De seu Antônio

 

Por Maria Lucia Solla

Ouça “De Seu Antônio”, escrito, falado, fotografado e sonorizado pela autora

Céu por Maria Lucia Solla

ah seu Antônio
andei pensando melhor
e cheguei à conclusão

não sou eu que tenho a vida
mas é ela que me tem

viemos aqui para ser
às vezes brincar de ter
olhar e acreditar ver
dizer e acreditar saber

mas na verdade seu Antônio
o que a gente tem
é pura e simples ilusão
e mais nada não

mesmo a dor
aquela que dói de verdade
mesmo o amor
aquele que sacode aprisiona
e te joga de cara na lona
não existe

acredita?

a vida é sonho
que quando pesadelo
dá um medo medonho
um arrepio constante
que parece frio
tem jeito de calafrio
mas que nunca é feio o bastante
pra que a gente dele desista
pra que a gente perca o rumo de vista

uma curva mais fechada aqui
um descampado ali
uma cabana com lenha no fogão
e desenho de fumaça vindo lá do galpão

isso é viver de verdade
não ter de nada e de ninguém saudade
se aninhar na cabana
tendo um anjo de proteção
de campana
e amar
amar
amar

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung pra alegria de todos nós, Antônios


11 comentários sobre “De seu Antônio

  1. Olá Malu,

    Umas das figuras mais alegres que conheci na vida, um homem bem criado, inteligentíssimo, figura típica dos Jardins, ex-diretor de criação publicitária e ex-marido de seis esposas: Depois de ser considerado “dinossauro” na profissão e defasado pelas mulheres, resolveu ir morar em uma praia deserta, numa casa de madeira pré-fabricada, se dedicando ao artesanato e pintura. Quando solteiro , todos os anos passava uns dias com ele, pois sempre adorei suas histórias, seu humor e nossos porres que resultavam em “papo cabeça”. Em um desses papos eu disse:
    – Antônio, vc que ta feliz longe de tudo e de todos, longe da loucura urbana!

    Ele respondeu:
    – Beto, vc não imagina a horrível sensação de não ter de quem sentir saudade!

    Depois de um tempo, em uma quarta feira, resolvi matar o resto da semana e fui até sua casa a 350 km da capital paulista e, deparei com um cara maltrapilho, hiper-envelhecido, doente, alcoólatra (cachaça), envolvido com a marginalia e prostitutas da cidade, que exploravam seus gordos rendimentos.

    Teve que voltar para um apartamento no miolo dos jardins, e com 65 anos, é cuidado pelos seus filhos e seu pai de 88 anos de idade, que lhe tinham muitas saudades.

    Estou esperando um dia de sol em que eu consiga ficar só em minha casa, para tomar um porre e pensar neste exemplo do meu grande amigo, e quem sabe, tirar uma conclusão para não sofrer o mesmo: Não quero ter o sentimento de não conseguir ter saudade de ninguém.

    Beijos e boa semana, sentindo muita saudade de Antônios e Antônias.

  2. beto,
    teu relato tem uma força tamanha!
    Na realidade, a minha cabana e o galpão (os meus) não ficam nem a meio metro distantes de mim. Ficam em mim.
    Tenho cozinhado bastante,em prol da fumacinha, para ver se cura essa dor atávica que se esparrama na poesia.
    A saudade, ou melhor, a falta dela, – que eu busco – é a paz, a certeza de amar e ser amada, de respeitar e ser respeitada, de lembrar e ser lembrada, de ver e ser vista, de compreender e de ser compreendida.. Tudo desejo egóico, e portanto humano! Quando isso tudo for desnecessário, a dor não vai mais encontrar guarida e vai dar no pé.
    Vai deixar espaço para a paz: onde não há saudade, não há angústia, não há desesperaça e não há falta e nem excesso. Nem a 350 km de distância e nem de mãos dadas contigo

    É pura utopia, meu amigo, e você, pelo jeito sabe disso.

    A estrutura frágil e doente da socieade de seres humanos que vivem fora de si mesmos e carregam carcaças no lugar de corpos fragiliza e abre espaço para doenças.

    Quem sabe a resposta, uma vez que ela é diferente a cada dia? A cada momento? Quem sabe a poesia?

    Beijo e boa semana,
    ml

  3. ola Mike Lima!
    Bom dia!
    Mas que lindo dia hoje heim!
    Céu totalmente cacok, somente uns cirrus para dar um tom mais bonito.
    Falando em saudades………………………………………
    Esse seu artigo de hoje, me fez lembrar de um caso que ouvi durante um culto evangélico a convite de um grande amigo.
    Um senhor pedindo ajuda aos fieis da tal denominação evangelica que orassem por êle para ajudá-lo a rever os seus filhos.
    Pois a mais de cinco anos não os via e a saudade que sentia dos filhos estava dilacerando o seu coração, o seu físico e a sua mente tamanho o soffrimento, mesmo apos várias tentativas de aproximação.
    Ai no meio da conversa, o pastor perguntou ao tal homem porquê ele se afastou dos seus filhos?
    Ele respondeu que os seus filhos, ja casados se afastaram do pai depois que perdeu o seu emprego, ficou sem dinheiro, doente com depressão, como ja estava divorciado e a mãe já vivendo com outro homem em melhores condições financeiras, anos luz, o pai foi excuido, banido de suas vidas pelos filhos
    E a saudade dos filhos estava aos poucos lhe matando.
    Não soube mais nada sobre esse homem!
    Ahhhhh!
    Saudades:
    Da minha mãe, do meu pai, da minha unica irmã que moram “no andar de cima”, de amigos, parentes.
    Bjus
    E bola pra frente pq atraz vem gente e com muita pressa!
    Papa romeu – Alfa India November

  4. Malu, está sob medida para:
    Os que tem a sorte de reconhecer seus anjos .
    Os que conscientes, provam antes desgostar . Também pros que compartilham e amam. Estes não fojem de acordar mesmo sendo a vida, o sonho.
    É gente que não se ve só, por não deixar só.
    Os que entendem a gratuidade de amar e que ao dividir, somam.
    Quanto mais distante deste sonho, maior é a iluzão.
    Não é utopia, é ser humano de verdade. Cheio dos erros humanos e prontos a concertar por que podem pedir perdão.
    Não sei quem inventou que depois do melhor não existe mais nada. Que bom que o mundo não é povoado só por nadas.
    Bom que existem os que escrevem e igualmente, amam.
    Boa semana.

  5. alfa india november,

    Ironicamente, a Comunicação tem virado as costas pra mim. Meu filho me emprestou um computador, mas a escrita está embaralhada… Neste aqui eu cinseguia ler, mas não conseguia responder porque o código de segurança e todas as outras imagens também se escondiam de mim.

    Mas, o dia continua lindo, quase como o Rio, e você tem razão no que diz: presentinhos para os filhos a torto e a direito, como dizia a minha avó, e quando não tem mais presentinhos, não tem mais filhinhos.

    Amor – tradução: dinheiro, presente, viagens…

    Mas nem tudo está perdido. O céu está cavok e isso também conta.

    Obrigada pelo carinho, viu?
    Bom feriado,
    ml

  6. Sérgio, meu novo velho amigo,

    você já deve ter lido minha resposta para o alfa india, então já sabe que tenho outra maquineta aqui, portanto o meu pequerrucho já pode dar o passeio pelo centro da cidade.

    Mas, olha o que eu recebi do Kabbalah Institute, num dia em que eu estada cheia de queixumes e miados:

    “Every rejection, every ‘not fair’, every time it doesn’t go your way gives you the chance to NOT feed your ego. And the chance to let your true self be free.

    Today, enjoy rejection. The burn you feel is the unchaining of your soul.”

    Espero que aterrise na tua alma do modo como aterrisou na minha; como bálsamo.

    Beijo,
    ml

  7. Ola Mike Lima?
    Problemas com escrita?
    Embaralhada?
    Problemas com leitura de textos no PC?
    que tal este “monitorzinho”

    Já estou pensando em comprar um teclado em brailyng( é assim que escreve?)
    Bjus e bom feriado ai
    PR-AIN

  8. alfa india,
    cliquei no link. Abriu a foto e eu não acreditei: É o MONITOR que você quer?????
    rsrsrs

    Lembra que eu falava de queixume? Pois bem: um dia é de queixume e o outro pode ser de puro perfume. E foi o que recebi hoje. Amizade, afeto, carinho e paparicação. Perfume de amor. Estou literalmente de “barriga cheia”e coração transbordando.

    Na realidade meu problema não é de monitor, e não vai me dizer que é de junta que eu não vou gostar.

    beijo, bom fim de dia, e obrigada pela companhia,
    ml

  9. alfa india,

    desculpe a desatenção: é braille.
    Na realidade leva o nome de um francês – Louis Braille – que ficou cego quando criança e que criou, a partir de um sistema de leitura para deficientes visuais, um outro ainda mais simples. É o que chamamos de braille.

    beijo,
    ml

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