Avalanche Tricolor: ao Grêmio só nos resta o passado

Remo 1 x 1 Grêmio
Campeonato Brasileiro — Mangueirão, Belém

Remo x Grêmio
Wallace e Kannemann comemoram o gol gremista. Foto: Richard Ducker/GRÊMIO FBPA

O raro gol de Kannemann reacendeu no torcedor mais do que a esperança da primeira vitória do Grêmio fora de casa neste Campeonato Brasileiro. Trouxe de volta uma história que ainda nos move. Como disse Paulo César Vasconcellos durante a transmissãono canal Premier, Kannemann é a alma do Grêmio.

Em dez temporadas no clube, o zagueiro conquistou 16 títulos: a Libertadores, a Copa do Brasil, a Recopa Sul-Americana, oito campeonatos gaúchos e cinco Recopas Gaúchas. Ao lado de Geromel, formou uma das maiores duplas de zaga da história gremista. Tornou-se símbolo da garra que tantas vezes nos levou à conquista.

Aos 35 anos, com dificuldades físicas cada vez mais evidentes, Kannemann é um dos últimos elos com os tempos de glória. Seu gol nos fez acreditar, por alguns minutos, que os deuses do futebol ofereciam uma graça tão imerecida quanto desejada. O time jogava pouco, mas a torcida queria muito aquela vitória.

A realidade, porém, voltou a se impor. O Grêmio deixou o Remo pressionar e desperdiçou chances decisivas. O empate, temido e indesejado, acabou sendo merecido.

Depois do apito final, Kannemann falou à beira do gramado. Mais uma vez, tentou encontrar forças para mobilizar o time e a torcida diante do que ainda resta no campeonato. Foi então que reparei no detalhe da data estampada na camisa azul que vestia: 1996.

A homenagem nos leva ao ano da Tríplice Coroa, quando o Grêmio conquistou o Campeonato Brasileiro, a Recopa Sul-Americana e o Campeonato Gaúcho. Naquele time estavam Danrlei, Arce, Roger, Dinho e Paulo Nunes, entre tantos outros. O técnico era Luiz Felipe Scolari. Lendas gremistas — como Renato, agora de volta ao comando da equipe, diante das carências que marcaram a temporada.

Kannemann, a camisa de 1996, Felipão e Renato nos lembram de um Grêmio que já vimos em campo e hoje parece distante. Faltam nove rodadas para o fim do Brasileiro. Ao torcedor, resta olhar para trás em busca do orgulho que o presente já não consegue oferecer.

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