O varejo de Shopping não está fechando a conta

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Tapumes em lugar de  vitrines nas lojas de shopping

Tapumes em lugar de vitrines nas lojas de shopping

 

O varejo está no ritmo atual do país, recessivo e apreensivo.Entretanto, as lojas Satélites*, a quem cabe a conta maior por metro quadrado, têm apresentado os piores resultados.

 

Por exemplo, uma loja de 50m2 com bom desempenho, cuja venda mensal é de R$2 mil por m2, ou seja, R$100 mil, tem a seguinte composição de custo:

 

Custo da mercadoria vendida 50mil (50%)

 

Custo total de ocupação 15mil (15%)

 

Mão de obra 12mil (12%)

 

Impostos 10mil (10%)

 

Despesas adm. fin. 10mil (10%)

 

LUCRO OPERACIONAL 3mil (3%)

 

Os três mil não cobrem a sobra de estoque nem a depreciação de instalação. Um dos problemas é o custo de ocupação, que inclui aluguel, condomínio, fundo de promoção e tem se apresentado acima dos 15%, chegando a 20% ou mais. O que leva a um resultado acentuadamente negativo.

 

Como os demais itens, ou seja, impostos, folha e despesas gerais, não são suscetíveis de redução, às mercadorias caberia uma redução que aumentaria o Mark-up**. Talvez com três vezes o preço da mercadoria, chegando a 33% de custo da mercadoria vendida, poderia ter certo equilíbrio no resultado, pois teríamos 20% de lucro operacional.

 

Convenhamos que para um varejo que não produz a mercadoria ou que faz a compra do exterior, reduzir o seu preço acentuadamente não será tarefa fácil.

 

Para que esta composição volte a dar lucro será preciso redefinir a contribuição que cada tipo de loja venha dar. Aos shoppings caberá redistribuir as despesas que ora sobrecarregam as lojas Satélites.

 

Talvez até com as Megalojas*** e as lojas Âncoras****, mas, principalmente, consigo mesmo. Uma tarefa muito democrática para um capitalismo tão forte como o nosso. Mas é melhor fazer logo para não perder as Satélites.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras

 

*Lojas satélites- as lojas menores com produtos específicos. Exemplo:Cacau Show, Arezzo, Stroke,VR
**Mark-up – é o acréscimo ao preço de compra da mercadoria para chegar ao preço de venda
***Megalojas – são as lojas maiores do que as satélites e que usufruem de melhores negociações com os shoppings. Exemplo: Luigi Bertolli, Le Lis Blanc, GAP, Polishop
****Lojas Âncora – são grandes lojas com preços mais acessíveis que para isso obtém condições especiais de ocupação. Exemplos: Renner, Riachuelo, C&A, Forever 21

4 comentários sobre “O varejo de Shopping não está fechando a conta

  1. Parabéns pelo artigo que retrata uma situação verificada no Brasil inteiro. Realmente o custo maior acaba sempre recaindo no pequeno, o qual, via de regra, é muitas vezes acusado de “mal preparado”, para nosso mercado “evoluído” e muito competitivo e por isto não consegue se manter. E isto não se dá apenas nos custos de locação, acontece também nas cargas tributária e trabalhista, Se manter no Brasil sendo pequeno realmente é um ato de heroísmo, mas não podemos esquecer que são estes pequenos que fazem a roda do mercado girar, é urgente que surjam entidades que realmente lutem por condições mais justas para este segmento do mercado. Hoje temos algumas entidades que se preocupam com a capacitação dos pequenos empresários (Sebrae, Endeavor, etc.). Mas se não houver um ambiente favorável aos pequenos, não tem capacitação que faça milagres para a longevidade das pequenas empresas. Mais uma vez parabéns pelo belo artigo, muito esclarecedor.

  2. Carlos, essa discussão nunca foi tão necessária. Ou se faz alguma coisa, ou não haverá mais satélites para pagar as contas. Veja casos de shoppings que estão trazendo operações grandes, como restaurantes, para cobrir espaços que eram preenchidos por satélites, piorando ainda mais a situação das lojas com metragem pequena. Deixar tudo nas costas dos lojistas menores está nos sufocando. A situação está no limite!!
    Grande abraço!

    • Prezado Marcelo, o seu grupo de confecção (PETISTIL, TILTYS, LOJA 18 ) atua no mercado desde o inicio da década de 60, e tenho certeza, nunca vivenciaram tal situação.
      Esta questão dos restaurantes provisionados em espaços deixados por lojas Satélites descaracteriza o sistema até então vitorioso do mix dos Shoppings e canaliza mais encargos condominiais para estas operações menores.
      O momento é decisivo para Satélites e Shoppings. E, pode apontar rupturas próximas e novas configurações para o futuro. Por isso, desde 1966 acompanhando e operando neste mercado, não pude deixar de colocar o tema em pauta aqui neste espaço.

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