Número de Vereadores para 2012

 

Por Antonio Augusto Mayer dos Santos

 

O número de cadeiras da Câmara de Vereadores de todas as cidades brasileiras deve constar na Lei Orgânica do Município como expressão de sua autonomia. Trata-se de uma exigência que visa organizar o Poder. De outra parte, em vista da limitação contida no texto da Constituição Federal, dúvida não há de que a Casa goza de absoluta discricionariedade para fixar a sua composição mediante os critérios e elementos que entender convenientes.

 

Sabe-se que foi o aumento da população anotado pelo Censo de 2010 combinado ao novo permissivo da Constituição que estimulou inúmeras Câmaras Municipais do país a propor emendas às Leis Orgânicas objetivando o aumento do número de seus Vereadores. Fique claro, porém, que o Legislativo não precisa estabelecer o número máximo permitido para poder funcionar.

 

A Constituição Federal conferiu às Câmaras a prerrogativa de dispor sobre a última palavra em relação aos Vereadores diante das 24 (vinte e quatro) faixas populacionais que introduziu, desde que observado o número máximo estabelecido neste mesmo dispositivo constitucional. Contudo, vale ponderar especialmente em vista daquelas comunidades onde a alteração poderá acrescentar ao invés de reduzir o número de cadeiras, que a manifestação popular merece valorização. Afinal, o tema é sensível e a política é uma atividade que tem sido alvo de críticas severas e freqüentes.

 

Alguns fatores podem subsidiar esta definição. Primeiro, que a população pode invocar considerações de ordem social, econômica ou orçamentária para sustentar que tanto o número vigente quanto outro, inferior ao máximo constitucionalmente permitido, é o que melhor se ajusta à sua realidade. Depois, em vista de que Câmara Municipal é formada por Vereadores eleitos pelo povo, é no mínimo sensato que ela avalie as considerações da própria sociedade sobre o tema. Por fim, os partidos políticos constituídos no Município devem se engajar em torno de objetivos comuns tais como paz social e representatividade. Quanto mais não fosse, nunca é demais frisar que a publicidade é um dos princípios que rege todos os atos praticados pelos poderes públicos.

 

Questões relacionadas à ampliação ou redução territorial, ao surgimento de fatos econômicos e sociais relevantes e mesmo a delimitação de novos bairros no Município são elementos objetivos que justificam a alteração da composição do número de Vereadores.

 

Para fixar o seu número de integrantes em vista da legislatura seguinte, a Câmara deve obedecer o prazo legal que precede o início das convenções partidárias previsto ao art. 8º da Lei nº 9.504/97, ou seja, junho/2012.

 

Em resumo: o número de vereadores não é nem nunca foi matéria de natureza eleitoral. A sua fixação não está e jamais esteve subordinada ao prazo de “um ano antes” da eleição. Se entre o ano de 2004 – data da alteração fixada pelo Supremo Tribunal Federal – e 2012 não ocorreu (ou ocorrer) nenhuma alteração na Lei Orgânica, para 2013 valerá o número de Vereadores que constava previsto (ou escrito) antes de 2004, ou seja, aquele que determinou o número de componentes para a eleição municipal de 2000, ainda que para os pleitos de 2004 e 2008 a composição tenha sido diversa, a maior ou a menor.

 

Porém, de tudo isso, mais importante que o número de Vereadores de uma Câmara Municipal, o essencial mesmo é a participação e colaboração dos cidadãos. Que outros blogs, a partir do sucesso desta liderança do Milton Jung, adotem os seus vereadores, inclusive como forma de subsidiá-los.

 


Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor dos livros “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age) e “Vereança e Câmaras Municipais – questões legais e constitucionais” (Editora Verbo Jurídico). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.

Avalanche Tricolor: Criatividade em lugar de clichê

 

Caxias 1 (5) x 1 (4) Grêmio
Gaúcho – Centenário, Caxias (RS)

 

 

O futebol, ao contrário do que costumam dizer por aí, não é uma caixinha de surpresa. Este é apenas mais um lugar-comum dos muitos que invadem os campos e o noticiário. Ainda hoje cedo ao abrir o jornal, li outras dessas frases ditas à exaustão que acabam perdendo o efeito: o Grêmio vai resgatar sua identidade, será um time forte e raçudo, disse Vanderlei Luxemburgo cumprindo o ritual de chegada. Você, caro e raro leitor deste blog, já deve ter percebido minha má vontade com o treinador, não a nego, e esta interferiu, com certeza, na primeira impressão que tive ao ler a nota de rodapé do Estadão. Exceção à diretoria que não teve coragem de manter Caio Junior, não me parece que faltava valentia ao time gremista neste início de temporada. Aliás, houve de sobra no Gre-Nal do meio da semana, na vitória sobre o colorado por 2 a 1. Revelou-se a cada esforço, passe ou chute de nossos jogadores, e na forma como Roger, interinamente, comandou a equipe no vestiário e ao lado do gramado, quando não precisou espernear ou sacudir os braços para demonstrar sua relação com o tricolor. Ao Grêmio eram necessários reforços e tempo para reestruturar o time do desmonte que enfrentou do ano passado para cá. Não deram isto Caio.

 

Do discurso de Luxemburgo não espero mesmo muita coisa, usa palavreado complicado para dizer mais do mesmo, mas pelo que cobra tem de oferecer mais, a começar pela criatividade para resolver as carências que temos, neste momento. Hoje, não foi além do lugar-comum ao escalar e comandar o Grêmio na partida válida pelas quartas-de-final da Taça Piratini, apelido do primeiro turno do Campeonato Gaúcho. A propósito, o Grêmio voltou a tomar gol de cabeça e perder decisão nos penâltis. E isto já está se transformando um clichê.

 

Que o Luxemburgo acrescente qualidade ao time, na formação e na estratégia. Quanto a coragem, fique tranquilo, está no nosso DNA.

De Κρόνος

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

Cronos Saturno Tempo, como queira chamar, é uma plataforma onde armazenamos os eventos vividos e os pretendidos. Cada tudo e cada nada. Ontem isso, anteontem aquilo, um ano ruim, o outro bom, isso sim, aquilo não. Nascimento, dor, enterro, amor, desterro, obedecemos à cronologia.

 

Pois a plataforma anda instável, e a cronologia fora do ar. Estão se atualizando, imagino. E nesse processo os eventos arquivados escorregam de pastas, caem, voam, se perdem, se encaixam em velocidade de rebentos da Luz, e falta tempo para respirar.

 

Sei que isso não acontece só na minha vida e na vida daqueles de quem eu sei riso e lágrima. Também sei que essa bizarrice temporal não quer dizer que Cronos resolveu mudar de área, que Saturno pulou Carnaval e assumiu a fantasia, ou que Tempo mudou de partido. Não senhor. Não senhora.

 

Nós é que não conseguimos nos desvencilhar da urgência de nos agarrarmos a algo que se mantenha, que permaneça para alimentar nosso ranço de rebeldia contra mudança, contra o crescimento que nossa noção de ordem considera desordenado. Nos vemos pedindo ajuda ao desconhecido para amenizar a chegada do próprio desconhecido que, fragmentado e multiplicado, desponta de todos os confins, muda tudo, desestabiliza a condição humana que já não prima pela estabilidade, e descortina, numa puxada tensa e brusca, a paisagem que não nos preparamos para ver.

 

Divido esta reflexão com quem me ouve, não porque queira ensinar ou disseminar algo que tenha chegado a mim por ter sido escolhida pelos deuses, ou por ser melhor do que alguém. Quem dera eu fosse melhor do que eu. Divido, buscando multiplicar a vontade de entender, procurando acender o letreiro do desejo de continuar a busca pelo melhor, sem perder a paisagem. Divido, para multiplicar a coragem de encarar o que vem e de reconhecer o que vai; para somar coragem de continuar a busca do caminho do meio, para aceitar o que não dá para mudar. Divido, para que juntos possamos compreender. Divido porque me salvo, dividindo.

 

E hoje, apoiada na prerrogativa da incoerência, peço a Cronos-Saturno-Tempo, que a cada descompasso nossos corações busquem harmonia, que possamos agradecer à Vida pela vida, que possamos nos servir de serenidade para aceitar o que não podemos mudar, de coragem para mudar o que podemos, e de sabedoria para reconhecer a diferença. Enfim; uma pitada de paz.

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

A moda e o conforto

 

Por Dora Estevam

 

Roupa boa é aquela que veste bem, sem apertar, sem marcar e sem apavorar. Não me canso de repetir isto. A coisa mais gostosa que tem é acordar e colocar aquela calça macia e confortável, uma camiseta larguinha que não pega em nada (digo nas dobrinhas), uma blusa gostosa e quentinha (no frio, é claro). Pensando neste conforto, a marca de moda praia Mar Rio desenvolveu a coleção outono-inverno ’12 com os tecidos mais confortáveis do planeta. As calças, casacos e blusões em plush; as blusas e vestidos em moletinho; os macacões e tops com tecido de compressão que reduz o risco de fadiga muscular; bodys e ainda uma linha plus size. Ninguém vai ter desculpa para fugir da academia. As cores, as mais atualizadas possíveis: marrom, laranja, verde militar, cinza, bordô (a mais esperada do inverno), além dos tradicionais preto, branco e tons em nude. Gorro, cachecol, blusa e cardigan e legging com polainas (adoro!).

 

 

Ainda no espírito de muitas estampas e no clima de conforto, eu quero mostrar também a coleção (outono-inverno’ 12) da Vida Bela. Aqui já com uma outra proposta: peças para trabalhar e para baladas. A linha que estou amando é a Golden Déco – alusão a Art Déco), que mistura tudo (já falamos isso aqui no blog). A marca traz cores fortes com metalizados e optou pelos tecidos nobres como matelassê, camurça e couro, e os mais tradicionais como os crepes e cetins. Quem gosta de jaqueta vai ficar louca, elas estão lindas, dá vontade de ter uma de cada cor; as calças e as batas fazendo a linha renovada dos anos 70, amo. Faz o seguinte, olhe as fotos para compor o seu look de inverno.

 

 

Taí uma coisa que mulher gosta muito: comprar, gastar e ainda sentir que economizou. Não entendeu? Explico. É que além de fazer compras deliciosas de muitas roupas e sapatos e bolsas e maquiagens…as mulheres gostam de ganhar pequenos mimos das lojas nas quais elas gastam. Um agradinho por lembrar que é uma das melhores clientes, se não for a melhor, é claro. Pensando neste momento tão delicado e exigente da mulher a marca de moda feminina Folic lançou uma campanha que vai premiar as clientes com uma viagem para Londres. Uhu! Para as apaixonadas pelo tema londrino vai ficar muito fácil, a coleção de inverno ’12 foi toda espelhada no lyfestyle britânico, com isso veio também a inspiração da campanha. Nas compras acima de R$500,00 a cliente já leva uma bolsa personalizada com a bandeira de Londres. Para ganhar a viagem, na hora da compra você preenche o formulário e responde a pergunta: Por que a Folic deve te levar para Londres? Que tal?

 

 

Ficou fácil. Faz o seguinte, gostou da ideia, vai até a loja e veja como tudo funciona. Se você for a ganhadora, escreva nos avisando. Boa sorte!!!

 


Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida, aos sábados, no Blog do Mílton Jung

Mundo Corporativo: Como medir emoções e comportamentos

 

Autoconhecimento e desenvolvimento humano são fundamentais para transformar o relacionamento produtivo nas organizações, é o que afirma a Dra Claudia Riecken, psicoterapeuta, empresária e fundadora do Grupo Quantum Assessment. Resultado de pesquisa e da experiência adquirida na vida profissional, Riecken criou o Método Quantum, que tem como objetivo mensurar com fidelidade alguns aspectos da estrutura comportamental do ser humano. Ela foi entrevistada pelo programa Mundo Corporativo, da rádio CBN.

 

 

O Mundo Corportivo você acompanha pela internet, ao vivo, toda quarta-feira, às 11 horas, e pode participar pelo Twitter @jornaldacbn e e-mail mundocorporativo@cbn.com.br. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Ficha Limpa no Carnaval

 

 


Este texto foi publicado, originalmente, no Blog Adote São Paulo, da revista Época São Paulo

 

Carnaval no Sesc Pompeia

 

A baderna que se transformou a apuração de notas do Carnaval de São Paulo, terça-feira, provocou uma série de reações das autoridades paulistanas e ameaças de punição. Em entrevista coletiva, o prefeito Gilberto Kassab (PSD) se esforçou para mostrar indignação e anunciar medidas para impedir a repetição dos fatos, apesar de que na prática a única mudança é que a SPTuris vai assumir a segurança do evento, apesar de não eu não ser capaz de identificar de que forma isto evitaria a invasão do local em que as notas eram anunciadas. Além de pessoal contratado pela Liga, a Polícia Militar estava lá com contigente maior do que nas principais partidas de futebol, segundo informações oficiais, e nada disso foi suficiente para conter os baderneiros. Em respeito ao público do Carnaval, é preciso que se registre que a confusão não partiu daqueles que estavam nas arquibancadas do Sambódromo, mas de gente autorizada, com crachá e pulseira de acesso que representa as principais escolas de samba da cidade. Mesmo a reação violenta, registrada pelas câmeras de televisão, de parte dos “torcedores” da Gaviões da Fiel, torcida organizada do Corinthians, somente explodiu após a invasão comandada por dirigentes – o que não os justifica.

 

Os meios de comunicação, em especial a TV Globo, que tem os direitos da transmissão, foram capazes de identificar uma a uma as pessoas que se manifestaram favoráveis a bagunça para impedir que houvesse a conclusão da apuração. Sem exagero, houve formação de quadrilha, pois os chefes, todos com cargos importantes dentro de agremiações, se reuniram, demonstraram descontentamento por não cumprimento de suposto acordo no qual não haveria rebaixamento de escolas para o Grupo de Acesso, e deram sinal de comando para “melar” a apuração, no que foram devidamente atendidos por seus asseclas, um deles, por sinal, que demonstrou muita agilidade no ato de roubar e extraviar as notas, enquanto fugia com destreza para escapar da segurança – parecia profissional (eu escrevi, parecia). A Polícia Civil já convocou ao menos nove deles para prestar depoimento, teria identificado o envolvimento de seis escolas e promete, em dez dias, a conclusão do inquérito que servirá de subsídio para a prefeitura e para a Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo determinarem as punições cabíveis.

 

As declarações dadas até aqui, tanto pelo prefeito quanto pelo presidente da Liga, não foram convincentes e sinalizam para a punição talvez de alguns integrantes mas não das agremiações sob a justificativa de que a comunidade não pode pagar pelos erros de algumas pessoas. Da mesma forma, durante muito tempo, se passa a mão na cabeça de torcidas organizadas no futebol permitindo que usem todo tipo de chantagem, com a parcimônia dos cartolas, e sigam promovendo a violência e afugentando torcedores e suas famílias dos estádios. O Carnaval vai pelo mesmo caminho ao permitir que quadrilhas se apoderem das escolas de samba com financiamento público. Este ano, a prefeitura paulistana investiu R$ 27 milhões.

 

Importante ressaltar que a relação entre criminosos e samba não é privilégio de São Paulo, haja vista o que acontece no Rio de Janeiro, onde os dirigentes afrontam o Estado ao rejeitarem a proposta do governador Sérgio Cabral (PMDB) de afastarem os bicheiros que financiam a festa com dinheiro arrecadado de forma ilegal. Cabral defende a profissionalização das agremiações, tornando-as sustentáveis durante todo o ano e dependendo cada vez menos de verbas públicas. E de verbas sujas.

 

Para mudar a cara do Carnaval, em São Paulo e no Rio, será preciso implantar uma espécie de Ficha Limpa, afastando os criminosos, impedindo a presença de pessoas condenadas no comando das Ligas e das escolas, punindo com todo o rigor da lei as agremiações que se envolverem em baderna e não respeitarem o regulamento e cortando verbas públicas daquelas que forem incapazes de comprovar como gastaram este dinheiro. Está na hora de fazermos com que a criatividade dos carnavalescos, revelada a cada noite de desfile, contamine a administração do Carnaval e impeça que este se transforme em uma festa de quadrilha.

 

A foto deste post é de autoria de Luis Fernando Gallo e faz parte do meu arquivo de imagens no Flickr

Sem direito ao sofá da Tia Rosa, mas com palpites para o Oscar

 

Nunca fui convidado para jantar na casa da Tia Rosa em noite de Oscar nem costumo me arriscar em palpites para a festa do cinema, talvez por me considerar apenas um admirador de filmes, jamais um entendido no tema. Assim como não lembro de cabeça a escalação do time do Grêmio campeão mundial de 1983, quando pretendo citar algum filme tendo a sofrer de amnésia e fico no “aquele que tem aquele ator com cabelo grisalho e conta a história daquela família complicada que a mãe está em coma e o pai tem problema para conversar com as filhas, lembra?”. Além disso, cinema para mim é apenas um prazer e tenho extrema dificuldade de envolver meu olhar crítico às coisas que me dão prazer. Não consigo ir a um filme e prestar atenção demasiada a técnica de uma atriz ou da estratégia desenvolvida pelo diretor para conquistar o público, apenas me sinto conquistado ou não. Conheço alguns amigos que , imagino, sequer têm tempo para aproveitar o sabor salgado da pipoca, tão fissurados que ficam nos detalhes que surgem na tela. Gosto de avaliar os filmes como muito legal, valeu a ida, melhor se fosse na sessão da tarde, e a pipoca estava boa – e para este últimos espero que ao menos a pipoca esteja boa.

 

Desta vez, porém, apesar de seguir sem o convite para o sofá da Tia Rosa, me senti provocado por e-mails e posts disparados pelos colegas da Hora de Expediente, cinéfilos juramentados, que me convidaram a participar de um bolão para a cerimônia que não assistirei – me desculpe se causo alguma frustração com esta confissão, mas acordo às quatro da manhã, ao contrário do Dan, Zé e Teco (espero que eles acordem até às oito e meia, na segunda, e estejam a postos para o programa). Vou arriscar assim minha reputação, mas para não provocar estrago muito grande vou resumir meus palpites às três principais categorias:

 

Melhor filme – Torço por “Os Descendentes”, “aquele que tem aquele ator …”; apesar de que quem deve subir ao palco para receber a estatueta é “O Artista”, o que deixaria o Teco de mau humor.

 

Melhor ator – George Clooney, “aquele de cabelo grisalho”, é minha torcida; mas quem leva é Jean Dujardin, de “O Artista”, afinal o cara consegue impressionar as pessoas sem falar. Apesar de que tenho uma amiga que pensa o mesmo em relação ao Clooney.

 

Melhor atriz – Meryl Streep, de “A Dama de Ferro”, é sempre a melhor, mesmo quando não leva a estatueta; mas será Viola Davis, com “Histórias Cruzadas”, quem ganhará o troféu este ano, apesar de que eu considere muito mais interessante de ver desfilando no palco Rooney Mara, de “Millenium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres”. Eu a amo.

 

Apenas uma torcida final, sem direito a concorrer no bolão: que Carlinhos Brown fique com melhor canção pois teríamos muito assunto durante a semana.

 

Em tempo: quer saber que é a Tia Rosa? Pergunta para o Teco ou leia o post dele no Blog do Fim de Expediente.

Tem graça feriado com estrada congestionada ?

 

Por Milton Ferretti Jung

 

É cada vez maior – e isto que me refiro apenas ao Rio Grande do Sul – o número de veículos, especialmente automóveis, caminhonetes e utilitários, que transportam as pessoas que, principalmente nos feriados prolongados de verão, dirigem-se, visando a fugir do calor, às praias não só deste estado, mas da vizinha Santa Catarina. Fico a me perguntar qual a graça que encontram em se atrever a pegar estradas congestionadas e, portanto, perigosas, para passar alguns dias no litoral. Será que vale a pena o sacrifício? Elas devem achar que vale, caso contrário, não iriam. Levam vantagem, principalmente as que permanecem em Porto Alegre. A razão é simples: a metrópole, pode-se dizer sem exagero, com tanta gente motorizada saindo dela, esvazia-se como num passe de mágica. Sei que isso também acontece, proporcionalmente, claro, em São Paulo.

 

Talvez aí (quando digito aí, se trata de São Paulo|), seja até pior do que aqui, porque duvido que essa cidade, somente por força de um feriadão ou outro, ficará, em matéria de veículos nas ruas, tão vazia quanto minha Porto Alegre. Observem estes números: nos dias 17 e 18 deste mês, nas principais rodovias do Rio Grande do Sul – BR-101, Estrada do Mar,Free-Way e ERS-040 – registraram-se congestionamentos monumentais. Pela Free-Way e pela Viamão-Cidreira, 185 mil veículos partiram rumo às praias. É mole? Esse número superou todas as expectativas. Quem quis ir até Santa Catarina, sofreu muito mais: gastou 12 horas para cumprir o percurso Porto Alegre-Florianópolis. Normalmente, leva-se a metade desse tempo para viajar até a capital catarinense. Sei de quem tirou uma bela soneca antes que os veículos andassem.

 

Podem me chamar de saudosista, mas morro de saudade dos tempos em que havia duas estradas para as praias gaúchas: uma por São Sebastião do Caí, outra, por Viamão. Quem buscava as praias do norte, ia por uma; quem queria ir às do sul,pela outra. Houve até, durante alguns anos, uma prova automobilística que começava em Gravataí e terminava nas areias de Capão da Canoa. Durante uma época, a velocidade nas duas estradas era controlada, por um cartão que se recebia ao sair e tinha de ser mostrado, na chegada, à Polícia Rodoviária Estadual. Os apressadinhos eram multados porque chegavam ao fim fora do tempo que o cartão marcava.

Estou concluindo este texto antes da volta do feriado prolongado. Fico, porém, imaginando como estarão as rodovias no retorno.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Avalanche Tricolor: Eles passarão

 

Inter 1 x 2 Grêmio
Gaúcho – Beira Rio

 

 

Foi uma quarta-feira curiosa esta de Cinza, pois acordei com a notícia da confirmação de que Vanderlei Luxemburgo seria o técnico do Grêmio e os que tiveram oportunidade de ler minha última Avalanche sabem de que discordo da avaliação feita pelos diretores, que não tiveram convicção, coerência e, o mais grave, coragem ao demitir Caio Júnior. A escolha de seu substituto apenas confirmou o que penso, pois seguiram o caminho mais fácil, olhando apenas o passado de Luxemburgo em lugar de avaliarem suas atitudes e histórias nem sempre bem explicadas e o seu retrospecto nos últimos anos pouco recomendáveis. Incrível foi a sequência de mensagens que recebi durante o dia demonstrando total desconfiança em relação a possibilidade de Luxemburgo ter sucesso no comando do Grêmio. A maior parte das pessoas apostando em vida curta e catastrófica, em Porto Alegre. Confesso que me incomodou demais esta contratação, e pensei muito sobre as contradições entre torcer pelo Grêmio e ter que contar com o sucesso de Luxemburgo.

 

No fim da tarde, alheio a polêmica e conversa de torcedores, um dos meus filhos, o Gregório, porém, me surpreendeu e com um só gesto mudou meu espírito. Antes de sairmos para passear, foi ao guarda-roupa tirou uma camisa azul, comprada durante o Carnaval em Porto Alegre, que leva no peito o distintivo do tricolor e o lema “Grêmio Manda”. Fomos para o shopping, assistimos ao filme “Reis e ratos”, com Selton Mello, fizemos um lanche, visitamos a livraria e o supermercado e a todos os momentos eu ficava observando o passeio dele com a camisa gremista. Não importava o que poderia acontecer com o seu time logo à noite ou durante a gestão Luxemburgo, tinha orgulho em vesti-la e tinha certeza da atitude que havia tomado.

 

Ele tinha razão. O Grêmio é muito mais importante do que qualquer um dos seus dirigentes, vai além da história de seus técnicos e do que possam aprontar no comando da equipe. É com este espírito que encaro este momento, a começar por esta noite, em que escrevo a Avalanche antes mesmo do fim da partida (estamos no intervalo agora). Aconteça o que acontecer, sempre serei gremista, por que eles passarão.

 

Em tempo: a vitória no Gre-Nal é mais um motivo para agradecer ao meu filho que mudou com minha disposição, nesta quarta-feira de Cinzas. Dá-lhe, Grêmio, sempre, Grêmio.

Os libertadores da América e os donos do futebol

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Leoz, Tupac Amaro, Simon Bolivar e Teixeira

 

Quem gosta e entende de futebol identifica a real importância deste campeonato cujo nome homenageia os heróis que libertaram a América espanhola e portuguesa. E como o seu gabarito é testado anualmente pelos resultados dos confrontos com os europeus, acrescido agora dos demais continentes, não há dúvida que o campeão da Libertadores é força proeminente no cenário do futebol mundial. Exceção feita aos recentes episódios protagonizados pelo Internacional e pelo Santos.

 

Mas quem são estes Libertadores da América? São dignos desta homenagem? Oportuna pergunta no momento em que na política os presidentes atuais da Venezuela, da Bolívia, do Equador, da Argentina cerceiam a imprensa; no futebol, a FIFA é posta em cheque pelos ingleses, e o principal dirigente da CBF e do COL para a Copa 2014 pré-anuncia o seu afastamento depois de 23 anos e, em seguida, renuncia ao mesmo. Tudo por conta de denúncias de irregularidades.

 

Infelizmente há uma extraordinária coerência neste mundo da bola, pois tanto alguns dos nomes homenageados dos Libertadores da América quanto determinados cartolas atuais tem a permanência no poder como ponto em comum. Além do pioneiro José Gabriel Condorcanqui, o indígena graduado pela Universidade de San Martin em Lima, também conhecido como Tupac Amaro II, José de San Martin, Manuel Belgrano, José Miguel Carrera, José Artigas e Ramón Cadilla, os demais libertadores da América Simon Bolívar, Bernardo O’Higgins, Antonio José Sucre e D. Pedro I, estavam em sintonia com o poder e sua longevidade.

 

Simon Bolívar além de ajudar San Martin na Argentina dominou a Venezuela, Bolívia, Colômbia, Equador, Panamá e Peru, tendo sido o segundo e terceiro presidente da Colômbia, além de presidente da Bolívia e do Peru onde mudou a Constituição e se auto-nomeou presidente Vitalício. D.Pedro I cercou o Congresso e instituiu o Poder Moderador que seria exercido por ele mesmo, acima de todos os demais poderes. Bernardo O’Higgins fez com que os governadores enviassem deputados que ele tinha indicado e com um congresso de cartas marcadas renunciou, de forma que com a combinada rejeição ficou com o mandato de Diretor Supremo do Chile.

 

No futebol, a Conmebol, entidade que responde pela Libertadores da América, é presidida por Nicolas Leoz há 25 anos que além da longevidade tem em comum com os demais o gosto pelos títulos de poder e nobreza. O inglês David Triesman, ex-presidente da Federação Inglesa de Futebol acusa-o de pedir o título de Cavaleiro do Império Britânico para pagar o seu voto para que Londres fosse sede da Copa 2018.

 

No aspecto político o Brasil está tranquilo e distante de outros países latino americanos, inclusive pela análise recente de Jim O’Neil, o criador dos Brics. Trata-se do Índice de Condições de Crescimento que envolve a estabilidade política. Entretanto no âmbito do futebol é preocupante, pois as possíveis alternativas giram em torno de José Maria Marin, o apanhador de medalha, e de Marco Polo Del Nero, o protagonista do ingresso para o show da Madona que quase queima a ultima partida do principal campeonato de futebol do país.

 

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas-feiras no Blog do Mílton Jung