Coritiba 0x1 Grêmio
Brasileiro — Couto Pereira, Curitiba (PR)
O relógio já passava dos 90 minutos quando Amuzu recebeu a bola de Krovinović, na cobrança de escanteio, e cruzou para a área. Havia muita gente na disputa: gremistas e adversários. Em meio a todos eles, Braithwaite conseguiu se sobressair e cabecear em direção ao gol. A bola foi ao encontro das redes, embora parecesse teimar em não chegar lá. Encontrou seu destino graças à insistência e, talvez, a algum resquício de misticismo.
Nesta noite em Curitiba, apesar dos tropeços, escorregões e erros crassos, o Grêmio fez uma de suas melhores partidas na competição. Sim, caro e cada vez mais raro leitor desta Avalanche: se você só tem contato com o futebol gremista por estas linhas que escrevo, não faz ideia do que tem sido acompanhar meu time, jogo após jogo. Havia sete partidas que não vencíamos. E, neste campeonato, ainda não tínhamos ganhado fora de casa.
Os três pontos são insuficientes para nos tirar daquela zona que você sabe qual é. Mas eram necessários para manter vivo o sonho de deixá-la para trás em algum momento deste Brasileiro. Só isso justifica a festa dos jogadores diante dos torcedores que saíram de Porto Alegre para ocupar as arquibancadas do Couto Pereira.
Ver aquele espaço tomado por gremistas, com seus trapos e faixas estendidos, nos remeteu ao passado recente, quando o estádio da capital paranaense se transformou em nossa casa durante o drama das enchentes de 2024. Nesse exercício de memória, fomos ainda mais longe. O Couto Pereira se parece com o saudoso Olímpico Monumental.
Neste momento em que nos agarramos a qualquer sinal positivo, vencer no Couto Pereira nos faz acreditar que um milagre começa a se realizar. Sei que pode ser apenas um delírio, fruto da paixão alucinada que nunca deixaremos de expressar pelo nosso time do coração. Ainda assim, quero crer que começamos a traçar uma nova trajetória, iluminados pelas lembranças de um tempo em que o cheiro do cimento das arquibancadas do Olímpico nos devolvia as forças e nos levava a conquistas impossíveis.
Escapar da degola não é impossível. Mas pode parecer um milagre para quem, há algumas rodadas, não consegue fazer uma partida bem organizada, sofre gols com frequência — apesar da excelência de seu goleiro — e tem enorme dificuldade para balançar as redes.
Não acredito em bruxas nem em milagres. Mas que eles existem, existem. Espero que o espírito conquistador do Olímpico, moldado nas arquibancadas do Couto Pereira, nos ilumine. E que a vitória desta noite seja o começo de uma nova caminhada.
