adequado para cão guia. O Caio Millennium Mercedes Benz possui bancos especiais para obesos, uma peça única, sem divisória, que pode ser usado por gestantes, também. Esses bancos, assim como os reservados para idosos, têm detalhes de cor amarela para identificação e conscientização dos demais usuários.

O ônibus, cujo peso bruto total chega a 28 toneladas, tem ainda faixas refletivas ao longo da carroceria, para melhor visualização, conforme determina lei federal para veículos de grande porte.

Os articulados começarão a rodar já neste segundo semestre. Eles estão sendo revisados pelos órgãos públicos de transportes e recebendo os últimos detalhes para a operação. Os motoristas estão sendo treinados pela montadora para se adaptarem ao veículo, que traz algumas inovações na maneira de dirigir.

Atualmente, o motorista de ônibus não pode se limitar a aprender a dirigir, ele tem de possuir noções de eletrônica e até de sistemas informatizados, pois os ônibus modernos trazem todos estes elementos em sua concepção.

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Foto-ouvinte: Bicicleta na fotofaixa

 

Bicicleta na motofaixa

Imagens de bicicleta foram pintadas nas áreas que serão usadas por motocicletas na rua Vergueiro, em São Paulo. A imagem é do ouvinte-internauta e cicloativista André Pasqualini que ficou na dúvida sobre a intenção da prefeitura. (publicado às 9h30)

CET responde:

A CET esclarece que a sinalização de bicicletas na motofaixa do corredor Vergueiro/Liberdade é irregular e presta um desserviço aos ciclistas, uma vez que os induz a correr riscos aos circular em uma faixa que não foi planejada para receber bicicletas, nem oferece a segurança necessária. Dessa forma, para garantir a segurança dos usuários da via e evitar possíveis acidentes, essa sinalização será retirada pela CET nesta noite. (publicado às 11h30)

Blogueiro esclarece:

A pintura de uma bicicleta na motofaixa da rua Vergueiro, que ainda não está funcionando, foi feita por cilcistas com o claro objetivo de provocar o debate sobre o uso deste veículo, em São Paulo. A mesma atitude foi adotada na avenida Paulista quando imagens apareceram sobre o asfalto na pista de rolamento do lado da faixa de ônibus. Na CET, o pedido de esclarecimento, causou estranheza. Pois não existe nenhum plano para privilegiar as bicicletas naquele trecho da cidade, também. Antes de verem a foto aqui no blog, funcionários da Companhia chegaram a dizer que poderia ser um mal-entendido e a imagem talvez fosse de uma moto. Evidentemente que não. Em seguida, identificaram que seria mais um protesto de ciclistas da capital e, então, anunciaram que iriam apagar o sinal, conforme nota publicada acima.

Em diferentes blogs e mesmo neste que você lê foram publicados comentários elogiando a “iniciativa da CET”, antes que se esclarecesse a situação, em uma demonstração de que incentivar o uso de bicicletas tem o apoio de parte da população. Chamou atenção, aliás, o fato de que a CET entende que as faixas de rolamento na cidade não são apropriadas para o uso de bicicletas, conforme mensagem. Sugiro que você leia alguns dos comentários abaixo que são esclarecedores em relação as bicicletas e o direito de ir e vir do cidadão. (publicado em 14:53)

Ônibus em São Paulo anda mais devagar que galinha

 

Corredores mal planejados reduzem a velocidade dos ônibus para até 12km/h, em média, enquanto as galinhas atingem velocidade de até 15km/h.

Adamo bazani

Z CORREDOR 1

Uma fila de ônibus no correr da Santo Amaro, zona sul da capital, é o que se percebe na primeira foto do acervo de Alberto Gomes, feita em 1988. No primeiro plano há um Caio Amélia Mercedes Benz da Gatusa, outro da São Luis e um Marcopolo Torino Scania da CMTC – Companhia Municipal de Transportes Coletivos.

Z CORREDOR 4

Uma imensa fila de ônibus no corredor das avenidas Rebouças e Eusébio Matoso, sem ponto de ultrapassagem, é o que se vê na imagem feita pelo repórter fotográfico da Folha Imagem, Renato Stockler, em 2005.

Especialistas em trânsito e mobilidade urbana são unânimes em dizer que os corredores de ônibus são uma das medidas para melhorar os deslocamentos urbanos, diminuir congestionamentos e atrair os passageiros dos carros para o transporte público. Os ganhos ambientais com a redução das frotas de carros de passeios também são grandes. Um ônibus pode tirar das ruas de 20 a 40 carros de uma só vez. São dezenas de escapamentos sendo substituídos por um único veículo. Esses ganhos se tornam maiores ainda se os corredores de ônibus contarem com veículos de tecnologias limpas como os trólebus.

Cidades de condições econômicas diferentes mostraram que corredores modernos podem, sim, ajudar e muito nos problemas urbanos.

Lion, na França, possui um dos mais modernos sistemas de ônibus elétricos, integrados até mesmo com carros de passeio, que param em determinados pontos, em bolsões de estacionamento, para seus donos seguirem para as áreas mais movimentadas de transporte público. Curitiba, no Paraná, o primeiro sistema de ônibus expressos do mundo, inaugurado em 1974, foi um dos agentes principais para remodelar a cidade, que é considerada modelo. Na Colômbia, o Transmilênio é um dos casos mais bem sucedidos da América do Sul, contando com ônibus modernos, de grande capacidade, num sistema que agiliza as operações com o pagamento da passagem antes do embarque e pontos de ultrapassagem. Entre São Mateus, na zona Leste da Capital Paulista, e Jabaquara, na zona Sul de São Paulo, passando pelos municípios do ABC Paulista, o corredor, na maior parte dos trechos segregado dos demais veículo e eletrificado, foi considerado por um índice de qualidade da EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos, que leva em consideração a opinião dos usuários, entre outros fatores, o melhor sistema de ônibus intermunicipal do Estado de São Paulo. O fato de a maior parte do corredor ser eletrificada, é um dos pontos apontados como positivos pelos usuários.

Enquanto isso, na capital paulista, os corredores de linhas municipais, apesar de apresentarem avanços e melhorias ainda têm muito a ser modificados.  A partir de 2001, houve um grande contrassenso em relação a tecnologias limpas nos corredores. Ligações como as da Nove de Julho e de Santo Amaro, na gestão da então prefeita Marta Suplicy perderam as redes aéreas de alimentação, aposentando quase metade dos trólebus em São Paulo. A velocidade média dos ônibus, atualmente,  é considerada muito baixa para o esperado, de acordo com os dados da própria CET e SPTrans. (A velocidade nos corredores você confere abaixo). Não há pontos de ultrapassagem para os ônibus e, muitas vezes, os corredores se limitam a faixas pintadas na via comum ou separadas por um canteiro. Mas por que isso?

Na história da formação dos corredores de São Paulo é possível encontrar algumas respostas, com fatos e não com opiniões apenas.

Um destes fatos foi a falta de planejamento. A cidade cresceu privilegiando os carros, quando se passou a investir nos corredores havia pouco espaço para serem implantados. A maior parte surgiu defasada e sem estar preparada para absorver o aumento da demanda provocado pelo crescimento da cidade.

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