Por Maria Lucia Solla
É preciso muita, muita compaixão, com os outros e com a gente também. Ouso dizer que principal e urgentemente, com a gente. No entanto, não se exerce compaixão dizendo: coitadinho, pobrezinho, que droga, que azar, que absurdo, nem para o outro e nem para gente mesmo. Compaixão vem atrelada à consciência e se não vier, não é compaixão; é pena pura. É compaixão pirata.
Pena implica ver o outro separado da gente. Quando o outro passa por um momento de dor, pensamos: essa dor é dele, e esconjuramos: vade retro, dor!
Compaixão não. Compaixão não afasta; aproxima, une, reune o que nunca esteve realmente desunido, e é por isso a sensação de êxtase que nasce da compaixão.
Nada é só do outro ou só meu. Dor, alegria, sucesso, derrota, paz ou violência. Não sou eu que digo; há Leis Universais, avalizadas pela ciência, que afirmam isso. Eu só me inquieto.
Quanta compaixão é preciso, neste mundo de meu Deus! Quanto aproximar, quanto perceber, quanto saber onde avançar e onde encolher. É preciso saber dançar, mas dançar tão bem que fique impossível pisar uns nos pés dos outros.
É preciso entender que ‘Somos Todos Um’ não é mantra religioso para arrebanhar adeptos dos ovos de ouro. Somos Todos Um é Lei da Natureza e Lei da Física: a Lei da Unicidade.
Na diversidade planetária, todos os átomos de todos os corpos são iguais; e mais: todos os átomos de todos os corpos vivos e de todos os corpos mortos também são iguais. Energia vibrando em frequência diferente. Na possibilidade infinita da diferença. E ainda nos surpreendemos com diferentes tipos, diferentes comportamentos, e sentimentos. No outro e em nós.
Outra Lei diz que essa energia, que compõe tudo, e da qual somos feitos, vibra; e vibrando se transforma. Cada um no seu ritmo, na sua cadência; corpo, mente e coração em batida frenética pela vida, desde a chegada, até a partida.
E tem mais. As Leis afirmam que tudo o que vibra precisa fluir, e para que flua, precisa estar em desequilíbrio. Assim como o copo que não pode verter o líquido se se mantiver rígido; em pé. É preciso que se curve para nos matar a sede. Resistência igual a dor. O oposto do amor
E ainda nos surpreendemos com o outro, com o comportamento do outro, e somos preconceituosos, e blablabla de manhã à noite sobre o outro, sobre a outra, Sobre a dor da gente, nossa sina, nosso isso, o dele aquilo.
Tenhamos compaixão; a dor de viver é igual em todos nós!
Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung.






