Avalanche Tricolor: jogamos pela nossa história

 

Grêmio 2 x 0 Santos
Copa do Brasil – Arena Grêmio

 

 

Para competições no estilo da Copa do Brasil, a tese sempre foi de que até três gols de desvantagem, a gente virava em casa. E como toda tese, ao contrário do senso comum, esta também é formulada com base em fatos. Foram nossos desempenhos e nossa história nas disputas de mata-mata que criaram o mito da Imortalidade. Foi com vitórias consideradas impossíveis que construímos nossa fama. Lembro dos times de Espinosa, Felipão e Mano, apenas para não forçar muito a memória, que arrancaram resultados dentro do Olímpico superando nossos limites técnicos, físicos e emocionais. Hoje, apenas escrevemos mais um capítulo dessas façanhas da forma mais sofrida que poderíamos imaginar. Com grito, com Werley, com dor, com  Souza e com lágrimas. Sob o comando de Renato, o Grêmio incorporou seu passado pois foi capaz de vencer esta batalha apesar de todas nossas restrições. Jogamos e vencemos pela nossa história.

O tempo e a distância

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

O desrespeito ao minuto de silêncio antes do jogo do São Paulo e Fluminense, domingo no Morumbi, foi até certo ponto surpreendente. Mesmo para uma época em que o surpreendente é o convencional.

 

De Sordi, o homenageado, foi campeão do mundo em 58, colecionou outros títulos, formando o trio Poy, De Sordi e Mauro. Uma das mais eficientes defesas da história do São Paulo. Ainda que estádios cheios sejam protagonistas de vaias e apupos para hinos e demais convenções, por que então os são-paulinos presentes não homenagearam um dos ícones do clube?

 

Talvez o tempo. Vendo a massa apaixonada de 55 mil torcedores ignorar o passado pelo presente, evidencia-se a questão de que o tempo é o caminho para o esquecimento. A não ser que o atalho do conhecimento impeça. E o conhecimento hoje está disponível como nunca esteve. Entretanto, a facilidade e a quantidade não têm servido como deveriam para a sua devida difusão. Provavelmente por exigir concentração e foco, contrapontos da dispersão e da superficialidade dominantes.

 

Nesse contexto veio a lembrança de uma observação de um entrevistado do Mílton Jung no Mundo Corporativo que alertava para a atual incoerência nos relacionamentos. As pessoas municiadas com os atuais gadgets desprezam as pessoas presentes e priorizam as distantes. Nas reuniões, nas palestras, nos restaurantes, nas visitas e até mesmo na direção de veículos, optam pelos celulares e afins. Entre atender quem está na sua frente, preferem se comunicar com quem está distante, criando uma comunicação sem concentração.

 

Base perfeita para a dispersão e o distanciamento. Aliás, a distância, no tempo ou no espaço, é a grande vilã desse cenário que requer mais proximidade no tempo e no espaço.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

#TôDeSacoCheio: o serviço poupa o tempo; o sistema, perde

 

Uma das tarefas que chegam com a idade é a renovação da carteira de motorista que tirei pela primeira vez três dias após completar 18 anos. Achei graça quando vi o ano de 2008 na validade e imaginei que esta data jamais chegaria para mim. Chegou e logo percebi que o prazo ficaria cada vez mais restrito. Agora, dura apenas cinco anos quando devo retornar aos órgãos públicos de trânsito, encarar a burocracia, pagar taxa, fazer exame de olhos e esperar o documento em casa. Foi o que fiz recentemente em um dos postos do Poupatempo, em São Paulo, o de Santo Amaro, na Zona Sul. Fiquei impressionado com a eficiência do serviço que, após agendar pela internet, não levou mais de uma hora. Fui atendido por gente simpática, tive todas as dúvidas tiradas, e até uma boa foto (na medida do possível) foi feita. O traço cômico foi com a oftalmologista de plantão que pediu para eu repetir as letras que apareciam em uma espécie de binóculo de mesa. “Que letra?”, perguntei enquanto um ponto de luz se aproximava do meu olho esquerdo.

 

O bom atendimento e a rapidez do serviço me motivaram a voltar ao Poupatempo para atualizar a carteira de identidade, documento que estava esquecido na gaveta e ainda estampando foto com cabelos longos dos tempos de guri, em Porto Alegre. Levei a mulher a tiracolo, pois estava mais do que na hora de incluir o nome de casada no RG dela. Agenda feita pela internet, documentos separados, fila encarada e nos deparamos com um problema comum na vida dos brasileiros: o sistema. Sim, o sistema do Banco do Brasil não estava funcionando e o pagamento de taxas e serviços de postagem não podiam ser feitos no local. Tivemos de percorrer as ruas próximas para encontrar agência bancária que aceitasse o pagamento. E lógico que lá havia fila, além de um programa pouco explicativo no caixa eletrônico para se perder tempo.

 

De volta ao Poupatempo, se seguiram a espera pela senha no painel eletrônico e o bom atendimento da funcionária que pegou os documentos necessários, preencheu relatório, pediu minha assinatura e completou o serviço com destreza. Eu apenas não estava pronto para o golpe final: meu Registro Geral do Rio Grande do Sul será substituído. Por muito menos fizemos uma revolução, pensei em voz baixa (e no Twitter). A partir de agora, vou carregar no RG número registrado em São Paulo. Ou seja, acabo de ser batizado paulistano pela burocracia brasileira que não é capaz de manter o mesmo número para o cidadão brasileiro, apesar de o registro ser feito em território nacional. Ou será que o Rio Grande do Sul já se separou e eu perdi a notícia na Zero Hora?

 

Antes de voltar para casa, ouvi na CBN que os problemas em equipamentos do Banco do Brasil estavam causando transtorno no atendimento dos postos do Detran. Cidadãos estavam desde de manhã a espera da retomada do serviço, sem sucesso. Eram vítimas, assim como fui, do sistema. Tô de Saco Cheio do sistema!

Avalanche Tricolor: O gol de Pará!

 

Flamengo 0 x 1 Grêmio
Brasileiro – Arena Mané Garrincha (DF)

 

 

Tivesse sido um jogador de futebol, eu seria o Pará. Percebi esta semelhança há três, quatro partidas quando tentava entender o papel de cada um dos jogadores gremistas em campo. E, por favor, minha referência não é visual (jamais teria coragem de usar aquele falso moicano sobre a cabeça, apesar de ser adepto do cabelo longo, abaixo dos ombros) é apenas funcional. Na curta carreira de jogador de futebol, totalmente dedicada à Escolinha do Grêmio, de onde já saíram grandes craques para o Mundo, migrei da zaga para a lateral esquerda. Joguei em uma época na qual os laterais não tinham direito de passar do meio campo e se o fizessem logo eram corridos aos berros do ataque, pois a prioridade era impedir o avanço do ponteiro. Eu cumpria bem esse papel. Importante ressaltar que o meu conceito de “bem” talvez seja um pouco diferente daquele usado pelos amantes do bom futebol. Ponteiros não ciscavam muito na minha frente porque eu tinha o hábito de entrar na jogada com o que, atualmente, os comentaristas costumam chamar de força desproporcional. Naquele tempo, era o suficiente para atender à responsabilidade que me era conferida.

 

Por favor, não imagine que pela descrição no parágrafo acima, analise o futebol de Pará como violento. Não é nada disso. Traço esse paralelo entre o que representa para o time nosso lateral direito e o que eu fazia vestindo a camisa do Grêmio, porque nunca tive técnica apurada, sendo incapaz de brincar com a bola em embaixadinhas, por exemplo. Jamais seria lembrado pelo talento nos cruzamentos ou pelo passe refinado, apesar de me garantir na posição pela personalidade que apresentava no comando do grupo. Tinha fôlego de causar inveja, mas corria mais do que pensava. Marcar gols, era raridade, então comemorava bolas despachadas para fora do campo e carrinhos que desarmavam o adversário (às vezes, causavam prejuízos maiores). Se precisassem de alguém para ser sacrificado, podiam contar comigo. Houve oportunidades em que esta vontade de bem servir acabava injustamente punida com cartão vermelho. Os árbitros nunca gostaram de mim. Eu menos ainda deles.

 

Pará nunca será um craque e, provavelmente, a camisa que veste não está entre as mais desejadas pelas crianças na loja do Grêmio, que costumam ser atraídas pelas dos jogadores do meio para frente. Ser lateral é quase uma falta de opção no Brasil. A última a ser ocupada no time de amigos, pois até para ser goleiro já existem aficionados. Há tanta carência que ele próprio jogou boa parte do ano passado no lado esquerdo e agora voltou para sua origem na direita. Se amanhã aparecer alguém tecnicamente melhor do que ele, não tenho dúvidas de que aceitará correr para o outro lado do campo. Pará é um soldado disposto a qualquer desafio e cumpre com eficiência esse papel. Ninguém espere um drible que desconcerte o marcador ou conte com sua presença na linha de fundo a todo momento. Mas tenha certeza de que ele aparecerá com o bico da chuteira para impedir que o inimigo ofereça perigo a seu time, não poupará esforços para chegar na bola antes do adversário e cerrará os pulsos para agradecer a graça alcançada.

 

No sábado à noite, Pará surpreendeu a todos ao cobrar a falta com qualidade e firmeza. Quando se preparavam para o chute de Alex Telles, esse sim um lateral refinado, Pará correu com tal personalidade que não tive dúvida de que resultaria em gol. Ele disse que voltara a treinar cobrança de falta na sexta-feira pela ausência dos batedores titulares do Grêmio. Ou seja, mais uma vez, se dispôs a atender às necessidades de seu time, mesmo que isso significasse um esforço extraordinário. Antes mesmo de a bola chegar ao fundo do poço, abri os braços para comemorar, praticamente repetindo o gesto do nosso lateral na festa pelo primeiro gol que marcou com a camisa do Grêmio. Pelo que entendi em sua fala pós-jogo, o segundo na carreira de profissional. Era o gol de todos nós jogadores de futebol frustrados; que não tivemos chances de brilhar em campo, mesmo quando escalados; que éramos abnegados e não desistíamos de lutar, mesmo diante de nossas limitações; que nascemos para servir a uma causa maior: a alegria de nossos torcedores. Era um gol de Pará.

De nada

 

Por Maria Lucia Solla
De nada

 

Tem vezes que nem dá tempo de sentar para escrever, que uma cachoeira de ideias se atira

 

louc
a busca
ndo
olhar a
tento
ou
vido a
finado
cor
ação
a
berto

 

E quem é que não está em busca de olhar, ouvido e coração… cada um do seu jeito, na medida do momento, mas é o que buscamos. Sermos vistos, ouvidos e reconhecidos.

 

no
fundo
e na
superfície
é a oportunidade de nos reconhecermos
olhando no sentido inverso

 

Tem vezes que a inspiração preenche o vazio deixado pela expiração do que não dava mais para segurar

 

e
tem vezes que é assim
plenitude
de vazio
nada
a dizer.

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Mundo Corporativo: como aproveitar bem o programa de trainee

 

 

Empresas brasileiras têm investido em programas de trainee com o objetivo de encontrar novos talentos no mercado de trabalho. Saber aproveitar bem essas oportunidades pode ser o diferencial para o início de uma carreira de sucesso. Um dos programas de trainee mais procurados no Brasil é o realizado pelo Grupo Andrade Gutierrez, que está em sua terceira edição. O Mundo Corporativo da CBN entrevistou Cláudio Gonçalves Mendonça Santos, vice-presidente de Gente e Gestão do Grupo Andrade Gutierrez que explicou quais as características que as empresas buscam nos jovens que acabaram de sair da faculdade: “sei que pode parecer subjetivo, mas é preciso ser interessado, ser curioso e ter brilho no olho… e o seu é o limite”. As inscrições para o programa de trainee da Andrade Gutierrez se encerram no dia 30 de agosto. Para mais informações acesse o site traineeag.com.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site http://www.cbn.com.br, com participação pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Adote um Vereador ganha aplicativo para celular

Com as facilidades oferecidas pela Fábrica de Aplicativos, criação do engenheiro de computação Guilherme Santa Rosa, a rede Adote um Vereador ganha mais uma ferramenta digital para facilitar o acesso às informações e análises sobre os vereadores e as câmaras municipais. O aplicativo do Adote pode ser baixado em qualquer telefone celular e foi desenvolvido pelo Alecir Macedo, um dos fundadores da rede de cidadãos que se dedica a controlar o trabalho do legislativo nas cidades brasileiras. A ideia é simples e oferece com apenas um toque informações como o telefone e e-mail dos vereadores da cidade de São Paulo. É possível encontrar ainda as notícias do Adote um Vereador no Facebook e Twitter, além de vídeos que ensinam como participar deste projeto. O aplicativo está em fase de implantação, já passou por algumas atualizações e está à disposição do cidadão e dos especialistas em mídias digitais para que fique ainda mais adaptado as demandas do cidadão. Se você tiver uma boa ideia, mande para nós, visitando o site www.adoteumvereadorsp.com.br. E adote um vereador.

Conte Sua História de SP: o Amarelinho da CET que ajudou meu filho nascer

 

Por Marcelo Parra Vallone
Ouvinte-internauta da CBN

 

O Amarelinho que nos ajudou no dia do nascimento de meu Filho.

 

Após três anos de casados, eu e minha esposa resolvemos ter um filho. E após nove meses de gestação, no dia 16 de fevereiro de 2001, minha esposa acordou com dores. Ligamos para o médico e ele disse que a hora havia chegado. Fomos às pressas para o hospital. Apressados mas cuidadosos. Morávamos em Mauá. Precavido, eu já havia feito todo o percurso até o hospital, o Santa Joana, na avenida Paulista, algumas vezes. A malinha do bebê já estava pronta a um mês. Acontece que meu filho resolveu dar sinais que ia nascer às sete da manhã de uma sexta-feira: hora do maior trânsito em São Paulo. Na avenida Vergueiro o tráfego parou de vez. Minha esposa sentindo aquela dor que só mulher sabe como é. Os carros não andavam. Eu buzinava com esperança de alguém abrir caminho. Não adiantava. Quando parecia não haver mais horizonte à minha frente, dei uma olhada no retrovisor e avistei um carro amarelinho, aqueles da CET. Não tive dúvidas, esperei a viatura ficar ao meu lado, desci o vidro e pedi ajuda ao senhor que estava na direção. Foi quando ele gritou: “vem atrás de mim, vou te ajudar”. Ligou a sirene, sai atrás dele e o caminho se abriu até o hospital. Coisa de dez minutos já estávamos na porta do Santa Joana. Agradeci ao moço da CET, abri a porta, peguei a malinha, dei entrada com minha esposa na maternidade e … Ufa, que sufoco! … meu filho nasceu lindo como o pai e a mãe e com muita saúde. Obrigado, Amarelinho da CET.

 

 

Marcelo Parra Vallone é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade: agende entrevista em áudio e video no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Ou envie seu texto para milton@cbn.com.br. Ouça outras histórias de São Paulo no meu Blog, o Blog do Mílton Jung.

Que saudade daquela Kombi!

 

Por Milton Ferretti Jung

 

A saudade é companheira inseparável quando envelhecemos. Digo isso com a experiência de quem está perto de completar 78 anos. Quinta-feira passada, se é que alguém leu o meu texto do dia 15 deste mês, detive-me a relembrar detalhes, inesquecíveis para mim, da casa dos meus avós por parte da mãe, na qual nasci no longínquo ano de 1935. Hoje, a saudade voltou a se manifestar. A culpa se deve a uma decisão da Volkswagen. Não é que essa empresa decidiu deixar de produzir um de seus veículos que fez história no Brasil durante 56 anos? Estou me referindo à aposentadoria da Kombi. Quem leu os jornais da semana passada, embora a notícia não tenha sido publicada com destaque, deve ter conhecimento disso.

 

Por que – talvez alguém esteja se perguntando – a velha Kombi causou neste escriba um acesso de saudade? Explico: este utilitário, cuja saída do mercado será marcada pelo lançamento de uma série especial, chamada de Last Edition, que constará de 600 unidades por 85 mil reais, deu-me a chance de percorrer o interior do Rio Grande do Sul e de boa parte do Brasil.

 

A Companhia Jornalística Caldas Júnior, proprietária do jornais Correio do Povo, Folha da Tarde, Rádio Guaíba e, mais tarde, da TV Guaíba, possuía uma frota de jeeps para o deslocamento de seus funcionários. Eram dirigidos por motoristas profissionais. Um desses inseguros veículos – todos com capotas de lona – acabou capotando durante viagem a Pelotas para a realização da cobertura de um jogo do campeonato gaúcho. O narrador Ataídes Ferreira e o comentarista Jaime Eduardo resultaram feridos, esse último, com gravidade. Daí para frente, a equipe esportiva da Rádio Guaíba passou a viajar de Kombi.

 

Mendes Ribeiro, principal narrador da Emissora, tinha medo de viajar de avião. Nas Eliminatórias da Copa de 1958, no jogo entre Paraguai e Brasil, lá foi a equipe da Guaíba por péssimas estradas, muitas delas inundadas, o que obrigou os radialistas e técnicos realizar desvios que alongaram em muito o trajeto. A turma chegou a Assunção quase na hora de o jogo se iniciar.

 

Acompanhei a Copa pela Guaíba, para a qual me transferi em abril no dia 10 de abril de 58, depois de atuar quatro anos na Rádio Metrópole. Novamente, Ribeiro quis que fossemos de Kombi. Dessa vez, para Águas de Lindóia-SP,onde a Seleção Brasileira fez um jogo-treino. Fui um dos que pilotaram a Kombi. Já nos preparativos do Brasil para a Copa de 66, a equipe da Guaíba, com um enorme transmissor ocupando o que seria o banco do meio do veículo, estivemos em Lambari e Caxambu, estâncias hidro-minerais, em Niterói, Teresópolis e onde quer que a Seleção treinasse.

 

Minha saga “kombeira”, me permitam neologismo, não se resumiu a viagens longas. Visitávamos o interior do Rio Grande com regularidade. Nessas, cada um dirigia a Kombi, no sistema de revezamento, de hora em hora. Eu era o piloto mais fominha. No tempo em que a gente aliava o trabalho de radialista com o de motorista – sem cobrar nada pela dualidade de funções – o autor dessas mal digitadas linhas ainda não tinha carro. E ficava felicíssimo dirigindo Kombi.

 

Ah,que saudade daquelas Kombis da Caldas Jr.!

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Avalanche Tricolor: decide-se na nossa casa, com torcida e tradição

 

Santos 1 x 0 Grêmio
Copa do Brasil – Vila Belmiro (SP)

 

 

Esta é a nossa Copa, fomos o primeiro campeão da história, em 1989, somos dos que mais venceram esta competição, quatro vezes, e sabemos, como poucos, encarar mata-mata. Aprendemos no campo da batalha que até três gols contra se vira em casa. Foi assim que forjamos a imortalidade cantada em coro pela torcida e não será diferente agora. Por isso, deixamos o gramado da Vila Belmiro com a certeza de que a vaga se garantirá na Arena onde teremos o grito do torcedor a empurrar a bola, não lhe dando o direito de escapar na troca de passe ou desviar para fora nas oportunidades que tivermos para resolver a partida, como aconteceu ao menos duas vezes nesta noite, em Santos.

 

Claro que não podemos descansar sobre a história, esperando que as façanhas do passado decidam os jogos do presente. É preciso ajustar o time, o passe, o cruzamento, o chute e o cabeceio a gol, coisas que não funcionaram tão bem nesta primeira partida das oitavas-de-final. Mas temos uma tradição a prezar e quem estiver comemorando a vaga antecipadamente talvez tenha de apagar suas palavras. Ou pagar por elas.