O sentimento de paciência

Por Beatriz Breves

Si creo en mi plan, no habrá por que estar de otra manera

Foto: Ed Visoso Flickr

A paciência é um sentimento geralmente atribuído aos sábios, às pessoas amadurecidas e experientes. Normalmente, o jovem não tem muita paciência. A juventude tende a ser mais impaciente. Vamos adquirindo paciência com o tempo e com as experiências da vida — com suas exceções, naturalmente.

A paciência é um sentimento capaz de acolher e favorecer o estabelecimento de relações marcadas pelo aconchego. Ela agrega outros sentimentos e atitudes, como a tolerância, a perseverança, a confiança e a resignação. Talvez seja por isso que, algumas vezes, dizemos:

— Nossa, fulano tem uma santa paciência!

É a maneira de reconhecer que aquela pessoa consegue administrar determinada situação de um modo que poucos conseguiriam.

Também podemos falar na arte da paciência. Ela se revela na forma como a pessoa lida com a vida: na capacidade de administrar as situações, perceber o tempo certo, saber esperar quando é preciso e avançar quando chega o momento. Conduzir a vida com paciência, calma e tranquilidade é uma arte — e também um aprendizado.

No mundo de hoje, vivemos uma situação muito interessante. A velocidade das informações e das comunicações pela internet exige de nós muita paciência, principalmente das gerações mais antigas.

Se não respondemos imediatamente a uma mensagem, se levamos um pouco mais de tempo, a pessoa do outro lado já começa a ficar impaciente. Eu diria que um minuto, hoje, equivale a um dia ou até a uma semana de antigamente.

Sou do tempo em que telefonávamos para a casa de alguém. A pessoa que atendia anotava o recado e, somente quando o destinatário chegava em casa, tomava conhecimento de que alguém havia ligado. Só então retornava a ligação.

Depois veio a secretária eletrônica — que, provavelmente, muita gente mais jovem nem chegou a conhecer. Hoje, temos o WhatsApp, e tudo se tornou imediato.

A paciência também precisou mudar o seu ritmo, o seu timing. Para as gerações mais antigas, é preciso muita paciência para acompanhar o mundo moderno, pois os jovens já nascem inseridos nele.

Por isso, faço um trocadilho: santa paciência para lidar com tantas transformações, reaprendizados e mudanças de ritmo!

Só mesmo com a arte da paciência.

E, ainda assim, haja paciência!

Beatriz Breves é presidente da Sociedade da Ciência do Sentir. Psicóloga, bacharel, licenciada com especialização em Física (FAHUPE). Mestre em Psicologia (AWU/USA). Psicanalista (SBPRJ/IPA). Psicoterapeuta de Grupo (SPAG–E.Rio). Sócia titular do Pen Clube do Brasil. Integra o Quadro Efetivo da Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil (AJEB). Publicou O Eu Fractal e outros livros, pela ed. Mauad.

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