Destaques Brasil primavera-verão 2013

 

Por Dora Estevam

 

Lançamentos que agitaram a semana dos lojistas. O varejo agradece. Foram muitas as marcas que rechearam as araras com as novas peças. E tem muita roupa bonita.

 

A moda está bem divertida: metálicos, franjas, cores vibrantes como os fluors, sandálias de tiras, super femininas, estampas (aliás, força total para os famosos conjuntinhos) e muito brilho; estampas étnicas e geométricas, sem contar as rendas e o couro.

 

Como eu gosto de dividir com você as novidades da moda, separei alguns vídeos de marcas bem legais que nesta semana fizeram eventos e desfiles para avisar as clientes que o novo já chegou. Varejo, e-commerce e atacado, todos abastecidos para atender a demanda desta temporada.

 

Vamos começar com a marca fast fashion Pop Up Store, da Fabiana Justus, apostou nos metálicos, tricôts, néons e nas franjas para a nova estação. Confira no vídeo gravado com exclusividade pela e-commerce OQVestir, no evento Fashion Day In, empresa virtual que agrega várias marcas nacionais. O desfile foi transmitido simultaneamente para a loja do Shopping Market Place, em SP. Confira!

 

 

A marca sofisticada Daslu apresentou o desfile num cenário primaveril, flores e mais flores alegraram o ambiente. Convidadas ricas e bonitas, o público perfeito para consumir a marca. Destaque para os conjuntos estampados e para os fluors. Veja o desfile de apresentação da grife, que também apostou na transmissão simultânea direto do Shopping Cidade Jardim para o novíssimo JK, SP. Play!

 

 

A estilista Adriana Barra também lançou o verão 2013 no mercado, em grande estilo. As estampas exclusivas são meticulosamente escolhidas pela estilista, ela coloca a peça no corpo para dizer exatamente onde cada estampa deve ficar. Este foi um making off da campanha dela que separei para você. Veja!

 

 

Se o varejo conseguiu abastecer as araras para receber o verão, apostando nas grandes vendas e demandas, o atacado também (além de entregar no prazo) já abasteceu os showroons com estoques para a reposição das lojas. É o caso das marcas que atuam no Itaim, bairro conhecido por confecções e atacadistas em SP. A Seventy Nine, marca para mulheres maduras, tem grades de numeração e cores de lindas camisas e regatas de seda, vestidos e saias fluidas, ela apostou nas cores clássicas como o branco, marinho e preto, com pitadas de cores atuais como azul klein, terrosos e estampas étnicas.

 

 

A Nem (também para mulheres clássicas e contemporâneas) apostou nos fluors verde e amarelo, nos terrosos, estampas em animal print e nos brilhos para a noite. Veja na entrevista que fiz com uma das proprietárias da marca a empresária Eloísa Pêra.

 

 

Neste post eu coloquei algumas marcas que particularmente tenho gostado de ver as novidades e acompanhar a movimentação. São marcas relativamente básicas e fáceis de encontrar em lojas paulistanas. Espero que tenham gostado das marcas.

 


Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung, aos sábados

O poder do cidadão na escolha do vereador

Texto publicado originalmente no Blog Adote São Paulo, da revista Época São Paulo

 

Adote um Vereador

 

Sonia Barboza, do Movimento Voto Consciente, estava ansiosa. Ela sempre parece ansiosa. Desta vez, a preocupação era sobre a adesão das pessoas ao seminário “Como decidir o seu voto a vereador”, promovida pela ONG e com apoio da rede Adote um Vereador, terça-feira à noite. “Milton, será que vem alguém?” perguntou-me enquanto contava as poucas pessoas que, meia hora antes do início do encontro, ocupavam as cadeiras do auditório Prestes Maia, no primeiro andar da sede da Câmara Municipal. Naquela altura outra movimentação me entusiasmava mais do que o público, era provocada pelos jornalistas de rádio, televisão e internet que conversavam com os promotores do evento interessados em orientar o eleitor sobre como escolher melhor o seu representante para o legislativo. Tinha certeza de que independentemente de o auditório estar lotado, nossa mensagem chegaria a uma quantidade enorme de pessoas através da cobertura da imprensa.

 

Um dos desafios da eleição para vereador é a participação do eleitor, haja vista que dos cerca de 8 milhões de paulistanos com direito ao voto a maioria, algo em torno de 5 milhões, prefere escolher apenas o prefeito, abre mão de influenciar na formação da Câmara Municipal. O seminário tinha esta intenção, mobilizar o cidadão e provocar a discussão em torno dos critérios que nos levam a decidir por este, por aquele ou por nenhum vereador. E tenho a esperança de que este ano iremos avançar no sentido de qualificar nosso voto, pois se percebe por parte da mídia a consciência de que seu papel é importante no esclarecimento do que ocorre nas Câmaras e na necessidade de o cidadão interferir no trabalho dos vereadores.

 

Com a imprensa atenta, transmissão pela internet por dois canais e um público bem maior do que aquele que estava no local quando a Sonia havia apresentado sua preocupação, ouvimos as palavras dos professores José Álvaro Moisés e Marcelo Nerling, da USP, além do presidente da Câmara, vereador José Police Neto (PSD), durante duas horas. O público fez várias perguntas, comentários e sugestões tais como a luta pela implantação dos conselhos gestores nas subprefeituras, prevista na Lei Orgânica do Município, mas suspensa por decisão judicial, e a eleição para subprefeitos substituindo o modelo atual de indicação política a cargo do prefeito.

 

José Álvaro Moisés, titular do Departamento de Ciência Política e diretor do Núcleo de Pesquisas em Políticas Públicas (NUPPs) da USP, chamou atenção para o que considera ser a mais importante função do vereador: a fiscalização do Executivo. Para ele, os prefeitos têm quase todo o poder e os vereadores não atuam no sentido de mudar este cenário. Moisés considera importante “empoderar o cidadão” ou seja levar a população a espaços privilegiados de decisões, de consciência social dos seus direitos. Reclamou da falta de informação, por exemplo sobre como são feitos os orçamentos públicos.

 

Marcelo Arno Nerling, do Curso de Gestão de Políticas Públicas, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo, começou sua apresentação questionando os interesses que movem os vereadores. Para ele é preciso saber se o político tem mais vontade de poder ou mais vontade orgânica, assim como se vivem para a política ou da política. E ofereceu ao eleitor uma série de perguntas que devem ser feitas e dicas a serem seguidas para que se escolha um vereador.

 

Aproveito para relacionar algumas:

 

Conhecer pessoalmente o candidato
Saber o domínio que tem sobre a arte de legislar
Perguntar quais as prioridades, ou qual o seu plano de Governo
Qual o domínio que tem sobre os temas que pretende defender
Qual partido e coligação se vincula
O que pensa da imunidade parlamentar
E sobre os controles internos, como o Tribunal de Contas
Quem é o seu financiador

 

Ao fim do encontro, não cheguei a falar com a Sônia por muito tempo, mas tenho certeza de que a apreensão do início foi substituída pela satisfação de, mais uma vez, o Movimento Voto Consciente com a colaboração da rede Adote um Vereador terem contribuído para tornar a cidade mais digna, porque um voto pensado, melhora o perfil da Câmara e se reverte em qualidade de vida para o cidadão.

Avalanche Tricolor: as imagens podem ajudar muito

 

Ponte Preta 0 x 0 Grêmio
Brasileiro – Campinas (SP)

 

 

Faltava um segundo para o final quando o lutador brasileiro de taekwondo Diogo Silva recebeu um golpe tão rápido na cabeça que o árbitro não viu, mas graças ao regulamento do esporte o americano Terrence Jennings pediu revisão das imagens. O combate estava empatado e a disputa da medalha de bronze nos Jogos Olímpicos iria para o golden score, mas os juízes analisaram o vídeo e perceberam o erro, voltaram atrás e deram os pontos para o representante dos Estados Unidos. Dias antes quase assistimos à tremenda injustiça na partida entre Brasil e Rússia no vôlei feminino quando uma bola que bateu dentro da quadra adversária foi sinalizada como sendo fora e impediu que as brasileiras marcassem um ponto importante. A televisão repetia à exaustão o lance, as jogadoras reclamavam do árbitro, mas, irredutível, senhor da verdade, ele confirmou seu erro. Menos mal que tivemos a maturidade para manter a calma e protagonizar a mais incrível vitória do vôlei nesta Olimpíada.

 

Você, caro e raro leitor, deve estar se perguntando por que ocupei todo o primeiro parágrafo desta Avalanche Tricolor para falar de lances polêmicos que ocorreram em Londres quando aqui pertinho, em Campinas, o Grêmio empatou seu primeiro jogo no Brasileiro, resultano suficiente para se manter entre os quatro melhores da competição? Antes de mais nada porque não perco a oportunidade de chamar a atenção para a necessidade de os esportes de alta performance passarem a aceitar os benefícios oferecidos pela tecnologia. O futebol americano já nos ensinou isso, o tênis aderiu, descobri nesta Olimpíada que o taekwondo e a esgrima também permitem a revisão das imagens, mas, infelizmente, o nosso futebol, o vôlei, o basquete e tantas outras modalidades ainda não entenderam que não se pode correr o risco de prejudicar uma campanha inteira de uma seleção ou clube apenas porque o olhar dos árbitros é incapaz de acompanhar a velocidade das jogadas. Os prejuízos financeiros e históricos são irreparáveis.

 

Na partida de hoje não tivemos tantos lances que merecessem uma revisão de imagens, apesar do árbitro manter a tradição neste campeonato e mais uma vez ter errado em algumas marcações. No entanto, tenho certeza de que amanhã quando a equipe do Grêmio sentar diante da televisão e rever o jogo perceberá que quando coloca a bola na grama – mesmo que esta seja em um campo ruim como o desta noite – a possibilidade de se aproximar do gol é muito maior. Foi o que aconteceu na parte final da partida, depois que cansamos de dar chutão para frente e fazer lançamentos sem destino. Um time que tem Zé Roberto e Elano como armadores não pode fazer com que a bola passe por cima deles, tem de fazer com que a bola passa por eles. Já que não podemos aproveitar as imagens para rever lances duvidosos durante o jogo, que estas sirvam para consertamos nossos erros depois da partida. Mesmo porque, como Elano lembrou bem, domingo tem mais.

Reviravoltas na cobertura esportiva

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Os Jogos Olímpicos de Londres aproximam-se do seu encerramento. Este, a exemplo do que aconteceu na sua abertura, é de se imaginar, será outro espetáculo inesquecível. Duvido que, mesmo os mais exigentes turistas, jornalistas e telespectadores, ao fim e ao cabo desta Olimpíada, terão algum reparo a fazer sobre o que viram. Os que ficaram em suas casas assistindo ao que as emissoras de televisão mostraram, principalmente os felizes proprietários de tevês Full HD e 3D, com certeza, deliciaram-se com as sensacionais imagens que brotavam de seus aparelhos. Tomara que, daqui a quatro anos, quando chegar a vez de o Rio de Janeiro sediar os próximos Jogos Olímpicos, o Brasil possa também encantar o mundo, em todos os sentidos.

 

Fui um dos que tiveram a chance de acompanhar, em casa, boa parte dos jogos. Ao ver a cobertura realizada pelos meu colegas de profissão, invejando-os com santa invídia, lembrei-me da época em que compartilhei da experiência vivida na Inglaterra pelos jovens e veteranos jornalistas que lá ainda estão. Das Copas do Mundo que fui escalado para cobrir como narrador da Rádio Guaíba, a de 1974, na Alemanha, me dá saudade. Escrevi faz duas semanas, que a nossa chegada – minha e do comentarista Ruy Carlos Ostermann – começou com um susto. Achávamos que a nossa bagagem tivesse se perdido. Seria um mau começo. Para quem não leu o texto em que relatei essa história, esclareço que as encontramos no dia seguinte ao do nosso desembarque em Frankfurt. Estavam na sala de bagagens não reclamadas.

 

Conhecer a Alemanha – ou um pouquinho dela, porque jornalista e radialista não são turistas – foi muito agradável. Afinal, meu bisavô paterno,o primeiro dos Jung do meu ramo que desembarcou no Brasil, era alemão. A primeira etapa da nossa estada no país avoengo foi na industrializada cidade de Frankfurt. A equipe da Guaíba que nos precedeu, alugara um Fusca, depois trocado por um BMW. Ruy e eu viajamos com esse carro por boa parte das “bundesautobahnes”, as maravilhosas rodovias que, em 1974, já era excelentes. A última das nossas viagens foi, para mim, pelo menos, inesquecível. Precisamos sair de Honnover e ir até Essen. A maioria da equipe nos esperava hospedada em um hotel, nessa cidade. Lá pelas tantas, anoiteceu. Foi quando encontramos a primeira placa indicando que estávamos em Essen. Eu dirigia o BMW. O Ruy olhava para as placas. Andamos um pouquinho mais e começaram a surgir outras placas. Era um tal de Essen isso, Essen aquilo que parecia não ter fim. Tínhamos que tomar uma resolução. Então, entramos na próxima saída com esse nome na placa.

 

E agora? Sabíamos somente o nome do hotel em que se hospedavam os nossos companheiros. E mais nada. Não se via viva alma nas ruas. Quem sabe a gente parava numa cabina telefônica e ligava para um dos nossos? Não lembro quem atendeu e informou que tínhamos de entrar numa elevada, perto de onde nos encontrávamos. E veríamos o hotel. Chegamos aonde queríamos ir. Foram necessárias, porém, tantas voltas, subindo e descendo a elevada, que elas já ameaçavam se tornar infinitas, até que, finalmente, atinamos com a saída. Foram dois caras famintos e com sono que, ainda por cima, tiveram de suportar a gozação dos colegas.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Enquanto isso no STF …

 

 

Imagem acima, colaboração do colega de Justiça e Cidadania Walter Maierovitch, é criação do Michelangelo das Caricaturas, Honoré-Victorien Daumie. Para que não fiquem dúvidas, o francês morreu em 1879, portanto qualquer semelhança com as sessões do STF é mera coincidência.

Telê Santana tinha razão, também no basquete

 

Joguei basquete por 13 anos, boa parte deste tempo vestindo a camisa do Grêmio. Era uma época em que assistir aos jogos da NBA aqui no Brasil era um privilégio, pois ainda não tínhamos a TV a cabo e faltavam espaço e dinheiro na grade de programação dos canais abertos. Ficávamos esperando ansiosos pela chegada de um amigo qualquer que tivesse tido oportunidade de visitar os Estados Unidos, pois sabíamos que traria na mala alguns pares a mais de tênis All Star. Enquanto não nos era possível calçar uma daquelas relíquias, contentávamos com o Charrua, comprado nas lojas uruguaias de Rivera, cidade separada por apenas uma avenida de Santana do Livramento, no extremo do Rio Grande do Sul.

 

Meus tempos de quadra me renderam algumas poucas convocações para a seleção gaúcha e um título estadual estudantil, além de muito atrevimento para enfrentar os grandalhões com meu 1 metro e 74 de altura. Em um dos períodos em que treinei no Grêmio, o futebol era comandado por Telê Santana que adorava basquete e fazia questão de levar grupos de jogadores, em dia de concentração, para assistir às nossas partidas. Telê se espelhava nos técnicos de basquete para montar seus treinos táticos e organizar jogadas ensaiadas, além disso arriscava alguns palpites. Lembro que ele criticava a forma como cobrávamos o lance livre, impulsionando a bola com uma só das mãos e movimentando uma complicada engrenagem do braço para que esta alcançasse a cesta. Dizia que o mais óbvio e certeiro seria que cobrássemos no estilo lavadeira, arremessando com as duas mãos abaixo da cintura, usado até as décadas de 1960 e 1970. Aqui no Brasil, alguns devem lembrar que o lendário jogador brasileiro Ubiratan usou este recurso devido o baixo desempenho dele nos lances livres.

 

Ao assistir o basquete brasileiro enfrentar a Argentina, nas quartas-de-final dos Jogos Olímpicos, nesta tarde, não tive como não lembrar do saudoso Telê Santana. Talvez se nossa equipe, hoje cheia de estrelas da NBA, coisa inimaginável no meu tempo, arriscasse alguns lances livres de lavadeira ainda estaríamos na disputa de uma medalha e não teríamos assistido à festa argentina. Alguém deverá pensar que a ideia é ridícula no basquete moderno. Eu penso que ridículo é um time com a qualidade do brasileiro acertar apenas metade dos arremessos de lance livre em uma partida decisiva.

 

Não é que Telê tinha razão, mais uma vez.

O Nobel de Economia e o resultado nas Olimpíadas

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

A repetição dos movimentos nos treinamentos, a competência na escolha das ações nas competições, o acúmulo de experiências vitoriosas sucessivas em competições esportivas, são premissas inquestionáveis para a manutenção de um campeão.

 

Cielo, Murer e Hypólito, detentores destes requisitos, atletas campeões consagrados internacionalmente, não fizeram jua à bagagem competitiva que levaram para Londres. As metas traçadas não alcançadas foram devidas certamente a decisões tomadas erroneamente.

 

Se o esperado ouro não veio, não deixa de ser de ouro o momento para se iniciar a preparação para a RIO 2016, que pode vir de um vencedor na academia da ciência.

 

Há uma semana o psicólogo Daniel Kahneman, Prêmio Nobel de Economia pelo seu trabalho na área de Economia Comportamental, lançou o livro “Rápido e Devagar”, que aborda os aspectos psicológicos das tomadas de decisões.

 

Kahneman divide o processo decisório em dois Sistemas:

 

1.Rápido, é automático e emotivo,

 

2.Devagar é o controlado e racional.

 

Da otimização na relação entre os dois é que resultará a melhor decisão. Mas, não é fácil. E, Daniel Kahneman explica: “Por que temos tanta dificuldade de pensar estatisticamente? Há uma limitação desconcertante de nossa mente: nossa confiança excessiva no que acreditamos saber, e nossa aparente incapacidade de admitir a verdadeira extensão da nossa ignorância e a incerteza do mundo em que vivemos. Somos obrigados a superestimar quanto compreendemos sobre o mundo e subestimar o papel do acaso nos eventos”.

 

Cesar Cielo repetiu os 100m e se deu mal. Fabiana Murer vivenciou o stress do sumiço anterior do seu equipamento com o forte vento de agora e desistiu. Daniel Hypolito renovou a mesma queda.

 

Se na Economia a tomada de decisões é crucial, como argumenta Kahneman, a ponto de poder quebrar um país se todos decidirem errado sobre investimentos e compras. Na área do esporte de alto rendimento, as decisões são tão importantes quanto. E, tanto na esfera preparatória quanto na fase de competição. O emocional, a estatística e a sorte, devem ser levados em consideração, com a ressalva de que a pessoa não consegue analisar a si própria. Precisa ser ajudada por outra para uma análise sem viés.

 

Agora, talvez o melhor mesmo seja mergulharmos nas questões levantadas por Daniel Kahneman em seu instigante trabalho sobre as decisões. Ou, procurar um psicólogo.

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos, e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

A incoerência no licenciamento de veículo

 

Por Julio Tannus

 

Voltando para São Paulo no final de 2011, num sábado lá pelas 15h pela Rodovia Washington Luiz, minha viagem foi subitamente interrompida por um policial militar rodoviário. Estava distante de SP um pouco mais de 400 km, próximo de São José do Rio Preto. Após apresentar a documentação de praxe – CNH e Certificado de Propriedade – fui solicitado a entrar no Posto de Polícia Rodoviária e incontinenti me informaram que o licenciamento estava vencido. Em consequência, o meu carro seria guinchado, levado para algum local na cidade de São José do Rio Preto por meio de um guincho de empresa terceirizada, e que, na segunda-feira, eu deveria me dirigir nessa cidade a um posto de Poupatempo para pagamento da dívida pendente.

 

Incrédulo, argumentei que deveria estar ocorrendo algum equívoco, pois sou absolutamente rigoroso com minhas contas. Após constatar no terminal de computador que efetivamente meu licenciamento estava vencido, lembrei-me que na época de renovação do licenciamento estava totalmente absorto em questões médicas de pessoa da família.

 

Foi assim que iniciei um longo processo de questionamento junto aos policiais presentes.

 

Resumidamente:

 

– Por que não posso pagar agora o valor devido e ter meu carro liberado?
– Por que não posso ir até uma cidade próxima e num caixa eletrônico saldar a dívida e ter meu carro liberado?
– Por que não é lavrada uma multa devido ao não pagamento do licenciamento e assim ter meu carro liberado?
– Por que não fui alertado que o meu licenciamento estava vencido?
– Por que um cidadão que sempre honrou com suas obrigações, é obrigado a ficar a pé quilômetros de distância de seu domicílio?
E, finalmente:
– Como pode uma lei exigir que uma autoridade policial deixe um cidadão a pé na beira da estrada, distante 400 km de sua moradia, por não ter pagado uma obrigação no valor de R$ 59,33?
– Como pode essa mesma lei não possibilitar que esse cidadão pague no ato a quantia exigida, possibilitando assim que prossiga sua viagem até o distante destino?

 

Por que então não manter a coerência?


 

– deixou de pagar a conta da Eletropaulo: a luz é cortada sem aviso prévio

– deixou de pagar a conta da Comgás: o gás é cortado sem aviso prévio

– deixou de pagar a conta da Telefônica: o telefone é cortado sem aviso prévio

– deixou de pagar a conta da Sabesp: a água é cortada sem aviso prévio

- deixou de pagar o IPTU: só entra em casa quando pagar e sem aviso prévio da penalidade

– deixou de pagar o licenciamento do carro: o carro é guinchado e o proprietário é colocado na beira da estrada, a noite, sem condução e a centenas de quilômetros de sua residência, sem aviso prévio da penalidade

 


Ou seja, a lei “olho por olho, dente por dente”

 


Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier). Às terças-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung

Função de um vereador

 

Integrante da Rede Adote um Vereador, Cláudio Vieira publicou hoje texto no qual fala sobre a função do vereador, em grupo de discussão do site do jornalista Luis Nassif. Reproduzo o artigo dele e aproveito para convidá-lo a participar do debate que se realizará amanhã, sete de agosto, às 19 horas, na Câmara Municipal de São Paulo, e falará sobre como decidir o seu voto para vereador. Entender a função do parlamentar no município é um dos caminhos para que esta decisão seja a mais correta possível:

 


Por Cláudio Vieira

 

Os vereadores são eleitos pelo voto direto. O mandato é de quatro anos e a reeleição, ilimitada. O número de vereadores em cada cidade depende da quantidade de moradores. As câmaras municipais podem ter no mínimo nove e no máximo 55 cadeiras legislativas. A Emenda Constitucional 58, aprovada em 2008, permitiu que os municípios recalculassem o número de vereadores e o resultado é que, para a eleição desta ano, foram criadas 5.070 vagas e o país terá, então, 56.818 vereadores, a partir da próxima legislatura.

 

O papel do vereador é elaborar, apreciar, alterar ou revogar as leis municipais que podem interferir na qualidade de vida do cidadão. Essas leis podem ter origem na própria Câmara ou resultar de projetos de iniciativa do Prefeito e da própria sociedade, através da iniciativa popular. Um exemplo da ação do cidadão no processo legislativo foi a aprovação do Plano de Metas, na cidade de São Paulo.

 

O vereador é um agente fundamental no controle da gestão dos recursos públicos. Ele está presente no dia-a-dia do município e tem de ser capaz de identificar as demandas da população e os problemas que impedem que as políticas públicas atinjam seus objetivos. Outra importante atribuição a um vereador é a elaboração da Lei Orgânica do Município, uma espécie de Constituição Municipal, na qual há um conjunto de medidas para proporcionar melhorias ao cidadão. O prefeito, sob fiscalização da Câmara de Vereadores, deve cumprir a Lei Orgânica.

 

Aliás, uma das mais importantes funções do vereador é fiscalizar como o dinheiro público está sendo investido pela prefeitura. Tem de garantir que a sua aplicação esteja de acordo com os interesses coletivos e com o que está previsto em lei. É importante salientar que o vereador quando controla a atuação do gestor público municipal está, na verdade, cumprindo uma obrigação fixada pelo texto da constituição Federal Brasileira de 1988, a qual estabelece em seu art. 31 que a fiscalização do município será exercida pelo Poder Legislativo municipal, mediante controle externo. Isso significa que é responsabilidade do vereador fiscalizar e controlar as contas públicas, além de avaliar permanentemente as ações do Prefeito.

 

E quem fiscaliza o vereador?

 

O cidadão que tem o direito de eleger tem também o dever de controlar, monitorar e fiscalizar o vereador eleito, afinal o que ele decide mexe na nossa qualidade de vida e tudo que ele faz é com o dinheiro dos nossos impostos.

 

Diz o antropólogo Roberto Da Matta que a cidade é o berço da cidadania. Portanto, exerça a sua cidadania. Adote um vereador.

 

Avalanche Tricolor: o juiz roubou meu post

 

Grêmio 3 x 1 Bahia
Brasileiro – Olímpico Monumental

 

“Juiz ladrão, porrada é a solução; juiz ladrão, porrada é a solução”. A frase era repetida à exaustão por um coro desencontrado e de voz infantil e o som vinha do pátio da escola, onde meninos jogavam bola em uma quadra de terra sem muita estrutura nem goleiras com rede. Fiquei curioso para saber o que acontecia lá dentro e em vez de seguir meu passeio aproveitei o portão enferrujado semi-aberto para entrar. O alvo era um outro garoto que, com apito na boca, fazia trejeitos de árbitro impondo-se diante dos colegas, ditando regra, interrompendo o jogo a todo instante como se querendo mostrar que por mais talentosos que fossem os meninos em quadra nada seriam capazes de fazer diante da autoridade dele. Percebi, também, que os gritos tinham muito mais de humor do que de raiva, e a intenção era tirar uma da cara do amiguinho que, sabe se lá o motivo, em vez de jogar bola prefere controlar o jogo.

 

Quando assisto a uma partida como desta tarde no estádio Olímpico lembro-me da cena que vivi há alguns anos, em Porto Alegre, em escola estadual que existe até hoje perto da casa em que morava no bairro do Menino Deus. Esclareço desde já que não estou dizendo que o juiz Cláudio Francisco Lima e Silva, do Sergipe, seja ladrão e menos ainda defendendo a violenta solução proposta no versinho dos meninos. Mas sempre me pergunto o que leva alguém a decidir-se por esta profissão ingrata que se exercida com perfeição não será sequer percebida, talvez não mereça uma só menção na crônica do jogo. Que somente terá o privilégio de ver seu nome em destaque no primeiro parágrafo de uma reportagem esportiva se estiver metido em confusão.

 

Ao fim da partida de hoje vi em Seu Lima e Silva a mesma cara de menino safado e arteiro que havia naquele garoto da escola porto-alegrense. Em vez de medo pela forma agressiva com que os jogadores do Bahia reclamavam, ele parecia orgulhoso pelo dever cumprido, ou seja, ser mais importante em campo do que todos os jogadores. Com a colaboração de seus auxiliares, interferiu no andamento da partida, anulou gol legítimo, legitimou gol irregular, permitiu que a regra fosse descumprida por jogadores dos dois lados e ainda realizou a façanha de permitir que um jogador com dois cartões amarelos permanecesse em campo. (sim, no momento em que o Grêmio fez o gol da virada, Mancini do Bahia já teria que estar no vestiário)

 

Nem Zé Roberto que conduz e passa a bola com precisão rara no futebol brasileiro, nem Elano que arma e dribla com qualidade, nem o belo gol de Marcelo Moreno, nem o fato de o Grêmio permanecer por mais uma rodada no G4 serão mais falados do que as trapalhadas de Seu Lima e Silva. Seus erros impedem que os méritos sejam destacados assim como escondem as falhas de uma equipe que aceitou a reação do adversário mesmo jogando em casa. E o que mais me incomoda: me roubou a oportunidade de escrever um post sobre mais um momento de superação do Imortal Tricolor. E para isso não tem perdão: “juiz ladrão, porrada é a solução”.