Por que gostamos de história?

 

 

Por que gostamos de história, tema do novo livro de Jaime Pinsky, editor, escritor e historiador, foi usado para provocar uma série de profissionais que gravaram depoimentos em vídeo. Tive a oportunidade de ser convidado pela Editora Contexto e gravei a fala que você assiste em coma e lê embaixo:

Sou jornalista e conto notícias, que podem ser entendidas com as histórias do nosso cotidiano. Mas uma notícia mesmo só pode ser compreendida se estiver conectada às demais histórias, aquelas que explicam o contexto, justificam ou intrigam, que nos levam a reflexão. Um fato isolado talvez diga muito pouco ao cidadão, integrado em uma história, ao que já foi e ao que pode ser, talvez provoque uma revolução. Por tudo isso, eu gosto de história

 

Aproveite a oportunidade e responda porque você gosta de história. Ou não gosta?

Conte Sua História de SP: perdi minha sandalinha vermelha

 


Por Elizabeth Pricoli Vilela
Ouvinte-internauta da CBN

 

Minha lembrança mais remota, data do ano de 1954, quando eu tinha 2 anos de idade. Nesta época comemorou-se o Quarto Centenário da Cidade de São Paulo. Lembro-me, nebulosamente, daquele entardecer quando dos céus, uma chuva de prata cobriu a cidade. Aviões da FAB, voando sobre nós, derramavam pequenas flâmulas de papel prateado. Foram três dias de festas, em torno do dia 9 de julho quando a comemoração do aniversário da cidade se juntou à da Revolução Constitucionalista.

 

Ouça o texto que foi ao ar no Conte Sua História de São Paulo sonorizado pelo Cláudio Antonio

 

Aquela foi uma época feliz, especialmente para as crianças, que como eu, moravam na rua Dr. Dolzani, do Jardim da Glória, distrito da Vila Mariana. Formávamos grupo de idades próximas e brincávamos nas calçadas, ou andávamos de bicicleta pelas ruas, sem medo, porque ninguém sentia falta de segurança. Fazíamos excursões por ruas menos habitadas, onde terrenos baldios, ruas de terra, nos proporcionavam cenários para brincadeiras de mocinho e bandido, como víamos nos filmes da TV. Eu era o Roy Rogers, outra amiguinha o Zorro, outra o Bat Masterson, mas ninguém queria ser o índio Tonto, companheiro do Zorro, porque seria alvo de gozação da turma. Havia também uma mina de água na redondeza, que enriquecia ainda mais nossas aventuras. Vez ou outra, moleques atrevidos nos importunavam, dos quais fugíamos correndo de volta para nosso forte seguro. A influência dos seriados americanos era grande.

 

Recordo-me com carinho do Prof. Sérgio. Ele lecionava para o pré-primário numa escola pública de madeira, elevada sobre estacas, próxima à rua Maris e Barros. Fui sua aluna aos 6 anos e com ele aprendi a ler e escrever, além de todas as tabuadas, a dos 2 até a dos 9! Naquele ano de 1958, a escola foi demolida e ele levou seus alunos para a sala de aula no quintal da sua casa. Ele foi um professor exemplar, não me lembro dele irritado ou gritando com alguém. Éramos comportados e queríamos aprender. Vem à minha memória o esperado recreio quando comia a paçoquinha Amor, que era muito diferente do que é hoje e custava um cruzeiro. Aliás, recordo-me de vários sabores da minha infância, o do Toddy, por exemplo, era um pó finíssimo de cor rósea e delicioso, acondicionado em potes de papelão e tampa metálica.

 

O bonde ainda circulava pela cidade. Certo dia, recebemos a visita de um tio que morava no interior e programamos visitar uma tia que morava no Campo Belo. Tomamos o bonde que saía da Praça João Mendes em direção a Santo Amaro. Ao descer no ponto desejado, eu enterrei meu pezinho na lama e ao retirá-lo, perdi minha sandália vermelha novinha. Um ou dois anos atrás, li no jornal que as obras do Metrô da linha lilás, descobriram restos dos trilhos na região. Logo pensei, será que encontraram minha sandalinha?

 

Já mocinhas, na década de sessenta, frequentávamos o cine Astor, no Conjunto Nacional. Depois da sessão, sentávamos à mesa na calçada do restaurante Fasano para tomar sorvete em taças de prata, apreciando o movimento da Paulista. Era um luxo!

 

Em 1970, o Brasil sagra-se tricampeão do mundo no futebol. Eu cursava o preparatório para o vestibular no Objetivo, que naquele ano mudara-se para a Av Paulista no prédio da Gazeta. Na segunda-feira após o campeonato, não houve aula, saímos desfilando pela avenida, eufóricos com a vitória, alheios ao que ocorria nos bastidores da ditadura.

 

No ano seguinte, já na faculdade, tomei ciência da situação política do país. Colegas desaparecidos, o autoritarismo militar, a repressão policial. Os meios de comunicação censurados iludiam-nos com a idéia que se combatia o comunismo. Felizmente, hoje, podemos saber da real situação do país e parabenizo a Rádio CBN e a TV Cultura por nos manter atualizados e críticos diante da política brasileira, cujos representantes ainda nos causam muita revolta. Há uma longa jornada pela frente até a plena cidadania.

 


Participe do Conte Sua História de São Paulo, envie seu texto para milton@cbn.com.br ou agende uma entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net.

Porta arrombada, pacto de ferro

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Cheguei a lembrar, ao iniciar este texto, o que digitei várias quintas feiras atrás no qual tratei da tragédia ocorrida em Santa Maria: o incêndio na boate Kiss. Escrevi naquele o conhecido adágio popular “porta arrombada, tranca de ferro”. Estava pronto a parafraseá-lo baseado no primeiro dos cinco pactos propostos pela presidente Dilma Roussef, na reunião de emergência com governadores e prefeitos estaduais, visando a acabar com os protestos populares cujos objetivos, acredito, ficaram sobejamente conhecidos. Já havia imaginado postar: porta arrombada, Constituinte Exclusiva. Em menos de 24 horas,porém,a Presidente desistiu da ideia,sensibilizada com as orientações do presidente da OAB,Marcos Vinicius Furtado Coelho. Estragou a minha paráfrase,mas mantenho o que diz o provérbio,isto é,”porta arrombada,tranca de ferro”. Se,de fato,os quatro pactos que permaneceram serão colocados em prática,os protestos devem terminar. Royalties para a educação,investimentos em saúde,responsabilidade fiscal e transporte público,ao contrário da Constituinte Exclusiva,são exequíveis e urgentes.

 

Ora – me pergunto – por que estas maravilhosas providências não foram tomadas antes pelo Governo.Foi necessário que jovens, reunidos por força do Facebook,tenham ido às ruas,munidos de boas ideias e muita coragem,para que as autoridades se dessem conta de que não é mais possível retardar o que há muito tempo já deveria estar em execução,com vistas a tornar menos difícil a vida dos brasileiros. Há um tempo para tudo,conforme se lê no Eclesiastes. Atrevo-me a dizer que,no mínimo,é tempo de se dar uma trégua aos governantes para ver se tudo o que estão prometendo vai sair do papel. Ah,uma vitória já foi alcançada pelo povo:caiu a PEC 37.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Passe livre: a origem

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

O Movimento Passe Livre iniciado em 2005 e gerador das atuais manifestações que se alastraram por todo o país, depois de ter sido contemplado por Dilma Rousseff para iniciar a lista das reuniões presidenciais, teve ontem a aprovação da PEC 90/11 da tarifa zero, pela CCJ Comissão de Constituição e Justiça. Vitória e tanta, se considerarmos que ao levar o tema ao presidente Lula ouviram: “A idade é boa por isso. Quando a gente chega a ter 60 anos de idade, atinge a maturidade. Quando governa o Brasil, a gente tem seriedade. A gente não pode ficar entendendo que pode chegar um grupinho de pessoas e falar: ‘eu quero cinema de graça, eu quero teatro de graça, eu quero ônibus de graça’. Eu também quero tudo de graça, mas nós temos de trabalhar.” (Folha de S. Paulo, 16/03/06).

 

A verdade é que a deputada Luiza Erundina, autora da proposta da tarifa zero, é a origem de todo este processo. Em 1990, quando Prefeita de São Paulo, não conseguiu nem a votação ao Projeto do transporte gratuito, elaborado por seu Secretário dos Transportes Lúcio Gregori. Além de não ter maioria na Câmara, o PT, seu partido, foi contra. Ainda hoje Haddad considera utopia a sua execução. Erundina parte do princípio que a locomoção urbana é algo que pode ser colocada como a iluminação pública, ou o serviço do lixo. Deve ser inserida no IPTU, de forma que aqueles que podem mais paguem mais. Os que podem menos paguem menos. E, os que não podem não paguem.

 

Utopia ou não, o passe livre já existe no exterior e no Brasil em algumas cidades. Para uma concentração grande como São Paulo pode ser uma temeridade. Entretanto, ao mesmo tempo, há sistemas menos engessados que poderiam ser analisados. Há cidades em que algumas linhas são gratuitas. Outras as distinguem por áreas, em função da necessidade da população local.

 

Entre tantas incertezas, há a certeza da diversificação das necessidades. E neste caso é preciso respeitar esta segmentação. Como sempre se faz nas melhores práticas de mercadologia. Atendamos os consumidores oferecendo serviços e produtos adequados às suas necessidades. Por que não?

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Quem somos, para onde vamos? O que será?

 

Por Julio Tannus

 

 

Nos anos 1980 participei de um estudo, coordenado pela França e com tecnologia desenvolvida pelos franceses, sobre tendências socioculturais. A Europa e alguns países da América do Norte e do Sul foram objeto deste estudo, para responder a seguinte questão: quem somos e para onde vamos? Na França, François Mitterrand, e na Argentina, Raul Alfonsín, ambos candidatos à presidência de seus respectivos países, utilizaram dos resultados para planejar a comunicação de campanha.

 

No Brasil, várias empresas multinacionais pautaram suas estratégias de comunicação seguindo as linhas sugeridas pelo estudo. A partir da questão proposta, o cerne de nossa personalidade foi caracterizado como “individualista expressivo”. E assim explicado porque nossas instituições não davam conta de nossas realidades.

 

Conforme já citei aqui, para o autor João Cruz Costa, em seu livro “Uma Contribuição à História das Ideias no Brasil”, nossa questão institucional remonta aos anos 1.500. Em seu pensamento, o Brasil desde sempre se vê envolto nessa mesmice: “as instituições brasileiras não dão cabo de sua realidade”. Em seu esforço de compreensão dessas dificuldades conjectura se elas não seriam consequência das razões de nossa origem brasileira, ou seja, pelo fato de a fundação de nossa nacionalidade ter sido cunhada sob a égide de fatores puramente mercadológicos – o nome Brasil vem da exploração de pau-brasil.

 

A única instituição que razoavelmente dava conta de nós, nessa ocasião, era o emprego. Os tempos se passaram, e o mundo mudou. Hoje, como nos diz o sociólogo Zygmunt Bauman, experiência e maturidade que eram garantias no emprego, não tem mais vez. O que vale é “o aqui e agora”. Assim, qualquer um, a qualquer momento, pode estar sendo descartado de seu emprego.

 

E aí eu pergunto: o que será esse movimento nacional de protestos? Será que finalmente acordamos? Será que iniciamos um movimento para reivindicar instituições que abarquem nossa coletividade? Instituições que efetivamente reflitam o que somos e o que reivindicamos?

 


Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier). Escreve no Blog do Mílton Jung às terças-feiras.

Remédios para a política brasileira: assembleia constituinte e recall

 

Walter Maierovitch, no comentário Justiça e Cidadania, do Jornal da CBN apresentou três propostas para curar algumas doenças da política brasileira e conter a ação de vândalos, evitando a contaminação da maioria que se manifesta de forma justa e indignada. Uma delas foi anunciada pela presidente Dilma na tarde de hoje, a outra pode fazer parte da reforma política:

 

1. Como é longo o elenco de insatisfações reveladas nas recentes manifestações, é recomendável um remédio de amplo espectro. Ou seja, a convocação de uma Assembleia Constituinte exclusiva. Uma nova Constituição com prazo certo para ser concluída. Seria feita por constituintes eleitos. E, atenção, com uma regra, qual seja, o constituinte eleito fica impedido, por 10 anos, de concorrer a outros cargos eletivos como os de deputado, senador, governador, presidente da república, etc.

 

2. Na Europa, existe uma polícia civil de prevenção. A italiana Digos, por exemplo, recolhe informações para prevenir a ordem pública. Agentes infiltrados, fotos, filmagens, acompanhamentos de redes sociais são realizados. E até os racistas que se escondem em torcidas organizadas de futebol são identificados e elencados. Nos dias de manifestações políticas ou de jogos de futebol, a autoridade judiciária expede ordem de detenção provisória. Assim, o vândalo, o racista, o incapaz de viver em sociedade, é detido até fim das manifestações ou dos jogos. Tudo isso, sem prejuízo de um rápido processo criminal com pena de prisão. Até os vigilantes de empresas privadas estão conectados a uma rede informativa e passam, 24 horas, dados sobre fatos relevantes. Por exemplo, no bairro, um sujeito, todos os dias, furta automóveis ou destrói vidros do metrô.

 

3. O remédio eficaz contra os Felicianos, e foi recentemente usado na Califórnia e em Cantão Suíço, chama-se recall. O cidadão do distrito eleitoral pelo recall cassa o mandato parlamentar por fatos graves, como, homofobia, racismo, corrupção, etc. Um recall, uma rechamada, a fim de os Felicianos voltarem para casa.

Tô de saco cheio!

 

 

Incomodado com o tratamento oferecido por algumas empresas e prestadoras de serviço, há exatos dois meses, inaugurei a sessão Tô de Saco Cheio, neste blog. Falei mal de quem trata mal e desrespeita as regras legais e do bom senso. Estava cansado de falar com serviços de callcenter que não resolvem o problema, negociar com empresas que somente agem sobre pressão e reclamar em ouvidorias que não ouvem. Hoje, volto a esta coluna, não apenas como consumidor, mas cidadão.

 

Tô de saco cheio é o que dizem milhões de brasileiros que há duas semanas não saem das ruas em protesto. Estão cansados de assistirem a elite política do país a negociar na cúpula sem considerar a base. Uma gente que transforma negociação em negociata. Não aguentam mais pagar trilhões de impostos – isto não é força de expressão, apenas no ano passado foram R$ 1,5 trilhões – sem receber um só serviço de qualidade. Têm de levar o filho para a escola particular, se pretende vê-lo bem sucedido; internar-se com ajuda de planos de saúde, na esperança de não morrer antes de ser medicado; contratar guardinha de rua, investir em câmeras, alarmes e portões de grade, para reduzir o risco de ver sua casa invadida por bandidos; perder horas de seu dia no trânsito, porque se esperar o ônibus no ponto não chega em tempo, se procurar a estação do metrô não vai encontrá-la; sem contar a coação para o pagamento de “gorjeta” a cada licença necessária ou documento a ser expedido na repartição pública.

 

A bronca dos brasileiros, revelada a cada passeata ou avenida interditada, se volta para uma quantidade enorme de alvos. Alguns sequer estão escritos nos cartazes que revelam a criativa indignação nacional, talvez sequer apareçam de forma clara na nossa memória, mas ajudaram a encher o saco a ponto de poucos centavos serem suficientes para esta explosão social. PEC37(?), Cura Gay, Tarifa Zero, Renan no Senado, corrupção nos legislativos, juízes endinheirados, salários públicos aviltantes, pedágios caraos, auxílios-alimentação, moradia e paletó são todos elementos de uma longa história de derespeito ao cidadão.

 

A presidente Dilma Roussef falou sexta-feira passada, buscou o equilíbrio no discurso, evitou a arrogância, mas apenas refez promessas já ouvidas. Precisa agora agir e mostrar que está disposta a liderar esta renovação de comportamento no País. Os brasileiros querem mais do que palavras, e não só da presidente. Quem apostar nisso, não sobreviverá nesse rebuliço social. Governadores, prefeitos, senadores, deputados e vereadores precisam dar sinais claros de que entenderam o recado. A Justiça, também. E rapidamente. Reforma política ampla, mudanças radicais nas alianças, transparência nos contratos, redução de gastos públicos, gestão profissional nos serviços prestados, comprometimento e atendimento de metas claras, canais de comunicação abertos para ouvir o cidadão. E mais uma série de outras ações fundamentais para oferecer à sociedade um País justo. Porque o brasileiro já mandou o seu recado: tô de saco cheio!

 

Debate em vídeo sobre os protestos históricos no Brasil

 

 

Os protestos pela qualidade do serviço público, a corrupção e mais uma variedade de temas que mobilizam o Brasil há duas semanas motivaram debate que realizei com leitores e equipe da revista Época São Paulo, através do serviço de hangout do Google. A discussão foi durante os manifestos da semana passada, dia 17 de junho.

 

Mais do que afetar a cidade, os protestos precisam ser entendidos como uma manifestação democrática. E que, como tais, eles integram a cartilha de direitos dos cidadãos paulistanos. Não tinha dúvidas de estar diante de um momento histórico para o Brasil capaz de mudar nosso destino.

 

Se você perdeu o hangout ao vivo, assista no vídeo acima.

De desabafo

 

Por Maria Lucia Solla

 

Desabafo é vapor que assobia pela válvula, quando se está prestes a explodir. É o que está acumulado há tanto tempo que não dá para represar. É um descarrilhar inesperado que faz a gente escorregar, meter as mãos pelos pés, cair, se ralar, levantar, e mesmo sangrando gritar. Para não engasgar, para não sufocar.

 

Desabafo não é bafo; desabafo é vital e sua banda. É uma das últimas cartas que se tem na manga, é recurso derradeiro, mesmo que seja o primeiro.

 

Desabafo é pioneiro, toda vez.

 

Desabafo é como rolha de champanhe, sai apressado e desatento, de tanto armazenar desalento. E é bom ficar atento para não amordaçar o detento. É deixar fluir, cada um o seu. A seu modo, em cada canto, dando vazão ao desalento.

 

Para a pressão do desabafo que aumenta, ha duas saídas, expressão ou depressão. Solidão ou união.

 

Fui cara pintada, sou rebelde dos anos sessenta e confio na juventude que de alienada não tem nada, mas tenho medo de quem tenta pôr panos quentes na revolta, de quem tenta pôr ordem no caos. A cegueira intelectual só vê coerência no que pode apalpar, naquilo que serve ao seu próprio paladar.

 

De política sei quase nada, mas de gente sei um pouco. Não é preciso ser especialista para ver que a vida vai mal por estes lados do planeta, que o povo vive mal, estendendo a mão para alcançar promessas vãs, de migalha em migalha de pão para o corpo, esfomeado na alma e na dignidade que nem sabe mais o que é.

 

Pitaco para a solução? Que tal exterminar a obrigatoriedade do voto manipulado, do analfabeto comprado por tostão? Que tal arrumarmos nossa casa em vez de posarmos de bacana ajudando o povo de Havana? Que tal escola e saúde para o povo faminto em vez de facilitar a compra de automóvel e de tevê?

 

Estamos virando as costas para o ópio de cada dia, para o sorriso falso arquitetado por marqueteiros de plantão, para o populismo barato que nos custa tão caro.

 

Dá-lhe povo brasileiro! É hora do desabafo. Para diminuir a pressão no peito, para dar a Deus a mansidão patética de quem se contenta com merreca.

 

Queremos ricos, pobres e políticos ladrões na cadeia, ou este país, num piscar de olhos se incendeia.

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Mundo Corporativo: estratégias para a educação corporativa

 

“O conceito de educação corporativa esta focado no desenvolvimento de competências e não só de habilidades ou conhecimentos, mas de competências críticas do negócio”, explica o diretor-executivo da Associação Brasileira de Educação Corporativa, Marcos Baugartner, nesta entrevista ao programa Mundo Corporativo, da CBN. Segundo ele , pesquisas mostram que as empresas brasileiras investem em torno de 3,2% da folha de pagamento em treinamento e desenvolvimento e boa parte deste trabalho é para compensar as carências na educação básica dos seus empregados. Baugartner organizou ao lado de Fabiana Gradella Casarini o livro “Educação Corporativa – da teoria à prática”, lançado pela Editora SENAC.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, no site da rádio CBN (www.cbn.com.br), com participação dos ouvintes-internautas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.