Meu presente de Natal

 

Por Milton Ferretti Jung

Quase às vésperas da data principal dos cristãos, entre os quais me incluo, elegi, para compor este papo de quinta-feira, um assunto natalino, embora de cunho pessoal. Lembro, com saudade, dos antigos Natais, o que não tem nada de espantoso. Afinal, creio que é imenso o número de pessoas que comunga de sentimento idêntico. As melhores lembranças, é claro, as minhas, pelo menos, são as que me remetem para a infância e a adolescência, épocas da vida em que aguardamos com ansiedade,  por dois dias do ano: 24 e 25 de dezembro. O Dia Santo de Guarda é aquele no qual recordamos o nascimento de Cristo, mas era – e ainda é – na véspera dele que os presentes esperavam por nós ao pé da árvore de Natal.

Eu gostava, como não, de todo e qualquer mimo natalino. Ano após ano, no entanto, torcia para que o meu pai lembrasse daquele mais querido por mim: uma bicicleta. Minha irmã, quatro anos mais nova, já ganhara a sua bike como presente de Natal. Fiquei magoado e, confesso, com inveja dela. Fez por merecê-la ao se sair bem no ano letivo, coisa que não ocorreu comigo, fato não incomum na vinha infância, adolescência e juventude. Ainda bem que ela costumava concordar em me emprestar a sua Monark. Era meu consolo. Mirian, este o seu nome, quando ganhou sua bicicleta, passara de ano, no colégio, com notas altas. Ao contrário, eu havia ficado em segunda época em matemática, o que acontecia quase todos os anos. Imaginei que talvez pudesse ganhar a minha no Natal de 1945.

Meu pai colocou à minha disposição um vizinho, que era professor universitário de física. Com este reforço, ele acreditava que me salvaria de uma repetência. E o mestre, realmente, deixou-me em condições de evitar o pior. Passei. Na esquina da rua em que morava minha família havia uma loja que vendia máquinas de escrever, calculadoras e outras coisas do tipo. Um belo dia, olhando pela vitrina, o que vi? Uma belíssima bicicleta. Sequer me atrevi a entrar para vê-la de perto. Nunca, evidentemente,eu ganharia uma igual. Talvez, quem sabe, teria de me contentar com uma usada, como uma Opel que foi emprestada ao meu pai por um amigo, mas apenas para ser aproveitada na nossa casa, na praia.

Para minha surpresa, a alegria paterna com o meu avanço no colégio valeu-me não uma bicicleta, mas a que eu vira na loja da esquina, nada mais, nada menos do que uma Centrum, importada da Suécia. Possuía guarda-lamas e aros de alumínio, pneus do tipo balão, bagageiro com caixa lateral de ferramentas, banco com molas bem mais macias do que as encontradas em bicicleta modernas. E de cor azul, como se soubesse que o seu dono seria um gremista fanático. A linda Centrum ainda roda de vez em quando, pilotada pelo  meu filho Christian, seu herdeiro. Valeu a pena esperar por ela.

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

3 comentários sobre “Meu presente de Natal

  1. Em Algum Momento Seremos chamados a Cumprir Nossa Verdadeira Missão
    Texto: Daniel Lescano

    Começou a contagem regressiva para o final de mais um ano. E por sinal, a contagem começa praticamente em outubro quando as primeiras árvores de Natal começam a dar as caras na cidade. Culpa do comércio talvez, mas não precisamos entrar nessa onda. Como vivemos numa correria, ultimamente estamos nos adiantando nas nossas comemorações. Se pudéssemos, o ano acabaria em outubro. Afinal, sempre nos apegamos com essa idéia de que com a virada de ano nossos problemas também acabariam junto com o ano que está indo embora. Como se nossa Missão terminasse a cada final de ano e recebêssemos o Certificado de Missão Cumprida. Quando chega a meia noite respiramos fundo e comentamos: Vou começar outra Missão.
    Mas será que a nossa Missão termina quando acaba um ano e começa quando se inicia um novo ano? Que Missão é essa que fazemos tudo na correria sem prestar atenção em quem está ao nosso redor? Olhando só para nós mesmos. Mal começa o ano e já nos programamos: Este ano vou estudar inglês, batalhar um novo cargo, comprar um carro novo, casar, ter filhos, educar os filhos, fazer a tão sonhada plástica, viajar, passar o Carnaval na Bahia, a Páscoa na Argentina, as férias nos EUA, e o próximo Ano Novo na praia. Ufa que Missão que fiz para mim. Mas Deus vai me ajudar nessa minha Missão. Missão ou plano pessoal? Nossa Missão neste planeta é muito maior do que esses planos pessoais do dia-a-dia.
    E por falar em Missão me lembro de um texto belíssimo de Clarice Lispector que resume bem o que significa a palavra Missão. “Cada ser humano recebe a anunciação e, grávido de alma, leva a mão à garganta em susto e angústia. Como se houvesse para cada um, em algum momento da vida, a anunciação de que há uma Missão a cumprir. A Missão não é leve. Cada homem é responsável pelo mundo inteiro”.
    Neste lindo texto, o que me chama atenção é que a nossa Missão não se resume em satisfazer nossos planos pessoais apenas, somos responsáveis pelo mundo inteiro e por isso nossa Missão não é leve. Deus não nos daria sabedoria e inteligência para cumprirmos apenas aquilo que fazem parte do nosso mundinho material. Mas como vivemos num mundo apressado e veloz não nos damos conta da nossa importância nesse Mundo. E por sermos tão importante nesse Planeta é que devemos encontrar a nossa verdadeira Missão para darmos sentido à nossa vida. Desejo que em 2012 você receba sua anunciação de que há uma Missão a cumprir. E “Grávido de Alma” faça mais pelo próximo do que suprir suas necessidades imediatas desse mundo moderno e apressado onde o “Ter” está cada vez mais forte do que o “Ser”. A lição Jesus Cristo nos ensinou há tempos quando fez da sua Missão que recebeu de Deus um exemplo de vida para todos nós.
    Feliz natal e um 2012 repleto de paz a todos da CBN. Sucesso sempre.
    Daniel Lescano

  2. Parabéns pelo belo texto do seu comentário,caro Daniel Lescano, Mesmo que não lhe conheça,aprecio suas participações nos comentários do blog do Mílton. Feliz Natal!

  3. Milton Ferretti, obrigado pelo elogio. Gosto muito de escrever, a inspiração às vezes vem dos grandes mestres que ouço na CBN diariamente, dos entrevistados e dos blogueiros que escrevem no blog do Milton. Sua colaboração no blog é uma jóia rara. Quem beber dessa fonte, só tem a ganhar. Sucesso Sempre. Feliz Natal para toda familia Jung.

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