Escreva bem, é simples

 

Aproveito o feriado de sexta-feira para dividir com você texto publicado há algumas semanas em O Globo, no qual a professora de Língua Portuguesa Erika de Souza Bueno mostra que a escrita de qualidade pode ser bem mais simples do que imaginamos. Neste artigo, a coordenadora-pedagógica do Planeta Educação/Vitae Futurekids desmistifica algumas regras da gramática. Faça bom proveito, é simples:

 

Não é preciso ser professor de língua portuguesa para conhecê-la. Os gramáticos não são os únicos capazes de produzir textos coerentes, concisos e adequados. Não, a língua portuguesa não é a mais difícil de ser entendida. Não, português não é difícil de aprender. Acredite, você é capaz de produzir textos concisos, caprichados e perfeitamente entendíveis às pessoas que você deseja que tenham acesso a eles. Para começar, defina seu assunto, ou seja, sobre o que você pretende falar ou discursar. Entenda que não é o título (ao concluir seu texto, não se esqueça dele), mas o assunto a ser desenvolvido, aquele que será seu objeto de análise, tal como uma matéria-prima que precisa ser moldada para ter os formatos de acordo com o estilo de cada um. Uma das dicas para isso é inserir em seu cotidiano a leitura em suas formas verbais e não verbais, tendo um olhar atencioso a todas as formas de textos que o rodeiam, tais como propaganda, fôlder, charge, placa de trânsito, anúncio de emprego, discurso de algum político, enfim, atente-se a tudo o que é capaz de transmitir uma mensagem. Aproveite para se questionar sobre como esses exemplos conseguem fazer com que uma mensagem seja entendida por um determinado grupo de pessoas. Bom, escolhido o assunto, defina, indispensavelmente, seu público-alvo, pois ninguém escreve bem se não souber para quem vai escrever. Essa dica vale até mesmo se você desejar que seu texto seja lido por um grande número de pessoas. Nesse caso, utilize-se de uma linguagem simples e formal, ou seja, não utilize palavras que parecem existir apenas em dicionários e, muito menos, não utilize expressões grosseiras e gírias. Observadas essas dicas, você pode, enfim, começar seu rascunho. Isso mesmo! Rascunho, pois um bom texto, na maioria das vezes, é o resultado de uma releitura realizada pelo próprio autor. Isso acontece porque, ao reler o que escrevemos, vamos identificando outras formas de passar a mesma informação. Nesse processo, aumentamos nossa garantia de que a mensagem será entendida pelos nossos receptores. A partir de seu primeiro rascunho montado, faça uma releitura atenciosa, verificando se existe alguma palavra escrita incorretamente ou, ainda, se é necessário mudar a ordem em que as frases foram escritas. Aproveite essa releitura, também, para verificar se não existem formas mais claras de dizer alguma sentença, apostando na simplicidade das falas e na consequente clareza da mensagem. Por falar em simplicidade, entenda-a como um dos caminhos para a concisão de seu texto. Por exemplo, em vez de começar um e-mail com “Venho por meio deste solicitar minha transferência de setor”, prefira, simplesmente, “Solicito minha transferência de setor”, não se esquecendo de começá-lo com os devidos cumprimentos. Aproveite esse momento, ainda, para identificar possíveis pleonasmos, pois eles cansam o leitor, impedindo-o, muitas vezes, de completar a leitura. Exclua de seu texto, por exemplo, expressões como “elo de ligação”, “sair para fora”, “calçar os sapatos nos pés”, entre tantas outras. Para finalizar, na releitura de seu próprio texto, tente atentar-se para regras simples da língua portuguesa, ou seja: Não separe sujeito e verbo, e acentue todas as proparoxítonas. Analise os parênteses. Compreenda que tudo pode acontecer dentro deles, ou seja, outras vírgulas, pontos-finais e, até mesmo, exclamação e interrogação. Por isso, primeiramente, analise sua frase sem eles e, somente depois, volte seu olhar para analisar o que foi escrito, verificando se há mesmo a necessidade de inseri-los. Verifique se as palavras terminadas em ágio, égio, ógio e úgio estão devidamente acentuadas, bem como se a crase não foi inserida antes de palavras do gênero masculino ou antes de verbos no infinitivo. Se seu texto obedecer às regras da Nova Ortografia, exclua o trema e os acentos de paroxítonas “oi/ei”, bem como o circunflexo de formas verbais como “veem e creem”. Lembre-se que temos até o fim de 2012 para nos adequarmos a ela. Se for utilizar os verbos “tem” e “vem” no plural, não se esqueça de acentuá-los. Atente-se para a escrita correta de cada palavra, verificando se não está faltando nenhuma letrinha. Em caso de ênclise, principalmente no Word (o Word insiste em eliminar alguns acentos indevidamente), verifique se os verbos (com exceção apenas de verbos terminados em “ir”) estão acentuados, como ocorre em “identificá-lo, rompê-lo, construí-lo”. Ainda falando em colocação pronominal, identifique se o pronome não está sendo atraído por palavrinhas como “não, jamais, quanto, quem, que…”. Por exemplo, em vez de escrever “não negaram-me a certidão”, escreva “não me negaram a certidão”. Evite o gerundismo, pois, assim como o pleonasmo, também pode desmotivar a leitura. Veja se você não repetiu alguns termos desnecessariamente, lembrando que a razão de os pronomes existirem é exatamente essa, ou seja, substituir palavras, retomando seu completo significado. Além dessas regras que podem ser lembradas mais facilmente, vale mais uma dica muito importante: peça que outra pessoa leia seu texto, pois nada como um olhar diferente para apontar algumas falhas que, mesmo após a nossa releitura, não conseguimos identificar. ERIKA DE SOUZA BUENO é professora de Língua Portuguesa, coordenadora-pedagógica do Planeta Educação/Vitae Futurekids.

Demóstenes Torres, o senador ganancioso

 

Por Mílton Ferretti Jung

 

Meu assunto de hoje é a ganância. Escrevo inspirado nesta frase: ”Não se admite que os destinos da nação (o cacófato danação foi cometido pelo autor) possam ser geridos por representantes que não possuem conduta adequada à dignidade das relevantes funções públicas”. Quem costuma acompanhar o noticiário sobre a política brasileira está, com certeza, muito bem informado sobre a imensa contradição entre o que aparentava ser o senador Demóstenes Torres e o que se ficou sabendo dele, agora, para espanto geral. Demóstenes, relator da Lei da Ficha Limpa, deu à luz à frase com a qual abri o meu texto, usada por Ophir Cavalcante, presidente da OAB, autor do livro Ficha Limpa: a Vitória da Sociedade, obra prefaciada pelo senador, que se danou por ser amigo do bicheiro Carlinhos Cachoeira “y otras cositas más”, por exemplo, o fato de o Procurador de Justiça, professor e advogado, senador da República, abrigar em seu gabinete servidores fantasmas.

 

É de se perguntar o que leva muitas pessoas com vida mansa, sem problemas financeiros ou de qualquer outra ordem, a querer enriquecer sempre mais e mais, demonstrando ambição exacerbada de ganho, esquecendo-se que, de repente, a sorte pode mudar de lado, tal qual ocorre, neste momento, com o antes impávido cavaleiro da moralidade Demóstenes Torres. A ganância ilimitada, que maculou muitos políticos brasileiros, inclusive ministros, por se tratar de quem se imaginava que fosse, tornou maior o descrédito já volumoso que vem denegrindo a classe. Salve-se dele, descrédito, quem puder. E não for ganancioso.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Avalanche Tricolor: Um jogo em que só lembrei de Airton

 

Ipatinga 0 x 1 Grêmio
Copa do Brasil – Ipatinga (MG)

 

Em partida na qual desde o técnico até o último jogador a entrar em campo – refiro-me a Marquinhos – salvou-se mesmo o destemido Fernando, fiquei boa parte do tempo pensando se aqueles atletas tinham ideia do que representava a tarja preta na manga da camisa. Se alguém havia se dado ao trabalho de conhecer a verdadeira história de quem homenageavam. E como nada do que acontecesse em campo, nem mesmo a vitória que eliminaria a partida de volta, poderia ser mais importante do que Airton Ferreira da Silva, nosso Imortal Zagueiro Tricolor, aproveito esta Avalanche para reproduzir texto oferecido pelo próprio autor, Airton Gontow, assim batizado em homenagem ao nosso ídolo das décadas de 50/60. E quanto a este jornalista e gremista que, assim como eu, mora em São Paulo, não tenha dúvida, sabe muito bem o que significou Airton.

 

Para ilustrar, este texto a imagem feita por outro gremista: Francisco Carlos, desenhista de primeira.

 

 

Alto, forte e extremamente clássico, o jovem Airton despertou o interesse dos dirigentes gremistas. Jogava pelo pequeno Força e Luz, time porto-alegrense, que tinha gramado, mas não possuía um estádio. O Grêmio fez uma boa proposta. Acima das suas possibilidades. Mas o Força e Luz quis mais, bem mais. Foi aí que aconteceu a mais surpreendente das ofertas: 50 mil cruzeiros e mais o Pavilhão Social do estádio da Baixada.

 

Era o ano de 1954 e Airton foi para o Grêmio. Ou melhor, agora o tricolor gaúcho tinha o “Airton Pavilhão”, o homem que foi trocado por um estádio de futebol.

 

O ato aparentemente insano da diretoria – de trocar um patrimônio por uma simples promessa, de 19 anos, que poderia nem mesmo vingar ou até sofrer alguma contusão em um período em que a medicina esportiva era tão insipiente – se mostrou o maior negócio da história gremista.

 

Airton valia mais que um estádio!

 

Em 12 temporadas, ganhou cerca de 17 títulos, entre eles de pentacampeão gaúcho de 56 a 60 e o hexacampeonato estadual de 62 a 67. Tinha a companhia de craques, mas era o grande nome da equipe. Durante os anos em que atuou no tricolor dos pampas, aconteceram 52 grenais. Com ele, foram 42 jo..gos, com 22 vitórias, oito empates e 12 derrotas. Sem ele, nenhuma vitória tricolor. Foram dez jogos, sete ganhos pelo Inter e três empatados.

 

Ficou famoso também por uma jogada que só ele era capaz de fazer: em muitos jogos, levava a bola em direção à bandeirinha de escanteio, levando com ele alguns jogadores adversários. Aí virava o corpo e, colocando uma perna por trás da outra, recuava, de letra, a bola para as mãos do goleiro e, claro, para o delírio dos torcedores.

 

Nunca errou, mas alguns consideram que esta aparente irresponsabilidade foi responsável por sua não permanência na Seleção Brasileira, apesar de ter até conquistado o título de campeão Pan-Americano, em 56.

 

Segundo o conceituado comentarista gaúcho Ruy Carlos Ostermann, que viu atuarem pelas equipes gaúchas zagueiros como Calvet, Figueroa, De Leon, Anchieta e Gamarra e que acompanhou inúmeras Copas do Mundo, Airton Pavilhão foi o melhor defensor que assistiu em campo: “Não conheci zagueiro melhor do que ele…marcava sem pontapé, sem esforço físico, marcava naturalmente”, diz Ostermann. Para o jornalista e escritor Paulo Sant’Ana, conhecido por seus belos textos e também pelo seu fanatismo pelo tricolor gaúcho, Airton Pavilhão foi o maior craque da história gremista, acima de jogadores como Ronaldinho Gaúcho, Eurico Lara e Renato Portaluppi.

 

Ídolo da torcida, foi admirado até pelos grandes rivais. No ano passado, estive no Beira-Rio e entrevistei Claudiomiro, ex-centroavante do Internacional. “Qual é o melhor zagueiro que enfrentaste?”, indaguei. Ele foi taxativo: “Airton, Pavilhão!” e explicou: “Além de ser quase impossível passar por ele, nunca dava um pontapé, era incapaz de fazer uma falta”.

 

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Marketing de interrupção: tira esta propaganda daqui

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Imagine você, experimentado viajante, num aeroporto vazio esperando a chamada para seu voo, quando um estranho lhe pergunta afavelmente onde fica o portão sete. É provável que o indique calma e educadamente. Agora passe a mesma cena para Congonhas às 8hs da manhã, o saguão cheio e barulhento. Enquanto você ajeita a agenda de reuniões do dia, a mesma pergunta é feita pela segunda, terceira, ou décima vez. Bem, você nesta altura já não aguenta as interrupções e a mesmice das perguntas. Este cenário é a sua vida. Você tem mais coisas a fazer do que o tempo disponível, você está constantemente sendo incomodado por estranhos, você está exposto diariamente ao menos a quatro horas de propaganda através de interrupções que o faz perseguir momentos de paz.

 

É irônico que esta situação seja obra do Marketing, e de autoria dos mais premiados publicitários e marqueteiros. É o Marketing da Interrupção. Se não bastasse isso, vemos atualmente aumento no som dos comerciais nos intervalos dos programas, assim como a transformação do merchandising em venda explicita.

 

A solução ao Marketing da Interrupção é o Marketing da Permissão, proposto por Seth Godin, e autor da situação acima descrita.

 

Enquanto não há interrupção ao Marketing da Interrupção surge a possibilidade de seu abrandamento. Graças à Folha de São Paulo, que em 2010 publicou pesquisa na qual demonstrava que as emissoras estavam até quatro vezes acima dos decibéis permitidos aos comerciais. E os programas infantis exibiam sons acima da lei. Inclusive o Cartoon Network com decibéis cinco vezes mais. O Ministério Público pediu então a aplicação da lei de 2001 assinada por FHC. A Procuradoria entendia que a função era da ANATEL, mas em março a juíza Leila Paiva Morrison determinou que a função fosse da AGU Advocacia Geral da União. E deu 120 dias para o cumpra-se. Aguardemos.

 

Que os talentos da comunicação tenham éticas próprias, fazendo obras que estimulem consumos inapropriados, se entende. O que não se entende é como não enxerguem a impropriedade de aborrecer a quem precisam enobrecer: sua majestade o consumidor.

 

Enquanto isso, vemos propagandas explicitas nos enredos de novelas e filmes. Da simples aparição de carros da mesma marca chegamos ao lançamento de modelos com descrições dignas das garotas propagandas do início da TV. Apple e Starbucks estão sendo mal copiadas. Kia, Volkswagen, Natura e Itaú têm exagerado. Os vendedores de carros devem considerar que somos um mercado de surdos no amplo sentido, a Natura com toda a reputação positiva nos obriga a visitar sua fábrica na novela global como se fosse parte natural da trama, o Itaú lança produtos interrompendo sem cerimônia o enredo. Melhor que fique nos intervalos do tênis, como o fez com categoria no sábado, embora cobrindo graciosamente as pernas da Sharapova.

 

Obs. Sobre o Marketing Permitido, o abordaremos posteriormente.

 

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

Airton Pavilhão entra para a Imortalidade, aos 77 anos

 

Airton Ferreira da Silva, o Pavilhão, zagueiro como poucos que tiveram na história do futebol brasileiro, chegou acompanhado por amigos e apoiado em uma bengala. Tive o atrevimento de apertar-lhe a mão e dirigir-lhe um sincero muito prazer. O rosto está envelhecido, sinal de uma doença que não perdoa nem os merecedores da imortalidade.

 

 

Era a final da Libertadores de 2007 quando vi, pela última vez, Airton Ferreira da Silva, o maior zagueiro que já vestiu a camisa do Grêmio. Tive a oportunidade de cumprimentá-lo como lembrei na abertura da Avalanche Tricolor (reproduzida acima) que contou a história daquele dia que passei no Olímpico Monumental, ao lado do meu pai. Melhor, tive a chance de, mais uma vez, reverenciá-lo. Mesmo demonstrando a doença e a bengala era majestoso no passeio próximo da torcida, como o foi dentro dos gramados onde se consagrou pela elegância com que desarmava os atacantes, nos anos de 1950 e 1960.

 

Quando o conheci pessoalmente já estava aposentado. Era quase um trófeu sempre exposto na porta da casa que ficava ao lado do portão principal do Olímpico. Cumprimentá-lo a caminho do estádio era uma obrigação de todo gremista. Os mais exaltados gritavam seu nome e o aplaudiam, a maioria, provavelmente, como eu, jamais o assistiu jogando, mas ouviu falar das mais impressionantes cenas que um zagueiro poderia ser protagonista.

 

Airton é o zagueiro do time dos sonhos de todos os gremistas e uma prova de que era possível haver vida inteligente dentro da área. Ganhou o apelido Pavilhão porque o passe dele foi comprado do Força e Luz pelo Grêmio em troca de um lance de arquibancada do velho estádio.

 

Uma das suas jogadas mais tradicionais era quando levava a bola até quase a bandeirinha de escanteio, atraindo o centro-avante, e a recuava para o goleiro de letra. O que era para ele a melhor forma de espantar o atacante – muito melhor do que um pontapé que fosse -, que preferia ficar distante do zagueiro para não ser humilhado novamente. Foi o que sempre ouvi meu pai contar, e os amigos dele confirmavam. E os inimigos, também.

 

Se você tem dúvidas sobre as qualidades de Airton, pergunte a Pelé que o considerava o melhor zagueiro do mundo, capaz de jogar contra ele, roubar-lhe a bola e sem jamais ter necessidade de fazer uma só falta. Consta que foi também o único que se atreveu a dar um chapéu no Rei.

 

Airton morreu aos 77 anos, em Porto Alegre, nesta terça-feira, escrevem os jornalistas. Morreu coisa nenhuma. Airton é Imortal Tricolor.

 

Bicicleta: “ruas não são um ringue”

 

Ciclovia da Radial Leste

 

As cidades amigáveis da bicicleta e os benefícios que esta traz para a saúde foram temas do comentário de Sérgio Abranches, no Ecopolítica, que vai ao ar, no Jornal da CBN. Pouco depois de falarmos sobre o assunto, soube da morte de mais um ciclista na capital paulista. Hoje, também, recebi a mensagem do ouvinte-internauta Wilson Teixeira Soares, jornalista e ciclista, que compartilho com você. Além de chamar atenção para o papel dos jornalistas na mudança de comportamento da sociedade, também destaca medidas fundamentais para que as cidades brasileiras apareçam na lista citada por Sérgio no comentário que você ouve clicando aqui. Mas antes, leia o texto do Wilson:

A cada dia, quando de casa para o treino saio, ouço, quando começa, o teu programa na CBN. Hoje, pouco antes das sete, abordavas com um especialista na matéria a questão do sódio na alimentação. E o especialista elogiou o fato de os meios de comunicação terem, de maneira regular, abordado o assunto, o que levou os consumidores brasileiros a terem interesse em saber o que estão a comprar, para tanto consultando a tabela nutricional dos invólucros.

 

Findo o treino – como não é a passeio, giro, com os camaradas de treino diário, nas vias públicas de Brasília, compartilhando-as com os veículos motorizados -, guardei a bicicleta, liguei o rádio do carro e escutei teu bate-papo, sobre ciclovias, com o Sérgio Abranches. Boa conversa.

 

Mas, por quais cargas d´água te escrevo? Por singela razão: ciclovias são necessárias? São. Ciclofaixas, igualmente, são necessárias? Por suposto.  Mas nós, que treinamos, que socamos a bota, usamos as vias públicas.  Porque somente um rematado idiota se dá ao desplante de girar forte em uma ciclovia, colocando em risco o ciclista de lazer, o usuário da bicicleta que a utiliza para ir trabalhar. Como sabemos, o trânsito é um ambiente de risco.

 

Para reduzir os riscos, um tripé é fundamental: obras de infraestrutura, fiscalização e educação. Na verdade, deveria ser um quadrilátero: obras, fiscalização, educação e maior rigor na aplicação da legislação. E educação para o trânsito, para que o conjunto da sociedade tenha consciência de que a vias públicas são um ambiente que a todos pertence – pedestres, ciclistas, motociclistas e motoristas de ônibus, caminhões e automóveis -, é o elemento diferencial. O mais importante. E, no Brasil, desprezado.

 

Por isso, torço, espero, desejo que continues a abordar o assunto. Que seja essa uma pauta constante, regular. Porque se foi pelo martelar do assunto que o consumidor brasileiro passou a se interessar pela composição e pela data de vencimento dos alimentos que adquire, será, também, pelo bater na tecla de que as ruas não são um ringue, não são uma arena, de que são um ambiente de convivência, que se expandirá a consciência de que ciclistas, por estarem expostos ao perigo quando pedalam nas estradas, avenidas e ruas, têm de ser objeto de precaução por parte dos que eventualmente estão atrás do volante.

 

Um grande abraço, Wilson Teixeira Soares – jornalista, ciclista, membro do grupo ciclístico Coroas do Cerrado, conselheiro da Ong Rodas da Paz.  

Desejos … aos 50 anos e mais

 

Por Julio Tannus

 

Há pouco tempo me pediram para elaborar uma lista do que ajudaria as pessoas de 50 anos e mais, nessa fase de vida, do ponto de vista social, da saúde, profissional, familiar e, também de consumo – o que as empresas poderiam fazer para satisfazer esse novo consumidor maduro. De pronto me lembrei de alguns versos de um poema sobre desejos de Carlos Drummond de Andrade:

 



Julio Tannus é consultor em estudos e pesquisa aplicada, co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier) e escreve no Blog do Mílton Jung

Conte Sua História: Dona Maria do Carmo, uma mulher de verdade

 

No Conte Sua História de São Paulo você acompanha o texto da ouvinte-internauta Meg Guida, no qual fala da Dona Maria do Carmo, a mãe dela que tinha uma enorme capacidade de começar de novo:

 


Ouça este texto que foi ao ar, sonorizado pelo Cláudio Antonio

 

No bairro da Vila Romana, nos idos de 1970, muitas famílias ainda incorporavam expressões em italiano em frases do dia-a-dia. Eu me lembro que minha avó fumava sem culpa porque, na lavoura, quando emigrou da Sicília para cá, pitava para espantar os mosquitos.” Va via”, repetia a minha mãe quando eu ia roubar a massa do crostole estendido sobre a mesa, me repelindo da cozinha, imitando o que a nonna fazia com os mosquitos. Trabalhar pesado era tão natural quanto acordar todas as manhãs, comer e dormir. “Al lavoro”, como palavra de ordem, sempre foi um mantra para mim. E minha mãe, Maria do Carmo, a Carminha, como ninguém fez valer a prática da lida com suor e recompensa. O nosso verbo era começar.

 

Embora o dicionário descreva como a mesma coisa, recomeçar é diferente de começar de novo. Recomeçar, na minha conta, significa iniciar de onde você parou. E de onde você parou pode ser uma parada nada bacana. Você pode ter parado na mesmice, no ostracismo, na concordata e na falência de si mesmo, de suas ideias e perspectivas. No começar de novo, estão atitude e ação. Você sai do estado de paradeira. Olha o cenário da quilometragem que percorreu e se guia por esse espelho retrovisor para acelerar e chegar inteiro, cuidando para não fazer bobagens no meio do caminho. Quem apenas recomeça, sem entender porque parou ou foi parado, corre o risco de repetir o padrão do erro, inconscientemente. Aliás o prefixo “re” sugere mesmo algo a ser reparado, consertado, remendado para fazer o papel de que voltará a ser e ter o efeito de inteiro. Já viu se algum artista que se relança? Uma empresa que se relança? É a mesma coisa que falar do último lançamento de um cantor. Quer dizer que depois desse, não haverá outro?

 

Bem, mas voltemos ao começar de novo. Minha mãe, Maria do Carmo, a Maria, a Carminha batizada assim pelos amigos nos últimos 30 anos, comemorou os seus 80 no dia 25 deste mês, março. E viveu a vida começando de novo, usando um vigor que eu sei lá de onde ela tirava para cada fase, para cada projeto. Minha mãe olhava pelo retrovisor do passado apenas para estar segura de andar para a frente sem bater em ninguém nas ultrapassagens, nas curvas. E ela chegava com sucesso ao destino, sempre. Lembro que na minha infância eu convivia com muita gente em casa, mais de 15 pessoas no usual. E família de verdade éramos eu, minhas duas irmãs e meus pais. Vocês podem acreditar que ao se casar, minha mãe herdou a sogra viúva doente, velhinha, com mais seis pessoas, marido e filhos de uma cunhada recém-adquirida e falecida? E ainda acham que a Amélia era mulher de verdade….Durante anos eu vi minha mãe na ativa, mirando adiante e para o alto. Fazia tudo em casa, sem empregada, cozinhava para um batalhão e sem sal para a minha avó, cuidava de todas nós, acompanhava o dever de casa e ainda por cima costurava como ninguém. Tirava os modelos das revistas e nos vestia como princesas, sem repetir na criação. Até para os nossos cabelos ela inventava moda, colocando cerveja para fixar os cachos, os rabos de cavalo e coques no alto da cabeça. Não tinha tempo ruim pra dona Maria do Carmo. Desemprego do meu pai? Falta de grana? Com essa agenda absurda, ela ainda costurava para a vizinhança para sustentar a casa e os nossos sonhos. Começou de novo quando saímos do ninho, quando voltamos. Quando passamos apertos de alma e de bolso. Quando o marido pensou ir para o andar de cima, mas os amigos do além e o pai de todos o mandaram de volta. Hoje, aos 80 anos e alguma coisa, minha mãe começa de novo todo dia. Nasce nas manhãs irradiando alegria, louca para testar o prato novo que aprendeu na televisão, a roupa que customizou, contar do bazar que participará, da criança que vai vestir. Ela só esquece de começar de verdade – e aí, recomeça sempre- a briga com a balança. Mas é tão linda a figura que minha mãe mostra ao mundo, esculpida com os excessos que a sua culinária impecável insistiu em destacar!

Vamos falar de jornalismo ?

 

As transformações sofridas pelo jornalismo e o impacto do desenvolvimento tecnológico nos meios de comunicação são alguns dos temas que serão discutidos no debate 25 Anos – O Contexto Jornalístico, promovido pela Editora Contexto. Estarei ao lado de Milton Leite, Pollyana Ferrari e Carlos Eduardo Lins da Silva, a partir das 7 horas da noite, no Teatro Eva Herz, da Livraria Cultura, na avenida Paulista. Uma coleção completa da série de jornalismo da Contexto será sorteada.

 

Foto-ouvinte: funcionário faz arte na poda de árvore

 

Criatividade

 

As esculturas de madeira poderiam ser apenas obra de mais um artesão paulistano como tantos que encontramos no dia-a-dia. Estas, porém, tinham uma curiosidade que as difere das demais, pois é resultado da poda de árvore na cidade, como descobriu o ouvinte-internauta Gilberto Travesso, autor da foto:

 

“Hoje, me chamou atenção uma equipe de poda de árvores da prefeitura de São Paulo. Não o fato de estar retirando uma árvore condenada mas a criatividade de um dos funcionários. O artista anônimo, na sua hora de almoço, utiliza os pedaços da velha árvore para fazer esculturas. O fato se tornou interessante depois que parei para conservar com o cidadão e perguntei o que o levava a fazer esta esculturas. Ele me respondeu, na sua simplicidade: “Oras, consigo vender as peças e ganhar um dinheirinho extra para levar para casa”. Contou-me, também, que as peças são esculpidas com a moto serra”