Avalanche Tricolor: o Grêmio voltou a acreditar no Grêmio

Grêmio 2 x 0 Atlético-MG
Copa do Brasil — Arena do Grêmio, Porto Alegre

Gremio x Atletico-MG
Carlos Vinícius comemora o primeiro gol. Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA.


O Grêmio é só “Weverton e Carlos Vinícius, Weverton e Carlos Vinícius”. Foi o que disse Renan Lodi, logo depois de ver seu time perder por 2 a 0 o jogo de ida da semifinal da Copa do Brasil. Se levar essa ideia para a partida de volta, sairá derrotado mais uma vez.

Sim, temos Weverton e Carlos Vinícius como destaques. Sem dúvida! O primeiro nos salva das maiores enrascadas em que nos metemos nesta temporada. O outro encontra gols naquilo que eu chamaria de futebol da escassez — com licença aos teóricos da economia.

Reduzir o Grêmio a esses dois nomes é não entender o que acontece lá pelas bandas de Humaitá. Em uma temporada de desempenho medíocre e resultados aquém do desejado, o time chegou à terceira vitória seguida no intervalo de uma semana: uma fora de casa e duas diante da sua torcida.

Os riscos que ainda corremos nesta temporada — e seguem sendo enormes —, em vez de arrefecer os ânimos, mobilizaram o torcedor como poucas vezes vi. A festa nas arquibancadas da Arena, nesta noite de domingo, foi algo que eu nunca havia presenciado.

O torcedor já tinha feito a diferença no Couto Pereira, em Curitiba, e na Arena, no meio da semana. As duas vitórias nos permitiram respirar no Campeonato Brasileiro e chegar com confiança à semifinal da Copa do Brasil.

Sei que já vivemos jornadas memoráveis. Algumas tive o prazer de acompanhar, tanto no Olímpico Monumental quanto na Arena. Desta vez, além dos cantos inspiradores, criou-se no estádio um clima impressionante de mobilização. Antes mesmo de a bola rolar, a torcida preparou uma recepção apoteótica: fogos, música, luzes, bandeirão e um mosaico com troféus e a mensagem “Rei de Copas”.

Sinergia é a palavra. A festa monumental das arquibancadas se refletiu em campo.

Weverton segue entre os melhores goleiros do país, e Carlos Vinícius, entre os principais goleadores do Brasil. Mas havia muito mais. Basta lembrar que nenhum dos dois participou do segundo gol, logo no início do segundo tempo. João Pedro e Enamorado tabelaram pela direita. Do cruzamento, Noriega apareceu no meio da área e completou para as redes.

Aliás, precisamos olhar com carinho para nosso volante “samurai”. Noriega, nipo-peruano, tem se destacado nas últimas partidas pela bravura. Interceptou chutes que tinham como destino certo as nossas redes e desarmou adversários com precisão. Hoje, ainda marcou o gol que pode nos levar à final da Copa do Brasil.

A defesa com três zagueiros tem se mostrado mais firme, com destaque para Wallace e para a recuperação de Balbuena. Até João Pedro, que já era considerado carta fora do baralho, foi resgatado. Ainda no primeiro tempo, salvou um gol em cima da linha.

Estou entusiasmado com alguns desempenhos individuais — e haveria outros a citar nesta Avalanche. Mas preciso me ater ao que realmente está fazendo a diferença em campo: um time abnegado, consciente de suas restrições e disposto a fazer o possível para alcançar os objetivos que ainda lhe restam.

Entre Weverton e Carlos Vinícius existe um time. Um time que conhece os próprios limites, luta para superá-los e voltou a acreditar em si mesmo.

O Grêmio voltou a acreditar no Grêmio.

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